Revista de Trabajo Social – FCH – UNCPBA ?· transformações societárias, especificamente nas…

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  • RReevviissttaa ddee TTrraabbaajjoo SSoocciiaall FFCCHH UUNNCCPPBBAA

    Tandil, Julio de 2012. Ao 5 - N7 volumen 3 ISSN 1852-2459

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    CARACTERIZAO DO TRABALHO, MERCADO DE TRABALHO E

    SERVIO SOCIAL NO RECNCAVO BAIANO Albany Mendona Silva44

    ngelo Vinicius C. de Carvalho45 Ana Carla Damasceno 46

    Julliana Santana S. Borges 47 Karla de Souza Teles48

    Leila Karina dos S. Machado49 Nbia da Silva Arajo50

    Luana Braga Machado51 Larissa Barbara Rodrigues de Oliveira52

    Introduo

    Nos ltimos anos, o redimensionamento da profisso em decorrncia das transformaes societrias, especificamente nas relaes entre o pblico e privado, a partir da dcada 1990, tem requisitado novas demandas e competncias para o Servio Social, da a necessidade do investimento, por parte das unidades de ensino e entidades representativas53, na realizao de pesquisas sobre mercado de trabalho. Num esforo de compreender melhor o cenrio do trabalho profissional, face ao desafio de sintonizar a formao s demandas postas ao mercado de trabalho, o que implica segundo Aranha ter como premissa as profisses tm passado por alteraes significativas nas condies e relaes de trabalho na contemporaneidade. Importa, portanto, no apenas 44 Discente e membro da equipe da pesquisa Mercado de Trabalho e Servio Social da UFRB. 45 Discente e membro da equipe da pesquisa Mercado de Trabalho e Servio Social da UFRB. angelo.2000@hotmail.com 46 Discente e membro da equipe da pesquisa Mercado de Trabalho e Servio Social da UFRB. nanadamaceno@hotmail.com. 47 Discente e membro da equipe da pesquisa Mercado de Trabalho e Servio Social da UFRB. jullianassb@ hotmail.com. 48 Discente e membro da equipe da pesquisa Mercado de Trabalho e Servio Social da UFRB. 49 Discente e membro da equipe da pesquisa Mercado de Trabalho e Servio Social da UFRB. .l-karina@ hotmail.com. 50 Discente e membro da equipe da pesquisa Mercado de Trabalho e Servio Social da UFRB. nubiaaraujo1991@ hotmail.com. 51 Discente e colaboradora do projeto de extenso sobre Mercado de Trabalho do Curso de Servio Social da UFRB lubraga_m16@hotmail.com 52 Discente e colaboradora do projeto de extenso Mercado de Trabalho do Curso de Servio Social da UFRB: lariufrb@gmail.com/lari.barbara@hotmail.com 53 As entidades representativas do Servio Social, ou seja, o CFESS- Conselho Federal de Servio Social e os CRESS- Conselhos Regionais de Servio Social nos ltimos anos investiram na realizao de pesquisas, articuladas com as universidades, nos estados e uma em nvel nacional numa perspectiva de compreender os rebatimentos da crise no exerccio profissional.

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    identific-las, mas compreend-las luz dos condicionamentos scio-histricos que as produzem. (2005.p.9).

    Para tanto, o grupo de pesquisa54 sobre o Trabalho Mercado de Trabalho e Servio Social no Recncavo55 Baiano, se prope a refletir nesse artigo as primeiras impresses desenvolvidas sobre a caracterizao do Mercado de Trabalho do Servio Social no Recncavo, o que consiste num esforo de analisar os rebatimentos da crise capitalista contempornea no exerccio profissional, isto compreender criticamente como o agravamento da questo social56, e conseqentemente, e as configuraes do mundo do trabalho implicam em alteraes, demandas e requisies profissionais, assim como, identificar as mudanas, desafios e as estratgias operacionalizadas pelos profissionais numa perspectiva da proteo e garantia dos direitos sociais.

    Para contemplao da reflexo das impresses sobre o mercado de trabalho sero considerados como universo da pesquisa os municpios do Recncavo, a saber: Cachoeira, So Flix, Cruz das Almas, Governador Mangabeira e Santo Amaro. Cabe salientar que a opo pelos referidos municpios levou-se em considerao a localizao geogrfica das cidades em torno do Centro de Artes, Humanidades e Letras que funciona o curso de Servio Social, que concentrao o maior nmero de discentes matriculados no curso.

