Revista Segmentada Esporte E cia

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    19-Mar-2016

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Revista sobre esportes voltada ao publico jovem

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  • Futuros campees

    Atletas do futebol amador sonhamem se tornar profissionais algum diaConfira a histria do futebol amadorno paran

    esporte & CIA

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    Paixo pelas gaiolasPor Yan Londero

    Edson Henrique Bueno herda de seu pai (ao lado) a paixo pelo esporte.

    Foto: Divulgao

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    A corrida de Gaiola Cross tem con-quistado cada vez mais adeptos, principal-mente no interior do estado do Paran.

    Por ser um esporte seguro e com mui-ta emoo, a Gaiola Cross tem conquistado cada vez mais espao entre os jovens no interior do estado, e identificando novos pilotos, que surgem como promessa no au-tomobilismo naciona

    Edson Henrique Bueno que se revela um verdadeiro apaixonado por automobi-lismo, e que com apenas 16 anos j conquis-tou o campeonato paranaense de Kart, e tambm j teve u s resultados expressivos e sendo apontado por muitos como um grande talento de futuro para o automobi-lismo brasileiro.

    Edson conta um pouco sobre como tudo comeou e sobre como o munda das corridas e da velocidade entrou em sua vida: Eu sempre quis ser um piloto, e des-de a primeira vez que sentei em um Kart, tive certeza absoluta disso, claro que meu pai como apaixonado por velocidade que , sempre me deu fora e me apoiou em todos os momentos estando do meu lado, isso facilitou muito pra eu chegar at aqui e com certeza me ajudar a em todos as etapas mais difceis que eu tentarei trilhar em minha vida, conta Edson emocionado sobre seu comeo e seus maiores sonhos.

    Questionado se no tem algum medo ou ressentimento por este ser um esporte que envolve altssima velocidade e logica-mente sempre os riscos existem, Edson categrico: Nunca tive medo nenhum, para mim quanto maior a velocidade mais emocionante e apaixonante fica. Ele con-ta ainda que j teve um grave acidente e apesar do drama, jamais pensou em parar: Quando eu corria de Kart, certo dia em uma corrida meu kart acabou sendo toca-do por um outro e eu perdi o controle, meu carro saiu da pista e acabou capotando, infelizmente acabei tendo uma leve fratu-

    ra no brao esquerdo ms isso nunca de-sanimou, a nica coisa que eu pensava era quando ficaria com logo para voltar a fazer o que mais amo na vida, completa o piloto com um sorriso no rosto.

    Realmente a Gaiola Cross, tem se re-velado a grande paixo de muitos jovens ultimamente, e comeando assim, quem sabe no podemos estar vendo grandes campees surgindo no estado do Para-n para depois brilharem mundo a fora nas grandes categorias do automobilismo mundial como a Frmula 1 e a Frmula Indy. Vamos ficar de olho nessa nova gerao de pilotos paranaenses surgindo na Gaiola Cross.

    A Gaiola cross muito parecida com um bug, mas na prtica totalmente dife-rente. preparada aos moldes de umc arro de corrida, com motores potentes base de gasolina, como os carros de Frmula 1.

    Os carros utilizados no esporte, so geralmente reutilizaes de carros mais antigos que foram para o ferro velho. Os mais comuns so carcaas de fusca, auto-motivo muito requisitados no comeo da dcada de 70.

    Auto Cross ou propriamente Gaiolas, so em sua maioria montados a partir de um veiculo doador de orgos ou seja, de onde vem a maioria dos componentes mecnicos. Como propulso so utilizados motores de 1000 cc at motores de 4.500 cc com mais 1200 Hp, como nos casos em que as estruturas so montadas para a catego-ria fora livre em provas de arrancadas.

    Quando projetadas de forma adequa-da, proporcionam um esporte relativamen-te seguro pois, na maioria das categorias de competio automobilstica os veculos usam na sua construo bsica estruturas tubulares como reforo ou mesmo como estrutura principal do projeto usando ape-nas uma casca.

