O Impacto das Redes Socias na Imprensa Online Estudo de ... ?rio de Estgio... Captulo II

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O Impacto das Redes Socias na Imprensa Online Estudo de Caso no Jornal Expresso Flvia Miranda Barbosa Maio, 2016 Relatrio de Estgio de Mestrado em Cincias da Comunicao especializao Estudos dos Media e Jornalismo Relatrio de Estgio apresentado para cumprimento dos requisitos necessrios obteno do grau de Mestre em Cincias Comunicao realizado sob a orientao cientfica do Professor Doutor Jacinto Antnio Rosa Godinho. Agradecimentos Para a apresentao deste estudo, importante que sejam dedicadas algumas palavras de agradecimento s pessoas que estiveram comigo ao longo deste ano de trabalho. Ao Professor Doutor Jacinto Antnio Rosa Godinho pela partilha de conhecimentos e sugestes que se tornaram fundamentais para o desenvolvimento do meu trabalho, assim como pela disponibilidade prestada ao longo deste ano. Aos meus pais, Joo Paulo e Maria, pelo amor incondicional, pelo apoio financeiro, pela confiana depositada nas minhas capacidades, e por todos os dias ensinarem-me a ser uma pessoa melhor e incentivarem-me a no desistir dos meus objetivos. Ao Antnio, pela disponibilidade, pacincia, carinho, amor, compreenso, dedicao e generosidade. Joana, no s pelo companheirismo e amizade, como tambm pelos preciosos conselhos e partilha de experincias ao longo destes dois anos de Mestrado. Andreia, pela infinita generosidade, pacincia, amizade, preocupao, e pelo incentivo e ajuda ao longo deste trabalho. O IMPACTO DAS REDES SOCIAIS NA IMPRENSA ONLINE ESTUDO DE CASO NO JORNAL EXPRESSO FLVIA MIRANDA BARBOSA Resumo Este estudo resultado de um trabalho durante trs meses, entre o dia 2 de novembro 2015 e o dia 1 de fevereiro de 2016, na redao do jornal Expresso Online. Desta forma, o objetivo primordial do presente relatrio perceber o impacto que as redes sociais assumem na imprensa online, atravs de um estudo de caso sobre a anlise das notcias publicadas no jornal Expresso durante o perodo 13 de novembro de 2015 a 15 de novembro de 2015. O perodo em questo refere-se aos atentados de Paris, em que a cobertura realizada pelo jornal permitiu que alcanasse nmeros significativos de visualizaes, sendo a maior parte delas atravs das redes sociais. PALAVRAS-CHAVE: Jornalismo Online, Redes Sociais, Internet, Expresso. ABSTRACT This study is the outcome of a three-month work, developed between November 2nd 2015 and February 1st 2016, in the newspaper office of Online Expresso. Thus, the primary goal of this report is to understand the impact that social networks play in online press, through a case study on the analysis of the news published in Expresso newspaper during November 13th to November 15th 2015. This period refers to the Paris attacks, in which the newspaper coverage allowed it to reach significant number of views, most of them through social networks. KEYWORDS: Online Journalism, Social Networks, Internet, Expresso. ndice Introduo ......................................................................................................................... 1 Captulo I O estgio curricular no jornal Expresso ....................................................... 4 I.1 O jornal Expresso .................................................................................................... 4 I.2 Descrio da experincia e das tarefas realizadas ................................................... 5 I.3 Dificuldades ............................................................................................................. 9 Captulo II A influncia das redes sociais na imprensa online .................................... 11 II.1 Situao dos atentados em Paris .......................................................................... 11 II.2 Jornalismo Online: a fuso entre o jornalismo e a internet .................................. 11 II.2.1 Redes socias ...................................................................................................... 19 II.2.2 O jornalismo e as redes sociais ...................................................................... 21 II.3. Estudo de Caso .................................................................................................... 25 II.3.1 Apresentao dos dados................................................................................. 27 II.3.2 Resultados ...................................................................................................... 34 II.3.3 Consideraes Finais ..................................................................................... 40 Concluso ....................................................................................................................... 45 Bibliografia Geral ........................................................................................................... 50 Anexos ............................................................................................................................ 54 Anexo 1 ....................................................................................................................... 54 Anexo 2 ....................................................................................................................... 55 Anexo 3 ....................................................................................................................... 56 Anexo 4 ....................................................................................................................... 57 Anexo 5 ....................................................................................................................... 59 Anexo 6 ....................................................................................................................... 62 Anexo 7 ....................................................................................................................... 65 Anexo 8 ....................................................................................................................... 66 Anexo 9 ....................................................................................................................... 67 Anexo 10 ..................................................................................................................... 70 Anexo 11 ..................................................................................................................... 71 Anexo 12 ..................................................................................................................... 72 Anexo 13 ..................................................................................................................... 73 Anexo 14 ..................................................................................................................... 74 Anexo 15 ..................................................................................................................... 76 Anexo 16 ..................................................................................................................... 77 Anexo 17 ..................................................................................................................... 78 Anexo 18 ..................................................................................................................... 82 Anexo 19 ..................................................................................................................... 83 ndice de Tabelas Tabela 1.27 Tabela 2.28 Tabela 3.29 Tabela 4.30 Tabela 5.31 ndice de Grficos Grfico 132 Grfico 232 Grfico 333 Grfico 433 Grfico 534 1 Introduo A sociedade tornou-se mais interessada e informada a partir do momento que a Internet surgiu. O seu aparecimento fez com que o indivduo conseguisse aceder aos contedos do seu interesse de forma gratuita, em qualquer lugar, e num perodo de 24 horas por dia. O jornal em papel deixou de ser um meio de comunicao que a populao recorre e, consequentemente, substitudo pela imprensa online. Assim sendo, as inmeras vantagens oferecidas pela comunicao na Internet tornaram-se importantes para o desenvolvimento dos rgos de comunicao no mundo digital. A Internet surgiu em meados da Guerra Fria, atravs de um projeto de pesquisa militar, mas s a partir dos anos 90, e com o aparecimento da World Wide Web, que as pessoas comearam a v-la como um novo meio de comunicao. Desta forma, () a Internet, acumulando segundo a segundo, sucessivas camadas de nova informao, tornou-se a Biblioteca de Alexandria dos tempos modernos, j que nela se rene praticamente tudo o que diz respeito nossa civilizao (Vieira, 2007, p. 169). Com o crescimento da Internet, dos computadores pessoais e da comunicao online, surgiram tambm novas formas de comunicar, nomeadamente as redes sociais. As redes sociais so redes que permitem o contacto e a partilha de experincias com outras pessoas e, ao longo dos ltimos anos, tm assumido uma importncia significativa no mundo online. Facebook, Twitter, Snapacht, Youtube, LinkedIn, Whatsapp, Google +, entre outros, so vrios exemplos de redes socias que muitas pessoas utilizam no seu dia-a-dia. No entanto, o Facebook e o Twitter so, sem qualquer dvida, as que a maior parte da populao utiliza. O Facebook permite ao utilizador ter um perfil pessoal ou pgina, onde pode partilhar desde fotografia e vdeos at informaes, e ainda ter amigos, ou simplesmente seguidores. Relativamente ao Twitter, uma rede que tem um limite mximo de comunicao de 140 caracteres e os leitores podem ser seguidores uns dos outros. Desde o aparecimento do Facebook, em 2004, que o seu crescimento tem sido representativo na sociedade, dado que a maior parte das pessoas possui uma conta nesta rede social e a utiliza com muita frequncia. Embora o Twitter tambm seja utilizado por uma significativa parte da populao, devido sua estrutura de comunicao, o nmero de utilizadores mais reduzido do que o do Facebook. Contudo, no foi s a populao que viu neste novo meio de 2 comunicao potencialidades de se expressar. A comunicao social, ao longo dos anos, tem vindo a apostar significativamente nas redes sociais e a explorar as suas inmeras possibilidades. Desta forma, uso das redes sociais por parte do jornalismo tem merecido vrias contribuies de acadmicos e profissionais sobre as vantagens e desvantagens dessa relao (Rodrigues, 2012, p. 187). O Facebook uma plataforma que permite divulgar e partilhar informao e, ainda, captar novos leitores. No que diz respeito ao Twitter, a sua estrutura de comunicao apontada como ideal para os breaking news, alm de permitir ir ao encontro de fontes e concretizar uma maior ligao aos utilizadores, nomeadamente no que diz respeito interaco e s reaces que caracterizem esta forma de relacionamento (Rodrigues, 2012, p. 147). O presente relatrio foi elaborado no mbito do Mestrado de Cincias da Comunicao, com especializao nos Estudos dos Media e do Jornalismo, que prev a realizao de um estgio curricular num meio de comunicao social com a durao de trs meses. Entre o dia 2 de novembro de 2015 e o dia 1 de fevereiro de 2016, estagiei no jornal Expresso Digital. Durante este perodo, os atentados que ocorreram em Paris no dia 13 de novembro de 2015 foram um dos temas de maior impacto no jornal, o que permitiu que o Expresso alcanasse novos valores recorde de visualizaes. Nesta linha de sentido, o presente relatrio, estruturado em dois captulos, foi elaborado com o intuito de evidenciar a influncia que as redes sociais assumem na imprensa online, atravs de um estudo de caso que tem como base o ataque capital francesa, concentrando-se na difuso, partilha e visualizao de notcias do jornal Expresso durante trs dias. O primeiro captulo remete-se descrio do estgio curricular no jornal Expresso durante o perodo da sua durao. Nesta sequncia, ao longo do captulo, so descritas as tarefas realizadas durante o estgio, explicitando-se a importncia que cada uma delas assumiu no meu percurso de estagiria, e ainda as dificuldades sentidas, os pontos positivos e negativos, bem como uma avaliao geral do mesmo. O segundo captulo centra-se no tema do relatrio, isto , na influncia que as redes sociais manifestam na imprensa online. Como referido anteriormente, o ponto de partida deve-se ao facto de o Expresso ter alcanado novos valores de visualizaes com a situao dos atentados de Paris e com grande impacto sob as redes sociais. Assim, para a realizao do estudo de caso das notcias publicadas no Expresso Digital no dia dos ataques e nos dois dias posteriores, necessrio realizar um enquadramento 3 em relao ao jornalismo e Internet, desde o surgimento do papel impresso at ao aparecimento da Internet e do novo meio de comunicao digital, jornalismo online, alm da explicitao da relao que atualmente existe entre o jornalismo digital e as redes sociais. O estudo de caso apresentado sob a forma de tabelas e grficos com valores relativos s notcias mais visualizadas no Facebook em cada dia e tambm no conjunto dos trs dias; s notcias mais vistas no site do jornal durante os dias em anlise; evoluo do nmero de sesses ao longo dos trs dias no Facebook; ao trfego durante os dias de anlise no jornal; e, por ltimo, aos meios das redes sociais mais acedidos ao longo dos trs dias. 4 Captulo I O estgio curricular no jornal Expresso I.1 O jornal Expresso No Edifcio So Francisco de Sales, localizado na Rua Calvet de Magalhes, n. 442, em Pao de Arcos, situam-se algumas das publicaes do Grupo Impresa, nomeadamente o Expresso, rgo onde realizei o estgio curricular inserido no Mestrado em Cincias da Comunicao, especializao Estudo dos Media e Jornalismo, da Faculdade de Cincias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Francisco Pinto Balsemo criou, em 1972, o Sojornal/Expresso com o objetivo de produzir um semanrio com qualidade em Portugal, independentemente da censura que o pas atravessava naquela poca. Dois anos depois, a VASP foi fundada com o intuito de distribuir o jornal Expresso, que tinha chegado s bancas a 6 de janeiro de 1973 (Expresso, 2014). Em 1981, a Sojornal adquiriu parte do seu capital e, atualmente, a VASP responsvel pela distribuio das publicaes do Grupo. Posteriormente fundao do jornal, o Grupo dedicou-se edio de revistas, sendo a revista Exame a primeira da lista de publicaes. Em 1991, surgiu a denominao Impresa, devido abertura do Grupo a investidores externos e, nesse mesmo ano, o Grupo Impresa tornou-se um dos acionistas fundadores do primeiro canal privado, a SIC Sociedade Independente de Comunicao. Mais tarde, em 2001, a SIC viria a integrar a SIC Internacional e a SIC Notcias, exponenciando o crescimento da empresa at 2008, ano em que se tornou o maior grupo de comunicao social em Portugal (Pacheco, 2013, p. 11). Atualmente, o Grupo Impresa responsvel pela publicao de jornais e revistas, nomeadamente o Expresso, a Exame, o Courrier Internacional, a Viso, o Jornal de Letras, a Viso Jnior, a Viso Histria, a Exame Informtica, a Caras, a Caras Decorao, a Activa, a TVmais, a Telenovelas, a Blitz e a Viso Viagens. De 2 de novembro de 2015 a 1 de fevereiro de 2016 estagiei na redao do Expresso Online durante 462 horas. Inicialmente, quando me candidatei a um estgio curricular no Grupo Impresa, tinha como objetivo estagiar na redao da revista Activa ou em canais de comunicao da SIC, particularmente a SIC Mulher ou a SIC Radical. 