Revista Condor - 27ª Edição

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    07-Jul-2015

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CLNICA DE

CITOLOGIA

LABORATRIO TAFURIAN AT CA GI OM IA PATOL

LT

Edio 2009 - Ano VI - N. 27

LIES PARA O BEM VIVER. Pgina 9

REVISTA

DOR

condor| Janeiro e Fevereiro de 2009

ndiceUM CLNICO PARA A DOR O tempora! O mores!............................................3 PARA REFLETIR No perdendo o valor...............................................3 SADE & ESTTICA Analogias em medicina............................................ 4 AGENDA Acontece na Medicina..............................................4 CINCIA & PESQUISA Insuficincia Renal Crnica...................................... 5 EM TEMPO Doenas Genticas...................................................5 ENTREVISTA Uma senhora doutora.........................................6 e 7 ATUALIDADE Medicina suplementar: desafios e tendncias.........8 MENSAGEM REVISTA CONDOR Vida moderna......................................................8 e 9 PSICOLOGIA (CAPA) A arte de viver bem..................................................9 ARTIGO Esperana: atitude essencial vida e morte....... 10

DOR

LABORATRIO TAFURIA A NA IC TO MIA PATOLG

LT

ANO VI - N. 27 - JANEIRO E FEVEREIRO - 2009

DIRETOR-PRESIDENTE Geraldo Eugnio Richard Carvalhaes Presidente da Clnica de Dor APOIO Celso Pedro Tafuri Diretor do Laboratrio Tafuri JORNALISTA RESPONSVEL Mrian Pinheiro - Registro Mt 05818 jp - MG PROJETO GRFICO / ARTE E DESIGN Marlon Ribeiro - (31) 9206-2057 DEPARTAMENTO COMERCIAL Fabiana - (31) 3337-3516 DIVULGAO E PUBLICIDADE Michelle Costa - (31) 8806-3077 IMPRESSO MJR Editora Grfica TIRAGEM 10.000 exemplares

REVISTA

CLNICA DE

CITOLOGIA

condor

EXPEDIENTE

no novo, vida nova; diz o ditado popular. Porm, ns, dr. Tafuri e eu, gostaramos de, neste ano pelo menos, continuarmos com a roupagem com a qual revestimos os dois ltimos nmeros de nossa revista. Do formato de um simples jornal, migramos para a apresentao da Revista Condor, com um layout novo e, pelos comentrios, de excelente aceitao. Comeamos o ano, como todos, na esperana de melhores dias, menos crises de capitais, hombridade, poltica, etc.. Ano novo, novas idias. Assim ser, espero, o ano de 2009. Na esperana de que a poltica dos Estados Unidos possa apaziguar o mundo e, apesar do otimismo de nosso presidente, tambm a ns. Como sempre, temos os artigos interessantes, como o artigo do dr. Evaldo Assumpo, que nos leva a refletir sobre um tema excitante: o viver eternamente ou o morrer com dignidade, a dra. Carolina prope uma reflexo sobre o viver feliz, parece-me, complementando a filosofia proposta pelo dr. Evaldo, e o dr. Jos de Souza Andrade, que nos mostra uma curiosidade mdica, enriquecendo nossa cultura. Eu procuro mostrar uma face interessante da medicina e um novo porvir, com o eletromagnetismo voltando a ser moda na teraputica. Dr. Tafuri, exemplo de patologista, por sua vez, esclarece-nos sobre uma doena silenciosa e grave: a insuficincia renal crnica. J nossa entrevistada, dra. Norma Morais Salvador Silva, uma pessoa que faz acontecer, por isso merece o destaque desta edio. Espero que seu exemplo sirva de estmulo para todas nossas colegas nefitas. Profissional competente, me exemplar, companheira incondicional, mulher de sucesso, uma verdadeira mdica na acepo da palavra. O dr. Petrnio Boechat alertou-me uma vez: Carvalhaes, o pouco que tenho devo a medicina. s vezes, me pergunto, o que tenho dado medicina?. Sua inquietao me tocou muito e sempre me faz questionar sobre o que tenho dado para a medicina? E voc, colega, o que tem feito para melhorar sua profisso? Ajude-nos a divulgar trabalhos, mostre o que tem feito de bom para a sociedade e, para dignificar a arte mdica, venha fazer parte deste ideal, estando conosco durante o ano de 2009. Assim,nas graas de Deus, espero. Um Feliz Ano Novo, cheio de realizaes e sucessos teraputicos, que o que todos desejamos. Abraos!

