NERVO VESTÍBULOCOCLEAR - OITAVO NERVO CRANIANO

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    21-Jan-2016

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    NERVO VESTBULOCOCLEAR: OITAVO NERVO CRANIANO

    O epitlio do ouvido interno desenvolve-se precocemente na vida embrionria como sulco do

    ectoderma e mais tarde separa-se deste para formar uma vescula. Determinadas reas do

    epitlio tornam-se mais tarde diferenciadas em epitlio sensorial. O ducto coclear, assim como

    os ductos semicirculares e o sculo e o utrculo formam-se a partir da vescula tica primaria

    original. Filogeneticamente, o sistema vestibular aparece antes do coclear. Todos os vertebrados

    possuem algum tipo de rgo vestibular, j razoavelmente bem desenvolvido em tubares,

    enquanto um rgo da audio marca seu aparecimento primeiro nos anfbios. Pode ser visto de

    cima o labirinto sseo direito incrustado no osso temporal, contendo na poro anterior a parte

    auditiva e na posterior a do equilbrio (Fig.1).

    O nervo vestbulo coclear tem dois componentes: o vestibular e o coclear. O primeiro

    responsvel pelo equilbrio, coordenao e orientao espacial e, o coclear, pela audio. Ambos

    so classificados como aferentes especiais somticos, mas tm conexes centrais diferentes. Os

    DeJong, 05 Fig. 1

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    mecanorreceptores da audio e do equilbrio so clulas de origem epitelial, capazes de gerar

    potenciais receptores quando estimuladas, sendo as responsveis pelo mecanismo de

    transduo mecanoeltrica. Ambas estabelecem contato sinptico com fibras nervosas

    pertencentes s clulas de segunda ordem, que so neurnios, e nesses neurnios que ocorre

    o mecanismo de codificao neural, gerao de salvas de potenciais de ao.

    A histria do sistema vestbulococlear pode ser traada dos tempos da Grcia antiga. Plato disse

    que a audio ocorre por um movimento iniciado pelo ouvido e que termina no fgado;

    Aristteles (384-322) AC, esboou o conceito de que o ouvido interno situado no occipcio do

    crnio formava a base da audio; em 97 DC, Rufus de Ephesus descreveu a anatomia auricular

    do ouvido interno, usando as palavras hlix, antihlix e tragus, os quais ainda so usados nos dias

    de hoje; Galeno (130-200) DC introduziu o termo labirinto para descrever a estrutura interna do

    ouvido interno no osso temporal; Vesalius (1564) nomeou dois dos ossculos, martelo e bigorna;

    Eustquio (1510-1571) descreveu a trompa de Eustquio, estrutura que mantm a presso igual

    entre ambas os lados da membrana timpnica; em 1850, Corti descreveu o epitlio sensorial da

    cclea e o rgo de Corti o seu homnimo; Rinne em 1855 desenvolveu o uso do diapaso no

    diagnstico de doena do ouvido mdio; Mnire, em 1861, descreveu o aumento da presso no

    ouvido interno, a doena que depois levou

    seu nome; em 1901, Barr, descreveu o uso

    de um relgio para quantificar a perda da

    audio; Barany recebeu o premio Nobel em

    1909 por seu trabalho sobre o teste

    calrico; em 1923, Fletcher, descreveu o

    audimetro eltrico; Bekesy recebeu o

    premio Nobel na dcada de 50 por sua

    descoberta do mecanismo de onda para

    estimulao da cclea; nos ltimos anos a

    neuro-otologia vem se aperfeioando com

    as intervenes microcirrgias. Imagem dos

    clios na ampla nos canais semicirculares, vista por meio da microscopia eletrnica (Fig.2).

    Fig. 2 Clios na ampla - ME

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    O LABIRINTO

    A energia das ondas sonoras que atinge a membrana timpnica transmitida pelos ossculos

    auditivos (martelo, bigorna e estribo), para a rampa do vestbulo (janela oval), por meio da base

    do estribo. O labirinto um complexo de cavidades, tneis, ductos e canais interligados que se

    situa na parte petrosa do osso temporal. O vestbulo, a cclea e os canais semicurculares formam

    o labirinto sseo que pode ser liberado por disseco do osso, chamado de labirinto sseo

    (Fig.3).

    O labirinto sseo est preenchido de perilinfa, um lquido aquoso semelhante ao LCR. O labirinto

    membranoso um arranjo de sacos e ductos situado dentro do labirinto sseo, seu contorno

    acompanhado de endolinfa ou lquido de Scarpa (Antonio Scarpa um cirurgio, anatomista e

    artista italiano). O labirinto membranoso tem dois componentes principais: o aparelho vestibular

    e o ducto coclear. Os ossculos cobrem a cavidade do ouvido mdio e transmitem as oscilaes

    da membrana timpnica na base do estribo que se situa na janela oval. Os ossculos agem como

    amplificadores e ajudam a compensar a perda de energia quando ondas sonoras so

    transmitidas do ambiente para a perilinfa atrs da janela oval. O msculo tensor do tmpano, que

    se insere no martelo, e o estapdio que se insere no estribo, proporcionam uma proteo reflexa

    contra rudos altos e sbitos. Portanto, o deslocamento da membrana basilar a diferentes

    DeJong, 05 Fig. 3

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    distncias do estribo pode ser correlacionado com frequncias sonoras especificas. A janela oval

    abre-se no vestbulo do ouvido interno, que se liga por um lado a cclea e do outro aos canais

    semicirculares (Fig.4).

