Portela magazine n.º 11

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    01-Apr-2016

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Edio Especial Autrquicas 2013 com entrevistas aos candidatos Presidncia da Junta de Freguesia de Portela e Moscavide: Manuela Dias (PSD/MPT/PPM); Daniel Lima (PS) e Rui Marques (BE), bem como entrevistas aos candidatos Presidncia da Cmara Municipal de Loures: Leandro Souto (PNR); Joo Nunes (PS); Fernando Costa (PSD/MPT/PPM) e Jorge Costa (BE). Nesta edio especial tambm figura o pintor Joo Params e Maria do Rosrio Gama, presidente da APRe!

Transcript

  • P rtelamagazine

    Distribuio gratuitaSetembro 2013 Periodicidade Bimestral11#

    Revista da Associao dos Moradores da Portela

    Entrevistas a todos os candidatosEspecial Autrquicas 2013

    Entrevista presidente da APRe! Maria do Rosrio GamaQuando a comunicao social fala dos mais velhos quase sempre para dizer que no h dinheiro

  • magazineP rtela2

    Portela Magazine Revista Bimestral Proprietrio Associao dos Moradores da Portela Director Manuel Monteiro Redaco Eva Falco, Filipa Assuno, Leonor Noronha Colaboradores Armando Jorge Domingues, Bonifcio Silva, Carla Marques, Fernando Caetano, Filipa Lage, Humberto Tomaz, Jos Alberto Braga, Miguel Esteves Pinto, Miguel Matias, Patrcia Guerreiro Nunes, Rui Garo, Rui Rego Sede de Redaco Associao dos Moradores da Portela, Urbanizao da Portela, Parque Desportivo da AMP, Apartado 548, 2686-601 Portela LRS Telefone 219 435 114 Site www.amportela.pt E-mail amportela_secretaria@gmail.com Email Comercial portelamagazinepub@gmail.com Direc-o Comercial: Antnio Nascimento Grafismo ITW-Ideas That Work, Lda. Impresso Nova Grfica do Cartaxo Tiragem 6500 exemplares Depsito Legal n.o 336956/11 ISSN N.o 2182-9551

    Ficha Tcnica

    Por paradoxal que possa pare-cer, apesar da ideia largamen-te disseminada de que no so os polticos quem nos governa, mas os grandes grupos econmicos, o es-crutnio feito pelos media elite eco-nmica permanece residual ou nulo. Dezenas de comentadores, dezenas de especialistas enxameiam a tele-viso e os jornais, sempre atreitos a discutir os tacticismos partidrios e a futebolizao da poltica, sem discutir demoradamente as questes de fundo da poltica nacional e internacional.Repare-se como se difunde, sem um exame profundo e crtico, a diaboliza-o das PPP, antema que surgiu re-pentinamente aps anos e anos a fio de PPP e que rapidamente se instalou como uma verdade feita para o cida-do comum, sem que contudo esse mesmo cidado comum saiba quem est por trs dos contratos. Quem so estes grupos, os seus accionistas, quem beneficia e continuar a benefi-car por muitos anos com tais contra-tos? Quem rouba afinal o Estado (que a maioria dos comentadores nos quer fazer esquecer de que somos to-dos ns)?

    Ainda Jorge Sampaio era presidente da Repblica e uma sondagem aos jornalistas revelou que 90% se confes-savam compelidos a produzir jornalis-mo (uma contradio nos termos) de acordo com a linha editorial do rgo em que estavam. Na altura, o presi-dente mostrou uma certa comoo e apreenso, mas desde ento nada mu-dou. Pelo menos, para melhor, nada mudou.A concentrao da propriedade da dita comunicao social cresce a par com os mecanismos de coaco pela publicidade, cada vez mais tremen-dos numa poca de crise, de falncia de publicaes peridicas e de pre-cariedade do jornalismo. Veja-se o tom bajulatrio e deliciado com que a directora do Pblico descreve a filha do arquipoderoso Belmiro ou o editorial que Jos Antnio Sarai-va escreveu a endeusar Balsemo quando era director do Expresso, ve-ja-se como os grandes senhores do dinheiro tm sempre entrevistadores neutrinhos, sorridentes e de panca-dinhas nas costas, veja-se como o Governo de Angola abordado com um extremo cuidado, para se achar tudo isto uma grotesca farsa. Faa-se um estudo de quantos media ousam investigar ou criticar os seus patres