A

Editorial

Geraldo Eugnio Richard CarvalhaesMdico / Presidente da Clnica de Dor

As matrias e fotografias desta revista no podem ser republicadas por outros veculos de comunicao sem prvia anuncia da sua Editoria. Clnica de Dor Laboratrio Tafuri

Veja a Revista Condor tambm na internet. Acesse nosso site:

www.revistacondor.com.br

foto: divulgao - internet

Um clnico para a dor

paraNO PERDENDO O

VALOR

| Extrado do livro As Parbolas na Empresa, de Alexandre Rangel - Editora Leitura, Out/2006. |

O TEMPORA!| GERALDO EUGNIO RICHARD CARVALHAES || Mdico e Diretor da Clnica de Dor |

O

t e m p o r a ! O m o r e s ! , expresso latina que significa os tempos, os modos. A medicina parece tambm ter seus modismos. Quando criana, lembro-me que, j sonhando em ser mdico, observava uma peculiariedade da poca: o foco dentrio. Todas as pessoas acima de quarenta anos tinha seus dentes extrados, mesmo porque a odontologia era precria na preveno das cries e invariavelmente a sade bucal deixava muito a desejar, levando a infeces crnicas periodontais, responsveis por uma srie de patologias, principalmente cardacas. Todos os idosos da poca necessitavam de prteses dentrias, como as famigeradas dentaduras, pontes ou Rotes. Com o avano tecnolgico, temos hoje os implantes dentrios. Um pouco mais tarde, notei que a ateno mdica passou a ser as amigdalectomias e adenoidectomias. Em nome do famigerado foco infeccioso, se extraiam as amgdalas e adenides de quase todas as crianas. Logo aps, veio a era da apendicectomia. Uma dor abdominal, at que se provasse o contrrio, era devida a uma apendicite. Mesmo se abrssemos o abdmen e nada encontrssemos, se retirava o apndice, por preveno, pois, em um

futuro, poderia a criana desenvolver apendicite. Mais tarde, deu-se incio a era da reduo da mama. As mulheres sonhavam com um peito pequeno, duro e ereto. A seguir, a era da lipoaspirao. At hoje, qual a mulher que no sonha com uma lipoescultura? Por ironia, em seguida veio a era das prteses mamrias, de bumbum...Agora, no mais a reduo da mama e sim aumento de seu volume o desejo cobiado. Em minha rea de atuao, estou iniciando com uma nova tecnologia: a estimulao magntica transcraniana, que tem sido de grande utilidade em diversas patologias. Porm, medida que utilizamos essa tcnica, descobrimos vrias outras indicaes para o procedimento. A ltima notcia vem da Inglaterra, onde um paciente aps sofrer um acidente de carro ficou por um ano em estado vegetativo (coma), sem sinais de recuperao. Os mdicos resolveram, em nome da plasticidade neuronal, usar a estimulao magntica em seu crebro. Para espanto geral, o paciente recobrou do coma, voltando a falar, enxergar e a se comunicar. Mais um modismo? Uma nova era na medicina? Uma revoluo tecnolgica? Para mim, s o tempo dir. O tempora! O mores!