5 Dado que no havia vagas para o perodo em questo, foi-me proposta a realizao de uma entrevista no Expresso. Assim que fui informada que tinha sido selecionada como estagiria, adiei a resposta por um perodo de dois dias, uma vez que havia um interesse manifestado por parte de outro rgo de comunicao. No entanto, tomei a deciso de optar pelo Expresso por o considerar um jornal de referncia. Assim, no primeiro dia de estgio, apresentei-me na redao s 8h, como me fora indicado, com a expectativa de que seria uma experincia positiva na minha formao e uma escola de jornalismo de grande exigncia que me forneceria ferramentas fundamentais para iniciar o meu percurso nesta rea. I.2 Descrio da experincia e das tarefas realizadas A redao do Expresso ocupa o quarto andar do Edifico So Francisco Sales, onde, de um lado, est instalada a revista Exame, juntamente com jornalistas da E, e no lado oposto, localiza-se o jornal online, dirio e as suas respetivas seces. As secretrias do meio so reservadas para os principais editores do jornal e os jornalistas do online esto prximos dos elementos da direo, em secretrias agrupadas por ilhas. No Expresso Online, os jornalistas tm dois turnos, o das 8h s 16h e das 16h s 00h, sendo o primeiro aquele que que me foi atribudo ao longo dos trs meses. Durante o estgio, fui orientada pelo Editor de Multimdia do jornal, o jornalista Germano Oliveira, mas com a superviso do Coordenador de Multimdia, o jornalista Paulo Lus de Castro. Contudo, uma vez que o meu orientador se encontrava a gozar um perodo de frias nos primeiros quinze dias de estgio, apenas fui orientada pelo Coordenador de Multimdia. A primeira notcia que elaborei foi destinada seco Internacional e abordava a histria de Gnter Schabowski, um antigo porta-voz do Partido Comunista da ento Repblica Democrtica Alem (RDA) que tinha falecido no dia anterior, dia 1 de novembro de 2015 (Ver anexo 1). Morreu Gnter Schabowski, o homem que marcou a histria com trs palavas a primeira notcia que recordo como um dos momentos mais relevantes no estgio, dado que no possua qualquer tcnica jornalstica e, mesmo assim, o meu trabalho recebeu elogios do Coordenador. A par da produo de notcias, a recolha de notcias da Agncia Lusa era outra das funes que desempenhava. Atravs de uma plataforma intitulada Content Station, 6 retraa a notcia e colocava-a no back office local onde os textos so introduzidos e posteriormente editados -, alterando apenas o ttulo, a entrada e acrescentando imagens, caso se justificasse. Ao longo do estgio, produzi diferentes contedos noticiosos para diversas seces, nomeadamente Internacional, Sociedade, Desporto e Cultura. As notcias realizadas para a seco Internacional, alm de serem colocadas no jornal online, eram tambm alocadas posteriormente no Jornal Dirio Online, na seco Mundo, e retratavam temas da atualidade, sobretudo assuntos relacionados com o Estado Islmico e o Mdio Oriente. No entanto, alm das notcias que eram facultadas para produzir, houve situaes em que propus contedos para o jornal sobre temas que eram notcia em outros rgos de comunicao social, nomeadamente os estrangeiros. Embora alguns tenham ficado retidos nas caixas de correio eletrnico, houve alguns que foram aceites, como o caso da reabertura da Fontana de Trevi, em Itlia, que foi colocada na seco do Internacional com o ttulo de Ritual das moedas volta a Fontana de Trevi (Ver anexo 2). Para a seco de Desporto, produzi alguns contedos relacionados com diferentes temas, nomeadamente um artigo que d conta da morte de um antigo campeo mundial de pesos-mdios no pugilismo, ONeil Bell, baleado num assalto em Atlanta; outro acerca da invaso do campo de treinos do Seixal por parte dos adeptos do Benfica de forma a manifestarem o seu descontentamento contra os resultados da equipa; e ainda sobre o pai do treinador Julen Lopetegui, que tinha dado uma entrevista a um jornal desportivo portugus a propsito da situao do filho como ex-treinador do FC Porto. Todavia, nesta seco, a notcia que mais destaco sobre o despedimento de Jos Mourinho da equipa de futebol inglesa Chelsea, em dezembro de 2015. Embora esta notcia s tenha sido publicada no dia seguinte ao despedimento, o objetivo do jornal era escrever sobre pormenores desse dia que ainda no tinham sido revelados em nenhum outro rgo de comunicao social portugus, especialmente detalhes relacionados com a durao da conversa que resultou no despedimento, como o facto de os jogadores da equipa estarem a par da situao. Como resultado final, foi elaborada a notcia Dez minutos de conversa e um despedimento rpido (Ver anexo 3). Como referido anteriormente, ao longo do estgio, produzi muitos contedos para a seco Internacional, incidindo sobretudo sobre assuntos da atualidade e editados pelos jornalistas especficos da seco. Todavia, o meu orientador de estgio, por vezes, solicitava-me para escrever a propsito de histrias peculiares que encontrava nos 7 rgos de comunicao social estrangeiros. Dentro dessas histrias, o caso que assinalo o de um turista ingls que estava perdido na Austrlia, circulando nas redes sociais fotografias com pedidos de ajuda por parte da irm. Assim que escrevi esta histria, atravs de um trabalho de pesquisa nos rgos de comunicao estrangeiros, descobri que o turista era novamente notcia devido ao seu aparecimento, o que fez com que necessitasse de reformular o artigo que tinha escrito anteriormente (Ver anexo 4), especialmente tendo em ateno que, quando as indicaes me foram dadas, no se sabia ainda que o jovem em questo tinha j aparecido. Embora a pesquisa que efetuei esteja inserida nos padres do jornalismo a necessidade de procura de informao e a veracidade das fontes , este demonstrou ser um exerccio importante, na medida em que permitiu que eu adotasse esse valor do jornalismo de uma forma mais profunda e se tivesse enraizado, mesmo que ele esteja subentendido no trabalho de um jornalista. A 11 de janeiro de 2016, quando entrei na redao hora habitual, os jornalistas foram surpreendidos com a morte do cantor David Bowie. Tendo em ateno este facto, rapidamente comearam a ser produzidos contedos de forma a atualizar o site do jornal com o mximo de informao possvel e que estava disponvel at ao momento. Entre as tarefas divididas, o Coordenador de Multimdia solicitou-me a realizao de um artigo sobre as reaes da imprensa internacional morte do artista. Para isso, investiguei detalhadamente a imprensa internacional e compilei o grande volume de informao que recolhi em apenas um artigo. Artista de mltiplos talentos. assim que Bowie recordado (Ver anexo 5) o ttulo da notcia que contm informao da imprensa espanhola, americana e inglesa. Ao longo do artigo, esto tambm presentes tweets de figuras conhecidas da msica, cinema, poltica ou apenas de fs annimos do artista. Na ltima semana de novembro, ainda dentro do primeiro ms de estgio, um jornalista conceituado e experiente da seco Internacional do semanrio, Jos Pedro Castanheira, requereu ao Editor de Multimdia um colaborador disponvel para o ajudar com um trabalho urgente e, do conjunto de poucos estagirios de que o jornal dispunha, o jornalista Germano Oliveira escolheu-me como a pessoa indicada para ajudar. O jornalista Jos Pedro Castanheira estava a escrever uma pea sobre os 40 anos da independncia da Angola e, para isso, tinha entrevistado diversos polticos reconhecidos dessa poca, sendo um deles o ex-Primeiro-Ministro e ex-Presidente da Repblica de Timor Leste, vencedor de um Nobel da Paz e conhecido como Ramos Horta. Dado que 8 a seco Internacional tinha um tempo limitado na publicao do artigo e uma das jornalistas responsveis pela entrevista tinha sido alocada para outro trabalho, pediram-me que transcrevesse a entrevista. No incio, revelou-se uma tarefa complexa, uma vez que o som da entrevista era pouco perceptvel e a dico de Ramos Horta difcil de compreender. Todavia, e a par das dificuldades sentidas, foi tambm uma tarefa interessante de desempenhar, dado que me permitiu obter um conhecimento mais profundo do assunto, bem como desenvolver as minhas capacidades de trabalho e de aprofundamento de competncias. Assim que terminei a transcrio da entrevista, o jornalista Jos Pedro Castanheira pediu-me que selecionasse as passagens que, na minha opinio, pudessem ser colocadas no artigo final, tendo em conta que a entrevista tinha um perodo de duas horas e apenas seriam retirados os excertos mais significativos e importantes para o assunto em questo. Quando a pea foi publicada, fiquei visivelmente agradada, uma vez que boa parte das minhas sugestes foi aceite. (Ver anexo 6) Por ltimo, durante as 462 horas em que trabalhei na redao, houve um artigo que recordo como uma das minhas melhores experincias no Expresso. A poucos dias do Natal, propus ao meu orientador um artigo para a seco de Cultura. A diferena entre este artigo e todos os outros que anteriormente propus centrava-se no facto de este no ter sido influenciado por nenhuma informao oriunda de outro rgo de comunicao, mas por um conhecimento pessoal que se traduziu na conceo, estruturao e redao do mesmo. A proposta direcionava-se na elaborao de um artigo a propsito da abertura de um Centro Interpretativo no conhecido Palcio do Raio, que pertence cidade Braga e Santa Casa de Misericrdia de Braga. Nesta linha de sentido, o meu orientador deu uma resposta afirmativa a esta proposta e foi agendada uma notcia de antecipao da abertura do museu. Em vsperas do Natal, e considerando que o museu abriria no dia 29 de dezembro, numa segunda-feira, deixei o artigo finalizado no back office e informei o Editor. Todavia, at data de abertura do Museu, o artigo no tinha sido publicado nem editado. Tendo em conta a situao, em vsperas de abertura, notifiquei por correspondncia eletrnica o Editor, de forma a que visualizasse o artigo, dado que no faria sentido ser publicado posteriormente abertura. Na segunda-feira, precisamente no dia em que o Centro Interpretativo foi inaugurado, o jornalista Germano Oliveira solicitou algumas alteraes pea, uma vez que considerou que o primeiro pargrafo no era aprazvel para o leitor. Considerando este facto, a pea foi 9 reformulada tendo em ateno as alteraes indicadas, e publicada no dia seguinte, na tera-feira, dia 30 de dezembro. Braga tirou da degradao 250 anos de histria (Ver anexo 7) foi um dos artigos mais importantes ao longo dos trs meses na redao do Expresso, uma vez que estabeleci contatos prprios com fontes de informao, nomeadamente com a pessoa encarregue e responsvel da abertura do Centro Interpretativa, aliado ao facto de ter sido um tema que sugeri. Alm disso, foi um dos textos mais lidos da semana, merecendo o stimo lugar no ranking dos artigos mais vistos do site e com direito a nmero significativo de partilhas, gostos e comentrios na rede social Facebook. I.3 Dificuldades Confrontando as minhas expetativas inicias com o resultado final, avalio positivamente a experincia neste estgio. No entanto, pontualmente assinalam-se alguns aspetos menos positivos, como por exemplo a inexistncia de resposta por parte dos editores quando propunha novos temas para notcias ou ainda o esquecimento quando o tema era aceite, e apesar de haver um alerta para o facto da notcia estar em back office, por lapso no era visto. Alm disso, outro aspeto que saliento como menos positivo na redao do Expresso Online o facto de no ter realizado trabalho de campo para a elaborao de reportagem ou notcia. Ao longo dos trs meses, o estgio decorreu dentro da redao e a nica vez que mantive algum contacto com fontes foi na notcia que me propus elaborar referente ao Centro Interpretativo da Santa Casa da Misericrdia de Braga. Considero o trabalho de campo inerente produo de uma noticia ou reportagem importante e relevante para um estgio numa redao de um jornal, dado que, a meu ver, este aspeto torna-se uma mais-valia na experincia de um estagirio e no seu crescimento enquanto jornalista. Nas notcias do Internacional, nas que se referiam aos temas da atualidade, houve situaes em que senti algumas dificuldades na sua conceo, uma vez que eram sobre assuntos em que no estava muito confortvel, fazendo com que alguns dos textos tivessem mais correes do que o habitual. No entanto, relevante salientar que todos os jornalistas encarregues de editar os textos que produzi se revelaram profissionais no cumprimento das suas funes, apontado os meus erros e aconselhando-me formas e mtodos mais eficazes de aperfeioamento da minha escrita. 10 Em ltima instncia, a anlise global que fao deste estgio curricular francamente positiva (Ver anexo 8), dado que consegui assimilar e desenvolver ferramentas imprescindveis e nucleares para o exerccio da profisso de jornalista, aliado ao facto de o ambiente da redao ser agradvel, de camaradagem e repleto de jornalistas profissionais, rigorosos e que partilharam comigo os seus conhecimentos e experincia. 11 Captulo II A influncia das redes sociais na imprensa online II.1 Situao dos atentados em Paris No dia 13 de novembro de 2015, Paris foi palco de atentados que provocaram mais de uma centena de mortos. A cobertura noticiosa do Expresso Digital, no sbado 14 de novembro (um dia depois do ocorrido), atingiu um nmero recorde, com 753,040 visitas ao site. A maior parte das visitas resultou do trafego mvel, que nesse mesmo dia, chegou a ultrapassar os 50%, e da partilha da informao atualizada nas redes sociais, com maior destaque para o Facebook. Tornou-se vulgar o crescimento do jornal nas diversas plataformas online que apresenta, nomeadamente Facebook e Twitter. Neste sentido, o trabalho a desenvolver centra-se na anlise das notcias do dia do atentado e dos dois dias posteriores, de forma a tentar perceber a influncia das redes sociais na imprensa online. Para isso, importa fazer no s um enquadramento em relao ao jornalismo e Internet, mas tambm explicitar a relao entre jornalismo digital e redes sociais. II.2 Jornalismo Online: a fuso entre o jornalismo e a internet A Internet surge no contexto da Guerra Fria, mais precisamente em 1969, atravs de um projeto de pesquisa militar, cujo propsito era o de garantir a comunicao a nvel estratgico e cientifico entre os militares. Nessa altura, os computadores eram ferramentas que ocupavam salas inteiras e a Internet era usada como um recurso que possibilitasse a sobrevivncia dos canais de comunicao em caso de guerra. Da que, entre os anos 60 e 80, a Internet era um domnio que pertencia aos centros acadmicos e militares (Steganha, 2010, p. 15 ). No entanto, em 1972, foi utilizada para outro fim, nomeadamente a troca da primeira correspondncia eletrnica. Nesta altura, as pessoas associavam os computadores em rede a ferramentas que permitiam substituir o correio tradicional ou telefone atravs do servio de correspondncia eletrnica (Vieira, 2007, p. 172). 