PRODUÇÃO TEXTUAL DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO & ?· Pegue um jornal. Pegue a tesoura. ... No que diz…

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    03-Dec-2018

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  • Cadernos do CNLF, Vol. XVI, N 04, t. 1 Anais do XVI CNLF, pg. 1091

    PRODUO TEXTUAL DE ALUNOS DO ENSINO MDIO & SUPERIOR

    Renata da Silva de Barcellos (NAVE / UNICARIOCA) osbarcellos@ig.com.br

    1. Produo textual

    O que nos impulsionou a refletir sobre este tema foi como os alu-nos (concluintes do EM e graduandos) esto se expressando oralmente e por escrito. Como se apropriam dos recursos estilsticos e/ou lingusticos da lngua materna. Independente da norma, tipologia e gnero textual, observamos o empobrecimento do texto no que tange a esses aspectos enriquecedores. Analisando os textos, no percebemos diferenas. Os ti-pos de inadequaes so as mesmas (posteriormente, apresent-las-emos em forma de classificao).

    Primeiramente, cabe ressaltarmos que muitos ingressam no s no EM e ES com uma viso limitada da definio de texto

    (...) Podemos afirmar que o texto o produto da atividade verbal oral ou escri-ta que forma um todo significativo e acabado, qualquer que seja a sua exten-so. uma sequncia verbal constituda por um conjunto de relaes que se estabelecem a partir da coeso e da coerncia (sic). Esse conjunto de relaes tem sido chamado de textualidade. Dessa forma, um texto s um texto quan-do pode ser compreendido como unidade significativa global, quando possui textualidade (PCN, 1999)

    Ao iniciar com uma turma, verificamos que a maioria dos alunos considera texto somente quando h linguagem verbal. Portanto, preciso conscientiz-los sobre a definio de texto e, ao longo do perodo ou ano letivo, trabalharmos os seus diversos tipos de linguagem componentes: verbal, no verbal (icnica) e verbal e no verbal. E, concomitantemente, as suas funes: ilustrar ou complementar. Veja na figura seguinte.

    No texto abaixo, se no lermos o icnico, pensaremos que houve inadequao de concordncia verbal. O humorista falecido foi um: Chico Anysio, no entanto, o verbo est flexionado no plural . Ao considerarmos a linguagem no verbal, compreendemos o emprego do termo a partir da referncia aos personagens criados pelos artistas.

    Cabe destacarmos que, independente, da linguagem que compe o texto, fundamental o domnio do tema. Isto , o conhecimento de mun-

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    do (daqui por diante CM) para elabor-los e associar as diversas reas ao tema proposto.

    Vejamos outro texto:

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    O texto acima composto de linguagem verbal uso da lngua portuguesa e de linguagem no verbal as imagens. A funo desta complementar aquela. Isto , sem o icnico no saberamos que tipo de vestido seria considerado popular. Quanto ao contedo, precisamos acio-nar o nosso CM para nos remeter temtica da poluio.

    Nesta publicidade, usou-se o recurso da vestimenta bsica no guarda roupa feminino , para abordar a problemtica atual. Alm desse recurso estilstico, para a elaborao de um texto bom com qualidade fundamental ter o que dizer e/ou escrever de acordo com a tipologia e gneros textuais e a norma (coloquial ou culta).

    fundamental conscientizarmos os alunos de EM e ES sobre es-sas questes para desenvolver as diversas competncias e habilidades cognitivas.

    2. Tipologia e gneros textuais

    A partir da experincia com alunos de todos os nveis de EF, EM e ES, verificamos que, inicialmente, quando a temtica da aula texto e suas modalidades, no sabem reconhecer a tipologia e gneros textuais.

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    Quando apresentamos as classificaes, ficam surpresos com a diversidade. Cabe a ns, enquanto professores, ressaltarmos que cada uma tipologia e gnero apropriado a uma situao comunicativa. O mesmo ocorre com a norma ser adotada: Devemos nos expressar na norma culta ou coloquial? Se a situao requer formalidade, a culta co-mo em um processo seletivo para emprego ou vaga em universidade, a-presentao de um projeto, elaborao de provas e trabalhos; caso contr-rio, a coloquial utilizada para comunicaes entre familiares, amigos etc.

    No que diz respeito tipologia textual, Marcuschi usa o termo pa-ra designar uma espcie de sequncia teoricamente definida pela nature-za lingustica de sua composio (aspectos lexicais, sintticos, tempos verbais, relaes lgicas) (2002, p. 22). Isto , so os textos argumenta-tivos, dissertativos, narrativos, descritivos e injuntivos.

    Quanto ao injuntivo, cabe a ns, professores, esclarecermos aos alunos que a tipologia textual refere-se orientao ao passo a passo de como realizar algo, por exemplo receita mdica, culinria e manual de instruo. A caracterstica dessa tipologia textual pode ser empregada em gneros textuais diversos. Depender somente da criatividade do autor.

