Os Espiritos Se Comunicam Na Igreja

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    25-Jul-2015

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Os espritos se comunicam na Igreja Catlica(as almas do purgatrio se manifestam a fiis)

O dilogo com os mortos no deve ser interrompido, pois, na realidade, a vida no est limitada pelos horizontes do mundo (Papa Joo Paulo II).

Ora, ningum, dotado de senso comum e que saiba racionar, pode ignorar a existncia de uma comunidade e de uma comunho entre os que vivem, com os que faleceram. (Golo Mann, 1909-1994).

Estamos rodeados por pessoas falecidas que, indizivelmente tristes, querem comunicar-se conosco enquanto olhamos unicamente para o mundo terreno. Oh! que miservel escravido em que nos metem os sentidos! (Dr. Peter Gehring, 1953-2003).

ndiceIntroduo......................................................................7 Vestgios dessa crena na igreja primitiva.........................19 1 Caso: Hermas (?-?)................................................19 2 Caso: Justino de Roma (100-163)............................20 O contato dos catlicos com os mortos.............................22 1 Caso: Maria-Ana Lindmayr (1657-1726)...................22 2 Caso: Irm Maria da Cruz (?-1917)..........................33 3 Caso: Eugnia von der Leyen (1867-1929)...............36 4 Caso: Maria Faustina Kowalska (1905-1938).............47 5 Caso: Maria gata Simma (1915-2004)....................59 6 Caso: Dr. Lino Sardos Albertini (1915-2005).............68 7 Caso: Maria Gmez Cmara (1919-2004).................74 8 Caso: Museu das almas do purgatrio......................75 9 Caso: Irm Ana Felcia (?-?)....................................83 Padres Catlicos que acreditam no intercmbio com os mortos.........................................85 1 Caso: Pe. Pascoal Magni.........................................85 2 Caso: Pe. Joo Martinetti........................................88 3 Caso: Pe. Gino Concetti..........................................92 4 Caso: Pe. Gebhard Frei (1905-1967)........................93 5 Caso: Pe. Pistone (? - ?).........................................94 Padres Catlicos que se envolveram e os pesquisadores do fenmeno....................................108 1 Caso: Pe. Agostino Gemelli (1878-1959).................108 2 Caso: Pe. Lo Schmidt (1916 - 1976).....................110 3 Caso: Pe. Landell de Moura (1861-1928)................112 4 Caso: Pe. Miguel Martins Fernandes (? - )...............131 5 Caso: Pe. Franois Brune (1931 -)..........................133 Concluso...................................................................135 Referncias bibliogrficas:.............................................143

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Introduo Embora, num esforo inaudito, se tente provar que os mortos no se comunicam, a verdade que eles no esto nem a para isso e se comunicam assim mesmo. Podemos ver que, dentro da Igreja Catlica, a manifestao dos defuntos coisa comum, apesar de fazerem de tudo para que isso no venha tona, porquanto haver de se mudar dogmas impostos fora, o que poder abalar a sua credibilidade como uma instituio religiosa. evidente a contradio dos catlicos, pois, apesar de muitos dizerem que os mortos no se comunicam, mesmo assim no deixam de fazer seus pedidos ao santo que dedicam a sua devoo. O pobre do Santo Antnio ento, coitado, desde quando foi elevado a esse status de santo, no tem mais paz, tantos os petitrios que lhe fazem as solteironas, que no largam de sua batina, em splica desesperada para conseguirem um bom marido. Ele faz cada milagre que espanta a qualquer um. Quando lhes demonstramos que tambm eles evocam os mortos (j que santo vivo, s mesmo o Santo Padre, o Papa), nos apresentam o argumento de que no evocam, mas invocam. Diante disso bom socorrer-nos com o Houaiss:evocar: 1 t.d. chamar (algo, ger. sobrenatural), fazendo com que aparea evocou todos os santos que conhecia para ajud-lo naquela hora; 2 t.d. tornar (algo) presente pelo exerccio da memria e/ou da imaginao; lembrar saudoso, evocava a infncia com frequncia, apaixonado, evocava o rosto da amada; 3 t.d. JUR passar (causa judicial) de um tribunal a outro. Invocar: 1.t.d. chamar em auxlio, pedir a proteo de (falando ger. de seres ou foras divinas, sobrenaturais); suplicar i. os santos; 2 t.d. pedir auxlio, assistncia; recorrer i. a ajuda dos amigos;

