OCORRÊNCIA DE LARVAS DE AEDES AEGYPTI EM CRIADOUROS ... ?· OCORRÊNCIA DE LARVAS DE AEDES AEGYPTI…

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    22-Nov-2018

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<ul><li><p>VIII Encontro Latino Americano de Iniciao Cientifica e IV Encontro Latino Americano de Ps-Graduao Universidade do Vale do Paraba </p><p>397 </p><p> OCORRNCIA DE LARVAS DE AEDES AEGYPTI EM CRIADOUROS DOMSTICOS </p><p>NO MUNICPIO DE JACARE, SO PAULO, BRASIL, DURANTE O PRIMEIRO SEMESTRE DE 2004. </p><p> Selma Aparecida da Silva</p><p> 1, Mnica Yamaguchi </p><p>2 </p><p>1Universidade do Vale do Paraba, Jacare, SP, hamiley@ig.com.br </p><p>2 Departamento de Vigilncia Sade, Prefeitura Municipal de Jacare, SP, monicayama@yahoo.com.br </p><p> Palavras-chave: dengue, Aedes aegypti , Aedes albopictus , controle de vetores. rea de conhecimento: IV Cincias da Sade Resumo- A dengue constitui um dos principais desafios para as autoridades de sade pblica. O principal vetor da dengue o mosquito Aedes aegypti , espcie caracterizada pelo alto grau de adaptao ao ambiente urbano. Outro mosquito, o Aedes albopictus , tambm pode ser vetor desta doena, como ocorre em reas rurais do sudeste asitico, local de origem da espcie, e freqentemente encontrado nos mesmos criadouros que o Ae. aegypti . Relaes de competio interespecfica so discutidas, e tambm com outras espcies de larvas. O presente trabalho se prope a comparar o ndice de positividade de larvas do mosquito Aedes aegypti com outras espcies de culicdeos em um mesmo criadouro, em delimitao de foco do municpio de Jacare do 1 semestre de 2004. Introduo </p><p>Mltiplos so os fatores envolvidos na disperso de culicdeos domiciliados. A expanso geogrfica de populaes de Aedes (Stegomyia) aegypti e Aedes (Stegomyia) albopictus sofre influncia de fatores ambientais e sociais, entre os quais o clima, a densidade demogrfica e a atividade econmica.[1]</p><p>A dengue constitui um dos maiores desafios para as autoridades de sade pblica. O principal vetor da dengue em todas as epidemias ocorridas at hoje o Aedes aegypti , espcie caracterizada pelo alto grau de adaptao ao ambiente urbano, o que vem dificultando bastante o controle da densidade populacional desse mosquito. Segundo Silva et al [2] (1994), os criadouros artificiais so preferenciais para o seu desenvolvimento. Assim, nas reas urbanas, onde o mosquito foi introduzido, a disperso, a infestao e sua densidade crescem rapidamente. </p><p>O Aedes albopictus , espcie originria do sudeste da sia, teve participao na transmisso da dengue apenas em reas rurais do continente asitico (Estrada-Franco &amp; Craig Jr,[3] 1995). Estudos laboratoriais mostraram competncia vetorial de populaes dessa espcie coletada no Brasil para os quatro sorotipos da dengue (Miller &amp; Ballinger, 1988) [4]. </p><p>Tanto o Ae. aegypti quanto o Ae. albopictus tm hbitos semelhantes na ocupao de recipientes em reas urbanas. Qualquer recipiente que acumule gua potencial criadouro para ambas as espcies. Ressalta-se que o crescente uso de embalagens descartveis, alm de pneus e caixas d'gua de </p><p>uso domstico, dificulta as atividades de rotina dos programas de controle desses vetores[5]</p><p>Tem sido bastante discutida a possibilidade de a reduo de abundncia das populaes de Ae. aegypti ou de Ae. albopictus , quando da sobreposio de sua distribuio em