O GERENCIAMENTO DA PRODUÇÃO ENXUTA E OS ?· The Lean Production System (SPE) is currently one of the…

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  • O GERENCIAMENTO DA PRODUO ENXUTA E OS IMPACTOS SOBRE AS

    CONDIES DE TRABALHO: ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA DO

    SETOR ALIMENTCIO LOCALIZADA EM MOSSOR/RN

    RESUMO

    O Sistema de Produo Enxuta (SPE) atualmente um dos sistemas mais adotados pelas

    empresas, no qual suas prticas esto voltadas para o combate ao desperdcio de fatores de

    produo como: tempo, material, produtos, recursos humanos, entre outros. Nesse sentido, o

    presente trabalho tem como objetivo analisar o gerenciamento da produo enxuta e os seus

    impactos sobre as condies de trabalho em uma empresa do setor alimentcio localizada em

    Mossor/RN. Como fonte de obteno de dados, foram realizadas entrevistas com o gestor de

    produo da empresa e com o tcnico em segurana e sade do trabalho, e aplicao de

    questionrio com os operadores da empresa. Os resultados indicam que a empresa estudada

    se mostra bastante preocupada com a segurana e sade de seus funcionrios, de modo, que

    elabora vrias diretrizes para segurana profissional e os operrios, em sua maioria, no se

    sentem incomodados com as prticas do (SPE), portanto, nota-se que as prticas do sistema

    de produo adotado pela empresa no interfere nas condies de trabalho de seus

    operadores.

    Palavras-chave: Produo Enxuta; Condies de trabalho; Combate ao desperdcio.

    MANAGEMENT OF LEAN PRODUCTION AND IMPACTS ON WORKING

    CONDITIONS: A CASE STUDY IN A COMPANY LOCATED IN THE FOOD SECTOR

    MOSSOR / RN

    ABSTRACT

    The Lean Production System (SPE) is currently one of the most widely adopted by companies

    in which their practices are geared to combat the waste of production factors such as time,

    materials, products, human resources, among others. In this sense, the present work aims to

    analyze the management of lean production and its impact on the working conditions in a

    company in the food industry located in Mossoro / RN. As a source of data collection,

    interviews were conducted with the production manager of the company and the technical

    safety and health at work, and a questionnaire with the operators of the company. The results

    indicate that the studied company proves to be quite concerned about the health and safety of

    its employees, so that draws several guidelines for occupational safety and workers, mostly,

    do not feel uncomfortable with the practice (SPE), therefore note that the practices of the

    production system adopted by the company does not interfere in the working conditions of

    their operators.

    Key-Words: Lean Prodution; Working conditions; combat the waste.

    1. INTRODUO

  • Com o crescimento da concorrncia e a exigncia dos consumidores, as empresas so

    obrigadas a implantar meios de produo mais eficazes e eficientes (CARDOZA;

    CARPINETTI, 2005). Nos dias atuais, a situao se tornou mais intensa, com um cenrio

    extremamente competitivo, no qual a crise fez com as empresas buscassem medidas que

    reduzissem principalmente seus custos de produo. Nesse sentido, muitas delas j veem

    realizando prticas de melhoria contnua em seus processos de produo (BITENCOURT;

    VASCONCELLOS, 2009).

    Diversos autores consagrados, como Moreira (2011), Slack, et al., (2009), Ohno

    (1997) relatam que essa reduo de custos regida por prticas consolidadas dentro de um

    sistema de produo especfico. A esse sistema denomina-se Sistema de Produo Enxuta

    (SPE) ou Sistema Toyota de Produo (STP), cujas caractersticas so a absoluta eliminao

    ou reduo mxima do desperdcio (OHNO, 1997; GIESTA, MAADA; LUNARDI, 2003)

    como combate ao desperdcio, just-in-time (JIT), foco na qualidade, operaes padronizadas,

    poltica de zero-defeito, profissionais polivalentes, entre outras.

