Poluição dos Solos - original

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    22-Jul-2015

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INTRODUO O solo pode ser estudado por suas caractersticas fsicas, qumicas e biolgicas, com o objetivo de conhecermos suas propriedades e utiliz-lo no atendimento das necessidades humanas sem degradar o ambiente. O conceito de solo pode ser diferente de acordo com o objetivo mais imediato de sua utilizao. para o agricultor e o agrnomo esse conceito destacar suas caractersticas de suporte da produo agrcola. Para o engenheiro civil, o solo importante por sua capacidade de suportar cargas ou de transformar-se em material de construo. Para o engenheiro de minas, o solo importante como jazida mineral ou como o material solto que cobre e dificulta a explorao dessa jazida. Para o economista, o solo um fator de produo. J o ecologista v o solo como o componente da biosfera no qual se do os processos de produo e decomposio que reciclam a matria, mantendo o ecossistema em equilbrio. De um modo geral, o solo pode ser conceituado como um manto superficial formado por rocha desagregada e, eventualmente, cinzas vulcnicas, em mistura com matria orgnica em decomposio, contendo ainda gua e ar em propores variveis e organismos vivos. COMPOSIO DO SOLO A proporo de cada um dos componentes pode variar de um solo para outro.Mesmo em um solo de determinado local as propores de gua e variam sazonalmente, com os perodos de maior ou menor precipitao. Em termos mdios de ordem de grandeza, os componentes podem ser encontrados na seguinte proporo: 45% de elementos minerais 25% de ar 25% de gua 5% de matria orgnica. A matria slida mineral , preponderantemente, proveniente de rochas desagregadas. A parte lquida fundamentalmente constituda por gua proveniente de precipitaes, tais como chuvas, sereno, neblina, orvalho e degelo de neve e geleiras, que contenham em soluo (destacando-se pela importncia a coloidal) substncias originalmente presentes nas fases slidas e gasosa. A parte gasosa proveniente do ar existente na superfcie e, em propores variveis, dos gases da biodegradao de matria orgnica nos quais predomina o dixido de carbono (biodegradao aerbia) e outros como o metano (biodegradao anaerbia). A parte orgnica proveniente da queda de folhas, frutos, galhos e ramos, alm de restos de animais, excrementos e outros resduos, em diferentes estgios de decomposio, em fase slida ou lquida. da biodegradao dessa matria orgnica que resulta o hmus do solo, responsvel em boa parte pelas suas caractersticas agrcolas (produo primria) e vrias de suas propriedades fsicas. POLUIO DO SOLO RURAL - OCORRNCIA E CONTROLE O emprego de fertilizantes sintticos e defensivos um fato relativamente novo, cujo uso cresceu rapidamente e que se estende, hoje, por praticamente todas as terras cultivveis, com alguns impactos ambientais imediatos e bem conhecidos e outros,

especialmente os relacionados aos defensivos, que dependem de anos e dcadas para se manifestar e ser avaliados em suas conseqncias totais. Nos dois casos, a produo e o consumo vm crescendo geometricamente a taxas que giram em torno de uma sextuplicao a aproximadamente cada duas dcadas, e que tendem a manter-se ou a crescer em curto prazo. Entretanto, a despeito dos riscos envolvidos, difcil reconhecer que o uso de fertilizantes sintticos e defensivos essencial para assegurar os nveis de produo primria, particularmente de alimentos, para o atendimento de uma populao que continua a crescer em taxas elevadas, da qual cerca de dois teros tm graves problemas de desnutrio. Se no possvel abolir o uso desses fertilizantes em curto prazo, urgente limitar seu uso ao estritamente indispensvel, cortando os desperdcios geradores de resduos poluidores, restringindo o emprego dos defensivos aos ambientalmente mais seguros e empregando tcnicas de aplicao que reduzam os custos derivados de sua acumulao e propagao pela cadeia alimentar. Fertilizantes sintticos At o advento de sua industrializao, os fertilizantes disponveis eram quase sempre provenientes da produo prpria e local, obtida dos restos de vegetais decompostos e dos excrementos de animais (estrume). Em maior escala, eram adquiridos de produtores, na forma do conhecido Salitre do Chile, ou obtidos pelo beneficiamento, por exemplo, de imensos depsitos de guano (excrementos depositados na costa do Chile e do Peru por aves aquticas cuja alimentao provm das ricas guas da corrente de Humboldt e das vrias ressurgncias que a ocorrem). Sendo todos produtos naturais, sua biodegradao e incorporao s cadeias alimentares dos ecossistemas associados ao solo eram imediatas e no havia criao de desequilbrios ou danos maiores. A partir da produo do adubo artificial, caiu a barreira fsica e econmica que limitava sua disponibilidade, fazendo crescer os riscos de sua acumulao ambiental at concentraes txicas, tanto de nutrientes essenciais como de outros elementos tidos como impurezas do processo de fabricao. A bibliografia cita casos de pesquisas efetuadas em vrios pases onde foram constatadas vrias impurezas constitudas por substncias altamente txicas. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos desde 1970 indicam a presena de vrias impurezas, algumas delas na forma de metais pesados, de reconhecida toxidez, mesmo em teores bastante reduzidos. A adio de fertilizantes ao solo visa atender demanda de nutrientes das culturas. Em ordem decrescente das quantidades exigidas pela planta, so cerca de dezesseis os elementos necessrios assimilados pelo vegetal, principalmente a partir de suas formas minerais ou mineralizadas encontradas em soluo nos solos. Os macronutrientes principais so o nitrognio, o fsforo e o potssio. Em seguida esto os macronutrientes secundrios: clcio, magnsio, enxofre. Por fim, os micronutrientes como o ferro, mangans, cobre, zinco, boro, molibdnio e cloro. Como em qualquer processo fsico, qumico e biolgico, mesmo quando o fertilizante aplicado com a melhor tcnica e de modo que seja mais facilmente assimilvel pelo vegetal, a eficincia nunca de cem por cento, provocando, em conseqncia, um excedente que passa a incorporar-se ao solo, fixando-se sua poro slida ou solubilizando-se e movimentando-se em conjunto com sua frao lquida. A eficincia dessa aplicao, alm de depender da tcnica utilizada (modo e local da aplicao, momento da aplicao e ocorrncia ou no de agentes que o carregam e lixiviam etc.), depende tambm das quantidades adotadas. Essa dependncia expressa

