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Slvia Raquel Vieira Reis

Leiria, setembro 2017

Convivncia (des)ligada Relaes Interpessoais na Era Digital

Dissertao de Mestrado em Mediao e Interveno Social

Orientador: Professor Doutor Ricardo Manuel das Neves Vieira

i

Convivncia (des)ligada

Relaes Interpessoais na Era Digital

Dissertao de Mestrado

Slvia Raquel Vieira Reis

Trabalho realizado sob a orientao de:

Professor Doutor Ricardo Manuel das Neves Vieira

Leiria, setembro 2017

Mestrado de Mediao Intercultural e Interveno Social

ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAO E CINCIAS SOCIAIS

INSTITUTO POLITCNICO DE LEIRIA

ii

AGRADECIMENTOS

A construo de uma tarefa com a complexidade e exigncia inerentes

elaborao de uma dissertao de mestrado no possvel sem a

ajuda e suporte de muitos. Apesar de ser um processo marcado pela

capacidade de autoria, mesmo nos momentos de maior solido no

estive s, aqueles que so ou foram importantes para mim e me

ajudaram a construir o meu sentido de competncia e valor, esto

sempre presentes e so uma fonte de inspirao e de segurana

fundamentais para no perder o equilbrio.

Antes de mais, quero agradecer ao meu orientador, o Professor

Ricardo Vieira, por toda a pacincia que teve comigo, por toda a

sapincia que me transmitiu, desde a minha licenciatura at hoje, um

professor que me espanta e me faz ser exigente comigo mesma.

Obrigada!

Sandra, Vanessa e Teresa pela motivao e apoio. Foi

extremamente importante para mim. Obrigada mesmo por estarem

sempre a/aqui.

Aos trs jovens que entrevistei, o Daniel, o Carlos e o Bruno.

Aos jovens da escola que permitiram que os observasse e falasse com

eles.

Ao diretor da escola secundria Engenheiro Accio Calazans Duarte,

Cesrio Silva, que autorizou a minha permanncia dentro dos portes

da escola.

Ao meu irmo Manuel. s muito especial para mim!

Ao Joo, pela tua calma e pacincia. Por te manteres sempre ao meu

lado.

Ao meu filho, o Rodrigo, por ter aturado a me mais stressada do

mundo e arredores. Obrigada por existires!

iii

RESUMO

As relaes interpessoais entre crianas e entre jovens so

fundamentais para um desenvolvimento saudvel e hospitaleiro. A

interao face-a-face requer o desenvolvimento de capacidades

distintas das usadas quando estamos online, pois aqui as emoes so

expressas por bonecos (emojis) ou outros smbolos.

No contexto mundial atual, as distncias j no tm o significado que

tinham, pois as fronteiras so, hoje, muitas vezes, meras formas

simblicas e sociais.

Assistimos, hoje, a grandes transformaes quanto forma como so

vistas as relaes de convivncia, onde a sociedade de consumo, com

todas as suas caractersticas do descartvel, do desgaste e da

substituio rpida de produtos, se compara necessariamente com as

relaes sociais, o que causa um certo desligamento relativo forma

como se criam laos relacionais uns com os outros.

A finalidade desta dissertao centra-se na compreenso deste tema,

tendo em conta a perspetiva dos jovens e como eles se veem como

nativos digitais, habitando entre os pares, tambm nativos, e os pais,

imigrantes digitais, possibilitando a comunicao entre eles. Construir

pontes para que os dois mundos se encontrem ir, de alguma forma,

possibilitar o dilogo e uma melhor perceo relativa ao que se

desconhece, partida.

Com a elaborao de um trabalho de campo com observao direta

participante, com jovens/alunos numa escola, em contexto exterior

mesma, entre os 15-18 anos, pretendi, de uma forma holstica, aceder

ao quotidiano destes jovens, comparando as suas formas de

comunicar, ser e estar, e, claro, as estratgias de convivncia

privilegiadas na escola e fora da escola.