    Por Yan Londero

    Foto: Divulgao

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    Futuros campees

    Jovem judoca pronta para

    Foto: Divulgao

    Jovens atletas de todo o pas trei -nam forte em busca do sonho se se tornar um competidor profissional

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    Na ltima dcada, crescimento des-se time de brasileiros ajudou a abrir cami-nhos, mudar vidas e formar campees e cidados. Sucesso do investimento no es-porte comemorado por escolas e alunos.

    Em mais de 40 mil escolas do pas in-teiro, 3 milhes de crianas e adolescentes esto envolvidos, em 2012, com as Olimp-adas Escolares, organizadas pelo Comit Olimpco Brasileiro com apoio do Minist-rio do Esporte e governos municipais e es-taduais. Na ltima dcada, o crescimento desse time de brasileiros ajudou a abrir ca-minhos, a mudar vidas e a formar campe-es e cidados.

    A partir desta segunda-feira (14), o Jornal Nacional vai examinar esse fenme-no mais perto em reportagens especiais. Na primeira delas, Tino Marcos e lvaro SantAnna mostram duas escolas muito diferentes que se tornaram referncia no esporte estudantil.

    Os alunos esto sorrindo, mas eles sa-bem o que os espera. Tarefa de cada dia em uma pista em Jacarepagu, Zona Oeste do Rio: chegar ao limite.

    um trabalho muito forte, mas que serve para o nosso melhor, para gente me-lhorar, afirma um velocista.

    Quarta-feira o treino vai ser mais forte, t?, diz o treinador Paulo Servo.

    A 500 quilmetros do local, em Tatu-ap, na Zona Leste de So Paulo, uma faixa de campeo lembra aos jogadores de um time de basquete que eles so os atuais bicampees das Olimpadas Escolares. E o treinador s pensa no tri.

    No a galeria de trofus de um clube tradicional, mas de uma escola, a que mais conquistou trofus e medalhas na ltima edio das Olimpadas Escolares. Em 2011, foram 19 medalhas na competio escolar mais importante do pas.

    No Colgio Amorim so 1.400 alunos. Mais de 10% deles, 150, so atletas com bol-sa de estudo e alimentao.

    Voc deixa de receber uma mensali-dade, mas est recebendo muito mais men-salidades pelo retorno que esses garotos trazem, a satisfao, diz o diretor da esco-la, Elsio Oliveira.

    Alm dos professores de educao fsica, o colgio tem 12 treinadores especia-listas em sete modalidades.

    Se tem criana, tem educao, tem que ter esporte, acrescenta Elsio.

    O diretor em So Paulo e o professor no Rio: a mesma convico.

    A escola o local ideal para se come-ar um trabalho, fala Paulo Servo.

    Paulo Servo professor de educao fsica aposentado e treinador de atletismo. Em 2004, se disps a treinar crianas da Es-cola Municipal Silveira Sampaio como vo-luntrio.

    H oito anos, as crianas treinavam com o tnis todo velho, todo rasgado, pe-gavam o tnis da me, do pai para vir trei-nar. Era uma confuso danada, conta o treinador.

    O projeto cresceu como a atleta Br-bara Lencio.

    Tinha 12 anos na poca, bem novi-nha mesmo, fala a menina.

    Aos 16, foi campe mundial juvenil e representou os atletas brasileiros no ann-cio das Olimpadas no Rio, em 2016. A equi-pe ganhou patrocinador e um espao na Vila Olmpica da Prefeitura. Quem se des-taca, treina l, mas as origens se mantm.

    A base do projeto continua a ser a escola, que ficou famosa na Zona Oeste do Rio, a Silveira Sampaio do Atletismo. O co-lgio das medalhas e da cidadania.

