O Impacto das Redes Sociais nas Operaes Militares ? O Impacto das Redes Sociais nas Operaes

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    08-Nov-2018

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ACADEMIA DA FORA AREA O Impacto das Redes Sociais nas Operaes Militares David Miguel Dorotea Muleta Aspirante a Oficial-Aluno/Piloto-Aviador 137724-J Dissertao para obteno do Grau de Mestre em Aeronutica Militar, na Especialidade de Piloto-Aviador Jri Presidente: Coronel Joaquim Jos Carvalheira Baptista Veloso Orientador: Professor Doutor Paulo Cardoso do Amaral Coorientador: Major Paulo Jorge Rodrigues Mineiro Vogal: Tenente-Coronel Paulo Jorge Machado Dias Gonalves Sintra, maro de 2015 ii Pgina intencionalmente deixada em branco iii ACADEMIA DA FORA AREA O Impacto das Redes Sociais nas Operaes Militares David Miguel Dorotea Muleta Aspirante a Oficial-Aluno/Piloto-Aviador 137724-J Dissertao para obteno do Grau de Mestre em Aeronutica Militar, na Especialidade de Piloto-Aviador Jri Presidente: Coronel Joaquim Jos Carvalheira Baptista Veloso Orientador: Professor Doutor Paulo Cardoso do Amaral Coorientador: Major Paulo Jorge Rodrigues Mineiro Vogal: Tenente-Coronel Paulo Jorge Machado Dias Gonalves ISBN: Sintra, maro de 2015 iv Este trabalho foi elaborado com finalidade essencialmente escolar, durante a frequncia do Curso de Pilotagem Aeronutica cumulativamente com a atividade escolar normal. As opinies do autor, expressas com total liberdade acadmica, reportam-se ao perodo em que foram escritas, mas podem no representar doutrina sustentada pela Academia da Fora Area. v Agradecimentos Assim encerro mais uma etapa e subo mais um degrau da grande escada acadmica a que me propus subir, voluntria e orgulhosamente. Encontro-me agora um pouco mais prximo de materializar este longo sonho, que voa comigo desde pequeno, ser piloto militar ao servio do meu pas. O que no incio era uma nuvem inatingvel, comeo agora a observ-la de perto e anseio o dia de a poder tocar. A Academia da Fora Area Portuguesa deu-me a generosa oportunidade de alcanar esse sonho, o que significou profundas mudanas na minha vida. Nesta casa tenho aprendido e crescido. Aprendi a conhecer-me a mim prprio e a valorizar as pequenas coisas da vida, que agora tm outro significado, outro simbolismo e outra virtude. Em cada fase aprendi novas lies e conquistei novas metas. Cada fase foi conquistada com entrega, dedicao, orgulho e esperana de concretizar um sonho de criana e aquilo que parecia inalcanvel foi pouco a pouco, pgina a pgina, alcanado. Conquistei assim mais um desafio, graas a mim e a todos os que me apoiaram. Sem esses, nada disto seria possvel e a eles quero agradecer. Reservo o primeiro agradecimento minha famlia. Apoiaram-me em todas as fases e a fora que demonstram nas barreiras que ultrapassam (e que juntos ultrapassamos), resulta na minha motivao, fora e empenho. Tenho de facto uma famlia maravilhosa: um Pai invencvel, uma Me lder e empenhada, uns Irmos dedicados e uma namorada to militar quanto eu, por ter tanta fora e compreenso. A todos os que ultrapassam comigo cada meta, Obrigado. Gostaria de dedicar um enorme agradecimento ao Professor Doutor Paulo Amaral, um excelente profissional, que me transmitiu conhecimentos essenciais e orientou para a concretizao deste objetivo. Deixo tambm um especial e muito generoso agradecimento ao Major Paulo Mineiro, que me enquadrou, motivou e ajudou incansavelmente. Muito Obrigado. A todos os militares que demonstraram interesse no meu tema e prontificaram-se a ajudar, deixo tambm um Obrigado, pois sem cada um de vs, este contedo no seria possvel. Aos meus camaradas de curso e a todos os meus amigos, Obrigado pela fora e motivao. vi Pgina intencionalmente deixada em branco vii Resumo Esta dissertao tem como objetivo determinar de que forma a utilizao de Redes Sociais em Operaes Militares, quer pela Fora Area Portuguesa, quer pelos seus militares, pode influenciar essas operaes. Neste trabalho, presume-se que as Redes Sociais so um ponto de encontro fundamental para a comunicao entre as pessoas. No mbito militar, este pressuposto concretiza-se em considerar que a Guerra de Informao ocorre todos os dias de forma silenciosa e que uma simples publicao pode resultar em mudanas significativas para os militares e familiares, bem como determinar o desenvolvimento das operaes militares. Para analisar a influncia das Redes Sociais nas Operaes Militares, foi consultada bibliografia diversa e concernente Fora Area Portuguesa e a outras organizaes congneres. Concomitantemente procedeu-se quer realizao de entrevistas a militares da Fora Area Portuguesa com conhecimentos e expertise nos assuntos abordados, quer ainda realizao de um inqurito junto dos militares que participaram em misses internacionais a partir do ano de 2012. Todos estes instrumentos permitiram evidenciar a existncia de potencialidades e de perigos no uso de Redes Sociais em Operaes Militares. Concluiu-se pois, que as Operaes Militares so potenciadas pelas capacidades das Redes Sociais, nomeadamente na aquisio de Situational Awareness e ainda que a falta de capacitao dos militares nesta rea de misso comporta riscos, coletivos e individuais, o que poder obrigar a Fora Area Portuguesa a tomar medidas preventivas. Palavras-chave: Redes Sociais, Operaes Militares, Fora Area Portuguesa, Guerra de Informao, Situational Awareness. viii Abstract This dissertation aims to determine how the use of Social Networks (SN) in military operations, either by the Portuguese Air Force (PAF), or by the military personnel, can influence these operations. In this dissertation, it is assumed that the SN are a vital meeting point for communication between people. Under the military, this assumption is to consider that the Information Warfare occurs every day, silently, and that a "simple" publication may result in significant changes to the soldiers, relatives and for the progress of operations and also that, these publications, may enhance or harm the military operations. To analyze the influence of social networks on military operations, diverse literature was consulted, concerning the PAF and other organizations. Concurrently was the realization of interviews to the PAF's military personnel with knowledge and expertise in the subjects addressed, and also, was carried out a survey among the military who participated in international missions from the year 2012. All these instruments have allowed evidence the existence of potentials and dangers in using SN in military operations. Finally, it was concluded that the military operations are enhanced by the capabilities of the SN, in particular in the acquisition of Situational Awareness, but also concluded that the lack of military awareness about the SN dangers, entails collective and individuals risks, which may force the PAF to take preventive measures. Keywords: Social Networks, Military Operations, Portuguese Air Force, Information Warfare, Situational Awareness. ix ndice 1. Introduo ......................................................................................... 1 1.1. Contextualizao ........................................................................................... 1 1.2. Motivao ...................................................................................................... 3 1.3. mbito e Objetivo .......................................................................................... 4 1.4. Metodologia ................................................................................................... 5 1.5. Panormica Geral da Dissertao ................................................................. 7 2. Reviso de Literatura ........................................................................ 9 2.1. A Evoluo da Guerra ................................................................................... 9 2.2. Transformaes da Guerra ......................................................................... 10 2.3. Informao .................................................................................................. 10 2.4. Guerra de Informao ................................................................................. 11 2.4.1. Guerra de Informao Pessoal ............................................................. 12 2.4.2. Guerra de Informao Corporativa ....................................................... 12 2.4.3. Guerra de Informao Global................................................................ 12 2.5. A informao nas Operaes Militares ........................................................ 13 2.5.1. Domnio Fsico ...................................................................................... 13 2.5.2. Domnio da Informao ......................................................................... 13 2.5.3. Domnio Cognitivo ................................................................................. 13 2.6. Intelligence .................................................................................................. 13 2.6.1. Open-Source Intelligence ..................................................................... 14 2.7. Superioridade de Informao ...................................................................... 14 2.8. Operaes de Informao ........................................................................... 14 2.9. Engenharia Social ....................................................................................... 16 2.10. Information Security ................................................................................. 16 2.11. Public Affairs Operations .......................................................................... 17 2.12. Relaes Pblicas Estratgicas ............................................................... 17 x 2.13. Propaganda .............................................................................................. 18 2.14. Sistemas de Informao e Comunicaes ............................................... 18 2.15. Tecnologias de Informao e Comunicaes .......................................... 18 2.16. Web 2.0 .................................................................................................... 19 2.16.1. Redes Sociais .................................................................................... 19 3. Identificao e capacidades das Redes Sociais .............................. 21 3.1. Facebook ..................................................................................................... 21 3.2. YouTube ...................................................................................................... 22 3.3. Twitter .......................................................................................................... 23 4. As Redes Sociais e o Situational Awareness .................................. 25 4.1. Introduo temtica .................................................................................. 25 4.2. Catstrofes e Emergncias Sociais ............................................................. 28 4.2.1. Rudo de Informao ............................................................................ 29 4.3. Causas Humanitrias .................................................................................. 31 4.4. Rastreio epidmico ...................................................................................... 32 4.5. Ferramenta de revoluo ............................................................................ 33 4.5.1. Na Lbia ................................................................................................ 33 4.5.2. No Egipto Facebook Revolution ...................................................... 33 4.5.3. No Iro .................................................................................................. 35 4.6. Obteno de Situational Awareness para as OPMIL................................... 36 4.7. Concluso Intermdia .................................................................................. 46 5. As Redes Sociais para a Motivao dos Militares ........................... 49 5.1. Anlise Motivao .................................................................................... 49 5.2. Concluso Intermdia .................................................................................. 51 6. Influncia das Redes Sociais na Opinio Pblica ............................ 53 6.1. Operao Manatim ...................................................................................... 53 6.2. Caso Resort 4 Estrelas ................................................................................ 54 xi 6.3. Caso TugaLeaks ......................................................................................... 55 6.4. Importncia da FA nas RS .......................................................................... 56 6.5. Concluso Intermdia .................................................................................. 59 7. (In)segurana nas Redes Sociais .................................................... 61 7.1. Perigos das Redes Sociais .......................................................................... 61 7.2. Casos Estudo .............................................................................................. 66 7.3. Comportamento dos Militares nas Redes Sociais ....................................... 67 7.3.1. Conscincia de Segurana dos Militares da FA.................................... 69 7.4. Realidade da FA quanto aos Perigos das RS ............................................. 70 7.4.1. Experincia ........................................................................................... 70 7.4.2. Consciencializao ............................................................................... 71 7.4.3. Literatura da FA acerca das RS ............................................................ 74 7.4.4. As Redes Sociais noutras Foras Militares ........................................... 77 7.4.5. Recomendaes ................................................................................... 79 7.5. Concluso Intermdia .................................................................................. 79 8. Concluso e Recomendaes ......................................................... 83 8.1. Concluso ................................................................................................... 83 8.2. Consideraes Finais .................................................................................. 89 8.3. Recomendaes e Contribuies Futuras ................................................... 90 9. Referncias Bibliogrficas ............................................................... 91 9.1. Entrevistas ................................................................................................. 107 Anexo A - Inqurito ............................................................................. A-1 Anexo B Anlise do Inqurito ........................................................... B-1 B-1 Caraterizao da amostra ............................................................................. B-1 B-2 Caraterizao do uso das RS em misso ...................................................... B-2 B-3 Caraterizao das informaes obtidas nas RS ............................................ B-3 B-4 Caraterizao do contacto com os familiares ................................................ B-4 B-5 Caraterizao do perigo de quebras de segurana pelos militares ............... B-4 xii B-6 Caraterizao do perigo associado aos F/A .................................................. B-6 B-7 Caraterizao da importncia dos Briefings .................................................. B-7 B-8 Caraterizao do interesse pelas RSFA ........................................................ B-9 Anexo C - Modelo de Anlise .............................................................. C-1 xiii ndice de Figuras Figura 1 - Operaes de Informao (FM 100-6, 1996). ......................................... 16 Figura 2 - Twitterverse de Brian Solis e JESS3 (Solis, 2011) .................................. 24 Figura 3 - Trendsmap (McClain, 2010) .................................................................... 44 Figura 4 - GeoChirp (McClain, 2010) ....................................................................... 44 Figura 5 - Twittervision (McClain, 2010) .................................................................. 45 Figura 6 - Comentrios no JN .................................................................................. 57 Figura 7 - Comentrios no JN .................................................................................. 57 Figura 8 - Comentrio no JN .................................................................................... 58 Figura 9 - Conversa em cdigo no Facebook .......................................................... 70 Figura A-1 - Perguntas de caraterizao da amostraA-1 Figura A-2 - Perguntas de caraterizao do uso das RS em misso.....A-1 Figura A-3 - Pergunta de caraterizao das Informaes obtidas nas RS....A-1 Figura A-4 - Perguntas de caraterizao do contacto com os familiares...A-2 Figura A-5 - Perguntas de caraterizao do perigo de quebras de segurana pelos militares.....A-2 Figura A-6 - Perguntas de caraterizao do perigo associado aos F/A.....A-2 Figura A-7 - Perguntas de caraterizao da importncia dos Briefings.....A-3 Figura A-8 - Perguntas de caraterizao do interesse pelas RSFA.......A-3 Figura B-1 - Motivos de utilizao das RS em misso ....B-2 Figura B-2 - Classificao de utilidade das informaes obtidas atravs das RS...B-3 Figura B-3 - Mtodo de contacto com os F/A pelas RS...B-4 Figura B-4 - Percentagem de militares que descaraterizaram as RS antes de ingressar na misso.B-5 Figura B-5 - Frequncia das publicaes dos F/A acerca da misso....B-7 Figura B-6 - Frequncia com que os militares fazem comentrios nas publicaes das RSFA....B-10 xiv ndice de Tabelas Tabela 1 - Relao entre a quantidade de jornalistas profissionais e potenciais cidados jornalistas. ................................................................................................. 29 Tabela 2 - Exemplos de comentrios nas RS que fornecem SA.............................. 45 Tabela B-1 - Grupos de militares da anlise dos inquritos.....B-1 Tabela B-2 - Caraterizao da amostra de 90 militares....B-1 Tabela B-3 - Utilizao das RS pelos militares nas operaes, .............................. B-2 Tabela B-4 - O que os militares pensam das RS nas operaes ............................ B-3 Tabela B-5 - Importncia e motivao encontrada pelo uso das RS em misso .... B-3 Tabela B-6 - Frequncia com que os militares contactaram com as famlias atravs das RS. .................................................................................................................... B-4 Tabela B-7 - Identificaes acerca das operaes feitas pelos militares. ............... B-4 Tabela B-8 - Relao entre o uso do Smartphone durante as operaes e o conhecimento do que o Geotagging ..................................................................... B-5 Tabela B-9 - Relao tripla entre os militares que usaram as RS em misso, no sabem o que o Geotagging e usaram o Smartphone em misso. ........................ B-6 Tabela B-10 - Anlise das informaes dadas aos F/A. ......................................... B-6 Tabela B-11 - Sensibilizao dos F/A pelos militares ............................................. B-7 Tabela B-12 - Briefings recebidos vs. N de misses internacionais efetuadas. ..... B-7 Tabela B-13 - Classificao da importncia dos briefings. ..................................... B-8 Tabela B-14 - Classificao da importncia dos briefings. ..................................... B-8 Tabela B-15 - Relao entre os militares briefados, conhecimento do Geotagging e preocupao em briefar os familiares e amigos. ..................................................... B-9 Tabela B-16 - Interesse dos militares pelas RSFA ................................................. B-9 Tabela B-17- Partilha de publicaes das RSFA .................................................. B-10 Tabela B-18 - Partilha das publicaes das RSFA em funo do sentimento de orgulho .............................................................................................................................. B-10 Tabela C-1 - Modelo de Anlise .............................................................................. C-1 xv Lista de Abreviaturas e Smbolos C2 Comando e Controlo CAO Civil Affairs Operations DoD Department of Defense DON Department of the Navy DOTAF Department of the Air Force EMFA Estado-Maior da Fora Area Portuguesa. FA Fora Area Portuguesa FRI Fora de Reao Imediata GI Guerra de Informao INFOPS Information Operations INTEL Intelligence NEPS - Notas de Execuo Permanente NSA National Security Agency OP Opinio Pblica OPMIL Operaes Militares OPSEC Operations Security ORDOPS Ordens de Operaes OSINT Open-Source Intelligence RS Redes Sociais RSFA Redes Sociais da Fora Area Portuguesa PSYOPS Psychological Operations RP Relaes Pblicas SA Situational Awareness TIC Tecnologias de Informao e Comunicao Este smbolo surge ao longo do desenvolvimento do trabalho e remete para a Anlise dos inquritos (Anexo B). xvi Pgina intencionalmente deixada em branco xvii Glossrio Blog Dirio mantido na Internet atravs de sistemas de publicao de fcil utilizao. Briefar Esta palavra usada diversas vezes neste trabalho para designar a ao de dar um briefing ou receber (ser briefado). Briefing Reunio onde se do informaes e instrues. No mbito desta dissertao, entende-se como sendo um Briefing militar, onde o tpico de discusso so as Operaes Militares. Chat uma sesso de conversao entre duas ou mais pessoas na Internet, que pode ocorrer em websites dedicados ao Chat (como o caso do mIRC) ou pode ocorrer atravs das plataformas de Redes Sociais (como o caso do Facebook). Convencional Refere-se comunicao, reportagens e noticirios televisivos. Download Cpia de informao de uma fonte central para um dispositivo perifrico. Foras amigas Refere-se s prprias foras militares ou s foras militares dos aliados. Guerra de Maom A guerra de Maom a expresso usada para designar a revolta do povo muulmano contra a profanao do profeta Maom. Intranet Rede ou website prprio de uma organizao. acessvel apenas a membros autorizados. Jamming Visa negar as comunicaes, bloqueando o sinal das mesmas, perda de informao e consequentemente afeta a tomada de deciso devido ao comprometimento da Intelligence. Malware Software desenhado para infetar um dispositivo eletrnico. Mensagens Instantneas Tambm conhecido como Instant messaging, um mtodo popular de comunicao pela Internet atravs das sesses de chat. Moral dos Militares Para efeitos do estudo em causa assume-se como definio de Moral a vontade e coragem para servir a instituio militar e que pode ser incrementada por sentimentos de orgulho, bem-estar e confiana na instituio militar. NEPS Notas de Execuo Permanente. um documento promulgado pelo Comando Areo. xviii Online Significa estar ligado a um servidor na Internet, o que permite interagir com esse servidor. Opinio Pblica Representa o conjunto de opinies partilhadas pela populao, acerca de determinado assunto (por exemplo: poltica, economia, questes sociais e militares). A Opinio Pblica amplamente disseminada pelos meios de comunicao (por exemplo: as Redes Sociais). ORDOPS Ordens de Operaes. um documento promulgado pelo Comando Areo. Post Publicao nas Redes Sociais. Preocupao Hierrquica Por preocupao hierrquica entende-se como a preocupao das hierarquias competentes para criao das Ordens de Operaes e outros documentos que devam refletir a adequada integrao das RS nas Operaes Militares. Redes Sociais So entendidas como Redes Sociais, as plataformas ou websites que permitem aos users socializarem atravs de diversas funcionalidades. Selfies um estrangeirismo que designa uma fotografia tirada ao prprio. Software Conjunto de meios no materiais que servem para o tratamento automtico da informao e permitem a ligao entre o homem e o dispositivo eletrnico. Tweet Publicao no Twitter. Twitterer Utilizador da plataforma Twitter. Twitterverse Universo de ferramentas associadas ao Twitter. User Users ou usurios o nome dado aos utilizadores de uma Rede Social ou da Internet no seu sentido amplo do termo. Viral Refere-se a posts das Redes Sociais que pela sua natureza e contedo atraem milhes de pessoas. Voice over IP (VoIP) Significa Voice Over Internet Protocol e consiste numa ligao telefnica atravs da Internet em vez de ser atravs das linhas telefnicas Website uma pgina ou um conjunto de pginas programadas que so executadas atravs de um Browser (Internet Explorer por exemplo). A cada pgina atribudo um endereo WWW. 1 1. Introduo Estamos numa guerra e mais de metade desta guerra disputada no campo de batalha que so os mdia. - Ayman al-Zawahiri, Julho de 2005 Neste captulo d-se a conhecer ao leitor qual o tema tratado nesta dissertao, a importncia que pode ter face ao contexto atual ao nvel das Operaes Militares (OPMIL) da Fora Area Portuguesa (FA) relacionadas com as Redes Sociais (RS). apresentado o objetivo e a origem do estudo em causa, a questo de partida e as questes derivadas, a metodologia e a estrutura que define esta dissertao. 1.1. Contextualizao No dia 29 de Dezembro de 1972 Edward Lorenz (meteorologista e matemtico) deu nome ao tema da sua apresentao com a clebre e mtica questo acerca da imprevisibilidade da meteorologia: O bater de asas de uma borboleta no Brasil pode provocar um tornado no Texas? (Lorenz, 1972). Atualmente retratada em msicas, filmes, livros, jogos, religies e textos filosficos, a ideia de Lorenz disseminou-se pela sociedade, com uma noo clara: uma pequena causa pode gerar enormes consequncias (Ghys, 2012). Ora, esta realidade que nos serve para contextualizar o tema com o efeito borboleta de Lorenz, pois os mdia1 so uma plataforma potenciadora deste efeito. Vejamos. A 30 de Setembro de 2005 o jornal dinamarqus Jyllands-Posten, publicou uma srie de cartoons onde caricaturava o profeta Maom como um terrorista (BBC NEWS, 2006). Mais tarde, segundo a mesma fonte, o jornal egpcio Al-Fagr republica esses desenhos e descreve-os como um insulto aos muulmanos e uma bomba de racismo. Consequentemente, os embaixadores de 10 pases islmicos mostram a indignao dos muulmanos ao primeiro-ministro dinamarqus. Ainda assim, diversos jornais viriam a publicar novamente os cartoons, nos seguintes pases: Alemanha, Itlia, Espanha e Frana (BBC NEWS, 2006), entre os quais a revista satrica Charlie Hebdo (HA; SLATER, 2015). 1 Segundo o Priberam [2013b], os mdia so todos os suportes de difuso de informao, onde se inclui a Internet. 