Revista Educacional 4ª Edição

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    12-Mar-2016

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Revista Educacional publicada pela Gerncia Educacional da Provncia Marista Brasil Centro-Norte

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<ul><li><p>EXPEDIENTE </p><p>A Revista Educacional uma publicao da Gerncia Educacional da Provncia Marista Brasil Centro-Norte UBEE-UNBEC.</p><p>Provincial e Diretor-Presidente: Ir. Wellington Mousinho de MedeirosVice-Provincial e Vice-Presidente: Ir. Jos Wagner Cruz</p><p>Superintendente Scio Educacional: Dilma AlvesGerente Educacional: Jaqueline de JesusCoordenadora Pedaggica: Maria Ireneuda NogueiraCoordenador Administrativo: Arthur Gomes Neto</p><p>Analistas Educacionais:Aloimar SilvaAmanda WanderleiCarla FlorianaFernando SouzaIreneuda NogueiraPaulo de TarsoThiago Arajo</p><p>Organizao: Carla FlorianaDiagramao: Fernando Souza</p><p>Revista Educ@cional - N. 4 | 2010 | Pgina 02</p></li><li><p>Revista Educ@cional - N. 4 | 2010 | Pgina 03</p><p>Estimados (as) internautas, blogueiros, educadores e pastoralistas maristas:</p><p>Dentro das novas tecnologias, o computador, com todas suas funcionalidades (inclusive o acesso Internet), tm contribudo muito para o desenvolvimento da Sociedade do Conhecimento. A Internet, por sua vez, est mudando o mundo por oferecer s pessoas milhes de oportunidades e facilidades. A maneira como as informaes so oferecidas gera uma necessidade de movimento, de partir em busca do saber, visto que as mudanas ocorrem em velocidades assombrosas e a cada segundo.</p><p>A nova evangelizao tem como mbito um mar sem limites, partindo de Jesus Cristo com destino humanidade atual. Surge encarnada no que sintetiza melhor a cultura do mundo em que vivemos. um novo faz-te ao largo, feito de novidades e constante mudana. Um mundo novo chamado ciberespao que est mudando o nosso modo de produzir mensagens, de gerir informao, de novas formas de interao associadas s novas tecnologias. Este o cenrio do mundo das infncias e das juventudes na Sociedade do Conhecimento. Basta um click, um play, um add... e estamos conectados a milhes de pessoas. </p><p>A Coordenao de Evangelizao e Pastoral deseja estar ligada ao mundo ciberntico e Sociedade do Conhecimento, impelida a agir com urgncia para encontrar formas novas e criativas de educar, evangelizar e defender o direito das crianas e jovens pobres (XXI CG). Para tais realizaes, traz tela do seu computador e do seu smartfone os artigos cientficos produzidos pelos pastoralistas, no curso Escola em Pastoral. A produo de conhecimento na rea de Evangelizao assegura aos processos pastorais um arcabouo terico que fundamenta nosso pensar e agir, garantindo, assim, uma excelncia pastoral. </p><p>Desejo a todos uma boa leitura,</p><p>Ir. Luiz Andr da Silva PereiraCoordenador Provincial da Evangelizao e Pastoral</p></li><li><p>Revista Educ@cional - N. 4 | 2010 | Pgina 04</p></li><li><p>O CAMINHO DE EMAS NORTEANDO A PRXIS PASTORAL </p><p>NAS ESCOLAS CATLICAS1</p><p>Autora: Celma Teresa Martins Cabral Cunha2</p><p>Orientador: Aldemir Incio Azavedo3</p><p>RESUMO</p><p>Este artigo busca refletir sobre a ao dos agentes pastorais nas escolas catlicas da atualidade e sobre atitudes evangelizadoras que se tornam significativas frente realidade atual dos estudantes e das necessidades que surgem a partir da mesma. A reflexo se constri com base na anlise do Caminho de Emas, presente no Evangelho de Lucas, captulo 24. A partir da presena de Jesus e da pedagogia revelada por Sua ao, busca-se encontrar norteadores para uma significativa prxis pastoral. Os pontos de reflexo apontam para a necessidade de uma ao voltada para a realidade dos estudantes, para a importncia do dilogo, do cuidado e para a importncia de se trabalhar o protagonismo desses jovens, para que se promova a formao integral voltada para a construo de sujeitos que se vejam como corresponsveis pela vida e procurem construir um mundo mais justo, solidrio, fraterno e sustentvel.