pela conhecida lei econmica dos rendimentos decrescentes. Por essa lei, medida que as aplicaes de fertilizante intensificam-se, a cada novo acrscimo de quantidade de fertilizante empregado o acrscimo de produo primria crescentemente menor. Em outras palavras, a eficincia cai e quantidades crescentes incorporam-se ao ambiente e no planta. Mesmo sem entrar em detalhes sobre o que acontece com os vrios elementos no incorporados planta, mas relembrando os ciclos biogeoqumicos vistos nos captulos precedentes, fcil intuir que alguns deles podero vir a integrar-se a corpos de gua e outros ficaro no solo, prximos superfcie em que ocorrem os cultivos. Os primeiros podero elevar os teores com que naturalmente se apresentam nas guas, ocasionando diferentes formas de poluio. Uma delas, denominada contaminao, ocorre quando esses teores atingem nveis txicos flora, fauna e ao homem em particular. A outra, denominada eutrofizao, corresponde superfertilizao das guas, que passam a produzir enormes quantidades de algas que, por competio, eliminam muitas espcies aquticas e restringem severamente os benefcios que podem ser extrados da gua. A parcela que se fixou ao solo tende a acumular-se em concentraes crescentes que podero torn-lo imprprio agricultura. Mesmo a parcela solubilizada assimilada pelas plantas, se o for em teores crescentes, poder alterar a composio do tecido celular. Essas plantas, ao serem utilizadas como alimento pelo homem ou pelo gado, incorporam-se cadeia alimentar que passa pelo homem, introduzindo um fato novo, cuja conseqncia s ser conhecida, talvez, aps um prazo de algumas geraes. Dados de origem norte-americana mostram que nas prticas agrcolas normais, no mais do que 50 % e 30 %, respectivamente, do nitrognio e do fsforo aplicados por meio de fertilizantes so incorporados s plantas (Spyridakis, 1976). Os 50 % e 70 % complementares que, devido s prticas agrcolas menos desenvolvidas entre ns, devem ser maiores, vo transformar-se na fonte potencial dos problemas acima referidos. Estudos sobre a incorporao de nutrientes no tecido vegetal evidenciaram um grande aumento de concentrao de nitratos em vegetais plantados em solos com adio de fertilizantes. No caso da alface, o teor de nitrognio, medido em percentual de massa seca, foi de 0,6 em terreno adubado com 600 kg de nitrognio por hectare, enquanto na cultivada em terreno normal, esse teor de 0,1 (Commoner, 1970). Podemos inferir que o comportamento qualitativo relativo aos demais nutrientes seja similar. Em termos ecolgicos globais e em longo prazo, a fertilizao e especialmente a superfertilizao com eficincia decrescente tendem a modificar a distribuio da ocorrncia dos nutrientes na biosfera, provocando sua concentrao em alguns dos seus segmentos (solos agrcolas e corpos de gua) e na cadeia alimentar em que est o homem. Defensivos agrcolas Os defensivos agrcolas so classificados em grupos, de acordo com o tipo de praga que combatem: inseticidas, fungicidas, herbicidas, rodenticidas (contra roedores) etc. Os defensivos que inauguraram o ciclo que ainda hoje caracteriza a tecnologia predominante de combate s pragas agrcolas tm cerca de cinqenta anos. Eles foram sintetizados na busca de um efeito mais duradouro de sua aplicao. Surgiu ento o DDT, em 1939, como o primeiro inseticida organoclorado de elevada resistncia decomposio no ambiente (meia vida da ordem de decnios). Desde ento, um grande nmero deles vm sendo sintetizados, partindo-se do mesmo objetivo inicial, mas com a preocupao crescente de torn-los mais especficos quanto aos organismos afetados e menos duradouros. foroso reconhecer que esses dois ltimos objeti