O Grito Vermelho

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Horror. Drama Psicolgico. Suspense Sobrenatural. Um crime: doze corpos encontrados em uma regio mstica do norte da Monglia. Um agente especial francs que batalha contra seus mais ntimos inimigos: os prprios pesadelos. Um assassino letal e misterioso que cruza o caminho das investigaes do governo francs e do Vaticano e pe em risco a segurana dos agentes e dos padres. Segredos so aos poucos apresentados e revelam as angstias e os pecados impressos nos homens. O Grito Vermelho: o lamento silencioso da alma...

Transcript

  • VermelhoO Grito

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  • Bruno Godoi

    So Paulo 2013

    VermelhoO Grito

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  • Copyright 2013 by Bruno Godoi

    Coordenao EditorialIlustraes e capaMontagem de capa

    DiagramaoPreparao

    Reviso

    Filipe Nassar LardoVincius CsarMonalisa Morato Monalisa MoratoMaria Clara DunckSrgio Nascimento

    2013IMPRESSO NO BRASILPRINTED IN BRAZIL

    DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIO NOVO SCULO EDITORA LTDA.

    CEA Centro Empresarial Araguaia IIAlameda Araguaia, 2190 11 Andar

    Bloco A Conjunto 1111CEP 06455-000 Alphaville SP

    Tel. (11) 3699-7107 Fax (11) 2321-5099www.novoseculo.com.br

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  • Os dramas so reais; as personagens, fictcias. E somos, todos ns, personagens reais vivendo dramas fictcios...

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  • 7Agradecimentos

    Agradeo a minha famlia e amigos, em especial e no acima dos demais, mas em posio que merece destaque. A Bernardo Mateus por

    toda confiana, apoio e por escutar minhas ideias, a Jnia Cruz e Leidi Polastrini pela ajuda e por todas as palavras de incentivo para

    o sucesso desta obra. E, ainda, no poderia deixar de agradecer a Vinicius Csar, o grande

    ilustrador, que tanto me ajudou com sua belssima arte neste trabalho e em outros que ainda viro. Agradeo aos meus amigos das sesses

    de RPG, dos assuntos aleatrios e das Teorias Gerais do Universo: Breno Faria, Bruno Oliveira Nogueira (BON), Daniel Milagre, Marcelo Rattones e

    Paulo Carrano. A Tiago Carmo, por acreditar em mim e por me apresentar as maravilhas do RPG, e novamente a Marcelo Rattones, agora como web

    designer, pelo grande apoio na construo do website deste livro. E tambm a todos os amigos do Corpo de Bombeiros Militar de

    Minas Gerais, pelos anos de profisso, aprendizado e amizade. Um agra-decimento especial a Marcelo Daldegan, e um mais que especial, e com

    os meus profundos sentimentos, a Bernardo Mateus (Bad Blood) e Paulo Magno, por compartilharem comigo da infncia e de toda uma vida cons-truda sobre os pilares da amizade. E, por fim, um muito obrigado a Filipe Lardo, o editor que trabalhou lado a lado comigo neste livro, e que tanto

    apoiou e confiou no sucesso de O Grito Vermelho.....E dizem por a, nos cantos e recantos das Letras, que certa vez ques-tionaram o sbio Scrates sobre as obras de sua futura morada: Mas,

    Scrates, por que to poucos quartos em sua nova casa? E o filsofo pron-tamente lhes respondeu: Um quarto para cada amigo verdadeiro que

    possuo. E os quartos de Scrates podiam ser contados com os dedos de uma mo.

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  • 9Dedicatoria

    A Maria Tereza, minha me, por sempre e por tudo. A Isabela Godoi e Frederico Godoi; meus irmos, por uma vida sempre feliz. A Delaine,

    Rafaela e Gabriel, pelo crescimento de nossa famlia. A Maria Izabel, Edinho, minhas primas-irms Ceclia Godoi e Carolina Godoi, a toda a

    famlia de Araguari, distante, mas sempre presente, e ainda Soninha, pela extenso de nosso pilar chamado

    Famlia. E em especial, e acima de tudo, a Jos Silva, meu pai, o verdadeiro maestro que sempre regeu e orquestrou

    minha vida, educao e formao humana.

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    A revelao de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo

    seu anjo as enviou, e as notificou a Joo seu servo.Ap 1:1

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  • Prlogo

    Em algum lugar de Paris, Frana14 de julho de 1930.

    A catedral alta e fria. Alta demais. To alta que se chega a pensar na inutilidade de sua arquitetura e forma. Paredes negras de pedras geladas, escadas lisas e escorregadias, grgulas de rochas secas e trincadas erguem suas mos para o cu em gestos malignos. Outras imagens se contorcem em movimentos desprovidos de sentimentos e parecem querer adentrar a catedral; gladiam-se para, ento, atravessar a grossa parede e atingir o centro

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    da igreja. Compridas janelas verticais se estreitam at atingir o topo da torre em forma de seta.

    Toda a catedral assemelha-se a longas lanas de guerra. Lanas prontas para serem arremessadas contra os anjos do cu, pensou o vulto negro. Sorriu e olhou para o rio Sena, l embaixo. A cidade se preparava para mais uma noite gelada.