2 Segundo a BBC News (2006), a revolta do povo muulmano foi crescendo e culminou num ataque s embaixadas da Dinamarca e Noruega situadas em Damasco, Beirute e Teero e s embaixadas Inglesas e Alems no Iro tendo morrido mais de 37 pessoas em 13 dias no mundo muulmano (BBC NEWS, 2006). Em 2010, a guerra de Maom2 saltou para as RS, de acordo com Walsh (2010), levando a autoridade de telecomunicaes do Paquisto a bloquear indefinidamente os acessos locais ao Facebook, em resposta a uma competio levada a cabo por um grupo nessa RS, que encorajava os users a publicarem desenhos do profeta Maom, tendo como objetivo a discusso livre da brutalidade dos radicalismos do Islo. Foram tambm bloqueados os acessos a um vdeo que mostrava a violncia dos militares paquistaneses contra civis (Walsh, 2010). Ha e Slater (2015) referem que Charlie Hebdo continuou a publicar cartoons de diversas figuras, onde se inclua Maom e stiras aos jihadistas3, resultando num ataque em 2011 com uma bomba incendiria s instalaes e vrias ameaas de morte que se mantiveram at 2015 (HA; SLATER, 2015). No terminando por aqui, a guerra de Maom culminou recentemente no assassinato de 17 pessoas (dos quais 8 jornalistas e 3 polcias) nas instalaes do Charlie Hebdo, na rua e num supermercado (BBC NEWS, 2015). Estes casos demonstram bem que pequenas causas podem gerar enormes consequncias em todo o mundo. E um pressuposto que hoje ganha maior relevo com a Internet e as RS, j que, segundo Castells (2004), a Internet est enraizada em todos os aspetos da vida das pessoas (Castells, 2004). O enorme sucesso da Internet deve-se capacidade de transmitir informao a todo o mundo desprezando grandezas fsicas como a distncia e a localizao geogrfica (PASTOR-SATORRAS; VESPIGNANI, 2004). Segundo um website de informaes estatsticas, o nmero de utilizadores da Internet aumentou cerca de 10 vezes no espao de 14 anos (estatsticas de 1999 a 2013). Segundo o mesmo, no incio de 2015 existiam cerca de 3 mil milhes de utilizadores da Internet em todo o mundo, face a um total de populao mundial de mais de 7 mil milhes, o que representa cerca de 40% da populao mundial (ILS, [2015]). Vivemos atualmente numa era onde a comunicao atravs da tecnologia digital prevalece na sociedade (RYAN; JONES, 2009) e uma das primeiras provas disso 2 A guerra de Maom a expresso usada para designar a revolta do povo muulmano contra a profanao do profeta Maom. 3 Segundo Zalman [2015], so indivduos que acreditam que todos os Muulmanos devem ser governados pelo Estado Islmico e justificam as suas aes violentas nesta causa. 3 remonta a 1997. Segundo Boyd e Ellison (2007) foi nesta data que a primeira RS reconhecida, abriu portas para que milhes de pessoas comunicassem entre si. SixDegrees.com era o nome do website que se identificava como uma ferramenta para ajudar as pessoas a comunicarem mais facilmente. Em 2000 terminou o sucesso desta RS (BOYD; ELLISON, 2007) e deu lugar a que outras alcanassem o sucesso. Foi o caso do YouTube, Facebook (que surgiram em 2005) e Twitter (que surgiu em 2006) (BOYD; ELLISON, 2007). As RS vieram igualmente a transformar a periodicidade com que as notcias so disseminadas. Deixou de haver tempo, passou a haver o agora (Baillie, 2014). As RS passaram tambm a ser uma ferramenta de revoluo a que os protestantes recorrem para disseminar a informao, vejam-se os protestos rabes de 2011 (subcaptulo 4.5). No h dvida de que as RS emergiram tornando-se na forma de comunicao dominante na sociedade do sculo XXI (KASE et. al., 2014). 1.2. Motivao () a excelncia suprema consiste em quebrar a resistncia do inimigo sem combater (Sun Tzu, 2009) Com este trabalho o investigador pretende aprender e dar a conhecer ao leitor de que forma que a FA est integrada no universo das RS, nomeadamente, aprender: se as RS so consideradas como uma potencialidade, na FA e fora da mesma; de que forma essas potencialidades podem ser aproveitadas para as operaes; se existem riscos associados ao seu uso, se na FA existe conscincia de alguns dos riscos e o que feito no sentido de os minimizar. Neste sentido, o investigador sendo militar da FA, encontra motivao em estudar os tpicos supracitados e ajudar a instituio a reconhecer a importncia do estudo das RS. Ora, e seguindo o JP 2-0 (2007), a informao tem um valor maior quando molda ou contribui para o processo de tomada de deciso dos comandantes, pois fornece bons elementos para compreender o que poder acontecer no futuro (JP 2-0, 2007). Tendo em conta que grande parte da comunicao atual feita pelas RS, parte-se do pressuposto que interessa FA como uma organizao gil, flexvel e inovadora (FA, [2015]), explorar as potencialidades das RS para as OPMIL, nomeadamente a aquisio de Situational Awareness (SA) e Intelligence (INTEL). By intelligence we mean every sort of information about the enemy and his country: the basis, in short, of our own plans and operations. Clausewitz, 1832 (2006). 4 1.3. mbito e Objetivo Esta dissertao centra-se na anlise do uso das RS, tanto pela FA, tanto pelos seus militares. O Objetivo perceber como essa utilizao poder influenciar as OPMIL da FA. Consideram-se no mbito deste trabalho OPMIL, as operaes relacionadas com a segurana cooperativa ou com a segurana humana. Assim, iremos estudar a forma como as RS podem potenciar o SA e incrementar aes de INTEL, favorecendo as OPMIL. Por outro lado procuraremos identificar a forma como o uso das RS pode facilitar a compreenso da Opinio Pblica (OP) acerca das misses em curso. Finalmente iremos analisar como os militares usam as RS e como essa prtica pode trazer riscos acrescidos s OPMIL. Todas as tarefas mencionadas surgem com a finalidade de responder questo de partida do trabalho: As Operaes Militares da Fora Area Portuguesa so potenciadas pelo uso das Redes Sociais? Adicionalmente, procura-se tambm responder s seguintes questes: Q1. O uso de Redes Sociais em Operaes Militares permite capacitar os militares com um melhor Situational Awareness? Q2. As Redes Sociais so plataformas potenciadoras da motivao dos militares envolvidos em Operaes Militares? Q3. A utilizao das Redes Sociais no contexto das Operaes Militares tem influncia na Opinio Pblica? Q4. O uso de Redes Sociais incrementa o risco das quebras de segurana no mbito da atividade militar? Da problemtica em estudo ressaltam conceitos que enformam esta investigao e constituem o modelo de anlise na Tabela C-1 (Anexo C). Estes conceitos foram relacionados como constituintes das hipteses que se apresentam de seguida. Relacionado com a Q1: Hiptese 1 O uso das Redes Sociais nas misses, permite capacitar os militares com um melhor Situational Awareness. 5 Relacionado com a Q2: Hiptese 2.1 O uso das Redes Sociais pelos militares um fator de motivao durante as Operaes Militares. Hiptese 2.2 O uso efetivo das Redes Sociais da Fora Area Portuguesa para divulgar as misses motiva e moraliza os militares destacados e contribui para a tranquilidade das suas famlias. Relacionado com a Q3: Hiptese 3 O uso das Redes Sociais, de forma individual e institucional, para potenciar a imagem da Fora Area Portuguesa, influencia positivamente a Opinio Pblica acerca das Operaes Militares. Relacionado com a Q4: Hiptese 4.1 O uso de Redes Sociais durante as misses representa um risco de quebras de segurana, pondo em perigo as Operaes Militares. Hiptese 4.2 A Fora Area Portuguesa tem a preocupao devida em consciencializar os militares que ingressam nas Operaes Militares, acerca do uso das Redes Sociais. Hiptese 4.3 No est divulgada na Fora Area Portuguesa informao sobre os perigos do uso das Redes Sociais. 1.4. Metodologia Os objetivos desta dissertao sero alcanados recorrendo a uma metodologia de trabalho definida por uma sequncia lgica e dividida em trs fases: Rutura, Construo e Verificao (QUIVY; CAMPENHOUT, 1998). Na Rutura, o objetivo que o investigador esteja livre de influncias, rompendo com os preconceitos e as falsas evidncias. nesta fase que o investigador apresenta diversas questes que devero ser respondidas, sendo esse o objetivo principal da dissertao. Essas questes dividem-se por ordem de importncia, em grupos distintos mas complementares, assumindo as seguintes formas: Questo de Partida - que no fundo a tese a defender. Esta a questo que orienta o trabalho de investigao e qual o investigador ter que conseguir responder; Questes Derivadas - so questes definidas pelo investigador cujas respostas iro sustentar a resposta questo de investigao (Questo de Partida). Ainda nesta matria, importa referir que cada pergunta 6 dar origem a uma hiptese, e o propsito da investigao validar ou refutar as mesmas e desta forma responder s questes. O objetivo da Construo conduzir o investigador a uma experimentao vlida pela formulao organizada de um mapa de ideias e conceitos que possibilitem explicar os fenmenos em estudo, elaborar o plano de pesquisa, saber quais os caminhos a seguir e as consequncias que se devem esperar. O modelo de anlise parte integrante desta fase, onde o investigador se prope a organizar o modelo de construo da dissertao, definindo os conceitos basilares em que a dissertao se insere, as dimenses associadas aos conceitos e a metodologia para validar cada uma das dimenses. Cada dimenso corresponde ao conhecimento literrio que o investigador pretende adquirir e que ir enformar o trabalho. A Verificao a fase ltima e conclusiva da dissertao, onde por meio da investigao, sero validadas ou refutadas as hipteses, que por sua vez respondero positiva ou negativamente s questes derivadas. Apuradas as concluses intermdias por cada questo derivada respondida, o investigador far a anlise das mesmas e poder concluir finalmente a Tese, respondendo Pergunta de Partida no ltimo dos captulos, a "Concluso". Fazendo a suma deste pargrafo, na Verificao, o investigador garante uma resposta dissertao baseada nos factos que a sustentam. As trs fases da metodologia so constitudas por uma sucesso de operaes, em permanente interao, e que esto divididas em seis etapas: Etapa 1 Pergunta de Partida: uma pergunta que representa o fio condutor do estudo e exprime o que o investigador procura saber, elucidar, compreender melhor. Etapa 2 Explorao: leituras e entrevistas: nesta etapa, a leitura tem o objetivo reunir os conhecimentos relativos ao problema em estudo e as entrevistas conduzem descoberta de aspetos importantes para o trabalho e moldam o campo de investigao das leituras. Etapa 3 Problemtica: explorar as leituras e entrevistas e fazer um balano. E depois confrontar as diferentes perspetivas possveis que relacionam o estudo com a realidade. No fundo, a abordagem que permite tratar o problema formulado pela questo de partida. 7 Etapa 4 Construo do modelo de anlise: consiste em construir e selecionar conceitos que se vo procurar validar atravs de indicadores de forma a conseguir dar resposta questo partida. Etapa 5 - Anlise das informaes: consiste em verificar e confrontar a informao, obtida pela observao, com as hipteses formuladas, podendo as hipteses ser refutadas ou no. Etapa 6 Concluses: esta etapa compreende uma anlise das linhas gerais seguidas pelo investigador, uma apresentao dos contributos para o conhecimento originados pelo trabalho e as consideraes finais. 1.5. Panormica Geral da Dissertao Esta dissertao encontra-se dividida em 8 captulos organizados de forma coerente, possibilitando ao leitor a perceo da importncia do estudo em causa. O primeiro captulo a Introduo, onde o investigador situa o trabalho no contexto das RS e apresenta os objetivos do estudo. O segundo captulo, a Reviso de Literatura conduz o leitor a uma contextualizao conceptual, importante para a compreenso de toda a teoria que envolve o presente trabalho. Neste captulo so abordados os conceitos tericos que servem de base sustentadora ao estudo. Do terceiro ao stimo captulo, o investigador faz o aproveitamento dos conceitos abordados na Reviso de Literatura, bem como a anlise do inqurito realizado e das entrevistas, de forma a sustentar a resposta ao objetivo do trabalho. Finalmente, o oitavo captulo, designado por Concluso e Recomendaes, onde o investigador faz a sntese do trabalho e tece as concluses obtidas, a partir da solidificao de toda a investigao. Respondendo assim s questes derivadas e questo de partida espelhadas no subcaptulo 1.3. Neste captulo, o investigador aproveita ainda para recomendar estudos futuros que se relacionem com a temtica em causa. 8 Pgina intencionalmente deixada em branco 9 2. Reviso de Literatura Considera-se a leitura e compreenso deste captulo de elevada importncia no seio desta dissertao, na medida em que os conceitos e definies abordados so os pilares nos quais a mesma se sustenta. Toda a base terica aqui compilada e fundamentada tem como funo orientar o leitor para conceitos da Guerra de Informao aplicados temtica em causa. 2.1. A Evoluo da Guerra Segundo Waltz (1998), desde a Segunda Guerra Mundial, o aumento e melhoramento constante dos meios de obteno, processamento e disseminao da informao fez acelerar a importncia da informao no seio da guerra, de pelo menos 3 formas. Em primeiro lugar refere que as tecnologias de INTEL4, vigilncia e reconhecimento, tm vindo a aumentar a distncia qual os adversrios podem ser observados e seguidos, aumentando assim o alcance a que as foras podem atuar. Em segundo lugar, menciona que as tecnologias de computao e comunicao que suportam as funes de comando e controlo (C2) foram responsveis pelo aumento da velocidade de transmisso da informao para os rgos de comando, bem como o aumento da frequncia com que as operaes podem ocorrer. Em terceiro lugar, e continuando a seguir Waltz (1998), surge a integrao das tecnologias de informao no armamento, aumentando a preciso das trocas de informao e a letalidade dessas armas. As tecnologias de informao so um meio precioso para a obteno de Tactical Intelligence ao mesmo tempo que se elimina as capacidades adversrias de inteligncia e de aquisio de alvos (Waltz, 1998). Diversos analistas reconhecem que os conflitos militares tm vindo a sofrer modificaes significativas, evoluindo da destruio fsica massiva at destruio precisa e destruio no fsica, recorrendo s tecnologias de informao que permitem ganho de INTEL (Waltz, 1998). 4 Falamos em Intelligence (ou INTEL) quando adquirimos as mais variadas informaes, e associamo-las a outras informaes j previamente adquiridas acerca do ambiente operacional e do adversrio em si (JP 2-0, 2007) 10 2.2. Transformaes da Guerra O desenvolvimento da tecnologia responsvel por gerar rpidas alteraes na forma como a produo de riqueza e o poder blico influenciam a ordem mundial, como refere Toffler (1993). Continuando a seguir o mesmo autor, vemos que o mundo est hoje dividido em naes com diferentes estados de desenvolvimento e maturidade, classificando-se assim cada nao quanto ao seu foco de riqueza e poder como: pr moderna (agricultura), moderna (industrial) ou ps moderna (informao). Em termos quantitativos no discretos e comparando os diferentes estados de desenvolvimento classificados anteriormente, so poucas as naes com capacidades ps modernas, isto , com a capacidade de produo de riqueza e poder atravs do domnio da informao, enquanto as restantes naes so definidas pelas suas capacidades pr modernas (baseadas na agricultura) ou capacidades modernas (industriais) (Toffler, 1993). Assim, na era ps moderna, a informao o recurso central para a produo de riqueza e poder. Essa produo de riqueza baseada no domnio da informao, ou seja, na criao de conhecimento e na produo baseada nesse mesmo conhecimento (Toffler, 1993). As tecnologias de informao tm o potencial de alterar as estruturas das naes, que atualmente so definidas por fronteiras fsicas que protegem propriedades reais. Na era ps-moderna, ocorre a transio da propriedade real para a propriedade do conhecimento e da informao. Por consequncia, o papel dos estados-nao ter menor significncia e a forma como os conflitos blicos sero travados ao nvel da informao sofrer alteraes (Waltz, 1998). 2.3. Informao Desde sempre, a informao assumiu um papel fundamental na guerra e hoje em dia um fator crtico para o sucesso militar e a tendncia que se torne cada vez mais importante no futuro (Jessop, 2007). A informao est associada aos processos, s pessoas e s tecnologias e quando transformada em conhecimento adquire valor intelectual (Dinis, 2004), chamado de Intelligence por Waltz (1998). Para os comandantes, a informao crucial para que possam exercer a sua funo primordial, comandar. Esta permite que o ciclo de deciso-execuo funcione corretamente e sirva de guia s aes das foras para que consigam atingir os objetivos das OPMIL. A recolha das informaes relevantes, o seu processamento e 11 disseminao a chave para fornecer SA a toda a fora, criando assim oportunidades para que se cumpra a misso (FM 100-6, 1996). A era da informao na qual vivemos atualmente est a transformar todas as OPMIL devido ao aumento da quantidade e qualidade da informao que fornecida aos comandantes. Um comandante que domine a informao, que consiga observar o campo de batalha, analisar eventos e disseminar a informao, tem em sua posse uma poderosa vantagem sobre o adversrio, que pode mesmo ser decisiva (DOTAF, 1995). Segundo Waltz (1998) a informao hoje uma arma de guerra muito valiosa e um fator crtico para a vigilncia, avaliao das situaes e alternativas, estratgia e interpretao dos riscos para a tomada de deciso. Os melhores na guerra so os que analisam a informao possibilitando a prescincia (Waltz, 1998). 2.4. Guerra de Informao Segundo Kopp (2008), a Guerra de Informao (GI) como rea doutrinada muito recente, contando apenas com duas dcadas de existncia. No entanto, a prtica e obteno dos seus efeitos contam j com centenas de anos (Kopp, 2008) Segundo o Department of the Air Force (DOTAF, 1995), a GI definida como sendo qualquer ao de negao, explorao, corrupo ou de destruio da informao e processos da informao do adversrio, ao mesmo tempo que se garante a prpria proteo contra esse tipo de aes e so exploradas as prprias atividades militares (DOTAF, 1995). Waltz (1998) descreve essas aes: Aes de destruio ou negao - visam causar a perda de dados ou o atraso da partilha dos mesmos, ou at mesmo a destruio dos servios que tratam e partilham esses dados. So exemplos de contramedidas de destruio ou negao: o jamming, a sobrecarga de informao, ou a destruio eletromagntica ou fsica das conexes ou dos processadores (Waltz, 1998); Aes de corrupo - assumem diversas formas, servindo os objetivos de substituir, inserir ou remover informaes ou os prprios servios. Este tipo de contramedidas inclui por exemplo, a disseminao de vrus em computadores e em bases de dados (Waltz, 1998); Aes de explorao - so cumpridas de duas formas: a nvel externo, tendo por base a observao visual; ou a nvel interno, para conquistar o acesso a informao interna ou aos servios depois de anular os servios de segurana. Ambas as formas 12 de explorao tm como objetivo conseguir ter acesso a informaes consideradas confidenciais (Waltz, 1998). A GI irregular quando o foco das operaes (a populao) e propsitos estratgicos visam conquistar, controlar ou influenciar a populao, bem como o seu suporte atravs da poltica, mtodos psicolgicos e econmicos (JP 1, 2007). Segundo o mesmo documento, a GI pode manifestar-se de variadas formas e at na combinao entre elas, nas quais se incluem insurgncia, terrorismo, operaes de informao (desinformao, propaganda, entre outros), atividades criminosas organizadas (como o trfico de droga), ataques e invases (JP 1, 2007). Continuando com o mesmo autor, quem pratica as diferentes formas de GI, sejam Estados ou grupos armados, tm o objetivo de comprometer a legitimidade e credibilidade dos adversrios e isol-los, fsica e psicologicamente da populao. Procuram ainda, simultaneamente, reforar a prpria legitimidade e credibilidade para exercer autoridade sobre a mesma. As operaes de GI focam-se na subverso, atrito e exausto do adversrio, enfraquecendo e corroendo o seu poder, influncia e vontade de exercer autoridade poltica sobre a populao (JP 1, 2007). 2.4.1. Guerra de Informao Pessoal Hoje em dia a maior parte das pessoas tem pouco controlo sobre as informaes armazenadas que s prprias dizem respeito, sejam essas informaes verdadeiras ou falsas (Schwartau, 1994). 2.4.2. Guerra de Informao Corporativa Segundo Haeni (1997), esta classe da GI ficou mais conhecida a partir da Guerra Fria onde aes de espionagem foram executadas com o propsito de alcanar a superioridade de informao face nao adversria (Haeni, 1997). Continuando com Haeni (1997), no ambiente altamente competitivo que hoje se vive em redor das organizaes, tanto as corporaes como os estados participam neste tipo de aes de espionagem e em aes de desinformao (Haeni, 1997). 2.4.3. Guerra de Informao Global Haeni (1997) inclui nesta classe de GI a ao de roubar informaes secretas e utiliz-las contra os adversrios, num cenrio de conflito entre indstrias, organizaes globais de economia ou pases inteiros ou estados (Haeni, 1997). 13 2.5. A informao nas Operaes Militares Para compreender a importncia e influncia da informao nas OPMIL, do-se a conhecer os domnios definidos por Alberts (2001) e Waltz (1998): 2.5.1. Domnio Fsico Corresponde ao lugar onde existe o cenrio que as foras pretendem influenciar. Este composto por terra, mar, ar e espao, sendo estes quatro ambientes que as aes militares ocorrem. No domnio fsico esto montadas as plataformas e as redes de comunicaes que interligam todos os elementos dessa fora (ALBERTS et al., 2001). Neste domnio ocorrem ataques fsicos s infraestruturas que tratam a informao, s linhas de comunicao e aos computadores, que tanto podem ser destrudos como furtados, visando sempre influenciar a informao (WALTZ, 1998). 2.5.2. Domnio da Informao neste domnio que a informao habita e nele que criada, manipulada e partilhada. A existncia deste domnio importante para os combatentes, por permitir a transmisso de informaes entre foras, bem como a execuo de C2 por parte dos comandantes. neste domnio que comunicamos uns com os outros, e por isso fundamental que seja defendido (ALBERTS et al., 2001) 2.5.3. Domnio Cognitivo o domnio da mente, onde a perceo, conscincia, compreenso, as crenas e valores residem. nele que as decises so tomadas com base no raciocnio e compreenso (ALBERTS et al., 2001). Este domnio comporta diversos fatores que influenciam o resultado dos conflitos: a liderana, a moral, a coeso, o treino e experincia, o SA e a OP (ALBERTS et al., 2001). Waltz (1998) acrescenta que onde tm lugar os ataques mente humana, exercendo influncia atravs de propaganda, desinformao e outras que sirvam o mesmo propsito (Waltz, 1998). Situational Awareness Habita no domnio cognitivo e significa estar consciente e atento ao que nos rodeia. uma capacidade que resulta da interao entre o conhecimento prvio e a perceo da realidade (ALBERTS et al., 2001). 2.6. Intelligence Falamos em INTEL quando adquirimos as mais variadas informaes, e as associamos a outras informaes previamente adquiridas acerca do ambiente operacional e do adversrio em si (JP 2-0, 2007). A INTEL difere da informao por 14 duas razes: permite a previso de situaes e circunstncias futuras e permite distinguir as diferenas entre cada caminho de ao para que a melhor deciso seja tomada (JP 2-0, 2007). 2.6.1. Open-Source Intelligence Segundo Richelson (2008), a Open-Source Intelligence (OSINT) consiste na INTEL adquirida a partir de fontes pblicas como as RS e envolve a aquisio legal (ou seja, informao no classificada) de qualquer material transmitido de forma verbal, por escrito ou em formato eletrnico. Nestes incluem-se os jornais, revistas, noticirios, transmisses na rdio, televiso e diversos contedos disseminados na Internet (Richelson, 2008), entre os quais as RS. 2.7. Superioridade de Informao A superioridade de informao pode ser definida como a aplicao de um conjunto de aes de obteno, processamento e difuso de informaes, ao mesmo tempo que se impede que o adversrio faa o mesmo, constituindo assim uma vantagem informacional (JP 3-13, 2012). A fora que tiver conseguido maior vantagem no domnio da informao, quem detm a superioridade de informao, sendo que essa vantagem pode ser obtida atravs do efeito surpresa (ALBERTS et al., 2001). 2.8. Operaes de Informao As operaes de informao (INFOPS) consistem no emprego de capacidades nas operaes que visem influenciar, romper e corromper decises do adversrio ou direcion-las a favor das tropas amigas (JP 1-02, 2010). J a NATO5, define as INFOPS como as funes focadas no ambiente de informao, que consistem em analisar, planear, avaliar e integrar atividades desse ambiente, que possam afetar a moral, o raciocnio, compreenso e as capacidades dos adversrios. Visam ainda dotar o comando de avaliaes do ambiente de informao, bem como de mecanismos para planear e coordenar atividades que visem alcanar efeitos na informao, que sirvam de suporte aos objetivos operacionais (MC 422/4, 2012). Segundo o Departamento do Exrcito Americano, as INFOPS ocorrem continuamente dentro do ambiente de informao militar, afetando o adversrio e 5 NATO refere-se North Atlantic Treaty Organization. Consiste numa aliana entre vrios pases, com o propsito de salvaguardar a liberdade e segurana dos seus 28 membros (atualmente) (NATO, [2015]). 15 protegendo as capacidades das foras amigas de recolher informao, process-la e direcion-la para o ganho de vantagens em todas as OPMIL (FM 100-6, 1996). Waltz (1998) divide as INFOPS em: Operaes Psicolgicas (PSYOPS) - recorrem informao para influenciar o raciocnio e perceo psicolgica do adversrio, como por exemplo: atravs de ataques de informao e deceo (Waltz, 1998); Deceo Militar - utilizada para enganar o adversrio das intenes e/ou capacidades das foras amigas. Para o efeito, podem ser efetuados ataques fsicos, eletrnicos e ataques de informao (Waltz, 1998). Destruio Fsica - pretende eliminar alvos fsicos, como infraestruturas, computadores, comunicaes, fontes de energia e armas (Waltz, 1998). Guerra Eletrnica - Neste mbito, so efetuados ataques no espetro eletromagntico por forma a negar as informaes que deveriam chegar aos sensores eletrnicos do adversrio (Waltz, 1998). Ataque informao - atravs de meios no fsicos, provocam efeitos que no so visveis na entidade fsica onde est armazenada a informao. Estes ataques corrompem diretamente as bases de informao do adversrio (Waltz, 1998). Medidas de Segurana - visa impedir que o adversrio conhea as capacidades e intenes das foras amigas, atravs da proteo das fontes de informao e dos processos. Para tal, so desenvolvidos servios de segurana de computadores e da comunicao (Waltz, 1998). Na Figura 1, o documento FM 100-6 (1996), sintetiza e simplifica os componentes das operaes de informao. No centro da imagem, situam-se os trs componentes das operaes de informao que esto interrelacionados: as operaes, os sistemas de informao e as informaes de cariz relevante e INTEL. 16 As atividades das INFOPS encontram-se integradas numa dimenso maior de operaes, que engloba o ambiente de informao global (FM 100-6, 1996). Figura 1 - Operaes de Informao (FM 100-6, 1996). 2.9. Engenharia Social Segundo ENISA (2008), a Engenharia Social compreende as tcnicas aplicadas por um agente informtico que visam aproveitar e explorar as fraquezas humanas e manipular as pessoas por forma a ultrapassar as barreiras de segurana. Este tipo de ataques consistem em convencer a(s) vitima(s) a fazerem determinadas aes contra a segurana e a divulgarem informaes confidenciais. Segundo o mesmo autor, constituem um srio problema de segurana, na medida em que os users6, so geralmente mais fceis de manipular do que as tecnologias, no sentido de ultrapassar as barreiras de segurana (ENISA, 2008). Segundo o RFA 390-6, a engenharia social consiste no conjunto de prticas usadas para obter acesso a informao ou aos sistemas que a processem, por meio de engano ou explorao da confiana das pessoas. Apenas uma formao de segurana adequada e contnua poder preparar os utilizadores para lidar com quebras suspeitas de protocolo e procedimentos (RFA390-6, 2011). 2.10. Information Security A Information Security (INFOSEC) consiste na aplicao de medidas que protegem as informaes processadas, armazenadas ou transmitidas pelos sistemas de informaes e comunicaes, contra a perda de confidencialidade, integridade ou 6 Users ou usurios o nome dado aos utilizadores de uma Rede Social ou da Internet no seu sentido amplo do termo. Figura 1 - Operaes de Informao Fonte: FM 100-6 (1996) 17 disponibilidade, acidental ou intencional e visa ainda prevenir as perdas de integridade ou disponibilidade dos prprios sistemas (NATO, 2010). 