PSC Resumo Leontina Agostinho

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    08-Jun-2015

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<p>PSC_resumo</p> <p>I. ESTUDAR OS PROBLEMAS SOCIAISDos Problemas sociais aos problemas sociolgicosO que so problemas sociais 1. Rubington e Weinberg um problema social uma alegada situao incompatvel com os valores de um significativo nmero de pessoas, que concordam ser necessrio agir para a alterar. 2. Spector e Kitsuse um problema social constitudo pelo conjunto das aces que indivduos ou grupos levam a cabo ao prosseguirem reivindicaes relativamente a determinadas condies putativas. A primeira definio centra-se na situao que considerada problema, a segunda definio privilegia o processo pelo qual uma situao considerada como problema. A definio consensual difcil porque depende da perspectiva (dos socilogos) que se adopta Os problemas sociais, imbudos de um significado social (porque se definem em funo de um conjunto de valores sociais), ao passarem pelo crivo do mtodo cientfico, adquirem um significado sociolgico, isto , reflectem valores sociolgicos relativos s perspectivas tericas e metodolgicas seguidas. Para que um problema social possa ser considerado problema sociolgico deve possuir as condies de regularidade, uniformidade, impessoalidade e repetio. A problematizao sociolgica dos problemas sociais implica mesmo a des-construo destes, o desmantelar do significado social de maneira a criar um significado de acordo com o discurso cientfico (Quivy, Campenhoudt 1992). Os investigadores sociais debruam-se sobre uma realidade autoconstruda e encontram representaes sociais que moldam a realidade e condicionam os prprios investigadores. Transformao de problema social em problema sociolgico aludindo ao s fenmenos da juventude e da velhice. A juventude problematizada relativamente a aspectos variados como a insero profissional, a emancipao adulta, a toxicodependncia, a crise dos valores tradicionais. Mas, problematizar sociologicamente a juventude ser questionar se os jovens sentem este problemas. Ser questionar a definio de jovem, quais as solues que a sociedade preconiza para os problemas da juventude e quais as suas consequncias. A velhice constitui um problema para algumas sociedades e no para outras. Foi com a industrializao, a urbanizao e o envelhecimento demogrfico que comearam a criar-se as condies para a definio da velhice enquanto problema social a ser solucionado. Problematizar a velhice enquanto problema social ser questionar que transformaes ocorreram nas famlias e na sociedade portuguesa que possam explicar a emergncia do problema social quais os efeitos sociais da institucionalizao de espaos e prticas especificamente orientados para as geraes mais velhas.</p> <p>1</p> <p>PSC_resumo</p> <p>A questo do positivismo versus relativismoO conhecimento sociolgico pode ser situado num contnuo epistemolgico que vai do Positivismo ao Relativismo. A sociologia positivista Defende a procura de leis sociais ( semelhana das leis do mundo natural) a partir de um mtodo indutivo-quantitativo, e advoga uma separao absoluta entre a Cincia e a Moral, isto , entre os factos e os valores. Para a cincia positivista possvel conhecer objectivamente a realidade social, uma vez que existem critrios universais do conhecimento e da verdade. Estuda situaes objectivas, que so definidas como problemas em razo de caractersticas que lhe so prprias. Da a necessidade de se conhecerem as suas causas e de se chegar elaborao das leis que regem o fenmeno. Posio relativista No existe nenhum critrio universal para o conhecimento e para a verdade. Todos os critrios utilizados sero sempre internos ao sistema cogniscente e, como tal, ser relativo e no universais. A definio sempre relativa, ser antes de mais um rtulo colocado a determinadas situaes, e no uma caracterstica inerente situao em si mesma. Assim, face ao exposto o que importa estudar a definio subjectiva dos problemas sociais.</p> <p>A aplicabilidade da cincia e o desenvolvimento tericoUm problema pressupe uma soluo. Durante o sculo XIX o desenvolvimento das cincias sociais, sociologia, esteve intimamente ligado ao estudo das preocupaes humanas para as quais os actores sociais pensaram e desenvolveram solues humanas, isto , sociais. A percepo dos fenmenos ligados industrializao, urbanizao e ao desenvolvimento tecnolgico proporcionaram o nascimento de um novo tipo de cientistas, que deviam aplicar realidade social o mtodo cientfico, que tanto sucesso demonstrava no mundo natural. Desde o incio, os socilogos tentam equacionar o que Rubington e Weinberg denominam de mandato duplo: 1. Por um lado, dar ateno aos problemas existentes na sociedade, numa perspectiva de correco da realidade social, atravs de conhecimento empricos adquiridos; 2. Por outro lado, desenvolver terica e metodologicamente a sociologia enquanto cincia. A nfase que cada socilogo coloca num prato ou noutro da balana condiciona o modo como problematiza a sociedade e o seu trabalho como investigador. O primeiro objectivo estudam os problemas sociais. O segundo objectivo estudam problemas sociolgicos.