Revista Acadêmica GUETO 4ª Edição

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    22-Jul-2016

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Com periodicidade de publicao semestral, uma iniciativa do Grupo de Pesquisa GUETO do Centro de Formao de Professores da Universidade Federal do Recncavo da Bahia. O seu principal objetivo publicar artigos, ensaios, debates, entrevistas, resenhas inditos em qualquer lngua sobre temas que contribuam para o desenvolvimento do debate educacional, bem como para a divulgao do conhecimento produzido na rea, considerando as perspectivas da Incluso e Cultura Corporal. dirigida a pesquisadores, profissionais e alunos da Educao. A sua organizao nas sees propostas permite a publicao de materiais sob diferentes formatos e naturezas. Os textos em outros idiomas, exceto o Espanhol, podero ser traduzidos e apresentados na mesma edio. www.ufrb.edu.br/revistaacademicagueto/

Transcript

<ul><li><p> 1 </p></li><li><p> 2 </p><p> Importante elemento concentrador do fluxo de pessoas e mercadorias, a feira livre, </p><p>intensificava as relaes comerciais e sociais de Amargosa com os municpios vizinhos, </p><p>atendendo os habitantes locais e tambm viajantes, oriundos de outros pequenos e grandes </p><p>ncleos urbanos que se deslocavam para a cidade para vender e comprar mercadorias. Sempre </p><p>funcionando aos sbados, os produtos ali comercializados carne seca, farinha, frutas, cereais, </p><p>entre outros - advinham das reas interioranas da Bahia e da prpria regio de Amargosa, onde </p><p>eram negociados no mercado local e escoados para zonas litorneas atravs da ferrovia. Pode-</p><p>se afirmar que a feira livre, um dos elementos significativos que contriburam para tornar </p><p>Amargosa em centro urbano dinmico polarizador de seu entorno. (LINS e RIOS ) </p></li><li><p> 3 </p><p>SUMRIO </p><p>1 - O CORPO FEMININO: UMA COSTRUO MIDITICA THE FEMAME BODY: A </p><p>MEDIAL CONSTRUCTION </p><p>Rosemeire Cerqueira da Silva dos Santos .................................................................................... 4 </p><p>2 FEIRA LIVRE DE AMARGOSA: SUA CONSTRUO, SUA HISTRIA </p><p>Adriana Sandes Mota </p><p>ngela Santana </p><p>Neiva Silva Pinheiro .................................................................................................................... 14 </p><p>3 - A INCORPORAO DA LEI 10.639 NAS ESCOLAS PBLICAS DE ENSINO </p><p>MDIO: UMA ANLISE DO COLEGIO ESTADUAL DA CACHOEIRA </p><p>Elder Luan dos Santos Silva ........................................................................................................ 23 </p><p>4 - BOB MARLEY MUITO IMPORTANTE </p><p>Thais Gomes Machado .............................................................................................................................. 37 </p><p>5 - JOVENS COTISTAS: UM ESTUDO SOBRE OS PERCALOS DA AFILIAO A </p><p>VIDA UNIVERSITRIA DE ESTUDANTES NO RECNCAVO BAIANO. </p><p>Michele Mota Souza ................................................................................................................... 45 </p><p>6 - LEI 10.639 DE 9 DE JANEIRO DE 2003 E LEI 11.645 DE 10 DE MAIO DE 2008: UM </p><p>NOVO OLHAR SOBRE A EDUCAO AFRO-BRASILEIRA, AFRICANA E </p><p>INDGENA NAS ESCOLAS. </p><p>Ana Lcia da Ressurreio Santos </p><p> Cind Nascimento Silva ............................................................................................................. 59 </p></li><li><p> 4 </p><p>O CORPO FEMININO: UMA COSTRUO MIDITICA </p><p>THE FEMAME BODY: A MEDIAL CONSTRUCTION </p><p>Rosemeire Cerqueira da Silva dos Santos1 </p><p> RESUMO </p><p>A mdia, em sentido amplo e distinto o espao, onde, atualmente, se constri padres e </p><p>esteretipos de beleza estabelecendo assim, um modo de ser e de se viver em busca do corpo </p><p>ideal. Este artigo busca fazer uma reflexo de como construdo e imposto o ideal de beleza </p><p>feminino atravs dos vrios padres de beleza criados e divulgados pela mdia. A partir da </p><p>reflexo sobre os padres de beleza apresentados pelas mdias, inclusive as digitais, aprofundou-</p><p>se as discusses sobre o culto ao corpo perfeito e a imposio ao pblico feminino de um padro </p><p>de beleza plastificado e artificial. Observou-se que, nessa exibio exacerbada do ideal do corpo </p><p>perfeito h um discurso de ideologia machista e mercantilista que utiliza-se de um iderio de </p><p>beleza perfeita e alcanvel para atingir seu pblico maior, as mulheres, que influenciadas pelos </p><p>meios mediticos se rendem a beleza vendida. </p><p>Palavras-chave: Mdia, beleza feminina, indstria de beleza artificial. </p><p>ABSTRACT </p><p>The media in general, builds stereotypes of beauty, and this way, women around the world </p><p>search the ideal body and beauty through the media. This article pretends to give an advice or a </p><p>warning, about the way that beauty is noticed, beauty that is imposed through the different media </p><p>and that is revealed by the media. Even the online media have a permanent discussion about the </p><p>body worship and a perfect body, and because of this, this matter has become a deep issue. And </p><p>women are the victims, because the media impose a stereotype that is artificial and plastic. The </p><p>ideal perfect body has been exacerbate by the sexist or chauvinist speech and marketing </p><p>strategists who works with an ideal beauty, which aims to women, who influenced by the media, </p><p>gave up because of all the marketing and sales managers. </p><p>Key-words: Media, female beauty, artificial beauty industry. </p><p>INTRODUO </p><p> 1Graduada em Letras pela Universidade do Estado da Bahia. Ps- Graduanda em Metodologia do Ensino da Lngua </p><p>Espanhola (UNINTER). Professora de Lngua Espanhola. vivavidahoy@hotmail.com. </p></li><li><p> 5 </p><p>Desde os primrdios a preocupao com a beleza e com um corpo perfeito acompanha a </p><p>humanidade. Fazendo uma pequena retrospectiva, percebemos que, na Grcia antiga, o corpo </p><p>masculino era supervalorizado e o homem deveria mostrar sempre um corpo forte, exercitado. J </p><p>na Idade Mdia, observar-se que ocorreu o contrrio, nesse perodo no era permitido nem aceito </p><p>a exibio do corpo devido ao misticismo religioso que predominava na poca e o corpo </p><p>feminino era smbolo do pecado e da impureza. No fim da Idade Medieval, surge o culto pelas </p><p>belas formas corporais. No Renascimento fazia parte no s das converses sociais, mas tambm </p><p>dos padres de beleza do corpo aristocrtico saber danar e, consequentemente, apresentar um </p><p>corpo belo e esguio. Desta forma, percebe-se que para cada poca houve a imposio de um </p><p>esteretipo de beleza aceitvel pela sociedade. </p><p>Como podemos perceber a valorizao do corpo e a busca pela beleza no uma </p><p>preocupao da sociedade atual, porm com o advento da imprensa e mais recentemente das </p><p>mdias digitais a presso para o indivduo se adequar aos padres de beleza estereotipados se </p><p>tornou mais intenso e neste cenrio que as discusses que permeiam a sociedade </p><p>contempornea sobre o padro de beleza feminina imposta pelas mdias em que est inserido. O </p><p>corpo feminino nesse contexto ganha um papel de destaque nos meios miditicos que buscam </p><p>explorar ao mximo as performances corporais esculturais idealizada pela maioria das mulheres </p><p>que sonham em ter o corpo perfeito, isto , sonham em ter um corpo igual aquele exposto nos </p><p>programas de televiso e nos comerciais exibidos diariamente em todos os meios mediticos, </p><p>inclusive os digitais. </p><p>Este artigo busca identificar a imagem feminina apresentada pelos meios miditicos, bem </p><p>como a influencia que os mesmos exercem sobre o imaginrio feminino fazendo uma reflexo </p><p>sobre que beleza vendida as mulheres que papel foi / imposto a elas por essa fbrica de </p><p>beleza opressora e artificial. </p><p>O corpo feminino tem sido um dos principais produtos oferecido pela mdia publicitria, </p><p>e com grande sucesso e aceitao. E esse corpo apresentado e ofertado diariamente vem cheio </p><p>de exigncias e esteretipos que representam o ideal da beleza feminina imaginado pela </p><p>sociedade contempornea. </p><p>O corpo feminino vem evidenciando e representando as evolues que a sociedade vem </p><p>passando ao longo dos tempos, e atravs dele e de suas leituras percebe-se com muita clareza as </p><p>mudanas de hbito, valores e conceitos sociais. </p><p>De acordo com Peruzzolo: </p><p>Quando o indivduo olha um corpo atravs dos sistemas de </p><p>circulao dos