Ole Ode Coco

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    02-Aug-2015

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<p>A rtigo originAlEFEITOS DA SUPLEMENTAO DIETTICA COM LEORaquel Souza MiRanda Silva,1 Renata CoSta FoRteS2 e HenRique FReiRe SoaReS3</p> <p>DE COCO NO PERFIL LIPDICO E CARDIOVASCULAR DE INDIVDUOS DISLIPIDMICOS</p> <p>RESUMOObjetivo. Avaliar o efeito da suplementao diettica com leo de coco extravirgem no perfil lipdico e cardiovascular de indivduos hipercolesterolmicos. Mtodo. Trata-se de uma pesquisa de interveno realizada no ambulatrio de cardiologia de Valparaso de Gois. A amostra foi composta de 32 pacientes, hipercolesterolmicos, 50% do sexo feminino, idade mdia de 48 anos. Todos os pacientes foram suplementados com 30 mL/dia de leo de coco extravirgem durante trs meses. Analisou-se o peso corporal, o ndice de massa corporal, o permetro abdominal, a relao abdmen-quadris, o consumo alimentar (recordatrio de 24 horas), assim como lipidograma completo, glicemia de jejum, apolipoprotenas (apo) A-I e B, protena C reativa ultrassensvel (PCR-us), lipoprotena (a) [Lp(a)] e fibrinognio antes e depois da suplementao. Usou-se, para anlise dos dados, o teste estatstico t de Student, e considerou-se significncia de 5%. Resultados. Aps a suplementao com leo de coco, observou-se reduo significativa do peso, ndice de massa corporal, relao abdmen-quadris, permetro abdominal, triglicrides, lipoprotena de muito baixa densidade (VLDL-c) e PCR-us, bem como aumento significativo nas concentraes de apo A-I. Observou-se, tambm, tendncia reduo do colesterol total, lipoprotena de baixa densidade (LDL-c) e Lp(a), assim como um ligeiro aumento de lipoprotena de alta densidade (HDL-c) e fibrinognio, porm esses resultados no foram significativos. Concluso. Os resultados sugerem que a suplementao diettica com leo de coco extravirgem capaz de exercer benefcios no perfil lipdico e cardiovascular de indivduos dislipidmicos. Palavras-chave. Triglicerdeos de cadeia mdia; doenas cardiovasculares; dislipidemia; marcadores de risco.</p> <p>ABSTRACTEFFECTS OF DIETARY SUPPLEMENTATION WITH COCONUT OIL ON LIPID AND CARDIOVASCULAR PROFILE OF DYSLIPIDEMIC SUBJECTS Objective. To evaluate the effect of dietary supplementation with extra virgin coconut oil on lipid profile and cardiovascular dyslipidemic subjects. Method. This is an intervention research conducted in a cardiology clinic of Valparaiso de Gois. The sample consisted of 32 patients with hypercholesterolemia, 50% female, mean age 48 years. All patients were supplemented with 30 mL/day coconut oil for three months. The authors analyzed body weight, body mass index, abdominal perimeter and abdomen-hip ratio, dietary intake (24 hour recall), as well as full lipid profile, fasting glucose, apolipoprotinein AI and B, high-sensitivity C-reactive protein, lipoprotein (a) [Lp (a)] and fibrinogen before and after supplementation. The t-Student test with 5% significance was used. Results. After supplementation with coconut oil, there was significant reduction in weight, body mass index, abdomen hip ratio, abdominal perimeter, triglycerides, very low density lipoprotein (VLDL-c), and high-sensitivity C-reactive protein, as well as significant increase in the levels of apo A-I . There was also a trend towards a reduction in total cholesterol, low-density lipoprotein (LDL-C) and Lp (a), as well as a slight increase in high density lipoprotein (HDL-C) and fibrinogen, but these results were not significant. Conclusion. The results suggest that dietary supplementation with extra virgin coconut oil is able to exert benefits on lipid profile and cardiovascular hypercholesterolemic subjects. However, randomized controlled trials are needed. Key words. Medium chain triglycerides; cardiovascular diseases; dyslipidemia; risk markers.Estudo realizado no Hospital Nossa Senhora Aparecida, Valparaso de Gois, GO 1 Nutricionista, graduada pela Universidade Paulista (UNIP), Campus Braslia, Distrito Federal, Brasil 2 Professora e coordenadora do Curso de Nutrio da Universidade Paulista (UNIP), Campus Braslia, DF. Coordenadora do Programa de Residncia em Nutrio Clnica do Hospital Regional da Asa Norte da Secretaria de Estado de Sade do Distrito Federal, Braslia, DF, Brasil. 