    ou as empresas que lhes pagam a publicidade. Qual o pensamento destes grandes senhores do dinheiro? Os sinais que temos do seu pensamento so terri-velmente antidemocrticos, cavernco-las e racistas sociais de uma forma des-denhosa e sarcasticamente perversa.Belmiro de Azevedo, o homem que no est habituado a ouvir uma cr-tica e que disse que Marcelo Rebelo de Sousa tinha de ser erradicado e aniquilado da vida poltica quando ousou contrari-lo, o companheiro de squash de Vtor Gaspar, garante que se no for a mo-de-obra barata, no h emprego para ningum, assegu-rando que as manifestaes so um divertimento para desempregados.Soares dos Santos, o homem que tra-ta qualquer jornalista com enfado e condescendncia, salpicando cons-tantemente o seu interlocutor com filho, no nada disso, entende que a economia enferma de problemas nascidos nesse terrvel ano de 1974, sublinhando que no lhe interessa a Constituio e que andamos sempre a mamar na teta do Estado. Porqu, porqu?.Fernando Ulrich soltou o clebre ai, aguentam, aguentam e reiteraria a sua certeza mais tarde desmontando a ideia de que se tratara de uma gafe, quando jurou que, sim, os Portugue-ses aguentavam mais austeridade, se at os sem-abrigo aguentavam, ho-messa! Este mesmo homem marcou presena na Quadratura do Crculo, naquele que foi um dos discursos mais confrangedores no espao meditico, quer na forma nervosa que demons-trou perante quem o confrontava no plano das ideias, quer na total ausn-

    Manuel Monteiro

    Bater onde di, a anttese do jornalismo hodierno

    EDITORIAL

    manuelmonteiro_@hotmail.com

  • magazineP rtela 3

    cia de contedo, singularmente vcuo e contraditrio. Quem quiser que veja o tristssimo exerccio em vdeo para aferir como estas conspcuas criaturas tartamudeiam e se afundam perante um homem culto e com relativa inde-pendncia de esprito e coragem como Pacheco Pereira.Ricardo Salgado, o homem que se esqueceu de declarar 8,5 milhes ao Fisco, o homem que no se sabe com que mandato entra no Conselho de Ministros em que se ir aprovar o Oramento do Estado, severo a ana-lisar a moralidade dos Portugueses que preferem o subsdio de desem-prego a trabalhar. Desempregados so, no fundo, preguiosos. Algum explique ao Dr. Ricardo Salgado que o subsdio de desemprego diminuiu ao longo dos ltimos anos, sucessiva-mente, em montante, em condies de acesso, em extenso no tempo, e que o desemprego cresceu mais do que nun-ca. E de caminho pergunte-se a estes senhores como que a sua soluo da desregulamentao do mercado de trabalho que sempre preconizaram (por eles docemente referida como flexibilizao), aplicada pelos su-cessivos Governos no contribuiu para a diminuio do desemprego. Muito antes pelo contrrio. Algum lhe explique tambm que noutros pa-ses, que muitas vezes so referencia-dos parcialmente nas suas polticas, a desregulamentao foi contrabalan-ada pelo reforo das prestaes so-ciais e que aqui sucedeu o contrrio, aumentando-se o desemprego e agra-vando-se as condies de quem cai nas malhas do flagelo, cada vez mais contguo misria e excluso social. E algum o acompanhe na vida de um desempregado de longa durao (que os dados da OCDE de 2010 mostra-vam ser Portugal o pas com mais per-centagem de desempregados de longa durao) que toda a vida trabalhou e que o mercado de trabalho penaliza pela idade. Mas Ricardo Salgado est preocupado com questes maiores e decidiu brindar-nos com a concluso filosfica das suas profundas elucubra-es: O sistema capitalista amoral, tem de produzir resultados. As pesso-as que podem ser morais ou imorais, mas o sistema de ser amoral.

