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  • FACULDADE DE CINCIAS DA EDUCAO E SADE FACES

    CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAO FSICA

    ANLISE DO NVEL DE DESENVOLVIMENTO MOTOR DE CRIANAS

    SURDAS QUE PRATICAM NATAO ESCOLAR

    RAQUEL PORTELA DA SILVA

    Orientador: Fabrcio Carlo Garcia

    JUNHO/2013

    BRASLIA-DF

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    RESUMO

    Introduo: O trabalho aqui apresentado foi uma pesquisa com crianas surdas de seis a nove anos de idade que praticam natao no CEAL-LP/ Braslia. Objetivo: Analisar o nvel de desenvolvimento motor de crianas surdas que praticam natao escolar. Reviso da Literatura: A surdez um problema que adentra o seio da famlia e provoca constante e profunda transformao e preocupao com o fato de muitas vezes a mesma sentir-se incapaz de suprir essa necessidade da criana. Materiais e Mtodos: O trabalho caracterizou-se por ser uma

    pesquisa de campo quantitativa, de coleta nica com anlise de frequncia na resposta a testes motores agrupados por faixa etria, analisando comparativamente a Idade Cronolgica (IC) e Idade Motora (IM). Resultados e Discusso: No grupo de

    seis anos houve maior incidncia de IM>IC (50%); no de sete anos tambm uma predominncia de IM>IC (45%); j no grupo de oito anos a prevalncia foi de IM IC (45%), whereas in the group of eight was the prevalence of IM

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    1. INTRODUO

    O desenvolvimento motor uma contnua alterao no

    comportamento ao longo da vida, que acontece por meio da necessidade

    de realizar tarefas, da biologia do indivduo e do ambiente em que vive. Ele

    viabilizado tanto pelo processo evolutivo biolgico quanto pelo social.

    Desta forma, considera-se que uma evoluo neural proporciona uma

    evoluo ou interao sensrio-motora, que acontece por meio do sistema

    nervoso central (SNC) em operaes cada vez mais complexas

    (FONSECA, 1988).

    Em cada idade o movimento adquire caractersticas significativas

    e a aquisio ou apario de determinados comportamentos motores tem

    repercusses importantes no desenvolvimento da criana. Cada aquisio

    influencia na anterior, tanto no domnio mental como no motor, atravs da

    experincia e troca com o meio (FONSECA, 1988).

    Todo o comportamento envolve processos neurais especficos,

    que ocorrem desde a percepo do estmulo at a efetivao da resposta

    selecionada. Esses processos neurais possibilitam o comportamento e o

    aprendizado, que acontece de maneiras diferentes no crebro. Desde que

    nascemos a maturao do sistema nervoso possibilita o aprendizado

    progressivo de habilidades. medida que uma determinada rea cerebral

    amadurece, a pessoa exibe comportamentos correspondentes quela rea

    madura, desde que tal funo seja estimulada.

    Nesse sentido, a escola como meio social de formao

    educacional deve oferecer a oportunidade de uma boa prtica motora

    (SILVA et al, 2011).

    Segundo Rodrigues (2005), ao longo do desenvolvimento da

    criana no contexto escolar, a Educao Fsica tem um papel

    preponderante, pois as atividades, exerccios e brincadeiras direcionadas

    propiciam o aprimoramento das esferas cognitivas, motora e auditiva.

    De acordo com Santos (2011), a educao fsica quando

    praticada pelo indivduo surdo possibilita trabalhar a sua conscincia

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    corporal e desenvolver as suas habilidades motoras. Para Rodrigues &

    Nocchi (2007), o desenvolvimento motor das crianas surdas costuma seguir

    os mesmos padres das crianas ouvintes. Porm, sabe-se que a

    proximidade anatmica dos sistemas auditivo e vestibular como tambm

    suas interaes embriolgicas e fisiolgicas podem provocar o envolvimento

    simultneo da audio e do equilbrio corporal em algumas disfunes.

    Com base nos escritos de Lima e Filus (2003), a natao uma

    ferramenta que ir contribuir para que o surdo desenvolva a interao com o

    meio liquido, trabalhe a respirao e inspirao, desenvolva a imaginao e

    a criatividade, a coordenao motora e aprimore a noo de espao.

