Revista de Trabajo Social – FCH – UNCPBA ?· O artigo expõe os avanços do projeto de extensão…

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    09-Nov-2018

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<ul><li><p>RReevviissttaa ddee TTrraabbaajjoo SSoocciiaall FFCCHH UUNNCCPPBBAA </p><p>Tandil, Ao 5 - N 7 Volumen 4, Julio de 2012 ISSN 1852-2459 75 </p><p>A CRTICA VAI AO CINEMA FORMAO ATRAVS DE FILMES, RELATO DE UMA EXPERINCIA </p><p> Carvalho Clarice </p><p>Teixeira Leile Walker. Raylane </p><p>Apresentao O artigo expe os avanos do projeto de extenso A crtica vai ao cinema </p><p>realizado por professores e alunos do curso de Servio Social, da Universidade Federal Fluminense, campus de Rio das Ostras, Rio de Janeiro, Brasil. O projeto justifica-se pela proficuidade do cinema como instrumento para ampliao do universo cultural dos sujeitos e para enriquecimento da formao profissional em Servio Social, tem como prerrogativa a exibio, debate e estudos de filmes como estratgia pedaggica para dinamizar atividades acadmicas luz dos temas de interesse para a profisso, alm da cultura, teoria social crtica e direitos sociais. </p><p>O projeto iniciou-se em maro de 2010 com o objetivo de exibir filmes e realizar debates de forma continuada articulando o contedo, a experincia e a discusso de cinema aos elementos da formao profissional em Servio Social. O projeto prev atividades de mostras temticas de filmes com debates, cursos e tem como pblico estudantes e profissionais de Servio Social, buscando qualificar a formao da categoria (dos graduandos do curso de Servio Social) a fim de assegurar mais instrumentos para a anlise crtica e interveno na realidade social, especialmente atravs do trabalho profissional nas polticas sociais, estas atividades tambm so abertas ao pblico em geral e, claro, ao pblico do Plo Universitrio de Rio das Ostras (PURO) docentes, discentes, servidores e outros. </p><p>Desde a criao do projeto realizamos 3 mostras (Poltica e sociedade; Direito ao trabalho e O declnio da era do petrleo: crise e efeitos socioambientais); elaboramos 2 cursos (Dos aspectos ontolgicos crise da dcada de 1970 uma anlise por meio de filmes e Capitalismo; liberalismo e origens da poltica social); exibimos e realizamos debates de 5 filmes (A ma, Sicko SOS sade, E a vida continua, Violncia AS e Cortina de fumaa). Com estas aes conseguimos atingir o pblico-alvo inicial (alunos e docentes do curso de Servio Social e de outros cursos do PURO) e ampliar nossas aes atravs de parcerias com servios sociais do municpio (como escolas e programas assistenciais, especificamente, projetos voltados para crianas e adolescentes). A nossa proposta seguir ampliando as aes a fim de otimizarmos a experincia crtica atravs do cinema e da criao de cultura flmica intra e extra-muros do PURO. </p><p> Docente do curso de Servio Social do Plo Universitrio de Rio das Ostras - Universidade Federal Fluminense </p><p>(PURO-UFF) e-mail: claricepuro@hotmail.com Docente do curso de Servio Social do Plo Universitrio de Rio das Ostras - Universidade Federal Fluminense (PURO-UFF) e-mail: leileteixeiragyn@gmail.com Discente do curso de Servio Social do Plo Universitrio de Rio das Ostras - Universidade Federal Fluminense (PURO-UFF) e-mail: raylane-sso@hotmail.com </p></li><li><p>RReevviissttaa ddee TTrraabbaajjoo SSoocciiaall FFCCHH UUNNCCPPBBAA </p><p>Tandil, Ao 5 - N 7 Volumen 4, Julio de 2012 ISSN 1852-2459 76 </p><p>Fundamentao, trajetria e resultados do projeto A Crtica vai ao cinema </p><p>Realizamos nossas atividades em Rio das Ostras, no Plo Universitrio de Rio das Ostras o Plo criado em 2004 e conta atualmente com os cursos de Servio Social, Enfermagem, Psicologia, Engenharia da Produo, Cincia da Computao e Produo Cultural - trata-se de um municpio com 105.757 habitantes, com o peculiar crescimento