Palavras-chave: convivncia, Era Digital, identidades, imigrantes

digitais, literacias, nativos digitais, relaes interpessoais.

iv

ABSTRACT

Interpersonal relations in children and teenagers are essential for a

healthy and hospitable development. The interaction face-to-face

requires a different capacities development than the ones needed to

be used online, because in this case the emotions are expressed with

emoji and other symbols.

Worldwide in todays context, distance hasnt the same meaning than

before, because the borders are nowadays merely symbolic and social

forms.

We attend today to great changes in how acquaintanceships are seen,

where a consuming society with all the disposable characteristics like

waste and rapid replacement of products can necessarily be equated to

social relations which causes a certain disconnection in the way bonds

are created with one another.

The main goal of this dissertation is based on the comprehension of

this theme in the youngster's perspective and how they see themselves

as digital natives inhabiting with other natives and with their parents

digital immigrants in a way thatll easy the communication between

them all. Building bridges to connect the two worlds making the

dialogue possible and improving the perception of the unknown.

With the elaboration of a field work in a direct participant observation

with young students in a school between 15 and 18 years old had the

holistic purpose of accessing their daily ways of communicating living

together and their acquaintanceships privileged strategies in and

outside school.

Key-words: acquaintanceships, digital Era, digital immigrants, digital

natives, identities, literacies, interpersonal relations.

v

NDICE AGRADECIMENTOS ........................................................................................................................ ii

RESUMO ....................................................................................................................................... iii

ABSTRACT ....................................................................................................................................iv

INTRODUO ................................................................................................................................ 1

1.ANTECEDENTES E MOTIVAES ............................................................................................. 1

2. SUPOSIES APRIORSTICAS E CONSTRUO DA PROBLEMTICA ........................................ 2

3. PRINCIPAIS PERSPETIVAS TERICAS ...................................................................................... 5

4. UNIVERSO E OBJETO DE ESTUDO ........................................................................................... 7

5. ESTRUTURA DO TRABALHO ................................................................................................... 8

CAPTULO 1 ................................................................................................................................ 11

MUNDO DIGITAL: CONVIVNCIA ENTRE NATIVOS ..................................................................... 11

1.1 AS NOVAS TECNOLOGIAS............................................................................................... 11

1.1.2 CIBERESPAO E CIBERCULTURA ................................................................................... 12

1.2 NATIVOS DIGITAIS ............................................................................................................. 14

1.2.1 IDENTIDADES SOCIAIS E/OU DIGITAIS ........................................................................... 15

1.2.2 (CIBER)CONVIVNCIAS ............................................................................................... 17

CAPTULO 2 ................................................................................................................................. 20

GERAO Z: TRANSIES E PERSPETIVAS ................................................................................. 20

2.1 OS JOVENS E AS NOVAS LITERACIAS ................................................................................. 20

2.1.2 A IMPORTNCIA DA COMUNICAO .............................................................................. 22

2.2 AS RELAES INTERPESSOAIS ........................................................................................... 24

2.2.1 VIRTUAL VS. CONVENCIONAL......................................................................................... 26

2.2.2 NOVO PARADIGMA ......................................................................................................... 26

2.2.3 GERAES: PERSPETIVAS E CONFLITOS ........................................................................ 28

2.3 MEDIAO INTERCULTURAL ............................................................................................. 30

CAPTULO 3 ................................................................................................................................. 35

A METODOLOGIA ......................................................................................................................... 35

3.1 PRESSUPOSTOS EPISTEMOLGICOS DO ESTUDO DOS JOVENS .......................................... 35

3.2 O CAMINHO PERCORRIDO ............................................................................................. 37

CAPTULO 4 ................................................................................................................................. 42

