Resistance Magazine 2

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    19-Mar-2016

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Physics and Tecnology Magazine

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  • RESISTANCE2 Edio Junho 2011

    Jos Rebola

    pgina 9

    Nuno Peixinho

    pgina 29

    Cometas entre AsteridesEntrevista

  • Junho 2011 RESISTANCE1

    Editorial

    Depois de uma primeira edio cheia de obstculos e imprevistos samos para a segunda com atenes redobradas. Como o ditado diz: O que no nos mata, s nos torna mais fortes.Com a entrada de trs novas colaboradoras de Engenharia Biomdica: Ana Patrcia Silva, Ana Telma Santos e Karen Duarte, contamos com novas ideias e bastante dedicao para que consigamos alcanar novas metas. Sendo a prioritria a de sair das portas do Departamento de Fsica. Queremos chegar mais longe...!O nosso nico objectivo melhorar de edio em edio, mas para isso precisamos da vossa ajuda.

    Por isso se queres colaborar connosco na edio, na escrita de artigos ou at na colocao de publicidade nas nossas pginas contacta-nos atravs do nosso e-mail resistancemag@gmail.com.Queramos tambm deixar um especial agradecimento a ngela Dinis, Bruno Galhardo, Joo Domingos e a Nuno Ferreira por toda a ajuda prestada no dia das eleies do NEDF/AAC.PS- Novamente, gostaramos de agradecer a todos as pessoas que participaram nos nossos jantares de angariao de fundos, porque sem elas seria impossvel a distribuio em papel da Revista.

    Ne change rien pour que tout soit diffrent Jean-Luc Godard

    Errata:

    No nmero anterior da revista, devido a erros de edio, na dcima primeira linha da dcima pgina onde se l que outras influncias podero haver devia ler-se que outras influncias poder haver. Pedimos desculpa pelo incmodo causado.

  • Junho 2011RESISTANCE

    Dentro do dep...

    3_Startup weekend. Joo Nogueira4_Depois de Coimbra. Dora Pires5_Cem anos do Ncleo Atmico. Carlos M. B. Fiolhais7_As desigualdades de Bell e a computao quntica. Fernado M. da Silva Nogueira26_Erasmus. Edson Ferreia29_Voluntariado.Diana Capela31_Cometas entre Asterides . Nuno V. M. Peixinho Miguel

    Viagens...

    23_Estado Excitado. Adriana Leal25_Estado fundamental.Manuel Soeiro

    Cultura...

    17_24 frames por segundo.19_78 rpm.21_A gamer (re)view32_Notcias33_Me, afinal sei cozinhar. Nino Hatter

    Opinies...

    22_Berbequim. Joo Pedro Ferreira27_Crnicas.

    12 - Queima...

    ndice

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  • Junho 2011 RESISTANCE3

    texto_Joo Nogueira

    Nos tempos que correm todos os dias falamos em crise, falta de emprego e falta de dinheiro. Ento porque no criar o nosso prprio emprego? Porque no pr mos obra? Porque no enriquecer um pouco a nossa viso? Porque no partilhar os nossos conhecimentos com os outros? aqui que entra o Startup Weekend. Dos cerca de 350 Startups realizados pelo mundo fora, j surgiram cerca de 700 empresas. Em Coimbra decorreu nos dias 20, 21 e 22 de Maio na sala de estudo da Associao Acadmica de Coimbra. Este evento caracteriza-se pelas intensas 54 horas de trabalho non-stop, em que os participantes iro trabalhar na construo de base de um projecto, dando-lhe forma e tornando-o vivel para ir para alm do fim--de-semana. Este fim-de-semana torna-se extremamente enriquecedor j que no evento e a trabalhar nas equipas se juntam pessoas das mais variadas reas com as mais variadas competncias, o que permite no s elaborar um ptimo plano para apresentar a investidores como ganhar uma experincia enorme a trabalhar de forma exaustiva com uma equipa muito diversificada e que no conhecemos. Os moldes de funcionamento do Startup Weekend so muito simples, cada pessoa que tenha trazido uma ideia apresenta-a ao resto dos participantes no inicio do evento. Depois de apresentadas todas as ideias os participantes votam naquelas que mais acreditam e mais se identificam para trabalhar nas proximas 54h do evento. Em Coimbra tive o prazer de estar a organizao e participar no evento, considero que foi um enorme sucesso. Pelo facto de estarmos em equipas multidisciplinares, as ideias fluam de forma quase natural, e apesar do cansao ramos coroados com doses de excitao e empenho que

    aposto que todas as empresas gostariam de ter no seu dia-a-dia por parte dos seus trabalhadores. A ajuda dos nossos mentores, que aconselham e guiam os participantes com a sua experincia tem uma importncia extrema no desenrolar do processo, permitindo-nos chegar muitas vezes a bom porto, a achar solues para os problemas e ultrapassar entraves que se colocam ao longo do nosso projecto. Tivemos o prazer e a sorte de ter mentores como Fred Oliveira (WeBreakStuff), Miguel Gonalves (DITS), e Rui Barroca, entre muitos outros. Deixo-lhes desde j um grande obrigado pela ajuda dada s equipas e pela troca sempre interessante de ideias e conselhos. As prprias apresentaes e a sua preparao bastante peculiar, j que so direccionadas a um jri, tendo formato muito diferente daquilo que estamos habituados a fazer a nvel cientifico. Com a apresentao dos Pitchs vemos as verdadeiras diferenas e a maturao que houve ao longo do fim-de-semana e vemos uma transformao espantosa e uma concretizao das ideias que apenas algumas horas atrs estavam em estado embrionrio e de repente ganharam corpo, em alguns casos vida at. No final os jris fazem os seus devidos comentrios do que preciso melhorar em cada ideia, como podemos crescer e at mesmo conselhos prticos de como fazer a ideia render mais. Em Coimbra a vencedora foi o Lean Interface. Mas para mim, todos aqueles que tiveram o prazer de participar neste evento j foram de algum modo vencedores, ao terem passado por esta experincia nica.