sentidos no grupo cultural, ele vai interpretar esse </p><p>objeto ou evento como um corpo (humano) e no com um </p><p>amontoado de linhas, formas, pedaos, cores, cheiros, etc, como se </p><p>no fosse um caos de informaes. Um corpo uma construo </p></li><li><p> 6 </p><p>social e cultural, cuja representao circula no grupo, investida </p><p>duma multiplicidade de sentidos. Esses sentidos por vezes </p><p>reafirmam, por outras se ampliam ou remodelam e por, outras </p><p>ainda, enxugam ou, mesmo, desaparecem. Mas de qualquer forma, </p><p>as representaes se formam de acordo com o desenvolvimento </p><p>humano num dado contexto scio- histrico. (PERUZZOLO, 1998, </p><p>p. 86 apud Araujo, 2008, p.1) </p><p>O corpo resultado de uma construo histrica e social, e neste espao to dinmico </p><p>que se inscrevem as leis ditadas pela sociedade. Sobre isso Soares, corrobora que: </p><p>[...] inscrio que se move e cada gesto aprendido e internalizado </p><p>revela trechos da histria da sociedade a que pertence. Sua </p><p>materialidade concentra e expe cdigos, prticas, instrumentos, </p><p>represses e liberdades. sempre submetido a normas que o </p><p>transformam, assim, um texto a ser lido, um quadro vivo que revela </p><p>regras e costumes engendrados por uma ordem social. (SOARES, </p><p>2001, p.109) </p><p>Nessa perspectiva o corpo tambm uma construo social-cultural e histrica que est </p><p>submetido a regras, normas e convenes sociais. O corpo constitudo na contemporaneidade </p><p>um instrumento de liberdades e represses, um espao representante de padres de beleza </p><p>impostos por determinados grupos sociais neste sentido Goldenberg (2002), afirma que o corpo </p><p>um agente das diferenas sociais. </p><p>A (DES) CONSTRUO DA IMAGEM DO CORPO FEMININO </p><p>A conscincia da existncia do corpo feminino visto desde uma perspectiva social </p><p>aconteceu quando ela deixou a obscuridade de sua casa e sai para a vida em sociedade </p><p>passando assim, a exposio diria. Esse momento histrico desencadeou uma srie de </p><p>questionamentos que por sua vez construram esteretipos que persistem at hoje. </p><p>No momento que a mulher deixou o aconchego do seu lar e passou a trabalhar, estudar </p><p>entre tantas outras coisas rompeu com muitas barreiras no visveis, porm sentidas na pele </p><p>diariamente, uma vez que, aquela mulher domstica que muitas vezes no se preocupava com </p><p>sua aparncia passou a tomar conscincia e a se apoderar de sua feminilidade. </p><p>A sociedade brasileira nasceu em um bero patriarcal e sexista, e a imagem da mulher foi </p><p>construda a partir destas vises onde a imagem feminina foi associada ou um objeto erotizado </p></li><li><p> 7 </p><p>ou a uma imagem de recatada dona de casa submissa a seu marido (Cobra 2002). Neste </p><p>contexto, tambm se destaca o papel da igreja (representada pelo Cristianssimo) na construo </p><p>da imagem de uma mulher casta e pura, onde o corpo era mantido e sufocado entre roupas, </p><p>principalmente o corpo feminino, que era visto como smbolo de pecado e impurezas. </p><p>Colling, considera que no h uma definio concreta para a mulher mais sim uma </p><p>relao hierrquica de poder socialmente construda atravs do tempo. </p><p>[...] o corpo feminino um texto histrico, escrito diversamente ao </p><p>longo do tempo. Por este motivo, no existe um corpo feminino, </p><p>no existe uma natureza feminina, mas uma cultura em que durante </p><p>sculos as mulheres foram encaradas como seres naturais. A </p><p>mulher, como o homem, algo produzido e no pode indagar ao </p><p>fundo de si para resgatar uma essncia. No existe a verdadeira </p><p>mulher, pois verdadeira e mulher so conceitos criados, </p><p>portanto, aparncias, superfcies, produes. Sob os conceitos, no </p><p>h nada que possa ser chamado mulher, mas somente relaes de </p><p>poder e de hierarquia socialmente construdas. ( COLLING, 2014, </p><p>P. 27) </p><p>No sculo XIX, a liberao do corpo foi sendo construda gradativamente no cotidiano, </p><p>principalmente dos burgueses que passaram a frequentar a praia como meio de distrao e </p><p>pratica social e foi neste processo que o corpo foi sendo desnudado modificando alguns </p><p>costumes e conceitos morais vigentes. </p><p>Correspondendo as novas demandas sociais, de