Um famoso palestrante comeou um seminrio segurando uma nota de 20 dlares. Numa sala com 200 pessoas, ele perguntou: - Quem quer esta nota de 20 dlares? Mos comearam a se erguer. Ele disse: - Eu darei esta nota a um de vocs, mas, primeiro, deixem-me fazer isto! Ento, ele amassou a nota e perguntou, outra vez: - Quem ainda quer esta nota? As mos continuaram erguidas. - Bom - ele disse -, e se eu fizer isto? E deixou a nota cair no cho e comeou a pis-la e a esfreg-la. Em seguida, pegou a nota, agora imunda e amassada, e perguntou: - E agora? Quem ainda quer esta nota? Todas as mos permaneceram erguidas. - Meus amigos, vocs todos devem aprender esta lio: no importa o que eu faa com o dinheiro, vocs ainda iro querer esta cdula, porque ela no perde o valor; ela ainda valer 20 dlares. Essa situao tambm se d conosco. Muitas vezes, em nossa vida, somos amassados, pisoteados e ficamos sujos, por decises que tomamos ou pelas circunstncias que vm em nossos caminhos, e, assim, ficamos nos sentindo desvalorizados, sem importncia. Creiam, porm, no importa o que aconteceu ou o que acontecer - jamais perderemos o nosso valor perante o universo. Quer estejamos sujos, quer estejamos limpos, quer amassados ou inteiros, nada disso altera a importncia que temos - a nossa valia. O preo de nossa vida no pelo que fazemos ou sabemos, mas pelo que somos!

REVISTA CONDOR

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Sade & Esttica

CABELO ESCOVINHA OU LA DUNGAm 1925, Cooley e Lee descreveram uma forma de anemia grave associada a esplenomegalia e anormalidades sseas, denominada por eles de talassemia (gr. talassos, mar), porque seus pacientes eram de origem mediterrnea. (Cooley TB, Lee P: A series of cases of splenomegaly in children with anemia and peculiar bone changes. Trans Am Pediatr Soc 37:29, 1925). Sabese hoje que a talassemia um grupo heterogneo de distrbios genticos que levam reduo da sntese das globinas alfa e beta da HbA. Ocorre eritropoese ineficaz, hemlise e graus variveis de anemia. As alteraes patolgicas e radiogrficas da beta-talassemia (major) so, em grande parte, devidas hiperplasia e expanso da medula hematopotica, que provoca eroses sseas e induz neoformao de tecido sseo. A radiografia do crnio, principalmente no plano lateral, mostra estriaes radiais densas sobre a calota craniana, que se estendem alm da tbua externa. Estas

ANALOGIAS EM MEDICINA:

| JOS DE SOUZA ANDRADE FILHO || Patologista, Professor de Patologia da Universidade de Cincias Mdicas de Minas Gerais |

E

radiaes representam trabculas sseas neoformadas, dispostas em ngulo reto e perpendiculares ao crnio, comparado ao aspecto de cabelo cortado escovinha (ingl. crew-hair) ou de "cabelo eriado ou em p" (ingl. hair-on-end appearance). A p ro ve i ta n d o o m o m e n to esportivo nacional, inevitvel a comparao deste aspecto radiolgico com a cabeleira do Sr. Dunga, tcnico atual da seleo brasileira de futebol (Fr. cheveux la Dunga; Ingl. Dungas hair appearance). O quadro radiolgico de cabelo escovinha explicado pelas observaes que indicam que o efeito da presso dentro do espao medular depende da forma do

osso. De acordo com leis fsicas, a fora exercida por uma substncia semi-lquida (medula ssea) contida entre dois ossos curvos paralelos (como no crnio) diretamente perpendicular superfcie envolvente. Assim a tbua externa submetida a uma fora divergente para fora, resultando em trabculas radialmente orientadas, adelgaamento sseo e perfurao. Por outro lado, a tbua interna submetida a uma fora convergente ou compactante e no se torna adelgaada. Uma vez perfurada a tbua externa, a medula hematopotica prolifera no espao subperistico, estimulando a neoformao ssea na superfcie craniana. O osso neoformado estar submetido s mesmas foras que aquelas atuantes no espao medular, foras estas direcionadas em ngulos retos sobre a superfcie ssea, resultando no arranjo perpendicular das espculas sseas. Aspecto similar visto na anemia falciforme ou drepanocitose.