    Em termos de organizao da exposio, alm desta introduo e das consideraes finais, o artigo est estruturado em dois momentos. O primeiro se detm na anlise das transformaes societrias a partir da crise capitalista ps 1970, elencando as principais mudanas no mundo do trabalho. J o segundo reporta-se s reflexes acerca da caracterizao do mercado de trabalho do assistente social no Recncavo.

    54 Foi um desdobramento a partir dos estudos sobre mercado de trabalho dos assistentes sociais desenvolvidos nas disciplinas Processo de Trabalho e Servio Social I e II, sob a coordenao da Professora Msc Albany Mendona, a fim de subsidiar o debate sobre o exerccio profissional na regio, assim como, estreitar as relaes entre a universidade e os profissionais no Recncavo. 55 Com base nos estudos da SEI- (Superintendncia de Estudos Econmicos e Sociais da Bahia) que utiliza os critrios de identidade, o Recncavo considerado como uma regio geogrfica da Bahia, que abrangem os municpios localizados a saber. Conceio da Almeida, Sapeau, Castro Alves, Santo Antnio de Jesus, Cruz das Almas,, Muniz Ferreira, Nazar, So Felipe, Dom Macedo de Costa, Governador Mangabeira, Muritiba, Cachoeira, So Flix, Maragogipe, Cabaceiras do Paraguau, Muritiba, Santo Amaro, Sambara, So Francisco do Conde, So Sebastio do Passe.( informaes extradas do site www..sei.ba.gov.br). 56 Para Iamamoto (2001, p. 16-7) questo social diz respeito ao conjunto das expresses das desigualdades sociais engendradas na sociedade capitalista madura, impensveis sem a intermediao do Estado. Tem sua gnese no carter da produo, contraposto apropriao privada da prpria atividade humana o trabalho , das condies necessrias sua realizao, assim como de seus frutos [...] Tem a ver com a emergncia da classe operria e seu ingresso no cenrio poltico, por meio das lutas desencadeadas em prol dos direitos atinentes ao trabalho, exigindo o seu reconhecimento como classe pelo bloco do poder, e, em especial pelo Estado.

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    Contextualizao do panorama histrico das Transformaes Societrias contemporneas em debate

    Para compreender os rebatimentos das transformaes societrias no mercado de

    trabalho do assistente social na contemporaneidade, recorre-se a necessidade de tecer breves consideraes acerca dos elementos do cenrio scio-histrico da crise capitalista ps- 1970 e do processo de reestruturao produtiva, numa perspectiva de refletir os impactos de tal contexto no processamento de alteraes profissionais (NETTO, 1995) do Servio Social no recncavo baiano.

    A partir de 1970, a fase urea do capitalismo, isto os Anos de Ouro (HOBSBAWN, 1995) caracterizado pelo padro de acumulao fordista/taylorista 57, comeou a dar sinais de crise, a saber: queda da taxa de lucro; esgotamento do padro de acumulao taylorista/fordista produo face retrao do mercado; hipertrofia da esfera financeira; maior concentrao de capitais, graas s fuses entre empresas monopolistas e oligopolistas; crise do Welfare State 58 ou Estado de bem estar social; incremento acentuado das privatizaes, tendncia generalizada s desregulamentaes e flexibilizao do processo produtivo, dos mercados e da fora de trabalho (ANTUNES, 2000).

