Nietzsche - Aurora

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    25-Nov-2015

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  • NIETZSCHE

    AURORA

  • COLEO GRANDES OBRAS DO PENSAMENTO UNIVERSAL

    1 Assim Falava Zaratustra Nietzsche2 A Origem da Famlia, da Propriedade Privada e do Estado Engels3 Elogio da Loucura Erasmo de Rotterdam4 A Repblica (parte I) Plato5 A Repblica (parte II) Plato6 As Paixes da Alma Descartes7 A Origem da Desigualdade entre os Homens Rousseau8 A Arte da Guerra Maquiavel9 Utopia Thomas More10 Discurso do Mtodo Descartes 11 Monarquia Dante Alighieri12 O Prncipe Maquiavel13 O Contrato Social Rousseau14 Banquete Dante Alighieri15 A Religio nos Limites da Simples Razo Kant16 A Poltica Aristteles17 Cndido ou o Otimismo O Ingnuo Voltaire18 Reorganizar a Sociedade Comte19 A Perfeita Mulher Casada Luis de Len20 A Genealogia da Moral Nietzsche21 Reflexes sobre a Vaidade dos Homens Mathias Aires22 De Pueris A Civilidade Pueril Erasmo de Rotterdam23 Caracteres La Bruyre24 Tratado sobre a Tolerncia Voltaire25 Investigao sobre o Entendimento Humano David Hume26 A Dignidade do Homem Pico della Mirndola27 Os Sonhos Quevedo28 Crepsculo dos dolos Nietzsche29 Zadig ou o Destino Voltaire30 Discurso sobre o Esprito Positivo Comte31 Alm do Bem e do Mal Nietzsche32 A Princesa de Babilnia Voltaire33 A Origem das Espcies (Tomo 1) Darwin34 A Origem das Espcies (Tomo II) Darwin35 A Origem das Espcies (Tomo III) Darwin36 Solilquios Santo Agostinho37 Livro do Amigo e do Amado Llio 38 Fbulas Fedro39 A Sujeio das Mulheres Stuart Mill40 O Sobrinho de Rameau Diderot 41 O Diabo Coxo Guevara42 Humano, Demasiado Humano Nietzsche 43 A Vida Feliz Sneca44 Ensaio sobre a Liberdade Stuart Mill45 A Gaia Cincia Nietzsche46 Cartas Persas 1 Montesquieu47 Cartas Persas II Montesquieu48 Princpios do Conhecimento Humano Berkeley49 O Ateu e o Sbio Voltaire50 Livro das Bestas Llio51 A Hora de Todos Quevedo52 O Anticristo Nietzsche53 A Tranqilidade da Alma Sneca54 Paradoxo sobre o Comediante Diderot55 O Conde Lucanor Juan Manuel56 O Governo Representativo Stuart Mill57 Ecce Homo Nietzsche58 Cartas Filosficas Voltaire59 Carta sobre os Cegos Endereada queles que Enxergam Diderot60 A Amizade Ccero61 Do Esprito Geomtrico Pensamentos Pascal62 Crtica da Razo Prtica Kant63 A Velhice Saudvel Ccero64 Dos Trs Elementos Lpez Medel65 Tratado da Reforma do Entendimeno Spinoza66 Aurora Nietzsche67 Belfagor, o Arquidiabo A Mandrgora Maquiavel

  • FRIEDRICH NIETZSCHE

    AURORATEXTO INTEGRAL

    TRADUOANTONIO CARLOS BRAGA

  • Av. PROF IDA KOLB, 551 CASA VERDECEP 02518-000 SO PAULO SP

    TEL.: (11) 3855-2100FAX: (11) 3857-9643

    INTERNET: www.escala.com.brE-MAIL: escala@escala.com.br

    CAIXA POSTAL: 16.381 CEP 02599-970 SO PAULO SP

    NIETZSCHE AURORA

    TTULO ORIGINAL ALEMO MORGENRTHE

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    DIAGRAMAO: CIBELE LOTITO LIMAREVISO: DENISE SILVA ROCHA COSTA EMARIA NAZAR DE SOUZA LIMA BARACHO

    CAPA: CIBELE LOTITO LIMACOLABORADOR: LUCIANO OLIVEIRA DIAS

    COORDENAO EDITORIAL: CIRO MIORANZA

  • CONTRA CAPAAurora, o despertar de uma nova moralidade. Emancipao da razo diante da moral. Uma vez que a moralidade no outra coisa que a obedincia aos costumes, de qualquer natureza que estes sejam, Aurora quer romper essa maneira tradicional de agir e de avaliar. Portanto, medida que o sentido da causalidade aumenta, diminui a extenso do domnio da moralidade. De fato, a compreenso das ligaes efetivas da causalidade destri considervel nmero de causalidades imaginrias que foram sendo julgadas no decurso dos tempos como fundamentos da moral. O poder liberador da razo tem em si a capacidade de desmitificar significados sociais institudos pela tradio; o indivduo, em sua atividade racional, se descobre como criador de novos valores. O indivduo capaz, portanto, de romper o elo histrico que une tradio e moralidade, opondo-lhe o binmio razo e afirmao de si. Com essas principais referncias, em Aurora, Nietzsche discute a histria dos costumes e da moralidade, a histria do pensamento e do conhecimento, alm de ressaltar os preconceitos cristos que vararam a histria da humanidade. A seguir, se concentra em analisar a natureza e a histria dos sentimentos morais, dos preconceitos filosficos e dos preconceitos da moral altrusta. Continua depois estabelecendo o contraponto entre cultura e culturas ou civilizao e civilizaes, para ressaltar a interveno do. Estado, da poltica e dos povos na histria. Finalmente, parece divertir-se ao apresentar coisas essencialmente humanas e corriqueiras e pintar o universo do pensador. Como a aurora anuncia um novo dia, Aurora, para Nietzsche, tambm um novo despertar para uma verdadeira vida do homem e da humanidade inteira.