</p><p>PALAVRAS-CHAVE: Prxis pastoral, Agentes de Pastoral, Pedagogia de Jesus, Formao humana, Formao Crist.</p><p>I. INTRODUO</p><p>Nas escolas catlicas, a pastoral se faz presente, buscando garantir, alm da formao intelectual de seus estudantes, a misso evanglica que as define. As aes que realiza possibilitam que a misso evangelizadora crist de levar o exemplo e a mensagem de Jesus aos estudantes se torne uma realidade nas comunidades educativas, proporcionando a esses jovens a vivncia de valores humano-cristos do amor, da justia e da solidariedade, e tambm relaes interpessoais embasadas nesses mesmos valores. </p><p>Evangelizar crianas e jovens, hoje, representa um desafio diferente dos que se podem notar em outras pocas. importante discernir a vontade de Deus nos sinais dos tempos. Quais so as necessidades e os apelos atuais? O que caracteriza crianas e jovens hoje: quais so os seus interesses, amores, medos e angstias? Como a sociedade atual interfere no modo de vida dos estudantes, em suas relaes e na formao de valores? Diante das respostas a essas perguntas que a ao pastoral deve organizar-se e realizar-se. </p><p> preciso estar atento e analisar a realidade atual para que se </p><p>1 ArtigoapresentadocomorequisitoparaconclusodeCursodeExtensoEscolaemPastoralpromovidopelaProvnciaMaristaBrasilCentro-NorteemparceriacomaPUC-PR.2 PedagogaeagentedepastoraldoColgioMaristaD.Silvrio(BH/MG)3 TelogopeloInstitutoMaristadeCinciasHumanas-IMACH,GraduadoemCinciasSociais,MestreemDesenvolvimentoSocialeDoutorandoemDesenvolvimentoSustentvel.</p><p>possa compreend-la. Vivemos em uma sociedade de consumo em que o sentimento de pertena e de valorizao entre as pessoas se d a partir do que se consome, do que se tem. O ter se sobrepe ao ser. Isso interfere decisivamente na formao de crianas e jovens. Nesta sociedade, a mdia tambm exerce uma grande influncia na vida e na formao de ideias das pessoas. De acordo com Mo Sung (2005, p.79),</p><p>Como a cultura do consumo o meio em que a pessoa aprende a ver o mundo e a formatar o senso de pertencimento e a sua identidade pessoal e grupal, o que dito e mostrado nas propagandas reflete e refora as estruturas comunicacionais, o sentido de existncia, os valores e a prticas cotidianas aceitos e valorizados na sociedade.</p><p>Evangelizar anunciar a Boa Nova. tambm denunciar os males da globalizao econmica, dentre eles o consumo, a competio e a excluso, e apontar para a necessidade de construirmos uma sociedade diferente, na qual a solidariedade entre os povos e entre as pessoas esteja voltada para o bem comum e as pessoas sejam valorizadas pelo que elas so, e no pelo que elas tm. Evangelizar possibilitar que os nossos estudantes aprendam a ver o mundo de uma forma diferente, construam valores humanos e sejam sujeitos ativos na constituio de uma sociedade mais justa e fraterna. </p><p>Outro desafio que encontramos, atualmente, na ao pastoral nas escolas confessionais, que elas se abrem a todos os tipos de credo. A diversidade religiosa est presente nas salas de aula e nos educadores que fazem parte das instituies. Diante dessa realidade, a pastoral deve repensar a sua prxis. O sentido da evangelizao se amplia, no se restringindo mais atuao com sujeitos que compartilham a mesma religio, a mesma f. Como agir pastoralmente na diversidade? Que tipo de aes devem ser estabelecidas? Como professar a nossa f, respeitando essa diversidade e interagindo com ela? So muitos os desafios, mas inegvel que vivemos um tempo importante na concretizao do objetivo expresso nas palavras de Jesus (...) eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundncia (Jo 10,10). A mensagem que Jesus profetizou no foi restrita a um determinado grupo. Ele veio para promover uma vida boa para todos. Esse tambm deve ser o nosso objetivo cristo na ao pastoral nas escolas.