    Em relao s razes que influenciaram a crise do fordismo59, como sistema de produo, Ferreira destaca as de ordem tcnica e as de ordem social e econmica. Quanto aos limites tcnicos, o autor chama a ateno para a excessiva rigidez do sistema face s necessidades colocadas pela atual conjuntura econmica mundial que est exigindo solues- tanto de ordem tcnica quanto organizacional - dotada de maior flexibilidade [...] (s/d, p.9). Quanto aos fatores de ordem scio-econmica, aponta o conflito distributivo e a resistncia chegando s vezes, revolta aberta - dos 57O padro de acumulao fordista caracterizado pela base tcnica eletromecnica, sobre a qual se assenta a automao fordista fixa atravs de mquinas especializadas, unidades produtivas verticalizadas, supervalorizao da hierarquia, que possibilitava o controle e a superviso da produo e salrios equiparados com a produtividade; produo e consumo em massa de bens padronizados; separao entre concepo e execuo; fragmentao e simplificao das tarefas; pouco ou quase nenhuma exigncia de qualificao para a grande maioria dos trabalhadores; alta qualificao para o segmento que comanda o processo e determinadas qualificaes para alguns setores fundamentais de produo (SALM, 1994, CARVALHO; SCHIMITZ, 1990). 58O Welfare State caracterizou-se em um padro de financiamento pblico de economia capitalista, mediante a estruturao da esfera pblica, onde o fundo pblico passou a ser o pressuposto de financiamento da acumulao do capital, de um lado, e, de outro, do financiamento da reproduo da fora de trabalho, atingindo globalmente toda a populao (OLIVEIRA, 1988, p.8). Caracterizado pela interveno direta do Estado na economia, por meio do processo de distribuio de ganhos de produtividade adquiridos, por meio do processo de socializao estatal dos custos (riscos) do sistema produtivo, assim como, do processo de controle de socializao estatal dos custos(riscos) do sistema produtivo, assim como, do processo de controle dos rendimentos sociais, como um mecanismo utilizado para atenuar os conflitos de classe e frear a mobilizao sindical. 59 As questes aqui elucidadas sobre a crise capitalista foram estruturadas a partir de estudos desenvolvidos pela coordenadora da pesquisa e publicados em 2010.

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    trabalhadores diretos em relao ao tipo de trabalho ao qual so submetidos no mbito da organizao taylorista-fordista do processo de produo(s/d,p.10)

    De acordo com Netto, o marco dos anos setenta no um acidente cronolgico; ao contrrio; a visibilidade de novos processos se torna progressiva medida que o capital monopolista se v compelido a encontrar alternativas para a crise (1996, p.90).

    Tal crise como no poderia deixar de ser, pe por terra o modo de regulao que lhe dava sustentao, isto , o Estado de bem estar social sustentado no padro keynesiano de interveno estatal, modificando assim a esfera do Estado. Segundo Mattoso (1996), h inverso nas relaes de trabalho e na contratao da fora de trabalho, atravs da reduo dos nveis de segurana do trabalho, da relao salarial, do padro de consumo e da desestruturao do movimento sindical, alm do desemprego estrutural.

    Para responder crise, assiste-se emergncia de novas formas de produzir assentadas em tecnologias flexveis60 e outra modalidade de regulao poltico-institucional fundada no neoliberalismo que introduz mudanas radicais no plano poltico, econmico, jurdico e cultural.

    Nova ordem mundial, globalizao, reestruturao produtiva, financeirizao da economia, acumulao flexvel, novas tecnologias, nova diviso internacional do trabalho, mutaes nos processos, relaes e formas de gesto do trabalho, novas qualificaes, novo perfil do trabalhador, nova educao, enfim, nesse contexto em que o novo parece ser a marca registrada, impe-se a necessidade de se pensar esses conceitos a partir da premissa bsica de que as novas materialidades recompem, em outras bases, as velhas relaes caractersticas da sociedade capitalista[..] (ARANHA, 1999, p. 98).

    Cabe salientar que o receiturio neoliberal coloca em cena um projeto de Reforma do Estado61, marcado com um conjunto de propostas que podem ser sintetizadas em: flexibilizao dos mercados nacional e internacional, flexibilizao (precarizao) dos contratos de trabalho, subcontratao das relaes de trabalho, reduo do poder sindical, desemprego estrutural, privatizaes de empresas estatais,

    60Segundo Harvey, o novo regime de acumulao apia-se na flexibilidade dos processos e padres de trabalho, dos mercados de trabalho dos produtos e novos processos, novas maneiras de fornecimento de servios financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas altamente intensificadas de inovao comercial, tecnolgica e organizacional. (1992, p.123). 61Reforma do Estado refere-se a um conjunto de medidas polticas institucionais articuladas ao projeto de liberar, desimpedir e desregulamentar a acumulao de capital (MONTANO 2002), colocando em cena um processo de desregulamentao do Estado e mercantilizao dos servios. dentro dessa lgica de Reforma do Estado que se coloca a transferncia de responsabilidades para a sociedade civil e coloca-se em cena a emergncia do Terceiro Setor, que ser objeto de debate do prximo item.