3 Nutricionista, mestre. Professor do Curso de Nutrio da Faculdade Anhanguera de Braslia-DF e do Centro Valria Paschoal de Ensino e Pesquisa (CVPE), So Paulo, SP, Brasil Correspondncia. Henrique Freire Soares. Condomnio Imprensa 1, quadra 201, bloco A, ap. 1503, guas Claras, CEP 71.937-540, Braslia, DF. Internet: riquenutri1@gmail.com Recebido em 3-2-2011. Aceito em 10-3-2011.</p> <p>42</p> <p>Braslia Med 2011;48(1):42-49</p> <p>leo de CoCo eM diSlipideMia</p> <p>A</p> <p>INTRODUO tualmente as doenas cardiovasculares so a maior causa de morbidade e mortalidade no Brasil e no mundo. Podem manifestar-se sob a forma de infarto agudo do miocrdio, acidente vascular cerebral, angina ou morte sbita.1 Um dos fatores de risco de surgimento de doenas cardiovasculares a dislipidemia. A elevao plasmtica da concentrao da lipoprotena de baixa densidade (LDL-c), assim como a diminuio daquela da lipoprotena de alta densidade (HDL-c), tem relao direta com o desenvolvimento da doena arterial. Estudos evidenciam que ligeiro aumento nas concentraes de triglicerdios aumenta o risco de eventos coronarianos, bem como sua progresso e formao de novas leses.2 Existem outros marcadores associados s doenas cardiovasculares, como as apolipoprotenas A e B, cujo valor preditivo est bem estabelecido na literatura, seja pelas concentraes elevadas de Apo B e ou pela diminuio daquelas de Apo A.3 Os marcadores inflamatrios como protena C-reativa e fibrinognio tambm so associados ao desenvolvimento de doenas cardiovasculares.1 Outro fator de risco significante de ocorrer doenas cardiovasculares o acmulo de tecido adiposo na regio abdominal, devido sua associao com concentraes elevadas de triglicerdios, dislipidemias, resistncia a insulina e diabetes.4,5 Estudos mostram que a quantidade e o tipo de lipdios fornecidos pela dieta podem interferir no acmulo de gordura na regio abdominal. Evidncias cientficas propem possvel associao entre dieta e ingesto de leo de coco extravirgem para reduo da incidncia de doenas cardiovasculares.6 O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da suplementao diettica com leo de coco extravirgem no perfil lipdico e cardiovascular de indivduos hipercolesterolmicos. MTODO Trata-se de ensaio clnico aberto, realizado no ambulatrio de cardiologia do Hospital Nossa Senhora Aparecida de Valparaso de Gois, de julho a outubro de 2010. Esta pesquisa seguiu os princpios ticos contidos na Declarao de Helsinki, bem como na Resoluo n.o 196/96 do Conselho Nacional de Sade e foi aprovada pelo Comit de tica em Pesquisa da Universidade Paulista sob o protocolo 011/11. Foram recrutados cinquenta indivduos adultos,</p> <p>de ambos os sexos, com idade de 20 a 59 anos. Todos os sujeitos participantes apresentaram hipercolesterolemia isolada e ou mista (colesterol total &gt; 200 mg/dL e ou LDL &gt;160 mg/dL). Foram excludos gestantes, lactantes, indivduos com ndice de massa corprea (IMC) acima de 35 kg/m, pacientes em uso de terapias alternativas e medicamentos para controle de dislipidemia e ou obesidade, com outras doenas crnicas no transmissveis e aqueles que estavam fazendo dieta de restrio lipdica e energtica. O primeiro contato com os pacientes foi feito no ambulatrio de cardiologia, onde se verificou o ndice de massa corprea para estabelecimento dos critrios de elegibilidade