diferentes regies do mundo, ser resultado de competio interespecfica. Em algumas reas dos Estados Unidos, verificou-se reduo de abundncia da populao de Ae. aegypti quando Ae. albopictus nelas se estabeleceu. [6] Em reas infestadas por Ae. albopictus no Sudeste Asitico, quando houve introduo e expanso geogrfica de Ae. aegypti , verificou-se o contrrio[7]. Vrios autores tm realizado estudos sobre o assunto sem conseguir confirmar se esses fenmenos foram realmente resultantes de competio entre essas espcies. [8,9] </p><p>Em vista disso, o presente trabalho se props a comparar o ndice de positividade de larvas do mosquito Aedes aegypti com outras espcies de culicdeos no mesmo criadouro, em delimitao de foco do municpio de Jacare do 1 semestre de 2004. </p><p> Materiais e Mtodos </p><p>O programa de Vigilncia e Controle de Aedes aegypti realizado pelo Setor de Controle de Zoonoses da Prefeitura Municipal de Jacare prev a realizao de algumas rotinas, baseadas nas recomendaes da SUCEN [10]. Assim, existe um Cadastro de Pontos Estratgicos, onde so listados locais que podem sabidamente conter recipientes que sirvam de criadouros do mosquito (borracharias, cemitrios, etc.), ou que por sua atividade ligada a transporte de </p></li><li><p>VIII Encontro Latino Americano de Iniciao Cientifica e IV Encontro Latino Americano de Ps-Graduao Universidade do Vale do Paraba </p><p>398 </p><p>passageiros ou cargas, sejam de grande importncia na disperso passiva dos vetores, e outro de Pontos de Armadilhas, as quais so compostas de pneus, com a identificao do Programa de Controle da Dengue pintada em tinta amarela brilhante, contendo cerca de 4 litros de gua limpa (Figura 1). Os pontos estratgicos so visitados quinzenalmente, e os pontos de armadilha, semanalmente pelos vigilantes de sade para verificao da presena do mosquito. </p><p> Figura 1- Armadilha para larvas de culicdeos. </p><p> Assim, sempre que so encontradas larvas </p><p>e/ou pupas de culicdeos, estas so coletadas e levadas a laboratrio para identificao de gnero e espcie. Quando uma amostra positiva para Aedes aegypti , registrado o endereo e o recipiente onde se deu a positividade, possibilitando a verificao de locais com maior incidncia de recipientes ou criadouros com larvas. Este controle possibilita campanhas educativas junto populao, mostrando como se deve evitar e erradicar as diversas formas de recipientes e criadouros. Estas campanhas consistem de visitas casa a casa, numa rea de cerca de 500m a partir do ponto onde foi encontrado o registro positivo. </p><p>Em todas as atividades informativas e de aes prticas de controle da doena so preenchidos boletins de campo com as informaes pertinentes ligadas a cada atividade ou ao. Estes boletins forneceram, portanto, a informao primria para este trabalho. </p><p>Os conceitos utilizados sobre ocorrncia de foco, estabelecimento e expanso geogrfica de espcie foram empregados com base em informaes sobre ocorrncia de focos de Aedes aegypti durante o perodo de janeiro a junho, definindo-se o municpio de Jacare como unidade geogrfica, e o semestre de 2004 como unidade de tempo. </p><p>Resultados </p><p>Durante o primeiro semestre do ano de 2004, foram encontrados 7 registros positivos para Aedes aegypti no municpio (5 em armadilhas e 2 em pontos estratgicos). No entanto, o que se observou foi que em 4 focos dos pontos de armadilhas se instalaram