Nightwalkers - 04 damien

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    05-Aug-2016

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  • DAMIEN

    Jacquelyn Frank Desde o incio dos tempos existem os Nightwalkers - seres noturnos que vivem nas

    sombras. Um dos mais poderosos deles Damien, o prncipe dos vampiros. Mas uma mulher o

    tentar com um desejo mais forte de tudo que ele conhece e, juntos, eles enfrentaro um inimigo atemorizante e implacvel...

    Como prncipe dos vampiros, Damien j experimentou todos os prazeres possveis.

    Cansado de aventuras, ele agora concentra suas energias em proteger seus semelhantes. A

    guerra entre humanos e Nightwalkers avana, e quando o inimigo rapta Syreena, a princesa

    licantropo, Damien audaciosamente vai atrs e consegue resgat-la... mas no est preparado

    para o desejo que aquela mulher lhe desperta!

    Dotada de raras capacidades, Syreena cresceu confinada, proibida de fazer contato com

    outras pessoas, porm a atrao que Damien sente por ela imediata e impossvel de resistir.

    No entanto, o desejo por Syrenna pode ter repercusses desastrosas para um homem como

    Damien, e deixar seus inimigos ainda mais perigosos que antes...

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    Doao: Mana

    Digitalizao e Reviso: Al M.

    Este livro faz parte de um projeto sem fins lucrativos, de fs para fs.

    Sua distribuio livre e sua comercializao estritamente proibida. Cultura: um bem universal.

    Querida leitora, Quando Damien, o charmoso prncipe vampiro, segue seus instintos para salvar

    Syreena das foras que ameaam os Nightwalkers, v-se irremediavelmente atrado pela princesa licantropo. Determinado, ele enfrenta a resistncia dessa criatura nica que o encanta e seduz, fazendo-o ansiar pelas sensaes negadas durante tantos sculos aos de sua espcie. Porm, enquanto experimentam a poderosa unio a que esto destinados, eles tm de enfrentar os traidores que pem em risco o futuro de tantos povos...

    Leonice Pomponio Editora

    TRADUO Dbora Guimares

    Copyright 2008 by Jacquelyn Gentilella

    Originalmente publicado era 2008 pela Kensington Publishing Corp.

    PUBLICADO SOB ACORDO COM KENSINGTON PUBLISHING CORP

    NY, NY USA Todos os personagens desta obra so fictcios. Qualquer semelhana com pessoas vivas

    ou mortas ter sido mera coincidncia.

    TTULO ORIGINAL: DAMIEN

    EDITORA Leonice Pomponio

    ASSISTENTES EDITORIAIS

    Patrcia Chaves Paula Rotta

    Vnia Canto Buchala

    EDIO/TEXTO

    Traduo: Dbora Guimares

    Reviso: Giacomo Leone

    ARTE Mnica Maldonado

    MARKETING/COMERCIAL Andrea Riccelli

    PRODUO GRAFICA Snia Sassi

    PAGINAO Andrea Carmassi

    2009 Editora Nova Cultural Ltda.

    Rua Paes Leme, 524 10 andar CEP 05424-010 So Paulo - SP www.novacultural. com. br

    Premedia, impresso e acabamento: RR Donnelley

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    PRLOGO

    Inglaterra, 1562

    Elizabeth riu alto, e o som ecoou pelo salo de baile, apesar de seu estado ofegante. Pressionava com uma das mos um lado da cintura, justamente onde o

    corpete costumava reduzir sua capacidade respiratria. Porm, s os mais ntimos

    saberiam desse detalhe. Para todos na corte, a jovem rainha Bess apenas adotava uma

    postura elegante ao danar.

    Seu parceiro era implacvel, conduzindo-a giro aps giro pelos complexos passos

    da coreografia. Havia poucas pessoas na corte da rainha Elizabeth cuja paixo e

    energia para a dana se equiparavam da monarca. Aparentemente, o prncipe

    romeno com quem Bess danava no s conseguia acompanh-la, como a levava ao

    limite de sua energia.

    Robert Dudley, o conde de Leicester, assistia cena com um olhar sombrio,

    cobioso, e um tique leve, mas revelador, em sua mandbula. Lorde Burghley no

    resistiu oportunidade de provocar o negligenciado favorito da rainha.