2.11. Public Affairs Operations Segundo o FM 100-6 (1996), a maior parte das OPMIL so conduzidas debaixo do olhar crtico e minucioso do pblico, que observa atentamente as informaes disseminadas atravs dos mdia, acabando por funcionar como um grande frum de debate pblico onde se possibilitam as anlises e crticas dos objetivos, aes e conquistas dos militares. O impacto que os mdia tm no mundo e no planeamento e deciso poltica, estratgica e operacional, pode resultar tanto no sucesso das misses como no seu fracasso (FM 100-6, 1996). Segundo o mesmo, quando comparado com o passado, a informao hoje processada e transmitida quase em tempo real e para um pblico muito mais abrangente. Como tal, surge a necessidade da existncia de militares, com a funo de acompanhar a perceo que o pblico tem das OPMIL e face ao exposto, disseminar informaes claras e objetivas acerca das OPMIL para o pblico (FM 100-6, 1996). Ainda segundo o mesmo documento, os comandantes devero saber usar as relaes pblicas (RP) como uma vantagem. Tambm os subordinados devem ser informados sobre o que devem fazer para que seja cumprida a misso, considerando para o efeito a influncia que as RP tm no seu cumprimento. Desta forma, podero combater mais facilmente os efeitos que a propaganda e desinformao exercida pelo adversrio possa ter nas suas mentes (FM 100-6, 1996). 2.12. Relaes Pblicas Estratgicas A velocidade a que as comunicaes se processam pela internet enorme (Kelleher, 2007), a partilha de informaes ocorre quase em tempo real e uma capacidade que representa tanto uma vantagem como uma vulnerabilidade (JP 3-13, 2012). Kelleher (2007) refere que as relaes pblicas estratgicas tm por base o planeamento, ao e a comunicao que so resultados de estudos de casos no mbito das RP e da avaliao dos efeitos (Kelleher, 2007). Num ambiente to imprevisvel e mutvel como a internet, as organizaes tm que conseguir responder rapidamente s situaes que se lhes apresentam e quanto melhor for o planeamento estratgico, mais bem preparada estar a organizao para 18 se adaptar velocidade da informao online e responder aos desafios impostos pelo ambiente da informao (Kelleher, 2007). 2.13. Propaganda Segundo Williams (2010), a propaganda tem como objetivo influenciar emoes, causas e o raciocnio, recorrendo persuaso. Pode atuar como PSYOPS e atravs da internet ou outros mdia, resultando em impactos sociais e organizacionais. Refere ainda que para alm de poder ser uma vantagem tambm pode representar um elevado risco e ameaa para as organizaes dada a facilidade com que a informao pode ser manipulada para denegrir um alvo (Williams, 2010). Tambm Bernays (1928) descreve a propaganda como uma forma de manipulao consciente e inteligente dos hbitos e opinies das pessoas (Bernays, 1928). 2.14. Sistemas de Informao e Comunicaes Segundo o RFA 390-6, os Sistemas de Informao e Comunicaes (SIC) tm como funes o armazenamento, processamento e transmisso de informao. No mbito da FA, alguns destes sistemas representam uma importncia crtica para o cumprimento da misso e possuem, em diferentes graus, vulnerabilidades a ameaas que podero ser concretizadas por diferentes agentes (internos ou externos) (RFA390-6, 2011). Os SIC contemplam um conjunto de componentes que trabalham em conjunto para a recolha, recuperao, processamento, armazenamento e distribuio de informaes, com o intuito de facilitar o planeamento, controlo, coordenao, anlise e deciso nas organizaes (LAUDON; LAUDON, 1999). 2.15. Tecnologias de Informao e Comunicaes O crescimento explosivo das tecnologias de informao e comunicaes (TIC) e a sua penetrao global tm especial incidncia na comunidade militar, dada a elevada complexidade dos sistemas e equipamentos que utiliza e da disperso geogrfica em que opera, tornando-a um alvo especialmente apetecvel pela sua visibilidade internacional e pela gravidade das consequncias que podem resultar num ciberataque (RFA390-6, 2011). As TIC permitem o acesso informao atravs das telecomunicaes, onde se inclui a Internet, telemveis e outros meios de comunicao (TechTerms, 2010). Atualmente, as TIC permitem a comunicao em tempo real atravs de diversos servios como mensagens instantneas, voice over IP 19 (VoIP), videochamadas e as RS onde as pessoas comunicam regularmente (TechTerms, 2010). 2.16. Web 2.0 O termo Web 2.0 surgiu inicialmente com Darcy DiNucci em 1999 (Ammunition, [2007]) e foi depois popularizado por Tim OReilly em 2004 na primeira conferncia acerca da Web 2.0. Esta a evoluo da web 1.0 e foi uma transformao to significativa que muitas empresas colapsaram por no terem acompanhado a evoluo para a web 2.0 (OReilly, 2005). Segundo o mesmo, na web 1.0, os websites caraterizam-se pela comunicao unidirecional, em que o user se limitava a receber a informao que os programadores dos websites publicam, pois para o fazer, so necessrios conhecimentos tcnicos (OReilly, 2005). Em 1.0 a comunicao feita do programador para o user, ou seja, eu publico, tu ls, eu forneo (Carrera, 2009:39). Segundo OReilly (2005), com a evoluo para a Web 2.0, o user passou a ter um papel dinmico nos websites, onde foram incorporadas funes de edio e passaram a funcionar como aplicaes ou programas que podem ser atualizados a partir de qualquer computador e utilizador. Desta forma, os users passaram a contribuir para o contedo dos websites (OReilly, 2005) onde a comunicao passou a ser bidirecional e partilhada, ou seja Ns publicamos, ns lemos, ns partilhamos (Carrera, 2009:39). E foi neste ambiente que cresceram as RS. 2.16.1. Redes Sociais As RS so plataformas que habitam na Internet e que permitem aos users: construir um perfil de carter pblico ou privado; gerir listas de pessoas com quem tencionam conectar-se; visualizar e percorrer a prpria lista de conexes e a lista de conexes de cada pessoa dentro desse sistema (BOYD; ELLISON, 2007). Permitem ainda a partilha de interesses, experincias, informaes que podem ser partilhadas e respondidas por outros e tambm ver, partilhar e responder s publicaes dos outros users (NSA, [2009]). Segundo o mesmo, as RS permitem vrios mtodos de interao atravs de aplicaes associadas como jogos, mapas interativos onde constam os locais visitados pelos users, ferramentas de mensagem privadas com vdeo ou atravs das publicaes de fotografias, vdeo e/ou texto. Muitas RS permitem tambm que os users acedam s contas por telemvel com acesso Internet a partir 20 de qualquer parte do mundo e atualizar o perfil, fazer publicaes com ou sem identificao geogrfica entre outras opes (NSA, [2009]). Segundo o RFA 390-6 (2011), as RS so um fenmeno transversal a toda a sociedade onde as pessoas e as organizaes se expem. So o campo de excelncia para a aplicao de tcnicas de engenharia social e a propagao de malware, como revelam os constantes ataques a estas plataformas7 com a quebra das passwords de acesso e a divulgao e anlise das informaes e dos detalhes pessoais dos utilizadores (RFA390-6, 2011). 7 O relatrio anual da Symantec sobre ameaas segurana na Internet revela um aumento significativo dos mesmos (81% dos ataques so de engenharia social e malware) (Symantec, 2013). 21 3. Identificao e capacidades das Redes Sociais Este captulo tem como foco principal dar a conhecer ao leitor algumas plataformas de RS que pelas suas caratersticas podem potenciar as OPMIL. As RS abordadas sero o Facebook, o YouTube e o Twitter. 3.1. Facebook O DoD8 considera o Facebook a derradeira ferramenta das RS uma vez que combina os elementos das outras RS como o Twitter e o YouTube. O Facebook atualmente uma necessidade para os negcios online, blogs, RP, jogos de computador, partilha de fotografias e vdeo e atividade social (DOD, [2015a]) Esta plataforma tinha em janeiro de 2015, o maior nmero de contas ativas em todo o mundo, contando com mais de um mil milho (Statista, [2015a]). No Facebook os users so identificados por um perfil que criaram. Na pgina do perfil possvel ver os amigos e os amigos em comum, informaes, gostos (por livros, grupos, msicas, filmes, personalidades e tudo o que se possa imaginar), locais frequentados, atividades recentes, fotografias, vdeos, grupos em que o user esteja registado, o contacto e morada do user (se este tiver disponibilizado) e o mural (onde constam as publicaes ou posts que tenham sido feitas no perfil, pelo prprio ou por terceiros e que podem ser diretamente comentadas, fazer Gosto ou partilhar) (Wisegeek, [2015a]). Cada elemento referido pode ser visto em maior detalhe se clicado, podendo obter-se mais informaes. Os users tambm podem fazer (clicar em) Gosto quando gostam de uma publicao no Facebook (Wisegeek, [2015a]). Os users tm a possibilidade de procurar por grupos de interesse, amigos ou qualquer pessoa que esteja registada no Facebook e ver o perfil da mesma, se este for pblico. Caso contrrio, se for um perfil privado, significa que s as pessoas que o user autorize podem ver o seu perfil. Nesse sentido, um user que queira ver um perfil ou um grupo privado ter que enviar um pedido de amizade ou enviar um pedido de acesso ao grupo, respetivamente. A procura por pessoas pode ser feita procurando por um endereo eletrnico, por escola, universidade, trabalho ou escrevendo o nome da pessoa ou a localidade em que vive (ou melhor, a que tem registada no Facebook). No mbito da pesquisa, semelhana do Twitter possvel a criao de hashtags 8 DOD refere-se ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos da Amrica (U.S. Department of Defense). 22 para ir diretamente pgina de interesse, como ser explicado no subcaptulo 3.3 (exemplo de hashtag: #JeSuisCharlie) (Facebook, [2015]). A caraterstica mais popular do Facebook a publicao (post) de fotografias, que podem ser carregadas e publicadas diretamente por telemvel, cmara ou computador, entre outras formas possveis. possvel publicar fotografias, vdeo e texto, no prprio perfil, no perfil de outras pessoas ou em grupos. Os users tm a possibilidade de estabelecer privacidade nas publicaes que as vejam apenas quem se quer (Facebook, [2015]) O Facebook conta tambm com servio de mensagens privadas, e possvel enviar uma mensagem a qualquer pessoa, esteja ou no no ncleo de amigos do user. Na seco do chat possvel visualizar todos os amigos que se encontram online (ou seja, todos os esto conectados ao Facebook e declaram-se como disponvel) (Facebook, [2015]). Como se pode verificar, o Facebook uma plataforma multifacetada que disponibiliza inmeras ferramentas, de fcil utilizao, e que permite a difuso instantnea de informao sobre formas variadas: texto, imagem e vdeo. 3.2. YouTube Segundo o DOD ([2015a]) o YouTube o website de partilha de vdeo por excelncia. Nesta RS, os users podem publicar e partilhar vdeos que vo desde as notcias online amadoras at vdeos de msica. Podem criar respostas a vdeos (colocando a hiperligao num comentrio a um vdeo), comentar vdeos e classific-los. O YouTube transformou os vdeos online num fenmeno social (DOD, [2015a]). Esta RS conta com milhares de milhes de utilizadores e disponibiliza um frum onde as pessoas podem interagir, informar e inspirar outras pessoas em todo o mundo () (YouTube, [2015a]). Como se verifica, esta RS permite a difuso de vdeos, que podem ser editados, legendados e trabalhados para depois serem publicados de forma online. Para alm disso, o YouTube permite a publicao de vdeos ao vivo e em direto. Esta vantagem acresce simplicidade de uso e torna-o como uma ferramenta de eleio para a disseminao do Awareness. 23 3.3. Twitter O Twitter conta com cerca de 284 milhes de contas ativas por ms (Socialbakers, [2015]) e segundo o DoD ([2015a]) uma RS bastante distinta das outras, na medida em que uma plataforma de microblog, ou seja, permite criao de mensagens com apenas 140 caracteres. O objetivo que as mensagens sejam rpidas e claras, sejam elas acerca de notcias do dia ou partilha de fotografias. O DoD ([2015a]) acrescenta ainda que o Twitter est desenhado para ser muito sensvel ao tempo, na medida em que as informaes so disseminadas em tempo quase real. Alis, muitas notcias so hoje disseminadas em primeira mo atravs dos tweets, i.e. mensagens (ou posts) que os users (ou twitterers) criam no Twitter, ou ainda atravs de retweet (partilhar um tweet que outro user fez) (DOD, [2015a]). Estes tweets podem ser feitos atravs do prprio Twitter, atravs de mensagens de texto SMS, mensagens instantneas, correio eletrnico, ou atravs de websites e aplicaes (ferramentas) associadas ao Twitter (Beal, 2010). PSimes (2015) 9 refere que ao contrrio do Facebook, o Twitter uma RS muito mais aberta, no sentido de que em seu redor existem inmeras ferramentas que so possveis interligar para os mais variados fins. Todas essas ferramentas habitam num universo digital, o twitterverse (ver a Figura 2). Estas aplicaes permitem as mais variadas funes, como agendar tweets, elaborar estatsticas de tweets, manipular vrias pginas de diferentes RS, pesquisar por palavras-chave, visualizar mapas de tweets geolocalizados, estudar as aes de um determinado twitterer (ou seja, como esse user usou o Twitter em determinado perodo de tempo) entre outras milhares de funes. Ainda segundo o mesmo, possvel extrair diversas informaes de cada tweet, como: quem o publicou, onde, quando, a partir de que tipo de equipamento (por vezes conseguindo-se at saber a marca e modelo do equipamento que publicou), com que aplicao foi publicado, entre outras informaes (PSimes, 2015). O Twitter uma plataforma na qual as pessoas publicam aquilo que fazem em determinado momento. Devido ao facto de ser uma plataforma de microblogging, em 140 caracteres torna-se difcil fazer algo mais do que dizer exata e sucintamente o que se pretende (Wisegeek, [2015b]). 9 O Major Paulo Simes est colocado na Diviso de Recursos e investigador na rea das RS. tambm um orador convidado em vrias conferncias internacionais onde palestrou sobre o uso das plataformas de RS. 24 Os users tm um perfil que podem tornar privado ou pblico e atualizar de variadas formas, podem faz-lo diretamente atravs do website do Twitter, ou por mensagem atravs de correio eletrnico ou atravs de diversas aplicaes (Wisegeek, [2015b]). Os users podem ainda seguir outros users para serem notificados das atualizaes. So muitas as pessoas que atualizam os perfis hora a hora, transformando o Twitter numa RS com informao bastante atualizada. So tambm muitas as pessoas que sentem a necessidade de estarem constantemente a atualizar o perfil e a pesquisar os perfis de outros twitterers. Ainda segundo o mesmo, no Twitter existem grupos privados ou pblicos, que vrias vezes so criados para cobrir eventos reais em tempo real, com tweets em tempo real (Wisegeek, [2015b]). A utilizao dos hashtags uma forma dos users organizarem os seus tweets para os motores de busca do Twitter. Os hashtags ajudam outros users a encontrarem tweets que lhes interessem quando pesquisam no Twitter. No so mais do que um ttulo curto que define o tweet e feito como no exemplo: #ttulocurto (Beal, 2013). Como se verifica, o Twitter sendo uma plataforma de microblogging e com inmeras ferramentas associadas, uma potente plataforma de disseminao de informao em tempo real. Figura 2 - Twitterverse de Brian Solis e JESS3 (Solis, 2011) 25 4. As Redes Sociais e o Situational Awareness No captulo anterior analismos as potencialidades das RS, nomeadamente do Facebook, YouTube e Twitter. Vimos que estas redes possuem milhes de utilizadores ativos e diferentes formas de produzir e disseminar informao. Iremos agora abordar as RS como uma ferramenta com potencialidades ao nvel do ganho de SA. Para isso daremos a conhecer diferentes realidades onde possvel usar as RS com essa vantagem, nomeadamente: apoio populao, causas humanitrias, controlo epidmico, causas polticas e sociais, e por fim as OPMIL e a importncia das RS neste mbito. 4.1. Introduo temtica Atravs das RS podemos almejar uma vantagem operacional face ao adversrio, nomeadamente a obteno de um SA em tempo quase real. Esta vantagem consiste em recolher e agrupar informaes obtidas ao nvel das RS e interpret-las de forma a conseguir antecipar futuros eventos (OMAND; BARTLETT; MILLER, 2012). As pessoas continuam a abraar as novas tecnologias e nesse sentido o uso das RS ir aumentar. medida que a popularidade das RS aumenta, um n significativo de pessoas ir escolher as RS como fonte de informao principal (Lindsay, 2011) e tambm como meio de transmisso de informao. Segundo Kase (et al. 2014), uma importante caracterstica das RS no que concerne disseminao de informao que cada post resulta numa transmisso mundial de gigantescas quantidades de informao pblica que passa a estar disponvel a todos (KASE et. al., 2014). As estatsticas acerca do Twitter e Facebook so surpreendentes, na medida em que, por dia, so feitos mais de 500 milhes de tweets no Twitter e existem, neste momento, mais de 1 340 000 000 contas ativas no Facebook (Socialbakers, 2015a, 2015b). As RS conduziram a um crescimento exponencial da velocidade de difuso de informao e alcance (KASE et. al., 2014). A anlise do trfego das RS pode potenciar a capacidade de previso de certos acontecimentos, aumentando a rapidez com que se identificam eventos emergentes, impulsionando desta forma o SA que, por vezes pode ser mais rapidamente adquirido atravs das RS do que pelas fontes de informao tradicional (OMAND; BARTLETT; MILLER, 2012). Extrapolando para as OPMIL, tambm neste universo podem ser obtidas informaes importantes autonomamente, por parte dos militares destacados, 26 muito antes de essa informao chegar pelas fontes oficiais, nomeadamente pelas equipas de INTEL. Segundo Gonalves (2015)10, um dos problemas vividos em operaes no Afeganisto era a desatualizao da informao, referindo que a informao social desatualiza-se muito rapidamente () apenas duas vezes por dia era enviado aos militares das Naes Unidas reportes de informao pelo que, as pessoas tinham que explorar as RS no sentido de encontrar mais informao que lhes fosse til (Gonalves, 2015). incrvel a informao atual que se obtm em tempo quase real a partir das RS (Gonalves, 2015) seja num cenrio de conflitos, seja num cenrio de catstrofe ou de emergncia, onde a informao quer-se de forma rpida, precisa e atual, tal como veremos adiante. As RS so atualizadas por todas as pessoas desse sistema, resultando na vantagem de ter informao extremamente atualizada e precisa (Gonalves, 2015). Mais, recorrendo s vantagens da geolocalizao (processo incorporado nos equipamentos Smartphone, por exemplo) poderamos ter a capacidade de mapear todos os eventos violentos e caracteriz-los por ordem de probabilidade de acontecimento, atravs da anlise de tweets geolocalizados, por exemplo. Facilitando assim o ganho de SA e que se poderia converter numa resposta mais rpida, efetiva e gil contra as ameaas (OMAND; BARTLETT; MILLER, 2012). As particularidades das RS fazem delas um mundo atrativo dentro de um gigantesco universo chamado Internet. Nesse mundo, caraterizado pela variedade de ambientes, uns pacficos e outros hostis, habitam todos os dias mais de 800 milhes de users no Facebook (Socialbakers, 2015b), sendo esta plataforma apenas uma entre tantas outras que os habitantes exploram para satisfazer as suas necessidades. Segundo Sedra (2013), as pessoas e as organizaes confiam cada vez mais nas RS para aumentar os nveis de Awareness. As notcias espalham-se rapidamente atravs das publicaes de vdeos, tweets e comentrios no Facebook, dando lugar a uma nova gerao de jornalistas: os cidados jornalistas. Graas proliferao dos telemveis com cmara e acesso imediato s RS, qualquer cidado pode desempenhar a funo de jornalista e disseminar ao vivo uma dada ocorrncia (Sedra, 10 O Tenente-Coronel Paulo Gonalves Chefe da Repartio de Planeamento Operacional e Doutrina e desempenhou funes como Military Liaison Officer no Afeganisto durante 2 anos. Participou em misses da NATO, da Unio Europeia e das Naes Unidas. Enquanto esteve no Afeganisto, foi conselheiro das Naes Unidas e geria grandes quantidades de informao. Uma das ferramentas que utilizou para a gesto de informao foram as RS. 27 2013). Estatsticas demonstram que atualmente, cerca de 80% dos users de Facebook e Twitter acedem s contas maioritariamente por telemvel (Socialbakers, 2015a, 2015b). Sedra (2013) refere que cada vez mais pessoas so convertidas a fazer jornalismo amador, saltando para as ruas e publicando nas RS os acontecimentos em tempo real. A revoluo no Egipto mostrou claramente como as novas tecnologias coligadas s RS se podem transformar radicalmente, deixando de ser um meio de entretenimento para ser uma poderosa ferramenta para o ativismo politico e uma fonte primria de informao e SA, permitindo compreender o que se passa num dado local sem sair de casa ou do local de trabalho (Sedra, 2013). Em OPMIL, tal assume uma importncia acrescida, pois tal como refere Gonalves (2015), no contexto de operaes num cenrio hostil, a pessoa mais importante para a segurana coletiva e individual, executa o seu trabalho atrs de um computador na procura de informaes crticas nas RS (Gonalves, 2015). As RS tm um elevado potencial de disseminao de informao e importante que os comandantes da FA tenham esta conscincia para que, face a um evento crtico, seja em operaes internacionais ou em territrio nacional, tenham a capacidade de responder rapidamente, interpretando as informaes dispostas nas RS e reconhecendo as consequncias que certas informaes podem ter para atuarem em conformidade. Por exemplo, segundo o OTCPA (2011), a situao que se viveu em 2009 na base militar dos Estados Unidos da Amrica (EUA) demonstrativo da rapidez e capacidade de disseminao das notcias e informao ao nvel das RS. Serve o mesmo exemplo para o alerta e tomada de conscincia dos comandantes acerca das potencialidades das RS (OTCPA, 2011). Caso Estudo: Fort Hood Shootings, 2009 No dia 5 de Novembro de 2009, um militar Americano atacou com armas de fogo outros militares da base, resultando num cenrio sangrento. O evento em Fort Hood, uma base militar do Texas, resultou em 13 mortos e 30 feridos depois de um ataque levado a cabo pelo Major Nidal Malik Hasan, um psiquiatra que estava prestes a ser destacado para uma misso (KENNEDY; MOORE, 2009). Imediatamente aps o tiroteio, as pessoas conectaram-se Internet procura de informao nas RS, nomeadamente no Twitter e Facebook e at os rgos mediticos estavam conscientes que a informao mais atualizada acerca do evento estava a ser despejada nas RS (OTCPA, 2011). No entanto, veio a revelar-se que 28 muita dessa informao no passava de especulao. Segundo a mesma fonte, nas horas que se seguiram, foram dadas conferncias de imprensa com o objetivo de esclarecer certas informaes no confirmadas que estavam a circular nas RS. Cada vez mais comandantes nos EUA esto conscientes desta realidade e encaram a necessidade de ter uma ferramenta dinmica inserida nas RS, destinada a comunicar com o pblico durante situaes crticas como esta (OTCPA, 2011). Vejamos ento, em que medida as RS se encontram enraizadas na Sociedade da Informao11 e de que forma potenciam o SA em diferentes cenrios. 4.2. Catstrofes e Emergncias Sociais Um estudo efetuado pela Cruz Vermelha Americana em 2009 demonstrou que as RS so a 4 fonte mais popular no que toca a encontrar informaes acerca das situaes de emergncia. O estudo indica ainda que, um em cada cinco users, publicam relatos de vtimas de situaes de emergncia (ARC, 2010). As RS so um contributo para o SA em situaes de emergncia, como as catstrofes naturais por exemplo. Segundo (Palen, 2008), as RS so frequentemente utilizadas com o intuito de disseminar alertas acerca de reas ou situaes potencialmente perigosas, dar a conhecer s pessoas mais chegadas em que condies se vive num local afetado e ainda para angariar fundos em prol dessas localidades afetadas por catstrofes. Segundo o mesmo, as RS podem ser usadas como uma ferramenta de gesto de emergncias, com as seguintes funes: efetuar alertas de emergncia o que potencia o SA global; receber pedidos de assistncia por parte das vtimas; monitorizar as aes e posts dos users potenciando assim o SA o que permite que as equipas de socorro atuem mais eficazmente; estimar os danos sofridos na localidade, atravs da visualizao das imagens e vdeos que os users publicam nas RS acerca do mesmo evento (Palen, 2008). Por exemplo, durante um tiroteio na universidade Virginia Tech, que ocorreu em 2007, os alertas pela internet foram disseminados em primeiro lugar pelos estudantes e fontes no oficiais (Palen, 2008). No h dvidas de que as RS tm uma funo importante durante as situaes de emergncia, tal como se verificou na atuao por parte dos militares do exrcito 11 Sociedade da Informao foi um conceito abordado e desenvolvido por vrios autores como Castells (2000) e tambm reconhecida na Terceira Vaga de Toffler (1980). 29 dos EUA que, face aos tiroteios em Fort Hood, usaram o Twitter para ir atualizando as pessoas acerca da situao (Beizer, 2009). Segundo Scott Testa, um professor especialista em RS, as RS tm rudo, que pode ser abafado atravs das publicaes. O mesmo refere que depois do tiroteio surgiram reportes de ocorrncia que careciam de confirmao ou que conflituavam com outros reportes e o Twitter foi como um filtro usado para confirmar ou refutar as histrias que pairavam sobre os acontecimentos (Beizer, 2009). 4.2.1. Rudo de Informao O rudo das RS no potencia o SA, antes pelo contrrio, segundo Gonalves (2015) um dos perigos das RS a m informao que circula (entenda-se rudo). Ainda assim, comparando as RS com os rgos de comunicao convencionais, nomeadamente os mdia televisivos, as RS conseguem ter informao mais atual, num espao de tempo muito reduzido, dando origem a atualizaes praticamente em tempo real. Continuando a seguir Gonalves (2015), apesar do elevado rudo existente nas RS, o nmero de testemunhas reais dispostas a relatar os acontecimentos igualmente elevado (Gonalves, 2015) (denominados cidados jornalistas por Sedra (2013). Passemos aos nmeros. No incio de 2012, os EUA tinham uma populao de cerca de 313 milhes (USCB, [2015]). Desses, cerca de 57 600 profissionais trabalhavam nas reas da comunicao meditica, onde se incluem os reprteres televisivos (USBLS, 2014). Ou seja, cerca de 0,02% da populao dos EUA. Por outro lado, dentro da populao dos EUA, existiam em 2012 cerca de 143,4 milhes de users de Facebook (Statista, [2015b]), dos quais 97,8% acederam ao Facebook por telemvel em 2012 (Statista, [2015c]). O que significa que cerca de 140,2 milhes de Americanos, acediam ao Facebook atravs de telemvel, isto , cerca de 45% da populao dos EUA. Na Tabela 1, comparam-se as estatsticas: Tabela 1 - Relao entre a quantidade de jornalistas profissionais e potenciais cidados jornalistas. 