e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido pelos participantes. Realizou-se a anamnese alimentar (registro de 24 horas), a antropometria (peso, altura, permetros abdominal e de quadris) e a prescrio do leo de coco com todas as orientaes necessrias. Os pacientes foram orientados a consumir 30 mL de leo de coco por dia, fracionados em trs refeies principais (desjejum, almoo e jantar) ou na forma pura, equivalente a uma colher de sopa cheia, trs vezes por dia. O leo de coco extravirgem (Copra Indstria Alimentcia) foi fornecido gratuitamente com as informaes necessrias quanto forma de consumo, isto , crua e sem utilizao de calor. Todos os pacientes foram contatados pelos pesquisadores por telefone, semanalmente, para esclarecimentos de dvidas, verificao do uso adequado do leo de coco extravirgem e confirmao do agendamento para garantir maior adeso ao tratamento, bem como controle sobre sua continuidade no estudo. Na sexta semana de consumo do leo de coco, os doentes retornaram ao ambulatrio para serem feitas novas aferies antropomtricas e anamnese alimentar, visando a observar possveis alteraes de hbitos e medidas corporais. Na 12. semana, foram avaliados os resultados dos exames bioqumicos, e novas medidas antropomtricas foram realizadas. Foi feita a anamnese alimentar com aplicao de registro de consumo alimentar de 24 horas antes do incio da suplementao com leo de coco e aps trs meses dessa interveno para se ter conhecimento sobre os hbitos alimentares dos doentes, porm no foram prescritas mudanas nos hbitos, para que no ocorresse interferncia na interveno com o leo de coco extravirgem. Foram usados no estudo balana digital com antropmetro W110H Hibrida Welmy e fita mtricaBraslia Med 2011;48(1):42-49</p> <p>43</p> <p>Raquel Souza MiRanda Silva e ColS.</p> <p>prprias do ambulatrio de cardiologia do Hospital Nossa Senhora Aparecida. O peso foi aferido com balana digital calibrada, de capacidade para 200 kg, com os pacientes participantes descalos e com roupas leves. A estatura foi aferida com o estadimetro da balana, com o indivduo descalo, cabea na posio de Frankfurt e sem adereos. O ndice de massa corprea foi calculado por meio da frmula IMC = peso (kg)/altura(m).7 Usou-se a classificao recomendada pela Organizao Mundial da Sade, a qual define os seguintes pontos de corte para o referido ndice de massa corprea: normal de 18,5 a 24,9 kg/m, sobrepeso 25 kg/m, pr-obesidade de 25 a 29,9 kg/m, obesidade grau I de 30 a 34,9 kg/m, obesidade grau II de 35 a 39,9 kg/m e obesidade grau III 40 kg/(m).8 As medidas dos permetros abdominal e dos quadris foram realizadas com fita mtrica flexvel de duzentos centmetros de comprimento, estando o indivduo em p, em posio ereta, a posio da fita no momento da medida foi em plano horizontal para garantir fidedignidade s medidas, sendo colocada ao redor do corpo no local em que foi aferida a medida com firmeza, mas sem esticar excessivamente, para no comprimir o tecido cutneo. O clculo da relao abdmen-quadris foi realizado com base na frmula permetro abdominal e permetro dos quadris, e ser preditor de doenas crnicas quando for maior que 1 em homens e maior que 0,80 em mulheres. Os riscos de complicaes metablicas tornam-se aumentados quando o permetro abdominal maior que 94 cm nos homens e maior que 80 cm nas mulheres e muito aumentados quando for maior que 102 cm nos homens e mais que 88 cm nas mulheres.7 Os permetros foram aferidos com o indivduo somente com uso de roupa ntima, em posio ortosttica, abdmen relaxado, braos ao lado do corpo e os ps juntos. A medida do permetro abdominal foi aferida na altura da cintura natural, parte mais estreita do corpo, e o permetro dos quadris foi aferido na extenso mxima das ndegas.5 Os sujeitos participantes foram orientados a procurarem o Laboratrio do Hospital Nossa Senhora