    Foto: Divulgao

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    A edio de 2012 da etapa de 15 a 17 anos das Olimpadas Escolares, realizada em Cuiab entre os dias 25 de novembro e 8 de dezembro, conta com a participao de 220 voluntrios, que atuam nos mais di-versos setores da organizao do evento. Em sua maioria, so acadmicos de facul-dades locais, que tem nas Olimpadas Esco-lares, a oportunidade de participar de uma competio esportiva de grande porte. En-tre os voluntrios, esto universitrios dos cursos de medicina, fisioterapia, comunica-o social e educao fsica.

    Um dos voluntrios Heverton San-tos de Oliveira, de 34 anos, acadmico do segundo semestre do curso de educao fsica da Universidade de Cuiab (UNIC). Heverton conhecido como Perereca e foi o goleiro titular do time do Mixto, campeo da Copa Mato Grosso de futebol profissional, encerrada no ltimo dia 15 de novembro. O mixtense est encarregado de acompanhar a delegao da Paraba, estado em que j atuou, como jogador, de-fendendo o Campinense.

    Estou aprendendo muita coisa aqui nas Olimpadas Escolares. Tem sido uma experincia maravilhosa para mim, inclusi-ve como jogador. Muita coisa que vi aqui, poderei aplicar dentro dos gramados, sem contar na questo da organizao do even-to, alm do comprometimento. A estrutura que o Comit Olmpico Brasileiro montou aqui enorme. Quero aplicar o que tenho aprendido aqui na minha carreira e pre-tendo no me prender apenas ao futebol, e neste sentido, esta experincia tem sido muito proveitosa, disse Heverton.

    As Olimpadas Escolares contam tam-bm com voluntrios de outros estados, como Distrito Federal, So Paulo, Rio de Janeiro, Cear, Paraba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Gois e Para-n, de onde veio a tambm estudande de educao fsica da PUC, Andrielle Costa, de 21 anos. A curitibana est no ltimo pero-do e participou da etapa de 15 a 17 anos das

    Olimpadas Escolares em Curitiba, em 2011.

    A proximidade com os atletas olm-picos, alm de ver a futura gerao de es-portistas brasileiros, o que me fez partici-par do evento. Fiz muitos amigos na edio de 2011, em Curitiba, e quis participar outra vez, desta vez em Cuiab. A grandiosida-de do evento me chamou muita ateno, principalmente pela organizao. No ano passado, acompanhei a delegao do Piau e este ano, estou com os embaixadores do evento. Se estiver oportunidade, continu-arei participando das prximas edies, mesmo j formada declara Andrielle, que mira mais longe ainda. Meu sonho mesmo participar em 2016, nos Jogos Olmpicos do Rio de Janeiro.

    No total, so 220 voluntrios, sendo 140 de Mato Grosso, alm de outros 20, de vrias partes do pas. Completam a lista ainda 60 militares do Exrcito Brasileiro. Para Sheila Patrony, coordenadora dos vo-luntrios da etapa de Cuiab das Olimpa-das Escolares, o trabalho dos voluntrios de extrema importncia e usa ela prpria como exemplo.

    A funo do voluntrio de prestar apoio em todas as reas do evento que ne-cessitem de ajuda. O que mais gratifican-te neste trabalho, ver o crescimento das pessoas em relao a sua vida pessoal e em sua carreira profissional. Falo isso por mim mesmo, pois comecei como voluntria em 2007, nas Olimpadas Universitrias em Blumenau (SC). Gostei tanto do ambiente que participei de outras edies, como nas Olimpadas Escolares em Poos de Caldas, em 2007 e 2008, e nas Universitrias de Macei, em 2008. Em 2009 fui contratada para trabalhar nas Olimpadas Escolares em Londrina (PR), na rea de coordenao de voluntrios. Tenho orgulho de ter sido voluntria e hoje ter sido contratada para trabalhar na mesma rea que comecei destaca Sheila. um sonho real. a esco-la mais importante da minha vida e eu vou morrer trabalhando nela, diz Paulo.