    Complementando esse pensamento, Wickramasinghe e Wickramasinghe (2011),

    afirmam que o (SPE) foi alm da sua origem, no ramo automobilstico. Esse sistema acabou

    se tornando uma prtica de produo avanada, de modo a criar uma produo racionalizada,

    atravs da criao dessas caractersticas anteriormente citadas. Segundo Krajewski, Ritzman e

    Malhotra (2009) o sistema de produo enxuta um agrupamento de estratgias de operaes,

    processos, tecnologia, qualidade, capacidade, arranjo fsico, cadeias de suprimento, estoque e

    planejamento de recursos, que juntos trabalham para criar processos eficientes.

    Dentro desse entendimento das prticas de produo enxuta, surge preocupao

    tambm acerca do papel das pessoas envolvidas na produo e quais so os seus

    comportamentos em relao ao sistema adotado. Giesta, Maada e Lunardi (2003), embasados

    por diversas pesquisas, relatam que os princpios do SPE acabam frustrando alguns

    funcionrios e levando-os insatisfao com seus respectivos trabalhos.

    Ferreira (2006) corrobora que apesar dos benefcios oriundos da produo enxuta

    serem conhecidos na produo, seus princpios tem carter controversos aos serem verificados

    do ponto de vista da segurana do trabalho, pois, analisa-se que com uma responsabilidade

    maior por conta das exigncias por produtos sem defeitos, os trabalhadores podem passar a

    ficar com maior nvel de estresse, fadigados, tendo o risco de se tornarem insatisfeitos com

    seus trabalhos por conta do auto nvel de cobrana por seus supervisores e por si prprios.

    Nesse contexto, o objetivo deste artigo analisar o gerenciamento da produo enxuta

    e os impactos sobre as condies de trabalho numa empresa do setor alimentcio localizada na

    cidade de Mossor/RN.

    Logo, esse artigo est composto por trs partes, alm desta introduo e das

    consideraes finais. A primeira trata das prticas e princpios do sistema de produo enxuta,

    a segunda aborda os impactos do sistema de produo enxuta sobre as condies de trabalho,

    e por fim, a ltima parte analisa qualitativamente a relao entre as prticas do SPE e as

    condies de trabalho, na percepo do gestor de produo, do tcnico em segurana do

    trabalho e dos operadores, descrevendo os mtodos e os procedimentos realizados.

    2. REVISO DA LITERATURA

    2.1 Sistema de Produo Enxuta (SPE)

    O Sistema de Produo Enxuta (SPE) surgiu na dcada de 50, mais precisamente, na

    fbrica automobilstica Toyota, localizada no Japo. A bem-sucedida campanha da Toyota

    para se tornar a montadora mais rentvel do mundo foi desenvolvida com a acumulao de

  • sries compostas por inovaes no sistema produtivo (STAATS; BRUNNER; UPTON,

    2010). O principal idealizador dessas mudanas no sistema de produo da fbrica foi o

    engenheiro da prpria empresa, Taiichi Onho. A princpio, a Toyota denominou esse sistema

    de Sistema Toyota de Produo, porm, com o passar do tempo, passou a ser conhecido como

    Sistema de Produo Enxuta (ELIAS; MAGALHES, 2003).

    A manufatura enxuta refere-se a um novo processo de produo que envolve a

    empresa toda, englobando todos os aspectos das operaes industriais (desenvolvimento do

    produto, organizao e recursos humanos) e incluindo a rede de consumidores e fornecedores

    (MOREIRA, 2003, p. 508). O autor ainda relata que esse novo sistema de produo

    administrado por uma juno de mtodos, princpios e prticas. Princpios como: qualidade

    perfeita desde o inicio da produo, eliminao de desperdcios em todas as atividades que

    acrescentam valor de custo, melhoria contnua, flexibilidade, entre outras.

    Nessa mesma linha de pensamento, Conti, et al., (2006) afirma que o (SPE) foi,

    inicialmente, difundido com a poltica do just-in-time (JIT), que consiste em produzir a

    quantidade exata no tempo certo, ou seja, mais uma prtica do combate ao desperdcio

    (ELIAS; MAGALHES, 2003). O objetivo da adoo dessa prtica era sobressair perante as

    outras montadoras que ainda adotavam antigos mtodos de produo. Por exemplo, com a

    adoo do (JIT), as indstrias produziam seus produtos com um tero a menos de hora e com

    um tero a menos de defeitos, quando comparadas s indstrias que ainda adotavam o sistema

    de produo em massa (CONTI, et al., 2006).