populacional de 190,4% em 10 anos. A cidade conta com apenas duas salas de cinema que priorizam a exibio de filmes do chamado circuito comercial, com nfase na produo norte-americana, disponibilizada atravs de cpias dubladas. Assim, evidente a dificuldade de acesso a outros tipos de produo cinematogrfica e a consequente ampliao cultural a possibilitada. A cidade conta, tambm com algumas iniciativas de cineclube, mas ainda assim, identificamos a possibilidade e a pertinncia de trabalharmos o cinema de forma articulada s aes educacionais a partir de nossa experincia e insero acadmica constituindo a uma particularidade da nossa proposta. </p><p>Trabalhamos com a utilizao de filmes como pr-texto para debates no campo das Cincias Sociais, algo j realizado com bons resultados em experincias diversificadas em todo o Brasil. As universidades se constituem em espaos privilegiados para a constituio de cineclubes e outras experincias que envolvem a utilizao de filmes, no raro muitas destas experincias geram produes de pesquisas, cursos de formao de conselheiros de polticas pblicas. Mesmo que o espao universitrio no qual nos inserimos seja marcado pela precariedade das instalaes do Plo Universitrio, sobretudo, na escassez e inadequao dos espaos fsicos para desenvolvimento de atividades acadmicas insistimos no potencial formativo da nossa proposta. </p><p>A busca por materializar o princpio da indissociabilidade entre ensino-pesquisa e extenso est expressa no projeto A crtica vai ao cinema, pois as iniciativas que o compem, partem do princpio e da necessidade de oferecer espaos de debate e formao profissional alm da sala de aula, sem, no entanto, a inteno de preterir o ensino. O conceito do projeto abrange a retroalimentao entre as demandas apresentadas em sala e os debates, estudos e produes realizadas a partir do projeto, para mais uma vez qualificar, diversificar e complexificar o ensino a partir da incluso de novos elementos pedaggicos, favorecendo assim, a produo dialtica do conhecimento, pois na perspectiva afirmada por Medeiros (2008: 11): </p><p> os homens no buscam apenas saber: buscam-no para transformar-se e transformarem as coisas, a vida, o mundo; e medida que se transformam e transformam o mundo e conhecem mais sobre si mesmos e sobre o mundo. H, certo, requisitos que a prpria humanidade cria, s vezes com demora, para a difcil tarefa do conhecimento. </p><p> Coadunamos tambm com a constatao de que a necessidade de inovarmos nos </p><p>instrumentos utilizados para a formao profissional de assistentes sociais urgente. Trata-se de uma profisso cujos agentes atuam nas expresses da questo social e que, portanto, enfrentam cotidianamente, como demandas postas no seu trabalho, as diversas formas como os sujeitos sociais tm materializadas em suas vidas aquelas expresses. </p></li><li><p>RReevviissttaa ddee TTrraabbaajjoo SSoocciiaall FFCCHH UUNNCCPPBBAA </p><p>Tandil, Ao 5 - N 7 Volumen 4, Julio de 2012 ISSN 1852-2459 77 </p><p>um profissional que carece de ampliar seu universo cultural e sua capacidade crtica a fim de melhor qualificar sua interveno profissional. </p><p> importante destacar tambm que nos inspiramos e nos munimos de instrumentos terico-metodolgicos da experincia realizada pelo prof. Giovanni Alves na UNESP de Marlia, de onde extramos a argumentao de que o projeto A crtica vai ao cinema tambm: meio de difuso da produo audiovisual ligada a temas sociais relevantes. (ALVES, 2010: 53). </p><p>As Diretrizes Curriculares do Curso de Servio Social apresentam entre os princpios da formao profissional: </p><p> flexibilidade de organizao dos currculos plenos, expressa na possibilidade de definio de disciplinas e ou outros componentes curriculares tais como oficinas, seminrios temticos, atividades complementares como forma de favorecer a dinamicidade do