12 Foi na dcada de 90 que comearam aparecer os primeiros computadores pessoais, e que permitiram substituir os computadores iniciais, que continham um grande nmero de botes e ocupavam salas inteiras. Nessa mesma poca, Tim Berners-Lee desenvolveu um projeto para simplificar a navegao em rede, mais conhecida como World Wide Web (WWW) (Steganha, 2010, p. 16). Na altura em que a World Wide Web apareceu, a Internet no s no era interativa, com tambm no era atraente, apresentando apenas um conjunto de pginas isoladas, permitindo aos internautas procurar informao e trocar mensagens via email. Apesar dessas suas caractersticas iniciais, e com o decorrer do tempo, a World Wide Web permitiu facilitar a publicao de textos, alm da produo e edio, e, ao mesmo tempo, a sua constante atualizao, atravs de uma forma rpida e eficaz e sem custos de distribuio. Desta forma, () a Internet esbateu restries fsicas impostas pelo tempo e espao e permitiu ao indivduo comum aceder, pela primeira vez, aos seus contedos de interesse em qualquer lugar, 24 horas por dia, gratuita e instantemente (Pires, 2013, p. 53). Tendo em ateno este facto, a Internet tornou-se um novo meio de comunicao da populao, embora no seu incio, para comunicar, fosse necessrio respeitar o cumprimento de determinados critrios, tcnicas e linguagens adaptadas a diversas plataformas. Todavia, e dado que a Internet estava em expanso, e como nota Bastos, muitas empresas do mundo do jornalismo viram neste novo meio de comunicao () uma nova oportunidade para veicularem os seus contedos, tirando partido das potencialidades da publicao eletrnica na rede mundial de computadores () (Bastos, 200, p.106). Desta forma, o jornalismo deixava de ser apenas produzido para determinados formatos, mas obrigado a inclu-los numa plataforma acessvel atravs de um clique. Neste sentido, estava-se perante o nascimento de um novo gnero de jornalismo, divulgado atravs das novas tecnologias, mais precisamente da Internet: o Jornalismo Online (Martins, 2013, p. 5). 13 Embora vrios autores caracterizem o jornalismo online com diferentes conceitos, nomeadamente webjornalismo, ciberjornalismo, jornalismo digital, jornalismo eletrnico e jornalismo de multimdia, a ideia sempre a mesma: produzir contedos noticiosos, publicar e divulgar na internet (Martins, 2013, p. 5). Nos finais de 1994, e segundo o que Vivian da Silva Corra menciona sobre o Newspaper Association of America no seu artigo Periodismo Digital: Interseco e Desmaterializao, nos Estados Unidos da Amrica j existiam cerca de 70 publicaes peridicas online. (Corra, 2009, p. 10) As primeiras verses eletrnicas eram arquivos das edies em papel e apresentavam poucas imagens (Pastoria, 2011, p. 24). Desta forma, entre os anos de 1994 e 1997, assistiu-se ao acentuado crescimento dos jornais online (Bastos, 2000, p.110). No obstante, antes do perodo significativo de expanso jornalstica online, nos anos 70, o jornal norte-americano New York Times j realizava publicao de notcias online. De acordo com o interesse temtico que os assinantes do jornal tinham poca, o New York Times publicava resumos e textos completos de notcias das suas edies, quer fossem mais antigas ou recentes . Tendo em conta que a Internet estava a expandir-se significativamente, importante referir que a mudana do analgico para o digital uma mais-valia para o jornalismo, tendo em considerao o nmero elevado de vantagens que a comunicao digital apresenta: em primeiro lugar, a capacidade de difuso da informao universal, isto , possvel consultar a Internet e ser um elemento ativo na rede, desde que o acesso seja garantido. Com a publicao da notcia na Internet, permitido ao jornalista modificar, a cada momento, a informao ou reinserir novo contedo (Vieira, 2007, p. 174). Alm disso, e tal como nota Vieira, a Internet permite eliminar uma srie de factos intermdios que so obrigatrios na produo analgica de informao, aproximando-se de uma comunicao em tempo real. A acrescentar a este facto, neste novo meio de comunicao, a acumulao de informao infinita, uma vez que os 14 sistemas informticos apresentam uma capacidade de memria significativa (Vieira, 2007, p. 167 e 168). De acordo com Cardoso, relevante salientar que a Internet no veio colocar em causa o modelo jornalstico ou substituiu outros meios de informao. Pelo contrrio, permitiu modificar (..) essa relao entre produtor e fruidor de informao bem como a outros nveis como fontes (Cardoso, 2006, p. 262). Todavia, em relao ao jornalismo online torna-se essencial referir algumas caractersticas que o compe e que o tornam diferente do conhecido jornalismo tradicional. Segundo a perspetiva de Bardoel e Deuze, que a autora Clia Martins menciona no seu artigo Jornalismo Online: a convergncia dos meios, existem seis diferentes caractersticas no jornalismo produzido na internet. A primeira refere-se multimedialidade, uma compilao de vrios formatos dos meios de comunicao social tradicionais na produo e divulgao de contedo noticioso. Trata-se da conjuno de elementos como o texto, imagem e som. A segunda caracterstica a interatividade. Para alguns atores e jornalistas, esta uma das grandes promessas do jornalismo online e uma caracterstica fundamental da Internet. A interatividade importante no meio jornalstico, dado que permite ao leitor interagir com o contedo noticioso publicado atravs de partilhas e comentrios. Deuze considera que a interatividade de contedo compreende essencialmente dois aspetos: navegacional, tendo em conta as ferramentas existentes para a escolha e experimentao da pgina em si; e adaptativa, ou seja, o conjunto de ferramentas de personalizao do site (Neto, 2006, p. 187). A hipertextualidade a terceira caracterstica do jornalismo digital. Segundo o Fernando Zamith, () o termo hipertexto foi inventado em 1965 por Ted Nelson para designar a escrita e a leitura no linear dos sistemas de computadores (Zamith, 2008, p. 15 28). Bardoel e Deuze definem a hipertextualidade como a convergncia entre textos, imagens, sons ou vdeos interligados e que so partilhados atravs de hiperligaes. Tal como nota Zamith, consensual que a hipertextualidade, a multimedialidade e a interatividade so caractersticas fundamentais da Internet e, por arrasto, as mais importantes potencialidades que a produo jornalstica na e para a Internet pode explorar (Zamith, 2008, p. 27) . A personalizao a caracterstica nmero quatro: no jornalismo online, so os leitores que definem o gnero de informao que querem consumir e, para isso, apenas recorrem ao contedo que querem ver e definem a forma como o querem receber. A memria caracterstica posterior, permitindo aos leitores aceder a contedos mais antigos, uma vez que h uma maior produo de informao noticiosa no digital do que nos meios de comunicao tradicionais. () a Internet tem uma capacidade de acumulao de contedos praticamente ilimitada. Nunca antes foi possvel aos media guardar, reutilizar e disponibilizar todo o seu arquivo num nico local acessvel a qualquer momento e em qualquer ponto do planeta (Zamith, 2008, p. 31). Em ltimo lugar, salienta-se a instantaneidade. A Internet um meio muito rpido e, atualmente, com o avano da tecnologia, o utilizador acede rede em qualquer lugar e de forma instantnea. A capacidade de publicar instantaneamente em qualquer contedo jornalstico () sem ter de esperar pela hora do noticirio radiofnico ou televisivo ou pelo momento em que o jornal impresso comea a ser distribudo, outra das pequenas revolues causadas pela Internet (Zamith, 2008, p. 32) . 16 Desta forma, a facilidade de produo e divulgao de informao e, ainda a atualizao de informaes ou o desenvolvimento de assuntos, so alguns dos pontos mais importantes no jornalismo digital (Martins, 2013, p. 6 e 7). Embora este conjunto de caractersticas seja importante na definio do jornalismo digital, a disposio do contedo e o aspeto grfico do jornal na Internet so dos meios essenciais para apelar o leitor. Neste sentido, necessrio que o aspeto seja claro e que existam separadores concisos no portal do jornal, de forma a tornar a navegao mais simples e rpida para o leitor (Martins, 2013, p. 8). Em acrscimo, h uma certa tendncia de se compilar a imagem, o som e o vdeo como elementos de informao, o que possvel no jornalismo online atravs da hipertextualidade, mas no o no jornalismo tradicional. O objetivo da conjuno destes trs elementos captar uma maior ateno do leitor. Por isso, podemos referir que, cada vez mais, no mundo jornalstico, existe uma unio do jornalismo radiofnico e televisivo num jornalismo de imprensa. Como acima mencionado, uma das vantagens da comunicao digital a modificao da informao ou reinsero de um novo contedo assim que for necessrio. Segundo Canavilhas, mencionado por Ana Pastoria no seu artigo Periodismo Digital: Interseco e Desmaterializao, esta vantagem d origem a um fenmeno que o autor intitula como pirmide deitada. De acordo com o jornalismo tradicional, sempre que uma notcia produzida deve-se respeitar as regras da pirmide invertida do jornalismo, isto , responder s questes o qu?, quando?, onde?, como?, quem? e porqu. No entanto, para este autor, no jornalismo digital a pirmide deitada, dado que estruturada da seguinte forma: primeiro responde-se ao essencial (o qu, quem, quando e onde) e s posteriormente que se d resposta ao como e ao porqu. Atravs da informao que responde a estas duas questes (como e porqu), possvel contextualizar o leitor de forma mais completa, com o fornecimento de informaes mais amplas, atravs do formato textual ou multimdia. Por ltimo, no jornalismo online, permitido relacionar o artigo que o jornalista est a trabalhar com outras publicaes anteriores, que sejam importantes para o tema, ou ainda com ligaes externas. Assim sendo, esta pirmide permite transmitir ao leitor o mximo de informao que seja relevante para ele, num curto espao de tempo, uma vez 17 que, cada vez menos, os leitores tm tempo para ler toda a informao (Pastoria, 2011, pp. 28, 29 e 30). Em resumo, a Internet permitiu que o jornalismo se tenha expandido para vrios meios de comunicao. H cada vez mais notcias e contedos e os media disputam a ateno dos leitores atravs de vrias plataformas. a) O jornalismo online em Portugal Como acima mencionado, os primeiros jornais online surgiram nos Estados Unidos da Amrica em 1994. No que diz respeito a Portugal, durante a mesma poca, foram os primeiros dirios generalistas de expanso nacional que comearam a introduzir-se no mundo digital e a atualizar diariamente o seu respetivo noticirio. Assim sendo, o nmero de rgos de comunicao social portugueses presentes na Internet cresceu de forma acentuada em 1995. Trs anos mais tarde, em 1998, os jornais matutinos Pblico e Jornal de Notcias, foram os primeiros a apresentar uma dimenso online (Bastos, 2009, p.1). A primeira edio na web do Jornal de Notcias (JN) foi lanada a 26 de julho de 1998. O JN tornava-se assim o primeiro dirio de informao a atualizar as suas notcias numa plataforma digital. Seguindo os mesmos passos, a 22 de setembro de 1995, foi a vez de o Pblico colocar as suas edies dirias na web. Embora ainda se encontrasse numa fase experimental, em junho, o jornal j disponibilizava na pgina do site um dossi intitulado como Pblico Eleies-95, que concebia uma cobertura das legislativas, que haviam sido disputadas a 3 de Outubro (Bastos, 2009, pg.1). Relativamente ao Dirio de Notcias, quando o jornal completou 31 anos a 29 de dezembro de 1995 comeou a colocar a sua edio diria na web. No entanto, at setembro de 2001, o matutino apenas publicava online contedos que haviam sido produzidos em papel, no havendo seces autnomas, nem a produo de contedos especficos para o digital. 18 Na televiso, a 28 de Maio de 1993, a RTP era o primeiro rgo de comunicao social a registar oficialmente o seu domnio. Apesar de os canais privados j existirem, o primeiro que decidiu inserir-se no mundo da Internet foi a TVI, em 1996. A partir desse ano, mais precisamente a 12 de janeiro, o Novo Jornal da TVI comeou a estar presente na pgina oficial online (Bastos, 2009, p.4). A presena dos jornais no mundo online, em Portugal, durante a primeira dcada, ficou marcada, em termos gerais, por uma fase experimental. Embora tenha sido longa e reveladora, havia muitas hesitaes por parte das empresas jornalsticas. Contudo, importante realar que houve uma fase de expanso to acelerada e intensa quanto curta, assim como tambm uma fase de estagnao prolongada, marcada por investimento a contracorrente (Bastos, 2009, p.10). Atualmente, as redaes do jornalismo online encontram-se em fase de mutao. b) O Expresso no mundo online O Expresso foi o primeiro semanrio a introduzir-se no novo mundo do jornalismo online. A sua primeira presena na Internet foi experimental, no dia 17 de julho de 1997. A notcia sobre esse acontecimento foi publicada numa breve da primeira pgina da verso em papel, na qual o semanrio prometia comear brevemente a publicar contedos na web e as suas edies integrais (Bastos, 2009, p.3). Depois do Expresso, o Grupo em que ele est inserido Grupo Impresa anunciava as suas primeiras atividades online em dezembro de 2000. Desta forma, o Expresso e a SIC tinham como objetivo criar uma maior integrao entre elas e adotar uma estratgia mais agressiva. De acordo com Helder Bastos, Emdio Rangel, pretendia integrar a SIC Online, a SIC Notcias e a SIC Generalista numa plataforma SIC e na maior fbrica de notcias em Portugal. 19 No entanto, com a evoluo do online, o Expresso, em finais de maro de 2001, acabara com a atualizao de notcias online e despedira metade da redao. Devido a esta situao, o jornal sentiu-se obrigado a reajustar editorialmente o site. Assim sendo, a restruturao do Expresso surgia na vspera do lanamento da Viso Online, publicao que tambm pertence ao Grupo Impresa. Segundo Helder Bastos, o diretor adjunto do jornal, Jos Antnio Lima, explicara que o problema tinha sido o facto de o jornal ter aumentado a redao numa fase em que havia um enorme crescimento da internet, a nvel nacional e internacional (Bastos, 2009, p. 5 e 6). Dado que as receitas de publicidade no haviam correspondido s expectativas, a alternativa era limitar, de forma gradual, os acessos aos contedos do jornal, obrigando os potenciais clientes a pagar por aquilo que consultavam. Por isso, em setembro de 2005, o Expresso anunciava alteraes a nvel de grafismo e de contedo do seu site. Em maro de 2006, lanava o primeiro servio de podcasting no jornal, uma tecnologia digital que agora estava presente no online e permitia aos leitores realizarem nos seus computadores a importao, em formato de udio, dos contedos do jornal impresso. No ano seguinte, em setembro, as apostas do jornal direcionavam-se na valorizao de vdeos, fotogalerias, podcasts e na interao com os leitores (Bastos, 2009, p. 9). II.2.1 Redes socias O jornalismo sofreu, ao longo dos sculos, profundas mudanas, desde o desuso do jornal impresso at ao crescimento do jornalismo online. Contudo, com o advento da tecnologia e com o objetivo de atrair os leitores e manter a competitividade no mercado, os rgos de comunicao social sentiram a necessidade de recorrer a novas formas de comunicao. Para isso, comearam a utilizar as redes sociais como meio de divulgao da informao. Primeiramente, torna-se essencial definir o conceito de redes sociais. As redes sociais so redes que permitem o contacto e a partilha de experiencias entre diversos utilizadores. Segundo Nobre & Magalhes, possvel expressar a comunicao de formas distintas, podendo esta ser textual, audiovisual ou imagtica (Nobre & Magalhes, 2010, p. 2). 