</p> <p>2</p> <p>PSC_resumo</p> <p>Hester e Eglin, consideram que o primeiro tipo de perspectiva pode ser denominado de sociologia correctiva que parte dos seguintes pressupostos: 1. Equivalncia de problema social a problema sociolgico 2. As questes sociolgicas derivam das preocupaes sociais 3. O grande objectivo do estudo sociolgico a melhoria dos problemas sociais 4. Preocupao central com as causas ou etiologia dos problemas 5. Compromisso com os princpios positivistas da cincia Para estes autores, a sociologia correctiva falha nos seus propsitos precisamente porque no separa a aplicabilidade da cincia do seu corpus terico-metodolgico, e no reconhece os viezes que tal situao origina. Ao concentrar-se em responder questo porque que os comportamentos acontecem, no questiona porque que as situaes so definidas como problema, aceitando as definies socialmente estabelecidas. Encara as pessoas como objectos e no como sujeitos que constrem a realidade social. Kurt Lewin defendia que uma boa teoria sempre prtica, e a prtica emprica sempre indispensvel ao desenvolvimento terico. A separao entre os dois domnios um falso problema. Sociologia de Interveno a questo da aplicabilidade da sociologia e doutras cincias sociais. A Sociologia de Interveno no uma especialidade ou ramo sociolgico, mas sim um modo de ver o trabalho do cientista social que, em vez de isolar assepticamente o investigador do seu objecto de estudo, o desafia a ser contaminado por este, o leva intervir activamente na realidade que estuda e a no separa os papis de investigar e de cidado. A investigao social deve ser utilizada para melhorar a sociedade, segundo princpios humanista de solidariedade de libertao.</p> <p>As perspectivas de estudo dos problemas sociais As perspectivas da sociologia Positivista Patologia SocialNo sculo XIX as disciplinas como a biologia e a medicina influenciaram os socilogos a adoptarem a analogia do organismo ao seu objecto de estudo: a sociedade. Adoptaram igualmente um modelo mdico de diagnstico e de tratamento. Os problemas sociais so entendidos como doenas ou patologias sociais. O pensamento organicista do britnico Herbert Spencer defende que a sociedade e os seus elementos podem sofrer malformaes, desajustamentos e doenas, semelhana dos organismos vivos. Pressupe um estado de sade ou de normalidade do organismo, sendo que as pessoas e as situaes interfiram com este estado de normal funcionamento do organismo social so assim considerados problemas sociais. Para a corrente da Patologia Social, um problema social uma violao de expectativas morais. A condio de sade ou normalidade do organismo definida por valoraes do Bem do do Mal. A patologia pode ser encontrada no indivduo ou no mau funcionamento institucional. Os primeiros autores desta corrente, meados do sculo XIX at cerca da I Guerra Mundial enfatizaram as ms formaes dos indivduos. Foi a perspectiva do Homem Delinquente, da escola positiva italiana de criminologia, donde se destacaram Cesare Lombroso, Ferri e Garfalo.3</p> <p>PSC_resumo</p> <p>Cesare Lombroso as caractersticas fisiolgicas particulares dos indivduos, tamanho de maxilares, assimetria facial etc. No sculo XX assiste-se anormalidade cromossomtica, predisposio gentica para a extroverso, comportamentos de violao de normas. Na dcada de 1960 entram-se nas deficincias na socializao Aqui os problemas sociais seriam o resultado da incorporao de valores errados pelos indivduos, fruto de uma sociedade doente. Neste sentido, a soluo para os problemas sociais passaria pela educao moral da sociedade e pela incorporao de valores moralmente correctos. Vytautos Kavolis props a conceptualizao de patologia como sendo um comportamento destrutivo ou auto-destrutivo. Para Kavolis a definio de comportamento destrutivo seria possvel em termos absolutos, isto , igual em todas as sociedades humanas. A patologia social estudaria os comportamentos destrutivos, como patologias sociais, e igualmente as condies que causassem ou contribussem para a existncia desse comportamento. Rosenquist como difcil chegar a uma definio objectivo do que patolgico a nica forma de se estudarem os problemas sociais passando ao lado do que constitui a sua condio problemtica e aceitar o julgamento social como um dado.