currculo. [Elas definem tambm a] adoo de uma teoria social crtica que possibilite a apreenso da totalidade social em suas dimenses de universalidade, particularidade e singularidade. (ABEPSS, 2010) </p><p>O cinema, enquanto recurso udio-visual que reproduz imagens da realidade ou cria imagens que levam reflexo e abstrao sobre ela, constitui instrumento privilegiado na formao cultural dos sujeitos. Para alm de significar forma de entretenimento e arte, o cinema artefato cultural que nos aproxima da complexidade do mundo em que vivemos bem como capaz de nos incitar a pens-lo e transform-lo. A exibio de um filme e a anlise posterior do mesmo garante necessariamente transmisso de determinados conhecimentos mesmo por meio de fico e pode conduzir a construo de outros a depender da recepo do espectador e de sua socializao anterior. </p><p>Se isto vlido para qualquer mulher ou homem que tenha acesso a este bem socialmente produzido, entende-se que quando se trata de uma formao profissional, as potencialidades do cinema ainda so ainda mais especiais, pois ele pode permitir um aprofundamento diferenciado da capacidade analtica do profissional em formao21, habilitando-o a observar o real de modo mais apurado e a projetar suas aes especializadas com mais parmetros de referncia. </p><p> luz dos princpios das Diretrizes Curriculares de 199622, o cinema pode significar importante aliado no aprimoramento das competncias terico-metodolgica, tico-poltica e tcnico-operativa indispensveis para o futuro assistente social. Partindo do pressuposto que a formao profissional no se basta no ensino, sendo fertilmente enriquecida pela pesquisa e extenso num processo de retroalimentao como j o </p><p> 21 Mesmo com o docente atento a mtodos de ensino que contemplem a unidade entre teoria e prtica, incontestvel a fora de um filme para ilustrar de maneira direta e/ou ldica os elementos centrais dos textos trabalhados nas disciplinas. Se o filme escolhido corresponde ao objetivo do contedo programtico, o impacto dificilmente no positivo para a compreenso ampliada dos temas desejados. 22 Estes se consubstanciam no denominado projeto tico-poltico profissional e, portanto, so idnticos aos presentes no Cdigo de tica Profissional de 1993 em vigor: liberdade enquanto valor central, posicionamento em prol da equidade e da justia social que assegure aprofundamento da cidadania, defesa da qualidade dos servios e da competncia advinda de aprimoramento intelectual permanentem (BOSCHETTI, 2000). </p></li><li><p>RReevviissttaa ddee TTrraabbaajjoo SSoocciiaall FFCCHH UUNNCCPPBBAA </p><p>Tandil, Ao 5 - N 7 Volumen 4, Julio de 2012 ISSN 1852-2459 78 </p><p>dissemos23, o cinema pode contribuir na formao intelectual e cultural generalista crtica do profissional e no fomento de uma capacidade de insero criativa e propositiva no conjunto das relaes sociais e no mercado de trabalho (BOSCHETTI, 2000: 92), ambas, qualidades projetadas pelas j mencionadas diretrizes. </p><p>Uma vez que as defesas de democracia, cidadania, equidade e justia social inspiradas na teoria social crtica que aliceram a formao profissional em Servio Social chocam-se frontalmente com o conservador pensamento nico que as elites buscam imputar em nossas conscincias atravs de uma srie de meios dentre eles o controle da produo de notcias atravs dos fios da grande mdia e o bloqueio de acesso aos bens culturais e aos produtos do progresso cientfico , podemos nos servir de filmes questionadores da ordem vigente com o objetivo de desvelar as informaes tendenciosas circulantes to bem lapidadas pela publicidade. Nas palavras de Santos (2005, p. 39): </p><p> O que transmitido maioria da humanidade , de fato, uma informao manipulada que, em lugar de esclarecer, confunde. Isso tanto mais grave porque, nas condies atuais da vida econmica e social, a informao constitui