    O excelso empresrio Miguel Pais do Amaral foi acusado pelo Ministrio Pblico de ter apresentado, enquanto presidente da Media Capital, vrias facturas, entre 2001 e 2004, num valor total superior a 4,5 milhes de euros, que circularam por empresas criadas no estrangeiro com o objectivo de fugir aos impostos. Esse mesmo homem que comanda inmeras editoras em Portugal afirmou alegremente desco-nhecer Oscar Wilde e no saber nada de poesia, filosofia e literatura porque no lhe interessam para nada.Antnio Lobo Xavier, o homem da Sonae, da Mota-Engil, do fundo Vallis, da Riopele, da Fundao Serralves, da SIC Notcias, da Morais Leito, Gal-vo Teles, da Soares da Silva & Associados, da ACEGE, da As-sociao Comer-cial do Porto, da Txtil Manuel Gonalves, da Jernimo Mar-tins e do CDS, entre outros dignssimos car-gos, um comen-tador que poder ser independente? um ho-mem que poder no levantar suspeies quanto parte interessada ao superintender a comisso de reviso do IRC? Este comentador fixo de um dos programas televisivos mais vistos de debate pblico defende que a redu-o das desigualdades em Portugal, o segundo pas mais desigual da Unio Europeia, no deve ser uma prioridade e que tal no sustentvel. este o iderio que dirige superior-mente as empresas destes sbios es-pritos? So estes homens que recla-mam contra a mama, que falam em baixar salrios e que troam das prestaes sociais, que a Autoridade Bancria Europeia revelou que esto entre os que mais ganharam em 2011 na Unio Europeia. Num universo de 27 pases, Portugal ficou em dci-mo, fruto dos rendimentos de 11 ban-queiros portugueses, cujos nomes no foram revelados. So estes liberais quem mais recebe do Estado, so estes os nicos donos de empresas que tm os seus prejuzos nacionalizados, isto

    , encaminhados para todos os Por-tugueses, quando a sua gesto corre mal, ao mesmo tempo que defendem a privatizao das empresas lucrativas do Estado.Termino com um episdio que vivi enquanto jornalista. No dia 28 de Fe-vereiro de 2007, estive numa palestra sobre a responsabilidade social das organizaes, concretamente do Mil-lenium BCP. A extenso das palmas parecia-me prpria dos discursos de Estaline. Na minha mesa, um conjun-to de funcionrios do BCP reforou-me a ideia de que estava numa litur-gia. Esto a ver as vossas mos? Tm todas um eme [M] nas linhas... um eme de Millenium. Assustei-me com

    o tom. Quando perguntei pela satisfao laboral e pela

    responsabilidade social do BPC, um fantico debitou: No Mil-lenium BCP, h 11 mil trabalhadores e no h um nico insatisfeito. Notan-do a incredulidade

    no meu rosto, repetiu maquinalmente: No

    Millenium BCP, h 11 mil trabalhadores e no h um

    nico insatisfeito. No final, per-guntei publicamente a Paulo Teixeira Pinto se era verdade que as doenas de foro psiquitrico tinham aumentado no sector bancrio, designadamente no BCP, e se havia estudos sobre isso. Os rostos da sala ficaram tensos, sus-surando entre dentes. Enfurecido, res-pondeu-me que no havia estudos, que o mal em Portugal era preferir-se mor-rer por no se ter trabalho a morrer-se a trabalhar, desfiou a catilinria contra o rendimento mnimo, contou a piada de que quando perguntaram a um empre-srio quantas pessoas trabalhavam na sua empresa, este respondera cerca de metade. No dia seguinte, na galeria Z dos Bois, num lanamento de um livro, um indivduo que no conhecia veio ter comigo e disse que eu no poderia ter feito o que fiz, que Paulo Teixeira Pinto era um homem perigoso que se vestia como membro da SS na faculda-de e que se eu estava interessado em ter uma carreira no poderia voltar a fazer uma pergunta assim.