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    drstica fuga de capitais para o setor financeiro, reduo do Estado no financiamento de polticas pblicas e na regulao social entre capital e trabalho (DRAIBE, 1993; MONTAO, 2002; NETTO, 1993; POCHMANN 1999).

    Nesse bojo, o processo de desresponsabilizao e de desfinanciamento da proteo social pelo Estado, tem ocasionado modificaes significativas nas redefinies das polticas sociais, as quais so retiradas do mbito da esfera estatal a qual estas pertencem genuinamente, para a esfera privada, impactado pelo processo de mercantilizao, focalizao e privatizao. (MOTA, 2009; BERHING 2009; NETTO 1993). Configurando assim um [..] Estado mnimo para os trabalhadores e um Estado mximo para o capital (NETTO, 1993 APUD BEHRING 2009, p. 76).

    Sendo assim, a proposta de reformismo do Estado disseminou, junto populao, uma viso negativa do papel, da natureza e do sentido do Estado e sua interveno na vida econmica e social (NOGUEIRA, 2003, p. 45). Tais estratgias tm assegurado legitimidade no processo de transferncia de responsabilidades do poder pblico para a sociedade civil, assim como, a coisa pblica passa a ser gerida menos em nome do interesse pblico e mais em nome dos interesses particulares. (COSTA, 2000).

    Para Yazbek: O Estado brasileiro hoje um Estado que, conforme afirma o Plano Diretor da Reforma do Estado, no assumir tarefas que a sociedade pode assumir. um Estado comprometido com os ajustes econmicos, para o qual o enfrentamento das desigualdades sociais passa a ser tarefa da sociedade ou de uma ao estatal irregular e tmida, apenas suficiente para minimizar as conseqncias negativas dos programas de ajustes estruturais (2001, p. 43).

    No tocante as reflexes acerca da nova formatao do Estado e, conseqentemente, as implicaes direta no processo de crise fiscal e financiamento das polticas pblicas, corroboro com as anlises acenadas por Henrique, ao afirmar que;

    [a] utilizao de recursos pblicos passou a se subordinar s polticas de incentivos, subsdios e pagamentos das dvidas pblica interna e externa, abalando progressivamente a situao das finanas pblicas e, com isso, comprometendo ainda mais o dispndio na rea social (1998, p. 227).

    Importa chamar ateno que tal cenrio de crise oramentria em que se

    encontram os Estados tem ocasionado um desmonte no sistema de proteo social e na poltica social62, que passa a assumir um carter paternalista e deixa de ser vista como

    62A poltica social consiste em uma estratgia governamental e normalmente se exige em forma de relaes jurdicas e polticas, no podendo ser compreendida por si mesma [...] uma maneira de expressar as relaes sociais, cujas razes se localizam no mundo da produo. (VIEIRA, 2004, p.142).

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    direito social para ser objeto de consumo acessvel no mercado. Ou seja, o Estado passa a financiar, atravs das subvenes, convnios e isenes, prticas e programas sociais de cunho focalista e seletivo tendo como premissa a lgica do favor e do clientelismo. Dentro dessa lgica, preconiza-se o processo de mutilao dos direitos sociais e retomada da refilantropizao da questo social.

    Os direitos sociais e a obrigao da sociedade de garanti-los por meio da ao estatal, bem como a universalidade, igualdade e gratuidade dos servios sociais, so abolidos no iderio neoliberal. As estratgias para reduzir a ao estatal no terreno do bem-estar social so o corte do gasto social, eliminando programas e reduzindo benefcios; a focalizao do gasto, ou seja, sua canalizao para os chamados grupos indigentes, os quais devem comprovar sua pobreza; a privatizao da produo de servios; e a descentralizao dos servios pblicos no nvel local (VIEIRA, 2004, p.114).

    Diante do exposto, convm frisar que o assistente social, na condio de trabalhador, sofre os impactos diretos das transformaes societrias, especificamente, no mbito das transformaes operadas nas esferas produtiva e estatal, que alteram as relaes entre o Estado e a Sociedade (IAMAMOTO, 1998, p.123). Ademais, tais questes tm suscitando a necessidade de realizao do estudo com vistas produo de conhecimentos acerca da configurao e particularidades do trabalho profissional do assistente social na regio do Recncavo, objeto de reflexo do prximo item.