20 O Facebook, o Twitter, o Whatsapp, o Youtube e o Snapchat so alguns dos exemplos de redes sociais utilizados pela populao. Contudo, ao longo deste trabalho sero apenas analisado as duas redes sociais mais utilizadas pela populao e pelos rgos de comunicao social, nomeadamente o Facebook e o Twitter. Embora o jornal Expresso utilize as redes sociais como o Whatsapp e o Snapachat - uma forma de comunicao realizada atravs de uma fotografia ou vdeo que pode ser vista no mximo em dez segundos, sendo pioneira em Portugal, para efeitos do estudo do caso, o Facebook e o Twitter so unicamente as duas ferramentas de comunicao importantes para anlise, uma vez que apresentam dados estatsticos que possam ser trabalhados, enquanto sobre o Snapchat e Whatsapp no existem dados disponveis que permitem fazer uma anlise rigorosa. Todavia, para uma abordagem mais pormenorizada e real, essencial definir estas duas redes sociais. O Facebook uma das redes sociais mais conhecida do mundo. Em 2004, Mark Zuckberg, na altura aluno da Universidade de Harvard nos Estados Unidos da Amrica, criou um sistema de rede americano que permitia aos alunos que estavam a entrar na Universidade, e a todos aqueles que se encontravam na mesma, contactar-se e partilharem experincias. Inicialmente, era apenas direcionado aos alunos de Harvard que, para acederem rede, necessitavam de ter um correio eletrnico associado Universidade. No entanto, no ano seguinte, em setembro, a rede expandiu-se para mais escolas e, posteriormente, estendeu-se populao mundial, funcionando atravs de perfis e comunidades (Francisco, 2010, p. 10). Nesta rede social, as pessoas criam perfis e pedem em amizade outras pessoas, de forma a que possam ver os perfis uns dos outros. No entanto, tambm possvel criar pginas, cujo acesso informao concedido atravs de um clique no boto gosto. O Twitter, por sua vez, foi fundado pelo trio composto por Jack Dorsey, Biz Stone e Evan Williams, tendo comeado como um projeto para a empresa Odeo, em 2006. No entanto, rapidamente se tornou mundialmente conhecido e, entre 2008 e 2009, a comunicao social descobriu as potencialidades que os seus contributos poderiam dar aos media e o seu crescimento aumentou significativamente (Francisco, 2010, p. 11). 21 Esta rede social permite aos seus utilizadores comunicar com outras pessoas sobre algum tema, atravs de uma forma sucinta, e com um limite mximo de 140 caracteres por publicao. Ao contrrio do Facebook, no h amigos, mas seguidores do perfil das pessoas. Apresenta-se incorporado no conceito de microblogging, que uma forma de comunicao gil e fcil de publicar contedos e que permite a difuso da informao atravs de diferentes formas, como o telemvel, email, web, etc (Nobre & Magalhes, 2010, p. 62). Um utilizador procura esta rede social para ler notcias, estar atualizado sobre determinados assuntos, nomeadamente situaes dos familiares ou amigos, e, ainda, para opinar sobre algum tema, produto ou servios. Neste sentido, esta rede social surge como uma plataforma que serve para trocar e divulgar informaes com a comunidade em rede (Mota & Barbosa, 2014, p. 6). Existe tambm um item intitulado como trending topics, que tem o propsito de divulgar os assuntos mais procurados e comentados pelos utilizadores. Por isso, se os utilizadores clicarem nesses tpicos, conseguem aceder a toda a informao que est a ser discutida sobre determinado assunto. Considerando este facto, o Twitter, alm de possibilitar a difuso de informao, permite tambm o debate sobre vrias informaes, alm da partilha das mesmas (Recuero, p. 10). II.2.2 O jornalismo e as redes sociais O Facebook e o Twitter so as redes sociais mais utilizadas pelos rgos de comunicao social e pela populao em geral. Ao longo dos anos, os media comearam a incutir na sua comunicao estas plataformas como distribuidoras da informao. No Facebook, a maior parte dos jornais criou a sua prpria pgina, onde partilha todas as notcias, juntamente com o link do seu website. A prtica traduz-se na escrita de, geralmente, duas ou trs frases que resumam o contedo, com o objetivo de informar minimente o leitor sobre o assunto, atraindo-o para a notcia completa de forma instantnea e gratuita. Alm disso, os utilizadores tambm podem comentar a notcia no Facebook, partilh-la e colocar gosto. 22 O Twitter, como est inserido no conceito de microblogging, torna-se uma ferramenta de comunicao mais gil na distribuio e disponibilizao da informao, assim como na cobertura dos acontecimentos e, por isso mesmo, uma rede que a comunicao social recorre constantemente. No entanto, o seu sistema s permite escrever no mximo 140 carateres, o que faz com que sejam () distribu[das] de mensagens-teaser de uma notcia, contendo um hyperkink para notcia completa no corpo da mensagem (Nobre & Magalhes, 2010, p. 4). Desta forma a maior parte () dos canais noticiosos passou a disponibilizar no Twitter apenas os cabealhos das notcias, funcionando como resumo da mesma, e incluindo uma ligao para o seu artigo completo (Nobre & Magalhes, 2010, p. 4). A real vantagem deste novo formato reside no factor da simplificada partilha de informao por parte dos utilizadores: ferramentas de micro-blogging como o Twitter promovem a partilha de informao relevante de uns utilizadores para os outros, de tal forma que um simples tweet de um canal noticioso pode facilmente chegar lista de milhares de utilizadores no seguidores, segundo um efeito tipo bola-de-neve (Nobre & Magalhes, 2010, p. 4). Atualmente, as pessoas no acedem s Internet atravs do computador. H cada vez mais um aumento do consumo mvel, o que faz com muitos leitores acedam s redes sociais atravs dos smartphones e tablets. Alm disso, com o avano da tecnologia e com a constante mudana nas redes sociais, h um novo formato de acesso a qualquer assunto. As hashtags so uma nova estruturao dos contedos que permitem que o leitor aceda a qualquer tema ou assunto, atravs de um simples clique sobre a mesma. Contudo, no se devem considerar as redes sociais incompatveis com o jornalismo. Pelo contrrio, elas so complementares aos jornalismo, uma vez que republicam informaes, so uma mais-valia na proximidade com pblico e concentram a informao e sob diferentes pontos de vista. Alm disso, so tambm importantes, por permitem conhecer os gneros de notcias mais consumidas pelo pblico, as notcias que despertam uma maior ateno, possibilitando, atravs delas, a descoberta de novos assuntos tambm relevantes ainda por explorar (Jcomo, 2013, p. 48) 23 seguramente uma mais-valia ter esta proximidade com o pblico atravs de uma rede social, na medida em que a relao virtual estabelecida com o possvel cliente, possibilita ouvir e responder com base nos seus inputs, podendo a empresa transformar os seus produtos/servios de forma clere e adequada s necessidades do mercado (Nobre & Magalhes, 2010, p. 3) A verdade que atravs das redes sociais h um maior nmero de informao que fica disponvel a todos os leitores a uma escala global, e que permite que a atividade jornalstica se amplie. Alm disso, as informaes de ltima hora so uma mais-valia ao rgo de comunicao social, porque consegue divulgar as mensagens de forma imediata, mesmo que ainda no esteja finalizada. O jornal coloca o termo em atualizao na notcia partilhada, de forma a que o leitor consiga aceder informao que o jornal apresenta at aquele momento, e permitindo ao jornalista reformular o contedo assim que for possvel. Desta forma, o jornal, ao divulgar essa informao de forma imediata, possibilita ao leitor a partilha da notcia automaticamente e numa frao de segundos. No caso do Twitter, que tem a funcionalidade dos retweets, a divulgao da informao e a difuso das notcias sucede-se de uma forma mais rpida. Assim sendo, uma das caractersticas mais importantes do Twitter para o jornalismo a velocidade da informao que esta rede social consegue transmitir aos leitores e, ao mesmo tempo, criar uma proximidade e ligao com os mesmos. Com as redes sociais, os jornais conseguem partilhar diversa informao, desde notcias a reportagens mais extensas. Todavia, e uma vez que todos os rgos de comunicao social fazem essa partilha, o leitor possui uma maior disponibilizao de contedos, o que possibilita que tenha diferentes ngulos de abordagem do tema e opinies (Carrilho, 2012, p. 36). Atualmente, as redes sociais permitem que o leitor seja tambm um produtor de informao. Em muitas situaes da atualidade, como o caso de acidentes e atentados, entre outros, o utilizador, atravs do seu smartphone ou tablet, consegue tirar 24 fotografias ou ento colocar um simples estado nas redes sociais, de forma a explicar a situao que est a presenciar. Tendo em conta este facto, o jornalista que l a informao do leitor entra em contacto com o mesmo, com o intuito de recolher mais informaes sobre assunto e poder assim completar a notcia. Gatewatching foi um conceito cunhado por Alez Bruns (2005) para se referir participao do pblico na produo de informao e consequente necessidade de redefinir o conceito de gatekeeping, enfatizando tambm a ideia de prosumer (consumidor-produtor) (Rodrigues, 2012, p. 141). No obstante a pertinncia deste conceito, que importante para um viso de conjunto, importa mencionar que para este estudo ele no tem aplicabilidade, uma vez que no interessa acrescentar, para frisar, a dimenso que importa explorar. 25 II.3. Estudo de Caso Face ao enquadramento terico apresentado no incio do Captulo II, e de acordo com o objeto de estudo proposto, surge a necessidade de analisar o impacto que as redes sociais conseguem ter na imprensa online. Para uma anlise mais detalhada e pormenorizada sobre a influncia das mesmas no jornal Expresso Online, o meu estudo incidir na cobertura noticiosa deste meio de comunicao, num perodo mximo de trs dias (13 a 15 de novembro de 2015), que correspondem ao dia exato e aos dois dias posteriores aos atentados ocorridos em Paris. Num primeiro momento ser apresentada a metodologia, privilegiando a clarificao dos conceitos que constituiro uma base de entendimento comum acerca das acees; posteriormente sero apresentados os dados estatsticos em grficos e tabelas, para, no final, se proceder apresentao dos resultados inferidos a partir das estatsticas, bem como algumas consideraes de relevo. Metodologia Para a anlise dos trs dias propostos para o estudo de caso do jornal Expresso Online foi necessrio, em primeiro lugar, recolher as notcias referentes aos atentados e que foram publicadas desde o dia 13 at ao dia 15 de novembro de 2015. Num segundo momento, o Expresso facultou os dados estatsticos sobre o tema de estudo, atravs da ferramenta de anlise Google Analytics, meio atravs qual o jornal controla e gere as redes sociais e o site. No obstante, para um entendimento mais profundo torna-se importante definir dois conceitos essenciais, nomeadamente de Sesso e Pageviews. Desta forma, por Sesses entende-se o conjunto de interaes que ocorrem num website num dado perodo de tempo, ou seja, uma sesso pode conter vrias visualizaes de pgina ou ecr, eventos, interaes sociais e transaes de comrcio eletrnico1. No que diz respeito s 1 Fonte: https://support.google.com/analytics/answer/2731565?hl=pt [Consultada em 2016-04-10] https://support.google.com/analytics/answer/2731565?hl=pt26 Pageviews, estas so definidas como uma visualizao numa pgina de um site que est a ser acompanhada pelo cdigo de acompanhamento do Analytics2, ou seja se um utilizador atualizar a pgina depois de aceder mesma, esta ao ser contabilizada como outra visualizao de pgina3. De acordo com a entrevista concedida pelo jornalista Ricardo Martins Pereira, diretor da revista online New in Town (Ver anexo 9), as visualizaes realizadas pela redao tambm contam, embora a percentagem relativamente aos valores globais no dev[a] chegar aos 0,5 por cento, por isso no nos parece um valor suficientemente relevante para as excluirmos. Com a elaborao deste estudo de caso, pretende-se verificar quais so as redes sociais que contribuem para um maior nmero de visualizaes das notcias online no jornal Expresso, assim como, o impacto que elas causaram no conjunto de notcias do jornal ao longo dos trs dias de evidncia. Todavia, importante mencionar que, para o estudo em questo apenas sero utilizados dados estatsticos referentes s notcias mais lidas no site e no Facebook, uma vez que no foi possvel facultar os dados do Twitter. 2 Fonte: https://support.google.com/analytics/answer/1257084?hl=pt [Consultada em 2016-04-10] 3 Fonte: https://support.google.com/analytics/answer/1257084?hl=pt [Consultada em 2016-04-10] https://support.google.com/analytics/answer/1257084?hl=pthttps://support.google.com/analytics/answer/1257084?hl=pt27 Notcias Seco Sesses DataSe ela quiser no pedofilia, Amor. No, meus senhores, crime. Blogues 72,121 13/nov/15Nova Zelndia. Discurso de estudante com cancro terminal emociona colegas e professoresInternacional 16,599 11/nov/15Conhea os 53 novos avies da TAP por dentro e por fora Economia 16,071 13/nov/15"Faltam regras na educao das crianas" LifeSyle 2,791 15/abr/09Um bebe, duas cabeas. Aconteceu no Bangladesh Internacional 2,118 12/nov/15Fronteiras encerradas e declarado estado de emergncia em Frana Internacional 2,07 13/nov/15O caso extraordinrio dos chimpanzs que tomaram conta de cria com Sndrome de DownInternacional 1,933 11/nov/15TAP compra 53 novos avies Economia 1,853 13/nov/15Verdes vo alm da troika e propem um novo feriado Poltica 1,596 13/nov/15Neeleman Pedrosa e Pinto servem sobremesa aos trabalhadores da TAP Economia 1,491 13/nov/15TAP sem dinheiro para pagar salrios j este ms Economia 1,373 12/nov/15Tiroteios em Paris fizeram pelo menos 60 mortos Internacional 1,251 13/nov/15PS, PCP e Bloco. 