</p> <p>Desorganizao SocialCom a dcada de 1920, a perspectiva da desorganizao social ganha claramente terreno na sociologia norte-americana. Esta nova abordagem iniciou um pensamento sociolgico mais voltado para o amadurecimento e para o desenvolvimento terico e metodolgico da sociologia enquanto cincia. Os autores da patologia social trabalharam com conceptualizaes e termos emprestados de outras cincias e consideraram sobretudo a aplicabilidade prtica dos conhecimentos sociolgicos na resoluo de problemas sociais. Em contraste, os autores da perspectiva da desorganizao social utilizam um conceito claramente sociolgico e que apresenta um maior potencial de operacionalizao do que o conceito de patologia social. Os tericos da desorganizao social foram Charles Cooley, Thomas, Znainiecki e William Ogburn. Cooley distino entre grupos primrios e secundrios. Nos grupos primrios os indivduos vivem relacionamentos face a face, mais intensos e duradouros. Nos grupos secundrios as relaes sociais so mais impessoais e menos frequentes. Obra de Cooley Social Organization definiu a desorganizao social como sendo a desintegrao das tradies. As regras sociais deixam de funcionar. Thomas e Znaniecki (estudo sobre os imigrantes polacos) concepctualizaram a desorganizao social como a quebra de influncia das regras sociais sobre os indivduos. Ogburn centrou-se no conceito de desfasamento cultural. A sociedade no um organismo mas sim um sistema composto por vrias partes interdependentes. As partes do sistema cultural podem modificar-se a ritmos diferentes, produzindo um desfasamento no sistema que origina a desorganizao social.</p> <p>4</p> <p>PSC_resumo</p> <p>Robert Park, Ernest Burgess e Rodrick McKenzie estudaram a organizao espacial da cidade, o fenmeno da urbanizao central para a perspectiva da desorganizao social ao estar relacionado com o enfraquecimento das relaes face a face e das tradies sociais. Crticas de Marshal Clinard ao conceito de desorganizao social: 1. O seu poder explicativo para a sociedade em geral reduzido, por ser um conceito demasiado vago e subjectivo. Ser mais adequado para a anlise de grupos mais especficos e no para toda a sociedade. Confundiu-se desorganizao social com mudana social, o que desde j deixa por explicar porque que nem todas as mudanas originam desorganizao, e implica que se prove que a situao anterior era de desorganizao. um conceito fortemente sujeito aos julgamentos de valor do investigador, tal como o conceito de patologia. Por um lado, tende-se a considerar desorganizao numa perspectiva negativa, como se todas as situaes de desorganizao sejam por essncia ms. Aplicou-se o conceito de desorganizao social a situaes que no so de desorganizao, mas que, pelo contrrio, traduzem outros tipos de organizao, de que um exemplo tpico do que se passa nos bairros de lata. O sistema social pode acolher em si focos de desorganizao ou a existncia de comportamentos desviados sem que tal comprometa o seu funcionamento, desde que outros objectivos do sistema estejam a ser alcanados, contrabalanando as influncias desestabilizadoras que possam existir. No seguimento da crtica anterior, ao constatarmos a existncia de diferentes formas de organizao social, no podemos inferir que tal situao seja desastrosa para a sociedade, podendo pelo contrrio ser indispensvel para a manuteno da coeso social.</p> <p>2.</p> <p>3.</p> <p>4.</p> <p>5.</p> <p>6.</p> <p>Outra crtica que a perspectiva da desorganizao social utiliza frequentemente explicaes circulares para os problemas de desorganizao (Aggleton 1991) ou seja o mesmo facto considerado indicador e causa de desorganizao social (desemprego).</p> <p>Conflito de ValoresOutro modo de ver os problemas sociais consider-los como o reflexo de um conflito de valores na sociedade relativamente a uma dada situao. Ou seja, confrontos de grupos sociais com interesses diferentes, em que o conflito a dinmica central da vida social. A patologia social e a desorganizao social equacionaram os problemas sociais como condies objectivas menos-prezando a definio subjectiva que os indivduos pudessem fazer da situao em causa. Assim o conflito de valores evidncia a importncia da definio subjectiva sem a qual a condio objectiva de base no seria s por si um problema social. Os tericos desta corrente (c/ especial impacto nos ano 30 e anos 50 grande Depresso e II guerra mundial) foram Richard Fuller e Richard Myers e distinguiram trs tipos de problemas que afectam as sociedades. 1. Problemas fsicos 2. Problemas remediveis 3. Problemas morais5</p> <p>PSC_resumo</p> <p>Problemas fsicos que no so causados pela aco humana (sismos) existe um consenso geral de que a condio objectiva indesejvel e nada se pode fazer para controlar as causas do problema. Podem surgir conflitos quando ao que fazer para tratar as suas consequncias. Problemas remediveis (delinquncia juvenil), apresentam consenso quanto indesejabilidade da situao e quanto necessidade de agir para a corrigir, mas criam-se conflitos no que diz respeito ao contedo da aco. Problemas morais (consumo de marijuana, eutansia) so os mais complexos, pois no existe consenso quanto prpria indesejabilidade da situao. Segundo Fuller e Myers, os problemas sociais evoluem segundo trs fases: 1. A tomada de conscincia do problema, quando os grupos sociais comeam a encarar uma dada situao incompatvel com os seus valores, reconhecendo a necessidade de agir. 2. Fase de determinao poltica um processo de clarificao dos valores e das posies em presena e definio de propostas de aco. 3. Fase das reformas na qual so postas em prtica determinadas solues para o problema, que podem ser levadas a cabo por agentes pblicos ou por organizaes privadas.</p> <p>Comportamento DesviadoEm meados do sculo XX havia cada vez maior disposio para a integrao entre teoria, p...</p>