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    Adrenalina na veia

    Foto: Tiago Santos

    Para fugir do estresse, longboarders arris-cam-se nas canaletas da cidade em busca de um refgio para o estresse do dia-a-dial

    Por Raphael Ribeiro

  • 00Foto: Tiago Santos

    A prtica do Longboard surgiu a partir do Surf. Quando o tempo agitava as mars e os surfis-tas ficavam impossibilitados de pegar onda, no havia alternativas. Com a inveno do ska-te, os praticantes passaram a surfar no asfalto. O Long, como a modalidade carinhosamente apelidada, apenas uma adaptao das pran-chas longas utilizadas no mar, em cima das ro-dinhas do skate.

    Alm do tamanho da superfcie, a grande seme-lhana entre o esporte aqutico e o terrestre o estilo das manobras. O pessoal do Longboard se diverte descendo ladeiras e estradas com certa inclinao, com movimentos que imitam o Surf e o Snowboard.

    Alguns gostam de descer cruzando a pista de um lado a outro, em um movimento denomina-do carving/freeride, enquanto outros so adep-tos da modalidade Downhill, famosa em outros esportes, quando o praticante desce ladeira abaixo. Alguns tipos de Longboard inventados so o Carve, o Freebord e o MountainBoard.

    O material para a fabricao dos Longs muitas vezes diferente. A prancha (shape), as rodas e os trucks no se diferem apenas no tamanho. Muitas vezes, as rodas e os eixos tambm so bastante incomuns em relao queles usados nos skates de rua. Materiais empregados com durezas diferenciadas, eixos que fazem mais curvas por causa do sistema de amortecedor, rodas bem moles, etc. No de hoje que o Long invade as pistas e ruas, deixando de lado o estilo clssico. Mas, como skate evoluo, natural que os Longboarders queiram mandar manobras de Skateboard, como flips e slides.

    O Long vem ganhando espao no mercado a cada dia que passa e, com isso, a quantidade de praticantes do Skateboard diminui. A grande di-ferena entre as duas modalidades o tamanho do skate (a partir de 40 polegadas j conside-rado um Long) e a sua prancha, que varia bas-tante, desde uma rplica do skate em tamanho grande at alguns com o desenho similar ao de uma prancha de surf. Qualquer uma das prti-cas exige o uso de equipamento de segurana (capacete, luvas reforadas, joelheira e cotove-leiras).

    O Brasil conheceu a prtica do skate Longboard em 1979. Os diversos praticantes da modalidade

    no pas no tem certeza sobre a data e o local exato da primeira apario do Long, mas con-cordam que a Pracinha do Skate, no bairro Sumar, em So Paulo, foi um dos primeiros a abrigar o esporte. O famoso praticante da po-ca, chamado Tchap-Tchura, considerado o pioneiro do Long no pas, aps trazer a novida-de dos Estados Unidos.

    Heitor Suhong Orsi, longboarder h um ano, diz que comeou a praticar por causa da grande in-fluncia que teve de seus amigos. Heitor afirma que quando est em cima da prancha de quatro rodas, parece estar voando, s que com os ps no cho. Os sentimentos que vm so de liber-dade, prazer, alegria e felicidade.

    Segundo Orsi, o lugar onde voc est pratican-do - ou dropando como os Longboarders gos-tam de falar - muito importante porque, quan-to mais bonito o lugar, melhor a sensao.

    Outro longboarder, Andr Santinni, comeou a andar por causa do skate convencional, ainda quando era adolescente. Seu irmo comeou com esta modalidade, porque considera que o importante sempre uma ladeira e alta veloci-dade. Decidiu, ento, andar tambm, por ser um esporte que relaxa, libera adrenalina e, se-gundo Andr, faz a gente ver a vida um pouco mais rpido.