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"Que eu saiba a soma de trs perdedores no d um vencedor" Poltica 780 12/nov/15Pedro Arroja sobre as "esganiadas" do BE: "No queria nenhuma daquelas mulheres, nem dada!"Poltica 767 10/nov/15Sol produziu mais energia que o vento pela primeira vez Economia 762 12/nov/15Total 170,724II.3.1 Apresentao dos dados Ao longo do dia 13 de novembro de 2015 foram publicados 1389 artigos no Expresso Online. Entre o perodo das 21h19 e 23h52, o jornal criou 13 notcias sobre os atentados que estavam a ocorrer em Paris. Como possvel verificar na Tabela 1(Ver anexo 10), das 13 notcias publicadas, apenas quatro ficaram entre os 24 artigos mais vistos atravs da rede social do Facebook. Tabela 1 - Notcias mais visualizadas no dia 13 de novembro de 2015 no Facebook 28 Notcias Seco Sesses DataEstado Islmico j reivindicou o ataque em Paris Internacional 126,723 14/nov/15Estado Islmico quis vingar a Sria Internacional 66,978 14/nov/15Estado Islmico j reivindicou o ataque em Paris Internacional 31,643 14/nov/15Se ela quiser no pedofilia, Amor. No, meus senhores, crime. Blogues 31,465 13/nov/15Paris. Um vdeo arrepiante Internacional 27,021 14/nov/15No sabes, mas salvaste-me a vida Internacional 21,758 14/nov/15Paris. Comearam a disparar cega sobre as pessoas com armas automticas" Internacional 7,636 14/nov/15Atentado no Lbano. Nmero de mortos sobre para 43 Internacional 6,584 13/nov/15Conhea os 53 avies da TAP por dentro e por fora Economia 6,345 13/nov/15Hoje no vou ver os U2 em Paris Internacional 5,94 14/nov/15Atentados de Paris. Dois portugueses que ficaram com muito medo Internacional 4,834 14/nov/15Nova Zelndia. Discurso de estudante com cancro terminal emociona colegas e professoresInternacional 4,598 11/nov/15H jiadistas portugueses em Paris Internacional 4,224 14/nov/15Confirmada morte de segunda vtima portuguesa Internacional 3,493 14/nov/15"Faltam regras na educao das crianas" LifeSytle 2,498 15/abr/09Estado Islmico reivindica oficialmente atentados em Paris Internacional 2,434 14/nov/15Novos tiros junto a sala de espetculos Le Bataclan em Paris Internacional 2,003 13/nov/15Fronteiras encerradas e declarado estado de emergncia em Frana Internacional 1,78 13/nov/15Seis mitos sobre os refugiados Internacional 1,598 10/set/15Os atentados expostos e comentados nas redes sociais Internacional 1,477 14/nov/15A Frana teve o seu 11 de Setembro. Anlise do editor de Internacional do Expresso Internacional 1,416 14/nov/15Frana Alemanha: Eles acharam que eram petardos. L fora explodiam bombas Internacional 1,308 14/nov/15Reportagem. No 11., o bairro mrtir de Paris Internacional 1,305 14/nov/15Frana. O bero do jiadismo Internacional 1,207 14/nov/15Total 411,911N o dia 14 de novembro de 2015, foram publicadas 967 notcias, sendo que 39 eram referentes aos atentados em Paris e escritas entre o perodo das 00h05 at as 23h13. Como possvel observar na Tabela 2, mais de metade dos artigos mais visualizados do dia so alusivos ao ataque, com um total de 16 notcias entre as 24. O primeiro lugar ocupado pela notcia Estado Islmico j reivindicou o ataque em Paris com 126,723 sesses, um nmero muito significativo e que representa 30% do peso dos contedos daquele dia na rede social (Ver anexo 11). Contudo, tambm possvel salientar que duas das notcias publicadas no dia anterior e que estiveram entre as mais visualizadas do dia 13, conseguiram manter-se entre os principais artigos do dia 14. Tabela 2 - Notcias mais visualizadas no dia 14 de novembro no Facebook 29 No terceiro e ltimo dia que este estudo privilegia, o Expresso Online publicou 1234 artigos no jornal, sendo apenas 17 referentes aos atentados em Paris. Segundo a Tabela 3 (Ver anexo 12), s cinco notcias que ficaram entre os artigos mais visualizados do dia no Facebook. Alm disso, os primeiros lugares so ocupados pelas notcias do dia anterior, nomeadamente No sabes, mas salvaste-me a vida e Estado Islmico quis vingar Sria, com um total de cerca de 60 mil sesses em conjunto, assim como a maior parte dos artigos do dia 14. No total, no dia 15 de novembro, o Facebook atingiu 186,531 sesses, um nmero significativamente mais abaixo do que o dia anterior. Notcias Seco Sesses DataNo sabes, mas salvaste-me a vida Internacional 49,006 14/nov/15Estado Islmico quis vingar a Sria Internacional 19,439 14/nov/15"Se ela quiser no pedfilia, amor". No meus caros, crime Blogues 12,484 13/nov/15Atentado no Lbano. Nmero de mortos sobre para 43 Internacional 8,928 13/nov/15Bandeira francesa visvel na fachada da Assembleia da Repblica Poltica 7,499 15/nov/15Paris. Um vdeo arrepiante Internacional 6,265 14/nov/15Morte e barbrie. Dez resposta para conhecer o Estado Islmico Internacional 5,993 14/nov/15As quatro mulheres que conquistaram o mundo machista da polticaportuguesaPoltica 5,908 15/nov/15Hoje no vou ver os U2 em Paris Internacional 4,897 14/nov/15Ataque do Estado Islmico na Sria mata 145 civis incluindo crianas Internacional 4,876 26/jun/15Ismael, o francs kamikaze do Bataclan Internacional 4,376 15/nov/15H jiadistas portugueses em Paris Internacional 2,605 14/nov/15Bosch deslocaliza para Portugal Economia 2,278 15/nov/15Frana bombardeia Estado Islmico na Sria Internacional 1,846 15/nov/15Nova Zelndia. Discurso de estudante com cancro terminal emocionacolegas e professoresInternacional 1,835 11/nov/15Paris. Carro dos tiroteios encontrado com Kalashnikovs dentro Internacional 1,802 15/nov/15Estado Islmico j matou trs portugueses Internacional 1,716 15/nov/15Confirmada a morte de segunda vtima portuguesa Internacional 1,511 14/nov/15Faltam regras na educao das crianas" LifeStyle 1,414 15/abr/09J sei dizer obrigado em portugus. J vos posso agradecer Sociedade 1,215 07/nov/15Conhea os 53 novos avies da TAP por dentro e por fora Economia 1,126 13/nov/15Mais trabalho e sob maior presso? Sim Economia 840 14/nov/15Total 186,531Tabela 3 - Notcias mais visualizadas no dia 15 de novembro de 2015 no Facebook 30 Na Tabela 4, esto presentes as notcias mais vistas ao longo dos trs dias de estudo e que totalizaram aproximadamente 760 mil sesses na rede criada por Mark Zuckberg, representado 45% do total de sesses ao longo do dia (Ver anexo 13). Como a Tabela demonstra, os artigos predominantes so maioritariamente os que se referem aos atentados de Paris, mais precisamente os contedos do dia 14 de novembro de 2015, dia em que o Facebook atingiu o maior nmero de sesses comparativamente com os outros dias. Como anteriormente mencionado, o contedo mais visto no dia 14 foi Estado Islmico j reivindicou o ataque em Paris, com 126,723 sesses, nmero que est relativamente prximo ao primeiro lugar da Tabela 4. Notcias Seco Sesses DataEstado Islmico j reivindicou o ataque em Paris Internacional 126,798 14/nov/15"Se ela quiser no pedofilia, amor". No meus senhores, crime Blogues 115,859 13/nov/15Estado Islmico quis vingar a Sria Internacional 85,504 14/nov/15No sabes, mas salvaste-me a vida Internacional 70,828 14/nov/15Paris. Um vdeo arrepiante Internacional 33,157 14/nov/15Estado Islmico j reivindicou o ataque em Paris Internacional 31,761 14/nov/15Conhea os 53 novos avies da TAP por dentro e por fora Economia 23,153 13/nov/15Nova Zelndia. Discurso de estudante com cancro terminal emociona colegas e professoresInternacional 22,611 11/nov/15Atentado no Lbano. Nmero de mortos sobe para 43 Internacional 15,704 13/nov/15Hoje no vou ver os U2 Internacional 10,905 14/nov/15Paris. Comearam a disparar cega sobre as pessoas com armas automticas" Internacional 8,038 14/nov/15Bandeira francesa visvel na fachada da Assembleia da Repblica Poltica 7,347 15/nov/15"Faltam regras na educao" LifeStyle 6,615 15/abr/09H jiadistas portugueses em Paris Internacional 6,554 14/nov/15Morte e barbrie. Dez resposta para conhecer o Estado Islmico Internacional 5,924 15/nov/15As quatro mulheres que conquistaram o mundo machista da poltica portuguesa Poltica 5,592 15/nov/15Confirmada morte da segunda vtima portuguesa Internacional 5,124 14/nov/15Ataque ao Estado Islmico na Sria mata 145 civis incluindo crianas Internacional 4,724 26/jun/15Atentados em Paris. Dois portugueses que ficaram com muito medo Internacional 4,697 14/nov/15Ismael, o francs kamikaze do Bataclan Internacional 4,351 15/nov/15Fronteiras encerradas e declarado estado de emergncia em Frana Internacional 5,141 13/nov/15Bosch deslocaliza para Portugal Economia 3,348 15/nov/15O caso extraordinrio dos chimpanzs que tomaram conta de cria com Sndrome de DownInternacional 3,057 13/nov/15Novos tiros junto a sala de espetculos Le Bataclan em Paris Internacional 2,67 13/nov/15Total 760, 043Tabela 4 - Notcias mais visualizadas entre os dias 13 e 15 de novembro de 2015 no Facebook 31 A Tabela 5 (Ver anexo 14) refere-se aos artigos mais vistos no site do jornal Expresso no perodo em referncia. As notcias que esto sublinhadas representam o nmero de artigos que tambm foram visualizados no Facebook, o que perfaz um total de 15 contedos. Como possvel observar, o contedo Estado Islmico j reivindicou o ataque em Paris ocupou o primeiro lugar das notcia mais vistas tanto no Facebook como no site. No entanto, na Tabela 5 os dados trabalhados so alusivos s pageviews e no s sesses, como nas tabelas mencionadas anteriormente, no sendo, por isso, possvel comparar os dados estatsticos. Entre as notcias mais vistas destacam-se cinco contedos que no foram contabilizados nos artigos mais visualizados no Facebook, nomeadamente Atentados em Paris. O que sabemos e o que falta saber, Aperta-se o cerco poltico a Franois Hollande, Um portugus morto nos atentados em Paris e Cidado francs identificado como possvel atacante. Porm, no site do jornal, o contedo noticioso, ao longo dos trs dias, alcanou 3,335,400 milhes de visualizaes. Notcias Seco Pageviews DataEstado Islmico j reivindicou o ataque em Paris Internacional 219,518 14/nov/15"Se ela quiser no pedofilia, amor" No meus senhores, crime Internacional 155,102 13/nov/15No sabes, mas salvaste-me a vida Internacional 129,721 14/nov/15Estado Islmico quis vingar a Sria Internacional 129,054 14/nov/15Paris. Um vdeo arrepiante Internacional 63,026 14/nov/15Paris: "Comearam a disparar cega sobre as pessoas com armas automticas" Internacional 56,582 14/nov/15Conhea os 53 novos avies da TAP por dentro e por fora Economia 51,047 13/nov/15Nova Zelndia. Discurso de estudante com cancro terminal emociona colegas e professores Internacional 47,528 13/nov/15Novos tiros junto sala de espetculos Le Bataclan Internacional 31,771 13/nov/15Confirmada a morte de segunda vtima portuguesa Internacional 26,453 14/nov/15H jiadistas portugueses em Paris Internacional 23,604 14/nov/15Fronteiras encerradas e declarado estado de emergncia em Frana Internacional 23,526 13/nov/15Estado Islmico reivindica oficialmente atentados em Paris Internacional 22,639 14/nov/15As quatro mulher que conquistaram o mundo machista da poltica portuguesa Poltica 22,447 15/nov/15Atentados em Paris. O que sabemos e o que falta saber Internacional 21,613 14/nov/15Morte e barbrie. Dez resposta conhecer o Estado Islmico Internacional 20,934 14/nov/15Atentados no Lbano. Nmero de mortos sobe para 43 Internacional 20,436 13/nov/15Hoje no vou ver os U2 em Paris Internacional 17,285 14/nov/15Ismael, o francs kamikaze do Bataclan Internacional 17,119 15/nov/15Aperta-se o cerco poltico a Franois Hollande Internacional 15,368 15/nov/15Um portugus morto nos atentados em Paris Internacional 14,026 14/nov/15Cidado francs identificado como possvel atacante Internacional 13,843 14/nov/15Estado Islmico j matou trs portugueses Internacional 12,633 15/nov/15Total 3,335,400Tabela 5 - Notcias mais visualizadas no site entre os dias 13 e 15 de novembro de 2015 32 O grfico 1 representa a evoluo do nmero de sesses registadas ao longo dos trs dias de anlise. Como possvel observar, h um pico significativo no dia 14 de novembro de 2015, com 411,911 sesses, ao contrrio dos dias 13 e 15 de novembro de 2015, que apresentam valores semelhantes e comparativamente mais baixos. De acordo com as tabelas mencionadas anteriormente, o valor elevado representado no grfico no segundo dia de estudo, deve-se ao facto de nesse mesmo dia terem sido produzidas mais notcias que os restantes dias. 170,724411,911186,531010020030040050013-nov-15 14-nov-15 15-nov-15Evoluo do nmero de sesses no Facebookentre os dias 13 e 15 novembro 2015Sesses845,661667,437170,69202004006008001000Mvel Computador TabletNr. SessesTrfegoTrfego no jornal Expresso Online entre os dias 13 e 15 novembro 2015Grfico 1 - Evoluo do nmero de sesses no Facebook entre os dias 13 e 15 de novembro de 2015 Grfico 2 - Trfego no jornal Expresso Online entre os dias 13 e 15 de novembro de 2015 33 Os grficos 2 e 3 (Ver anexo 15) referem-se ao trfego no jornal Expresso Online entre os dias 13 e 15 de novembro de 2015. Como possvel observar, o trfego mvel foi a forma mais usada pelos utilizadores, totalizando cerca de 846 mil sesses, ao contrrio do computador, com aproximadamente 667 mil sesses, e o tablet, com 170 mil sesses. Alm disso, atravs do grfico 3, pode-se concluir que cerca de 50% do trfego verificado durante os trs dias pelos leitores foi mvel, com o computador a representar 40% do total e o tablet apenas 10%. 1.061.74231.4466.560 7.235 1.835 1.531 145 95 30 260200.000400.000600.000800.0001.000.0001.200.000Nr . PageviesRedes SociaisPageviews nas redes sociais entre os dias 13 e 15 novembro 201550%40%10%Trfego no jornal Expreso Online entre os dias 13 e 15 de novembro 2015 (percentagem)MvelComputadorTabletGrfico 3 - Trfego no jornal Expresso Online entre os dias 13 e 15 de novembro de 2015 (percentagem) Grfico 4 - Pageviews nas redes sociais entre os dias 13 e 15 de novembro de 2015 34 Os grficos acima so alusivos ao nmero de pageviews que as redes sociais obtiveram entre os dias 13 e 15 de novembro de 2015. De acordo com o grfico 4 (Ver anexo 16), o Facebook foi sem qualquer dvida o meio pelo qual as pessoas acederam para ver as notcias, representando mais de um milho de visualizaes. Este nmero, e segundo o grfico 5, representa 96% das pageviews comparativamente s outras redes sociais. Entre as dez redes mais utilizadas, encontram-se o Facebook, o Twitter, o Blogger, o Disqus, o Reddit, o Google +, o LinkedIn, o BuzzFeed, o Netvibes e o Vkontakte. No entanto, alm do Facebook e do Twitter, que ocupa o segundo lugar das visualizaes com cerca de 3%, as outras redes sociais apresentam um peso pouco significativo, com apenas 1%. O Twitter foi a segunda rede social que obteve mais visualizaes nos trs dias de anlise, com 31 446 pageviews, representando 3% do total. II.3.2 Resultados A cobertura do dia 13 de novembro de 2015 no jornal Expresso Online teve uma durao relativamente curta, desde as 21h19 at s 23h52, tendo sido produzidas 13 notcias a propsito da situao de Paris. Desse nmero, apenas cinco estiveram entre os artigos mais visualizados no primeiro dia do estudo de caso. Como foi possvel ver na Tabela 1, a notcia Fronteiras encerradas e declarado estado de emergncia em Frana 96%3% 1%Pageviews nas redes sociais entre os dias 13 e 15 novembro 2015 (percentagem)FacebookTwitterOutrosGrfico 5 - Pageviews nas redes sociais entre os dias 13 e 15 de novembro de 2015 (percentagem) 35 ocupou o sexto lugar no ranking dos 24 artigos mais vistos, com 2,070 sesses no Facebook. Segundo a entrevista concedida pela jornalista Margarida Mota, da seco Internacional do jornal Expresso (Ver anexo 17), Estado de emergncia uma situao que acontece quando h risco de segurana e que no estamos habituados a associar nossa Europa civilizada. Desta forma, se acontece alguma coisa que motiva estado de emergncia no corao da Europa, eu considero que isso um indutor de leitura, uma vez que as pessoas vo querer saber em que circunstncia foi declarada uma situao destas e perceber o que isso significa. Apesar de tudo, notrio referir que, apesar do curto perodo de cobertura neste dia, os contedos conseguiram obter um nmero considervel e significativo de visualizaes e, ainda assim, permanecer no ranking dos artigos mais visualizados do dia. No segundo dia de anlise, a cobertura iniciou-se s 00h02 at estendeu-se at s 23h13, registando-se uma paragem s 2h da madrugada, tendo sido retomada por volta das 8h. Ao longo deste dia, no jornal online foram publicados menos artigos do que no dia anterior, ou seja, na sexta-feira houve 1389 notcias e no sbado 967. No entanto, o tempo de cobertura foi maior, o que permitiu um maior desenvolvimento dos artigos sobre a situao de Paris, para alm do facto de haver mais informao. Desta forma, o Expresso Online, no dia 14 de novembro de 2015, publicou 39 notcias sobre os atentados em Paris, diversificando o seu contedo atravs de vdeos, artigos de opinio e reportagens. Segundo a Tabela 2, o artigo mais visualizado foi Estado Islmico j reivindicou o ataque em Paris com 126,723 sesses no Facebook. De acordo com a jornalista Margarida Mota, este nmero de sesses justificado pelo facto () de ter acontecido em Paris e, por isso, no consciente ou subconsciente das pessoas gera-se a questo Hoje em Paris, amanh em Lisboa. Alm disso, na sua opinio, Paris era a prova que o fenmeno j tinha chegado Europa, e Europa Ocidental e, por isso, est prximo de Portugal. A possibilidade de haver atentados do Estado Islmico na Europa era uma coisa anunciada j h algum tempo. Acontecer e na Europa Ocidental, e relativamente prximo de Portugal, foi a concretizao desse receio. 