Revista FICA - 4ª Edição

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    05-Feb-2016

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Revista do FICA - Festival Internacional de Cinema e Vdeo Ambiental

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  • 4REV

    ISTA DO F

    ESTIVAL IN

    TER

    NACIONAL D

    E CINEM

    A E VDEO A

    MBIEN

    TAL

    Ano 1. Ju

    lho 2010

    Year 1. July 2

    010

    Ao 1. Ju

    lio 2010

    4 Ano 1

    Julho de 2010

    Year 1July 2010

    Ao 1Julio 2010

    REVISTA DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA E VDEO AMBIENTAL

    SCS - COC - 0078

    5 Impresso em papel elaborado a partir de produto proveniente de orestas bem manejadas e outras fontes controladas.

    | Printed on paper from ecologically controlled wood and other controlled sources.

    || Impreso en papel oriundo de madera con manejo ecolgico y otras fontes controladas.

    Produo chinesa vence o festival Chinese production

    wins the festival Produccin china

    vence el festival

    Uma homenagem a Antnio Poteiro

    A tribute to Antnio Poteiro

    Un homenaje a Antnio Poteiro

    Sem fronteiras No boundaries Sin fronterasFICA ACOMPANHADO

    POR PBLICO DE 58 PASES FICA is followed by public

    from 58 countries FICA es acompaado por

    pblico de 58 pases

  • Editorial Editorial Editorial

    Agradar um pblico to exigente

    quanto o que frequenta os festivais

    de cinema tarefa difcil. Quando

    se trata de um evento de carter

    internacional, a misso torna-se ainda

    mais rdua. Mas a 12 edio do FICA

    provou que nesse quesito o festival

    cumpriu sua funo com xito.

    o que revela o resultado de uma

    pesquisa realizada com participantes

    do evento e visitantes da Cidade de

    Gois, divulgada com exclusividade

    pela REVISTA DO FICA. Um ndice de

    satisfao de 85% mais que o mero

    registro de uma viso positiva da

    iniciativa: a prova inequvoca do

    sucesso e da consolidao de um

    festival que se prope a ser plural e

    democrtico.

    Os lmes premiados pelo evento

    so um retrato da diversidade, da

    ousadia e da criatividade dos diretores

    e produtores. As obras despertaram

    polmica mas, sobretudo, a

    curiosidade e o interesse do pblico.

    Na seo Panorama despedimo-nos

    do grande artista plstico goiano

    Antnio Poteiro. Sua obra repleta

    de intensidade e de sentimento nos

    mostra que possvel derramar sobre

    os homens, suas culturas e o meio

    ambiente um olhar amoroso e terno,

    pleno de vida e alegria. Boa leitura!

  • | To please an audience as demanding as that attending lm festivals is a diffi cult task. When it comes to an event of international character, the task becomes even harder. But FICA 12th edition has entirely proved the event successfully overcame this. This is what shows the result of a survey performed with festival participants and visitors of the city of Gois, released exclusively by FICA Magazine. A satisfaction rate of 85% is more than the a mere record of a positive vision of the event: it is clear evidence of the success and consolidation of a festival that aims to be plural.

    The lms awarded at FICA portray the diversity, boldness and creativity of directors and producers. The works aroused controversy but, above all, the curiosity and the interest of the public. In the Panorama section we say goodbye to the great artist Antnio Poteiro. His work, lled with intensity and feeling, shows us it is possible to pour on men, their cultures and the environment a loving and tender look, full of life and joy. Happy reading!

    || Agradar un pblico tan exigente como el que frecuenta los festivales de cine es tarea difcil. Cuando se trata de un evento de carcter internacional, la misin se vuelve todava ms ardua. Pero la 12 edicin del FICA prob que en ese rubro el evento cumpli su funcin con xito. Es lo que revela el resultado de una pesquisa realizada con participantes del festival y visitantes a la ciudad de Gois, divulgada con exclusividad por la REVISTA DEL FICA. Un ndice de satisfaccin de 85% es ms que el mero registro de una visin positiva del evento: es la prueba inequvoca del xito y de la consolidacin de un festival que se propone ser plural y democrtico.