</p><p>Diante desses e de outros desafios encontrados, importante que a presena forte do exemplo de Jesus esteja presente na prxis pastoral. O ponto de partida da atuao de Cristo esteve sempre relacionado s necessidades e realidade que encontrava. Sua ao era coerente com sua Palavra, e esta revelava o Pai. Ele disse: Quem me v a mim v o Pai (Jo 14,9). Jesus falava de um Pai amoroso, e suas aes revelavam essa amorosidade. </p><p>Pensando na Pedagogia de Jesus como um caminho que pode e deve nortear a ao pastoral com os estudantes, a mesma ser analisada a partir da vivncia dos discpulos e de Jesus no Caminho de Emas (Lc 24, 13-35). Jesus se fez presente nessa caminhada como presena amorosa que soube ouvir, que respeitou, que partiu da realidade e necessidade dos discpulos, que educou com firmeza e doura, que teve como objetivo promover o protagonismo e a construo da autonomia das pessoas, para que elas se tornassem, por opo prpria, seguidoras e perpetuadoras de Sua misso. Todas as </p><p>Revista Educ@cional - N. 4 | 2010 | Pgina 05</p></li><li><p>aes educativas de Jesus, presentes em sua atuao nessa caminhada, podem auxiliar os agentes na promoo de uma prxis pastoral significativa e que leve os estudantes a construir um sentido mais humano e cristo para a vida pessoal, a vida dos outros e para a sustentabilidade do planeta.</p><p>II. A AO PASTORAL NO CAMINHO DE EMAS </p><p>Em nossas escolas, crianas e jovens caminham... A vivncia no espao educativo representa o caminho da formao e do desenvolvimento desses sujeitos, que no determinado apenas por processos de maturao. O meio, ou seja, a cultura, a sociedade, as vivncias e interaes com essa realidade so fatores que interferem no desenvolvimento humano.</p><p>Nas escolas catlicas, a caminhada iluminada pelos ideais cristos e busca no s a formao intelectual, mas tambm a formao humana e crist dos alunos. Alegrias e tristezas, vitrias e desafios, tudo isso est presente na caminhada de todos ns. Em muitos momentos nos encontramos perdidos, tristes e sem esperana e confiana para prosseguirmos. Esses momentos representam a oportunidade de vencermos nossas limitaes e nos tornarmos pessoas melhores e confiantes. Para isso, fundamental que os jovens encontrem, nesse espao, a oportunidade de vivenciarem valores humanos e cristos, como o amor, o acolhimento e o cuidado, e possam tornar-se, a partir dessa vivncia, sujeitos que contribuam, por meio de suas aes, para a promoo de uma vida boa para todos, especialmente aqueles mais necessitados.</p><p>Os discpulos iniciaram a caminhada de Emas desanimados, tristes e sem esperana. Com as intervenes de Jesus, transformaram-se e assumiram a misso de anunciar a Boa Nova para todos. </p><p>2.1- O dilogo entre os discpulos</p><p>13E eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalm sessenta estdios, cujo nome era Emas. 14E iam falando entre si de tudo aquilo que havia sucedido. (Lc 28, 13-14)</p><p>Os dois discpulos iniciaram a caminhada, falando sobre tudo o que havia ocorrido com Jesus e sobre suas ideias e sentimentos acerca dos fatos. Dialogar partilhar pensamentos, e na partilha buscamos entendimento, buscamos diminuir a angstia, buscamos sentido para os fatos da vida. </p><p>Como os discpulos, nossos estudantes tambm sentem necessidade de partilhar ideias e sentimentos. Surge da o primeiro passo para concretizarmos a ao pastoral nas escolas: a criao de espao onde crianas e jovens possam dialogar com seus iguais, possam trocar ideias e construir sentido. A linguagem aspecto fundamental na construo de sentidos e conceitos. </p><p>Os discpulos conversavam, utilizavam a linguagem para falar de seus sentimentos, partilhar ideias e entender os ltimos acontecimentos. Essa atitude fundamental para que ocorra o bom desenvolvimento humano. De acordo com a abordagem sociointeracionista de Vygotsky, o desenvolvimento humano se </p><p>d na relao com o outro, nas trocas entre os sujeitos, e, nesse processo, a linguagem fundamental, pois permite a interao e a organizao do pensamento. Por meio dela, aprendemos a pensar sobre tudo e sobre ns mesmos, construindo conceitos e aprendizagens. Ns nos constitumos como sujeitos a partir do nosso encontro com o outro.