8 3 t.d. evocar (quaisquer foras sobrenaturais, ocultas) i. os espritos de antepassados; 4 t.d. B infrm. causar irritao a; provocar (algum) a conversa mole dele invoca qualquer um; 5 t.d. B infrm. deixar cismado; dar o que pensar a, intrigar ele o invocou quando evitou o assunto do relgio roubado; 6 t.i. e pron. B infrm. no simpatizar; antipatizar com invocou(-se) com a cara dele logo de sada; 7 t.d. JUR alegar a seu favor, aduzir como prova do que se diz i. leis, precedentes, testemunhos.

Todos os dois verbos podero ser usados indistintamente, j que ambos podem assumir o mesmo significado, que chamar por algo sobrenatural, uma vez que assim que todos veem os fenmenos de apario de um santo; dessa mesma forma que tambm veem a manifestao de qualquer outro esprito. Somente a Doutrina Esprita que procura demonstrar que tais fatos esto estritamente dentro das leis divinas; consequentemente, so leis naturais, que ainda no so vistas assim, porquanto prevalecem a ignorncia e o preconceito diante delas. Seriam as comunicaes com os mortos algo abominvel a Deus (Dt 18,12)? A questo : Deus faria alguma lei que pudesse levar a algo contrrio ao que Ele deseja ou que viesse a aborrec-Lo? Certamente que no! Portanto, se existe a possibilidade de se comunicar com os mortos, porque Deus criou uma lei para que isso acontea, sem nenhuma dvida. Mas, e a proibio? Reputamo-la provinda da vontade de Moiss, que no queria que se evocasse os mortos para fins de adivinhao, pois o que ele proibiu foi a necromancia, que exatamente isso. S que espertamente alguns telogos querem fazer dessa proibio mosaica seu cavalo de batalha, ou seja, uma proibio divina, contra as manifestaes, porquanto, morrem de medo de que os mortos venham a revelar outra verdade, da qual nem querem ouvir falar. Vejamos o que Kardec falou a respeito disso, no Cap. XI, de O Cu e o Inferno:

9 Da proibio de evocar os mortos 1. - A Igreja de modo algum nega a realidade das manifestaes. Ao contrrio, como vimos nas citaes precedentes, admite-as totalmente, atribuindo-as exclusiva interveno dos demnios. debalde invocar os Evangelhos como fazem alguns para justificar a sua interdio, visto que os Evangelhos nada dizem a esse respeito. O supremo argumento que prevalece a proibio de Moiss. A seguir damos os termos nos quais se refere ao assunto a mesma pastoral que citamos nos captulos precedentes: "No permitido entreter relaes com eles (os Espritos), seja imediatamente, seja por intermdio dos que os evocam e interrogam. A lei moisaica punia os gentios. No procureis os mgicos, diz o Levtico, nem procureis saber coisa alguma dos adivinhos, de maneira a vos contaminardes por meio deles. (Cap. XIX, v. 31.) Morra de morte o homem ou a mulher em quem houver Esprito pitnico; sejam apedrejados e sobre eles recaia seu sangue. (Cap. XX, v. 27.) O Deuteronmio diz: Nunca exista entre vs quem consulte adivinhos, quem observe sonhos e agouros, quem use de malefcios, sortilgios, encantamentos, ou consultem os que tm o Esprito pitnico e se do a prticas de adivinhao interrogando os mortos. O Senhor abomina todas essas coisas e destruir, vossa entrada, as naes que cometem tais crimes." (Cap. XVIII, vv. 10, 11 e 12.) 2. - til, para melhor compreenso do verdadeiro sentido das palavras de Moiss, reproduzir por completo o texto um tanto abreviado na citao antecedente. Eilo: "No vos desvieis do vosso Deus para procurar mgicos; no consulteis os adivinhos, e receai que vos contamineis dirigindo-vos a eles. Eu sou o Senhor vosso Deus." (Levtico, cap. XIX, v. 31.) O homem ou a mulher que tiver Esprito pitnico, ou de adivinho, morra de morte. Sero apedrejados, e o seu sangue recair sobre eles." (Idem, cap. XX, v. 27.) Quando houverdes entrado na terra que o Senhor vosso Deus vos h de dar, guardai-vos; tomai cuidado em no imitar as abominaes de tais povos; - e entre vs ningum haja que pretenda purificar filho ou filha passando-os pelo fogo; que use de malefcios, sortilgios e encantamentos: que consulte os que tm o Esprito de