    O NERVO COCLEAR

    O pavilho auricular do homem, ao concentrar os sons incidentes, amplifica aqueles com

    frequncia em torno de 3.000 Hz, a faixa de frequncia da fala. Amplifica os sons que vm do

    alto, contribuindo para localiz-lo espacialmente. O meato auditivo externo termina na

    membrana timpnica, que vibra com o a incidncia do som e, essa, separa o ouvido externo do

    ouvido mdio. O ltimo uma cavidade cheia de ar que contm uma cadeia de ossculos

    (martelo, bigorna e estribo), os quais transmitem o estmulo sonoro o orifcio da janela oval. A

    membrana da janela oval separa o ouvido mdio do ouvido externo, onde est a cclea ou

    caracol.

    DeJong, 05 Fig. 4

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    A cclea

    A cclea um tubo em espiral, cheio de lquido, com 2,5 a 7,5 voltas at o seu pice. A base da

    cclea est voltada para o meato acstico interno e contem mirades de fenestraes que se

    situam os filamentos do nervo coclear. O eixo central da cclea o modolo; dele se projeta uma

    delicada salincia ssea, a lmina espiral, que divide parcialmente a passagem coclear em dois

    canais paralelos a rampa timpnica e a rampa vestibular. A rampa mdia ou ducto vestibular

    faz parte do labirinto membranoso. Situa-se no centro das espirais da cclea, completando a

    diviso entre a rampa timpnica e a rampa vestibular. Na extremidade do modolo o ducto

    coclear termina de forma cega com uma estreita fenda no pice da cclea, o helicotrema (orifcio

    numa hlice), possibilita a comunicao e o fluxo de perilinfa entre a rampa timpnica e

    vestibular (Fig.5).

    A membrana basilar do ducto coclear projeta-se da lamina espiral do modolo para parede

    externa da cclea. O gnglio espiral do nervo coclear situa-se no canal espiral do modolo (canal

    de Rosenthal). O rgo de Corti repousa sobre a membrana basilar e contm clula ciliada

    DeJong, 05 Fig. 5

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    interna e externa. A clula ciliada interna o receptor do nervo coclear. A partir do pice de cada

    clula ciliada interna, estende-se um estereoclio at abaixo da membrana tentorial. As ondas

    sonoras induzem vibraes na cclea, o que causa movimentos a membrana basilar e tentorial.

    Esse movimento flexiona os estereoclios que ativa as clulas ciliadas, causando impulso no

    gnglio espiral. Devido largura varivel da membrana basilar, o som a uma dada frequncia

    induz oscilaes harmnicas mximas num ponto estabelecido ao longo do ducto coclear, o que

    ativa focalmente clula ciliada interna e codifica a frequncia. A janela redonda situa-se abaixo

    da janela oval, sendo coberta pela delicada membrana timpnica secundria, que possibilita a

    complacncia no sistema perilinftico e permite a dissipao das ondas de vibrao iniciadas na

    janela oval. O gnglio espiral consiste de neurnios bipolares do tipo I e II que se situam no

    modolo. As clulas ciliadas internas fazem sinapse em neurnios do tipo I, que constituem 95%

    do gnglio. Axnios das clulas do

    gnglio espiral formam o nervo

    coclear, que contm cerca de 30.000

    fibras. Os axnios das clulas do tipo

    I so mielinizados e formam o

    grosso do nervo. As clulas do tipo II

    ligam-se s clulas externas e

    modulam a atividade das clulas

    ciliadas internas. A microscopia

    eletrnica mostra a mcula e a

    cpula com os estereoclios,

    incluindo o cinoclio (Fig.6).

    Organizao tonotpica do rgo de Corti

    A largura da membrana basilar do ducto coclear menor na base da cclea, onde a lmina

    espiral do modolo se estende mais longe na voltas da cclea. Esta parte da cclea mais ativada

    por frequncias altas. Prximo ao pice a membrana basilar mais larga, e responde a tons de

    diapaso baixo. O complexo de clulas ciliadas internas e clulas do gnglio espiral localizada no

    DeJong, 05 Fig. 6

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    rgo de Corti dependem da frequncia, respondendo melhor a um diapaso especfico e

    codificando esse diapaso por suas descargas no nervo coclear. A organizao tonotpica

    continua em graus diferentes por todo sistema auditivo. Imagine uma escala em espiral no

    centro de um silo, os degraus dando voltas em torno de uma parte central, degraus mais largos

    embaixo e se estreitando progressivamente, de cada degrau uma corda se estende at a parede

    do silo. A parte central representa o modolo, os degraus, a lmina espiral, e as cordas, a

    membrana basilar. Um tom baixo soando no silo colocaria em vibrao as cordas longas prxima

    ao topo do silo; um tom de diapaso alto afetaria as cordas curtas na parte inferior. Enrole o