    Apesar da estao quente, fazia frio, e as pessoas saam para as ruas em come-morao Fte Nationale o Dia da Bastilha com grossos casacos e mantos.

    Uma nvoa densa e fria como uma mortalha escura formava-se sobre as casas e edifcios, cobrindo as centenas de chamins de cermica vermelha e placas cinzentas sobre os telhados de Paris. O rio brilhava luz mortia da lua, que conseguia trespassar a camada de nvoa.

    Pessoas se abrigavam em seus grossos agasalhos, espremiam-se e acoto-velavam-se umas s outras, enquanto entravam no grande salo da catedral. Protegiam-se mais do contato entre si do que do frio que feria a pele como doses singelas de um cido invisvel.

    To unidos e to solitrios... pensou novamente o vulto, e ainda sorria quando sentiu a tenso na grossa corda do sino. Olhou com o canto dos olhos e viu a pesada esfera de bronze ser jogada de lado. Uma, duas, trs vezes. O badalo parou, e comeou novamente.

    Badaladas! O velho sino gritava mais uma vez... Sculos e sculos, sempre as mesmas palavras, os mesmos sons... To

    sem sentido e sem arbtrio... Seguindo a vontade de mos gananciosas e sr-didas. O vulto sussurrou para si. Sentia dio.

    Voltou o olhar para as meninas amontoadas no cho. Eram trs, e elas se espremiam contra o guarda-corpo do fosso do sino. Duas delas se espre-miam ainda mais contra a terceira, mais velha e maior, e o vulto mantinha os olhos nesta, que alojava as duas menores nos braos, uma em cada lado do corpo. As novas tremiam e tampavam os ouvidos para se proteger do alto som das badaladas; seus tmpanos doam a ponto de quase sangrar. Sentiam frio e medo.

    A mais velha nada fazia para proteger seus ouvidos, estava alheia aos sons e indiferente presena sinistra do vulto.

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    Frio e medo... ele pensou, e sorriu novamente. Alimentava-se do frio e do medo, como um verme saprfito que desliza lentamente sobre uma car-caa, alimentando-se de podrido e morte.

    O vento no alto da torre era cruel e os pombos se remexiam inquietos em seus ninhos, fazendo sons irritantes e assustadores, que se misturavam ao sussurro medonho do vento glido e ao grito estridente de metal contra metal.

    Badalo e sino. Vibrao e tenso. O vulto adorava aqueles sons, adorava os instrumentos que davam vida

    sua sinfonia. Era um maestro, e os maestros amam suas obras. Ainda com o olhar em direo mais velha perguntou:

    Uma sinfonia da morte. Gosta de msica?Mas ela o ignorou. Ele aproximou-se. Ela o olhava com uma expresso sem vida, como as

    imagens do lado de fora da torre, desprovidas de sentimentos. O som forte do sino no a incomodava, estava insensvel. Um bloco de rocha. O vulto persistia fitando seus olhos, e ela liberou os braos dos corpos das menores e se comunicou por sinais:

    Eu no tenho medo de voc.Os gestos de suas pequenas mos eram frios como as pedras da torre.

    Comunicava-se muito mal, ningum havia lhe ensinado a lngua gestual. Mas isso no importava, o vulto entendia o corao dos homens. Frio e medo... E indiferena, ele ponderou, estreitou os olhos e se irritou. Desviou os olhos dela e olhou para o cu escuro.

    As badaladas cessaram. O silncio abateu o ambiente. A grossa corda balanava suavemente pelo ar sem despertar a esfera de bronze. Os pombos silenciaram e o vento se aplacou. As meninas menores aliviaram a pres-so nos ouvidos e relaxaram seus pequenos corpos. A mais velha voltou a abra-las.

    De repente, em meio ao cu escuro e sombrio, um pequeno foco bri-lhante de luz apontou. O vulto contemplou aquele brilho por um instante e se virou em direo s meninas, aproximando-se ainda mais delas; seu cami-nhar era lento como uma serpente se arrastando. A mais velha mantinha sua postura protetora; um pequeno animal assustado que abriga os filhotes em

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    seu fraco e magro corpo. Ele se agachou diante delas e murmurou, enquanto fazia sinais para a mais velha; e o olhar sempre nela, sempre a fitando:

    Aquele brilho no cu, minha linda, o que ? Apontou para o foco de luz com a cabea. Todo o seu corpo estava coberto por um denso e negro capote e capelo. Suas mos quase no podiam ser vistas em meio a tanta sombra.

    Deus! respondeu a menor, com os olhos fechados e o queixo tocando sua fina clavcula; apertando os braos na cintura de sua irm protetora.

    Uma estrela cadente! comentou a outra, olhando com o canto dos olhos para o brilho, ainda com o rosto apoiado no peito da mais velha e os braos a envolvendo. Parecia esperar por uma forte rajada de vento que as levaria para longe dali.

    A mais velha nada disse, apenas prestava ateno nos gestos feitos pelo vulto, mas no se manifestava nem se mexia.

    O sino destrura seus tmpano