    Santinni acredita que preciso divulgar melhor a modalidade e mostrar para as pessoas que quem anda no louco, vagabundo, ou malo-queiro. Apenas praticamos um hobby como qualquer ser humano. Realmente perigoso, mas desestressa, acalma e diverte.

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    Japo Fest

    No dia 17 de maro, um grupo de longboarders organizou o Japo Fest. O evento foi realizado na Praa do Japo e reuniu cerca de 40 atletas durante todo o sbado. Jonas Zibetti, dono da empresa Orek, que fabrica shapes, e organiza-dor do encontro, falou sobre a importncia de disseminar o esporte entre os jovens curitiba-nos.

    Pelo que fiquei sabendo, o primeiro Japo Fest aconteceu no aniversrio de um dos prati-cantes. Agora, a gente resolveu oficializar, para reunir a galera e incentivar o pessoal a andar, tendo conscincia dos materiais de segurana e transformar um campeonato-treino, em uma competio. Queremos que essa cultura cresa junto com a marca, a modalidade e a prepara-o dos atletas.

    A maioria dos presentes no encontro utilizava o Longboard e Jonas falou sobre o crescimento do esporte e as diferenas em relao ao ska-tinho. A questo do Long uma cultura to-talmente diferente do skate pequeno, mas ele to completo que chega a ser usado como o skatinho comum e esse o lado mais encan-tador, porque o pessoal no acredita que voc consegue fazer as mesmas manobras no Long-board.

    O grande nmero de mulheres praticantes cha-mou a ateno durante o Japo Fest. Conversa-mos com Dbora Bucco e Michellyne Ferrucy, a Mica, sobre as diferentes modalidades do Lon-gboard e os materiais de proteo que devem ser utilizados durante a atividade.

    A forma do shape desenhada para o estilo

    no qual voc vai andar. Para o speed, que so as decidas de velocidade, a prancha mais rebaixada, o truck tem mais preciso, mais largo, facilita para curva, as rodinhas tm uma aderncia diferente por causa da pista. O shape montado com uma aerodinmica para pegar mais velo-cidade e menos atrito com o ar. Tambm existem os ska-tes maiores, que so melhores para o free hide.

    Este deriva da prancha de surf. Para esse, voc no precisa de um truck com tanta preciso. No semi long, voc pode fazer o free hide com mais agilidade, pode fazer as curvas de uma forma mais rpida. Tem tambm o tubarozinho, que so os old school, so mais largos, o truck menor e so mais apropriados para andar em pistas, como na Pra-a do Gacho, por exemplo. Este conhecido para fazer o downhill slide, ou seja, ladeiras e curvas em sequncia.

    Ns sempre recomendamos o uso de capacete, luva, jo-elheira, e cotoveleira. As luvas no so comuns. Elas vo com um casquilho na palma, que para voc poder fazer o slide, encostando a mo no asfalto, completou Dbora.

    Foto: Tiago Santos Foto: Tiago Santos

    Foto: Tiago Santos

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    Profisso suburbanaAndr Recchia Raphael Ribeiro

    Andr Recchia Raphael Ribeiro

    Foto: Divulgao

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    O futebol amador do Paran se con-funde com os grandes clubes do estado, pois desde 1917 j existiam torneios exclu-sivos para times de bairro e que alimenta-vam, em algumas oportunidades, os clubes de massa quando estes levavam para seus elencos, alguns jogadores. Em Curitiba e nas principais cidades do estado, criaram--se varias ligas de futebol. Alguns campe-es destas ligas chegaram a disputar algu-mas fases do Campeonato Paranaense de Futebol, bem como, vrios clubes de vr-zea obtiveram acesso ao campeonato pro-fissional e assim, em 1947,[1] a Federao Paranaense de Futebol (F.P.F.) comeou a organizar, oficialmente, o futebol amador. No incio da dcada de 1960, a F.P.F. fez al-gumas tentativas em um torneio estadual, porm, somente em 1964,[2] com a criao da Taa Paran, a federao obteve suces-so.[3] A Taa Paran foi criada pelo ento superintendente da F.P.F., Hugo Weber (1918-2011),[4] como sendo a principal com-petio amadora do estado, mantendo, at a atualidade, esta condio.