36 Embora no dia 13 de novembro tenham sido produzidos mais contedos para o jornal online, o Expresso alcanou maior nmero de sesses no Facebook no dia 14. De acordo com o grfico 1, como j foi mencionado, houve um pico significativo no sbado, com 411,911 sesses, um nmero quatro vezes mais elevado do que o resultado do dia anterior. Na Tabela 2, observa-se que os contedos que estiveram em destaque nesse dia foram maioritariamente escritos no dia 14 de novembro, o que pode ser justificado pelo facto de terem sido produzidas mais matrias sobre o assunto e, ainda, por ser um tema sensvel, alarmante, que afeta e desperta o interesse da populao em geral. Alm disso, como Portugal um pas com ligaes prximas Frana, tendo em ateno o denso fluxo de emigrantes que reside nesse territrio, justifica-se um interesse maior por parte dos leitores sem esquecer que uma das notcias que esteve em destaque nos artigos mais vistos do dia no Facebook foi a que diz respeito morte de dois cidados portugueses nos atentados, como refere a notcia Confirmada a morte de segunda vtima portuguesa (Ver anexo 18). No ltimo dia de anlise, e de acordo com a Tabela 3, os contedos do dia anterior realaram-se mais, comparativamente com as cinco notcias do dia 15 de novembro que estiveram entre as mais vistas dos 17 artigos produzidos sobre os atentados. A anlise da Tabela permitiu verificar tambm, que a notcia mais lida do dia foi No sabes, mas salvaste-me a vida, um artigo de opinio do jornalista Nlson Marques, com 49,006 sesses, e que, no dia 14 de novembro, alcanou o terceiro lugar dos artigos mais visualizados do Facebook. No entender de Margarida Mota, O artigo do Nelson Marques uma histria que tem um rosto e uma identidade e esse gnero de histrias aproxima muito o leitor dos textos. As pessoas querem histrias reais, com as quais se identificam e que pudessem ter vivido. Esta uma histria trgica, um desencontro, que ditou o final trgico para a mida e, portanto, uma histria que as pessoas gostam de ler. Outro aspeto que importante realar sobre a notcia Atentado no Lbano. Nmero total de mortos sobe para 43 que, apesar de ter sido escrita no dia 13 de novembro, s comeou a ter destaque entre os leitores, e ocupando assim os lugares das notcias mais vistas no Facebook, a partir do dia 14 de novembro. Esta situao pode estar relacionada com o facto de o assunto ser prximo da situao que estava decorrer 37 em Paris, uma vez que o atentado no Lbano foi tambm provocado pelo Estado Islmico. Ainda no dia 15 de novembro, algumas das notcias que foram publicadas no primeiro dia de anlise estiveram presentes entre os artigos mais vistos. Na entrevista concedida, Margarida Mota nota que a justificao da recuperao do interesse desta notcia se deve ao facto de que quando ocorreu o atentado no Lbano, exatamente no mesmo dia que o de Paris, () houve muita gente a chamar a ateno de reao das pessoas para os diferentes casos, inclusive o prprio Facebook que criou um filtro das cores da bandeira francesa e que no criou para outros atentados tambm graves ou mais mortferos. A jornalista considera que os atentados na Europa so sempre notcias e h uma identificao natural com as vtimas, ou porque somos europeus, ou porque somos cristos. Por isso mesmo, h um grande distanciamento com a regio do Mdio Oriente, rabes e Muulmanos, uma vez que segundo a mesma, como houve muita gente a chamar ateno para a dimenso do atentado do Lbano, as pessoas sentiram a necessidade procurar mais informao sobre o sucedido. Como foi possvel verificar no grfico 2, tanto no dia 13 de novembro de 2015 como no dia 15 de novembro de 2015, os valores totais de visualizaes no Facebook foram semelhantes, rondando aproximadamente as 180 mil sesses. Na Tabela 4, observou-se o nmero total de artigos visualizados no Facebook ao longo dos trs dias de anlise. Mais uma vez, foi possvel verificar que as notcias doe sbado prevaleceram sobre as dos restantes dias, estando em primeiro lugar o artigo Estado Islmico j reivindicou o ataque de Paris, com 136,798 sesses, um nmero muito prximo daquele que tinha sido alcanado s no dia 14. No total, ocorreram aproximadamente 760 mil sesses no Facebook ao longo dos trs dias, 45% do total de sesses, ou seja, quase metade das sesses totais no Expresso Online durante os trs dias de anlise. No que concerne s notcias mais lidas no site durante o perodo analisado, verificou-se que notcia que ocupa o primeiro lugar exatamente a mesma que a dos artigos mais vistos no Facebook nos trs dias. Contudo, no possvel realizar uma comparao entre os dados estatsticos, uma vez que no site estes se referem s pageviews e no Facebook s sesses. No obstante, consegue-se concluir que, novamente, o dia 14 de novembro assumiu uma maior importncia no contedo 38 noticioso, comparativamente com os restantes dias, dado que a maior parte das notcias consumidas pelos leitores no site so alusivas a esse dia. Ao longo dos trs dias, das cinco notcias que estiveram no conjunto das mais lidas do site, nenhuma obteve lugar no ranking dos artigos mais visualizados no Facebook, nomeadamente Atentados em Paris. O que sabemos e o que falta saber, Aperta-se o cerco poltico a Franois Hollande, Um portugus morto nos atentados em Paris e Cidado francs identificado como possvel atacante. As visualizaes destas notcias no conseguiriam atingir um nmero relevante, comparativamente com as anteriores, que tinham sido as mais vistas atravs do Facebook. de sublinhar que, ao logo dos trs dias, o Expresso Online alcanou um total de 3,335,400 pageviews. Ao comparar este nmero com o valor referente s pageviews nas redes sociais, pode-se concluir que as redes sociais tm efetivamente um peso significativo nas visualizaes do jornal, com grande destaque neste intervalo de tempo. Tendo em conta este facto, e de acordo com o grfico 4, as dez redes sociais representadas (Facebook, Twitter, Blogger, Disqus, Reddit, Coogle +, LinkdIn, BuzzFeed, Netvibes e Vkontakte) totalizaram aproximadamente 1,110,739 visualizaes durante os trs dias, mais de um tero das pageviews do site. Entre as redes sociais, o principal destaque o Facebook, ocupando o primeiro lugar com mais de um milho de visualizaes, o que representa 96% das pageviews atravs das redes sociais (Grfico 5). Assim sendo, e com os dados obtidos, possvel averiguar que as redes sociais contribuem de forma significativa na imprensa online, com realce sobre o Facebook no Expresso. Todavia, o assunto que foi analisado marcou a atualidade pela carga negativa e importncia que encerra, o que o tornou num tema de elevado interesse para os leitores, uma vez que se referia a atentados na Europa. Tendo em ateno os desenvolvimentos da atualidade relativos ao Estado Islmico e s ameaas de ataque a pases europeus, bem como a sensibilidade do tema, justifica-se o elevado nmero de acessos a contedos relativos ao mesmo. Embora o Twitter seja um dos meios utilizados pelo Expresso, revestindo-se importncia significativa para o jornal, uma vez que uma plataforma de acesso rpido a notcias e uma fonte em constante atualizao, no s de jornais nacionais, mas de agncias e meios de comunicao estrangeiros, ao longo dos dias de anlise, apenas conseguiu obter um total de 31 446 pageviews, o que representou apenas 3% do total. 39 Desta forma, verificou-se que o meio mais utilizado pelos leitores o Facebook, apesar das potencialidades que o Twitter possui. No incio deste estudo de caso, foi referido que o trfego mvel, no dia 14 de novembro de 2015, chegou a ultrapassar os 50%. Embora no tenha sido possvel aceder aos dados estatsticos por cada dia, foi possvel verificar que no total dos trs conseguiu alcanar os 50%. Assim sendo, e como foi possvel observar nos grficos 2 e 3, confirmou-se que o trfego mvel alcanou aproximadamente 846 mil sesses, o que representou esses mesmos 50%, enquanto o acesso a partir do computador teve cerca de 668 mil sesses e o de tablet 170 mil sesses. No que diz respeito, a uma anlise por gnero, observa-se que no primeiro dia que os artigos mais visualizados no Facebook foram notcias. No entanto, no dia 14, verifica-se que entre os 16 artigos mais visualizados na rede social, 12 so notcias, trs so artigos de opinio e apenas um uma reportagem. No ltimo dia, os cincos artigos mais visualizados no Facebook referem-se a peas jornalsticas definidas como notcias. Desta forma, pode-se concluir que no segundo dia de anlise, como houve maior nmero de artigos produzidos, perfazendo um total de 39, foi possvel diversificar o gnero de peas jornalsticas, ao contrrio do dia 13, uma vez que no s o tempo de cobertura foi menor, como esse perodo se definiu pela procura de notcias o mais atualizadas possvel, tendo em ateno que os ataques tinham acabado de acontecer e toda a populao ansiava por esclarecimentos. Outro dos aspetos que importante salientar o facto de o jornal Expresso ter um correspondente em Paris que durante os atentados se tornou uma personagem fundamental na cobertura da situao, uma vez que tinha acesso a um maior nmero de informaes e conseguia ter perceo real da gravidade do ocorrido. Nas palavras da jornalista Margarida Mota, Faz toda a diferena estar perto. O jornalista est na situao, ele v, ele pode ir para a rua, ele fala com as pessoas, ele v o aparato de segurana e sente o medo das pessoas e, por isso, faz toda a diferena. Desta forma, ao longo dos trs dias, cinco dos artigos escritos pelo jornalista Daniel Ribeiro estiveram entre os mais visualizados tanto no Facebook como no site, nomeadamente as notcias Paris. Comearam a disparar cega sobre as pessoas, Atentados, Paris. Dois portugueses que ficaram com muito medo, Reportagem 40 NO.11., o bairro mrtir de Paris, Um portugus morto nos atentados de Paris e Ismael, o francs Kamikaze de Bataclan. Deste conjunto, quatro foram escritas no dia 14 de novembro de 2015, o dia em que o nmero de visualizaes foi o mais elevado. Alm disso, o jornalista foi tambm autor da nica reportagem que esteve entre os artigos mais vistos ao longo dos dias de anlise, o que permite concluir que o facto de vivenciar a situao de uma forma mais prxima faz com que o leitor se sinta mais prximo. Segundo Margarita Mota, O que ele v, o que ele fala e o que ele se sente, tudo se reflete na escrita do artigo. distancia estamos sempre dependentes de outras fontes e escrevemos com base naquilo que outros viram e recolheram. Portanto, estar l faz toda a diferena e torna a informao mais credvel, dado que ele no pode inventar, mas apenas escrever aquilo que testemunhou. Numa pesquisa atravs do Facebook dos jornais portugueses, conclui-se que o Expresso dos jornais que apresenta menos seguidores na rede social, com apenas 375,485 gostos. Peridicos como o Jornal de Notcias, com mais de um milho de gostos, o Pblico, com cerca de 980 mil seguidores, o Dirio de Notcias, com aproximadamente 918 mil gostos, e ainda o Sol com cerca de 560 mil seguidores, apresentam um nmero mais elevado comparativamente com o Expresso. No entanto, mesmo apresentado um nmero menor de seguidores no Facebook, conseguiu alcanar nmeros expressivos, tanto nas visualizaes gerais do site, como as referentes apenas a esta rede social. II.3.3 Consideraes Finais Ao longo do Captulo II, apurou-se que as redes sociais tm cada vez mais importncia no jornalismo. O Twitter foi apontado como um dos meios benficos para os breaking news, dada a sua comunicao ser efetuada atravs de no mximo 140 carateres. No entanto, ao longo deste estudo de caso, observou-se que a rede social Twitter no beneficiou dessas mesmas vantagens, uma vez que esteve no segundo lugar dos meios mais acedidos, com 31,446 sesses. Desta forma, durante o perodo em anlise, a rede social que teve maior destaque na distribuio das informaes sobre a situao dos atentados em Paris foi o Facebook, com mais de um milho de sesses. 41 Outro dos aspetos que foi mencionado anteriormente no enquadramento terico, orienta-se para as notcias de ltima-hora, nas quais o jornal coloca a indicao em atualizao e apenas divulga a informao que tem at ao momento. Na cobertura noticiosa analisada, confirmou-se que houve um aumento significativo e diversificado de informaes. Primeiramente, no se estimava que fosse um atentado, uma vez que as notcias apenas davam conta de um tiroteio que tinha resultado em cerca de 60 mortos. No entanto, com o decorrer da situao e o aumento da informao disponibilizada, apontou-se a situao como grave, dado que tinham ocorrido trs atentados na mesma cidade e em stios diferentes. O Facebook e o site do Expresso funcionaram numa perfeita simbiose, nomeadamente atravs da partilha de informao. Dado que o nmero de informaes disponveis aumentava constantemente, era permitido ao jornalista disponibilizar tudo aquilo que j se sabia at ao momento e ainda informar o leitor de uma posterior atualizao. Como atrs foi clarificado, no se devem considerar as redes sociais como incompatveis com o jornalismo, mas sim complementares, uma vez que republicam informaes e so uma mais-valia na proximidade com o pblico. Neste estudo de caso, observou-se que uma das notcias que esteve presente entre os artigos mais vistos, no dia 14 de novembro de 2015 na rede social Facebook, foi o contedo Os atentados expostos e comentados nas redes sociais (Ver anexo 19), com 1,477 sesses. Assim sendo, conclui-se que o Expresso sentiu a necessidade de expor o tema atravs de outra perspetiva, nomeadamente a do leitor. Para isso, recorreu a vrios tweets com fotos e vdeos de pessoas que vivenciaram os acontecimentos, e de outras que apenas partilharam os seus sentimentos de revolta sobre a situao que decorria em Paris. No Captulo II, tambm foram abordadas as caractersticas do jornalismo online, nomeadamente o hipertexto, a conjuno do vdeo, com imagem e texto, a interatividade, entre outros. Ao longo dos trs dias de anlise, foram produzidos 69 artigos sobre os atentados. Entre estas notcias, estiveram presentes vrios elementos do jornalismo online que foram estudados anteriormente. A notcia A Frana teve o seu 11 de setembro. Anlise do editor de Internacional do Expresso comprova que o elemento multimedialidade utilizado pelo jornal para divulgar as suas informaes. 