    Impresses do mercado de trabalho do assistente social no Recncavo Baiano

    Diante das reflexes dantes apresentadas acerca das transformaes societrias, faz-se necessrio, nesse item, elucidar as principais configuraes do mercado de trabalho de Servio Social em questo. Tais questes baseiam-se nos dados coletados a partir das investigaes realizadas durante as visitas institucionais nos espaos scio-ocupacionais63nos municpios da rea de abrangncia do Recncavo e os ciclos de debates 64 sobre o fazer profissional promovido pelas disciplinas Processo de Trabalho e Servio Social 65, haja vista a pesquisa emprica encontra-se numa fase elementar66.

    63 Esses trabalhos foram desenvolvidos nos ltimos quatro semestres, ou seja, nos dois ltimos anos, no esforo de mapear o mercado de trabalho e trazer a tona esse debate para o seio da academia. O mesmo funcionou como mecanismo de aproximao com o desenho das reais condies de trabalho dos assistentes sociais na regio, nos diversos campos de atuao, sob o olhar e experincia destes 64 Foram realizados dois ciclos de debates que contou com a presena de profissionais que atuam nas reas de assistncia, sade, previdncia, trabalho, habitao, meio ambiente, scio-juridico, educao entre outras. 65 Tais disciplinas foram ministradas pela coordenadora da pesquisa em questo e contou com a participao dos discentes envolvidos no grupo de pesquisa.

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    As primeiras impresses sobre o mercado de trabalho no recncavo tm acompanhado a tendncia do cenrio nacional, isto , o Estado o maior empregador dos assistentes sociais e as principais reas de atuao, sendo as principais Sade e Assistncia. Em todo o pas, em especfico no Recncavo existe uma presena significativa dos profissionais na rea da Previdncia67. Em termos salariais, em geral, os assistentes sociais percebem entre trs a cinco salrios mnimos, sendo que os salrios mais baixos concentram-se com os profissionais que atuam no mbito da assistncia. Em menor proporo, os profissionais da rea de previdncia recebem uma remunerao maior que nove salrios mnimos.

    Sobre o mercado de trabalho dos assistentes sociais, observa-se que h uma crescente absoro dos profissionais no setor pblico68, mediante ao processo de descentralizao e municipalizao das polticas pblicas. Nesse sentido, o assistente social no Brasil majoritariamente um funcionrio pblico, que atua predominantemente na formulao, planejamento e execuo de polticas sociais com destaque s polticas de sade, assistncia social, educao, habitao, entre outras. (IAMAMOTO, 2009, p.345).

    Cabe salientar que apesar do setor pblico ser o maior empregador, o mesmo no se esquiva dos efeitos deletrios da Reforma do Estado do campo do emprego e da precarizao das relaes de trabalho (IAMAMOTO, 1998, p.123), como aludidas no item anterior.

    dentro dessa lgica que o trabalho e as condies de trabalho dos assistentes sociais sofrem os rebatimentos das mudanas do mundo do trabalho, sendo crescente o processo de precarizao do exerccio profissional, quer seja, por meio dos vnculos empregatcios e das condies de remunerao.

    Dentre os municpios pesquisados, convm frisar que se verifica uma ampliao restringida dos profissionais mediante concursos pblicos69. Por outro lado, as necessidades de profissionais so supridas por contratos temporrios. O que tem implicado no aumento significativo de profissionais com vrios vnculos em diferentes

    66 Aps o processo de levantamento bibliogrfico e levantamento de dados junto ao CRESS- Conselho Regional de Servio Social da Bahia. 67 A previdncia um dos campos tradicionais de atuao do assistente social e nos ltimos anos teve uma ampliao do seu quadro, em nvel nacional, face o processo de negociao realizado pelo CFESS junto s instncias do governo federal para absoro dos profissionais, mediante a defesa da questo da garantia das atribuies especificas do trabalho profissional. Apesar dessa ampliao, nota-se que nos municpios pesquisados existe um nmero reduzido de profissionais, sendo constado em depoimento da profissional em conferencia realizada que existe apenas uma assistente social para atender os usurios de trs agencias da previdncia social dos municpios circunvizinhos de Muritiba, So Flix e Marogogipe. 68 Segundo dados da pesquisa realizada pela Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo (PUC-SP) e Conselho Regional de Servio Social -CRESS/9, Iamamoto afirma que o setor pblico tem sido o maior empregador de assistentes social (1998, p.123). 69 Em anlise dos concursos pblicos realizados nos municpios do Recncavo pesquisados, verifica-se que foram realizados nos ltimos cinco anos concursos nos municpios de So Felix, Cachoeira, Governador Mangabeira, So Gonalo dos Campos e Santo Amaro, sendo abertas vagas para assistentes sociais nas reas de sade e assistncia.