30 Se assumirmos a perspetiva de Sedra (2013) no que concerne ao conceito de cidado jornalista, podemos concluir que o cidado jornalista qualquer cidado com a capacidade de relatar e/ou gravar um evento (nos formatos de vdeo, fotografia e/ou udio) em tempo real e dissemin-lo atravs das RS, como o Facebook, em tempo quase real. Veja-se um exemplo de cidado jornalista mencionado por Sedra (2013), Sharif Abdel Kouddous. Foi nesta base que a Tabela 1 foi construda, com o objetivo de demonstrar a diferena entre as duas dimenses, jornalistas profissionais vs. cidados jornalistas e com isso concluir que, num universo to desproporcional, natural que existam imensas informaes falsas, o que no invalida que existam tambm muitas informaes verdadeiras e importantes. Alis, Gonalves (2015) refere, com base na experincia em OPMIL da FA, que as pessoas respeitam muito o que dito nas RS e por uma questo de segurana global e individual, os cidados tm interesse em publicar informaes fidedignas que potenciem o SA de todos (Gonalves, 2015). Ainda assim, o universo dos cidados jornalistas de 2012 poder no ter sido to grande quanto os 140 milhes enunciados e por essa razo se classificam como potenciais cidados jornalistas, o que significa que, mesmo no tendo a oportunidade de presenciar um evento e public-lo nas RS, so cidados que a qualquer momento o podero fazer por 2 razes: - Possuem telemvel com acesso ao Facebook, podendo publicar; - Podero a qualquer momento presenciar um evento, grav-lo e public-lo e/ou relat-lo. Um outro exemplo do referido surgiu no decorrer dos incndios no Estado da Califrnia em 2007 (Palen, 2008). As pessoas que habitavam na regio afetada recorreram s RS para obterem o mximo de informao acerca dos fogos, j que as notcias televisivas eram generalistas e muitas vezes incorretas. Atravs da anlise das informaes que circulavam nas RS era possvel desenhar o mapa dos acontecimentos (onde constavam estradas fechadas, focos de incndio e posies de abrigos) (Palen, 2008). Neste incidente, os fruns onde se discutiam os acontecimentos foram vistos como fontes de informao espantosamente fiveis onde as pessoas partilhavam e recolhiam informao extremamente atualizada e precisa (Palen, 2008). As RS podem ser usadas para alertar quando uma emergncia ocorre, monitorizando o fluxo de informao que provm de diferentes fontes durante um 31 incidente. Essa monitorizao feita atravs da identificao, processamento e compreenso dos elementos crticos de uma dada situao (Lindsay, 2011). A obteno de SA em tempo quase real, imediatamente depois dos eventos ocorrerem, pode ajudar a perceber onde esto as pessoas, assistir as vtimas e alertar as pessoas para as mudanas no cenrio e novas ameaas que surjam (Lindsay, 2011). Esta possibilidade de usar a Internet em situaes de emergncia coloca de parte os problemas criados pela saturao das linhas telefnicas que muitas vezes impede a assistncia a quem necessita urgentemente. Esta capacidade extremamente potenciada pela evoluo exponencial que a tecnologia ao nvel das telecomunicaes tem sofrido, nomeadamente no que concerne ao uso dos Smartphones, que hoje em dia so em muitas partes do mundo, uma tecnologia acessvel a todos e muito difundida (DAWSON; HILL; BANK, 2013). A propsito, quando em misso no Afeganisto, Gonalves (2015) observou este fenmeno, a banalizao dos Smartphones. Notando que, at quem vivia em condies precrias e nas zonas mais remotas, tinha um bom telemvel capaz de aceder Internet e com cmara de fotografar/filmar. Diz ainda que, cerca de 80% dos afegos so analfabetos mas tm telemveis e sabem telefonar e gravar vdeos ou fotografar. Ainda que no se consiga aceder Internet, possvel comunicar por chamada telefnica, o que significa que todas as informaes pertinentes se sabem graas proliferao dos telemveis, tornando a rede social afeg muito potente no que concerne ao ganho de SA (Gonalves, 2015). Neste sentido, tambm EC (2015) afirma que no Afeganisto, o acesso Internet quase geral, possudo por todos, considerando que poucos tm televiso mas muitos tm Internet (EC, 2015). Este tipo de avanos e acessibilidade tecnolgica facilita o acesso imediato s fontes de informao, nomeadamente s RS, ou ainda, em situaes de emergncia, a assistncia em locais exatos, por vezes do desconhecimento do prprio utilizador (atravs dos programas de geolocalizao dos Smartphones) (DAWSON; HILL; BANK, 2013). 4.3. Causas Humanitrias Um objetivo pessoal ou de um pequeno grupo pode tornar-se num objetivo mundial, recorrendo fora das RS. Prova disso, foi o objetivo do ator americano Ashton Kutcher e de uma ONG sem fins lucrativos que consistiu em travar as mortes em frica disseminando SA global em prol de um problema especfico numa regio 32 desse continente: a malria no Senegal (RYAN; JONES, 2011). Para tal, o ator, lanou um desafio CNN: uma corrida no Twitter cuja meta seria alcanada quando o primeiro atingisse 1 milho de seguidores. Ashton comprometeu-se a oferecer 10 000 redes mosquiteiras se atingisse primeiro a meta, o que veio a acontecer. Para alm dessa doao, a CNN, alguns dos twitterati (twitterers famosos), bem como outros twitterers acresceram ao n de redes oferecidas. Segundo a mesma fonte, devido ao Awareness implementado no Twitter, foram doadas no total desta campanha 89724 redes sendo o custo de arranque da mesma $0 (RYAN; JONES, 2011). Para alm disso, outras vantagens se obtiveram a partir do Twitter: - Milhes de twitterers aprenderam acerca da malria e como ajudar; - O perfil @malarianomore teve um aumento de 10 000% de seguidores; - O website malarianomore.org teve mais visitas em 1 ms do que em 1 ano. - Doaes de twitterers e dos twitterati permitiram alcanar as 10 000 redes que Ashton se comprometeu a oferecer e ainda alcanar $500 000. - E ainda, foram oferecidas redes por parte de indivduos atentos causa no Twitter, de 42 pases diferentes (RYAN; JONES, 2011). 4.4. Rastreio epidmico O interesse pelas RS tem crescido em todo o mundo nos ltimos anos, em todos os mbitos incluindo a rea da sade. As RS como o Facebook, Twitter, YouTube e blogs tm demonstrado a sua efetividade ao nvel da disseminao de conhecimento e educao mdica, podendo vir a servir para fazer bio vigilncia, rastreando epidemias antes que as mesmas se alastrem pela populao (ROSMAN et al., 2014). Nos conflitos vividos na Sria, as RS foram usadas para documentar e tambm para disseminar conhecimento e Awareness entre os intervenientes no conflito armado (ROSMAN et al., 2014). O conflito na Sria tem sido nico pois tem tido cobertura quase em tempo real atravs das RS. Pela primeira vez, foi diagnosticado atravs das RS um conjunto de sintomas clnicos provocados por envenenamento pelo agente nervoso Sarin (ROSMAN et al., 2014). Obama (2013) afirmou: O mundo viu milhares de vdeos, imagens de telemveis e relatos nas RS sobre o ataque que encheu hospitais com pessoas envenenas por gs venenoso (Obama, 2013) As RS tm surgido como uma fonte de conhecimento situacional, que pode ser valiosa em cenrios onde no existe acesso direto e imediato s vtimas, como por exemplo: zonas de Guerra e de catstrofes naturais (ROSMAN et al., 2014). 33 4.5. Ferramenta de revoluo As RS no mundo rabe tm sido usadas ao mximo para informar, mobilizar e aumentar o Awareness acerca de direitos humanos, corrupo e democracia. Funcionaram como catalisador para as revolues no Iro, Egipto e Lbia (ALI; FAHMY, 2013). O papel principal das RS no Iro era aumentar o Awareness para a situao social e poltica que se vivia na regio, dando conhecimento mundial e chamando a ateno dos rgos mediticos internacionais. Refere ainda que, semelhana do que aconteceu no Iro, tambm no Egipto a influncia das RS foi impressionante, mas neste caso ao nvel do Facebook, sendo depois apelidada de Facebook Revolution (ALI; FAHMY, 2013). 4.5.1. Na Lbia Na Lbia, users das RS bem como grupos ativistas serviram-se das plataformas Youtube, Twitter e Facebook, para demonstrar ao mundo a violncia implementada pelo regime (Human Rights Watch, 2011), gerando uma onda de apoio mundial interveno de foras militares naquele pas (Aday, 2012). Devido ao incremento desta conscincia internacional, vrios governos, foram encorajados a atuar pelos prprios cidados e tomaram aes polticas contra o regime violento da Lbia (ADAY et al., 2012). Desta forma, as publicaes que se fizeram nas RS permitiram chegar onde os meios de comunicao tradicionais no chegariam (ADAY et al., 2012). Num cenrio em que no existe espao para as reportagens convencionais, um cidado com um telemvel e acesso s RS pode fazer a diferena entre ningum saber o que se passa ou o mundo inteiro saber (ADAY et al., 2012). 4.5.2. No Egipto Facebook Revolution Existem iniciativas que se amplificam nas RS, o caso demonstrado por Sedra (2013) acerca da Shayfeencom. Esta uma iniciativa que vigia e luta contra a corrupo vivida no Egipto usando para tal, a popularidade que alcanou nas RS. O objetivo que move esta iniciativa desde 2005 consiste em apoiar as reformas polticas e implementar a democracia no pas educando e dando poder s pessoas com o aumento do Awareness no que concerne democracia, assim como s reformas eleitorais e judiciais. No fundo, trata-se de um movimento politico que usa as RS para coordenar e organizar as atividades na luta contra a corrupo. Comeou por ser criado com o intuito de preservar a legitimidade e integridade das eleies e 34 referendos que ocorreram em 2005 no Egipto, atravs da participao de mais de 5 000 voluntrios que se juntaram ao grupo nas RS. Lutava-se fortemente contra a desigualdade e corrupo e a favor da destituio do poder presidencial de Hosni Mubarak, o ento presidente do Egipto (Sedra, 2013). Outro caso popular o de Khaled Saeed. Segundo Sedra (2013), era um jovem cidado egpcio de Alexandria que morreu a 6 de junho de 2010 depois de ter sido preso pela polcia e torturado at morte. As fotografias da sua cara completamente desfigurada foram disseminadas pelas RS, nomeadamente num grupo de Facebook criado para o efeito, We are all Khaled Said. Essas imagens atrozes, que se tornaram num smbolo de revolta contriburam para o descontentamento que culminou nas revolues de 2011. Ainda segundo Sedra (2013), mais de 70 000 egpcios juntaram-se causa atravs do Facebook e puderam assistir aos protestos. Para alm disso, os egpcios encontraram ainda motivao nas revolues que aconteciam na Tunsia e eram transmitidas nas RS (Sedra, 2013). Em 2011, as tenses sociais sustentavam-se na brutalidade policial, violaes de direitos humanos, estado de emergncia, limitaes na Liberdade de expresso e pensamento, corrupo persistente, problemas econmicos relacionados com a elevada taxa de desemprego e dos preos de bens alimentares face aos baixos salrios (Sedra, 2013). As pessoas protestavam a favor do trmino do regime de Mubarak e melhoria da qualidade de vida das pessoas e respeito pelos seus direitos. Os confrontos entre a polcia e os protestantes resultaram num nmero aproximado de 800 pessoas mortas e 6 000 pessoas feridas (Sedra, 2013). Aps a revoluo no Egipto que ocorreu em 2011, o movimento social Shayfeencom ganhou fora com a adeso de mais adeptos (Sedra, 2013). Durante o perodo das eleies, o movimento mobilizou milhares de voluntrios pelo pas numa questo de semanas. O grupo treinava o seu exrcito de voluntrios para as eleies, dando-lhes Awareness e sensibilizao atravs de vdeos no YouTube e seminrios online (Sedra, 2013). Face ao exposto, as autoridades egpcias ao se aperceberem do poder das RS e dos telemveis que erguiam cada vez mais cidados jornalistas, decidiram bloquear as RS e a Internet em todo o Egipto, para que as pessoas no comunicassem. No entanto, sofreram com o reverso da moeda dessa deciso pois ao impedir a comunicao atravs das RS, involuntariamente mobilizaram um grande nmero de pessoas para as ruas que queriam demonstrar a sua revolta (Sedra, 2013). 35 4.5.3. No Iro Duas horas depois das eleies presidenciais terem terminado, foi anunciado pelo governo do Iro que o presidente eleito com 62,63% de votao era Ahmadinejad (BOWER et al., 2009). No dia seguinte, o Iro explodiu com protestos contra o segundo reinado deste presidente. As RS, foram usadas massivamente como ferramentas de divulgao da luta popular e o Twitter foi a arma preferida dos protestantes, levando a sua palavra ao mundo inteiro (TWT, 2009). Aqui, surgiram grupos de cidados jornalistas cuja funo era documentar, textual e visualmente, os acontecimentos no Iro e depois, faz-los chegar ao mundo atravs das RS. No entanto, a revoluo fracassou com as medidas drsticas do governo iraniano, nomeadamente, impedir o acesso s telecomunicaes e Internet (parcialmente) (TWT, 2009). Apesar disso, um vdeo publicado no website Current.com foi divulgado pelos noticirios americanos CNN, ABC, NBC e CBS. Nesta filmagem, captada por cidados jornalistas, podemos ver uma mulher a morrer, nos braos de algum, cujo rosto se inunda em sangue por ter sido baleada no peito durante os protestos (BOWER et al., 2009). O nome da vtima era Neda Agha-Soltan e a sua morte foi transformada num smbolo do movimento revolucionrio pela liberdade (BOWER et al., 2009). So vrios os vdeos no YouTube que homenageiam e retratam a sua morte, uns inspirando a revoluo atravs da msica num vdeo intitulado Song for Neda, outros documentando a histria de quem foi, quem queria ser, os ideais pelos quais lutava (YouTube, [2015b]) e como aconteceu esta trgica morte na represso violenta das ps-eleies do Iro a 20 de Junho de 2009 (Azadi, 2010). O governo do Iro no estava preparado para a revoluo cibernauta que se avizinhava e os esforos foram no sentido de censurar e impedir a comunicao com o exterior do pas impedindo as telecomunicaes e a Internet (parcialmente) (TWT, 2009). que o Iro conta com uma grande massa de bloggers e hackers que se esforaram para manter os canais de internet abertos. Alguns websites resistiram represso do governo (TWT, 2009) e o vdeo de Neda tornou-se viral na Internet, atraindo milhares de pessoas em todo o mundo para esta causa (Palmer, 2009). impressionante o impacto que as RS tm no mundo civil e militar, seno vejamos: o reconhecido ditador e presidente do Iro, Ahmadinejad, volta a ser eleito presidente a 12 de junho de 2009; a eleio resulta imediatamente em protestos e 36 confrontos de milhares de cidados contra a polcia; dado que as eleies no foram anuladas, as marchas de protesto continuaram com dezenas de milhares de protestantes nas ruas e os jornalistas estrangeiros impedidos de dar cobertura aos acontecimentos que resultariam em 7 mortes no dia 15; a 20 de junho a televiso do estado anuncia 450 detenes e 10 pessoas mortas, onde se inclua Neda Agha-Soltan (Reuters, 2010); nesse mesmo dia, o presidente dos EUA, Barack Obama incitou o governo iraniano a cessar todas as aes violentas e injustas contra o prprio povo, lamentando-as e alertando para o facto de o mundo estar atento a todos os acontecimentos, afirmando: "(Iran must) stop all violent and unjust actions against its own people. The Iranian government must understand that the world is watching. We mourn each and every innocent life that is lost" (Palmer, 2009). 4.6. Obteno de Situational Awareness para as OPMIL Num pas densamente povoado e com acesso s tecnologias de informao, Kase (et al., 2014) refere que existem diferentes atitudes e alianas na populao local, que podem ser hostis, neutrais ou amigas. Ainda segundo Kase (et al., 2014), a maior parte dessa populao responsvel por criar um elevado fluxo de informao ao usar as RS para comunicar, organizar e calendarizar eventos pblicos (KASE et. al., 2014). Alguma dessa informao pode ser crtica e permitir a otimizao da execuo das misses militares que a FA desempenha nesses pases, tais como as INFOPS, misses de manuteno da paz e ajuda humanitria, entre outras. Segundo Kase (et al., 2014), as RS podem ser uma poderosa ferramenta ao dispor dos comandantes, ajudando a compreender e a moldar as reas de responsabilidade. Afirma igualmente que se os comandantes souberem utilizar as RS, estas podem ajudar a influenciar as comunidades e melhorar a qualidade e pontualidade da partilha de informaes relevantes (KASE et al., 2014), potenciando o SA. Se os decisores se esforarem para manter, potenciar e empregar uma presena nas RS, conseguiro obter informaes cruciais acerca de ameaas emergentes e ainda compreender o terreno (Mayfield, 2011). Zeng (et al., 2010) refere que as RS podem ser uma fonte de dados e informao para aumentar o SA e assim compreender o quadro situacional. Ao nvel ttico e operacional, o aumento do SA pode permitir que os comandantes tomem decises mais informadas no momento de 37 despender bens e recursos (ZENG et al., 2010), tal como veremos na Operao Manatim. Segundo Goolsby (2010), no nvel estratgico, as RS criam oportunidades para o estudo e compreenso da cultura e comportamentos locais que de outra forma seria difcil de interpretar. As comunidades locais so uma gigantesca fonte de observadores que superam em larga escala os quantitativos de militares observadores. No fundo, a representao das comunidades locais nas RS pode substituir o trabalho que os militares teriam em observar o ambiente na busca de SA. Ainda segundo Goolsby (2010), mais importante ainda que estas comunidades podem possuir conhecimento lingustico, cultural e contextual, fatores que apoiam a elaborao do quadro situacional por parte dos decisores (Goolsby, 2010). Desta forma as RS podem ajudar comunicao intercultural e traduzir linguagens. Kase (et al., 2014) refere ainda outra caraterstica importante da envolvncia operacional nas RS, que consiste na capacidade de reconhecer de forma natural quais os dados e informaes que em determinada comunidade se consideram importantes. Segundo o mesmo, esta envolvncia permite que os comandantes compreendam o que tem interesse e relevo em determinada comunidade, bem como avaliar os efeitos de determinadas aes. Ou seja, estas capacidades podero tornar mais realistas e menos incertas a avaliao, seleo e criao das aes a tomar (KASE et al., 2014). Caso Estudo da Operao Manatim O contexto em que a operao ocorreu pode ser visto no subcaptulo 6.1. Para o assunto em causa, Mineiro (2015)12 refere que o primeiro passo foi descobrir quais as RS que eram utilizadas nas zonas de influncia (so as zonas que tm a ver com a respetiva operao), que neste caso eram poltica e militar. Assim, foram referenciadas e acompanhadas as publicaes de diversos atores: um blogger, que estava na Guin-Bissau (GB) e escrevia praticamente todos os dias; vrias pessoas que faziam retweet de informao; e na parte poltica, referenciaram jornalistas, lderes de opinio e entidades oficiais. (Mineiro, 2015). Atravs da informao veiculada pelo Twitter foi possvel antecipar cerca de um dia e meio o pedido oficial de Cabo Verde a Portugal, para efetuar a extrao de 2000 cabo-verdianos na Guin-Bissau, refere Mineiro (2015). Ora quando ns vimos essa informao, veiculada no Twitter, rapidamente se tentou confirmar se isso 12 O Major Paulo Mineiro Chefe da rea de Informao Pblica da FA, foi o porta-voz da Fora de Reao Imediata (FRI) e foi o Public Affairs Officer (PAO) da Operao Manatim. 38 correspondia realidade. A vantagem que se obteve foi ao nvel logstico porque, mesmo sem confirmao da notcia, possibilitou-nos o planeamento antecipado. Isto permitiu averiguar que material logstico seria necessrio para fazer corresponder a essa necessidade e se isso seria ou no possvel de executar. Mais, a anlise da informao a circular nas RS permitiu descobrir as tendncias polticas que se viviam na regio e com que pases da regio Portugal poderia contar para a extrao dos portugueses na GB (Mineiro, 2015). Mineiro (2015), acrescenta que as RS potenciaram, sem dvida, o SA da misso militar e que a explorao das RS permitiu antecipar, ganhar tempo e fazer planeamentos que se vieram a confirmar justificveis por se ter avaliado bem a importncia da informao nelas veiculada, bem como a transmitida pelas pessoas no terreno (Mineiro, 2015). Os EUA reconhecem as potencialidades das RS, nomeadamente no que toca obteno de SA. Seno vejamos: minutos depois do Malaysia Airlines Flight 17 ter sido abatido a 17 de Julho de 2014 na Ucrnia, matando todas as 298 pessoas a bordo, um analista da Defense Intelligence Agency (DIA)13 obteve uma pista atravs da observao das RS. Este analista falava Russo e encontrou um post feito por um separatista pr-russo na Ucrnia, atravs de um website das RS da Rssia chamado VK. Nesse post, o separatista afirmava ter abatido um avio de carga militar Ucraniano (Barnes, 2014). Neste sentido, o Tenente-General Michael Flynn, chefe da DIA, refere que A primeira indicao de quem o abateu, com que arma o fez, quando e como foi abatido proveio das RS () literalmente em minutos (Barnes, 2014). Gonalves (2015) tambm afirma que no Afeganisto pde constatar a velocidade a que as informaes so injetadas nas RS, sendo numa questo de segundos ou minutos depois do incio dos acontecimentos (Gonalves, 2015). As RS potenciam muito o SA em OPMIL e quem no tiver acesso s RS est desatualizado, refere Gonalves (2015). Segundo o mesmo, a celeridade no acesso s informaes que so publicadas em tempo quase real, logo aps os acontecimentos, um dos aspetos que fazem das RS uma ferramenta importante nas 13 A Defense Intelligence Agency uma agncia dos EUA que monitoriza os movimentos militares estrangeiros. Esta agncia confia e usa cada vez mais as RS, onde encontram fontes abertas de informao que podem usar contra os maus atores. 39 OPMIL. No Afeganisto as pessoas sabem a importncia das RS e se houver uma exploso no local A, nos prximos 30 segundos j se encontra informao nas RS e em menos de 3 minutos sabe-se o que se est a passar nesse local, atravs dos posts (Gonalves, 2015). Esta no , no entanto, uma posio consensual como veremos na seguinte anlise (Anexo B). Anlise dos inquritos (ver Anexo B): De acordo com o inqurito efetuado aos militares da FA que participaram em OPMIL, 56% dos militares afirmam que a informao obtida atravs das RS til (Figura B-2, Anexo B) e 38,9% dos inquiridos usaram as RS em misso por as considerarem uma fonte de informao (Figura B-1, Anexo B). Para alm disso, 31,1% acreditam que as RS permitem o ganho de SA durante as OPMIL (Tabela B-4, Anexo B). No entanto, Gonalves (2015), entende que a segurana dos militares em operaes pode depender bastante do SA que se adquire a partir das RS, e, por isso, estas podem ser vistas como uma ferramenta de segurana pessoal, na medida em que, se os militares tiverem que optar por um de dois caminhos, vo primeiro s RS e tomam a sua deciso consoante os posts que observam, ou seja, se existir ameaa de perigo num dos caminhos, opta-se pelo outro14 (Gonalves, 2015). Mas isto s possvel quando existe uma conscincia coletiva acerca das potencialidades das RS, nomeadamente ao nvel da segurana que o SA incrementado pelas mesmas pode dar, tal como refere Gonalves (2015). Dado que todos os cidados tm necessidade de segurana, na generalidade todos publicam acerca das ameaas e eventos perigosos (Gonalves, 2015). No entanto, nem todas as informaes so fidedignas, necessrio gerir a informao para saber identificar se uma ameaa pode ou no constituir um fator de perigo. Segundo Gonalves (2015), as RS ajudam na gesto da informao na medida em que permitem avaliar a credibilidade dos relatos das RS. O cruzamento dos posts das RS, permitia esclarecer determinados eventos, como por exemplo, distinguir se um rebentamento comentado nas RS se tratava de uma bomba ou da exploso de um pneu. As RS permitem saber se uma dada informao merece investigao e permitem diferenciar uma ameaa de uma situao real (Gonalves, 2015). Metaforicamente, podemos pensar nas RS como um mundo onde as pessoas podem ter um rosto, podem no ter qualquer rosto ou podem iludir que tm um rosto. 14 Gonalves (2015) comenta que este SA e anlise era efetuado pelos militares das Naes Unidas, no entanto a NATO tinha outros procedimentos (Gonalves, 2015). 40 Qualquer pessoa pode publicar nas RS, o que potencia alguns perigos para as operaes, nomeadamente ao nvel da aquisio de SA. Gonalves (2015) afirma que uma das problemticas incide na importncia que se atribui ao contedo dos posts das RS, que tanto pode ter sido publicado por uma criana numa brincadeira, como pode ser publicado por algum que sabe de facto o que diz. No obstante, ambas as publicaes devem ser encaradas com a mesma seriedade, mesmo sendo uma falsa e outra verdadeira. Nunca sabemos ao certo quem est por detrs da publicao e qual a sua inteno com a mesma. Conclui ainda que as RS tm bastante rudo, mas qualquer ameaa que tenha sido detetada dever ser levada a srio (Gonalves, 2015). As RS como o Facebook e o Twitter permitem-nos avaliar os perfis de quem faz determinadas publicaes bem como ter acesso a informaes que essas pessoas publicaram h anos atrs permitindo estudar as diferenas de comportamentos que essa pessoa assumiu ao longo dos anos (PSimes, 2015) e ainda escrutinar e filtrar essas fontes de informao, por fiabilidade e interesse (Mineiro, 2015). Antigamente, tnhamos que ter muito mais pessoal no terreno para recolha de INTEL, ao passo que hoje em dia, possvel faz-lo sem sair do local de trabalho, frente de um computador, refere PSimes (2015). No fundo, como se tivssemos pessoal no terreno para recolha de INTEL h anos. Trata-se de replicar aquilo que acontece no terreno e transpor para o mundo digital, porque as pessoas e a forma de funcionar no mudou mas mudou o meio e a quantidade de informao que muito maior (PSimes, 2015). Mineiro (2015) e PSimes (2015) concordam que, para se recolher boa INTEL, os analistas da informao devero ter a capacidade de cruzar a informao do pessoal que est no terreno com a informao digital. Segundo o Tenente-General Flynn e outros oficiais dos EUA, desde 2013, os EUA tm investido largamente em meios de recolha e anlise das RS, nomeadamente ao nvel do Facebook, Twitter e RS estrangeiras como forma de obteno de INTEL (Barnes, 2014). Em 2011, Waterman (2011) j referia que o comando central dos EUA utilizava um software cuja funo era encontrar os websites de RS usados pelos terroristas (Waterman, 2011). Este investimento por parte dos EUA pode ser explicado e entendido luz da sociologia. Pois, tal como refere ENISA (2007), o ser-humano tem um desejo natural de se relacionar com outros, nomeadamente atravs da Internet, o que, combinado com os mltiplos efeitos das tecnologias das RS, pode tornar os users menos 41 discriminatrios no que toca a aceitar pedidos de amizades. Normalmente os users no tm conscincia da quantidade de pessoas que acedem s informaes que tm nos perfis e a sensao de intimidade que criada por se sentirem envolvidos entre amigos digitais pode conduzir a revelaes que normalmente no so apropriadas no contexto da informao pblica (ENISA, 2007), onde se inserem as fugas de informao classificada para um meio publico e globalizado, as RS. O Tenente-General Flynn continua, afirmando que as RS podero revolucionar a OSINT, que se foca em encontrar elementos chave em fontes de informao pblicas. Os oficiais da DIA referem ainda que os computadores do governo Americano podem ter a capacidade de reunir dados e informao de mltiplas fontes das RS e fazer o rastreio de quantidades exorbitantes de informao pblica (Barnes, 2014). Diana (2011) refere que devido a uma quebra de segurana, o WikiLeaks conseguiu saber que os EUA estavam, em 2011, a procurar obter um programa de computador, Persona Management Software que iria permitir o comando online de unidades de identidades falsas nas RS. Este programa deveria ter a capacidade de gerir 10 perfis por user, onde cada perfil teria uma histria, experincia de vida, outros detalhes de apoio e uma ciberpresena consistente em termos tcnicos, culturais e geogrficos (Diana, 2011). Dias depois, a 01 de Maro, Waterman (2011), refere que o comando militar dos EUA localizado em Tampa, Florida que gere os conflitos no Iraque e Afeganisto comprou um programa de computador que permite que os militares criem identidades falsas nas RS (Waterman, 2011). Tudo indica que as Foras Armadas dos EUA tm integrado cada vez mais as RS nas suas operaes (Diana, 2011). Cronologias parte, o objetivo destas identidades falsas seria dar aos militares a possibilidade de se infiltrarem em determinados grupos e em certos casos praticar desinformao dentro de organizaes extremistas como o caso da al-Qaeda e os Taliban com o intuito de negar as operaes (Waterman, 2011). Este programa aumenta o SA dos militares atravs da apresentao em tempo real de informaes locais pertinentes para manter a identidade falsa, tais como, informaes acerca da hora local, meteorologia, e noticias. Essas informaes so relativas morada em que essa identidade falsa supostamente habita, permitindo que o militar esteja contextualizado e possa atuar em conformidade (Waterman, 2011). 