Monografia Rosemaide Pedagogia 2003

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    03-Jul-2015

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Pedagogia 2003

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<ul><li> 1. 0 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAO CAMPUS VIICRIANAS QUE TRABALHAM E ESTUDAM EM UMAESCOLA DE PINDOBAU BAHIAROSEMAIDE FERREIRA DA SILVA SENHOR DO BONFIM BAHIA2009</li></ul><p> 2. 1ROSEMAIDE FERREIRA DA SILVACRIANAS QUE TRABALHAM E ESTUDAM EM UMAESCOLA DE PINDOBAU BAHIA Trabalho monogrfico apresentado como pr-requisito para concluso do curso de Licenciatura em Pedagogia, Habilitao nassriesiniciais, do Ensino Fundamental,pelo Departamento de Ensino Campus VII, do Estado da Bahia. Orientadora: Simone Wanderley SENHOR DO BONFIM BAHIA 2009 3. 2 ROSEMAIDE FERREIRA DA SILVACRIANAS QUE TRABALHAM E ESTUDAM EM UMAESCOLA DE PINDOBAU BAHIAAprovada em _______/________/________________________________________________________Orientador_______________________________________________Avaliador_______________________________________________Avaliador 4. 3A Deus, amigo de todas as horas.Aos colegas da turma de pedagogia 2003,em especial as minhas amigas Edileuza,Eneandra e Vanessa por compartilhar osmomentos de aflio,angstias ealegrias.Aos meus familiares, Beatriz, Charlene,Daniel, Maria e Rosa.Ao querido Heliton por estar presente emminha vida em todos os momentos.Aos alunos, que contriburam comigo pararealizao desta pesquisa. Muito obrigada! 5. 4 AGRADECIMENTOS Ao Departamento de Educao Campus VII. Aos funcionrios, a cadaprofessor que contribuiu com seu conhecimento para realizao deste trabalho, emespecial ao professor Ozelito, as professoras Simone Wanderley, Rita Braz, FaniQuitria.Obrigada! 6. 5Trabalho infantil a ltima forma deescravido do mundo. (STREEP, M.) 7. 6 LISTA DE FIGURASFigura 1. Distribuio por setor do trabalho infantilFigura 02. Gnero dos participantes da pesquisaFigura 03 Srie freqentada pelas crianas/trabalhadores das comunidades deGameleira e Vrzea de Cima, em Pindobau, BahiaFigura 04 Turno no qual as crianas trabalhamFigura 05. Comunidades onde moram as crianas entrevistadasFigura 06 Quanto aos pais estarem vivosFigura 07a. Causas do trabalho realizado pelas crianas entrevistadasFigura 7b Atividades realizadas pelas crianas trabalhadorasFigura 8 a. Opinio das crianas sobre gostar ou no do trabalho que executamFigura 8b. Valor recebido pelas crianas como pagamento pelo seu trabalhoFigura 9. Idade em que as crianas comearam a trabalharFigura 10. ndice de repetncia dos alunos pesquisadosFigura 11. Os sonhos das crianas trabalhadoras que participaram da pesquisaFigura 12. Conseqncias do trabalho infantil sobre a freqncia escolar 8. 7 LISTA DE ABREVIATURASDMCTI Dia Mundial Contra o Trabalho InfantilIBGE Instituto Brasileiro de Geografia e EstatsticaIPEC Programa Internacional de Eliminao do Trabalho InfantilOIT Organizao Internacional do TrabalhoONGs Organizaes No GovernamentaisONU Organizao das Naes UnidasPETI Programa de Erradicao do Trabalho InfantilPNAD Pesquisa Nacional de Amostragem e DomiclioSAEB Sistema Nacional de Avaliao da Educao BsicaTV Televiso 9. 8 RESUMOEm todo o mundo verifica-se o grande nmero de crianas que trabalham eestudam. No Brasil, existe uma quantidade significativa de crianas e adolescentesque realizam as duas atividades: estudo e trabalho. De acordo com dadosdivulgados pala pesquisa nacional de amostra de domiclios (PNAD), (2007) cercade 12% das crianas e adolescentes na faixa etria de oito a dsseis anos estudame trabalham. Logo, esta pesquisa investiga a viso que as crianas tm sobretrabalho. Para tanto foi coletado dados no perodo de 15 a 30 de maio de 2008,atravs de questionrios aplicados as onze crianas, residentes na FazendaGameleira e Fazenda Vrzea de Cima, situados no municpio de Pindobau, Bahia.Tomamos como referencia no conceito das palavras chave autores como: PortoHuzak (2005), Martins (1979), Kassouf (1999), Corazza (2002), Pires (1988),Postman(1999), Agambem (2005), Esterci (1994), entre outros. Elegemos para odesenvolvimento deste trabalho, a pesquisa qualitativa por fornecer uma melhorcompreenso e por nos aproximar da realidade pesquisada, os instrumentos para acoleta de dados foram questionrios fechado e entrevista estruturada. Ao analisar osdados obtidos nesta pesquisa, os resultados apontaram existncia do trabalhoinfantil nestas comunidades, e percebe-se a importncia da renda gerada pelascrianas no oramento familiar, como tambm se comprovou que rendimento escolar afetado por esta situao.Palavras-chave: trabalho infantil, renda e rendimento escolar. 10. 9 SUMARIOINTRODUO .......................................................................................................... 11CAPTULO ICRIANA TRABALHANDO: CONSTRUO OU DEGRADAO? ........................ 14CAPTULO IIA INFNCIA, A EDUCAO, O TRABALHO EMANCIPADOR E O TRABALHOINFANTIL .................................................................................................................. 