Newsletter FGC Fevereiro 2014

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    22-Oct-2015

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<ul><li><p>newsletterNMERO 151FEVEREIRO 2014</p><p>Um Auditrio para o sculo XXI</p></li><li><p> A Fundao Calouste Gulbenkian uma instituio portuguesa de direito privado e utilidade pblica, cujos fins estatutrios so a Arte, a Beneficncia, a Cincia e a Educao. Criada por disposio testamentria de Calouste Sarkis Gulbenkian, os seus estatutos foram aprovados pelo Estado Portugus a 18 de Julho de 1956.</p><p>newsletter Nmero 151.Fevereiro.2014 | ISSN 08735980 Esta Newsletter uma edio do Servio de Comunicao Elisabete Caramelo | Leonor Vaz | Sara Pais Colaboram neste nmero Afonso Cabral | Ana Barata | Ana Mena | Ins Ribeirinho | Design Jos Tefilo Duarte | Eva Monteiro | Joo Silva [DDLX] Reviso de texto Rita Veiga | Imagem da Capa Alado (corte) do Grande Auditrio. Desenho de Arq. Teresa Nunes da Ponte | Impresso Greca Artes Grficas | Tiragem 10 000 exemplares | Av. de Berna, 45, 1067001 Lisboa, tel. 21 782 30 00 | info@gulbenkian.pt | www.gulbenkian.pt</p><p>neste</p><p> nmero p</p><p>ode l</p><p>er 4Um Auditrio para o sculo XXIAo fim de oito meses de obras, o Grande Auditrio reabre as suas portas. Nesta Newsletter mostramos as mudanas e as novidades da nova sala, o programa da festa de reabertura no dia 15 de fevereiro, mas tambm as opinies de quem contactou com esta obra por dentro. Para a histria deste momento ficaro tambm um livro, assinado pela professora Ana Tostes, e um filme de Joo Mrio Grilo intitulado Grande Auditrio Memorial de uma obra. </p><p>11Novo concurso FAZ</p><p>Da msica reabilitao urbanstica a custo zero, muitos so os projetos nascidos das ideias da dispora portuguesa e que comeam a dar frutos na nossa sociedade. At 31 de </p><p>maro, esto abertas as candidaturas para uma nova edio do Concurso Ideias de Origem Portuguesa e do Prmio </p><p>Empreendedorismo Inovador na Dispora Portuguesa, que formam a iniciativa FAZ, promovida pela Fundao Calouste </p><p>Gulbenkian e a COTEC Portugal com o objetivo de aproximar a dispora portuguesa do seu pas.</p><p>20Financiamento europeu para cientista IGCNum momento em que os cientistas portugueses reclamam mais apoios investigao, um cientista do Instituto Gulbenkian de Cincia, Lars Jansen, recebeu uma bolsa Consolidator, no valor de 1,6 milhes de euros, do European Research Council. Jansen foi um dos quatro cientistas a trabalhar em Portugal distinguidos pelo instituto europeu.</p><p>2 | newsletter</p></li><li><p>ndiceprimeiro plano4 Um Auditrio para o sculo XXI</p><p>notcias10 Para, escreve e filma 11 Iniciativa FAZ 12 Concursos 201412 Novo laboratrio de investimento social 13 Uma Vida Melhor para os Refugiados13 Programa Cidadania Ativa14 CISA j instituto pblico15 Centro Cultural Portugus de Maputo vai ter ncleo de artes 15 Coleo de Investigao de Arte Africana Lusfona na Tate 16 Juntos em Lisboa para mostrarem os seus mundos 18 Museu Gulbenkian com novo site19 Lida Abdul em Paris 20 Cientista do IGC recebe financiamento europeu20 Bioinformtica nas Escolas 21 As formigas obreiras e as rainhas 21 O que doce</p><p>22 breves</p><p>bolseiros gulbenkian24 Margarida Castroem fevereiromsica27 O regresso a casaexposies28 Novas exposies no CAM32 Museu Gulbenkian acolhe </p><p>tesouros do Kremlinconferncias34 Novos Poderes cinema35 HarvardnaGulbenkian</p><p>36 novas edies</p><p>37 catlogos de exposies na Biblioteca de Arte</p><p>Uma obra38 Capa de Cavalo </p><p>28Novas exposies no CAMA comear o ano, o CAM ultrapassa as suas paredes e expe tambm no Jardim Gulbenkian. A primeira exposio antolgica de Rui Chafes O Peso do Paraso rene mais de uma centena de esculturas em ferro na nave central do CAM e tambm em alguns pontos do Jardim. Outra das exposies que abrir ao pblico no dia 13 Narrativa Interior, de Joo Tabarra. Esta uma exposio antolgica dos ltimos vinte anos, que inclui algumas obras especificamente concebidas para o espao. A terceira exposio a inaugurar uma estreia em Portugal da artista tunisina, residente em Berlim, Nadia Kaabi-Linke.