42 Diana (2011) menciona que com este programa os militares podem assumir diferentes identidades falsas online, com diferentes objetivos operacionais, sem sarem do local de trabalho e sem terem medo de serem descobertos pelos adversrios. Segundo a mesma, estas identidades devero ter a capacidade de aparecer em qualquer parte do mundo e interagir a partir das plataformas das RS e servios convencionais da Internet. A cada identidade dado um endereo IP correspondente a diferentes regies do globo, o que permite iludir o inimigo quanto localizao do agente que est por detrs das identidades falsas (Diana, 2011). Outra caracterstica deste programa a capacidade de fazer cruzamento de dados de todas as RS disponveis, onde se incluem o Facebook, Twitter, MySpace, entre outros, com o intuito de recolher dados pessoais e us-los para conseguir acesso a outros users dentro desses crculos sociais (Diana, 2011). Existem vrias tcnicas que se podem usar para tornar as identidades falsas mais reais, nomeadamente ao nvel da informao. Tendo o agente conhecimento de quais as escolas ou colgios frequentados pelos alvos, ou onde vivem, atuando em conformidade como se tivesse ligaes reais a esses ambientes, mais facilmente os alvos iro partilhar informaes com o agente infiltrado nas RS. De acordo com Diana (2011), para se ganhar acesso a grupos privados nas RS, o agente pode inscrever-se no website oficial da escola que o alvo frequenta e procurar por um estudante E conhecido do alvo que no tenha perfil nas RS. Cria depois um perfil nas RS como se fosse o E. Dessa forma o agente ir fazer-se passar por algum que no , podendo obter informaes dadas pelo alvo (Diana, 2011). Neste contexto, continua a fonte, o agente dever de certa forma influenciar o alvo a aceitar o pedido de amizade voluntariamente. Nesse sentido, antes de enviar um pedido de amizade para o alvo, o agente dever entrar no crculo de amigos do alvo. Para tal, pode criar amizade com algum que tenha por exemplo 300 ou 500 amizades nas RS e que tenha amizade com o alvo. Adiciona depois mais amizades dentro desse crculo aumentando cada vez mais o nmero de amizades em comum com o alvo. Assim, poder ser mais facilmente aceite por parecer ser algum de confiana (Diana, 2011). Existem vrias ferramentas pblicas que podem potenciar o SA. So aplicaes que esto ligadas ao Twitter e que para um normal utilizador das RS podem ser divertidas mas que, pelo que j vimos, em contexto operacional podem ter uma utilidade muito diferente e ser uma potencialidade para as OPMIL, nomeadamente 43 para a aquisio de SA. Segundo EC (2015)15, quando esteve em operaes internacionais, no mbito da NATO, a plataforma de RS que mais utilizou foi o Twitter e refere que esta a melhor ferramenta para se utilizar em contexto operacional pois a que melhor se adapta necessidade particular de ler o ambiente sociopoltico da rea de operao onde a fora est a operar. Permite, entre outros, obter perceo, leitura de ideias, opinies e sentimentos das populaes locais sobre a interveno militar em causa. Permite tambm obter informaes pontuais para planeamento de algumas aes militares (obteno de informaes de carter ambiental informaes de trnsito, manifestaes, aes policiais a decorrer) (EC, 2015). importante obter-se este tipo de SA, que a fonte refere como SA ambiental, porque, por exemplo, no caso das manifestaes contra a guerra e foras militares, podero surgir graves problemas se os manifestantes se depararem com os motivos de protesto, que neste caso so os militares (caso que j aconteceu, segundo a fonte). Estas informaes so cruciais porque percorrer 4 km nos veculos militares tanto pode demorar 10 minutos como 1 hora, ou at mesmo resultar em fatalidades se no se obtiver SA (EC, 2015). Algumas das ferramentas pblicas que habitam no Twitterverse, quando operadas em conjunto com o Google Maps, por exemplo, permitem ao utilizador vrias possibilidades de leitura das RS. Vejamos algumas dessas ferramentas. Trendsmap: uma ferramenta que permite visualizar as tendncias de discusso mais abordadas no Twitter. Exemplos de tendncias podem ser por exemplo: uma catstrofe natural, uma revoluo, uma personalidade em destaque, etc (McClain, 2010). No fundo, trata-se de saber o que os twitterers esto a falar no momento e onde esto. Permite ainda explorar mais a fundo os tpicos de discusso atravs de um clique no mesmo. Ao faz-lo, surgem dois grficos com o histrico de discusso, local e global, bem como alguns detalhes que explicam porque esse tpico assunto de discusso. Podem ainda ser visualizados vdeos e notcias que so seguidos pelos tweets mais recentes acerca desse tpico que atualizado em tempo real (McClain, 2010). 15 EC a sigla para Entrevistado Confidencial e refere-se a uma entrevista feita no mbito desta dissertao, a um militar que por fora do cargo que exerce na FA no pode ser identificado. Possui experincia em OPMIL internacionais e reconhece a importncia das RS. 44 Figura 3 - Trendsmap (McClain, 2010) GeoChirp: Este programa permite descobrir o que as pessoas esto, num determinado momento, a publicar no Twitter, numa determinada regio dentro de um raio de distncia selecionado pelo user. Os ltimos tweets dessa regio so apresentados em baixo do mapa. Esta ferramenta permite filtrar os resultados por palavras-chave, nmero de tweets a apresentar e o raio de distncia de procura (entre 2 a 80 km, aproximadamente) (McClain, 2010). Figura 4 - GeoChirp (McClain, 2010) Twittervision: permite ver tweets por todo o mundo atravs do Google maps. Depois da entrada neste website, no necessrio fazer mais nada para que se vejam os tweets a aparecerem no mapa-mundo com atualizao em tempo real (McClain, 2010). Ao surgir um tweet, aparece numa pequena janela a informao do texto do tweet bem como quem enviou e o local de onde foi enviado esse tweet. Depois, segue para um novo tweet da mesma forma. Dentro deste website pode selecionar-se o modo 3D que permite visualizar o mapa tridimensional (McClain, 2010). O Twittervision memoriza todos os users com uma fotografia e localizao de origem do 45 tweet e permite ver em tempo real as notcias de ultima hora e as conversas no Twitter (Pierce, 2009). Figura 5 - Twittervision (McClain, 2010) EC (2015) comenta que no Afeganisto, ocorrem ataques constantemente e que num cenrio deste gnero os militares se encontram muitas vezes aquartelados. Se tiverem que sair da base o primeiro que fazem aceder s RS para conhecerem as condies de segurana na rua (informaes de trnsito, manifestaes, aes policiais, entre outras situaes que possam bloquear o movimento dos militares e ser uma ameaa para a segurana dos mesmos). Vrios comentrios nas RS fornecem este tipo de informaes (EC, 2015), por exemplo: Tabela 2 - Exemplos de comentrios nas RS que fornecem SA. Anlise: Cruzando os posts de A e B podemos perceber que devido neve na estrada, o trnsito est muito condicionado, podem haver acidentes e carros encravados na neve. Segundo B o trnsito pode estar muito lento ou at mesmo parado na estrada X. No sabemos se C est no trnsito mas uma possibilidade. O melhor a fazer no seguir pela estrada X. 46 Cruzando os posts de D, E e F percebemos que o estrondo ouvido perto das 16:30 no Afeganisto foi intenso, gerou algum pnico, mas em princpio ter sido apenas o rebentamento de um pneu. Analisando os posts de G e H pode-se concluir que, provavelmente, o rebentamento de pneu provocou congestionamento na rua Y. Mais uma vez, o melhor a fazer no seguir pelas ruas perto de Y sob pena se ficar encurralado no trnsito. Por ltimo, os posts J e K indicam que existe trnsito na estrada X novamente e que poder dever-se s operaes policiais. Teria que se explorar e cruzar mais posts para se conseguir informaes mais concretas. 4.7. Concluso Intermdia Tal como se refere no subcaptulo 4.1, cada vez mais pessoas recorrem s RS como fonte de receo e transmisso de informao o que permite a obteno de SA em tempo quase real. Vimos ainda que a anlise das RS permite a previso de futuros acontecimentos e que as mesmas podem ser usadas para as OPMIL, como exemplificado no caso estudo Fort Hood Shootings e pelos relatos de Gonalves (2015). Foi tambm demonstrado com diversos exemplos que as RS podem potenciar o SA em diversas causas: apoio populao (subcaptulo 4.2, 4.3 e 4.4) e como uma ferramenta que permite organizar protestos e disseminar as causas por todo o mundo (subcaptulo 4.5). Por ltimo, no subcaptulo 4.6, foram abordadas as RS como uma ferramenta de ganho de SA. Neste subcaptulo foram citados diversos autores que referem as vantagens, em contexto operacional, do ganho de SA pelas RS, tais como: acesso a informao pblica acerca de eventos importantes (KASE et. al., 2014) e ameaas emergentes (Mayfield, 2011) atravs de vrias ferramentas das RS como refere McClain (2010); compreender o terreno (Mayfield, 2011), cultura, linguagem, comportamentos locais (Goolsby, 2010), ambiente poltico (Mineiro, 2015), leitura de ideias, opinies e sentimentos da populao (EC, 2015); distinguir que informaes se consideram importantes no local (KASE et. al., 2014); efetuar um melhor planeamento logstico (Mineiro, 2015); encontrar informaes classificadas acerca do adversrio (Barnes, 2014); obter informao pblica acerca de eventos perigosos que ocorram no terreno das operaes e garantir a segurana dos militares, segundo Gonalves (2015) e EC (2015); conhecer o historial comportamental de determinados 47 alvos (PSimes, 2015) e criar uma base de dados com informaes de mltiplas fontes das RS (Barnes, 2014); praticar aes de espionagem (Diana, 2011). Tal como referido no subcaptulo 4.6, os inquritos (ver Anexo B) demonstram que 56% dos militares inquiridos encontram utilidade na informao disseminada nas RS (Figura B-2, Anexo B) e 31,1% concordam que as RS potenciam o SA para as OPMIL (Tabela B-4, Anexo B). Desta forma, as entrevistas e os inquritos, aliados pesquisa bibliogrfica, permitiram validar a seguinte hiptese, O uso das Redes Sociais nas misses, permite capacitar os militares com um melhor Situational Awareness. No entanto, por motivos de confidencialidade, no foi estudado o modus operandi para a aquisio de SA por parte da FA. 48 Pgina intencionalmente deixada em branco 49 5. As Redes Sociais para a Motivao dos Militares Este captulo surge como uma anlise, no sentido de averiguar se as RS permitem incrementar a motivao dos militares que se encontram em OPMIL no estrangeiro, a importncia e relevo que isso assume para as operaes e se atualmente um fator tido em conta na FA. 5.1. Anlise Motivao No mbito das OPMIL, as RS podem representar um risco para a segurana mas por outro lado, se forem usadas apropriadamente, exercem uma funo importante para a moral e bem-estar dos militares e das suas famlias (Jensen et al., 2014). Para alguns militares em misses no estrangeiro o acesso s RS uma prioridade pois permitem manter a proximidade com os familiares e/ou amigos (F/A) e tambm estes sentem que as RS permitem encurtar a distncia. O valor da integrao das RS nas Foras Armadas, assenta nos benefcios que elas trazem aos militares em misses, e s vantagens estratgicas que se podem explorar (Jensen et al., 2014). Os militares podem ser destacados para misses longas e nesse sentido, as RS so excelentes para a moral e motivao dos militares tornando-se extremamente importantes no contexto das operaes no estrangeiro (Gonalves, 2015). Em misso, o stress e afastamento das famlias notrio e nesse sentido as RS permitem aproximar os militares das suas famlias, resultando em motivao acrescida (EC, 2015). MSimes (2015)16 concorda com a importncia das RS para os militares destacados e salienta que essa motivao, beneficia as operaes, na medida em que os militares so mais empenhados nas suas funes. Acrescenta ainda que as RS permitem dar e ter notcias de um enorme espectro de familiares comodamente e com privacidade (MSimes, 2015). Gonalves (2015) reconhece a importncia das RS e prova disso que quando foi nomeado como responsvel pela motivao dos militares destacados na Litunia, a sua primeira preocupao foi disponibilizar uma sala com computadores com internet livre (sem restries de segurana) onde os militares pudessem passar o tempo, sempre que no estivessem a trabalhar. Desta forma, no s eles andavam satisfeitos porque falavam com as famlias e aliviavam algum stress, como tambm conseguia saber onde estavam, porque certos ambientes (como os bares por 16 O Major Miguel Simes Chefe do Gabinete das Operaes Areas e participou numa misso no Afeganisto pela ISAF, onde verificou a importncia das RS em operaes para a motivao dos militares. 50 exemplo) podem ser desviantes das nossas funes principais enquanto militares. Acrescenta ainda que, se no existirem adequadas condies de Welfare, os militares iro tendencialmente procurar formas menos prprias de se distrarem (Gonalves, 2015). Neste sentido, tambm Costa (2015)17 e Mineiro (2015) revelam as suas experincias com a introduo das RS em OPMIL. Costa (2015) que comandou um destacamento militar na Islndia recentemente, afirma reconhecer os perigos associados ao uso das RS pelos militares, que as usam de forma particular e muitas vezes insegura porque procuram manter o nimo, moral e motivao (Costa, 2015). Assim, continua Costa (2015), nas operaes na Islndia, com o apoio de um oficial das RP, ofereceu aos militares a possibilidade de publicarem nas RS informaes acerca do decorrer das operaes, de forma controlada e segura (como ser visto no subcaptulo 7.4.1), motivando os mesmos e contribuindo para a tranquilidade dos familiares, que dessa forma sabiam do paradeiro dos militares em operaes (Costa, 2015). Vejamos o que foi aferido com a anlise no Anexo B. Anlise dos inquritos (Anexo B): Os inquritos permitiram definir que a esmagadora maioria dos militares j teve conta nas RS, totalizando 95,6% (Subcaptulo B-1, Anexo B), pelo que se conclui que as RS esto muito disseminadas pelos militares operacionais. Segundo os inquritos (Subcaptulo B-2, Anexo B), 86% dos militares afirmaram que durante a misso sentiram maior necessidade de aceder s RS e segundo a Tabela B-3 (Anexo B) 56,9% usaram as RS todos os dias. A maior parte usou as RS para falar com a famlia e amigos, ou seja 69,4% (Figura B-1, Anexo B), e 48,6% contactaram com os F/A pelas RS para os tranquilizar (Subcaptulo B-4, Anexo B). Segundo a Tabela B-5 (Anexo B), os militares inquiridos revelam que o acesso s RS durante as OPMIL no estrangeiro, so um fator de motivao. Mais concretamente, 69% dos militares que as usaram durante as operaes, afirmam que so motivadoras, dos quais 54% classificam-nas como Muito motivadoras e ainda, 68% classificam o uso das RS como sendo importante, dos quais 50% classificam a importncia como Muito importante (Tabela B-5, Anexo B). 17 O Coronel Fernando Costa atualmente o Comandante do Corpo de Alunos da Academia da Fora Area Portuguesa e foi Comandante de destacamento de F-16 na Islndia na misso Iceland Air Policing. 51 Segundo a Tabela B-16 (Anexo B) as publicaes que a FA faz nas RS so benficas para a moral e motivao dos militares. Prova disso, que 65,8% dos militares sentem orgulho na FA ao verem essas publicaes18 (Tabela B-16, Anexo B). Mais, essas publicaes so um fator motivador para 47,4% dos militares (Tabela B-16, Anexo B). 5.2. Concluso Intermdia Neste captulo, vimos que a motivao dos militares, extremamente importante para o sucesso das operaes (Gonalves, 2015) e que nesse sentido, como refere Jensen (et al., 2014) as RS podem fortalecer a moral e bem-estar dos militares e dos familiares que atravs do seu uso se sentem mais prximos (Jensen et al., 2014). E com este acrscimo de motivao, os militares so mais empenhados nas suas funes (MSimes, 2015). Tambm vimos que Gonalves (2015) e Costa (2015) valorizam bastante as RS e reconhecem que devem ser disponibilizadas aos militares em operaes, o que se verificou com as respostas ao inqurito (Anexo B). Segundo a Tabela B-5 (Anexo B), 69% dos inquiridos encaram as RS como um fator de motivao. Onde 69,4% as usaram para contactar com os F/A (Figura B-1, Anexo B), e 48,6% para os tranquilizar (Subcaptulo B-4, Anexo B). Tambm vimos que as publicaes das RS da FA (RSFA) so um motivo de orgulho para 65,8% de militares e so motivadoras para 47,4% (Tabela B-16, Anexo B). Para alm disso, Costa (2015) refere que as RS so importantes para as operaes da FA pois para alm de motivarem e moralizar os militares, tambm permite que os militares tranquilizem os seus familiares. Desta forma, a anlise bibliogrfica, as entrevistas e os inquritos permitiram concluir que as RS permitem motivar os militares em operaes de duas formas: no uso direto pelos militares e pela divulgao das misses nas RSFA. Assim, validam-se as duas hipteses: O uso das Redes Sociais pelos militares um fator de motivao durante as Operaes Militares e O uso efetivo das Redes Sociais da Fora Area Portuguesa para divulgar as misses motiva e moraliza os militares destacados e contribui para a tranquilidade das suas famlias. 18 Pressupem-se que o sentimento de orgulho referido fortalece o bem-estar e confiana dos militares para com a FA, o que por sua vez se pode traduzir em vontade e coragem para servir, que aqui designamos como moral dos militares. 52 Pgina intencionalmente deixada em branco 53 6. Influncia das Redes Sociais na Opinio Pblica Este captulo estuda diversos casos relacionados com a FA e que permitem perceber a importncia da presena da mesma nas RS. Para alm disso, tambm pretende aferir se o uso institucional das RS, bem como o uso particular pelos seus militares, podem influenciar a OP acerca da imagem da FA e das suas operaes. Se ns no contarmos a nossa histria, algum a contar por ns e hoje em dia muitas histrias so contadas ou ampliadas atravs das RS. Se no tivermos uma presena vincada nas RS bem como relaes fortes com os rgos de comunicao social, as nossas histrias podero ser mal contadas (Mineiro, 2015). No sculo em que estamos, a comunicao fundamental, as pessoas querem ser informadas, sentem que devem ser informadas e que os servios tm obrigao de as informar, refere Mineiro (2015). As pessoas no admitem no ser informadas e no admitem no poder comentar as notcias, acrescenta. Neste sentido, para que a FA receba o apoio das pessoas ter que estar neste fluxo e esforar-se para ser um rgo de informao atualizado que publica a sua misso, o porqu das misses e quais as dificuldades sentidas nas misses. Devemos manter as pessoas informadas para que percebam a nossa existncia (Mineiro,2015). Ao nvel da OP, as RS tanto podem representar uma vantagem como uma desvantagem para a FA e nesse sentido, importante reconhecer as desvantagens e minimiz-las. 6.1. Operao Manatim Na sequncia do Golpe de Estado da Guin-Bissau, em 2012, foi ativada a Fora de Reao Imediata (FRI) no sentido de resgatar os cidados Portugueses daquele Pas se houvesse necessidade. Esta misso ficou conhecida por Operao Manatim (Mineiro, 2015). A FRI traduz a capacidade de Portugal perante os seus cidados a viverem ou trabalharem no estrangeiro que, por razes conjunturais emergentes nos pases hospedeiros, tenham necessidade de receber apoio ou ser resgatados para um local seguro (Mineiro, 2015). Comunicao Pblica: A comunicao/informao pblica acerca do que acontece numa organizao e consequentemente tambm em misso fundamental. Esta visa dar a conhecer s pessoas o que est a acontecer, as razes e ainda 54 esclarecer quais so os meios envolvidos e o que as pessoas podero esperar dessa misso (Mineiro, 2015). Esta operao teve uma forte componente em dois sentidos, por um lado informar as pessoas e por outro lado impedir que alguma informao difundida, independentemente do canal, pudesse prejudicar a misso (Mineiro, 2015). Sempre que a Informao Pblica no funciona ou quando no existem canais abertos entre a comunicao social e os responsveis das FAA, poder dar origem a informao nefasta para o sucesso das operaes. Um exemplo disso foi a falta de canais abertos durante esta operao que levou publicao de uma notcia pela Renascena que veio a inflamar as relaes entre a Guin-Bissau e Portugal (Mineiro, 2015). Apesar de os meios da FRI terem sido divulgados, a verdade que a inexistncia de contactos regulares com a imprensa permitiu que algum os informasse sobre a partida de uma fragata. Esta informao foi tida como um reforo dos meios que Portugal tinha alocado, o que no correspondia verdade (Mineiro, 2015). Mineiro (2015) refere que a relao que a FA procura criar com a comunicao social de transparncia e cumplicidade profissional. Esta relao permite que, da parte dos jornalistas, exista abertura para o contraditrio. Se esta forma de atuar estivesse vertida na estrutura do Comando da FRI talvez a notcia da partida do 3 navio - Foras Armadas reforam meios para eventual resgate de portugueses na Guin- tivesse sido escrita sem empolamentos. Assim, o que resultou para a OP e, fundamentalmente para o Estado da Guin-Bissau foi o reforo de meios por parte de Portugal (Mineiro, 2015). 6.2. Caso Resort 4 Estrelas No dia 05 de Maio de 2012, foi noticiado no website do Jornal de Notcias (JN) e no dia seguinte publicado no jornal impresso que parte do contingente militar destacado para a eventual misso de resgate de portugueses na Guin-Bissau estava alojado h trs semanas, num resort turstico de quatro estrelas em Cabo Verde. Estes 36 militares, que faziam parte da FRI, devido s condies em que estavam alojados deixou perplexos turistas e segundo a mesma fonte, as Foras Armadas garantem que a situao normal, quando no existem instalaes militares adequadas para alojar as tropas. Um dos turistas comenta ao JN que os militares passam muito do seu tempo na praia, na piscina ou a passear e salienta ainda que, 55 ao passo que os turistas tm que pagar pela viagem, estes militares esto a receber o salrio pago pelo Estado e ainda tm todas as despesas pagas" (MONTEIRO; BARBOSA, 2012) A notcia foi explicada ao JN pelo Estado-Maior-General das Foras Armadas (EMGFA) dizendo que a misso exigia uma intensa atividade operacional, da qual as pessoas no se aperceberiam (MONTEIRO; BARBOSA, 2012). O Public Affairs Officer (PAO) da operao em causa, Operao Manatim, interveio imediatamente nas RS para explicar que numa operao existiam fatores fundamentais para assegurar que a misso fosse cumprida, nomeadamente a segurana fsica e alimentar dos militares (Mineiro, 2015). No mbito desta operao, o PAO, usou todas as ferramentas ao dispor da FA para fazer monitorizao, controle e divulgao da misso. As ferramentas usadas foram unicamente as da FA, j que o EMGFA no as tem (Mineiro, 2015). O que assume uma acrescida importncia, j que As RS foram um rgo difusor desta notcia e esse um fator que temos que ter sempre em conta (Mineiro, 2015). A notcia em causa obteve 21435 visualizaes s no endereo da notcia do JN e foi partilhada por 92 pessoas no Facebook, no tendo sido apuradas quantas vezes a notcia foi re-partilhada nas RS. Salienta-se tambm que esta notcia recebeu 187 comentrios no endereo prprio da notcia, dos quais se destacam numerosos comentrios depreciativos s Foras Armadas e FA em especfico (MONTEIRO; BARBOSA, 2012). 6.3. Caso TugaLeaks O TugaLeaks um website de publicao de notcias online onde vrias pessoas podem escrever e comentar, e foi criado numa era onde a informao estava na Internet e no em papel. Este website d muito valor aos comentrios s notcias feitos pelas pessoas que publicam pois, permitem complementar a () notcia e acrescentar um valor humano e singular do ponto de vista de um cidado comum notcia redigida e apreciado o poder de cada cidado em contribuir ativamente para uma notcia (TugaLeaks, [2014]). No dia 08 de Fevereiro de 2013, o TugaLeaks publica uma Denncia intitulada Coronel da Fora Area faz jantar de aniversrio da me na Base Area de Beja. Segundo a mesma, os militares que serviram o jantar demonstraram indignao com a situao, os convidados no eram militares e tiveram ainda direito a um motorista 56 e um autocarro, ambos da Fora Area e deixa no ar a questo quem que ir pagar toda a festa de anos da me do Coronel (Cruz, 2013). At data, a notcia teve 2966 partilhas nas RS e recebeu 27 comentrios s no website oficial do TugaLeaks (Cruz, 2013), no foi apurado a totalidade de comentrios notcia que se fizeram nas RS, no entanto, o grupo de Facebook Anonymous Portugal e Indignados Lisboa partilharam a notcia no Facebook no prprio dia e 4 dias depois, respetivamente. A notcia partilhada pelo Anonymous Portugal foi partilhada por 117 pessoas (Anonymous, 2013) e a notcia partilhada pelo grupo Indignados Lisboa foi partilhada por 28 pessoas (Indignados, 2013). Ambas as partilhas dos dois grupos receberam comentrios bastante depreciativos concernentes FA. 6.4. Importncia da FA nas RS A presena nas RS de uma instituio como a FA trs enormes vantagens, de acordo com o Chefe da rea de Informao Pblica da FA. que se no estivermos presentes nas RS, no sabemos o que dizem de ns, no podemos monitorizar, nem podemos intervir. Devido ao alcance proporcionado pelas RS, estas permitem FA atingir uma grande quantidade de pblico, o que permite divulgar e promover a imagem da instituio, mostrar s pessoas o que fazemos e como fazemos, bem como intervir face s notcias e comentrios, se for caso disso. Assim, o uso das RS permite atingir os grandes objetivos da informao pblica da FA que so: informar, divulgar e instruir as pessoas. Informar no sentido de dizer o que fizemos, divulgar no sentido de afirmarmos o que fazemos e instruir no sentido de ensinar as pessoas o que fazemos, porque fazemos e como fazemos (Mineiro, 2015). Como afirma Mineiro (2015) a representao institucional da FA nas RS cria laos e melhora a relao das pessoas com a instituio, fazendo com que as pessoas queiram intervir nas nossas RS e ainda com que as pessoas se sintam mais esclarecidas e motivadas para aceitar as notcias respeitantes FA. Por exemplo, se as pessoas compreenderem as misses da FA bem como os motivos associados aos gastos oramentais, sero mais compreensivas quando surgirem notcias como as referidas; ou por outro lado, permite que as pessoas tenham uma noo crtica realista, favorvel FA, quando se cruzarem com notcias e comentrios pejorativos disseminados nas RS (Mineiro, 2015), vejam-se os exemplos em baixo, que 57 demonstram diferentes tipos de comentrios feitos acerca da notcia expressa anteriormente em Caso Resort 4 estrelas: Figura 6 - Comentrios no JN (MONTEIRO; BARBOSA, 2012). Em cima: comentrio pejorativo contra os militares; em baixo: algum que defende a misso dos militares Figura 7 - Comentrios no JN (MONTEIRO; BARBOSA, 2012). Em cima: comentrio de um provvel militar que se revolta contra outros comentrios; Em baixo: comentrio de um suposto ex-combatente que entra em conflito com o comentrio de cima. 58 Figura 8 - Comentrio no JN (MONTEIRO; BARBOSA, 2012) de um provvel militar revoltado contra os comentrios da Opinio Pblica. Por outro lado, e continuando a seguir Mineiro (2015) a presena da FA nas RS permite no s que as pessoas percebam melhor a nossa misso e a realidade da FA, mas tambm permite monitorizar o que se publica nas RS, no sentido de encontrar e sugerir correes a publicaes feitas acerca da FA ou pelos prprios militares do Ramo e que possam estar a degradar a imagem da instituio (ver as Figuras 6,7 e 8) ou que prejudiquem a segurana da misso. Se no tivermos representao nas RS, no temos este Awareness (Mineiro, 2015). Segundo Mineiro (2015), tambm no contexto internacional importante e vantajoso para as operaes da FA o uso das RS, que, dado o alcance que poderemos ter com essas publicaes, poderemos influenciar a OP internacional. Alis, esta ideia materializa-se nos exerccios que a FA organiza. Aqui, existe a preocupao de divulgar a misso em portugus e ingls, o que contribui para uma influenciar a OP (Mineiro, 2015). No caso particular de cada militar, Mineiro (2015) refere que, se existir a conscincia para as questes de segurana nas RS, ou para a preservao da imagem da instituio ou ainda a conscincia para as potencialidades da RS, ento todos os militares podem contribuir com as suas publicaes para influenciar positivamente a OP. Por exemplo, de acordo com Mineiro (2015), num cenrio em que a FA est envolvida numa misso de ajuda humanitria no estrangeiro, as publicaes individuais dos militares constituintes da misso nas suas RS, e onde sejam colocadas fotos, vdeos, texto que mostre essa ajuda algo que pode ajudar a promover a imagem da FA e das FAA (Mineiro, 2015). Desta forma, a OP pode ser influenciada positivamente atravs das publicaes dos militares e das RSFA. 59 Face ao expendido e segundo Nunes (2012), se confrontando as pessoas com certas notcias ou informaes acerca da FA, possvel influenciar as suas opinies, ento, a OP pode ser influenciada positivamente atravs das publicaes nas RSFA que, por sua vez, ao serem partilhadas pelos militares da FA nas suas RS pessoais, alcanam uma audincia maior (Nunes, 2012). Anlise dos inquritos (Anexo B): No sentido do disposto anteriormente, 45,6% dos militares inquiridos reconhecem que as RS permitem influenciar a OP em nosso favor (Stimo pargrafo do Subcaptulo B-8, Anexo B). Segundo a Tabela B-16 (Anexo B), 88,4% dos inquiridos que j tiveram conta nas RS conhecem as RSFA, onde se destaca o Facebook que a RSFA mais conhecida, que conta com 98,7% de militares. de realar, ainda na mesma tabela, que 79% esto atentos s publicaes da FA (Tabela B-16, Anexo B). Tambm se acrescenta que, segundo a Figura B-6 (Anexo B), 50% dos militares comentam as publicaes da FA muitas vezes, esporadicamente ou raramente o que demonstra interesse pelas publicaes da FA. A Tabela B-17 (Anexo B) revela que a maioria dos militares, que tem conta nas RS e conhece as RSFA, j partilhou as publicaes da FA nas RS, representando 64,5% (Tabela B-17, Anexo B). Segundo a mesma tabela, as intenes de cada militar ao faz-lo variam, j que a maioria dos militares partilha as publicaes das RSFA para promover a imagem da FA (56,6%) e para promover a misso da FA (53,9%) (Tabela B-17, Anexo B). Neste sentido, se os militares divulgam as publicaes que promovem a imagem da FA e das operaes, estaro a influenciar positivamente a OP, o que resulta numa vantagem no contexto deste captulo. E tambm, segundo a Tabela B-18 (Anexo B), 78% dos militares que sentem orgulho ao verem as publicaes das RSFA, partilham essas publicaes (Tabela B-18, Anexo B). O que significa que essa percentagem de militares sente vontade de partilhar esse sentimento com a OP, o que, segundo Mineiro (2015), ajuda a potenciar a imagem da FA e das suas operaes. 