10 Pton e se propem adivinhar, interrogando os mortos para saber a verdade. O Senhor abomina todas essas coisas e exterminar todos esses povos, vossa entrada, por causa dos crimes que tm cometido. (Deuteronmio, cap. XVIII, vv. 9, 10, 11 e 12.) 3. - Se a lei de Moiss deve ser to rigorosamente observada neste ponto, fora que o seja igualmente em todos os outros. Por que seria ela boa no tocante s evocaes e m em outras de suas partes? preciso ser consequente. Desde que se reconhece que a lei moisaica no est mais de acordo com a nossa poca e costumes em dados casos, a mesma razo procede para a proibio de que tratamos. Demais, preciso expender os motivos que justificavam essa proibio e que hoje se anularam completamente. O legislador hebreu queria que o seu povo abandonasse todos os costumes adquiridos no Egito, onde as evocaes estavam em uso e facilitavam abusos, como se infere destas palavras de Isaas: "O Esprito do Egito se aniquilar de si mesmo e eu precipitarei seu conselho; eles consultaro seus dolos, seus adivinhos, seus ptons e seus mgicos." (Cap. XIX, v. 3.) Os israelitas no deviam contratar alianas com as naes estrangeiras, e sabido era que naquelas naes que iam combater encontrariam as mesmas prticas. Moiss devia, pois, por poltica, inspirar aos hebreus averso a todos os costumes que pudessem ter semelhanas e pontos de contacto com o inimigo. Para justificar essa averso, preciso era que apresentasse tais prticas como reprovadas pelo prprio Deus, e dai estas palavras: - "O Senhor abomina todas essas coisas e destruir, vossa chegada, as naes que cometem tais crimes." 4. - A proibio de Moiss era assaz justa, porque a evocao dos mortos no se originava nos sentimentos de respeito, afeio ou piedade para com eles, sendo antes um recurso para adivinhaes, tal como nos augrios e pressgios explorados pelo charlatanismo e pela superstio. Essas prticas, ao que parece, tambm eram objeto de negcio, e Moiss, por mais que fizesse, no conseguiu desentranh-las dos costumes populares.