</p><p>Os fatores biolgicos preponderam sobre os sociais, apenas no incio da vida da criana; gradativamente as interaes sociais com adultos ou com companheiros mais experientes governam o desenvolvimento do pensamento e o prprio comportamento da criana. (VYGOTSKY, 1997)</p><p>De acordo com Vygotsky, as interaes sociais governam o desenvolvimento tanto do pensamento quanto do comportamento. A ao pastoral nas escolas visa promover a educao desses dois aspectos e formar sujeitos que tenham um comportamento positivo na sociedade, ou seja, visa a formao de indivduos que, a partir de valores humanos e cristos, sintam-se chamados a intervir na realidade, de modo a torn-la melhor para todos e no apenas para si mesmos. Desse modo, os agentes de pastoral devem preocupar-se com a promoo de espaos onde os estudantes possam interagir com outras pessoas, com valores e aes que possibilitem uma formao tica e crist.</p><p>A ao dos agentes de pastoral nas escolas tem tambm como objetivo possibilitar que os estudantes construam sentido para a vida pessoal. Isso favorece a valorizao da vida pessoal, da vida do outro e da vida no planeta. Para que esse sentido seja construdo, importante que os alunos aprendam a pensar significativamente, que sejam conscientes e que despertem o sentimento de cuidado e de responsabilidade por toda a criao. A criao de espaos de interao tambm fundamental para que esse objetivo seja alcanado.</p><p>Clofas e seu parceiro de caminhada voltavam a Emas angustiados, tristes e sem esperana. A morte de Jesus representava, para eles, o fracasso Dele e da proposta que Ele anunciara. A desesperana e a angstia marcavam a caminhada dos discpulos. Eles retornavam sua casa, deixando para trs os sonhos que os levaram a deixar tudo na esperana de encontrarem e viverem uma vida nova. Os dois homens caminhavam desiludidos e com medo. Nossos alunos, em muitos momentos, tambm caminham assim. Chegam s nossas escolas deprimidos, com medo, angustiados, e isso interfere na sua formao e na construo de sentido sobre a vida. O olhar cuidadoso para essa realidade deve estar presente na prxis pastoral. importante reafirmar que os estudantes precisam encontrar espao para partilharem o que sentem e o que pensam. A ao pastoral visa resgatar a esperana, a capacidade de sonhar e de agir. Para isso, preciso conhecer a realidade dos alunos: seus desejos, sonhos, medos, angstias e promover espaos de interao que auxiliem no desenvolvimento e na construo de comportamentos que os levem a construir um mundo melhor. </p><p>2.2- - A presena educativa de Jesus na caminhada dos discpulos</p><p>2.2.1- Ouvindo para conhecer e intervir</p><p>Revista Educ@cional - N. 4 | 2010 | Pgina 06</p></li><li><p>15E aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou e ia com eles. 16Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o no conhecessem. </p><p>(Lc 28, 15-16)</p><p>A partir do trecho anterior, podemos analisar diversos aspectos referentes presena de Jesus como educador na caminhada dos discpulos. </p><p>Primeiramente, interessante observar a postura inicial de Jesus. Ele no interfere, inicialmente, no dilogo que est sendo realizado. Atentamente, observa o dilogo, e isso Lhe possibilita perceber a realidade, conhecer as inquietaes e o nvel do pensamento dos discpulos. Ele analisa a realidade, para compreend-la e, depois, intervir. Essa postura deve iluminar a ao dos educadores. Antes de qualquer interveno, precisam observar, analisar, conhecer a realidade dos estud...</p></li></ul>