6.5. Concluso Intermdia A opinio das pessoas acerca das Foras Armadas varivel. uma guerra de opinies e crticas quotidianas que habitam e so potenciadas pelas RS, vejam-se as Figuras 6,7 e 8. 60 O Major Mineiro da FA destaca esta realidade e alega que a FA deve preocupar-se em formar e sensibilizar os seus militares para o trato com as RS, nomeadamente ao nvel dos esclarecimentos de outros comentrios, informando a OP acerca do que fazemos, como fazemos e porque fazemos, sabendo contar as histrias da FA, promovendo a sua imagem sem pr em causa a segurana das operaes e acima de tudo saber quem contactar em caso de dvidas nestas matrias (Mineiro, 2015). Tal como referido nas concluses no Subcaptulo 5.2, as publicaes das RSFA moralizam os militares por gerarem um sentimento de orgulho (Tabela B-16, Anexo B) e aliado a isso, 78% dos militares que sentem orgulho ao verem as publicaes das RSFA, partilham essas publicaes (referido no Subcaptulo 6.4 e Tabela B-18, Anexo B), o que ajuda amplificar a imagem da FA e das operaes. Para alm disso, a anlise dos inquritos expressa no subcaptulo 6.4 permite concluir que a maior parte dos militares que partilham as publicaes das RSFA fazem-no para potenciar a sua imagem (Tabela B-17, Anexo B). Podemos ento concluir que O uso das Redes Sociais, de forma individual e institucional, para potenciar a imagem da Fora Area Portuguesa, influencia positivamente a Opinio Pblica acerca das Operaes Militares. Assim, valida-se a hiptese. 61 7. (In)segurana nas Redes Sociais Neste captulo iremos analisar as potencialidades e os perigos inerentes utilizao das RS e que podem amplificar ou comprometer as OPMIL da FA. Assim, neste captulo sero demonstrados os perigos que as RS comportam para as OPMIL, quais os comportamentos que os militares devero adotar nas RS, como se comportam de facto os militares nas RS e por ltimo ser feita a comparao da FA com outras foras militares. O adversrio est presente nas RS, blogs e fruns, atento para encontrar todas as informaes sensveis acerca dos objetivos militares. Assim, imperativo que todos os militares e as respetivas famlias compreendam a importncia de praticar bons comportamentos que no comprometam a segurana das OPMIL - Sergeant Major of the Army Kenneth O. Preston19 (OTCPA, 2011) Segundo Valente (2015)20, as RS so sem dvida uma ferramenta de apoio s OPMIL, trazendo potencialidades, mas tambm contemplando perigos. Tal significa que o uso deste veculo de informao social, pode potenciar as operaes da FA ou, e seguindo Valente (2015), se no se controlar este veculo de informao, o mesmo poder virar-se contra ns. Controlando o nosso veculo e estando atento ao adversrio, reduzimos os riscos de quebras de segurana e potenciamos o nosso SA (Valente, 2015). 7.1. Perigos das Redes Sociais Como vimos afirmando as RS podem ser um forte apoio na obteno de SA contra o adversrio mas ao mesmo tempo, tal como refere Valente (2015) poderemos ser ns a fonte de SA do mesmo e nesse sentido, a FA tem que se proteger, dando conhecimento e sensibilizando os seus militares (Valente, 2015). O ser humano uma barreira frgil no que toca segurana ciberntica e tanto os hackers como os manipuladores sociais sabem disso. As suas aes aparentam ser inofensivas e legitimas e com elas tentam enganar as pessoas por forma a ultrapassarem as barreiras de segurana (BDS, 2010), o que segundo Valente (2015), pode resultar em graves consequncias para o militar, para a famlia ou para as operaes da FA. No mesmo sentido, MSimes (2015) constata que muito difcil 19 Sergeant Major of the Army o posto mais alto dos sargentos no U.S. Army 20 O Major Antnio Valente Chefe da Repartio de Tecnologias da Informao (DCSI). Como Chefe da Seco de Ciberdefesa, responsvel por monitorizar as condies de segurana da FA, fazer auditorias de segurana e ajuda na elaborao de normas de segurana. 62 (seno impossvel) controlar o que os militares publicam nas RS, sendo extremamente fcil que atravs de um comentrio ou uma fotografia, sejam divulgados elementos que podem comprometer a segurana das operaes (MSimes, 2015). Com a proliferao dos Smartphones, com capacidade de geolocalizao, fotografar, filmar e publicar diretamente nas RS, esta realidade no est longe da FA. Vejamos. Anlise dos inquritos (Anexo B): segundo a Tabela B-8 (Anexo B), os Smartphones so sistemas banais de se encontrarem nos militares em operaes. Mais concretamente, 90% dos militares inquiridos j teve e 73,3% tinha-o durante a misso (Tabela B-8, Anexo B). Adiante, segundo a NSA [2015]21, as RS promovem o comportamento social e encorajam os users a partilharem informao e a confiarem naqueles a que esto conectados dentro das RS. No entanto, assim que uma informao publicada nas RS, deixa de ser privada e mesmo que o website tenha boas definies de privacidade, existem muitas aplicaes de RS instaladas inconscientemente e que permitem aos hackers o acesso s informaes do equipamento (NSA, [2009]). At mesmo publicaes que, partida podem parecer triviais, podem ser perigosas, podendo resultar em fatalidades (OTCPA, 2011). Os inimigos procuram todas as informaes possveis em blogs, fruns, chats e websites que contenham informaes pessoais como o Facebook, Twitter, entre outros, para montarem um puzzle informativo que os possibilite atacar um alvo (OTCPA, 2011). Valente (2015) refere que um adversrio ou uma diviso da FA que possua uma equipa de especialistas na rea de anlise da informao em RS e que esteja atento aos posts consegue fazer um mapa de um destacamento com base nessas publicaes (sejam fotografias, vdeos ou textos publicados). Tal possvel devido s tcnicas de engenharia social. Porque facilmente se adiciona uma amizade nas RS, podendo-se tratar de um adversrio, que depois de estar dentro da nossa RS, pode publicar fotografias fazendo parecer que tambm um militar da FA e facilmente adicionado por outros amigos nossos. A certo ponto, esse agente ter adicionado tantas amizades de militares portugueses que lhe permitir fazer um mapa dos destacamentos a decorrer e com essa informao poder comprometer as OPMIL da FA e no s (Valente, 2015). 21 NSA refere-se National Security Agency, a Agncia de Segurana Nacional dos EUA. 63 No quadro das ameaas segurana das OPMIL, ENISA (2007) enquadra as seguintes no mbito das RS: - Agregao de dados: os perfis das RS podem ser descarregados para uma base de dados (onde podem constar informaes como: nome, idade, morada, local de trabalho, familiares, amigos, animais de estimao, gostos, locais de preferncia, etc.) (ENISA, 2007). Anlise dos inquritos (Anexo B): A Figura B-4 (Anexo B) evidencia esta ameaa. 73% dos militares inquiridos, no se preocuparam em remover das RS tudo o que os pudesse identificar como militares, antes de ingressarem na misso, (Figura B-4, Anexo B) - Agregao de dados secundrios: para alm da informao constante nos perfis, possvel recolher outros dados de cariz pessoal nas RS, atravs dos posts e fotografias, por exemplo (ENISA, 2007). Valente (2015), afirma que atravs das RS podemos descobrir as pegadas dos nossos alvos na forma de posts, tweets, dados pessoais e outras informaes publicadas pelo pblico-alvo. Se depois pegarmos em todos esses dados e informaes recolhidas, fizermos a filtragem e cruzamento podemos gerar conhecimento. Dados geram informao e informao gera o conhecimento (Valente, 2015). Nesse sentido, Marques (2015)22 refere que um adversrio que procure informaes nas RS, ao analisar uma fotografia de um militar ir retirar dela tudo o que seja informao classificada, como por exemplo: armamento, aeronaves e a posio geogrfica desses elementos (Marques, 2015). Anlise dos inquritos (Anexo B): A Tabela B-7 (Anexo B), demonstra que este perigo uma realidade na FA j que 29,2% dos militares que usaram as RS durante misso fizeram publicaes que mencionavam o local, com quem estavam no momento e/ou identificaram os camaradas (Tabela B-7, Anexo B). - Reconhecimento facial: as fotografias so muito populares nas RS e podem servir para se identificar algum e procurar mais informaes acerca dessa pessoa noutras RS (ENISA, 2007). - Content-based Image Retrieval (CBIR): uma tecnologia em ascenso que permite relacionar caratersticas de uma imagem com uma base de dados e assim saber o local em que a fotografia foi tirada (por exemplo, atravs de uma pintura de 22 O Major Jos Marques atualmente Adjunto para os Sistemas de Informao (EMFA-DIVCSI). 64 quarto com caratersticas particulares, possvel identificar onde esse quarto se encontra, se este estiver presente nessas bases de dados gigantes (ENISA, 2007). - Click-jacking: Consiste em disponibilizar hiperligaes que aparentam ser inofensivas mas que, quando clicadas, podem significar aes diferentes das pretendidas pela pessoa e que so executadas inconscientemente (FBI, [2015]). Na verdade, ao clicar numa hiperligao deste tipo podemos estar a fazer download de malware ou a enviar o nosso IP para um website de destino. Ao nvel das RS, algumas tticas de click-jacking foram usadas onde as hiperligaes maliciosas se encontravam camufladas nos botes de Like e Share. (FBI, [2015]) - Doxing: publicar informaes de identificao pessoal de terceiros incluindo o nome completo, a data de nascimento, a morada e imagens, retirados das RS. Essas informaes podem ser acerca do prprio, de familiares ou amigos. (FBI, [2015]) - Aliciao: Conversa estratgica com o intuito de extrair informaes das pessoas sem que as mesmas sintam que esto a ser interrogadas. (FBI, [2015]) - Pharming: Redireccionamento dos users de websites legtimos para websites fraudulentos com o propsito de extrair dados confidenciais ou infetar o equipamento. (FBI, [2015]) Exemplo de caso: um social engineer que atravs de conversas nas RS, consegue que o seu alvo aceda ao website da FA, que aparentemente corresponde ao website real da FA, mas que na verdade uma cpia (cpia feita pelo hacker). Quando a vitima tiver acedido ao website falso, estar a abrir a porta ao adversrio para obter informaes como passwords, conversas acerca de operaes, entre outras informaes importantes (FBI, [2015]). Phishing envio de correio eletrnico que aparenta ter sido enviado por uma pessoa ou organizao legitima, mas que pelo contrrio, contm um link ou um ficheiro com malware. Se este ataque for direcionado para um alvo especfico (organizao ou pessoa), trata-se de spear phishing. O phishing pode ainda ser realizado atravs do envio de links maliciosos nas RS. (FBI, [2015]) Esta tcnica pode ainda ser usada com o intuito de ganhar acesso integral a uma conta nas RS, permitindo ao atacante saber tudo o que o alvo tem nas RS e inclusive fazer publicao como se fosse o responsvel por essas contas (Valente, 2015). Fraude ciberntica: o adversrio pode aproveitar eventos populares e notcias como um isco para que os militares abram correio eletrnico ou visitem websites infetados (FBI, [2015]). 65 Personificao acontece quando o atacante finge ser um amigo de um alvo nas RS, influenciando-o a fornecer informao privada ou a fazer download de aplicaes ou contedos maliciosos (NSA, [2009]). Contedo malicioso (malware) as RS permitem que os users partilhem vrios tipos de multimdia, desde imagens, a clips de vdeo e documentos (NSA, [2009]). Estes contedos podem ser instaladas sem o conhecimento do user e executam aes com diversos fins, desde furto de passwords at apropriao da capacidade de computao (RFA390-6, 2011). Fuga de informao involuntria As fugas de informaes acerca das OPMIL podem ocorrer inconscientemente, quando um militar faz publicaes que no deveria sem se aperceber da informao que est a expor (Gonalves, 2015). Ou pode ainda ocorrer quando os familiares, pouco conscientes dos perigos das RS, fazem publicaes que podem comprometer as OPMIL (Mineiro, 2015). Anlise dos inquritos (Anexo B): Na Figura B-5 (Anexo B), constata-se que 47% dos militares afirmam que os familiares e/ou amigos (F/A) chegaram a fazer publicaes nas RS que mencionavam a misso em que os militares estavam envolvidos (Figura B-5, Anexo B). Com o inqurito realizado, foram aferidos ainda que tipo de informaes foram dadas aos F/A acerca da misso, onde se destaca que 70% dos militares, informaram sobre o local e a data da misso aos familiares e/ou amigos (Tabela B-10, Anexo B). Mais, segundo a Tabela B-11 (Anexo B) 13,3% dos militares inquiridos assumiram que no consciencializaram os F/A acerca dos perigos das RS, dos quais 3,3% de militares acreditam que no tm que ter cuidados nas RS (Tabela B-11, Anexo B). Geotagging Com novas tecnologias surgem novos riscos. Tem-se notado o aumento de popularidade de aplicaes que permitem geolocalizao de publicaes nas RS, no entanto, a exposio da geolocalizao das publicaes pode, em certas situaes, ser devastador para as OPMIL (OTCPA, 2011). O Geotagging uma tecnologia que faz a identificao geogrfica automtica de fotografias, vdeos, websites e mensagens de texto atravs de aplicaes de localizao. Permite que as pessoas encontrem imagens e informaes comuns localizao do telemvel ou computador (AFPAA, 2013). Os militares devem ter em especial ateno a no permisso desta caraterstica nos telemveis bem como a no utilizao de aplicaes de localizao durante as operaes. O Geotagging representa srios riscos de segurana pessoal e operacional (AFPAA, 2013). 66 Steve Warren refere que hoje em dia, em quase todos os Smartphones existe GPS integrado e em cada fotografia tirada com esse telemvel, estaro identificadas as coordenadas geogrficas onde essa fotografia foi tirada (Rodewig , 2012). Com as tecnologias atualmente existentes e as aplicaes de telemvel facilmente acessveis, existe sempre o perigo do militar estar a ser seguido e involuntariamente dar informaes sobre a localizao onde esse telemvel est, bem como ao fazer posts nas RS estar a informar publicamente onde se est devido geolocalizao, tal corroborado por Marques (2015) que acrescenta que isso representa uma ameaa para os militares da FA pois pode indicar onde esto a decorrer OPMIL e os trajetos que foram feitos (Marques, 2015). Neste sentido, a problemtica do Geotagging foi aprofundada pelos inquritos (Anexo B). Anlise dos inquritos (Anexo B): A Tabela B-8 (Anexo B) revela que 26,7% dos militares inquiridos no sabem o que o Geotagging (Tabela B-8, Anexo B). Para alm disso, tambm se demonstra na mesma que 16,7% dos militares inquiridos tinham o Smartphones durante a misso e ignoram o que o Geotagging (Tabela B-8, Anexo B). Pior ainda, que segundo a Tabela B-9 (Anexo B), de um grupo de militares que no sabem o que o Geotagging e usaram as RS durante a misso, constata-se que 58,8% tinham consigo o Smartphones abrindo a possibilidade das operaes serem geolocalizadas pelo adversrio (Tabela B-9, Anexo B). 7.2. Casos Estudo 1- Em 2007, o Geotagging conduziu a uma situao catastrfica. Segundo Steve Warren, aps ter chegado a uma base no Iraque uma nova frota de helicpteros AH-64 Apaches, alguns militares tiraram fotografias e publicaram-nas na Internet, sem terem tido o cuidado de retirar a opo de Geotagging dos seus telemveis. Atravs dessas fotografias, o inimigo foi capaz de saber a localizao exata dos helicpteros e destruiu 4 dos helicpteros com um ataque de morteiro (Rodewig , 2012). 2- Em Maio de 2009 o Facebook foi usado por indivduos fraudulentos que contataram com os familiares do pessoal militar destacado dos EUA. Fizeram-se passar por soldados e informaram os avs dos alvos de que estavam a regressar da misso no Iraque pedindo que isso se mantivesse em segredo para que pudessem surpreender os pais (BDS, 2010). Mais tarde, pediram aos avs o envio de grandes quantidades de dinheiro para pagar os custos das reparaes do carro (BDS, 2010). http://www.army.mil/search/articles/index.php?search=Cheryl+Rodewighttp://www.army.mil/search/articles/index.php?search=Cheryl+Rodewig67 3- Depois da morte de Osama Bin Laden em 2011, foi publicado um vdeo no Facebook que garantia mostrar a captura do mesmo. Esse vdeo era falso e quando os users clicavam no vdeo, era-lhes imposta a necessidade de copiar um cdigo de JavaScript para a barra do browser (FBI, [2015]). Ao fazerem-no, estavam tambm a partilhar automaticamente esse vdeo para a rede dos amigos no Facebook, bem como permitiam aos hackers acesso completo s contas das vtimas. (FBI, [2015]) 4- Em Julho de 2014 Alexander Sotkin, um jovem militar Russo, publicou selfies no Instagram que o localizavam em territrio Ucraniano. Para alguns, significou uma excelente fonte de INTEL cujo significado era a presena declarada dos militares Russos no Este da Ucrnia, para outros significou apenas um erro por deixar essas fotografias com o Geotagging ativado (Jensen, et al., 2014). 7.3. Comportamento dos Militares nas Redes Sociais A principal preocupao ao usar as RS a segurana das operaes. As OPSEC (Operations Security) so cada vez mais importantes, uma vez que as RS so um meio de transmisso de informao que est a crescer muito rapidamente (OTCPA, 2011). Acerca da Segurana das Operaes, o DoD (2011) refere que todo o pessoal (onde se incluem as famlias e amigos do pessoal de servio) tem a responsabilidade de se assegurar que nenhuma informao publicada nas RS possa constituir perigo para os militares ou que possa ser usada pelos adversrios como uma oportunidade de causar dano aos militares (DOD, 2011). Entre o tipo de informaes possvel encontram-se as informaes tcnicas, horrios e datas de movimentos militares, localizao de unidades militares, detalhes sobre armamento ou discusso sobre locais a frequentar pelos militares (DOD, 2011). Na tica dos EUA, quando um militar usa as RS deve-se reger constantemente pelas normas de conduta. Ou seja, fazer comentrios ou qualquer tipo de publicaes que violem os regulamentos e as regras bsicas de conduta militar, so procedimentos proibidos (OTCPA, 2011). As RS do a possibilidade aos militares de se expressarem, no entanto, mesmo fora de servio, esto sujeitos a regulamentos prprios e por isso, denegrir a imagem dos militares ou publicar informao sensvel punvel. Ainda segundo a mesmo fonte, importante que todos os militares saibam que nas RS tambm esto a representar as Foras Armadas (OTCPA, 2011). 68 Marques (2015) afirma que as RS devem ser encaradas pelos militares da FA como algo que pode trazer consequncias reais, como tal, os seus comportamentos nas RS devero ser sempre cuidados tal como so no seu dia-a-dia. Somos militares 24 horas por dia e estamos sujeitos ao Regulamento de Disciplina Militar (RDM), o que implica que o nosso comportamento esteja sempre sujeito s suas normas. Refere ainda que, sempre que tivermos um comportamento imprprio nas RS podemos ser punidos tal como se o fizssemos num caf com amigos. por isso imperativo que os militares tenham sempre a noo dos deveres militares que juraram cumprir e quais os comportamentos que devem ter (Marques, 2015). Na generalidade, os militares da FA tm a plena conscincia de que tm o dever de respeitar os regulamentos aos quais esto sujeitos, mas por outro lado, no tm a adequada noo do perigo que a comunicao atravs das RS pode representar para as operaes. Ainda segundo Marques (2015) existe a necessidade, na FA, de criar polticas e sensibilizar os militares para a realidade das RS (Marques, 2015). No caso particular dos EUA, este tipo de sensibilizao e criao de polticas abundante e est acessvel a qualquer pessoa que visite as pginas oficiais de diversos rgos de defesa, dos quais se destacam: DoD, U.S. Army, U.S. Air Force, U.S. Navy e U.S Marine Corps. Nas publicaes feitas pelos rgos supra referidos, so mencionados diversos documentos pelos quais os militares se devero reger bem como os comportamentos que devero adotar nas RS. Dos vrios perigos das RS, um que se destaca o Geotagging e nesse sentido, segundo o OTCPA (2011), os militares nunca devero identificar geograficamente as publicaes nem usar aplicaes nas RS que possibilitem a geolocalizao seja em operaes, treino ou de servio em locais cuja identificao espacial em formato de coordenadas, possa danificar as OPMIL. Nesse sentido, enquanto em operaes, os militares devem desativar a funo GPS dos seus Smartphones. Caso contrrio, as OPMIL podero ser comprometidas (OTCPA, 2011). Outros comportamentos a adotar pelos militares nas RS consistem em evitar mencionar o posto, localizao da base, datas dos destacamentos, nomes, especificaes e capacidades de equipamento (OTCPA, 2011). Um dos grandes desafios das RS para as OPMIL que se consiga separar a esfera pessoal da esfera profissional, refere EC (2015). Ou seja, vejamos o exemplo: os militares em operaes so vrias vezes alvos de seduo por parte de outros 69 users das RS. Na verdade, muitos desses so espies que constroem perfis falsos e seduzem militares atravs das fotografias de perfil e pelas conversas. Depois dos militares se deixarem seduzir, o espio tem oportunidade de recolher muitas informaes secretas, nomeadamente (informaes acerca de armamento, data e local de futuras operaes, etc.) (EC, 2015). 7.3.1. Conscincia de Segurana dos Militares da FA Mineiro (2015) refere que ao nvel da FA, ainda no existe conscincia de segurana por parte dos militares em misses, como tal o mesmo autor garante que se fizermos uma pesquisa aos perfis dos militares em operaes internacionais, iremos encontrar quebras de segurana nas suas publicaes. Ainda segundo o mesmo, as questes de segurana nas RS no devem ser encaradas como algo do senso comum, antes pelo contrrio, devem ser dadas instrues claras e precisas como forma de diminuir ou anular publicaes prejudiciais. Mineiro (2015) chegou a identificar e intervir em quebras de segurana por parte de alguns militares em misses internacionais. Estas falhas estavam relacionadas com determinadas publicaes onde era possvel identificar quem era o user, que o mesmo era militar da FA e onde se encontrava a prestar servio no momento (Mineiro, 2015). No sentido do disposto, vejamos a anlise do inqurito (Anexo B). Anlise dos inquritos (Anexo B): Tal como referido no subcaptulo 7.1, 29,2% dos inquiridos identificaram as suas publicaes com o local, e/ou com quem estavam durante o tempo da misso (Tabela B-7, Anexo B). Outro dos perigos tem a ver com a exposio pblica da profisso dos militares, j que apenas 23% dos inquiridos preocuparam-se em descaraterizar23 as RS antes de ingressarem nas misses, tal como demonstra a Figura B-4 (Anexo B). No entanto, a Tabela B-4 (Anexo B) revela tambm que a grande maioria dos militares, isto , 87,8% dos militares inquiridos, acredita que as RS podem conduzir a quebras de segurana (Tabela B-4, Anexo B). Segundo a Tabela B-6 (Anexo B), 95,6% dos militares que usaram as RS em misso contataram com os familiares e/ou amigos pelas RS e desses, segundo a Figura B-3 (Anexo B) 88,9% contactaram atravs das mensagens privadas nas RS (atravs do chat), o que segundo Mineiro (2015) pode ser uma forma segura de conversar com os familiares. Como tal, Mineiro (2015) refere que para alm da 23 Por descaraterizar entende-se retirar das RS tudo o que possa identificar o indivduo como militar. 70 descaraterizao das RS, os militares devem ter a conscincia dos perigos que podem afetar as operaes e agir em conformidade, nomeadamente, briefar as famlias e combinar cdigos para poderem falar em segurana nos chats das RS (Mineiro, 2015). Nesse sentido, demonstra-se um exemplo chat, na Figura 9: Figura 9 - Conversa em cdigo entre um militar e a sua me, atravs do chat do Facebook. 7.4. Realidade da FA quanto aos Perigos das RS Marques (2015) e Mineiro (2015) referem que no existem polticas nem doutrinas na FA que uniformizem e regulem a utilizao das RS. Mineiro (2015) acrescenta que no so feitas suficientes aes de sensibilizao aos militares acerca desta temtica e deveria haver uma maior preocupao hierrquica24 acerca desta realidade (Mineiro, 2015). De acordo com Mineiro (2015), esta realidade parece resultar da perceo de que devemos ter uma presena nas RS, no se identificando, no entanto, toda a amplitude do uso das RS, nomeadamente ao nvel das capacidades disponveis e dos perigos que podem comprometer as operaes (Mineiro, 2015). 7.4.1. Experincia Segundo Costa (2015), as RS podem comprometer uma operao. Enquanto comandante de destacamento na Islndia, uma das grandes preocupaes consistiu 24 Por preocupao hierrquica entende-se como a preocupao das hierarquias competentes para criao das Ordens de Operaes e outros documentos que devam refletir a adequada integrao das RS nas OPMIL. 71 em controlar a informao que era publicada nas RS pelos militares destacados, dada a quantidade de meios que permitem veicular informao classificada para essas plataformas e a dificuldade que existe em controlar. Para o efeito, com a cooperao de um oficial das RP, foi dada liberdade aos militares para que pudessem publicar nas RS, ao mesmo tempo que essa informao era monitorizada e filtrada, satisfazendo assim os elementos do destacamento por verem algum do seu trabalho e experincias a serem publicadas, ao mesmo tempo que se garantia o controlo parcial da situao. Parcial, porque o controle das publicaes nas RS nunca absoluto (Costa, 2015). Costa (2015) refere ainda que desde a preparao do destacamento, nos briefings, foi altamente ampliado que durante a operao seria difundida nas RS todo o tipo de publicaes que os militares quisessem desde que no comprometessem a segurana das operaes. Nesse sentido, as publicaes eram primeiro monitorizadas e avaliadas em termos de segurana para depois serem publicadas num blog no website do EMFA25, criado para o efeito, onde desde o incio do destacamento se publicou informao acerca da operao, fotografias e entrevistas onde os militares retratavam o seu dia-a-dia. Muitas das publicaes nesse blog eram depois republicadas nas RSFA e eventualmente nas RS pessoais de cada militar. Costa (2015) constata ainda que o facto de algum se encarregar de publicar o trabalho dos militares no destacamento, faz com que os prprios no tenham tanta necessidade de o fazer no perfil pessoal e muitas vezes comprometendo a segurana das operaes (Costa, 2015). Esta prtica foi assumida pelo comandante do destacamento referido, por opo e experincia prpria, j que o mesmo participa nas RS e conhece os perigos e vantagens das RS em OPMIL (Costa, 2015). Costa (2015) aponta que na FA ainda no existe formao nem sensibilizao dos comandantes no mbito das RS apesar de ser uma formao importante e que, neste momento, a formao de cada militar deriva apenas da experincia de uso pessoal das RS (Costa, 2015). 