  • NDICE

    APRESENTAO ...................................................................... 8VIDA E OBRAS DO AUTOR ........................................................ 11PREFCIO ............................................................................ 14

    LIVRO PRIMEIRO .............................................................. 22LIVRO SEGUNDO .............................................................. 95LIVRO TERCEIRO ........................................................... 149LIVRO QUARTO .............................................................. 202LIVRO QUINTO ............................................................... 272

  • APRESENTAOAurora significa o despertar de uma nova moralidade. a

    emancipao da razo diante da moral. Uma vez que a moralidade no outra coisa que a obedincia aos costumes, de qualquer natureza que estes sejam, Aurora quer romper essa maneira tradicional de agir e de avaliar. Portanto, medida que o sentido da causalidade aumenta, diminui a extenso do domnio da moralidade. De fato, a compreenso das ligaes efetivas da causalidade destri considervel nmero de causalidades imaginrias que foram sendo julgadas no decurso dos tempos como fundamentos da moral. O poder liberador da razo tem em si a capacidade de desmitificar significados sociais institudos pela tradio; o indivduo, em sua atividade racional, se descobre como criador de novos valores. O indivduo capaz, portanto, de romper o elo histrico que une tradio e moralidade, opondo-lhe o binmio razo e afirmao de si. O mundo da tradio essencialmente aquele em que os valores da autoridade so indiscutveis. Para reverter essa situao, para conferir humanidade um renovado status de independncia e liberdade, nada mais decisivo que a loucura. Com efeito, num mundo submisso tradio, idias novas e divergentes, apreciaes e juzos de valor contrrio s puderam surgir e se enraizar apresentando-se sob a figura da loucura. Quase em toda parte, a loucura que aplaina o caminho da idia nova, que condena a imposio de um costume, de uma

  • superstio venerada, como diz o prprio Nietzsche.Dentro dessa perspectiva, Aurora se configura realmente

    como um novo dealbar, como novos albores na histria da individualidade num contexto social. Um novo ser se desenha. Uma nova forma de pensar, de agir e de se comportar. Um novo ideal de si diante do outro, um novo ideal de cada um diante da sociedade. Um novo tempo. Uma nova vida. tudo o que o homem quer. Ser e ser ele prprio. Assumir o passado enquanto possa representar uma riqueza para o presente e uma projeo para um futuro livre, independente e dessacralizado das imposies, preconceitos e supersties do passado calcado na moralidade dos costumes. Isso significa tambm desmitificar a histria, libert-la de seu romantismo, de suas iluses, de suas crenas e de sua submisso aos ideais impostos pela f cega e pela religio. Isso significa ainda entrar em outro campo da tica e da esttica, ter outra viso do mundo e de suas antigas conquistas, como que mergulhar em nova perspectiva do possvel real, do racional, derrotando o irracional, o irrazovel, tudo o que foi imposto pela ditadura do pensamento ultrapassado, da ideologia preconceituosa, da religio impostora, nova perspectiva que deveria levar a repensar a finitude humana fora de todo enfoque teolgico e, por conseguinte, levar a libertar toda moralidade daquilo que ela representa, ou seja, o nus dos costumes, de uma tradio milenar, de uma religio sufocante.

    Com essas principais referncias, em Aurora, Nietzsche discute a histria dos costumes e da moralidade, a histria do pensamento e do conhecimento, alm de ressaltar os preconceitos cristos que vararam a histria da humanidade. A seguir, se concentra em analisar a natureza e a histria dos sentimentos morais, dos preconceitos filosficos e dos

  • preconceitos da moral altrusta. Continua depois estabelecendo o contraponto entre cultura e culturas ou civilizao e civilizaes, para ressaltar a interveno do Estado, da poltica e dos povos na histria. Finalmente, parece divertir-se ao apresentar coisas essencialmente humanas e corriqueiras e pintar o universo do pensador. Como a aurora anuncia um novo dia, Aurora, para Nietzsche, tambm um novo despertar para uma verdadeira vida do homem e da humanidade inteira.

    Ciro Mioranza

  • VIDA E OBRAS DO AUTORFriedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em Rcken, Alemanha,

    no dia 15 de outubro de 1844. rfo de pai aos 5 anos de idade, foi instrudo pela me nos rgidos princpios da religio crist. Cursou teologia e filologia clssica na Universidade de Bonn. Lecionou Filologia na Universidade de Basilia, na Sua, de 1868 a 1879, ano em que deixou a ctedra por doena. Passou a receber, a