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    municpios, como estratgia de garantia de sobrevivncia. H que destacar a tendncia posta de transferncia de responsabilidades das aes governamentais para instituies do Terceiro Setor provocando mudanas na oferta dos servios a populao usuria, e conseqentemente, no trabalho profissional. o assistente social que chamado a implementar e viabilizar direitos sociais e os meios de exerc-los, v-se tolido em suas aes, que dependem de recursos, condies e meios de trabalho cada vez mais escassos para operar as polticas e servios pblicos( IAMAMOTO, 2002, p. 30).

    Em relao s atribuies/competncias70 desenvolvidas pelos profissionais, os resultados mostram que predominam atividades diretamente vinculadas execuo, a saber, estudo socioeconmico; orientao/esclarecimentos aos usurios quanto aos benefcios, direitos e servios. Observa-se ainda que os profissionais so requisitados para atuarem na assessoria, direo, coordenao e planejamento de programas e projetos sociais.

    Refletindo sobre isso, Raichelis (2009, p.14) adverte o processo de descentralizao das polticas sociais publicas [...] exige dos assistentes sociais e dos demais profissionais o desempenho de novas atribuies e competncias. Embora historicamente os assistentes sociais tenham se voltado implementao de polticas pblicas, como executores terminais das polticas sociais, [...] esse perfil vem mudando nos ltimos anos e, apesar de ainda predominante, abrem-se novas alternativas e reas de trabalho profissional.

    Sob a assessoria, pode-se dizer que a atuao profissional atm-se, como diz Yasbek, aos [...] fruns e conselhos vinculados s Polticas Sociais, seja no plano da defesa de direitos sociais dos usurios destas Polticas, seja no mbito do legtimo controle social das mesmas bem como de planos, projetos e oramentos. (1999, p. 98).

    Esses espaos de atuao tm requisitado dos profissionais a necessidade de aprimorar seus saberes na formulao e analise de indicadores sociais, elaborao de planos de ao, e, especialmente, o processo de monitoramento e avaliao das polticas sociais. O que tem se constitudo num dos grandes desafios profissionais.

    Outro aspecto significativo identificado na atuao profissional dos assistentes sociais no Recncavo tem sido o trabalho com famlias, em atendimento as diretrizes e recomendaes das agncias financiadoras das polticas pblicas. Entretanto, na sua operacionalizao observa-se uma simplificao dessa ao, circunscrito ao trabalho com as mulheres, isto , conforme Duque- Arrazola (2008) apud Tavares e Silva (2010, p.3), o sujeito das polticas pblicas a mulher-me-esposa-dona-de-casa e/ou 70Em consonncia com os artigos 4 e 5 da Lei de Regulamentao do Servio Social( 8.662 /1993), entende-se por atribuies as prerrogativas exclusivas do trabalho profissional que estejam relacionadas a matria , rea e ou unidade de Servio Social. J as competncias so consideradas como as habilidades/capacidades requisitas para o desempenho profissional.

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    trabalhadora desempregada, cujas identificaes sociais de gnero a associam reproduo e, designam o lugar prtico e simblico onde se inscreve o feminino, tanto na esfera privada como pblica. Nessa lgica que a associam a mulher a reproduo e reposio da fora de trabalho, de forma a desonerar o Estado no tocante oferta de polticas e servios sociais pblicos ( Idem) .

    Diante do exposto, os estudos tm demonstrado lacunas no processo apreenso dos profissionais acerca dos arranjos familiares contemporneos no exerccio profissional, o que pressupem o desafio de considerar as [...] questes de ordem subjetiva, isto , vises de mundo e referenciais que regem as escolhas e direcionam as prticas sociais que, por sua vez, adquirem sentido na dialeticidade das relaes sociais [...] se refazem na sociedade (TAVARES e SILVA, 2010, p.9) como fundamento do trabalho profissional.