11 As seguintes palavras do profeta justificam o asserto: - "Quando vos disserem: Consultai os mgicos e adivinhos que balbuciam encantamentos, respondei: -No consulta cada povo ao seu Deus? E aos mortos se fala do que compete aos vivos?" (Isaas, cap. VIII, v. 19.) "Sou eu quem aponta a falsidade dos prodgios mgicos; quem enlouquece os que se propem adivinhar, quem transtorna o esprito dos sbios e confunde a sua cincia v." (Cap. XLIV, v. 25.) "Que esses adivinhos, que estudam o cu, contemplam os astros e contam os meses para fazer predies, dizendo revelar-vos o futuro, venham agora salvar-vos. - Eles tornaram-se como a palha, e o fogo os devorou; no podero livrar suas almas do fogo ardente; no restaro das chamas que despedirem, nem carves que possam aquecer, nem fogo ao qual se possam sentar. - Eis ao que ficaro reduzidas todas essas coisas das quais vos tendes ocupado com tanto afinco: os traficantes que convosco traficam desde a infncia foram-se, cada qual para seu lado, sem que um s deles se encontre que vos tire os vossos males." (Cap. XLVII, vv. 13, 14 e 15.) Neste captulo Isaas dirige-se aos babilnios sob a figura alegrica "da virgem filha de Babilnia, filha de caldeus" (v. 1). Diz ele que os adivinhos no impediro a runa da monarquia. No seguinte captulo dirige-se diretamente aos israelitas. "Vinde aqui vs outros, filhos de uma agoureira, raa dum homem adltero e de uma mulher prostituda. - De quem vos rides vs? Contra quem abristes a boca e mostrastes ferinas lnguas? No sois vs filhos perversos de bastarda raa - vs que procurais conforto em vossos deuses debaixo de todas as frontes, sacrificando-lhes os tenros filhinhos nas torrentes, sob os rochedos sobranceiros? Depositastes a vossa confiana nas pedras da torrente, espalhastes e bebestes licores em sua honra, oferecestes sacrifcios. Depois disso como no se acender a minha indignao?" (Cap. LVII, vv. 3, 4, 5 e 6.) Estas palavras so inequvocas e provam claramente que nesse tempo as evocaes tinham por fim a adivinhao, ao mesmo tempo que constituam comrcio, associadas s prticas da magia e do sortilgio, acompanhadas at de sacrifcios humanos.

12 Moiss tinha razo, portanto, proibindo tais coisas e afirmando que Deus as abominava. Essas prticas supersticiosas perpetuaram-se at Idade Mdia, mas hoje a razo predomina, ao mesmo tempo em que o Espiritismo veio mostrar o fim exclusivamente moral, consolador e religioso das relaes de alm-tmulo. Uma vez, porm, que os espritas no sacrificam criancinhas nem fazem libaes para honrar deuses; uma vez que no interrogam astros, mortos e augures para adivinhar a verdade sabiamente velada aos homens; uma vez que repudiam traficar com a faculdade de comunicar com os Espritos; uma vez que os no movem a curiosidade nem a cupidez, mas um sentimento de piedade, um desejo de instruir-se e melhorar-se, aliviando as almas sofredoras; uma vez que assim , porque o - a proibio de Moiss no lhes pode ser extensiva. Se os que clamam injustamente contra os espritas se aprofundassem mais no sentido das palavras bblicas, reconheceriam que nada existe de anlogo, nos princpios do Espiritismo, com o que se passava entre os hebreus. A verdade que o Espiritismo condena tudo que motivou a interdio de Moiss; mas os seus adversrios, no af de encontrar argumentos com que rebatam as novas ideias, nem se apercebem de que tais argumentos so negativos, por serem completamente falsos. A lei civil contempornea pune todos os abusos que Moiss tinha em vista reprimir. Contudo, se ele pronunciou a pena ltima contra os delinquentes, porque lhe faleciam meios brandos para governar um povo to indisciplinado. Esta pena, ao demais, era muito prodigalizada na legislao moisaica, pois no havia muito onde escolher nos meios de represso. Sem prises nem casas de correo no deserto, Moiss no podia graduar a penalidade como se faz em nossos dias, alm de que o seu povo no era de natureza a atemorizar-se com penas puramente disciplinares. Carecem portanto de razo os que se apoiam na severidade do castigo para provar o grau de culpabilidade da evocao dos mortos. Conviria, por considerao lei de Moiss, manter a pena capital em todos os casos nos quais ele a prescrevia? Por que,

13 ento, reviver com tanta insistncia este artigo, silenciando ao mesmo tempo o princpio do captulo que probe aos sacerdotes a posse de bens terrenos e partilhar de qualquer herana, porque o Senhor a sua prpria herana? (Deuteronmio, cap. XXVIII, vv. 1 e 2.) 5. - H duas partes distintas na lei de Moiss: a lei de Deus propriamente dita, promulgada sobre o Sinai, e a lei civil ou disciplinar, apropriada aos costumes e carter do povo. Uma dessas leis invarivel, ao passo que a outra se modifica com o tempo, e a ningum ocorre que possamos ser governados...