    Ricardo Salgado, o homem que se

    esqueceu de declarar 8,5 milhes ao Fisco, o homem que no se sabe com que

    mandato entra no Conselho de Ministros em que se ir aprovar

    o Oramento do Estado, severo a analisar a

    moralidade dos Portugueses

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    ENTREVISTAJUNTA PSD

    O que pensa da fuso das freguesias de Mos-cavide e da Portela?No futuro, a Unio de Freguesias Moscavide e Portela ir constituir uma Freguesia de Exceln-cia com duas localidades. Trataremos da mesma forma o que igual e de forma distinta o que diferente: Temos um projecto que vai transfor-mar a nova freguesia num espao de maior pro-ximidade, mais partilha e melhor qualidade de vida. No discrimina ou exclui ningum. Vamos ouvir todos, e promover a melhoria da qualidade de vida. um projecto ambicioso, que traz um novo olhar sobre Moscavide e um olhar sempre atento sobre a Portela. Surge um novo desafio: um projecto autrquico positivo, inclusivo e de sucesso. Todos tm voz e contributos a dar!Sempre houve um estigma entre os habitan-tes de Moscavide e da Portela. H inmeras pessoas de uma freguesia que nem sequer conhecem a outra. De que forma ser isto combatido?No dou como certo que muitos moscaviden-ses no conheam a Portela ou vice-versa. No acho que haja estigma. Pelo contrrio, sempre fui testemunha de um salutar convvio entre as duas populaes vizinhas.Um bom indicador da existncia de dificulda-des econmicas o nmero de pessoas que deixam de pagar gua, pelo menos durante algum tempo. At que ponto conhece essa realidade nas duas freguesias?Na Portela do conhecimento geral que a Junta colabora no pagamento de despesas de casa para essas situaes. Esta poltica ser, no futu-ro, estendida a Moscavide.Qual o balano que faz do seu mandato frente da Junta de Freguesia da Portela e do mandato de Daniel Lima frente da Junta de Freguesia de Moscavide?Esse balano feito pelos eleitores todos os dias. No dia 29 de Setembro teremos o verda-deiro balano.Quais so as principais carncias da Portela e de Moscavide que pretender colmatar?A Portela hoje um exemplo, no concelho de Loures e na zona oriental da Grande Lisboa, no que diz respeito aco social, ao apoio edu-cativo e s actividades culturais e recreativas, graas a um esforo conjunto que tem envol-vido toda a comunidade. Temos olhado com particular ateno para os mais velhos. Facili-tmos a mobilidade e melhormos a segurana, apoimos os mais necessitados nas despesas bsicas de sade, alimentao e habitao, no esquecendo os momentos de lazer e cultura, de festas e tradies. Temos tido um olhar dinmi-

    co para os mais jovens, reconhecendo que eles so os herdeiros da nossa actuao: demos-lhes mais oportunidades ao apoi-los nos estudos e na aquisio de manuais escolares e atribuindo bolsas de estudo e outros prmios. Proporcio-nmos uma vida mais preenchida, ao nvel do desporto, cultura e lazer. Temos olhado para os que vivem com maiores dificuldades, atravs da manuteno de um Programa de Emergncia Social, que s possvel graas a uma ges-to financeira rigorosa para poder ajudar os que mais precisam. Os laos que ligam as comunidades de Mosca-vide e Portela so fortes, apesar das fronteiras territoriais, administrativas ou polticas. Vamos integrar a mesma freguesia, mantendo as tradi-es e a identidade de cada comunidade. Que-remos levar um projecto ambicioso, dinmico, que traga um novo olhar sobre Moscavide. Um projecto participativo que facilita a vida de todos com pequenos gestos, especialmente daqueles que j viveram mais anos e comeam a encon-trar mais dificuldades. Ir ao mercado e ao centro de sade difcil, os passeios sem rampas so obstculos para os carrinhos de bebs e cadeiras de rodas. Queremos que todos se desloquem sem barreiras e em segurana e vamos implementar o Transporte Solidrio para Idosos, um servio gratuito porta-a-porta para quem dele necessita. Este servio vai assegurar a mobilidade e a se-gurana dos idosos e contribuir para a diminuio do isolamento, da solido. O Centro de Sade, o Mercado e o Centro Comercial da Portela vo ficar mais prximos de todos. O projecto Arranje a mi-nha Rua Arranje o meu Bairro vai permitir que todos sugiram obras e melhorias e ser acom-panhado de uma verdadeira gesto oramental da freguesia participada por todos. Vamos olhar para os mais novos e para as suas necessidades logo nos primeiros anos, ao nvel das creches e jardins-de-infncia, apoiando com oferta de manuais e equipamento. Vamos incentivar os estudos, valorizar o mrito com bolsas de estu-do e fomentar actividades extra-escolares, com actividades artsticas, musicais, cul...