</p><p>32Tesouros do Kremlin no </p><p>Museu GulbenkianNo ltimo dia de fevereiro abre ao pblico, </p><p>na Sala de Exposies Temporrias do Museu Calouste Gulbenkian, a exposio Os Czares e o Oriente, com peas da sumptuosa coleo </p><p>do Kremlin. a primeira vez que o acervo oriental desta coleo, constituda </p><p>fundamentalmente pelas luxuosas ofertas aos czares provenientes do Iro safvida e da </p><p>Turquia otomana dos sculos XVI e XVII, mostrado na Europa, fora de Moscovo.</p><p>34Novos poderesOs protestos recentes no Rio de Janeiro e em Maputo abrem um novo ciclo de reflexes do Programa Gulbenkian Prximo Futuro, j no dia 8. Intitulado Novos Poderes, este ciclo quer discutir experincias histricas e atuais que contribuam para a inventariao de diferentes tipos de relaes de poder.</p><p>Joo Tabarra, (), 2001</p><p>Cortinado, Rssia, sculo XVII</p><p>newsletter | 3</p></li><li><p>Aspeto geral das obras do Grande Auditrio Mrcia Lessa</p><p>Um Auditrio para o sculo XXI</p><p>prim</p><p>eiro p</p><p>lano</p><p>N o dia 2 de junho passado, ainda sob a emoo dos acordes finais da pera Otello de Giuseppe Verdi, logo aps a sada do ltimo espetador, as portas do Grande Auditrio fecharamse para se dar incio a um projeto de obras de restauro e modernizao que iria estenderse por cerca de oito meses. A partir desse dia, a msica deu lugar ao rudo e ao tumulto decorrente de uma interveno profunda que iria transformar o Grande Auditrio numa das mais modernas e tecnologicamente mais bem apetrechadas salas de espetculos, no seu gnero, do mundo. O prazo estabelecido para esta empreitada, extremamente reduzido, tendo em conta a dimenso do projeto, obrigou a um meticuloso planeamento de todas as reas e fases de interveno, envolvendo uma vasta equipa dirigida por Celso Matias. A coordenao da equipa projetista esteve a cargo da arquiteta Teresa Nunes da Ponte.A complexidade dos trabalhos tinha mesmo levado, no ano anterior, criao, na estrutura orgnica da Fundao Gulbenkian, de um programa especfico dedicado renovao do Grande Auditrio, assim como de uma Comisso </p><p>de Acompanhamento formada por Emlio Rui Vilar, Lus Valente de Oliveira e Ana Tostes.As obras envolveram a sala de espetculos, o palco, o subpalco, as salas de ensaios da orquestra e do coro, bem como todas as zonas de apoio tcnico, que passam a dispor </p><p>Esta obra teve como vantagem algo que nem sempre encontramos nas obras que realizmos, que foi uma entreajuda e um interesse mtuo das vrias entidades, no s da Fundao Gulbenkian como dos projetistas, dos consultores. Percebeu-se claramente que s com o envolvimento total destas equipas que isto poderia resultar de forma bem sucedida.Nuno Fernandes, HCI (empreitada geral)</p><p>4 | newsletter | primeiro plano</p></li><li><p>de novas estruturas e infraestruturas completamente adaptadas s atuais legislaes europeias em matria de segurana, qualidade e operacionalidade.Pretendeuse atualizar o espao atravs de um profundo restauro de todo o equipamento, de modo a melhorar as condies gerais da sala a todos os nveis, beneficiando os artistas, o corpo tcnico e o pblico. Foram os aspetos tcnicos que conduziram as operaes, declara a arquiteta e professora Ana Tostes, que acompanhou este processo desde a fase do planeamento e que escreveu um livro sobre a memria do Grande Auditrio desde a sua conceo at recente interveno. Quase cinquenta anos depois da construo do Grande Auditrio, esta atualizao era absolutamente inevitvel. Aproveitouse para intervir a fundo no espao, no s para melhorar o seu funcionamento geral, como tambm para alargar o seu mbito de atividades. Tecnologia de palco, luz, som, imagem, tudo foi renovado de acordo com os mais elevados padres e requisitos tcnicos da atualidade. A arquiteta destaca ainda o curto espao de tempo em que esta obra corajosa foi realizada.