Aparecida, GO, em jejum de doze horas, onde foi coletado o sangue para a realizao dos exames bioqumicos: colesterol total, LDL-c, HDL-c, triglicerdios, glicemia de jejum, apolipoproteina A-I e B (apo A-I e apo B), protena C-reativa ultrassensvel, lipoprotena (a) e fibrinognio. O colesterol total e o</p> <p>HDL-c foram determinados por meio do teste enzimtico colorimtrico e reagente do kit da Bioclin. O triglicerdio foi determinado pelo mtodo enzimtico com uso de reagentes Labtest, e as concentraes de LDL-c foram calculadas com base nesses valores, pelo uso da frmula de Friedwald e colaboradores. Todos foram realizados no aparelho Enzimmetro Thermo Plate. O HDL no colesterol foi obtido subtraindo-se o HDL-c do colesterol total. Calculou-se ainda o ndice aterognico com a seguinte frmula: colesterol total HDL-c / HDLc. Os valores foram considerados de acordo com as recomendaes da IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemia e Preveno da Aterosclerose,9 sendo valores normais de HDL-c 40 mg/dL para o sexo masculino e 50 mg/dL para o feminino. Foram considerados normais os valores de colesterol total menos de 200 mg/dL, LDL-c menos de 130 mg/dL e triglicerdio abaixo de 150 mg/dL. A determinao da glicose deu-se pelo mtodo enzimtico colorimtrico usando-se reagentes enzimticos KATAL. As amostras foram centrifugadas no Enzimmetro Thermo Plate e o valor de referncia, de acordo com a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes,10 que deve ser de 70 a 99 mL/dL. A determinao de apolipoprotena B (Apo B) e de apoliprotena A-I (Apo A-I) foi realizada por turbidimetria, por mtodo automatizado, usando-se reagentes prprios. Considerou-se o valor de referncia para Apo B de 80 a 155 mg/dL para homens e de 75 a 150 mg/dL para mulheres, Apo A-I de 90 a 170 mg/dL para homens e de 107 a 214 mg/dL para mulheres. As concentraes de lipoprotena (a) - Lp(a) foram determinadas pelo mtodo de turbidimetria, usando-se o conjunto diagnstico in vitro lipoprotena(a), com valor de referncia abaixo de 30 mg/dL. O fibrinognio foi dosado pelo mtodo de Clauss, por leitura de turbidimetria, em equipamento especfico e composto de reagente de trombina, considerando-se os valores de referncias de 200 a 400 mg/dL. A determinao qualitativa e semiquantitativa da protena C-reativa ultrassensvel foi realizada no soro com uso da prova em placa de aglutinao em ltex da Biocientfica SA, em que houve reao imunitria de aglutinao entre a protena C reativa como antgeno e o correspondente anticorpo aderido superfcie das partculas de ltex biologicamente inertes, com valor de referncia at 8 mg/L.</p> <p>44</p> <p>Braslia Med 2011;48(1):42-49</p> <p>leo de CoCo eM diSlipideMia</p> <p>A anlise estatstica foi realizada no programa Microsoft Office Excel 2007, usando-se o teste estatstico t de Student com significncia estatstica aceita de 5%. RESULTADOS O total de cinquenta indivduos aceitou participar da pesquisa. Desses, 36% desistiram por questes pessoais. A amostra final foi constituda de</p> <p>Tabela. Anlise comparativa das variveis antropomtricas e bioqumicas antes do incio da suplementao e aps trs meses de suplementao diettica com leo de coco extravirgem (n = 32) Variveis Peso (kg) ndice de massa corporal (kg/m2) Permetro abdominal (cm) Relao abdmen-quadris (cm) Colesterol total (mg/dL) LDL-c (mg/dL) HDL-c (mg/dL) VLDL-c (mg/dL) Colesterol no HDL (mg/dL) Triglicerdios totais (mg/dL) Apolipoprotena-A (mg/dL) Apolipoprotena-B (mg/dL) Glicemia (mg/dL) Lipoprotena (a) (mg/dL) PCR-us (mg/dL) Fibrinognio (mg/dL) Antes da suplementao 77,4 12,6 29,2 3,6 92,9 9,4 0,89 0,1 246,7 35,1 160,5 33,5 45,9 9,3 42,2 18,4 200,8 34,5 210,9 91,8 110,3 20,7 117 20,5 100,3 51,5 48,6 50,2 2,2 2,8 259,8 174,1 Aps a suplementao 75,9 12,2 28,7 3,5 88,6 9,0 0,85 0,07 241,3 42,8 157,4 41,...</p>