JOVENS NA ESCOLA E PARA ALM DA ESCOLA: ........................................................................... 42

ESPAOS E MODOS DE CONVIVNCIA NA ERA DIGITAL .............................................................. 42

4.1. A ESCOLA ......................................................................................................................... 42

vi

4.2. OS SUJEITOS DA PESQUISA ............................................................................................... 43

4.3. CRUZAMENTO DE PERCEES SOBRE A ESCOLA COMO LUGAR SOCIAL .......................... 44

................................................................................................................................................. 44

4.4. APONTAMENTOS DE UM DIRIO DE BORDO ..................................................................... 44

4.5. CONVERSAS INFORMAIS ................................................................................................... 48

CAPTULO 5 ................................................................................................................................. 52

CASOS BIOGRFICOS E ANLISE COMPARATIVA ........................................................................ 52

5.1 O CASO DO DANIEL: A CRTICA AO DUALISMO REAL VS. VIRTUAL .................................... 52

5.2 O CASO DO CARLOS: O EU AMBIVALENTE ......................................................................... 56

5.3 O CASO DO BRUNO: LIVRE DA REDE ................................................................................. 58

CONCLUSO ................................................................................................................................ 61

BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................................. 68

WEBGRAFIA ................................................................................................................................. 73

APNDICES .................................................................................................................................. 74

vii

NDICE DE IMAGENS

Imagem 1 Entrada da escola ..................................................................................................... 42

Imagem 2 Espao exterior dentro da escola ............................................................................. 44

NDICE DE APNDICES

Apndices .................................................................................................................................. 742

Apndice 1A Guio da entrevista exploratria feita com o Daniel ......................................... 75

Apndice 1B Guio da entrevista semiestruturada feita com o Carlos .................................... 76

Apndice 1C Guio da entrevista semiestruturada feita com o Bruno ..................................... 77

Apndice 2A Transcrio da entrevista exploratria feita ao Daniel ....................................... 78

Apndice 2B Transcrio da entrevista semiestruturada feita ao Carlos ................................. 90

Apndice 2C Transcrio da entrevista semiestruturada feita ao Bruno ................................ 103

Apndice 3 Sinopse comparativa das entrevistas com o Daniel, o Carlos e o Bruno ............ 109

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1

INTRODUO

1.ANTECEDENTES E MOTIVAES

Considerei1 abordar esta temtica aps um estgio curricular realizado no Lar de Santa

Isabel em Leiria, entre os anos 2013 e 2014, realizado atravs da minha licenciatura em

Servio Social. Aqui convivi com crianas e jovens do sexo feminino em contexto de

Lar de Infncia e Juventude. Essa convivncia ao longo do meu estgio permitiu-me o

pensamento e posterior reflexo em relao a algumas situaes e comportamentos

destas crianas e jovens e que presenciei no lar relativamente ao facto de darem

demasiada importncia ao uso de tecnologias em detrimento das relaes interpessoais

que mantinham entre elas e que fui observando atentamente. Fizeram emergir em mim

questes que foram ganhando forma e desforma e que me motivaram para a

investigao que se seguiu. Vi despertar em mim a vontade de estudar o tema das

relaes interpessoais dos jovens na Era Digital apesar de, apenas ter sido explorado na

problemtica do meu relatrio de estgio de licenciatura de uma forma que considerei

bastante limitada e reduzida, tendo em conta o espao reservado para a investigao

num relatrio dessa natureza. Mas agucei o apetite e ficou a vontade de, posterior e

oportunamente, desenvolver e aprofundar esta minha inquietao.

Algumas situaes a que fui assistindo nesse meu estgio, em que as crianas/ jovens

conversavam mais e melhor no chat do facebook do que quando estavam juntas,

levaram-me a pensar que este poderia ser um bom ponto de partida para a questo:

seremos diferentes quando estamos a comunicar diretamente com o outro em

comparao a quando estamos escondidos atrs do computador pois permite-nos ter

uma reao e expresso completamente oposta ao que poderemos estar a escrever e a

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