17 II.1 Consideraes sobre a infncia....................................................................... 17 II.2 A escola e seu processo de emancipao....................................................... 22 II.3 O trabalho emancipador e o trabalho infantil degradador ................................ 24 II.4 O trabalho emancipando o homem .................................................................. 24II.4.1 O trabalho infantil ...................................................................................... 27II.4.2 Fatores que ocasionam o trabalho infantil................................................. 33II.4.3 Conseqncias do trabalho infantil ........................................................... 34II.4.4 O aluno que trabalha ................................................................................. 35CAPTULO IIIMETODOLOGIA........................................................................................................ 38 III.1 Tipo de pesquisa utilizada .............................................................................. 38 III.2 Lcus da pesquisa .......................................................................................... 38 III.3 Sujeitos envolvidos ......................................................................................... 39III.3.1 Instrumentos utilizados............................................................................. 39III.3.2 Questionrio fechado ............................................................................... 39III.3.3 Entrevista ................................................................................................. 39III.3.4 Coleta de dados ....................................................................................... 40CAPTULO IVANLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS ................................................................ 41 IV.1 Perfil dos alunos que participaram do estudo................................................. 41 IV. 2 O posicionamento dos alunos entrevistados ................................................. 45IV.2.1 Com relao aos motivos pelos quais as crianas trabalham e quais asatividades realizadas .......................................................................................... 45IV.2.2 Quanto questo: Voc gosta do trabalho que realiza? Quanto ganhapor dia com o seu trabalho?.............................................................................. 48 11. 10IV.2.3 Quanto idade em que comearam a trabalhar...................................... 50IV.2.4 Em resposta questo: O que voc gostaria de fazer se no tivesse quetrabalhar? .......................................................................................................... 51IV.2.5 Motivos pelos quais as crianas no estudam ......................................... 52IV.2.6 Quanto repetio de srie pelas crianas que estudam ....................... 53IV.2.7 Quanto ao futuro das crianas ................................................................. 54IV.2.8 Em relao s conseqncias do trabalho infantil para o rendimentoescolar................................................................................................................ 55CONSIDERAES FINAIS ...................................................................................... 57REFERNCIAS ......................................................................................................... 59APNDICE ................................................................................................................ 62APNDICE A............................................................................................................. 63QUESTIONRIO APLICADO S CRIANAS QUE ESTUDAM E TRABALHAM,RESIDENTES NAS FAZENDAS GAMELEIRA E VARZEA DE CIMA, PINDOBAU,BAHIA ....................................................................................................................... 63 12. 11 INTRODUOPara que se adquira a cidadania propriamente dita, para que o homempertencente a uma sociedade democrtica atinja o estgio de cidado, sonecessrias duas condies bsicas: a educao e trabalho. O trabalho todaatividade praticada pelo homem, o ato humano realizado com o intuito de gerarfonte de renda e de subsistncia. Ele existe desde o momento que o homemcomeou a transformar a natureza e o ambiente ao seu redor, desde o momento emque comeou a fazer utenslios e ferramentas. Portanto trabalho o esforo humanodotado de um propsito e que envolve a transformao da natureza atravs dodispndio de capacidades fsicas e mentais.Em virtude disso, o trabalho uma atividade que no foi criada para serexercida por crianas e adolescentes abaixo de 14 anos. Nessa faixa de idade elesdevem estar freqentando a sala de aula e se preparando para futuramente, ocuparuma vaga no mercado de trabalho. Quando uma criana ou adolescente trabalhapara se manter ou ajudar sua famlia financeiramente, est caracterizado o trabalhoinfantil, to combatido pelos governos e Organizaes No Governamentais (ONGs)de diversas naes.Nesta pesquisa foi abordado o trabalho infantil, um tema to polmico e cheiode controvrsias porque afasta o aluno da escola. A ausncia da criana na escola eo trabalho infantil so fenmenos que andam juntos. A educao elementar noexiste nos pases onde a incidncia do trabalho infantil muito grande e quandoexiste, a qualidade do ensino deficiente.No Brasil atualmente existem milhes de crianas que trabalham e esto foradas salas de aula. Existem tambm crianas que trabalham e esto freqentando aescola, embora precariamente. As primeiras evidncias do trabalho infantilocorreram por ocasio da escravido no Brasil que durou quatro sculos, quando osfilhos dos escravos faziam o mesmo trabalho que seus pais. Quando surgiu oprocesso da industrializao, continuou a explorao do trabalho executado pelacriana, que perdura at os dias de hoje. 13. 