42 Tendo em conta este facto, a anlise combinou o elemento texto com o vdeo e permitiu que o leitor recebesse a informao atravs das duas formas. Alm disso, no corpo da notcia ou no separador final dos artigos relacionados, havia vrias hiperligaes que reencaminhavam o leitor para outros contedos sobre o mesmo tema, o que fez com que o elemento hipertexto tenha sido utilizado, de forma a que o leitor conseguisse obter uma maior informao. No obstante, as redes sociais permitem tambm que os jornais consigam partilhar mais informao, desde notcias a reportagens mais extensas. Assim sendo, ao longo dos trs dias, o jornal Expresso publicou notcias sobre os atentados, mas tambm reportagens sobre o assunto, nomeadamente os contedos Reportagem. N. 11, o bairro de mrtir de Paris e ainda Frana. O bero do jiadismo. Por ltimo, e como foi mencionado acima, atualmente, as pessoas no acedem informao s atravs do computador, mas tambm por outros meios, como o smartphone e o tablet. O trfego mvel foi o meio pelo qual as pessoas mais acederam ao contedo noticioso, com um total de 846 mil sesses, e representando 50% dos meios mais utilizados. Embora o computador surja logo a seguir, com 667 mil sesses, o consumo mvel foi o principal destaque neste estudo caso, o que permite concluir que o seu aumento tem sido significativo ao longo dos ltimos anos e que a tendncia mostra que este consumo vai continuar, uma vez que, hoje em dia, as pessoas tm acesso aos mesmos contedos tanto atravs da rede Wi-Fi como dos dados mveis disponveis. Para o jornalista Ricardo Martins Pereira, a justificao do grande consumo de trfego mvel deve-se ao facto de ser aquilo que hoje chamamos de second screen. Alm disso, As pessoas esto no computador e ao mesmo tempo usam o telemvel para aceder Internet. Podem estar no trabalho a ler mails e espreitam as redes sociais no telemvel. Quando chegam a casa, esto a ver televiso no sof, mas sempre com o olho no telemvel ou no tablet. Este comportamento percebe-se atravs da anlise estatstica dos dados, com um crescimento muito grande 43 das entradas nos sites atravs do dispositivo mvel a partir das nove da noite. Como foi possvel observar no estudo realizado, no s o jornalismo em papel que enfrenta vrios desafios. Com o avano das novas rede sociais, o jornalismo online est a transformar-se. Nas palavras do jornalista da New in Town, As redes sociais vieram alterar o comportamento dos utilizadores da Internet. Se no h muito tempo andavam de site em site, guardavam-nos nos Favoritos, tinham uma rotina de leitura mais ou menos regular, hoje em dia o comportamento totalmente aleatrio, frentico, sem qualquer tipo de ordem, porque as pessoas vivem nas redes sociais, sobretudo no Facebook, que passou a ser o que o Google ou o Yahoo! eram h uns anos, o ponto de partida, o cursor em branco onde se digitava o stio para onde se queria ir. Hoje, isso faz-se sem pelo Facebook, mas sem cursor em branco, as pessoas andam ao ritmo do que lhes surge no mural, so guiadas pelo algoritmo, leem o que o Facebook escolhe mostrar-lhes. Para o mesmo, o Facebook, hoje, assume uma importncia quase igual da rede de distribuio de jornais e revistas em papel, uma vez que os utilizadores deixam de recorrer diretamente aos sites e navegam sobretudo no Facebook, que serve como porta de entrada em sites e blogues. No que concerne ao jornalismo em papel, segundo o jornalista da New in Town, enfrenta um desafio mais duro, o da constante migrao dos leitores para o digital. Nas suas palavras, () existe uma necessidade de reinveno do modelo de trabalho e do modelo de negcio. No acredito que os rgos de informao em papel iro desaparecer, mas acredito que dentro de poucos anos sero lidos apenas por um nicho de pessoas, e feitos por equipas muito pequenas. O jornalismo em papel perdeu, para o digital, o seu ADN noticioso, precisamente porque a produo em papel 44 obriga a que as notcias percam, automaticamente, seis a oito horas de atualidade, que o tempo que leva a imprimir um jornal e a lev-lo s bancas. Oito horas, em digital, so uma vida. Uma notcia com oito horas em digital uma notcia antiga, e quando um jornal em papel chega s mos de um leitor j vem, pelo menos, com oito horas de atraso. 45 Concluso Com o advento das novas tecnologias e o acesso alargado da Internet, o jornal em papel caiu em desuso. As empresas do ramo do jornalismo viram na Internet potencialidades que, at ao momento, no tinham sido aproveitadas e apostaram neste novo meio de comunicao para divulgarem os seus contedos, o que permitiu a introduo de um novo conceito de jornalismo, o jornalismo online. Os primrdios dos jornais na Internet remontam para a incluso de pequenos excertos e textos completos de notcias de edies que tinham sido publicadas no peridico em papel. Contudo, com o tempo, os jornais comearam a produzir contedos especficos para o online, a par das notcias publicadas nos dirios e nos semanrios. No obstante, e com o passar dos anos, a tecnologia evolui e comearam a surgir redes que permitem o contacto e a partilha entre utilizadores. Desta forma, os jornais sentiram-se obrigados a explorar as potencialidades deste novo formato de comunicao. Atravs das redes sociais, h um maior nmero de informao que fica disponvel a todos os leitores a uma escala global. As informaes de ltima-hora so uma mais-valia para o rgo de comunicao social, uma vez que permitido ao jornalista colocar o termo em atualizao, disponibilizando a informao que o jornal tem at ao momento, enquanto que restrutura a notcia com novas atualizaes. Este gnero de notcias permitem que o leitor no fique sem o conhecimento da informao e que o jornal consiga ser pioneiro na divulgao da notcia. O trabalho desenvolvido neste relatrio de estgio, tem como ponto de partida o estudo de caso da cobertura noticiosa no jornal Expresso Online, num perodo mximo de trs dias (13 a 15 de novembro de 2015), que correspondem ao dia exato e aos dois dias posteriores aos atentados ocorridos em Paris. O objetivo primordial da realizao deste estudo de caso centra-se em compreender o impacto que as redes sociais podem ter na imprensa online, atravs da anlise de notcias publicadas pelo Expresso, rgo de comunicao social onde realizei o estgio previsto no Mestrado de Cincias da Comunicao, especializao Estudos dos Media e Jornalismo. Os dados estatsticos apresentados, ainda que a amostra escolhida seja reduzida, permite inferir que existem vrias potencialidades nas redes sociais que contribuem significativamente na difuso de notcias, com especial destaque para o Facebook que, como foi possvel observar, se assumiu como uma plataforma crucial na visualizao das notcias durante o perodo em anlise. 46 Deste modo, os resultados obtidos no estudo de caso levam a que se coloquem algumas questes relevantes para a perceo deste fenmeno que se assiste no jornalismo. - Qual o futuro do jornalismo online? Quais as potencialidades mximas das redes sociais e de que forma que elas se esto a tornar cada vez mais indispensveis no trabalho do jornalista? Primeiramente importante salientar que, atualmente, a tendncia que as pessoas consumam mais informao na Internet, em vez do caracterstico jornal tradicional, o que leva, consequentemente, ao aumento do nmero de assinaturas digitais nos jornais. Embora o pblico sinta a mesma necessidade de consumir informao e que isto seja um ponto central no seu dia a dia, h uma propenso para o aumento da utilizao do digital ao invs do papel, o que pode ser justificado pelo facto de existir uma constante atualizao de informao que no jornal em papel no permite, e uma diversidade de contedos em vrios formatos, nomeadamente vdeo, udio e fotografia. Alm disso, com o crescimento do acesso s redes sociais, a populao comeou a consumir informao atravs do feed de notcias, isto , o mural, o que fez com houvesse uma diminuio do acesso ao site do jornal. O Facebook uma das redes que se destaca nesse aspeto, uma vez que os jornais tm a sua prpria pgina na sua rede social e partilham nela todos os contedos do site, permitindo ao leitor aceder a uma grande quantidade de informao, uma vez que atravs de um simples deslize pela rede social encontra diversos contedos. No obstante, os rgos de comunicao social tm por hbito partilhar as mesmas notcias vrias vezes ao dia, o que pode ser justificado pelas horas cruciais de acesso s redes sociais, isto , h uma tendncia para o leitor utilizar o Facebook a determinadas horas, com especial destaque noite, que faz com que o jornal volte a partilhar a notcia de forma a que o contedo no seja esquecido e tenha mais visualizaes. Outro dos aspetos que importante referir so as mudanas que se verifica no jornalismo online e que comearam a surgir desde que as redes sociais apareceram, 47 nomeadamente a formatao dos contedos do jornal. Os primrdios do jornal remetem-nos para a edio em papel que, durante dcadas, foi uma companhia. No entanto, ainda que o continue a ser, com a introduo e desenvolvimento do jornalismo online, notaram-se algumas alteraes na formatao dos contedos. Como foi referido anteriormente, e defendido por Canavilhas, o jornalismo tradicional apresenta a pirmide invertida, onde o jornalista responde s questes o qu?, quando?, onde?, como?, quem? e porqu. Contudo, no jornalismo online, e segundo o autor, a pirmide deitada, dado que inicialmente se responde s questes o qu?, quem?, quando? e onde?, e s posteriormente realizada uma contextualizao do sucedido, com a utilizao de, por vezes, hiperligaes a outros textos sobre o mesmo tema. Alm deste fenmeno, o jornalismo online tambm apresenta vrias caractersticas, nomeadamente a interatividade, que permite que o leitor interaja com o jornalista e que este possa contribuir com informao, conduzindo o jornalista a escrever histrias sobre relatos pessoais no Facebook ou sobre as reaes nas redes sociais a vrios casos particulares e como se verificou aquando dos atentados de Paris. Porm, com o aumento do uso e acesso das redes sociais, h tambm uma tendncia para a modificao da formatao dos contedos elaborados no online. Atualmente, os jornais, quando partilham as notcias no Facebook, tendem a recorrer a aspetos que levem o leitor a carregar no contedo, de forma a ser reencaminhado para o site do jornal. Todavia, esses aspetos referem-se forma como so escritos os ttulos das notcias, ou seja, existe uma tendncia para deixar em aberto o assunto da notcia ou ento para formular perguntas em vez de ttulos declarativos e que identificam de imediato as circunstncias da notcia. O jornalismo tradicional marcado por ttulos assertivos e diretos, embora os que se verifiquem, hoje em dia, quando se faz o scroll no Facebook, sejam ttulos ambguos, em que o leitor s sabe o assunto da notcia se carregar no contedo partilhado, mas que, ao mesmo tempo, despertam a curiosidade do leitor. Desta forma, e como se verifica, as redes sociais tm sido uma aposta dos rgos de comunicao social, o que faz com que exista uma propenso para a modificao de algumas configuraes do jornalismo online. No entender do jornalista Ricardo Martins Pereira, esta nova aposta do jornalismo online um dos problemas que os produtores de notcias enfrentam com a entrada das redes sociais, uma vez que existe a necessidade 48 de tornar esse mesmo contedo apelativo por forma a que os utilizadores o abram e o leiam, o que permite que, () muitas vezes no se procure o ttulo mais correto do ponto de vista jornalstico, mas o ttulo que apele mais ao clique, o que leva a exageros, sensacionalismo, a ttulos manhosos que no correspondem bem ao que diz o artigo, mas que funcionaram a partir do momento em que levaram o utilizador at notcia. O Facebook a rede social mais utilizada pela populao e a mais vantajosa para os rgos de comunicao, embora alguns autores considerem que o Twitter a mais benfica e adequada para o jornalismo. Contudo, a populao utiliza mais o Facebook do que o Twitter e, por isso, os jornais sentem-se na obrigao de aproveitar as potencialidades oferecidas pelo mesmo. Desta forma, quando os contedos so partilhados e o leitor acede, por norma, as cookies do site definem a preferncia dos leitores, consoante o artigo que acedeu, ou seja, se um utilizador ler um contedo de um jornal, provavelmente quando estiver no seu feed de notcias do Facebook, iro aparecer sugestes de leitura relacionadas com o mesmo. Com a elaborao do estudo de caso observa-se que o jornalismo continua numa constante transformao e evoluo, uma vez que as redes sociais assumem grande influncia na leitura das notcias dos jornais. Desta forma, conclui-se tambm que o futuro do jornalismo online tende para o aumento das assinaturas digitais. Mesmo que a informao online seja gratuita, os jornais produzem contedos mais especficos e elaborados, que s podem ser acedidos atravs de um pagamento mensal ou, no caso do Expresso, se o leitor comprar o semanrio, consegue aceder aos contedos digitais pagos atravs de um cdigo. Em relao ao Expresso, alm do online, ainda dentro da plataforma digital, disponibiliza ao leitor o Expresso Dirio, onde constam contedos de atualidade, opinio, cultura e sobre assuntos mais especficos. Alm disso, como os jornais tm vindo a verificar ao longo do tempo que as redes sociais so um ponto fulcral na comunicao no dia a dia, tendem a acompanhar o seu crescimento, exponenciado tambm o do jornal, atravs de uma maior partilha de informao e com o 49 intuito de ser sempre o primeiro rgo a transmitir a informao. Ao longo das dcadas, o jornalismo sofreu profundas alteraes e, por norma, um fenmeno que evolui com o dia a dia da pessoa, ou seja, a forma como a sociedade comunica importante para o jornalismo, dado que ao longo destes tempos se tem adaptado forma de comunicar entre as pessoas e acompanhado a evoluo de leitura dos leitores. 50 Bibliografia Geral Bastos, H. (2000). Jornalismo Eletrnico: Internet e Reconfigurao de Prticas nas Redaes. Minerva. Bastos, H. (2009). Da implementao estagnao: os primeiros doze anos de ciberjornalismo em Portugal. Porto: Universidade do Porto. Disponvel em http://cimj.org/index.php?option=com_content&view=article&id=184:helder-bastos&catid=31:investigadores-integrados&Itemid=148 [Consultado em 05-03-2016] Cardoso, G. (2006). Os Media na Sociedade em Rede. Lisboa: Fundao Calouste Gulbenkian. Carrilho, D. A. (2012). Mudana do Papel do Jornalismo com as Novas Tecnologias de Informao e Comunicao. Lisboa: ISCTE . 