    Diante do exposto esta pesquisa tem por objetivo analisar o

    desenvolvimento motor de crianas surdas praticantes de natao, entre

    seis e nove anos de idade.

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    2. DESENVOLVIMENTO

    O desenvolvimento motor o processo de mudanas no comportamento

    que envolve tanto a maturao do sistema nervoso central, quanto a interao

    com o ambiente e os estmulos dados durante o desenvolvimento da criana

    (OLIVEIRA & OLIVEIRA, 2006). H uma contnua alterao no comportamento

    ao longo da vida, que acontece por meio da necessidade de realizar tarefas.

    Desta forma, considera-se que uma evoluo neural proporciona uma evoluo

    ou integrao sensrio-motora, que acontece por meio do sistema nervoso

    central em operaes cada vez mais complexas (FONSECA,1988).

    Em cada idade o movimento toma caractersticas significativas e a

    aquisio ou apario de determinados comportamentos motores tem

    repercusses relevantes no desenvolvimento do indivduo. Cada aquisio

    influencia na anterior, tanto no domnio mental como no motor, atravs da

    experincia e troca com o meio (FONSECA, 1988). Segundo Vygotsky (1788)

    as reconstrues internas das operaes externas se fazem atravs da

    internalizao ou interiorizao, a qual consiste numa sequncia de operaes,

    que leva transformao do processo interpessoal em intrapessoal.

    A maturao do sistema nervoso possibilita o aprendizado progressivo

    de habilidades. medida que uma determinada rea cerebral amadurece, a

    pessoa exibe comportamentos correspondentes quela rea madura, desde

    que tal funo seja estimulada. Todo o comportamento envolve processos

    neurais especficos, que ocorrem desde a percepo do estmulo at a

    efetivao da resposta selecionada. Esses processos neurais possibilitam o

    comportamento e o aprendizado, que acontecem de maneiras diferentes no

    crebro (ANDRADE et al, 2004).

    Desta forma, segundo Kolb e Whishaw (2002) o desenvolvimento

    comportamental restringido pela maturao das clulas cerebrais. Como

    exemplo, se considera que, embora os bebs e as crianas sejam capazes de

    fazer movimentos complexos, os nveis de coordenao e controle motor fino

    s sero alcanados aps o trmino da formao da mielina, na adolescncia.

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    De acordo com Andrade et al (2004), a aprendizagem a mudana de

    comportamento viabilizada pela plasticidade dos processos neurais cognitivos.

    Considerando que a aprendizagem motora complexa e envolve praticamente

    todas as reas corticais de associao, necessrio compreender o

    funcionamento neurofisiolgico na maturao a fim de fornecer bases tericas

    para a estruturao de um plano de ensino que considere as fases de

    desenvolvimento neural da criana, maximizando assim o aprendizado.

    A escola como meio social de formao educacional, deve oferecer a

    oportunidade de uma boa prtica motora (Silva et al, 2011). A pratica de

    educao fsica pelo individuo surdo proporciona sua conscincia corporal

    Santos (2011).

    Na Literatura existem opinies diversas sobre a comparao entre o

    desenvolvimento motor entre surdos e ouvintes. Enquanto para Rodrigues e

    Nochi (et all, 2007) no h diferena entre os padres de desenvolvimento.

    Para Mauerberg e Castro (2000) a deficincia auditiva congnita ou

    precocemente adquirida, do tipo neurossensorial afeta no somente a audio

    e, consequentemente a aquisio da linguagem, oral e escrita, como tambm o

    controle do equilbrio. Mas de acordo com Butterfield e Ersing (1986) as

    pesquisas demonstram que o desempenho do equilbrio melhora com a idade.

    Entretanto ainda no foi comprovado se o desenvolvimento global de

    habilidades motoras, as quais dependem da aquisio postural (exemplo,

    habilidades locomotoras) pode tambm ser afetado em seus padres ou taxas

    de aquisio.

    De acordo com um estudo comparativo do equilbrio de crianas surdas

    e ouvintes, realizada por Azevedo e Samelli (2009), as crianas ouvintes tem

    melhor equilbrio do que as crianas deficientes auditivas, pois foi constatado

    que este depende da integridade anatmica e funcional do aparelho vestibular

    bem como a relao entre os sistemas visual, proprioceptivo,

    musculoesqueltico e centros nervosos.