7.4.2. Consciencializao No mbito da FA necessria a sensibilizao dos militares e a criao de polticas e guias prticos de utilizao das RS e das tecnologias (tal como existe nos EUA). Ou seja, no basta criar polticas pois estas s sero eficazes se forem 25 EMFA o Estado-Maior da Fora Area Portuguesa. 72 cumpridas, refere Marques (2015). As polticas regulam como deve ser o comportamento do militar, nomeadamente na esfera das RS. Por isso, abaixo das polticas tero que haver outras literaturas e aes que expliquem o que que o militar deve fazer para cumprir as polticas e isso torna-se possvel atravs dos seguintes exemplos: links no website da FA e nas RSFA que remeta para questes frequentes (FAQs), exemplos prticos, guias, ensino nas instituio acadmicas militares, casos estudo, distribuio de panfletos, palestras, apresentao de filmes, entre outros. Continuando a seguir Marques (2015), todos estes mecanismos permitem efetivar na prtica a poltica. No fundo, trata-se de consciencializar os militares acerca da problemtica em questo, sendo esta ao ainda mais importante do que a prpria poltica que surge como enquadradora (Marques, 2015). Esta preocupao existe no RFA 390-6 que revela que a falta de cultura de segurana traduz-se essencialmente num problema organizacional motivado pela incompreenso e, consequentemente, pelo incumprimento dos regulamentos e procedimentos de segurana aprovados. Se os recursos humanos no possurem a formao e o treino adequados no podero prevenir, detetar e reagir aos incidentes de segurana, tornando-se assim mais vulnerveis a ataques de engenharia social (RFA390-6, 2011). Em 2015, Gonalves (2015) ainda alerta para uma ingenuidade muito grande por parte das pessoas no que toca a matrias relacionadas com as quebras de segurana ao nvel das RS e que na maior parte das vezes so inconscientes. Tal seria facilmente resolvvel com explicaes, instrues e briefings. Salienta ainda que enquanto esteve em operaes no Afeganisto no recebeu nem soube de ningum que tivesse recebido qualquer briefing acerca da utilizao das RS (Gonalves, 2015). Por outro lado, EC (2015) revela que atualmente so feitas aes de sensibilizao e formao na utilizao das RS no mbito pessoal sem comprometer a segurana da operao (pessoas e bens) para os militares que vo para misses EC (2015), algo que MSimes (2015) constata como uma verdade, referindo que na preparao para a misso que desempenhou no Afeganisto, foi briefado acerca das quebras de segurana nas RS (MSimes, 2015). Anlise dos inquritos (Anexo B): No entanto, tal como referido em anexo (Tabela B-13, Anexo B) nem todos os militares so devidamente briefados. A Tabela B-13 (Anexo B) revela que 17,8% dos militares no foram briefados antes de ingressarem na misso mais longa (Tabela B-13, Anexo B) e a Tabela B-12 (Anexo 73 B) indica que 10% dos inquiridos nunca foram briefados acerca das RS (Tabela B-12, Anexo B). Ainda na Tabela B-12 (Anexo B) contabilizam-se 33,3% de militares que podem ter sido ameaas segurana, na medida em que no foram devidamente briefados acerca das RS antes de todas as misses. Segundo a Tabela B-14 (Anexo B) 67,8% dos inquiridos afirmam que deviam ser feitos mais briefings acerca das RS e ainda na mesma tabela, 63,3% afirmam que poucos militares do a devida importncia aos briefings. Caso Estudo: Na sequncia do disposto anteriormente, Mineiro (2015) relata que briefou apenas um grupo de militares que foi em misso para o Mali e que 2 militares no puderam assistir a esse briefing. Mais tarde, ambos os militares vieram a cometer quebras de segurana ao nvel das RS: num dos casos, a me do militar identificou nas RS o local em que as operaes estavam a decorrer; no outro caso, o prprio militar publicou que tinha acabado de cumprir uma misso, revelando a fora que estava no terreno (Mineiro, 2015). ainda de salientar, que os restantes grupos no receberam briefing acerca das RS (Mineiro, 2015). A FA no se encontra na estaca zero no que concerne s aes de consciencializao. No incio do presente ano letivo 2014/2015 foi ministrada uma palestra aos alunos da AFA acerca dos perigos das RS, o que permite, principalmente aos novos alunos, tomarem a conscincia dos perigos das RS no mbito militar, refere Costa (2015). O mesmo entende que este tipo de palestras dever ser ministrado todos os anos na AFA (Costa, 2015). Mineiro (2015), que foi o palestrante acerca dos perigos das RS em 2014 na AFA, refere que tambm foi ministrada uma ao de sensibilizao a um pequeno grupo na OTA em janeiro de 2015 e que, tambm ao nvel das esquadras de voo da FA j foram feitas algumas mas sempre a convite das prprias esquadras. Devido ao facto de existirem poucos militares com conhecimento da temtica das RS, torna-se complicado que, por vontade prpria, se disponibilize a palestrar mais vezes para os militares da FA (Mineiro, 2015). Mais uma vez, releva-se a importncia da Consciencializao. O RFA 390-6 destaca que a rea de formao deve merecer especial ateno, com a incluso do estudo destas matrias em todas as estruturas curriculares e em todos os graus de formao administrados na Fora Area, muito em especial aqueles relacionados com as TIC. Prosseguir esta poltica na formao, alm de proporcionar o conhecimento sobre a ciberdefesa, introduz a conscincia sobre esta realidade e o cuidado que ela 74 merece promovendo, simultaneamente, a to desejada cultura de segurana (RFA30-6, 2011). 7.4.3. Literatura da FA acerca das RS Marques (2015), afirma que a FA, nomeadamente o EMFA, ainda no criou doutrina nem polticas que regulamentem a utilizao da Internet, mais concretamente a utilizao das RS pelos militares. A criao deste tipo de documentos que regulamentem especificamente a utilizao das RS importante (Marques, 2015) e segundo Mineiro (2015), existe a necessidade que seja criada literatura portuguesa a que qualquer militar possa recorrer para se enquadrar no mbito desta temtica. Neste sentido, Valente (2015) refere que esse tipo de polticas esto ainda a ser feitas. Mineiro (2015) afirma igualmente que os militares devem ser ensinados a usar e se comportar corretamente nas RS pois no basta dizer-se que um computador uma arma, tem que se ensinar os militares a usar a arma e no basta dizer-se que se no contarmos a nossa histria algum a conta por ns, tem que se ajudar os militares a contar a histria, sem comprometerem as OPMIL (Mineiro, 2015). 7.4.3.1. ORDOPS Mineiro (2015) constata que at data no existiu ainda nenhuma ORDOPS26 publicada onde tenham sido contempladas informaes referentes segurana nas RS, embora represente um tpico importante. No mnimo, deveria constar a necessidade de briefar os militares quanto temtica em causa: comportamentos a ter nas RS durante as OPMIL (Mineiro, 2015). Neste sentido, foram revistas pelo autor um total de 22 ORDOPS No Classificadas, das quais 10 remetem ao ano de 2013 e as outras 12 ao ano de 201, retirando-se algumas concluses: dado enfase necessidade de acessos internet como meio de bem-estar dos militares (Welfare) aquando em operaes no estrangeiro, nas seguintes: NEP/OPS-028; ORDOPS 008/13; ORDOPS CA 012/13; ORDOPS 013/13; ORDOPS 014/13; ORDOPS 021/13; ORDOPS CA 003/14; ORDOPS CA 005/14; ORDOPS CA 006/14. No entanto, em nenhuma so destacadas as RS, em especfico, como uma ferramenta de motivao para os militares, nem referidos os cuidados a ter. 26 Ordens de Operaes. um documento promulgado pelo Comando Areo. 75 Em diversas ORDOPS, atribuda importncia aos meios de comunicao social27, j que referido que no se pode participar em atividades ou comunicar com os meios de comunicao social sem a autorizao especfica de entidade nacional, nas seguintes: ORDOPS 008/13; ORDOPS CA 010/13; ORDOPS 016/13; ORDOPS CA 017/13; ORDOPS CA 020/13; ORDOPS CA 008/14. referido que o comandante de destacamento no est autorizado a Produzir ou libertar para os rgos de Comunicao Social (OCS) informao respeitante a acidentes/incidentes que envolvam pessoal e meios nacionais., nas seguintes: ORDOPS 008/13; ORDOPS CA 010/13; 013/13; ORDOPS CA 017/13; ORDOPS CA 020/13; ORDOPS CA 006/14; ORDOPS CA 008/14. Mais prximo do universo das RS, na ORDOPS 006/14 so referidos os cuidados com os mdia e os objetivos das RP da FA, visando alcanar alguns objetivos no que concerne OP acerca de temas como a misso da FA e dos meios que dispe. So tambm disponibilizados contactos para esclarecimento de dvidas quanto ao trato com os mdia. de salientar que em nenhum ponto referido o uso das RS para potenciar a imagem da FA, nem acerca dos cuidados a ter pelos militares, o que assume especial importncia j que se refere a disponibilizao da internet como um meio de Welfare. Na ORDOPS 010/14 so referidas as RS, mas apenas no mbito da divulgao da informao pblica acerca do evento, o 62 Aniversrio da FA. 7.4.3.2. Diretivas Nas diretivas publicadas pelo CA, no existe nenhuma informao acerca das RS, em particular no que concerne ao 60 aniversrio da FA, em 2012, no existe escrita a possibilidade de publicitao do evento nas RS, uma vez que um dos objetivos divulgar a temtica aeronutica, as atividades, a capacidade tcnica e a competncia profissional do pessoal da Fora Area junto da populao, em geral e, da juventude em particular. Nesse sentido, definido que o GABCEMFA publicita junto dos rgos de comunicao social e do pblico em geral todos os eventos relacionados com as Comemoraes (DIROP, 2012). 27 Segundo o Priberam [2013a], comunicao social define-se como o conjunto dos rgos de difuso de notcias (imprensa, rdio, televiso). 76 Na Diretiva 06/09, publicada pelo EMFA (2009), assumida a necessidade de normalizar um conjunto de princpios e procedimentos de segurana () relacionados com a utilizao de equipamentos de TIC. Refere ainda que a evoluo das TIC bem como a utilizao das mesmas, tm uma reconhecida dificuldade de serem acompanhadas pela doutrina da NATO ou de Portugal. Refere ainda que a doutrina existente est dispersa por vrias publicaes e desatualizada face aos novos equipamentos que vo surgindo (EMFA, 2009). No entanto, a presente diretiva destinada apenas s reas de segurana de Classe 1, onde ocorre o armazenamento, processamento e transmisso de informao classificada com o grau de classificao de segurana de CONFIDENCIAL ou superior. A diretiva apresentada no se aplica realidade do presente ano, no que toca facilidade de perpetuao de quebras de segurana, no mbito das RS em OPMIL, por parte dos militares que gerem informaes com o grau de classificao de segurana de Confidencial ou superior. Ainda assim, referido na mesma que Toda a estrutura da Fora Area dever estar comprometida com os objetivos da segurana, donde a manuteno das condies de segurana da explorao dos SIC uma responsabilidade partilhada por todos e assente no respeito pela doutrina de segurana em vigor. (EMFA, 2009). 7.4.3.3. NEPS28 Foram revistas pelo autor 114 NEPs No Classificadas e no foram encontradas quaisquer informaes referentes s RS. Nomeadamente, nas NEPs de segurana geral e interna No Classificadas, no consta qualquer informao acerca de quebras de segurana derivadas do uso indevido das RS. 7.4.3.4. Apresentaes De acordo com a pesquisa do investigador, no existem apresentaes no website da FA ou na rede interna da FA que sensibilizem para os perigos das RS, preservao da imagem institucional, quebras de segurana, ferramentas das RS, entre outras temticas que envolvam as RS. 7.4.3.5. RFA 390-6 O RFA 390-6 uma publicao destinada a estabelecer a Poltica de Ciberdefesa na Fora Area. Neste documento, que remonta a 2011, as RS so um 28 Notas de Execuo Permanente. um documento promulgado pelo Comando Areo. 77 assunto abordado onde so frisados alguns perigos inerentes ao uso incorreto das mesmas e onde realado que so o campo de excelncia para a aplicao de tcnicas de engenharia social e a propagao de malware (RFA390-6, 2011). O acesso ao documento no est facilitado, j que para o obter, o investigador teve que se dirigir ao Sub-Registo no EMFA no o tendo encontrado nem no website da FA, nem na Rede Interna nem em qualquer outro local. 7.4.4. As Redes Sociais noutras Foras Militares No sentido de se aprender e dar a conhecer a realidade da FA quanto utilizao segura das RS, serve o presente subcaptulo para enquadrar a realidade da instituio com a realidade de outras Foras Militares. 7.4.4.1. Reino Unido As Foras Armadas do Reino Unido (FARU) j aceitaram a realidade das RS e desenvolveram uma estratgia que encoraja o seu uso. No entanto, exigido que os militares sejam responsveis e que tenham completa conscincia daquilo que podem publicar de forma a no comprometer a segurana pessoal e operacional (Jensen, et al., 2014). A experincia das FARU indica que os militares tm cada vez mais vontade de interagir nas RS e por isso, as medidas de segurana so importantes (Jensen, et al., 2014). O ministrio da defesa do Reino Unido criou uma campanha online, em 2013, que se chama to think before you share online e encoraja os seus militares a usarem as RS sem se identificarem como sendo militares (MOD, 2013). Nessa campanha so identificados os efeitos danosos que advm da m utilizao das RS, podendo afetar negativamente a moral dos militares bem como o apoio da OP. So focadas diversas reas de preocupao atravs de texto e da apresentao de vrios vdeos de sensibilizao, tais como: a proteo dos militares e das suas famlias; a proteo da instituio militar; e a proteo da reputao militar (MOD, 2013). 7.4.4.2. Estados Unidos da Amrica Nos EUA, ao nvel dos departamentos de defesa nacional, existem diversas publicaes que promovem a consciencializao dos militares quanto ao aproveitamento das potencialidades das RS e quanto s questes de segurana. Neste sentido, sero mencionados os seguintes: DoD, U.S.Army, U.S.Air Force, U.S. Navy e U.S Marine Corps. https://www.gov.uk/think-before-you-share78 7.4.4.3. DoD O DoD tem uma conta oficial no website www.slideshare.com onde, numa das 54 apresentaes que disponibiliza ao pblico, se destaca para a temtica em causa, um briefing de consciencializao acerca da segurana nas RS. Neste briefing so dadas vrias sugestes que visam proteger a instituio e outras que visam a proteo individual. So disponibilizados contactos oficiais para dvidas e direcionamento para outros briefings importantes ao nvel da internet (BDS, 2010). O DoD dispe ainda de uma pgina no website oficial, acerca das polticas de uso das capacidades da internet, onde se incluem as RS, e redireccionamento para outras foras dos EUA igualmente conscientes acerca das RS: USArmy, USNavy, USAirForce, USMarine Corps (DOD, [2015b]). 7.4.4.4. U.S. Air Force Dispe ao pblico informaes acerca de segurana nas RS atravs do 2013 Social Media Guide (USAF, [2015]). E acerca da segurana em operaes no contexto das RS publicou em 2011 o documento Air Force Instruction 10-701 (DOTAF, 2011). 7.4.4.5. U.S.Army O U.S. Army publica no seu website oficial o documento USArmy Social Media Handbook (OTCPA, 2011). 7.4.4.6. U.S. Navy Tm vrias pginas publicadas, que qualquer pessoa pode visitar, acerca das RS, nomeadamente: - Boas prticas nas RS, onde se ensinam a usar as RS com as diversas aplicaes que existem alertando simultaneamente para os seus perigos (DON, [2015]); - Polticas do Department of the Navy (DON) que abordam a utilizao das RS (DON, 2014); - Social media handbook do DON (DON, 2012); - Blog de sensibilizao no Tumblr (USNMBLOG, [2015]) bem como, a disponibilizao de uma apresentao acerca das RS e segurana das operaes disponvel para download (OOI, 2014). 79 7.4.4.7. U.S. Marine Corps No website oficial so dadas a conhecer outras pginas que os militares, ou qualquer pessoa, podem visitar acerca de: - Comportamentos que os militares devem ter nas RS (USMC, [2015a]); - Linhas orientadoras acerca de como os marines podem comentar ou publicar informao no oficial acerca dos Marine Corps nas RS (USMC, [2015b]). 7.4.5. Recomendaes O investigador entende que todo o subcaptulo 7.4.4 pode ser assumido como uma recomendao para a FA no sentido da integrao assdua e integral das aes de consciencializao acerca do uso das RS pelos militares da FA. Essas aes podem ter lugar em salas de conferncia, na rede interna da FA, no website oficial da FA e nas RSFA. No sentido da criao de polticas, ENISA (2007), faz algumas recomendaes, onde se incluem: aes de sensibilizao atravs de campanhas educativas e informao acessvel acerca dos perigos das RS; reviso dos regulamentos onde se devero incluir os diferentes cenrios em que as RS podem potenciar perigos; desencorajar a proibio das RS, referindo que estas devero ser usadas de forma controlada e livremente mas com campanhas que visem educar as pessoas a saberem usar as RS (ENISA, 2007). 7.5. Concluso Intermdia As RS so uma mais-valia at certo ponto, tal como refere Valente (2015) na introduo do captulo 7. Segundo MSimes (2015) no subcaptulo 7.1 e Costa (2015) no subcaptulo 7.4.1, muito difcil controlar o que os militares publicam nas RS e que, segundo Valente (2015), podem prejudicar as operaes tal como podem potenciar. Existem diversos perigos associados ao uso das RS que podem prejudicar as operaes, tal como refere ENISA (2007) no subcaptulo 7.1. Para alm disso, os militares da FA revelam que estes perigos so reais, face s respostas que deram ao inqurito (ver os Subcaptulos B-5 e B-6 do Anexo B). Vejamos, no subcaptulo 7.1, vimos que existe uma quantidade significativa de militares (26,7%) que no reconhecem um dos perigos mais acentuados para as OPMIL, o Geotagging (Tabela B-8, Anexo B), resultando num grupo de militares que usaram as RS e o Smartphone em misso no sabendo o que o Geotagging, constituindo assim 13,9% dos militares que usaram as RS em operaes (Tabela B-80 9, Anexo B). Ainda no subcaptulo 7.1, vimos que a maior parte dos militares (70%) informou os F/A acerca do local e data da misso (Tabela B-10, Anexo B) e quase metade dos militares (47%) que usaram as RS durante as operaes afirmam que os F/A fizeram publicaes acerca da misso (Figura B-5, Anexo B). Ainda neste subcaptulo, foi referido que 13,3% dos militares no briefaram os F/A (Tabela B-11, Anexo B), o que pode potenciar as quebras de segurana atravs dos F/A. No subcaptulo 7.3.1, vimos que a maior parte dos militares que tinham conta nas RS durante as operaes no descaraterizaram o perfil (Figura B-4, Anexo B) e uma quantidade significativa de militares (cerca de 30%), durante as operaes, fizeram publicaes que mencionavam dados confidenciais (Tabela B-7, Anexo B). No subcaptulo 7.4.2, vimos que nem todos os militares so devidamente briefados antes de ingressarem nas misses (Tabela B-12 e Tabela B-13, Anexo B) o que pode potenciar as quebras de segurana, tal como se v nas relaes da Tabela B-15 (Anexo B). Assim, estamos em condies de validar a seguinte hiptese O uso de Redes Sociais durante as misses representa um risco de quebras de segurana, pondo em perigo as Operaes Militares. Adiante, Marques (2015) refere no quinto pargrafo do subcaptulo 7.3 que existe a necessidade, na FA, de ser dada a devida sensibilizao aos militares acerca das RS. Tambm Mineiro (2015) refere no subcaptulo 7.3.1 que ainda no existe conscincia de segurana por parte dos militares em misses e garante facilmente encontramos quebras de segurana perpetuadas pelos militares que esto neste momento em operaes (Mineiro, 2015). No subcaptulo 7.4, Mineiro (2015) refere que no so feitas suficientes aes de sensibilizao aos militares acerca desta temtica e deveria haver uma maior preocupao hierrquica acerca do assunto em causa (Mineiro, 2015). E tambm segundo a anlise do inqurito (ver Anexo B), no subcaptulo 7.4.2, a Tabela B-14 (Anexo B) demonstra que 67,8% militares concordam que deviam ser feitos mais briefings acerca das RS e, ainda no mesmo, 63,3% militares concordam que poucos militares do a devida importncia aos briefings (Tabela B-14, Anexo B). Face ao exposto e ao referido at agora neste subcaptulo 7.5, estamos em condies de concluir que deveria existir maior preocupao quanto utilizao segura das RS e em consciencializar os militares, pelo que se declara refutada a seguinte hiptese: A Fora Area Portuguesa tem a preocupao 81 devida em consciencializar os militares que ingressam nas Operaes Militares, acerca do uso das Redes Sociais. No subcaptulo 7.4.2 refere-se que o RFA 390-6 reala a importncia da formao e incluso do estudo destas matrias [cibersegurana] em todas as estruturas curriculares e em todos os graus de formao administrados na Fora Area. No entanto, Marques (2015) e Mineiro (2015), no subcaptulo 7.4.3 no reconhecem a existncia de qualquer documento da FA que enquadre os militares para as questes de segurana nas RS. Neste sentido, no subcaptulo 7.4.3.1, Mineiro (2015) acrescenta que nunca tomou conhecimento da existncia de uma ORDOP onde se referisse a necessidade de consciencializar os militares para a temtica da segurana nas RS. De facto, nesse subcaptulo mencionada essa inexistncia aquando da anlise das ORDOPS de 2013 e 2014, bem como de outros documentos ou apresentaes mencionados nos subcaptulos 7.4.3.2, 7.4.3.3 e 7.4.3.4. A publicao do RFA 390-6 novamente abordada no subcaptulo 7.4.3.5, onde se refere que o contedo da mesma assenta sobre os perigos da Internet e das RS. No entanto, este documento no est facilmente acessvel a qualquer militar da FA tal como se refere no subcaptulo 7.4.3.5 nem do conhecimento de todos os militares (Subcaptulo 7.4). Assim, estamos em condies de validar a seguinte hiptese No est divulgada na Fora Area Portuguesa informao sobre os perigos do uso das Redes Sociais. 82 Pgina intencionalmente deixada em branco 83 8. Concluso e Recomendaes Neste captulo feita uma concluso do estudo realizado. Essa concluso resulta de uma anlise e interligao de todas as concluses intermdias a que o investigador chegou ao longo do trabalho. Ser obtida resposta para as questes derivadas e por ltimo pergunta central de toda a dissertao, a questo de partida. Por fim so tambm propostas algumas recomendaes para trabalhos futuros. 8.1. Concluso Esta dissertao pretende dar a conhecer ao leitor a atualidade da FA face s novas plataformas que gerem hoje a maior parte dos contactos entre as pessoas, as RS. um trabalho de investigao que aprofunda o universo das RS, centrando o interesse nas capacidades e potencialidades das mesmas no contexto das OPMIL da FA. O investigador props-se a elaborar um inqurito destinado aos militares da FA que j participaram em misses internacionais tendo obtido uma amostra de 90 militares. Foram ainda efetuadas 8 entrevistas com diferentes objetivos, destinadas a militares conhecedores das matrias em questo. Para alm dessas entrevistas, vrios militares foram abordados para a temtica e puderam partilhar os seus conhecimentos, esclarecendo o autor acerca de diversas reas: como so usadas as RS em misso e com que objetivos, que falhas de segurana so notadas durante as misses ao nvel das RS, como vivem os militares numa operao militar no estrangeiro e que fontes de motivao encontram, que literatura existe na FA acerca das RS e que outras bibliografias so aconselhadas para o estudo em causa (onde se destaca o Sub-Registo da FA, sediado no Estado-Maior da FA). O trabalho foi estruturado por diversos captulos e subcaptulos onde se destacam: Introduo, Reviso da Literatura, Anlise e Concluses. Na introduo o investigador pretende enquadrar o leitor para o restante estudo e d a conhecer o fio condutor pela qual a dissertao se guia apresentando as questes nas quais se sustenta e os pressupostos assumidos, na forma de hipteses de trabalho, que pretendem ver-se validados ou refutados, podendo assim responder no presente captulo s questes derivadas. Na Reviso da Literatura, o autor compe os tecidos que enformam a investigao e que permitem ao leitor perceber o contexto em que a temtica se insere. 84 A anlise incide sobre os captulos trs, quatro, cinco, seis e sete. No captulo 3 so dadas a conhecer as RS abordadas nos captulos 4 e 6. No captulo 4 so demonstradas as potencialidades das RS, nomeadamente para a obteno de SA em vrias causas: apoio populao, causas humanitrias, controlo epidmico, causas polticas e sociais, culminando nas OPMIL. estudada a importncia do SA, de que forma se pode ganhar esse SA e que ferramentas se podem utilizar. So tambm dados a conhecer alguns relatos de militares da FA que experimentaram as capacidades das RS para o ganho de SA. No captulo 5 so estudadas as RS como uma ferramenta de motivao para os militares que se encontram em misses no estrangeiro, onde se cruzam as entrevistas com os inquritos realizados. No captulo 6 pretende-se concluir se as RSFA permitem influenciar a OP, favorecendo a imagem da FA e das operaes, onde mais uma vez so tratadas as entrevistas e inquritos. No ltimo captulo da anlise, o captulo 7, pretende-se demonstrar o lado negativo das RS para as operaes, passando estas a serem encaradas como uma faca de dois gumes, no sentido de que, se a FA no souber gerir as novas tendncias dos militares, nomeadamente a utilizao das RS em OPMIL, podero surgir resultados negativos. Na sequncia desta anlise, foram alcanadas vrias concluses. As RS como fonte de aquisio de SA: A aquisio de SA atravs das RS feita em vrios campos e traz vantagens significativas (captulo 4); Esse SA pode permitir uma melhor gesto de esforos por parte dos comandantes (subcaptulo 4.6); As RS permitem a recolha de INTEL no contexto das OPMIL subcaptulo 4.6); O SA proveniente das RS uma garantia de segurana pessoal e operacional para os militares em operaes no estrangeiro (subcaptulo 4.6). As RS como objeto de motivao e moral (principalmente captulo 5): Existe preocupao hierrquica29 com a motivao dos militares (captulo 5 e subcaptulo 7.4.3.1); 29 Tal como referido anteriormente (subcaptulo 7.4), por preocupao hierrquica entende-se como a preocupao das hierarquias competentes para criao das Ordens de Operaes e outros documentos que devam refletir a adequada integrao das RS nas OPMIL. 