    Las pelculas premiadas por el evento son un retrato de la diversidad, de la osada y de la creatividad de los directores y productores. Las obras despertaron polmica pero, sobretodo, la curiosidad y el inters do pblico. En la seccin Panorama nos despedimos del gran artista plstico Antnio Poteiro. Su obra repleta de intensidad y de sentimiento nos muestra que es posible derramar sobre los hombres, sus culturas y el medio ambiente una mirada amorosa y tierna, plena de vida y alegra. Buena lectura!

  • Revista do Festival Internacional

    de Cinema e Vdeo Ambiental

    Publicao Institucional

    N 4 / Julho de 2010

    ISSN 2177-4668

    Governo do Estado de Gois

    Governador: Alcides Rodrigues Filho

    Agncia Goiana de Cultura Pedro Ludovico

    Teixeira (Agepel)

    Palcio Pedro Ludovico Teixeira,

    Rua 82, 400, 1 andar, Setor Sul

    Goinia Gois 74015-908

    Fone: 55 62 3201-5100

    www.agepel.go.gov.br

    Presidenta: Linda Monteiro

    Che a de Gabinete: Nriton Ribeiro

    Diretora de Ao Cultural:

    Tnia da Cunha Bastos

  • Sumrio Summary Resumen

    Editor-chefe: Wolney Unes

    Editora-executiva: Fabrcia Hamu

    Reportagem: Adalberto Arajo,

    Bruno Hermano, Carol Magalhes

    e Fabrcia Hamu

    Projeto gr co: Genilda Alexandria

    Diagramao: Luciana Fernandes

    Infogra a: Alessandro Carrijo

    Fotogra as: Flvio Isaac, Mauro Jnio,

    Rui Faquini e Silvio Quirino

    Traduo: Ana Castel-Branco

    e Ricardo Prez Banega

    Reviso: Camila Pessoa

    Impresso: Marques & Bueno Ltda.

    (Gr ca Talento)

    Tiragem: 4 mil

    Distribuio: gratuita

    www. ca.art.br

    revistado ca@ ca.art.br

    Casa Brasil

    Presidente:

    Wagner Baptista da Costa Jnior

    Diretor comercial: Germano Roriz

    Diretor administrativo:

    Gustavo de Morais Roriz

    Rua 29, n 186, Setor Central,

    Goinia Gois 74.015-050

    Fone/Fax: 55 62 3942-0228

    www.icbc.org.br

    16Ponto de Vista | Point of View || Punto de VistaEntrevista com Bart Simpson| Interview with Bart Simpson || Entrevista con Bart Simpson

    8XII FICARealidade nua e crua| Harsh reality|| Realidad desnuda y cruda

    26Capa | Cover || PortadaDe Gois para o mundo

    | From Gois to the world

    || De Gois para el mundo

    42Artigo | Article || ArtculoPedro Novaes

    Panorama | Scene || PanoramaO palco de Antnio Poteiro| The stage of Antnio Poteiro|| El palco de Antnio Poteiro

    48

    68Circuito | Circuit || CircuitoFestivais de lmes ambientais - Agosto 2010| Environmental Film festivals - August 2010|| Festivales de cine ambiental - Agosto 2010

    71FICA na rede | FICA on the net || FICA en la rede Opinio on line| Opinion on line|| Opinin en la rede

    72Script Histria de Sucesso| A hystory of success|| Historia de un xito

    77 Trao | Trace || RastroSandro Trres

    Mosaico | Mosaic || MosaicoArte que vem do lixo| Art from the trash|| Arte que viene de la basura64

  • FICA 8

    Realidade Harsh reality Calidad incuestionable

    Produo chinesa leva principal prmio do FICA, expondo de forma clara e direta as precrias condies em que vivem os trabalhadores de reciclagem do lixo eletrnicoTexto: Fabrcia Hamu Fotos: Mauro Jnio

    Chinese production wins FICAs top prize, stating clearly and directly the poor living

    conditions of those who work in the recycling of electronic waste

    Produccin china obtiene principal premio del FICA, exponiendo de forma clara y directa

    las precarias condiciones en que viven los trabajadores de reciclado del basura electrnica

    XII FICA

    nua e crua

  • FICA 9

    Vencedores de todas as categorias do

    festival exibem os trofus conquistados

    Winners of all categories of the festival display the trophies won

    Vencedores de todas las categoras del festival exhiben los trofeos conquistados

  • FICA 10

    Com seu corpo magro e franzino,

    Zhang usa um pequeno martelo para

    abrir uma pea de computador. Ele est

    cercado por monitores, CPUs e outros

    equipamentos eletrnicos que no

    servem mais para ningum. A tosse seca

    e constante mostra que o p exalado

    pela pea aberta altamente txico.