nos mesmos bairros duas vezes, em momentos diferentes, tanto no Jardim Primavera quanto no Parque Meia Lua. No ltimo caso, no Parque Califrnia, o foco no se alastrou e no foi encontrada nenhuma amostra durante a delimitao de foco. Nos pontos estratgicos, cada foco ocorreu em um nico momento, e permaneceu restrito a um nico local (DNER Rod. Pres. Dutra e Sucata BRI Rio Comprido). </p><p>A presena de Aedes albopictus no municpio bastante observada, principalmente associada presena de plantas, inclusive em residncias, mas para fins deste trabalho, s foram registradas as ocorrncias onde este espcie coexiste com Ae. aegypti . </p><p>Em nenhum momento foram obtidas amostras de culicdeos em um mesmo recipiente que no fossem do gnero Aedes . As amostras positivas e os recipientes onde foram encontradas durante as delimitaes de foco esto relacionadas na Tabela 1. </p><p> Discusso </p><p>A reduo de abundncia das populaes de Ae. aegypti ou de Ae. albopictus , quando da sobreposio de sua distribuio, tem sido observada em diferentes regies do mundo. Em Calcut, ndia, na dcada de 30, e em vrias cidades do Sudeste Asitico, nas dcadas de 50 e 60, observou-se reduo de abundncia de Ae. albopictus aps a introduo de Ae. aegypti . Segundo Chan et al,[11] estudos por eles realizados e por vrios outros autores foram inconclusivos, e consideraram provvel que o padro de distribuio desses culicdeos fosse resultante do favorecimento de Ae. aegypti pelo amplo e rpido processo de urbanizao e pela maior fecundidade e menor ciclo de vida dessa espcie. No entanto, Ae. albopictus continuou a predominar em reas rurais e periurbanas no Sudeste Asitico.[11] Mais recentemente (dcadas de 80 e 90), constatou-se reduo da abundncia de Ae. aegypti em diversas cidades dos Estados Unidos aps a introduo de Ae. albopictus. Vrios experimentos vm sendo realizados para avaliar esse fenmeno, porm os resultados encontrados no sugerem que a cepa de Ae. albopictus presente nesse pas seja mais competitiva que a de Ae. aegypti. Outras explicaes tm sido colocadas, como o fato do pneu ser o principal ectopo para as duas </p></li><li><p>VIII Encontro Latino Americano de Iniciao Cientifica e IV Encontro Latino Americano de Ps-Graduao Universidade do Vale do Paraba </p><p>399 </p><p>espcies e ser freqentemente encontrado no extradomiclio, o que poderia favorecer Ae. albopictus ; alm disso, existe a possibilidade de a reduo de abundncia de Ae. aegypti ocorrer independentemente de Ae. albopictus , pois </p><p>oscilaes na populao daquela espcie j ocorreram nesse pas, principalmente nas dcadas de 50 e 60.[8,9,12] </p><p> Tabela 1- Ocorrncia de larvas de Aedes aegypti e Aedes albopictus em recipientes domsticos no municpio de Jacare, de janeiro a junho de 2004. </p><p>Nossos dados indicam que ambas as espcies existem no mesmo ambiente dentro do municpio de Jacare. De acordo com registros de aparecimento de culicdeos, Ae. albopictus encontrado com maior freqncia no municpio, mas neste trabalho, apenas foram reportadas as ocorrncias nos mesmos criadouros do Ae. aegypti . No foi encontrada nenhuma larva de outra especie compartilhando o mesmo criadouro com Ae. aegypti . </p><p>Nos recipientes onde foram encontradas larvas das duas espcies, houve uma tendncia a uma maior incidncia de Ae. albopictus em relao a Ae. aegypti. No entanto, os dados no so suficientes para se chegar a uma concluso, pois