    Para ilustramos isso, podemos citar um poema cujo recurso a ca-racterstica do injuntivo. Vejamos:

    RECEITA PARA FAZER UM POEMA DADASTA

    Tristan Tzara

    Pegue um jornal. Pegue a tesoura. Escolha no jornal um artigo do tamanho que voc deseja dar a seu poema. Recorte o artigo. Recorte em seguida com ateno algumas palavras que formam esse arti-go e meta-as num saco. Agite suavemente. Tire em seguida cada pedao um aps o outro. Copie conscienciosamente na ordem em que elas so tiradas do saco. O poema se parecer com voc. E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do pblico.

    Outro exemplo de texto cuja caracterstica do injuntivo pode ser apresentado em uma publicidade. Por exemplo, a da Knoor:

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    O texto acima cujo gnero uma publicidade do produto Knorr. hbrido porque h caracterstica da tipologia injuntivo a orientao a-travs do uso do verbo no modo imperativo esfreque.

    Quanto tipologia e aos gneros textuais, constatamos que muitos alunos no sabem a diferena entre texto argumentativo e dissertativo. E, afinal, como distingui-los? Qual a caracterstica de cada um?

    O argumentativo apresenta o posicionamento do autor do texto acerca do tema tratado. Ao discorrermos sobre um assunto, preciso nos posicionar. J o discursivo se limite a explanar a respeito do que pro-posto.

    No que diz respeito s tipologias, faz-se necessrio conscientizar-mos os alunos de que elas so empregadas nos diversos gneros textuais.

    As tipologias so empregadas em gneros textuais cuja definio

    o reflexo de estruturas sociais recorrentes e tpicas de cada cultura. Por isso, em princpio, a variao cultural deve trazer consequncias significativas para a variao de gneros, mas este um aspecto que somente o estudo intercultu-ral dos gneros poder decidir. (MARCUSCHI, 2002).

    Os gneros textuais so sermo, bilhete, carta, e-mail, MSN, men-sagem no facebook, reportagem, notcia etc. Cabe ressaltarmos que, entre todos, o e-mail, o MSN, mensagens em facebook, Orkut e twitter novos gneros oriundos das inovaes tecnolgicas foram criados a partir da necessidade de nos expressarmos de modo dinmico na atualidade. Co-mo consequncia, surge uma nova forma de nos expressar: o internets. Professores, orientem os alunos de quando podem e devem utilizar essa nova linguagem escrita. preciso que eles saibam qual o contexto ade-quado. No podemos bani-la, dizermos que no devemos nos expressar

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    assim errado. Cabe a ns elucidarmos que depende do contexto e do interlocutor.

    Para abordarmos toda essa pluralidade de textos, devemos explo-rar diversos nas aulas de morfossintaxe e semntica, alm de propormos a elaborao deles, a fim de colocarmos em praticar as caractersticas de cada um.

    Outra caracterstica importante a ser trabalhada a da mistura de tipologias. Vale dizermos que a grande maioria dos alunos chega facul-dade sem ter conscincia de que os textos puros so raros, ou seja, no apresenta caractersticas de outros. Eles so predominantemente hbridos. Quanto a essa terminologia, Travaglia (2002) define como conjugao tipolgica; j Marcuschi (2002) nomeia como heterogeneidade tipolgica.

    Observamos isso no texto abaixo do produto Leite Moa. Para comemorar os seus 50 anos, criou-se a publicidade com a citao da m-sica Mania de voc, de Rita Lee.

    3. Dicas para a elaborao de um texto

    Quando nos propomos a elaborar um texto, devemos ler e / ou ou-vir com ateno o enunciado. Assim, levaremos em considerao o tema, a tipologia e o gnero propostos. A partir dessas informaes, saberemos qual norma (culta ou coloquial) utilizaremos e a estrutura do texto com o contedo a ser abordado.

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    Ao propormos a primeira produo textual em uma turma, sempre verificamos como a maioria no tem noo sequer da sua estrutura do seu corpo. preciso que qualquer tipologia e gnero textual apresentem o desenvolvimento com o maior nmero de linhas. Afinal, o nome j re-mete ideia de algo a ser explicado.

    Outra questo verificada a falta de domnio dos temas propostos. Cabe dizermos que, na nossa prtica pedaggica, os assuntos so sempre da atualidade, de questes socioeconmicas culturais ocorridas no Bra-sil e no mundo. Por exemplo, neste primeiro semestre, a questo mais mencionada a Rio +20, devido ao evento em junho. Por isso, tudo o que est relacionado tem sido explorado em provas como lixo eletrnico e em concursos como o desafio da sustentabilidade para o futuro da humani-dade, do prmio CBN de jornalismo universitrio CBN.com.br.

    A principal questo dominar o tema, sabermos discorrer sobre o que foi proposto. Em seguida, organizarmos as ideias segundo as orien-taes e nos lembrarmos de que a criatividade o tempero de um bom texto. Utilize o recurso estilstico da intertextualidade a fim de demons-trar CM. Concomitantemente, no nos esqueamos, principalmente, da estrutura, do corpo do texto. fundamental a abertura de pargrafo (at nos textos impressos) e o desenvolvimento independente do nmero de pargrafos- ser a parte com o maior nmero de linhas. No nos esquea-mos de que se o nosso texto tiver a introduo e/ou a concluso aproxi-madamente com o mesmo nmero de linhas igual ou maior nosso texto ser desclassificado ser zerado.