    Os trofus da Taa Paran recebem o nome de grandes personalidades do fute-bol amador do estado e so de posse tran-sitria. Este trofu deixar de ser transit-rio quando uma mesma equipe for campe em trs ocasies alternadas ou duas vezes consecutivas.[5]

    O primeiro campeo da Taa Paran foi o Ferrovirio Esporte Clube de Unio da Vitria.[6]

    Taa Paran a principal competio do futebol amador do estado brasileiro do Paran. Organizado, anualmente pela Fede-rao Paranaense de Futebol, esta compe-tio tem o objetivo de reunir os campees das ligas interioranas e tambm da capital e do litoral do estado em uma tradio que

    ocorre desde o ano de 1964. O campeo o representante do estado em algumas com-peties amadoras no Brasil e na Amrica do Sul, como o Campeonato Sul-Brasileiro de Futebol Amador.

    a Vila So Pedro, Xaxim, o Urano, atu-al bicampeo da Suburbana, conquistou po-pularidade no s vencendo ttulos. O clube promove jogos beneficentes e o presidente Elias Martins, funcionrio do Ministrio do Trabalho, garante estar prestes a tirar do papel um projeto para construo de salas de aula dentro do estdio, e ali oferecer cursos a jovens da regio. Meu teso ser til para a comunidade. Os governantes ain-da no tomaram conscincia de que lazer segurana pblica, defende Elias, minutos antes de discutir asperamente e ser impedi-do de partir para os socos com um jogador do visitante Vila Hauer.

    VIDA QUE PODERIA TER SIDO E NO FOI

    Esta revigorada Suburbana atrai trs tipos bsicos de jogadores. Assim como Gil-mar, o carregador de madeira do Iguau, quase a totalidade exerce outra atividade. A maioria joga na Suburbana desde jovem e v no futebol amador um prazer, aliado a um complemento na renda ou em alguns raros casos, a maior fonte dela.

    Andr Recchia Raphael Ribeiro

    Andr Recchia Raphael Ribeiro

    Foto: Divulgao

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    o sentimento que move Leomar, 39 anos, criado no Atltico-PR e com uma curta passagem pela Seleo Brasileira, a botar a caneleira e se aventurar no futebol brigado da Suburbana. Aqui mantenho minha forma e crio novas amizades, com gente que trabalha o dia todo e vem jogar com alegria. um divertimento, conta o volante, hoje coordena-dor de escolinhas de futebol e, aos sbados, camisa 5 do Iguau. Marlon (Santa Quitria), ex-atacante do Paran Clube, e Rogrio Prateat (Capo Raso), ex-zagueiro do Coritiba, se enquadram nesta categoria.

    Mas a Suburbana tambm um terreno frtil para os decepcionados da bola. So os que frequentaram categorias de base de grandes clubes, flertaram com o profissio-nalismo e alimentaram o sonho da fama, mas no vingaram no ultraconcorrido mercado do futebol. Parece trocadilho: Salrio, do Urano, um dos jogadores mais bem pagos da competio o apelido na verdade vem do tamanho diminuto. Em 2002, ele e Hideo, atu-almente no Trieste e outro cobra da Suburbana, assinaram contrato com o Paran Clube. Mas o talento que sobrava nos campinhos da periferia oprimiu-se no mainstream da bola, e eles logo retomaram a origem. Eu j tinha 26 anos, no consegui acompanhar o ritmo de quem cresceu no meio profissional, explica Salrio, auxiliar administrativo de profis-so. No reclamo do que tenho, mas di ver o nvel de alguns profissionais e saber que voc tinha condies de estar l.