    Caso ocorra algum tipo de distrbio no aparelho vestibular que se

    situava na orelha interna e responsvel pela deteco da posio da cabea

    em todos os momentos, o equilbrio da pessoa pode ser afetado, como por

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    exemplo, no caso de alguns indivduos com perda auditiva neurossensorial. A

    aquisio de habilidades motoras ou a integrao sensorial pode ser afetada

    por alguma desordem vestibular. Alguns estudos demonstram que essas

    desordens vestibulares so encontradas em aproximadamente de 20 a 70% de

    crianas com perdas auditivas.

    De acordo com Mauerberg e Castro (2000), existem poucas pesquisas

    conclusivas na rea do desenvolvimento motor no que se refere extenso

    dos danos auditivos e vestibulares e seu papel no desenvolvimento motor dos

    indivduos surdos. Mas, de acordo com Savelsbergh e Netelenbos (1992) ...na

    populao de surdos as caractersticas motoras investigadas indicam existir

    pouca diferena entre crianas com ou sem surdez, desconsiderando etiologias

    do aparelho vestibular. E ainda, que a prpria literatura nem confirma, nem

    nega, haver diferenas no desenvolvimento motor entre crianas surdas e

    ouvintes, pelo menos no que se refere a aptido fsica.

    Todavia, Azevedo e Samelli (2009), explicitam que a dinmica corporal

    do surdo adaptada s informaes emitidas pelos rgos dos sentidos e, se

    houver uma boa explorao destas, haver um ajuste do equilbrio aos padres

    de normalidade. Entende-se ento, que usando estratgias posturais

    adequadas e um acompanhamento psicomotor precoce pode-se alcanar um

    desenvolvimento motor o mais prximo do padro esperado.

    A natao um dos desportos mais completos e mais acessveis a todo

    o gnero de pessoas; bebs, grvidas, deficientes e idosos, podem tirar

    vantagem desta modalidade desportiva de reduzido impacto para a estrutura

    ssea. Normalmente, existem programas de trabalho dirigidos a diferentes

    faixas etrias, condies dos candidatos e grau de habilidade (principiante,

    intermedirio ou avanado). Este pode ser encarado como uma modalidade

    associada a alguns tipos de terapia.

    Segundo Barbosa (2001), tanto no meio aqutico como no meio

    terrestre, se faz necessrio para a aquisio de habilidades motoras mais

    complexas e especficas uma prvia aquisio, apropriao e domnio de

    habilidades mais simples. Ainda segundo Barbosa a respirao e o equilbrio

    so componentes bsicos da adaptao ao meio lquido, esta afirmao vem

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    de encontro com a necessidade que o indivduo surdo em ajustar seus padres

    posturais.

    Segundo Knauft et al (2010), a natao contribui muito para a formao

    da criana, tornando-a mais independente, autnoma e participativa. Pode

    proporcionar situaes que aumentem e melhorem suas possibilidades

    motoras, cognitivas, afetivas e sociais, ajudando, desta forma no crescimento e

    no desenvolvimento do indivduo. Porm se faz necessrio um grande preparo

    e conhecimento por parte do professor para que as aulas sejam divertidas e

    que tenham resultados positivos atingindo desde a maturao da criana at

    sua sade.

    A natao deve proporcionar o inter-relacionamento entre o prazer e a

    tcnica, atravs de procedimentos pedaggicos criativos, podendo ser sob a

    forma de jogos, brincadeiras, desde que visando sempre o desenvolvimento da

    criana.

    3. MATERIAIS E MTODOS

    A presente pesquisa de campo, de coleta nica, usou a abordagem

    quantitativa, pois teve como objetivo a anlise do desenvolvimento motor de

    crianas surdas na faixa etria de 06 a 09 anos que praticam natao escolar

    do CEAL LP.

    A amostra da pesquisa foi composta por um grupo de 50 crianas

    surdas entre seis e nove anos, todas praticantes de natao nas aulas de

    Educao Fsica. Essas crianas foram subdivididas em quatro grupos de

    acordo com a idade 6, 7, 8 e 9 anos.