consumo e lazer as mulheres passaram a </p><p>ampliar suas redes de sociabilidade. A intimidade do lar e o cotidiano que tradicionalmente </p><p>representava o universo feminino foram gradativamente resinificados. As mulheres passaram a </p><p>circular entre as lojas, confeitarias, vitrines, cafs, teatro, cinemas, etc e esse novo quadro social </p><p>permitiu a mulher ver e ser vista. </p><p>Dentro dessa ressignificao do universo feminino Del Priore (2000 apud calabresi </p><p>2004), diz que a mulher do sculo XX, despiu-se nos diversos ambientes sociais e dentre eles as </p><p>mdias, onde ao contrrio de tempos antigos que a mulher se escondia por trs de panos e a </p><p>sensualidade era algo quase inocente. </p><p>A CONSTRUO DO IDEAL DE BELEZA NOS MEIOS MIDITICOS </p><p>Atravs dos sculos o homem evoluiu em todos os aspectos, inclusive na comunicao, </p><p>saindo da comunicao pelo uso do fogo e corpo para chegar ao uso da tecnologia. Nas ltimas </p></li><li><p> 8 </p><p>dcadas a evoluo na comunicao deu um grande salto acrescentando ao uso da tecnologia de </p><p>captao e repasse o mecanismo do uso das redes entre as mdias. Sobre este mecanismo de </p><p>captao e repasse entra as mdias Santaella diz que: </p><p>Outra caracterstica da cultura das mdias est no seu fator de </p><p>mobilidade. Uma mesma informao passa de mdia a mdia, </p><p>repetindo-se com algumas variaes na aparncia. a cultura dos </p><p>eventos em oposio aos processos. Cultura do descontnuo, do </p><p>esquecimento, de aparies metericas, em oposio aos contextos </p><p>mais amplos e profundidade analtica. Quando absorvida pelas </p><p>mdias, qualquer coisa, seja l o que for, passa a ter carter voltil: </p><p>aparece para desaparecer ( SANTAELLA, 1996, p.36). </p><p>A fala de Santaella, ilustrada com perfeio pela situao das Top models que ficam </p><p>sujeitas as leis da mdias e que s permanecem em evidencia enquanto atendem, agradam ao </p><p>publico e do retorno aos meios de comunicao. Ainda segundo a autora esse perodo vareia </p><p>muito de mdia para mdia. </p><p>Para Barbero (2003), a abertura proporcionada pelas mdias a todos os indivduos e algo </p><p>de grande importncia e, os meios de comunicao em massa um divulgador extremamente </p><p>eficiente das novas tendncias sociais. </p><p>Durante o processo de evoluo dos meios de comunicaes, o homem deparou-se </p><p>tambm com as transformaes ocorridas na estrutura social, a imprensa dedicada ao publico </p><p>feminino ganhou mais espao e as informaes divulgadas pela mesma ganhou mais destaque e </p><p>relevncia. Dentro deste novo contexto foi destinado a mulher o papel de se adequar/moldar as </p><p>novas tendncias do mercado de beleza. </p><p>Lipovetsky (2000), afirma que, com o crescimento da imprensa feminina surgiu uma </p><p>nova maneira de falar sobre a aparncia feminina, e a lgica da produo-consumo-comunicao </p><p>em massa faz parte deste processo trazendo novos conceitos e informaes sobre imagens de </p><p>beleza feminina que at ento eram obra dos poetas, dos romancistas e dos mdicos, ou ento </p><p>era de uma maneira menos formal segredos cochichados as escondidas entre as mulheres. </p><p>Deste modo a beleza deixou de ser simplesmente aprecivel pelo prazer para torna-se </p><p>quantificvel em forma de cifras. A beleza tornou-se mercadoria de luxo. </p><p>H, atualmente, uma supervalorizao do corpo e das formas e, muitas vezes como esse </p><p>corpo visto e julgado pelos outros define seu papel na sociedade. Segundo Calabresi (2004), h </p><p>dois adjetivos que definem com clareza essa colocao: Bonito feio. Ainda segundo o autor </p><p>dificilmente algum vai querer est classificado dentro do segundo termo, pois isso significaria </p><p>no est dentro do padro esttico valorizado e aceito socialmente. </p></li><li><p> 9 </p><p>De acordo com Lipovetsky (2000), os apelos estticos so apresentados com maior </p><p>intensidade s mulheres com a inteno de mant-las ocupadas com outras preocupaes, e isso </p><p>tem ligao com a relao de poder entre os gneros. Dentro deste contexto, a mdia trabalha </p><p>incansavelmente este contedo ( a beleza), at alcanar seu objetivo principal, o retorno </p><p>financeiro. Nessa busca pela beleza agradvel aos olhos dos espectadores a mdia nece...</p></li></ul>