    A sorte tambm bateu na trave para Peterson, 33 anos, meia do Operrio Pilarzinho. Descoberto no Combate Barreirinha, ele profissionalizou-se muito jovem pelo Andradina (SP) e logo migrou para o Rentistas, do Uruguai, time de Juan Figer, um dos maiores em-presrios de futebol do continente. Joguei com o Recoba, orgulha-se. Se o ex-colega brilhou na Internazionale de Milo e na seleo uruguaia, Peterson seguiu trilha diferente. Segundo ele, a morte do pai tirou-lhe o centro aos 20 anos de idade. No achou mais es-pao no profissionalismo e desde ento dedica o suor Suburbana. Tem muito frustrado no amador, que v o sonho desmoronar e se perde por a. S no virei um deles porque me realizei como treinador.

    E ele no s tcnico como preparador fsico, nutricionista, orientador espiritual e psiclogo dos juvenis do Pilarzinho a reportagem o abordou enquanto exibia ao time um filme em DVD com mensagem edificante sobre f e superao, na vspera de um jogo decisivo. O conhecimento bastante emprico e nada acadmico de Peterson talvez seja mais relevante para um bando de garotos de 15 e 16 anos, cujo futuro, salvo uma ou outra exceo, ser longe dos holofotes esportivos. Dou um foco no moleque pra que traba-lhe com seriedade: se no virar profissional, pelo menos ele fez seu mximo, diz o pro-fessor. Dali podem no surgir craques, mas, ao que tudo indica, sairo homens prontos para renovar a legio de guerreiros que tanto agradam seu Joaquim e os demais fs da Suburbana. Tcnica no amador quase no existe. A gente gosta de ver raa e afinco, ex-plica o torcedor nmero 1 do Capo Raso.

    AMADOR AT A ALMA

    A ditadura monetria da Suburbana transformou a 2 Diviso em refgio do futebol amador na acepo mais inocente da palavra. Ainda h resqucios de remunerao, mas a imensa maioria entra em campo sem levar nada em troca. No pagamos jogador. Somos estritamente amadores e lutaremos at o fim para manter essa filosofia, bate no peito o presidente do Barigui/Seminrio, Gerson Cirino dos Santos, primo do presidente do Cori-tiba, Jair Cirino dos Santos.

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    comum um time ter direito de subir 1 Diviso e continuar na disputa entre iguais. Caso do Imperial, do bairro Mossungu, que abdicou do acesso em 97 e 2000 e seguiu na Segundona. Voc pode at fazer um time barato na 1 Diviso s para participar, mas no chega a lugar nenhum. A perde a graa, reclama Douglas Campa, diretor de fu-tebol do clube que, ironicamente, tem um dos maiores patrimnios da Suburbana graas localizao do estdio Otvio Nicco, junto ao valorizado empreendimento imobilirio Ecoville. O Imperial, que por enquanto resiste cobia dos investidores, licenciou-se em 2010 para se reestruturar, mas promete voltar no ano que vem.

    A dificuldade do Osternack Esporte Clube simboliza a distino entre os dois est-gios.Vice-campeo da 2 Diviso em 2009, o time, sem sede nem estdio prprios, se vira como pode entre os grandes. numa das mesas de plstico da Lanchonete do Morais, dentro da Vila Osternack localidade do Alto Boqueiro que luta para reduzir os ndices de criminalidade que a diretoria discute a cada sexta-feira, entre outros temas, como re-partir o oramento de R$ 1.000 mensais. Metade disso, alis, consumida em carne e cerveja para os jogadores depois das partidas. Cada um ajuda do jeito que pode. Mas jogador no temos como pagar. O pessoal vem mais por amizade e porque gosta de jogar futebol, diz Jos Aparecido de Souza, presidente do clube e motorista de nibus em Curitiba.