    Trabalho encerrado, ele dirige-se para

    casa. Zhang vive em um barraco feito de

    lona, erguido em cho de terra batida,

    e dorme num papelo estirado ao solo.

    No est s. Um amigo divide o cubculo

    apertado e insalubre com ele. Ambos

    precisam trabalhar ao menos 14 horas

    por dia, pois esto com dvidas no banco

    e nica maneira de pag-las ajudando a

    desmontar os milhares de computadores

    lanados em depsitos da provncia

    chinesa de Fengjiang.

    O drama de Zhang o mesmo

    vivido por outros cerca de 50 mil

    trabalhadores chineses. H mais de 20

    anos, resduos eletrnicos do Japo,

    Estados Unidos, Austrlia e outros pases

    foram transportados para Fengjiang. A

    necessidade de desmonte dos aparelhos

    fez com que os trabalhadores migrantes

    das partes atingidas pela pobreza do

    centro-oeste da China partissem rumo

    pequena cidade e formassem um

    verdadeiro exrcito de desmantelamento

    de lixo eletrnico. Eles decompem e

    reciclam, com mtodos primitivos, cerca

    de 2 milhes de toneladas desse tipo

    de resduo por ano. A produo chinesa

    Heavy metal (Hu Xiao de Jin Shu), de

    Huaqing Jin, conta a histria dessas

    famlias de trabalhadores.

    Durante 50 minutos, o espectador pode

    acompanhar a rotina de pessoas como

    Zhang e a viva Qiu-xia. A misria em

    que vivem esses trabalhadores, o regime

    de explorao de trabalho ao qual so

    submetidos e a pergunta sobre o que

    fazer com tantas toneladas de lixo

    eletrnico permeiam a mente de quem

    assiste ao documentrio.

    A cmera segue os personagens dentro

    e fora do trabalho: trabalham duro

    para realizar seus sonhos e vivem

    acompanhados da doena, at a morte.

    Entre gemidos, suspiros e desabafos, o

    cenrio mostra a higiene extremamente

    precria. A gua que usam para beber

    e tomar banho pura lama e restos de

    comida so disputados por

    uma multido faminta.

    XII FICA

  • FICA 11

    With his slim and thin body, Zhang uses a small hammer to open a part of a computer. He is surrounded by monitors, CPUs and other electronic equipment that no longer serves anyone. His constant dry cough shows that the dust released from the open part is highly toxic. Work over, he heads home. Zhang lives in a shack made of canvas, erected on a dirt oor, and sleeps in a cardboard on the ground. He is not alone. A friend shares the unhealthy and cramped cubicle with him. Both need to work at least 14 hours a day, because they have debts at the bank and the only way to pay them off is by helping to dismantle thousands of computers dropped in deposits in the Chinese province of Fengjiang.

    Zhangs drama is the same as that experienced by other 50,000 chinese workers. For over 20 years, electronic waste from Japan, US, Australia and other countries were brought to Fengjiang. The need to disassemble the equipment made migrant workers from areas aff ected by the poverty of central and western China to depart towards the small town and form an army to dismantle the electronic waste. They decompose and recycle around 2 million tons of such waste per year, using primitive methods. The Chinese lm Heavy Metal (Hu Xiao de Jin Shu) by Jin Huaqing tells the story of these working families.

    During 50 minutes, the audience can follow the routine of people like Zhang and Qiu-xia, a widow. The misery in which these workers live, the system of labor exploitation to which they are subjugated and the question of what to do with so many tons of electronic waste permeates the minds of those watching the documentary. The camera follows the characters inside and outside of work: they work hard to achieve their dreams and live hand in hand with disease, until they die. Among moans, sighs and complaints, the scenario shows extremely poor hygiene conditions. The water they use for drinking and bathing is pure mud and scraps of food are vied by a hungry crowd.