    Dudley, parece que nossa Bess est muito impressionada com o prncipe Damien. No me lembro de ter visto nossa rainha travar amizade to rapidamente

    com outro dignitrio visitante antes.

    Dudley no respondeu de imediato. Era forado a ver pretendentes de vrios

    pases cortejando sua Bess, mas esse prncipe romeno teria o mesmo sucesso de seus

    antecessores, se pretendia propor casamento notoriamente caprichosa rainha da

    Inglaterra.

    O corao dela meu, pensou com ardor.

    Mesmo que Cecil organizasse uma parada de belos dignitrios interessados em

    despos-la, Bess nunca trairia seu corao... ou o dele.

    Damien finalmente se curvou para a rainha ao final da dana.

    Voc me superou esta noite a soberana declarou ofegante, deixando-se levar de volta ao trono. Como aprendeu a danar nossas danas mais modernas com tanta energia e habilidade?

    O prncipe coou a barba como se considerasse a questo.

    Acho que me empenhei muito. Ouvi dizer que a melhor maneira de atrair a ateno da soberana inglesa pela dana. Ele emitiu um suspiro dramtico. E agora que revelei meu ardil, suspeito de que vai me mandar embora e me proibir de

    voltar a pisar em sua bela ptria.

    Tudo depende de seus motivos para tentar atrair minha ateno.

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    Posso inventar um motivo oculto e diablico, se assim o desejar. Caso contrrio, terei de confessar que fui impelido por pura curiosidade.

    Elizabeth inclinou a cabea para trs e riu. Seu charme e seu humor franco

    causavam escndalo na corte inglesa, mas era evidente que o prncipe no se

    incomodava. Ela gostava disso. Ficara encantada com Damien desde o momento em

    que ele a cumprimentara quatro dias atrs. O prncipe se apresentara com a

    irreverente observao de que no estava ali para cortej-la ou impression-la, que ela

    no devia esperar nenhuma proposta de casamento, porque ele sabia que ela era boa

    demais para ele e estaria muito melhor sem sua inoportuna presena.

    Havia sido uma forma nica de quebrar o gelo, que a tranquilizara em relao

    s suas intenes, e desde ento eles estavam sempre juntos. Elizabeth via em Damien

    um igual, talvez um possvel confidente capaz de entender sua posio nica no

    mecanismo mundial.

    Caminhe comigo, Damien ela convidou, levantando-se do trono com a energia renovada.

    Conduziu-o aos recnditos do grande palcio de Londres. Estavam sendo

    seguidos, claro, pelas damas de companhia da rainha, mas os dois soberanos

    ignoraram a presena do grupo.

    Gracejos parte, Damien, qual seu verdadeiro propsito aqui?

    No tenho um propsito. Estou simplesmente viajando e conhecendo o mundo.

    E seu povo? Seu pas? No precisam de seu prncipe?

    claro que sim. Mas meu principado no como o seu reinado. Minha cultura... Bem, muito diferente da sua. Minha ausncia pode ser tolerada de vez em

    quando.

    um homem de muita sorte, ento.

    Damien olhou para baixo, avaliando-a de sua considervel estatura, e sorriu de

    leve. No era frequente que se misturasse a essa cultura, mas algumas vezes obtinha

    informaes sobre os acontecimentos no mundo e se sentia compelido a verificar por si

    mesmo.

    A jovem rainha da Inglaterra era singular. Seu futuro continha uma promessa e

    um potencial que podiam superar at mesmo suas prprias expectativas. Seria uma

    pena deixar de obter uma viso mais prxima da mulher. Estava ali com a inteno de

    se divertir, e aquele pequeno nicho do mundo tinha suas delcias intrigantes. As

    sombrias tramas polticas da corte inglesa eram suficientes para despertar sua

    curiosidade. As sutilezas eram tantas, que apenas tentar acompanh-las se

    transformava em um exerccio mental.

    Bem, milady, receio ter de pedir sua licena ele disse sorrindo, os olhos negros cintilando com irresistvel magnetismo.