    Foram aplicados testes de coordenao motora e equilbrio, e

    comparadas as idades cronolgicas (IC) com a idade de desenvolvimento

    motor (IM), baseados na bateria de testes de Rosa Neto (2002) nas idades

    correspondentes. Os testes aplicados esto todos descritos a seguir:

  • 9

    MOTRICIDADE FINA:

    6 ANOS - LABIRINTO

    Criana sentada numa mesa escolar diante de

    um lpis e uma folha contendo os labirintos.

    Traar com um lpis uma linha contnua

    desde a entrada at a sada do primeiro

    labirinto e imediatamente iniciar o segundo.

    Aps 30 segundos de repouso, comear o

    mesmo exerccio com a mo esquerda.

    Durao: 1 minuto e 20 segundos para a mo

    dominante (direita ou esquerda) e 1 minuto e

    25 segundos para a mo no dominante

    (direita ou esquerda). Nmero de tentativas:

    duas para cada mo.

    7 ANOS - BOLINHAS DE PAPEL

    Fazer uma bolinha compacta com um pedao

    de papel de seda (5cm X 5cm) com uma s

    mo, palma para baixo e sem ajuda da outra

    mo. Aps 15 segundos de repouso, o

    mesmo exerccio com a outra mo. Erros:

    tempo limite ultrapassado; bolinha pouco

    compacta. Durao: 15 segundos para a mo

    dominante e 20 segundos para a mo no

    dominante. Tentativas: duas para cada mo.

    Observar se h sincinesias (movimentos

    involuntrios).

  • 10

    8 ANOS - PONTA DO POLEGAR

    Com a ponta do polegar, tocar com a mxima

    velocidade possvel os dedos da mo, um

    aps o outro, sem repetir a sequencia. Inicia-

    se do dedo menor para o polegar, retornando

    para o menor. O mesmo exerccio com a

    outra mo.

    9 ANOS - LANAMENTO COM UMA BOLA

    Arremessar uma bola (seis cm de dimetro),

    num alvo de 25 X 25, situado na altura do

    peito, 1,50m de distncia (lanamento a partir

    do brao flexionado, mo prxima do ombro,

    ps juntos). Erros: deslocamento exagerado

    do brao; cotovelo no ficou fixo ao corpo

    durante o arremesso; acertar menos de duas

    vezes sobre trs com a mo dominante e

    uma sobre trs com a mo no dominante.

    Tentativas: trs para cada mo, Durao:

    cinco segundos. Tentativas: duas para cada

    mo.

    MOTRCIDADE GLOBAL:

    6 ANOS - CAMINHAR EM LINHA RETA

    Com os olhos abertos, percorrer 2 metros

    em linha reta, posicionando alternadamente

    o calcanhar de um p contra a ponta do

    outro, Tentativas: trs.

    7 ANOS P MANCO

    Com os olhos abertos, saltar ao longo de

    uma distncia de 5 metros com a perna

    esquerda, a direita flexionada em ngulo

    reto com o joelho, os braos relaxados ao

    longo do corpo, Aps um descanso de 30

    segundos, o mesmo exerccio com a outra

    perna. Tentativas: duas para cada perna.

    Tempo indeterminado.

  • 11

    8 ANOS - SALTAR UMA ALTURA DE

    40CM

    Com os ps juntos: saltar sem impulso uma

    altura de 40cm, Material: dois suportes com

    uma fita elstica fixada nas extremidades

    dos mesmos, altura: 40cm. Tentativas: trs

    no total, sendo que duas devero ser

    positivas.

    9 ANOS - SALTAR SOBRE O AR

    Salto no ar, flexionar os joelhos para tocar os

    calcanhares com as mos,Tentativas: trs.

    EQUILBRIO:

    6 ANOS P MANCO ESTTICO Com os olhos abertos, manter-se sobre a

    perna direita, a outra permanecer flexionada

    em ngulo reto, coxa paralela direita e

    ligeiramente em abduo, braos ao longo do

    corpo, figura n 25. Fazer um descanso de 30

    segundos, o mesmo exerccio com a outra

    perna.

    7 ANOS - FAZER UM QUATRO Manter-se sobre o p esquerdo, a planta do

    p direito apoiada na face interna do joelho

    esquerdo, mos fixadas nas coxas, olhos

    abertos. Aps um descanso de 30 segundos,

    executar o mesmo mo...