    As questes, acima elencadas, remetem s indagaes acerca das lacunas do processo de formao e das dificuldades de sua operacionalizao. Logo, conclui-se que essa iniciativa urge para o curso de Servio Social da Universidade Federal do Recncavo da Bahia-UFRB, como estratgia que tem possibilitado assegurar o estudo e a aproximao do mercado de trabalho, com vistas a qualificar seu debate e, conseqentemente contribuir no processo de retroalimentao, mapeamento e abertura dos campos de estgio.

    Consideraes Finais Diante do exposto, sem a pretenso de esgotar a discusso nos limites nesse artigo, registra-se que a crise capitalista ps 1970 provoca alteraes significativas no mercado de trabalho e, conseqentemente, no exerccio profissional dos assistentes sociais no cenrio contemporneo. Segundo Iamamoto (2009), o Servio Social sofre os revis das transformaes societrias contemporneas. H a presena do Estado com o grande empregador dos profissionais de Servio Social, reafirmando a marca histrica da profisso. Entretanto, marcada por processo crescente de precarizao das relaes contratuais. Registra-se a partir de 1988, com o processo de descentralizao das polticas, e, mais recentemente, com a implementao do SUAS71, o crescimento da absoro dos profissionais pela esfera municipal, o que tem culminado um crescimento significativo da interiorizao do mercado de trabalho. Da a necessidade de compreender melhor a insero do assistente social nos quadros municipais no contexto de precarizado papel do Estado na prestao dos servios sociais, tendo em vista a premissa de que [...] as incidncias do trabalho profissional na sociedade no dependem apenas da atuao isolada do assistente social, mas do conjunto das relaes e condies sociais por meio das quais ele se realiza (IAMAMOTO, 2009, p.19).

    71 Sistema nico da Assistncia Social refere-se aos avanos considados no processo de regulamentao da PNAS -Poltica Nacional de Assistncia Social, em termos da normatizao dos procedimentos tcnicos e polticos para sua operacionalizao em todo o territrio.

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    Portanto, apreender como os profissionais desenvolvem suas competncias para apreender as mediaes do trabalho profissional e responder aos dilemas e desafios postos. nesse bojo que se avigora a continuidade dos nossos estudos sobre o mercado de trabalho, buscando capturar outras mediaes existentes no mercado de trabalho apreender os rebatimentos das transformaes capitalistas e as novas configuraes do exerccio profissional. Para Netto (1996, p.124) [...] as possibilidades objetivas de manuteno da demanda social da profisso no se mostram ameaadas, mas impem ao Servio Social a necessidade de elaborar respostas mais qualificadas (do ponto de vista operativo) e mais legitimadas (do ponto de vista sociopoltico) para as questes que recaem no mbito de interveno profissional.

    Imbuda desses pressupostos torna-se imprescindvel discutir a atuao profissional de servio social e a sua distribuio territorial, em particular, no Recncavo Baiano, aprofundando a compreenso existente na [..] tenso entre produo da desigualdade [..] que trabalham os (as) assistentes sociais, situados nesse terreno movido por interesses sociais distintos, os quais no so possvel abstrair ou deles fugir, pois tecem a trama da vida em sociedade ( IAMAMOTO, 2009, p.27). Com isso, reafirma-se a importncia da apreenso dessas mediaes numa perspectiva de potencializar os espaos no mbito da formao e da qualificao profissional, isto , alastrar o debate acerca dos desafios e demanda postas para o Servio Social na contemporaneidade. Dentre os desafios profissionais, destacam-se os dilemas da teoria/prtica.

    Nessa direo, convm chamar ateno para a relao teoria/prtica como possibilidade para apreenso do movimento do real e a capacidade para formular estratgias de interveno, alertando que essa passagem da teoria/prtica se constri numa relao mediada, que implica em escolhas que devem ser fundamentadas no plano da dimenso terica, respaldas nos princpios ticos e exigem dos profissionais estratgias operativas para sua concretude (SANTOS 2010).

    Por fim, pode-se afirmar que tais questes so fundamentais para elucidar o debate acerca das impresses sobre o mercado de trabalho dos assistentes sociais, assim como, desvendam a necessidade da continuidade dos estudos para aprofundar as questes postas, assim como, reafirmam tendncias histricas e particularidades sobre atuao profissional.

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