    Nesse sentido, Slack, et. al. (2009), define o (JIT) como um sistema de abordagem

    disciplinada, que tem como objetivo a prtica do no desperdcio, cuja finalidade operar em

    uma produo eficaz em termos de custos, assim como o fornecimento apenas da quantidade

    necessria de componentes no momento exato, bem como com qualidade propcia, usando-se

    apenas o nmero mnimo de instalaes, equipamentos e, principalmente, recursos humanos.

    Desse modo, o pensamento enxuto visa basicamente o aumento da produtividade e

    melhoria da qualidade atravs da eliminao de atividades que no agregam valor aos olhos

    do cliente final, mais comumente conhecido como os desperdcios produtivos (RODRIGUES,

    2012). Nessa linha de pensamento, Cirino, et al., (2012), afirma que a produo enxuta possui

    prticas que servem como ferramentas para atingir seu objetivo primordial, que a eliminao

    de desperdcios, tempo esforo, material e recursos.

    Bittencourt e Vasconcellos (2009) corroboram que o princpio bsico da manufatura

    enxuta aliar as tcnicas gerenciais, procurando no processo produtivo toda e qualquer

    oportunidade de reduzir os desperdcios. Ou seja, para se tornar competitivo, a reduo e

    eliminao dos desperdcios devem ser implementados nos processos produtivos. Ohno

    (1997), tambm afirma que alm de combater ao desperdcio de material, o sistema de

    produo enxuta tambm combate espera dos funcionrios por materiais para proceder com

    suas atividades.

    De acordo com Guinato (2000), essa filosofia de operao pode ser definida como um

    sistema de produo que tem como foco o gerenciamento, a qual procura otimizar a

    organizao de forma a suprir as necessidades de sua demanda em curto prazo, na mais alta

    qualidade e no valor de custo mais baixo. Paralelamente, tenta-se manter um nvel de

    segurana e a moral de seus colaboradores (funcionrios), estabelecendo a integrao e o

    envolvimento dos mesmos em todas as etapas da produo.

    Nesse contexto, Hines e Taylor (2000) apud Cavalcante, et al., (2012) afirmam que os

    cincos princpios da produo enxuta so: explicitar o que gera e o que no gera valor sob a

    perspectiva do cliente; identificar todas as etapas imprescindveis para produzir o produto,

  • sem gerar desperdcios; promover aes a fim de criar um fluxo de valor contnuo, sem

    interrupes, ou esperas; produzir apenas quantias requeridas pelo consumidor; esforar-se

    para manter uma melhoria contnua, buscando diminuir perdas e desperdcios.

    Com objetivo principal de impedir a gerao e propagao de defeitos e banir qualquer

    anormalidade no processamento e no fluxo de produo (CAVALCANTE, et al., 2012),

    definidos pela implementao e anlise dos sistemas produtivos que adotam a produo

    enxuta, gestores se basearam em estudos, com o intuito de alcanar a realidade desejada,

    solucionando possveis defeitos para alcanar a mxima eficincia dos processos produtivos,

    o Quadro 1 traz um resumo do conjunto de algumas prticas de produo enxuta, encontradas

    na literatura:

    CARACTERSTICA CONCEITOS

    Produo puxada Conforme Moreira (2003), a empresa deve deixar que a

    demanda puxe o produto, caso o contrrio, a empresa

    ter prejuzos envolvendo o seu capital de giro.

    Controle de Qualidade Zero Defeitos (CQZD) Conforme Guinato (2000) consiste em um mtodo

    cientfico, cuja finalidade combater a ocorrncia de

    defeitos atravs da identificao e controle das suas

    causas.

    Autonomao Corresponde ao direito concedido ao operador ou a

    mquina a autonomia de parar sua atividade quando

    alguma anormalidade na produo for detectada.