    Alm disso, vale lembrarmos que devemos: escrever com letra manuscrita e frases curtas, completar uma ideia PONTUAR, verificar as escolhas lexicais, separar as silabas devidamente e observar a concor-dncia, a regncia, a coerncia e a coeso. Quando o texto estiver elabo-rado, REVIS-LO SEMPRE. No nos esqueamos de que a pontuao, a coeso, a coerncia e a regncia mal empregadas podem compromet-lo e ZERAR o nosso texto por falta de coerncia.

    4. Natureza dos desvios

    Inicialmente, cabe ressaltarmos que o termo desvio usado no lugar de erro para sinalizarmos o que considerado inadequado no emprego de um dado contexto em funo da produo textual.

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    A seguir, apresentaremos uma proposta de classificao dos des-vios mais recorrentes nos textos dos alunos de EM e ES:

    acentuao: os alunos se esquecem de empregar os acentos agudo, circunflexo e gra-ve como em proprio cuja slaba tnica . Outro desvio recor-rente a ausncia de acento agudo no verbo e : ele esta / e triste.

    preciso levar os alunos a perceberem a diferena entre - pronome demonstrativo e - conjuno: Esta - e saia linda e - verbo - : Ele est feliz.

    Outras vezes, detectamos que eles utilizam a acentuao indevi-damente, por exemplo: . Tm dificuldade em perceber que s h acento na palavra primitiva , j, na derivada, no h porque o ponto tnico mudou da slaba para .

    Outra questo o uso inadequado do acento grave como: em a-cesso a educao faltou o acento grave, porque quem tem acesso, tem acesso a algo ou a algum. Ou indevido quando se emprega o acento sem a regncia do termo regente solicitar, por exemplo: pblico garante transparncia quem garante, garante algo. Portanto, no ocorre a cra-se.

    H outro caso de no uso: os casos em que o acento proibido como diante de verbo: comeamos ler.

    abreviao vocabular: atualmente, este desvio um dos maiores problemas que o professor de Lngua Portuguesa enfrenta proveniente da evoluo tecnolgica. Com o uso de mensagens no celular e das redes sociais e devido rapidez com que devemos nos expressar, utilizamos o recurso da economia vocabular, nestes contextos, adequadamente. Mas em provas, trabalhos, redaes, inclusive para concursos e processos seletivos, jamais!!! s vezes, nes-tes, mesmo com essas orientaes, aparecem marcas do internets ... s pelo fato...

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    ortografia: troca de letras proveniente da oralidade e / ou falta de domnio da for-ma escrita de uma dada palavra. Por exemplo: analizar com em-bora a pronncia seja como se fosse . Sabemos que o entre vo-gais o som de . Palavra derivada infelismente com quando deveria ser registrado com - palavra primitiva .

    Ortografia de homfonas: muito comum este desvio devido pronncia ser a mesma, mas a orto-grafia diferente. Muitos alunos no tm bem internalizado as regras de uso, por exemplo, dos porqus e do como em: vinte anos, a Eco 92.... Neste caso, pela ideia de tempo decorrido, seria no lugar de . S usamos relacionado a futuro daqui a dois meses, viaja-remos... ou distncia daqui a trs quilmetros h um borracheiro.

    Cabe ressaltarmos, neste tipo de desvio, a separao silbica: fa-la-ssemos em que no ocorre a separao do dgrafo consonantal.

    - coerncia: o comprometimento do sentido do texto ocorre, pelo que observamos, de trs formas: m organizao do pensamento O Rio + 20 uma conferncia da ONU que depois de 20 anos acontecer no-vamente, foi em 92. A sustentabilidade de nosso planeta. Transformando um mundo melhor para vivermos; mistura de assuntos e a falta de con-cluso do pensamento.

    concordncia verbal: muitas vezes, constatamos a concordncia ideolgica: a gente fomos embora tarde e o mais comum a omisso do acento circunflexo na ter-ceira pessoa do plural do verbo ... os estudantes que no tem.

    conjugao verbal: no que diz respeito aos verbos, observamos constantemente a ausncia de desinncia de infinitivo como em por marca os 20 anos.. deve-olha para....Esta uma oportunidade para pensa... Podemos dizer que esse tipo desvio tambm na locuo verbal ocorre por reproduzirmos na escrita o esvaziamento desse elemento mrfico tpico da oralidade.

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    Quanto locuo verbal cujo verbo principal o , uma ca-racterstica a troca da desinncia de infinitivo pelo como em: pode vim.

    Um desvio clssico na oralidade e/ou escrita o verbo no modo subjuntivo como em Quando eu o vir, na maioria das vezes, di-zemos quando eu o ver.

    gerundismo: trata-se do uso abusivo desta forma nominal. Ela s deve ser empregada quando for para expressar uma ao em processo: estou redigindo este texto para voc, leitor.

    Quando o texto requer a expresso na norma culta, no devemos utilizar locuo verbal (verbo auxiliar mais um principal na forma nominal infinitivo vou ler) no lugar do futuro do pr...