</p><p>Uma obra invisvel</p><p>Apesar da amplitude da interveno, as mudanas introduzidas no sero facilmente detetadas pelo pblico. O bloco intervencionado, integrado num notvel conjunto composto pelo edifcio Sede e pelo Museu Gulbenkian, e classificado como Monumento Nacional em 2010, mantevese fiel ao projeto original do trio de arquitetos Alberto Pessoa, Pedro Cid e Ruy dAthouguia.As alteraes introduzidas foram apenas as estritamente necessrias para reforar a capacidade tecnolgica, acstica e de segurana da sala. Todos os elementos da sala, desde a madeira das paredes alcatifa e estofos das cadeiras (agora renovados), foram preservados de modo a respeitar a perfeita harmonia e a especificidade do espao. ter essa atmosfera. Um visitante desprevenido que entre </p><p>no Grande Auditrio e encontre essa mesma atmosfera no imagina a profundidade desta interveno que, na sua fase final, chegou a envolver mais de 200 pessoas a trabalhar, em simultneo, dia e noite. Um olhar mais atento permitir, contudo, detetar algumas alteraes, sendo a mais visvel a realizada na grande estrutura sobre o palco, um dos elementos mais imponentes da sala, designada por canpia. Foi necessrio remover essa estrutura, um monumental monobloco de quinze toneladas, substituindoa por outra inspirada no modelo original, mas bastante mais leve, com cerca de quatro toneladas, capaz de assumir diferentes requisitos em funo do programa apresentado. Esta substituio era inevitvel, sublinha Ana Tostes. A canpia interior era excessivamente pesada e nem sequer garantia uma luz adequada para iluminar as partituras dos msicos. A nova vai operar uma pequena revoluo.</p><p>Este Auditrio tem uma atmosfera nica, refere Ana Tostes, impossvel imaginlo com o cho em madeira, sem as suas alcatifas e sem as suas cadeiras estofadas que lhe do o conforto que todos conhecemos. Importava man</p><p>Construo dos elevadores de palco Mrcia Lessa</p><p>Gostaramos de deixar para o futuro os mesmos indcios de qualidade nas instalaes atualizadas e aumentadas, tal como os que encontrmos no original. Isto muito difcil de conseguir em to pouco tempo.Sam Wise, ARUP (consultoria tcnica de cena) </p><p>primeiro plano | newsletter | 5</p></li><li><p>O maior desafio foi a instalao de uma maquinaria de palco muito complexa e avanada tecnologicamente, no fosso e ticos existentes, subdimensionados para a instalao do equipamento exigido. Com os novos equipamentos, a quantidade de maquinaria de palco aumentou consideravelmente.Gunther Weigelt, SBS (maquinaria de cena)</p><p>Mudanas</p><p>Assim, para alm de produzir melhoramentos acsticos, a nova canpia abre um vasto campo de novas possibilidades tcnicas, tornando a sala mais verstil, perfeitamente adaptada a receber no apenas uma programao musical, mas tambm cinema, conferncias ou teatro. Foram introduzidas unidades individualizadas de ar condicionado, com repercusses do ponto de vista da eficincia energtica, permitindo uma gesto em funo das necessidades do momento. O ar condicionado passou a estar instalado sob as cadeiras com retorno no teto e a servir a zona do palco. O sistema eltrico foi completamente renovado e introduzidos melhoramentos em todos os aspetos relativos segurana contra riscos de incndio. O espao de circulao foi alargado e criados locais especialmente destinados a pessoas com mobilidade reduzida, com lugares para acompanhantes. A geometria de palco foi mantida, respeitando o projeto original, mas o seu mecanismo foi completamente alterado. O equipamento do palco, bem como todos os mecanismos de elevao de cena foram remodelados e modernizados, e construdos mais elevadores para agilizar a montagem e desmontagem do palco.Do ponto de vista acstico, foram feitas correes e ajustamentos tendo em vista tambm a adaptao do espao a vrios tipos de espetculos. O desenho dos novos elementos foi o mais discreto possvel, para no prejudicar a harmonia e a leitura das fachadas interiores.