    De um modo ou outro, h um preo a ser pago. O artilheiro e o melhor zagueiro do time que subiu para a elite no resistiram oferta de R$ 150 por partida e agora esto no Urano. Enfraquecido, o Osternack amargava a lanterna da 1 Diviso at a 7 rodada.

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    O talento de Reginaldo Vital com a bola sobra na Suburbana. Sobrava tambm no profissional. Muitos percalos so ne-cessrios para levar um craque desse quila-te a jogar no amadorismo desde os 31 anos para sobreviver.

    Quem viu Vital surgir no Paran Clu-be, em 1997, sabia estar diante de uma prola. Cabea erguida, viso de jogo, im-proviso e chute preciso rapidamente o transformaram em titular e dolo da torci-da. Cobiado por vrios clubes, foi vendido por boa soma e com timo contrato ao fu-tebol japons dois anos depois.

    A esta altura, o sucesso em campo j se misturava com problemas fora dele. O roteiro do menino pobre, que na adoles-cncia ajudava o pai como servente de pe-dreiro em Jacarezinho (Norte Pioneiro do Paran), recorrente no mundo da bola. Meteu-se em noitadas, exagerou na bebi-da, cercou-se de falsos amigos e mulheres aproveitadoras da fama momentnea. Vol-tou do Japo para o Atltico em 2002, mas j no era o mesmo jogador tinha fre-quentes leses e dificuldade em manter o peso. Pouco depois tentou a sorte no Cori-tiba, teve lampejos da velha categoria, mas a inconstncia tirou-lhe espao. Em 2006 foi parar no Joinville (SC), seu ltimo time profissional.

    Quando se viu parado, aceitou con-vite pra jogar no Sesp, da liga amadora de So Jos dos Pinhais, e h dois anos est no Urano, pelo qual foi campeo da Taa Para-n (principal competio amadora do Esta-do) e bicampeo da Suburbana. Ganha R$ 200 por jogo e no tem outra atividade. A renda completada pelo aluguel do aparta-mento de trs quartos no bairro Bigorrilho, o nico que sobrou do patrimnio. Prefere morar numa casa mais simples, alugada, na Vila Lindoia, com a atual esposa e um filho.

    Aos 34 anos, o meio-campista reco-nhece ter cometido deslizes. No nego. Hoje estou mais maduro e vejo que errei muito, mas foi na empolgao de momen-to, de virar de repente jogador de time grande. Coisa de menino, falou, de cima da marquise que serve como arquibanca-da no campo do Urano. Ele atribui a espi-ral descendente na carreira a uma leso na canela sofrida ainda no Japo, da qual diz nunca ter se curado totalmente.

    O principal tutor considera a contu-so o menor dos problemas. O Vital ti-nha bola pra jogar na Seleo, mas no foi atleta. Poderia ser profissional at hoje. Apesar de ter um enorme corao, ele foi ruim para ele mesmo, resume o comenta-rista Dionsio Filho, tcnico do jogador nos juniores do Paran e desde ento uma es-pcie de segundo pai para Vital. O futuro dele me preocupa, diz, srio.

    Vital ainda no sabe que rumo to-mar quando pendurar de vez as chuteiras. Como de hbito, prefere curtir o presente. s vezes vejo antigos amigos ainda jogan-do e tenho vontade de voltar, d saudade da concentrao. Infelizmente no tem mais como. Mas ainda jogo com prazer, es-tou feliz aqui, diz, mesmo sem muita con-vico. Se a bola pune, como diz o tcnico Muricy Ramalho, Reginaldo Vital j pagou por seus pecados e espera pela redeno. A meticulosidade de Levi Mulford Chres-tenzen surpreende at quem tem mania de organizao. O maior exemplo um cader-no amarelado pelo tempo, mas bem guar-dado, onde o jornalista catalogou todos os 590 jogos de que participou como fute-bolista amador, cada um com escalaes, autores dos gols e uma foto ou ilustrao desenhada por ele prprio.

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    Paixo pelas gaiolas

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