CONT C E E A NA MEDICINAjaneiro e fevereiro / 20091 JORNADA DE ANATOMIA Data: 19 30 de janeiro de 2009 Local: Cidade Universitria - So Paulo Informaes e inscries: www.icb.usp.br 1 CONGRESSO LUSO-BRASILEIRO DE PSICOLOGIA DA SADE Data: 05 07 de fevereiro de 2009 Local: Faro - Portugal Informaes e Inscries: www.eventos.ualg.pt/CIPS

Agenda

27 CONGRESSO INTERNACIONAL DE ODONTOLOGIA - SP Data: 24 28 de janeiro de 2009 Local: So Paulo - SP Informaes: www.ciosp.com.br 1 SIMPSIO INTERNACIONAL EM PLACEBO Data: 12 14 de fevereiro de 2009 Local: So Paulo - SP Informaes: www.institutoscala.com.br/placebo

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Cincia & Pesquisa

INSUFICINCIA RENAL CRNICA| CELSO PEDRO TAFURI || Patologista, Diretor do Laboratrio Tafuri |

A A-

doena renal crnica caracterizada pela perda progressiva e irreversvel dos rins, responsveis por tantas funes indispensveis a nossa vida. Basicamente controla o balano de sdio, a eliminao de toxinas do sangue, regulam a presso sangunea e controla atravs da filtrao todo balano qumico e de lquidos do nosso organismo. As causas so as mais variadas possveis. Entretanto, em nosso meio o diabetes e a hipertenso arterial so causas dominantes. Outras causas devem ser citadas como obesidade, alteraes do colesterol e triglicrides, o sedentarismo associado ao tabaco e doenas crnicas como hepatite C, AIDS, tuberculose etc. Sendo os rins responsveis pelo controle de nossa presso, quaisquer causas que comprometam sua funo, agrava mais ainda o desequilbrio dessa presso fechando portanto o ciclo. Os pacientes diabticos so na verdade os maiores portadores de risco dessa doena, calculando-se entre 10 e 15 anos o tempo para se formar um quadro de insuficincia renal crnica, na maioria das vezes progressiva sem resposta clnica ao tratamento As manifestaes clnicas destes pacientes so: perda de protena na urina (proteinura), aparecimento da presso alta e o aumento da uria e da creatinina no sangue. Outras causas importantes so as glomelonefrites crnicas, rins policsticos e pielonefrites, (geralmente conseqente da calculose renal, infeces urinarias crni-

cas, obstrues renais ou das vias urinarias). A sintomatologia varia de acordo com a fase da doena. No inicio totalmente assintomtica. Aps a perda aproximada de 50% da funo renal, os sintomas so caractersticos: anemia crnica, presso alta, edema dos membros inferiores e dos olhos, urina escura e espumosa, mudana de hbi-

co, mas progressivamente vai necessitar de hemodilise e at transplante renal. Como o tratamento de alto custo, incompatvel com a situao atual da sade brasileira, existem servios j com cadastro destes pacientes para entrarem na fila do tratamento da hemodilise. Por isso, a Sociedade Brasileira de Nefrologia preocupada com esta situao iniciou uma campanha nacional

tos de urina (levantar a noite) e perda de sangue pela urina, fraqueza, nuseas e vmitos. Antes mesmo do incio desses sintomas os pacientes de risco como hipertenso e diabticos devem obrigatoriamente procurar seu mdico clnico de confiana. A perda da funo renal lenta, mas progressiva e irreversvel, variando de 30 a 100% dos casos. O tratamento inicialmente clni-

de preveno e diagnostico da doena nas fases iniciais, ainda compatvel com o tratamento clinico. A alimentao deve ser rica em fibras e pobre em protenas animais e em sal de cozinha (no mximo 5g/dia) - e ingesto de basicamente lquidos. A doena grave o prognostico pior ainda. Por isto a preveno necessria e obrigatria. Procure ainda hoje seu clinico de confiana ou seu nefrologista.

TEMPO

M

DOENAS GENTICAS Pesquisadores chineses, de Hong-Kong, acabam de publicar na revista americana Proceedings of the National Academy of Sciences trabalhos originais. Eles desenvolveram uma nova tcnica que permite detectar doenas genticas em fetos a partir de amostras de sangue das mes grvidas. Um novo exame analisa o DNA fetal no sangue da me comparando-o com o prprio sangue da mulher. Os cientistas afirmaram que o mtodo pode identificar doenas graves como fibrose cstica, talassemia beta e anemia falciforme, responsveis por um alto nmero de abortos. Muitos casais desejosos de ter um filho, nem sempre esto cientes da importncia no estudo gentico durante a gravidez, para evitar abortos inevitveis. Mais uma vitria da medicina prevista....