</p><p>Repavimentao da plateia Mrcia Lessa</p><p>Construo de um troo da canpia Mrcia Lessa</p><p>6 | newsletter | primeiro plano</p></li><li><p>A Orquestra passou a dispor de uma nova sala de ensaios, que, curiosamente, e de acordo com Ana Tostes, que consultou o arquivo do processo de construo do Grande Auditrio para o seu livro, ficar exatamente no mesmo local previsto no projeto inicial, o qual acabara por ser atribudo companhia de bailado, entretanto constituda. A sala do coro foi tambm completamente remodelada, passando a dispor de um espao moderno, funcional e com melhores condies acsticas.Finalmente, foi criado um novo foyer com bar, por cima do atual, ampliando o espao de circulao e o servio de cafetaria e beneficiando, assim, as condies de acolhimento do pblico. A memria do Grande Auditrio, desde a sua construo at interveno agora realizada, que Ana Tostes est a </p><p>preparar ser condensada numa publicao de cerca de 100 pginas. Nela se enquadra o edifcio no seu conjunto e na arquitetura moderna da poca, debruandose sobre o seu complexo processo de construo at sua concluso, em 1969. Na segunda parte, d a conhecer o projeto de renovao, com fotos que foram registando as vrias fases das obras que converteram o Grande Auditrio numa sala do sculo XXI, capaz de acolher uma programao exigente e diversificada.</p><p>Aspeto geral do novo foyer</p><p>O grande desafio da renovao, considerado o que, em sntese, se poder designar como qualidade superior do espao, consistiu, obviamente, em tentar conceber e dimensionar as disposies que, permitindo melhorar aquilo que seja entendido como conveniente, no tenham efeitos colaterais negativos.Pedro Martins da Silva, Acstica e Ambiente, Lda.</p><p>Aspeto do novo Auditrio em finais de janeiro Mrcia Lessa</p><p>primeiro plano | newsletter | 7</p></li><li><p>Um filme sobre o Grande Auditrio</p><p>Nos ltimos meses, uma equipa de cinema, liderada pelo realizador Joo Mrio Grilo, filmou as obras e o espao do Grande Auditrio. O registo cinematogrfico desta interveno ser mostrado no dia 15, no Auditrio 3, e a partir de dia 16 na Galeria de Exposies Temporrias, dentro da exposio Acesso Interdito. </p><p>Grande Auditrio Memorial de uma Obra</p><p>Olhar para uma obra da dimenso do Grande Auditrio, atravs do cinema, foi para o realizador uma forma de criar um ponto de contacto entre vrias realidades: a de hoje, a das pessoas que o frequentam e podem vir a frequentar no futuro, mas tambm a que foi anteriormente e que tornou possvel a sua existncia no presente, nas suas vrias dimenses.O filme intitulase Grande Auditrio Memorial de uma obra com tudo o que remete para a parte memorvel que esta obra tem e que o cinema como lugar de encontros pode criar. Nas palavras do realizador, este filme um pouco a possibilidade de viajar no tempo e tambm no espao, porque a obra no apenas o incio e o fim, mas tambm o que se passa durante, j que, ao longo dela, o auditrio foi sendo coisas diferentes, todas elas interessantes por si. </p><p>Uma obra humana</p><p>Neste filme, os protagonistas so os agentes da prpria obra, os operrios que desde junho trabalharam intensamente para que ela se concretizasse. Joo Mrio Grilo fala da relao de autenticidade do cinema ao colocar a cmara dentro da obra e mostrar o trabalho das pessoas que trabalharam no filme e das pessoas que trabalharam na prpria obra, que tiveram de nos acolher porque somos mais uma equipa em trabalho de equipas. O realizador mostra </p><p>assim uma obra humana que pe em contacto uma instituio, um espao que tem dentro dessa instituio uma finalidade especfica e, depois, todas as surpresas que surgem na adequao entre o projeto e a sua prpria realidade.O filme o retrato dessa experincia humana, de pes...</p></li></ul>