na maioria dos recipientes, observou-se somente a presena de larvas de Ae. aegypti. </p><p>Estudos incluindo avaliao dos nveis de densidade larvria e outros indicadores de abundncia dessas espcies nas vrias regies paulistas, em reas rurais, periurbanas e urbanas e nos ambientes intra e extradomiciliares, bem como a identificao dos ectopos preferenciais, so de grande importncia para aprofundar o conhecimento sobre o padro de distribuio das populaes desses culicdeos e sobre a existncia de possvel competio entre as mesmas. </p><p>Referncias [1] GLASSER, C.M.; GOMES, A.C. Clima e sobreposio da distribuio de Aedes aegypti e Aedes albopictus na infestao do Estado de So Paulo. Rev. Sade Pblica , Abr 2002, vol.36, no.2, p.166-172.. </p><p>[2] SILVA IG, CAMARGO MF, ELIAS CN, ISAC E, SANTOS AH. Metodologia de criao de Aedes (Stegomyia) aegypti (Linnaeus, 1762) (Diptera, Culicidae), em condies laboratoriais. Rev Goiana Med 1994;39:23-6. </p><p>[3] ESTRADA-FRANCO JG, CRAIG JR-GB. Biology, disease relationships and control of Aedes albopictus. Washington (DC): Pan American Health Organisation; 1995. (Technical Paper; 42). </p><p>[4] MILLER BR, BALLINGER ME. Aedes albopictus mosquitoes introduced in to Brazil: vector competence for yellow fever and dengue viruses. Trans Rev Soc Trop Med Hyg 1988;82:476-7. </p><p>[5] KUBOTA, ROSEANE LIEKO, BRITO, MARYLENE DE AND VOLTOLINI, JLIO CESAR Mtodo de varredura para exame de criadouros de vetores de dengue e febre amarela urbana. Rev. Sade Pblica , Abr 2003, vol.37, no.2, p.263-265. </p><p>Local Tipo de Recipiente </p><p>Larvas de Aedes aegypti </p><p>Larvas de A. albopictus </p><p>Total de Larvas </p><p>Jd. Primavera Vaso Sanitrio 1 - 1 (fevereiro/2004) Pote plstico 1 - 1 Pneu 5 10 15 Garrafa 3 9 12 Vaso de Planta 9 1 10 Outros 1 9 10 </p><p>Pq. Meia Lua Bebedouro 1 - 1 (fevereiro/2004) Pneu 14 - 14 Caldeiro 1 - 1 Lona 5 - 5 </p><p>Jd. Primavera Vaso de Planta 5 - 5 (maro/2004) Pneu 4 9 13 </p><p>Pq. Meia Lua Vaso de Planta 1 6 7 (junho/2004) Ralo de tanque 16 - 16 </p></li><li><p>VIII Encontro Latino Americano de Iniciao Cientifica e IV Encontro Latino Americano de Ps-Graduao Universidade do Vale do Paraba </p><p>400 </p><p>[6] BLACK WC, RAI KS, TURCO BJ, ARROYO DC. Laboratory study of competition between United States strains of Aedes albopictus and Aedes aegypti (Diptera: Culicidae). J Med Entomol 1989;26:260-71. </p><p> [7] CHAN KL, CHAN YC, HO BC. Aedes aegypti (L) and Aedes albopictus (Skuse) in Singapore City 4. Competition between species. Bull World Health Organ 1971;44:643-9.. [8] HO BC, EWERT A, CHEW L. Interspecific </p><p>competition among Ae. aeg ypti, Ae. albopictus and Ae. triseriatus (Diptera: Culicidae): larval development in miscid cultures. J Med Entomol 1989;26:615-23. </p><p> [9] RAI KS. Aedes albopictus in the Americas. </p><p>Annu Rev Entomol 1991;36:459-84 [10] SUCEN. Normas, orientaes e recomendaes tcnicas para a vigilncia e controle de Aedes aegypti no Estado de So Paulo. Out. 2002. [11] CHAN KL, CHAN YC, HO BC. Aedes aegypti </p><p>(L) and Aedes albopictus (Skuse) in Singapore City 4. Competition between species. Bull World Health Organ 1971;44:643-9. </p><p> [12] BLACK WC, RAI KS, TURCO BJ, ARROYO </p><p>DC. Laboratory study of competition between United States strains of Aedes albopictus and Aedes aegypti (Diptera: Culicidae). J Med Entomol 1989;26:260-71. </p></li></ul>