85 As RS, em especfico, no so uma preocupao hierrquica para a motivao dos militares (subcaptulo 7.4.3.1); As RS permitem encurtar distncias entre os militares e os familiares; A maior parte dos militares da FA que participaram em OPMIL, usaram as RS para falar com os familiares e quase 50% usou as RS todos os dias; A maior parte dos militares inquiridos (69%) concordam que as RS so uma fonte de motivao; Todos os entrevistados que participaram em OPMIL concordam que as RS so motivadoras. As RS como uma ferramenta de influncia da OP: Se no existir uma relao de cumplicidade profissional entre a FA e a comunicao social, podero surgir notcias que prejudiquem as operaes e a imagem da FA (subcaptulo 6.1); A utilizao das RS pela FA importante para informar, divulgar e instruir o pblico (subcaptulo 6.4); Se a FA no tiver uma presena nas RS no consegue monitorizar e responder s notcias veiculadas nas RS (subcaptulo 6.4); A presena da FA nas RS fortalece a relao com as pessoas (subcaptulo 6.4); As RS permitem influenciar a OP nacional e internacional (subcaptulo 6.4); Os militares sentem orgulho nas publicaes das RSFA e partilham as mesmas nas suas pginas pessoais, o que promove a imagem da FA OP (subcaptulo 6.4); Para alm de influenciar a OP positivamente, as publicaes da FA aumentam a moral dos militares, o que os leva a partilhar essas publicaes, e que, por sua vez ajuda a potenciar a imagem da FA (subcaptulo 6.4). Quebras de Segurana nas RS: Devido proliferao das tecnologias de comunicao, nomeadamente os Smartphones, as RS so um perigo inevitvel para as OPMIL, na medida em que, no existem vantagens em proibir somente os acessos s RS pelos computadores disponibilizados para as operaes (subcaptulo 7.1); Existe uma forte necessidade dos militares da FA serem instrudos para o uso correto das RS, caso contrrio, podero ocorrer quebras de segurana em futuras 86 OPMIL da FA (subcaptulo 7.1), com resultados negativos para os militares, familiares e operaes (subcaptulo 7.2); Existe necessidade de criar doutrinas e polticas que regulamentem a utilizao das RS pelos militares da FA (subcaptulo 7.3); A conscincia atual por parte dos militares da FA acerca da utilizao segura das RS, pode fazer perigar as operaes por no estarem to bem consciencializados quanto deveriam (subcaptulos 7.3.1 e 7.4.2); No existe na FA literatura acerca das RS que seja facilmente acessvel e onde os militares se possam socorrer em caso de dvidas ou simplesmente aprender como usar correta e eficazmente as mesmas (subcaptulo 7.4.3); Os EUA tm imensa sensibilizao pblica e facilmente acessvel a qualquer pessoa, onde abordam questes como: quebras de segurana em operaes, uso das RS para liderana, uso das RS pelos familiares, uso das RS pelos militares, perigos das RS, ferramentas teis das RS, entre outros temas relacionados (subcaptulo 7.4.4). Com base nas concluses intermdias referidas em cima, vejamos agora os pressupostos definidos inicialmente (subcaptulo 1.3): Hiptese 1 O uso das Redes Sociais nas misses, permite capacitar os militares com um melhor Situational Awareness; Hiptese 2.1 O uso das Redes Sociais pelos militares um fator de motivao durante as Operaes Militares; Hiptese 2.2 O uso efetivo das Redes Sociais da Fora Area Portuguesa para divulgar as misses motiva e moraliza os militares destacados e contribui para a tranquilidade das suas famlias; Hiptese 3 O uso das Redes Sociais, de forma individual e institucional, para potenciar a imagem da Fora Area Portuguesa, influencia positivamente a Opinio Pblica acerca das Operaes Militares; Hiptese 4.1 O uso de Redes Sociais durante as misses representa um risco de quebras de segurana, pondo em perigo as Operaes Militares; Hiptese 4.2 A Fora Area Portuguesa tem a preocupao devida em consciencializar os militares que ingressam nas Operaes Militares, acerca do uso das Redes Sociais; 87 Hiptese 4.3 No est divulgada na Fora Area Portuguesa informao sobre os perigos do uso das Redes Sociais. luz das concluses intermdias obtidas e tendo em conta os pressupostos colocados, possvel responder s questes derivadas definidas inicialmente: Q1. O uso de Redes Sociais em Operaes Militares permite capacitar os militares com um melhor Situational Awareness?". As RS com todas as ferramentas que contemplam (captulo 3 e captulo 4.6), aliadas vontade que as pessoas tm de interagir com as mesmas (subcaptulo 4.1), torna-as uma fonte de informao e de SA para duas partes: para as operaes, em forma de INTEL acerca do cenrio das operaes, do ambiente e do adversrio (Subcaptulo 4.6); e para a segurana pessoal dos militares envolvidos, pois conseguem recolher informaes atuais, diariamente, acerca das condies de segurana que se vivem nos locais vizinhos (Subcaptulo 4.6). Assim, as entrevistas aliadas pesquisa bibliogrfica, permitem concluir que a resposta afirmativa. Q2. As Redes Sociais so plataformas potenciadoras da motivao dos militares envolvidos em Operaes Militares?". A participao nas RS por parte dos militares que participam em OPMIL internacionais, um forte contributo para as OPMIL porque os militares encontram motivao no uso das RS, nomeadamente para contactarem com os familiares e amigos. Esse contacto, bem como as publicaes da FA permitem tranquilizar os familiares. Estas concluses foram obtidas com base nas entrevistas e na anlise dos inquritos espelhados no subcaptulo 5.1. Assim, a resposta Q2 afirmativa. Q3. "A utilizao das Redes Sociais no contexto das Operaes Militares tem influncia na Opinio Pblica?". As RS usadas pela FA ou particularmente pelos militares da FA, permitem potenciar a imagem institucional e das operaes, divulgar, informar e instruir o pblico e dessa forma influenciar positivamente a OP, quer seja em Portugal, quer seja em OPMIL no estrangeiro (subcaptulo 6.4). Alis, a falta de utilizao e presena nas RS pode prejudicar a OP (subcaptulos 6.1, 6.2 e 6.3). A resposta d-se ento como afirmativa. Q4. O uso de Redes Sociais incrementa o risco das quebras de segurana no mbito da atividade militar?". 88 No subcaptulo 7.1 e 7.2 foi demonstrada a existncia de perigos associados s RS para as OPMIL da FA, provando-se atravs da anlise dos inquritos, que os militares da FA e os respetivos familiares e amigos, representam um risco para as quebras de segurana (subcaptulo 7.1 e 7.4.1). Outros elementos relacionados com as RS que tambm incrementam o risco das quebras de segurana no mbito da atividade militar so: a falta de briefings, demonstrado pelas entrevistas e inquritos (subcaptulo 7.4.2); a falta de conscincia dos militares em relao aos cuidados a ter com as RS (subcaptulos 7.1 e 7.3.1); a falta de literatura suficiente (subcaptulo 7.4.3) e a falta de aes de sensibilizao suficientes acerca das RS (subcaptulo 7.4.2) o que pode traduzir na falta de conscincia dos militares. Assim, a anlise dos inquritos, das entrevistas e documentos bibliogrficos, permitiu aferir que existe risco de quebras de segurana essencialmente em duas partes: dos militares que ingressam nas misses e dos familiares e amigos. O que pode fazer perigar vrias partes: os prprios militares; os familiares e amigos; e as OPMIL. A resposta pergunta afirmativa, o uso das RS incrementa o risco de quebras de segurana no mbito da atividade militar, tal como contemplado nos subcaptulos mencionados. Surge assim a resposta questo de partida a partir de toda a argumentao apresentada nesta dissertao, e em particular no articulado apresentado neste captulo que resume essa mesma argumentao: As Operaes Militares da Fora Area Portuguesa so potenciadas pelo uso das Redes Sociais? Todo o trabalho desenvolvido permitiu responder s questes derivadas que se definiram inicialmente. Essas respostas permitem agora concluir a questo principal do trabalho. Face Q1, vimos que as RS so uma fonte de informao e de SA para as operaes e para os militares no uso particular. Concluiu-se que O uso de Redes Sociais em Operaes Militares permite capacitar os militares com um melhor Situational Awareness. Na Q2, constatmos que vantajoso para as operaes, disponibilizar aos militares as RS como uma fonte de motivao. Neste sentido, As Redes Sociais so plataformas potenciadoras da motivao dos militares envolvidos em Operaes Militares. 89 Na questo seguinte, a Q3, foi concludo que deve haver uma presena da instituio e dos militares nas RS e existem duas formas de influenciar a OP: atravs dos militares no uso particular e atravs RS usadas pelas FA; e que, se as RS forem usadas por ambos com o intuito de potenciar a imagem da FA e das operaes, ento nesse caso "A utilizao das Redes Sociais no contexto das Operaes Militares tem influncia na Opinio Pblica de forma positiva. Por ltimo, na questo Q4, foram apresentados alguns perigos inerentes ao uso das RS, que podem prejudicar as operaes e provou-se que esses perigos existem e podem ocorrer nas operaes da FA, comprometendo as mesmas. Tambm se revelou que existe falta de conscincia dos militares em relao aos perigos e que, relacionado ou no com isso, constatou-se que no existe literatura facilmente acessvel acerca dos cuidados a ter nas RS. Desta forma, conclui-se que O uso de Redes Sociais incrementa o risco das quebras de segurana no mbito da atividade militar da FA. Face s concluses obtidas, podemos agora responder questo de partida. As RS potenciam as OPMIL, se forem exploradas as suas capacidades e se a FA tiver em conta que existe o perigo iminente de quebras de segurana por parte dos militares, quer as RS estejam autorizadas durante a operao ou no. Assim, se existir a adequada consciencializao de todos os militares, a FA pode retirar muito proveito das mesmas para as OPMIL. Conclui-se que As Operaes Militares da Fora Area Portuguesa so potenciadas pelo uso das Redes Sociais. 8.2. Consideraes Finais Esta dissertao de mestrado foi desenvolvida para sensibilizar e consciencializar o leitor para as capacidades e potencialidades das RS em diversos mbitos, mas dando especial destaque ao mbito das OPMIL, que no fundo o mago desta dissertao. No s sensibilizar e consciencializar o leitor mas tambm quem de direito na FA para que sejam tomadas medidas que permitam aproveitar as capacidades das RS em prol da instituio militar e dos seus militares bem como minimizar o risco de quebras de segurana. Assim, e face s concluses retiradas, recomenda-se o seguinte: - As RS contm muito rudo de informao, mas ainda assim, uma pequena equipa com expertise nestes ambientes de informao consegue adquirir informaes 90 fidedignas que potenciam o SA para as operaes. Neste sentido, as OPMIL so potenciadas pelo uso das RS pelo que deve ser ponderado o seu uso oficial em misses militares; - As RS permitem motivar os militares em contexto operacional que, por estarem longe dos familiares, sentem maior necessidade de se envolverem nas RS. Este incremento de motivao torna-os mais empenhados no cumprimento das funes. Neste sentido, as OPMIL so potenciadas pelo uso das RS. Face ao expendido as RS devem ser utilizadas nas operaes; - A consciencializao devida de todos os militares da FA para os comportamentos a adotar nas RS, pode melhorar a OP acerca da FA. Mais, a utilizao das capacidades de disseminao de informao das RS para impulsionar a imagem e misso da FA, pode influenciar positivamente a OP nacional e internacional (no local onde as OPMIL da FA tm lugar). O apoio da OP aumenta a moral dos militares e influencia positivamente o decorrer das operaes. Neste sentido, as OPMIL so potenciadas pelo uso das RS pelo que as mesmas devem ser utilizadas no decurso das misses; - Mas, as RS no trazem apenas potencialidades para as OPMIL. Incrementam um srio risco de quebras de segurana, que por vezes nem os prprios infratores reconhecem quando podem estar a perigar as operaes. Neste sentido, as OPMIL podem ser comprometidas pelo uso das RS. Assim, devem ser criados mecanismos de auxlio publicao por parte dos militares. 8.3. Recomendaes e Contribuies Futuras Apesar do trabalho desenvolvido mencionar algumas recomendaes FA, no sentido da integrao assdua e integral das aes de consciencializao acerca do uso das RS pelos militares da FA (subcaptulo 7.4.5), o investigador entende que esta uma questo que merece especial ateno e que pode ser vertida numa dissertao de mestrado onde se explorem: O grau de perigo que os militares da FA podem representar para as operaes (testando as aes dos militares face a determinado tipo de situaes nas RS que podem comprometer as operaes sem que os mesmos se apercebam); A qualidade dos briefings ministrados noutros pases e na FA acerca das RS; Quais os tpicos mais importantes a serem abordados num briefing deste tipo e fazer um modelo para um briefing sobre as RS com base nas aprendizagens. 91 9. Referncias Bibliogrficas ADAY, Sean - Social Media, Diplomacy, and the Responsibility to Protect. [Em linha]. Take Five, 2012. [Consult. 18 Jan. 2015]. Disponvel em WWW: . 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Entrevista realizada em 23 de Janeiro de 2015, Comando Areo. - GONALVES, 2015: Tpico da Entrevista com o TCOR Paulo Gonalves, realizada em 08 de Janeiro de 2015, Estado-Maior da Fora Area. - MARQUES, 2015: Tpico da Entrevista com o MAJ Jos Marques, realizada em 13 de Janeiro de 2015, no Estado-Maior da Fora Area. - MINEIRO, 2015: Tpico da Entrevista com o MAJ Paulo Mineiro, realizada em 28 de Janeiro de 2015, Estado-Maior da Fora Area, Relaes Pblicas. - MSIMES, 2015: Tpico da Entrevista com o MAJ Miguel Simes, realizada em 14 de Janeiro de 2015, por correio eletrnico. - PSIMES, 2015: Tpico da Entrevista com o MAJ Paulo Simes, realizada em 13 de Janeiro de 2015(a), Estado-Maior da Fora Area. - VALENTE, 2015: Tpico da Entrevista com o MAJ Antnio Valente, realizada em 08 de Janeiro de 2015, no Estado-Maior da Fora Area. 108 Pgina intencionalmente deixada em branco A-1 Anexo A - Inqurito Neste anexo, constam as perguntas feitas no inqurito e que sero analisadas no Anexo B. As perguntas esto divididas por grupos, que correspondem aos grupos do seguinte Anexo (Anexo B). Para o inqurito foram usadas 72 perguntas, a que apenas alguns militares tinham acesso consoante as respostas que davam. No entanto, s foram selecionadas para apresentao neste anexo, as perguntas cuja anlise foi includa neste trabalho. Figura A-1 - Perguntas de caraterizao da amostra Figura A-2 - Perguntas de caraterizao do uso das RS em misso Figura A-3 - Pergunta de caraterizao das Informaes obtidas nas RS A-2 Figura A-4 - Perguntas de caraterizao do contacto com os familiares Figura A-5 - Perguntas de caraterizao do perigo de quebras de segurana pelos militares Figura A-6 - Perguntas de caraterizao do perigo associado aos F/A A-3 Figura A-7 - Perguntas de caraterizao da importncia dos Briefings Figura A-8 - Perguntas de caraterizao do interesse pelas RSFA A-4 Pgina intencionalmente deixada em branco B-1 Anexo B Anlise do Inqurito Este anexo remete para a anlise da utilizao das RS por militares da FA que j participaram em misses internacionais. O inqurito foi criado atravs da plataforma Google Docs e enviado para 436 militares que participaram em misses internacionais nos anos 2012, 2013 e/ou 2014. No total, 10 inquritos resultaram em envio falhado. Obteve-se um total de 90 inquritos respondidos, onde se contabilizam 36 Oficiais (40%), 47 Sargentos (52%) e 7 (8%) Praas (Tabela B-2, Anexo B). Para a anlise dos inquritos foi utilizada a plataforma SPSS Statistics 17.0 que permitiu fazer o cruzamento das respostas de diferentes perguntas, por exemplo: permitiu saber quantos dos militares que responderam Sim na pergunta 35 (Anexo A), tambm responderam orgulho na organizao na pergunta 33 (Anexo A). Indicaes: Todas as tabelas e figuras deste anexo remetem para as perguntas que deram origem e essa referncia surge na forma (N A), remetendo para o respetivo n da pergunta do Anexo A. Pode estar no nome da tabela ou dentro. Na coluna mais direita de cada tabela, constam o nmero de militares (grupo) que puderam responder questo, tal como explicado no Anexo A. Nesta anlise sero apresentados os seguintes grupos (por esta ordem): Tabela B-1 - Grupos de militares da anlise dos inquritos. Grupos Definio 90 Militares Totalidade dos inquiridos 72 Militares Militares que usaram as RS durante a misso 21 Militares Militares que identificaram as OPMIL em publicaes nas RS 86 Militares Militares que j tiveram conta nas RS 17 Militares Militares que usaram as RS em misso e no sabem o que o Geotagging 74 Militares Militares que foram briefados antes da misso mais longa participada 76 Militares Militares que j tiveram conta nas RS e conhecem as RSFA 50 Militares Militares que sentem orgulho ao verem as publicaes da FA (*): a presena do asterisco vermelho remete para todas as perguntas que possibilitaram aos inquiridos a escolha de mais do que uma opo. B-1 Caraterizao da amostra Tabela B-2 - Caraterizao da amostra de 90 militares (1A) Categorias Oficial 40% 90 Militares Sargento 52% Praa 8% (2A) Misses efetuadas 1 41,1% B-2 2 17,8% 3 6,7% Mais de 3 34,4% (3A) Durao da misso mais longa (meses) At 4 53,3% Entre 4 a 8 40,0% Entre 12 a 24 3,3% Mais de 24 3,3% Na Tabela B-2 so identificadas as amostras de militares por posto, em quantas misses participaram e qual a durao da misso mais longa em que participaram; Acrescenta-se que 95,6% dos inquiridos j teve conta nas RS. B-2 Caraterizao do uso das RS em misso Tabela B-3 - Utilizao das RS pelos militares nas operaes, (4A) Uso das RS em misso Sim 80% 90 Militares No 20% (5A) RS utilizadas em misso* Facebook 93% 72 Militares YouTube 30,6% WhatsApp 25% Twitter 5,6% (6A) Utilizao das RS em misso (dias por semana) 7 56,9% 3 a 5 25% 1 a 2 18,1% 80% dos militares usaram as RS em misso; A RS mais utilizada foi o Facebook, com 93%; 56,9% dos militares usaram as RS todos os dias durante a misso; Acrescenta-se que 86% dos militares, afirmaram que durante a misso sentiram maior necessidade de aceder s RS em comparao com o uso que deram antes ou depois da misso (ver Pergunta 7, Anexo A). Figura B-1 (8 A) Motivos de utilizao das RS em misso (%) B-3 A maior parte, 69,4%, usou as RS principalmente para falar com a famlia e amigos e 38,9% usou as RS para obter informaes e/ou publicar fotografias. Tabela B-4 (9 A) O que os militares pensam das RS nas operaes Opinio dos militares quanto s RS nas OPMIL Levam a quebras de segurana 87,8% 90 Militares Aumentam o Situational Awareness 31,1% Podem servir para influenciar a OP a nosso favor 45,6% 87,8% dos militares tem conscincia que as RS podem levar a quebras de segurana; Apenas 31,1% acreditam que as RS permitem o ganho de SA durante as OPMIL, ou simplesmente no tiveram essa necessidade. Curiosamente, a maior parte desses militares nunca participou numa misso mais longa do que 4 meses, constituindo 76,2% dos 31,1% da Tabela B-4. Tabela B-5 - Importncia e motivao encontrada pelo uso das RS em misso (10A) Importncia Muito importante/importante 68% 72 Militares Pouco/nada importante 32% (11A) Motivao Muito motivador/motivador 69% Pouco/nada motivador 31% 68% referem que o uso das RS em misso importante, dos quais, 50% classificam o seu uso como Muito importante ; 69% afirmam que o uso das RS em misso motivador, dos quais, 54% classificam o seu uso como Muito motivadoras. B-3 Caraterizao das informaes obtidas nas RS Figura B-2 (12 A) Classificao de utilidade das informaes obtidas atravs das RS. B-4 A maior parte dos militares que usaram as RS nas operaes, encontra utilidade das informaes obtidas nas RS, representando 56%. B-4 Caraterizao do contacto com os familiares Tabela B-6 (13 A) Frequncia com que os militares contactaram com as famlias atravs das RS. Todos os dias 29,2% 72 Militares Regularmente 66,7% Nunca 4,1% 95,6% dos militares que usaram as RS em misso contataram com os familiares atravs das RS de forma diria ou regular. Figura B-3 (14A) Mtodo de contacto com os F/A pelas RS (mltipla escolha). 88,9% contataram os F/A atravs do chat nas RS (mensagens privadas); Acrescenta-se que 48,6% contactaram com os F/A pelas RS para os tranquilizar (ver Pergunta 15, Anexo A). B-5 Caraterizao do perigo de quebras de segurana pelos militares Tabela B-7 (16 A) Identificaes acerca das operaes feitas pelos militares. Identificou? Sim 29,2% 72 Militares No 70,8% O que identificou? * Local 71,4% 21 Militares (29,2%) Com quem estava 38,1% Camaradas 28,6% 29,2% identificaram as suas publicaes nas RS; A maior parte dos inquiridos identificou o local onde estavam, representando 71,4% dos 21 militares que identificaram as publicaes; Acrescenta-se que 14,3% dos 21 militares identificaram tudo (o local, com quem estavam e que camaradas os acompanhavam). 0,020,040,060,080,0100,0Mensagens privadas Publicaes deimagemPublicaes de texto Publicaes de vdeoMtodo de contacto com os F/A pelas RSB-5 Figura B-4 - (17 A) Percentagem de militares que descaraterizaram as RS antes de ingressar na misso. Dos 86 militares que j tiveram conta nas RS, 73% afirmam que no descaraterizaram30 as contas das RS; Apesar disso, 87,8% dos 90 militares reconhecem que as RS potenciam as quebras de segurana (Tabela B-4, Anexo B) (ver Pergunta 9, Anexo A). Tabela B-8 - Relao entre o uso do Smartphone durante as operaes e o conhecimento do que o Geotagging Smartphone durante a misso Sim No (18 A) J teve Smartphone Sim 73,3% 16,7% 90% 90 Militares No 10% (19,20A) Geotagging Sabe o que 56,7% 16,6% 73,3% No sabe 16,7% 10% 26,7% 90% dos militares j teve Smartphone e 73,3% tinham o equipamento durante as operaes; 16,7% dos militares podem constituir perigo para as operaes na medida em que usaram o Smartphone durante as operaes e no sabem o que o Geotagging. 30 Tal como j referido, por descaraterizar as RS entende-se, como uma medida de segurana, remover delas tudo o que possa identificar os indivduos como militares. B-6 Tabela B-9 - Relao tripla entre os militares que usaram as RS em misso, no sabem o que o Geotagging e usaram o Smartphone em misso, constituindo um grupo de perigo representado a laranja. Ou seja, 23,6% dos militares que usaram as RS em misso, no sabem o que o Geotagging; Mais grave ainda, que 58,8% dos militares reuniam todas as condies de perigo para as operaes, no que toca problemtica do Geotagging. Ou seja, estes militares usaram as RS durante a misso, no sabem o que o Geotagging e tambm usaram o Smartphone, abrindo a possibilidade das operaes serem geolocalizadas pelo adversrio. Este grupo de militares constitui 13,9% do grupo que usou as RS em operaes. B-6 Caraterizao do perigo associado aos F/A Tabela B-10 (21;22 A) Anlise das informaes dadas aos F/A. Informaes dadas aos F/A acerca da misso Onde e quando Apenas onde Apenas quando Nenhuma A quem foram dadas informaes S familiares 30% 6,7% 2,2% 3,3% 42,2% em 90 Militares Familiares e amigos 40% 15,6% 0 0 55,6% 70% 22,3% 2,2% 3,3% em 90 Militares 2 respostas no foram consideradas; 70% dos militares informaram aos familiares ou aos familiares e amigos sobre onde e quando seria a misso (ver Perguntas 21 e 22, Anexo A). B-7 Figura B-5 (23 A) Frequncia das publicaes dos F/A acerca da misso. Os militares que participaram nas RS durante a misso revelam que as famlias podem por vezes comprometer uma operao, dado que 47% dos 72 militares afirmam que as famlias fizeram publicaes nas RS que mencionavam a misso em que os militares estavam envolvidos (ver Pergunta 23, Anexo A). Tabela B-11 (24 A) Sensibilizao dos F/A pelos militares A maior parte dos militares teve o cuidado de falar com os F/A acerca das RS, alertando para os perigos das mesmas e para que os F/A no revelassem informaes sobre a misso nas RS (54,4% e 48,9%, respetivamente); 13,3% dos militares revelam que no briefaram os F/A acerca dos cuidados a ter nas RS, dos quais 3,3% acreditam que os F/A no tm que ter cuidados nas RS, o que apesar de ser um valor baixo, no deixa de representar um perigo. B-7 Caraterizao da importncia dos Briefings Tabela B-12 (2;25 A) Briefings recebidos vs. N de misses internacionais efetuadas (valores em %). Que cuidados teve em relao aos F/A acerca das RS? * Eles no tm que ter cuidados 3,3% 90 Militares No lhes falei dos cuidados a ter 10% Disse-lhes para no revelarem informaes sobre a misso nas RS 48,9% Demonstrei-lhes o perigo de fazer certas publicaes nas RS 54,4% B-8 Antes de ingressarem nas misses, nem todos os militares so briefados acerca das RS. As respostas dos inquritos evidenciam esta realidade, 90% dos militares j receberam pelo menos um briefing acerca da utilizao das RS e 10% nunca receberam briefing acerca destas matrias; de realar que 5,6% dos militares nunca receberam briefing e participaram em 3 ou mais misses internacionais; Identificados com cor-de-laranja, encontram-se destacados 33,3% de militares que podem ter sido ameaas segurana das operaes, na medida em que no foram devidamente briefados acerca das RS antes de todas as misses e partindo do pressuposto de que basta um militar no ter recebido briefing acerca da segurana nas RS, antes da misso, para existir risco de que o mesmo comprometa a segurana das operaes (ver o caso estudo exposto por Mineiro (2015), no Subcaptulo 7.4.2). Tabela B-13 (26;27 A) Classificao da importncia dos briefings. 17,8% dos militares no receberam briefing acerca das RS antes de ingressarem na misso mais longa em que participaram; Acrescenta-se que segundo todos os inquiridos que foram briefados (82,2%), as quebras de segurana e os cuidados a ter nas RS, foram matrias abordadas (ver Pergunta 28, Anexo A). E reala-se que 74% dos briefados, consideraram o briefing como Muito Importante (Pergunta 27, Anexo A). Tabela B-14 (9;29 A) Classificao da importncia dos briefings. (9 A) Necessidade de mais briefings * Sim 67,8% 90 Militares No 32,2% (29 A) Atributo de importncia Muitos do a devida importncia 36,7% Poucos do a devida importncia 63,3% Face realidade da nossa organizao, nomeadamente no que toca atribuio de importncia hierrquica quanto necessidade de existirem briefings assduos antes dos militares ingressarem nas misses, constata-se que na opinio de quem esteve destacado no existem briefings suficientes acerca das RS. 67,8% militares destacaram a necessidade de mais briefings; Recebeu Briefing acerca das RS Sim 82,2% 90 Militares No 17,8% Importncia do Briefing Muito importante/ Importante 82% 74 Militares (82,2%) Pouco importante 18% B-9 E ainda, a maior parte dos militares (63,3%) acha que no se encaram os briefings acerca das RS com a devida importncia. Tabela B-15 (19;24;26 A) Relao entre os militares briefados, conhecimento do Geotagging e preocupao em briefar os familiares e amigos. Militares que, antes de ingressar na misso: Foram briefados No foram briefados Geotagging Sabe o que 61,1% 12,2% 73,3% 100% 90 Militares No sabe 21,1% 5,6% 26,7% Briefou os F/A Sim 71,1% 15,6% 86,7% 100% No 11,1% 2,2% 13,3% 26,7% dos militares inquiridos no sabem o que o Geotagging; 21,1% dos militares foram briefados e no sabem o que o Geotagging, o que significa que 25,7% dos militares que foram briefados no sabem o que essa caraterstica das tecnologias atuais; Acrescenta-se ainda que 45,8% dos militares que no sabem o que o Geotagging, j participaram em 3 ou mais misses e os restantes 54,2% participaram em 1 ou 2 misses (Pergunta 2 e 19, Anexo A); Segundo a Tabela B-15, tambm se constata que 11,1% dos militares foram briefados e no se preocuparam em dar a conhecer aos familiares e/ou amigos (F/A) os perigos das RS para as operaes. O que significa que 13,5% dos militares que foram briefados, no se preocuparam em briefar os F/A; Assim, conclui-se o seguinte: os briefings no so to eficientes como deveriam, ou os militares no os encaram com a devida seriedade; e deveriam haver mais briefings e aes de sensibilizao acerca das RS. B-8 Caraterizao do interesse pelas RSFA Tabela B-16 - Interesse dos militares pelas RSFA (30 A) Conhece as RSFA Sim 88,4% 86 Militares No 11,6% (31 A) RSFA preferidas * Facebook 98,7% 76 Militares (88,4%) YouTube 46,1% Twitter 22,4% (32 A) Interesse pelas publicaes das RSFA Sim 79% No 21% (33 A) Sentimento ao ver as publicaes * Orgulho 65,8% Motivao 47,4% B-10 88,4% dos militares conhecem as RSFA; A RSFA mais conhecida o Facebook com 98,7%; 79% dos militares demonstram interesse pelas publicaes acerca da FA, e os restantes 21% raramente ou nunca vm as publicaes da FA nas RS; 65,8% de militares sentem orgulho na FA ao verem as publicaes nas RS; Essas publicaes so um fator motivador para 47,4% militares. Figura B-6 (34 A) Frequncia com que os militares fazem comentrios nas publicaes das RSFA. 50% do grupo de 76 militares comentam as publicaes da FA muitas vezes, esporadicamente ou raramente; Segundo a Tabela B-4, 45,6% de todos os militares inquiridos afirmam que as RS permitem influenciar a OP em nosso favor (ver Pergunta 9, Anexo A). Tabela B-17- Partilha de publicaes das RSFA (35 A) Partilhou as publicaes das RSFA Sim 64,5% 76 Militares No 35,5% (36 A) Motivo Promover a imagem da FA OP 56,6% Promover a misso da FA 53,9% A maioria dos militares j partilhou as publicaes da FA nas RS, representando 64,5%; A maioria dos militares, 56,6%, partilha as publicaes das RSFA para promover a imagem da FA OP e 53,9% para promover a misso da FA. Tabela B-18 (33;35 A) Partilha das publicaes das RSFA em funo do sentimento de orgulho Partilhou as publicaes da FA Sim No Sentimento Orgulho 78% 22% 50 Militares 78% dos militares sentem orgulho ao ver as publicaes das RSFA e acabam por partilhar as mesmas nas RS pessoais. C-1 Anexo C - Modelo de Anlise Tabela C-1 - Modelo de Anlise Conceitos Dimenses Indicadores Forma de validao Comunicao externa Impacto na misso Preocupao organizacional Entrevistas e Inqurito Planeamento estratgico Briefings Segurana Importncia hierarquia Entrevista e Inqurito Importncia para os militares da FA Inqurito Interno Ambiente de Informao Meios Quantidade de atores e capacidades das RS Entrevistas mbito da Gesto e do Uso Existncia de Poltica de Gesto e uso Situational Awareness Utilizao Em vrias reas: segurana, informao pblica Entrevistas Motivao mbito do uso Realizao de Post Entrevistas e Inqurito Esclarecimento de comentrios