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Ciberjornalismo: As potencialidades da Internet nos sites noticiosos portugueses. Porto: Edies Afrontamento. www.expresso.sapo.pt. Entrevista jornalista Margarida Mota da seco do Internacional do jornal Expresso. Lisboa, 26 de abril de 2016. Entrevista ao jornalista Ricardo Martins Pereira, diretor da revista online New in Town. Lisboa, 28 de abril de 2016. http://www.expresso.sapo.pt/54 Anexos Anexo 1 55 Anexo 2 56 Anexo 3 57 Anexo 4 58 59 Anexo 5 60 61 62 Anexo 6 63 64 65 Anexo 7 66 Anexo 8 67 Anexo 9 No Google Analytics as visualizaes feitas pela redao so contabilizadas na contagem final das pageviews? Sim. No consideramos que sejam assim to relevantes ao ponto de as excluirmos. A percentagem relativamente aos valores globais no deve chegar aos 0,5 por cento, por isso no nos parece um valor suficientemente relevante para as excluirmos. Qual a tendncia futura do jornalismo online e do jornalismo em geral? Ao contrrio do que muita gente julga, no s o jornalismo em papel que enfrenta problemas e desafios. O jornalismo online tem muitos obstculos que tem de ir constantemente ultrapassando. Recordo, h uns anos, o maior de todos: a proliferao da chamada informao branca, sem um rosto, sem autor, notcias produzidas por sites, portais, que ningum sabia muito bem que escrevia, que eram quase sempre copiadas de jornais e revistas em papel e replicadas, sem assinatura, online. Hoje o desafio diferente. As redes sociais vieram alterar o comportamento dos utilizadores da Internet. Se no h muito tempo andavam de site em site, guardavam-nos nos Favoritos, tinham uma rotina de leitura mais ou menos regular, hoje em dia o comportamento totalmente aleatrio, frentico, sem qualquer tipo de ordem, porque as pessoas vivem nas redes sociais, sobretudo no Facebook, que passou a ser o que o Google ou o Yahoo! eram h uns anos, o ponto de partida, o cursor em branco onde se digitava o stio para onde se queria ir. Hoje, isso faz-se sem pelo Facebook, mas sem cursor em branco, as pessoas andam ao ritmo do que lhes surge no mural, so guiadas pelo algoritmo, lem o que o Facebook escolhe mostrar-lhes. Os utilizadores so muito mais passivos, mais preguiosos, menos curiosos e exploradores, menos fiis aos sites ou blogues de que gostam, como eu costumo dizer na brincadeira, so muito mais Maria vai com as outras e lem tudo, desde que o contedo lhes parea relevante. Isto traz dois desafios aos produtores de contedo ou jornalistas: o primeiro, a necessidade de tornar esse mesmo contedo apelativo por forma a que os utilizadores o abram e o leiam. Isto leva a que muitas vezes no se procure o ttulo mais correto do ponto de vista jornalstico, mas o ttulo que apele mais ao clique, o que leva a exageros, sensacionalismo, a ttulos manhosos que no correspondem bem ao que diz o artigo, mas que funcionaram a partir do momento em que levaram o utilizador at notcia; o 68 segundo que os produtores de contedo ou jornalistas tm muitas vezes de confiar a qualidade do seu trabalho aos gestores de redes sociais, porque nem sempre so os prprios jornalistas a puxar a notcia para as redes sociais. O Facebook, hoje, assume uma importncia quase igual da rede de distribuio de jornais e revistas em papel. Um jornal pode ser maravilhoso mas se no chegar s mos dos leitores nunca ser lido e ningum saber que maravilhoso. Com a informao online acontece a mesma coisa. Os utilizadores deixaram de ir diretamente aos sites e, como disse, navegam sobretudo no Facebook, que serve como porta de entrada em sites e blogues. Se a distribuio nas redes sociais no for eficaz e feita de forma profissional e competente, essas mesmas notcias nunca chegaro aos leitores. Por outro lado, e por culpa da alterao constante do algoritmo do Facebook, os gestores de redes sociais tm de procurar promover a interao constante dos utilizadores com a pgina, usando muitas vezes estratgias que em nada tm que ver com jornalismo, que muitas vezes no credibilizam o rgo de informao, mas que so encaradas como uma necessidade do jogo, porque se assim no for a publicao desaparece do mural dos utilizadores. O jornalismo em papel enfrenta um desafio muito mais duro, o da constante migrao dos leitores para o digital. Ou seja, existe uma necessidade de reinveno do modelo de trabalho e do modelo de negcio. No acredito que os rgos de informao em papel iro desaparecer, mas acredito que dentro de poucos anos sero lidos apenas por um nicho de pessoas, e feitos por equipas muito pequenas. O jornalismo em papel perdeu, para o digital, o seu ADN noticioso, precisamente porque a produo em papel obriga a que as notcias percam, automaticamente, seis a oito horas de atualidade, que o tempo que leva a imprimir um jornal e a lev-lo s bancas. Oito horas, em digital, so uma vida. Uma notcia com oito horas em digital uma notcia antiga, e quando um jornal em papel chega s mos de um leitor j vem, pelo menos, com oito horas de atraso. Muitas daquelas notcias foram escritas h 20, 18 horas, por isso, a probabilidade de no serem notcias, porque o leitor j leu aquilo online, j ouviu na rdio, j viu na televiso, bastante elevada. Acredito que o jornalismo em papel ir evoluir para um formato menos noticioso e mais analtico, mais opinativo, com jornais e revistas assumidamente mais caras, com opinadores exclusivos e muito bem pagos, e que sero lidos por menos pessoas, mas 69 pessoas com capacidade financeira para os comprarem e uma predisposio intelectual para consumirem este tipo de produto. H uma tendncia paras as pessoas acederem, cada vez mais, informao atravs do trfego mvel? Sim, cada vez mais. O telemvel aquilo a que hoje chamamos second screen. As pessoas esto no computador e ao mesmo tempo usam o telemvel para aceder Internet. Podem estar no trabalho a ler mails e espreitam as redes sociais no telemvel. Quando chegam a casa, esto a ver televiso no sof, mas sempre com o olho no telemvel ou no tablet. Este comportamento percebe-se atravs da anlise estatstica dos dados, com um crescimento muito grande das entradas nos sites atravs do dispositivo mvel a partir das nove da noite. Isto vantajoso para os produtores de contedos porque prolongam o tempo de vida til da audincia. H uns anos, a Internet morria por completo entre as 18 e as 22 horas, que era o tempo que levava a que as pessoas sassem do trabalho, fossem at casa, fizessem o jantar, jantassem, vissem um pouco de televiso e, depois, ento, algumas voltavam para o computador para fazer uma ronda final em sites e blogues. Hoje em dia isso no tanto assim, no h essa curva to acentuada nessas horas, porque as pessoas andam na rua de olho nas redes sociais, andam no metro ou autocarro sempre a consultar o telefone, chegam a casa e enquanto esto a cozinhar vo espreitando o Facebook e lendo notcias. Isto levanta outro desafio: perceber at que ponto este no passar a ser o comportamento dominante, e at que ponto no iremos passar a ter jornalistas a produzir contedos exclusivamente para dispositivos mveis, porque a informao deve chegar aos stios onde as pessoas andam. Se h 100 anos andava toda a gente a ouvir rdio, h 60 toda a gente a ver televiso, h 40 todos liam jornais, hoje em dia todos usam smartphone para aceder a informao, logo, nessa plataforma que os jornalistas tambm tm de estar. 70 Anexo 10 71 Anexo 11 72 Anexo 12 73 Anexo 13 74 Anexo 14 75 76 Anexo 15 77 Anexo 16 78 Anexo 17 - A notcia do Estado Islmico j reivindicou os ataques de Paris foi a notcia mais visualizada no dia 14 e 15 de novembro de 2015 tanto no Facebook, como no site. Existe alguma explicao para o sucedido? Eu acho que o que desperta a curiosidade das pessoas para uma notcia destas, o facto de ter acontecido em Paris e, por isso, no consciente ou subconsciente das pessoas gera-se a questo Hoje em Paris, amanh em Lisboa. Ainda para mais o facto de ter sido o Estado Islmico, que este fenmeno e novo que aos poucos se descodifica cada vez mais, mas que assustador. As pessoas ainda no tem uma segurana de que o fenmeno esteja a ser efetivamente combatido. Por um lado, h aqui a questo da proximidade geogrfica e, portanto, o grande medo este fenmeno que est entre ns. A interpretao que o fao para o interesse dessa notcia tem a ver com o facto de perceber aquilo que se passou em Paris e tentar prever o que que se pode passar daqui por uns tempos em Lisboa. No fundo, eu acho que os portugueses que leram essa notcia, colocaram-se um pouco no papel dos franceses. Para j, porque podiam estar l, mas por outro isto um fenmeno que se sabe que est a caminho da Europa. Paris era a prova que o fenmeno j tinha chegado Europa e Europa Ocidental e est prximo de Portugal. A possibilidade de haver atentados do Estado Islmico na Europa era uma coisa anunciada j h algum tempo. Acontecer e na Europa Ocidental e relativamente prximo de Portugal foi a concretizao desse receio. - No dia 13 de novembro foi publicado a notcia do Atentado do Lbano mata 43 pessoas. No entanto, esta notcia s esteve entre as mais visualizadas no Facebook no dia 14 e no dia 15 de novembro de 2015. normal ou invulgar esta recuperao de notcias consoante a atualidade? No costuma acontecer. Quando houve o atentado de Paris e houve muita comoo nas redes sociais e as pessoas refletem muito nos seus perfis o lamento e a comoo. Eu lembro-me que nessa altura, havia muita gente a criticar, nomeadamente, noutras partes do mundo e no na Europa, que quando acontece alguma coisa na Europa h uma comoo geral que no acontece quando h atentados no Afeganisto, Paquisto, no Lbano. Naqueles pases que ns associamos a zona de grande conflitualidade e portanto com aconteceu o atentado, as pessoas julgam que apenas mais um e no se 79 comovem, no se preocupam. Nessa altura, que houve Paris, que aconteceu ao mesmo tempo que o Lbano, houve muita gente a chamar a ateno de reao das pessoas para os diferentes casos, inclusive o prprio Facebook que criou aquele filtro das cores da bandeira francesa e que no criou para outros atentados tambm graves ou mais mortferos. O Lbano em termos geopolticos muito mais importante, porque um pas que est muito prximo da regio do Mdio Oriente e tem todas aquelas sensibilidades xiitas, cristos, sunitas, e tambm tem um passado muito turbulento com uma guerra civil muito sangrenta. E a questo era porque que as pessoas no a mesma ateno ao Lbano. Eu acredito que nessa altura, muitas pessoas aperceberam-se que tinha ocorrido um atentado no Lbano e ento foi ler a notcia. Eu acho que foi uma reao das pessoas. Os atentados na Europa so sempre notcias e h uma identificao natural com as vtimas, ou porque somos europeus, ou porque somos cristos. Acima de tudo h um grande distanciamento com a regio do Mdio Oriente, rabes e Muulmanos. Como houve muita gente a chamar ateno para a dimenso do atentado do Lbano, as pessoas sentiram a necessidade procurar mais informao sobre o sucedido. - No dia 13 foram publicadas 13 notcias, mas apenas cinco estiveram entre as mais visualizadas no Facebook e sendo uma delas Fronteiras encerradas e declarado estado de emergncia em Frana. Existe alguma explicao para ter sido esta notcia a mais visualizada naquele dia? As fronteiras encerradas algo que nos pode afetar, uma vez que h imensa gente a viajar. E se as fronteiras estiverem encerradas h todo um procedimento, at prtico, que se altera. Estado de emergncia uma situao que acontece quando h risco de segurana e que no estamos habituados a associar nossa Europa civilizada. Desta forma, se acontece alguma coisa que motiva estado de emergncia no corao da Europa, eu considero que isso um indutor de leitura, uma vez que as pessoas vo querer saber em que circunstncia foi declarada uma situao destas e perceber o que isso significa. - Por que que os artigos de opinio como No sabes, mas salvaste-me a vida e Hoje no fui ver os U2, os artigos mais visualizados ao longo dos dias, tm maior interesse para o leitor do que notcias sobre facto reais do acontecimento? O artigo do Nelson Marques uma histria que tem um rosto e uma identidade e esse gnero de histrias aproxima muito o leitor dos textos. As pessoas querem histrias 80 reais, histrias de algum que poderia ser sobre a prpria pessoa. Esta uma histria trgica, um desencontro, que ditou o final trgico para a mida e, portanto, uma histria que as pessoas gostam de ler. Neste gnero de situaes h sempre muitas histrias de encontros e desencontros, porque h sempre algum que se salva. Portanto, este gnero de histrias desperta curiosidade s pessoas. So textos muito fceis de perceber, porque as pessoas esto a ler uma histria. Pode haver muitas pessoas que criem uma certa resistncia em ler artigos sobre o Estado Islmico ou porque tm medo de no compreender na totalidade o que est escrito, uma vez que so assuntos com uma grande complexidade; h pessoas que no querem ler artigos sobre terrorismo. Enquanto que uma histria dessas que, apesar de ter um fim trgico, uma histria humana. Hoje no fui ver os U2 no uma histria de algum, mas uma histria escrita na primeira pessoa. Textos na primeira pessoa, e a partilharem experincias, tm sempre leitura, dado que as pessoas tm interesse por isso e porque so histrias humanas. Nesta histria, Miguel Cadete, despediu-se e partilhou que teve medo e acima de tudo um texto sincero, genuno e muito pessoal. Ele admitiu que tinha medo e muitas pessoas reviram-se naquele texto, dado que muitas tinham o mesmo receio. - O Expresso alcanou um nmero significativo de visualizaes durante este perodo em questo. normal esta situao acontecer em qualquer caso grave sobre a atualidade ou tratou-se apenas de um maior interesse dos leitores pelo tema em questo? As pessoas tendem a consumir mais informao quando existe um assunto forte nas notcias. Embora tambm seja natural que o jornal produza mais assuntos sobre esse assuntos, dado que tenta cobrir vrios ngulos: o que que se passou, quem que fez isto, entre outros. Naturalmente h uma produo maior de contedos, mas essencialmente uma maior procura de informao. O que dita os nmeros est relacionado com a procura. - O facto de existir notcias escritas por correspondentes nos locais, neste caso, o Daniel Ribeiro, em Paris, permite que o leitor aceda mais ao contedo? Faz toda a diferena estar perto. O jornalista est na situao, ele v, ele pode ir para a rua, ele fala com as pessoas, ele v o aparato de segurana e sente o medo das pessoas e, por isso, faz toda a diferena. O que ele v, o que ele fala e o que ele se sente, tudo se reflete na escrita do artigo. distancia estamos sempre dependentes de outras fontes e 81 escrevemos com base naquilo que outros viram e recolheram. Portanto, estar l faz toda a diferena e torna a informao mais credvel, dado que ele no pode inventar, mas apenas escrever aquilo que testemunhou. - Estado Islmico quis vingar a Sria est entre as notcias mais visualizadas nos trs dias. Existe alguma explicao para o interesse do leitor neste contedo? Este outro lado da questo. As pessoas por muito que entendam o que se passa na Sria, tm a noo que aquilo um conflito que no est em vias de resoluo. Se a Europa atingida por um grupo que diz que quer vingar a Sria e as pessoas tm noo que pouca coisa est a ser feita para acabar com o conflito, eu considero que as pessoas lerem o artigo para tentar perceber se aquilo que aconteceu na Europa uma consequncia do facto daquele conflito estar em roda livre. Eu penso que nestas ocasies h uma vontade muito grande das pessoas tentarem perceber o que se passa. A Sria numa notcia com esse ttulo colocada no patamar na origem do problema e portanto as pessoas tentam perceber o que que est acontecer na Sria que motive uma situao destas ou o que a Europa fez de mal na Sria que motive agora esta retaliao. 82 Anexo 18 83 Anexo 19 84 Capa_DissertacaoMestrado_092011Relatrio 2Relatrio Final Flavia