    (GUINATO 2000)

    Flexibilizao de mo de obra e

    multifuncionalidade

    De acordo com Ferreira (2006), consiste em capacitar

    os funcionrios para operar em diversas mquinas.

    Segundo este autor, nesse sistema de operacionalizao

    em diversas mquinas, o operador trabalha em diversas

    mquinas simultaneamente, porm, sem seguir o fluxo

    de produo de um produto.

    Nivelamento da produo Guinato (2000), afirma que o nivelamento da produo

    quando h a criao de um programa de nivelamento

    atravs de um sequenciamento de pedidos em um

    padro no espordico das variaes dirias de todos

    dos pedidos para suprir a demanda de longo prazo.

    Operaes Padronizadas Conforme Slack et. al. (2009) tem a finalidade de

    manter uma disciplina e estabilidade, assim como

    estabelecer uma melhoria contnua, permitindo operar a

    atividade de cada trabalhador de modo individual,

    identificando e eliminando os desperdcios nas

    atividades rotineiras dos operadores.

    Layout Como j relatados, a principal finalidade da manufatura

    enxuta combater ao desperdcio, e uma das estratgias

    cabveis esse combate, segundo Guinato (2000) seria

    melhorar o layout da planta da organizao, de modo

    que o nenhum transporte ou maior deslocamento fosse

    necessrio.

    Manuteno Produtiva Total (MPT) De acordo com Ferreira (2006), a MPT est diretamente

    relacionada com a poltica de zero defeitos e com a

    ideia de autonomao, desde que as mquinas possuam

    um dispositivos que impea a continuidade de sua

    atividade assim que uma anormalidade for detectada.

    Troca Rpida de Ferramentas (TRP) A troca rpida de ferramentas uma pratica de produzir

    pequenos lotes de produtos variados, em fluxo

  • contnuo, com uma demanda nivelada e com

    flexibilidade de adaptao s variaes da demanda,

    requer facilidades na troca de modelos de produtos

    (SHINGO, 2000 apud Cavalcante et. al., 2012).

    Transparncia Santos (1999) apud Ferreira (2006) denomina como a

    habilidade de uma atividade de produo manter a

    comunicabilidade entre as pessoas, independente da

    hierarquia.

    Melhoria contnua (kaizen) O kaizen est ligado ao principio da perfeio e

    apresenta trs caractersticas essenciais: ele continuo,

    de fcil implementao e participativo permitindo o

    envolvimento e uso da inteligncia da fora de trabalho

    (BRUNET; NEW, 2003 apud Cavalcante et. al., 2012).

    Quadro 1: Conjunto de prticas de produo enxuta

    Fonte: Moreira (2003); Guinato (2000); Ferreira (2006); Slack et. al. (2009); (Shingo, 2000 apud Cavalcante et.

    al., 2012); (Brunet; New, 2003 apud Cavalcante et. al., 2012).

    Esses princpios e prticas do (SPE) so adotados com o nico objetivo da reduo de

    desperdcios, da qualidade perfeita de seus produtos, produo mais rpida e,

    consequentemente, a reduo dos custos de produo (MOREIRA, 2003; SLACK, et al.,

    2009; RODRIGUES, 2012). Com relao aos desperdcios, Silva, Arajo e Gomes (2009),

    afirmam que consistem em: superproduo; nmero de itens em estoque desnecessrio;

    problemas que afetam a qualidade do servio/produto; processamento imprprio; espera;

    produo de bens que a demanda no esteja necessitando; transporte; os desperdcios de

    atividades humanas, reduzindo-se os operadores para meros trabalhadores de atividades

    braais.

    Diante do exposto, analisando essas prticas do sistema de produo enxuta, h o

    questionamento respeito dos impactos dessas prticas sobre trabalho dos operrios.

    2.2 Impactos do (SPE) sobre as condies de trabalho

    Com a implantao de prticas do Sistema de Produo Enxuta, como o combate ao

    desperdcio, uma produo mais rpida, que oriunda da filosofia Just in time (JIT), h uma

    preocupao em relao ao grau de satisfao dos operrios envolvidos nesse sistema ao

    desenvolver essas prticas.

    Como os profissionais so treinados para serem polivale...