12 Segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostragem e Domiclio (PNAD)(IBGE, 1995), crianas de 10 a 14 anos, de um total de 17,6 milhes, trabalhamatualmente no Brasil,. Este fato conduz a uma baixa escolaridade, principalmentenos Estados da regio Nordeste. O trabalho infantil no se explica porunicausalidade. Fatores como a pobreza, a cultura, carncia de ofertas deescolaridade de qualidade e inexistncia de polticas pblicas perseverantes, seinteragem de tal maneira que em certas circunstncias h predomnio de uns sobreos outros. Existe tambm o fato do trabalho infantil ser relativamente normal, quando setrata de crianas trabalhando em emissoras de TV como cantores e atores mirins.Nesse caso especificamente, o fator que leva essas crianas a trabalharem acultura, pois os pais dessas crianas acham que no tem nada demais e que essetrabalho que elas realizam no prejudica em nada o seu desenvolvimento. Ledoengano. Seja qual for o tipo de trabalho, ele prejudica sim, o desenvolvimentoharmonioso da criana. Neste caso, as crianas deixaram de viver o perodo de suainfncia e assumiram responsabilidades de adultos. Este estudo ficou estruturado em quatro captulos. No primeiro captuloprocurou-se trabalhar a educao e o trabalho infantil. Relacionou-se a justificativa eos objetivos da pesquisa, as questes norteadoras e o local estudado. A inteno foiverificar o que h de real na questo do trabalho infantil e o que realmente severifica nesta prtica. No segundo captulo faz-se uma abordagem sobre a infncia, a educao, e aescola, traa-se consideraes sobre a fase da infncia, sobre a escola e seuprocesso de emancipao. Como tambm o trabalho emancipador e o trabalhoinfantil degradador, falando-se sobre o trabalho em geral e sobre o trabalho infantil,sobre as suas causas e conseqncias, sobre o aluno trabalhador. Verifica-se comoo trabalho infantil interfere nos direitos sociais. 14. 13No captulo trs so enumerados os passos que foram seguidos naelaborao da presente pesquisa: o local estudado, os sujeitos e instrumentos e acoleta dos dados.O captulo quatro analisa e discute os resultados obtidos atravs da aplicao dosquestionrios, fazendo-se um perfil dos alunos que trabalham e citando-se o seuposicionamento diante do trabalho que realizam. Para finalizar, nas consideraesfinais, so citadas as concluses a que se chegou aps analisar os dados contidosnos questionrios. 15. 14 CAPTULO ICRIANA TRABALHANDO: CONSTRUO OU DEGRADAO? A educao um processo contnuo de construo do homem, umprocesso de aprendizagem que se estende por toda a vida. Educar permitir aohomem o desenvolvimento de sua capacidade fsica, intelectual e moral, visando sua melhor integrao individual e social. Em termos gerais a educao oprocesso de atuao de uma comunidade sobre o desenvolvimento do indivduo. Eessa atuao, geralmente, exercida pela escola. A escola um lugar de aprendizagem onde so elaboradas as formas paradesenvolver atitudes e valores e adquirir competncias. Ela desempenha um papelimportante no processo de formao de cidados, preparando-os para viverem emuma sociedade da informao e do conhecimento. Ela prepara o aluno parafuturamente, disputar o mercado de trabalho e prover sua subsistncia. Atividade consciente e voluntria, pelos quais os homens exteriorizam no mundo fins destinados a modifica-los, de maneira a produzir valores ou bens social ou individualmente teis e satisfazer suas necessidades (RUSS, 1994, p 297). Segundo Russ, o trabalho pode ser compreendido como algo relevante paraadultos, e no para crianas que esto no perodo de formao e desenvolvimento. Para que a criana se desenvolva harmonicamente, torna-se necessrio queela se dedique exclusivamente sua educao, escola, sua aprendizagem. Issosignifica que a criana no deve trabalhar, no deve desviar o foco de sua formao,pois para isso existem os adultos. a famlia que deve amparar a criana e no ocontrrio. O trabalho infantil, ou seja, o trabalho remunerado exercido por crianas eadolescentes, abaixo da idade mnima legal permitida pela legislao de um pas, anticonstitucional e anti-educacional. O trabalho realizado na faixa etria abaixo de14 anos obstrui o desenvolvimento educacional das crianas, concorrendo para 16. 15diminuir o tempo em que as crianas devem se dedicar s atividades escolares eextra-escolares. anticonstitucional p...</p>