    Elizabeth apreciava sua beleza. Ele era alto, mais do que a maioria dos homens,

    tinha uma densa barba negra, e uma pele plida e acetinada que no precisava de p

    ou outro tipo de maquiagem para adquirir a qualidade translcida que exigia a moda.

    Ele tambm no usava gordura na barba ou no bigode, nem os deixava crescer

    excessivamente para retorcer as pontas, como em voga. Em vez disso, ele os mantinha

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    limpos, como os cabelos, que estavam presos na altura da nuca por uma fita de seda

    azul que combinava com o negro cintilante das mechas abundantes.

    Qualquer que fosse sua posio entre seu povo, ele no era um monarca que

    repousava ocioso em seu trono. Seu corpo tinha a fora e a agilidade de um habilidoso

    guerreiro acostumado ao peso da espada. A potncia dos braos no se desenvolvia

    naturalmente, e a largura dos ombros parecia poder sustentar o peso do mundo. As

    pernas eram longas, musculosas, e no havia um grama de gordura extra em sua

    cintura. O conjunto era suficiente para fazer at uma rainha umedecer os lbios em

    antecipao. Felizmente, o homem ao seu lado no podia ler pensamentos.

    Eu o probo de partir ela disse, detestando a ideia de separar-se do nico homem na Inglaterra que no esperava dela mais do que o prazer de sua companhia.

    Era um luxo, sabia, mas, como rainha, tinha direito a alguns deles.

    Infelizmente, no era a rainha dele.

    Normalmente, minha doce dama, eu mesmo me proibiria de partir. Porm, esta noite, sou forado a privar-me da companhia de Sua Majestade para cuidar de

    assuntos de Estado. Minhas humildes desculpas.

    No, Damien, no necessrio se desculpar. Ns, soberanos, somos sempre mais escravos de nosso povo do que somos lderes. Pode ir, desde que prometa voltar

    amanh noite. Temos uma apresentao marcada para nosso entretenimento, e sei

    que vai se encantar.

    Sem dvida. Seu gosto impecvel.

    Damien levou aos lbios a mo adornada por anis e beijou a pele plida e

    sensvel da parte interna do pulso. Ele acompanhou o gesto com uma piscada ousada.

    Depois, afastou-se com um sorriso, curvando-se sutilmente ao passar pelas sorridentes

    e agitadas damas da rainha.

    Damien Dawn cumprimentou-o no momento em que ele entrou no castelo que usavam como gabinete na periferia de Londres.

    Donos de sentidos aguados, os vampiros detestavam viver nas cidades. As ruas

    cheiravam mal, os humanos tinham hbitos repugnantes, o rio era um esgoto a cu

    aberto, e nem mesmo gales de perfume francs podiam encobrir a falta de apreo dos

    humanos pelo hbito de banhar-se. Eles acreditavam que o contato constante com a

    gua os faria adoecer, quando o contrrio correspondia realidade.

    Meu bem ele retribuiu o cumprimento com um grunhido de apreciao, rindo ao ver que ela se aproximava com as presas prontas para mord-lo. Tenho coisas a fazer antes de lidar com seus apetites.

    A ruiva insolente sorriu, revelando que no ficaria afastada por muito tempo. E,

    se tivesse de atender s demandas do corpo com urgncia, ela no hesitaria em

    procurar outro voluntrio. Com exceo do desejo mtuo, no havia entre eles nenhum

    compromisso.

    Damien removeu as luvas e desarmou-se da espada que levava na cintura e da

    adaga que escondia na bota. Entregou as armas a Racine, que estava pronta, como

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    sempre. Depois, puxou um de seus longos cachos castanhos de maneira afetuosa antes

    de deix-la levar suas coisas.

    Atravessou o saguo e uma sala comum na direo do salo principal. L,

    ocupando cadeiras, divs e sofs, formando um crculo acolhedor que ocupava toda a

    circunferncia da sala, estavam os membros de sua corte que o haviam seguido para a

    Inglaterra. Simone acendera a lareira, completamente dependente daquele conforto.

    Ela repousava em uma poltrona bem na frente do fogo.

    Damien ela o chamou com aquele tom petulante que prenunciava uma queixa. sempre to tedioso aqui? Quando nos mudaremos?

    Acabamos de chegar, meu bem ele lembrou.