    Fica desde j o convite a todos para participarem numa prxima edio do Startup Weekend em Coimbra.

  • Junho 2011RESISTANCE 4

    texto_Dora Pires

    A distncia temporal entre o dia da defesa da minha tese, que marca o fim do meu percurso acadmico, e o dia de hoje, psicologicamente impossvel quantificar. Se por um lado sinto que ainda nem passaram dois anos, por outro lado esta certeza diluiu-se quando visitei o carro n16 do Cortejo da Queima das Fitas deste ano. Os rostos presentes naquele local, eram na sua grande maioria, desconhecidos para mim. Entre algumas bengaladas e outras tantas saudaes, percebi que ali, eu e os meus, ramos simplesmente espectadores. Naquele Setembro, envolta numa mescla de alvio, alegria e melancolia, comeava a aperceber-me que a minha vida acadmica tinha terminado. Mas e agora?!? Tenho que procurar emprego enviar CVs e estar sempre contactvel! Pensamentos deste gnero eram recorrentes. E assim foi dia aps dia enviava CVs e cartas de motivao, partilhando com os meus colegas a desiluso de no receber respostas, bem como as comuns dvidas: O que que eu estou a fazer mal? Porque que ningum me contacta? E desta forma, estabeleceu- se uma rotina. No queria desistir,

    mas tinha que contrariar esta tendncia: um part-time num centro de explicaes foi a minha opo; alguma matemtica, fsica e qumica preenchiam dois dias da minha semana, restando-me ainda bastante tempo para a procura de um full-time. No incio de 2010, resolvi mudar a minha estratgia decidi ento, que independentemente de ser na minha rea ou no, necessitava da minha independncia financeira para posteriormente investir na minha formao. Planeei, trabalhei, consegui e despedi-me. Em Setembro de

    2010, assistia minha primeira aula do Mestrado em Gesto da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, sendo esta a minha nica ocupao na altura. Mas passado algum tempo fui desafiada a visitar uma empresa de consultoria energtica, aqui, em Coimbra. No tinha nada a perder, fui! Ironicamente surgiu uma proposta, e aliciante do ponto de vista profissional! Em 12 horas, tive que decidir entre uma

    dedicao total ao mestrado e uma conciliao de trabalho e estudo. No podia dizer no a uma oportunidade profissional. Hoje, escrevo este artigo depois de um dia de trabalho com a certeza de que quando o terminar, terei disciplina e motivao para ainda ir estudar algo. Actualmente, no tenho dvidas que a minha vida acadmica acabou naquele Setembro. Agora, piso o cho de uma Faculdade sempre apressada e focada num nico objectivo: alargar o meu espectro de conhecimentos. A vida acadmica que cada um de vs vive hoje,

    nica. Coimbra, alm da formao acadmica, faz-nos crescer, errar e aprender, sorrir e chorar. E, no necessrio alongar-me neste ponto, pois tenho a certeza que partilho convosco um facto: What happens in Coimbra, stays in Coimbra!!! Invejo, porque sinto uma nostalgia imensa, todos aqueles que enquanto lem esta revista se encontram no BIF, no BM ou at numa qualquer sala de aula do Departamento de Fsica.

    Depois de Coimbra

    Entre algumas bengaladas e outras tantas saudaes, percebi que ali, eu e os meus, ramos simplesmente espectadores.

    O incio da jornada...

  • Junho 2011 RESISTANCE5

    O ncleo atmico fez em 7 de Maro de 2011 exactamente um sculo. Com efeito, foi nesse dia, mas do ano de 1911, que o fsico britnico, nascido na Nova Zelndia (provavelmente o mais notvel de todos os fsicos nascidos no hemisfrio sul), Ernest Rutherford leu na Manchester Literary and Philosophical Society a sua comunicao intitulada A disperso dos raios alfa e beta e a estrutura do ncleo. J antes o ncleo se manifestava atravs dos fenmenos da radioactiovidade, conhecidos desde 1896, mas nessa altura ficou claro o que era o ncleo. Vale a pena consultar o documento original e ver como o ncleo bateu porta da Fsica, aps experincias realizadas por jovens colaboradores de Rurtherford em finais de 1910. Existem, porm, algumas experincias sobre disperso que indicam que uma partcula alfa ou beta ocasionalmente sofre uma deflexo de mais do que 90 num nico encontro. Por exemplo, Geiger e Marsden (Proc. Roy. Soc. 82, 495, 1909) encontraram que uma fraco pequena das partculas incidentes numa pelcula fina de ouro sofre uma defexo superior a um ngulo recto (...) para explicar este e outros resultados necessrio supor que a partcula electri