    Con su cuerpo delgado y menudo, Zhang usa un pequeo martillo para abrir una pieza de computadora. Est cercado por monitores, CPUs y otros equipamientos electrnicos que no sirven ms. La tos seca y constante muestra que el polvo exhalado por la pieza abierta es altamente txico. Trabajo terminado, se dirige a casa. Zhang vive en una carpa hecha de lona, levantado en piso de tierra, y duerme en un cartn tirado en el suelo. No est slo. Un amigo divide el cubculo apretado e insalubre con l. Ambos precisan trabajar al menos 14 horas por da, pues estn endeudados en el banco y la nica manera de pagar es ayudando a desmontar los miles de computadoras lanzados en depsitos de la provincia china de Fengjiang. El drama de Zhang es el mismo vivido por otros cerca de 50 mil trabajadores chinos. Hace ms de 20 aos, residuos electrnicos de Japn, Estados Unidos, Australia y otros pases fueron transportados a Fengjiang. La necesidad de desmonte de los aparatos hizo que los trabajadores migrantes de las partes alcanzadas por la pobreza del centro oeste de la China partiesen rumbo a la pequea ciudad y formasen un verdadero ejrcito de desmantelamiento de basura electrnica. Desarman y reciclan, con mtodos primitivos, cerca de 2 millones de toneladas de de ese tipo de residuo por ao. La produccin china Heavy metal (Hu Xiao de Jin Shu), de Huaqing Jin, cuenta la historia de esas familias de trabajadores.

    Durante 50 minutos, el espectador puede acompaar la rutina de personas como Zhang y la viuda Qiu-xia. La miseria en que viven esos trabajadores, el rgimen de explotacin de trabajo al cual son sometidos y la pregunta sobre qu hacer con tantas toneladas de basura electrnica permean la mente de quien asiste al documental. La cmara sigue los personajes dentro y fuera del trabajo: trabajan duro para realizar sus sueos y viven acompaados por la enfermedad, hasta la muerte. Entre gemidos, suspiros y desahogos, el escenario muestra la higiene extremamente precaria. El agua que usan para beber y tomar bao es puro barro y restos de comida son disputados por una multitud hambrienta.

  • FICA 12

    XII FICA

    Cinema Direto Direct Cinema

    Cine Directo

    Ao nal de Heavy metal, difcil deixar

    de compartilhar a angstia vivenciada

    pelos personagens e questionar-se

    sobre a atitude consumista de adquirir

    aparelhos eletrnicos a cada novidade

    oferecida pelo mercado, sem saber

    o destino do que j parece ter se

    tornado obsoleto. O lme ganhador do

    principal prmio do XII FICA, o Trofu

    Cora Coralina, mostra a realidade dos

    trabalhadores chineses de desmanche

    de lixo eletrnico de forma nua e crua,

    expondo os con itos ambientais e

    sociais. O Cinema Direto, quando bem

    feito, provoca um impacto muito grande

    no pblico, avalia o consultor de cinema

    do festival, Lisandro Nogueira, referindo-

    se ao gnero de documentrio produzido

    sem entrevistas ou depoimentos.

    O objetivo do Cinema Direto promover

    o menor nmero de interferncias

    durante a obra, para que a cmera

    consiga reproduzir com a mxima

    delidade possvel o que acontece na

    realidade. Embora essa seja uma premissa

    muito contestada, pois h quem defenda

    a necessidade da interveno do diretor

    no documentrio para buscar a verdade,

    o fato que Heavy metal cumpriu o papel

    ao qual se props com xito, considera

    Lisandro. O membro do jri de seleo

    do FICA, Lus Arajo, concorda. Como

    a cmera acompanha os personagens,

    captando seus movimentos e falas na

    integralidade, sem a presena de um

    narrador, o espectador ca livre para tirar

    suas prprias concluses a respeito do

    tema, observa.

    Para Lus e Lisandro, outro ponto positivo

    da obra chines...