um dado essencial e imprescindvel. Mas na medida em que o que chega s pessoas, como tambm s empresas e instituies hegemonizadas, , j, o resultado de uma manipulao, tal informao se apresenta como ideologia. </p><p> Nesse sentido, as potencialidades do cinema como recurso para o debate processam-se em dois eixos: um deles diz respeito ao prprio contedo do filme, seu argumento, enredo, seu objetivo, e outro a tcnica do cinema, sua constituio e possibilidades. Munsterberg (1983), ao refletir sobre o cinema em seu surgimento na relao com o teatro, sustenta que a cena desperta o interesse no apenas pelos objetos em movimento, mas por acompanharmos seu desenvolvimento com a cabea cheia de idias. A cena em movimento, com seus recursos de roteiro, montagem e filmagem capaz de direcionar a ateno do espectador, a possibilidade de focalizar o detalhe, cria condies para que a narrativa seja conduzida com possibilidades que outros recursos artsticos no possuem: </p><p> o detalhe em destaque torna-se de repente o contedo nico da encenao; tudo o que a mente quer ignorar foi subitamente subtrado sua vista e desapareceu. As circunstncias externas se curvam s exigncias da conscincia. (...) O close-up transps para o mundo da percepo o ato mental de ateno e com isso deu arte um meio infinitamente mais poderoso do que qualquer palco dramtico. (MUNSTERBERG, 1983: 34) </p><p>O cinema como uma representao do real, se constitui, portanto, em um instrumento vigoroso para atrair e formar conscincias sobre o mundo que nos cerca. </p><p> 23 Sem mencionar as experincias de vida dos sujeitos para alm dos limites universitrios capazes de alargar as vises de mundo. </p></li><li><p>RReevviissttaa ddee TTrraabbaajjoo SSoocciiaall FFCCHH UUNNCCPPBBAA </p><p>Tandil, Ao 5 - N 7 Volumen 4, Julio de 2012 ISSN 1852-2459 79 </p><p>Deste modo, a utilizao do cinema crtico seja documentrio, filme clssico ou outro tipo - torna-se alavanca apropriada para incitar inquietao e indagao sobre o estado de coisas, colaborando para o rompimento do espesso vu da alienao atravs da socializao de informaes ofuscadas, seno mesmo escondidas, pela imprensa, considerando que o profissional que se intenta formar aquele, segundo Iamamoto (2008: 144): </p><p> culto e atento s possibilidades descortinadas pelo mundo contemporneo, capaz de formular, avaliar e recriar propostas ao nvel das polticas sociais e da organizao das foras da sociedade civil. Um profissional informado, crtico e propositivo que aposte no protagonismo dos sujeitos sociais. Mas tambm um profissional versado no instrumental tcnico-operativo, capaz de realizar as aes profissionais, aos nveis de assessoria, planejamento, negociao, pesquisa e ao direta, estimuladoras da participao dos usurios na formulao, gesto e avaliao de programas e servios sociais de qualidade. </p><p>Assim, por princpio, o perfil de assistente social almejado pela categoria, em sintonia com as requisies em movimento da sociedade brasileira, exige um desenvolvimento da criticidade. A mesma autora esclarece: </p><p> responder a esse perfil delineado exige uma competncia crtica que supere tanto o teoricismo estril, o pragmatismo quanto o mero militantismo. (...) Competncia que contribui para desvelar os traos conservantistas ou tecnocrticos do discurso oficial, recusa o papel de tutela e controle das classes subalternas em seus diferentes segmentos e grupos para envolv-las nas teias e amarras do poder econmico, poltico e cultural. (idem) </p><p> Posto que vivemos sob poderoso monoplio da comunicao que determina as </p><p>notcias que devem ser veiculadas no mundo24, cerceando o acesso pluralidade das informaes, e que tal concentrao de poder miditico alicerada nas leis de mercado constitui violncia aos direitos humanos de lib...</p></li></ul>

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