    Bem, aborrecido. Essas pessoas so muito... fedidas. E terrivelmente sem graa. No podemos voltar a Bizncio?

    Voc sempre quer voltar a Bizncio Lind comentou em tom seco, erguendo a cabea loura dos seios fartos de Jssica, onde cochilava.

    Damien ignorou as queixas e olhou em volta, estudando os dez adultos que se

    consideravam seus amigos mais prximos. Trocar a corte de Elizabeth Tudor por

    aquela sala onde todos se vestiam como se nem pensassem muito no assunto exigia

    sempre alguma adaptao.

    Diferentes dos humanos daquela dcada, que se vestiam com inmeras camadas

    de saiotes e corpetes e outras peas desnecessrias, os vampiros no crculo vestiam o

    mnimo possvel. Algumas mulheres usavam cala, outras preferiam kilts masculinos.

    Tudo era uma questo de gosto. Embora sua espcie normalmente se originasse em

    sua terra natal romena, cada um deles havia nascido em um sculo diferente, e

    Damien acumulava amizades como outros colecionavam uma variedade de safras de

    vinho. O modo de vestir deles costumava refletir a poca e a cultura em que haviam

    nascido, ou uma combinao simblica daquilo que os deixava mais confortveis.

    Damien no se importava com a aparncia dos amigos. No se importava nem

    com o que faziam, desde que no fosse contra as leis e no os expusesse a riscos. O que

    o espantava era o choque de cultura que sofria sempre que passava do reino humano

    ao mundo dos vampiros.

    Olhou para a nica pessoa que no estava deitada, abandonada ao tdio.

    Jasmine permanecia em p, atenta, olhando pela janela, as pernas afastadas e

    levemente flexionadas, os ps calados por botas. Aproximou-se, saltando alguns pares

    de pernas no caminho.

    Milorde Jasmine cumprimentou-o, e torceu o nariz ao sentir seu cheiro. Precisa de um banho.

    Por que perder tempo antes da caada dessa noite?

    Faz sentido.

    O que temos hoje noite, Jasmine?

    Alm de preguia, luxria e uma variedade de outros pecados mortais? ela perguntou, inclinando a cabea em direo aos ocupantes do aposento.

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    Mesmo com relao a tudo isso, est olhando para o lado errado ele provocou, sabendo que Jasmine no demonstrava o tdio como os de sua gente. Ela era

    uma pensadora. Sempre contemplava aspectos mais profundos que gratificao

    imediata. Como seu irmo Horatio, por quem fora criada. Ele havia recusado o convite

    para acompanh-los Inglaterra. Na verdade, Damien se surpreendera quando

    Jasmine aceitara no lugar dele.

    Estou olhando para o futuro, Damien ela disse com tom suave, o olhar perdido na distncia alm da janela. E de repente me ocorre que sei por que alguns de ns dormem dcadas seguidas.

    Por qu? ele indagou, embora houvesse encontrado essa mesma resposta havia quatrocentos anos, mais ou menos.

    Para no enlouquecer, seja de tdio, ou pelo caos de todas as espcies se misturando nesse planeta. Pensar nisso me faz sentir exausta e com vontade de dormir.

    Voc s tem cinquenta e quatro anos. Uma criana. Jovem demais para pensar na avidez por entretenimento em sua velhice, e ainda mais jovem para se

    preocupar com o destino de tantas espcies espremidas no nosso planeta.

    Ele a beijou no rosto com afeto. Como todos os vampiros, ela no havia envelhecido aps atingir sua maturidade sexual aos vinte anos. Porm, se isso a faz se sentir mais satisfeita, posso prometer muita diverso, caso um dia se sinta

    entediada. S precisa pedir minha ajuda. Sorrindo, virou-se para olhar a sala. Pigarreou, atraindo a ateno de todos. Alguns at se sentaram, revelando expectativa.

    Meu tempo na corte tem sido muito produtivo. H um levante religioso na Frana. Protestantes, catlicos, e aquele absurdo habitual.

    Oh! Esto enviando homens jovens? Jssica perguntou animada.

    um exrcito ou s um bando de rebeldes?

    Sim, voc precisa quantificar, Damien Lind insistiu.

    Digamos apenas que o tal levante suficiente para encobrir nossa...