Spyer juliano para_entender_a_internet

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    18-Nov-2014

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<ul><li> 1. 1 Noes, prticas e desafios da comunicao em rede </li> <li> 2. 2 Para entender a Internet Para Entender a Internet - Noes, prticas e desaos da comunicao em rede Organizador: Juliano Spyer @jasper Ano de publicao: 2009 Capa: Pedro A. Borges (www.pedroatwork.com) @pedroaborges Diagramao e projeto grfico: Josiane Camacho @josianecl Esta obra licenciada por uma licena CREATIVE COMMONS Atribuio - Uso no-comercial - Compartilhamento pela mesma licena 2.5 Voc pode: - copiar, distribuir, exibir e executar a obra; - criar obras derivadas. Sob as seguintes condies: - Atribuio. Voc deve dar crdito ao autor original. - Uso no-comercial. Voc no pode utilizar esta obra com finalidades comerciais. - Compartilhamento pela mesma licena. Se voc alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta, somente poder distribuir a obra resultante com uma licena idntica a esta. Para cada novo uso ou distribuio, voc deve deixar claro para outros os termos da licena desta obra. Qualquer uma destas condies pode ser renunciada, desde que voc obtenha permisso do autor. Qualquer direito de uso legtimo (ou fair use) concedido por lei ou qualquer outro direito protegido pela legislao local no so em hiptese alguma afetados pelo disposto acima. Licena Creative Commons </li> <li> 3. 3 Noes, prticas e desafios da comunicao em rede Caro leitor, Este um livro diferente, um livro aberto, que convida voc a participar dele por este endereo: http://paraentenderainternet.blogspot.com Voc pode interferir neste projeto de trs maneiras: - comentando: o objetivo de ele estar na internet dar a possibilidade para pessoas interessadas nos assuntos dos artigos trocarem idias entre si e tambm com os autores. O resultado dessa conversa poder ser aproveitado para enriquecer o artigo. - divulgando: o contedo integral deste livro est registrado com uma licena Creative Commons que autoriza quem quiser a copiar e distribuir este material, contanto que ele no seja usado com fins comerciais. - remixando: voc pode usar os artigos deste livro para criar produtos derivados como, por exemplo, uma apresentao ou um vdeo caseiro, sem se esquecer de dar crdito aos autores e de disponibilizar a obra com a mesma licena, para que outras pessoas possam continuar tirando proveito do conhecimento. E mais: junto com o nome dos autores voc tambm vai encontrar o nome de usurio de cada um no Twitter *. Se voc gostar de um texto, pode passar a acompanhar o autor online e interagir com ele. * Se voc no sabe o que Twitter, pule para a pgina 45 para ler sobre Micro-blogging. </li> <li> 4. 4 Para entender a Internet Sumrio Apresentao Noes beta _ Jos Mauro Kazi capital social / whue _ Cris Dias cauda longa _ Marcelo Coutinho co-working _ Pablo Handl cultura do remix _ Alexandre Matias cyberpunk _ Fbio Fernandes tica hacker _ Dalton Martins interatividade _ Alex Primo metodologias geis _ Manoel Lemos rede social _ Raquel Recuero viral _ Rafael Ziggy web 2.0 _ Juliano Spyer Prticas blog _ Edney Souza bridge-blogger _ Daniel Duende comunidades de prtica _ Brbara Dieu consumer-to-consumer (C2C) _ Wagner Tamanaha creative commons _ Ronaldo Lemos fotograa digital _ Renato Targa jogos eletrnicos _ Carlos Estigarribia jornalismo colaborativo _ Ana Brambilla micro-blogging _ Fbio Seixas mobile _ Luli Radfahrer open Space / barcamp_ Luiz Algarra peer-to-peer (P2P) _ Andr Passamani podcast _ Diego Franco propaganda online _ Carlos Merigo wiki _ Alexandre Hannud Abdo 6 7 8 10 12 14 16 18 20 21 23 25 27 28 30 31 32 34 36 38 39 41 43 45 46 48 50 52 55 57 </li> <li> 5. 5 Noes, prticas e desafios da comunicao em rede Desaos brecha digital / excluso digital _ Rodrigo Savazoni cyberbullying _ Rosana Hermann ecologia digital _ Jos Murilo Junior lei azeredo _ Fernando Gouveia lei eleitoral e internet _ Soninha Francine lixo eletrnico _ Felipe Fonseca pirataria _ Srgio Amadeu privacidade _ Alessandro Barbosa Lima spam _ Marcelo Vitorino voluntariado em rede _ Bruno Ayres e Marianna Taborda Consideraes nais Leitura recomendada Autores 59 60 62 64 66 68 70 72 74 76 78 80 82 85 </li> <li> 6. 6 Para entender a Internet Apresentao Para entender este livro Conhecimento que nem esterco, se no espalhar, no presta. D. Maria H doze anos participo desta indstria e, de dentro, acompanho as pessoas que esto pensando a Web, introduzindo tendncias e ajudando a cultura da comunicao em rede se enraizar no Brasil. Todos os ativistas, profissionas e acadmicos convidados a participar deste livro tm esse perfil. Eles compartilham a viso de que uma mudana sem volta est acontecendo na sociedade por causa da internet e cada um escreveu sobre isso a partir de um tema com o qual tem - mais do que entendimento - intimidade. Voc perceber lendo que, apesar de ter sido produzido pensando no leitor com pouca ou nenhuma familiaridade com a Web, os textos vo alm das simplificaes e dos modismos para, ao mesmo tempo, ensinar e provocar. Mais que artigos informativos, os textos incluem vivncias, dvidas e opinies de quem est na linha de frente, descobrindo para que serve a internet. O que voc encontrar a seguir , portanto, bem diferente de uma coleo de verbetes enciclopdicos, a comear pelo tom informal e convidativo, livre de jarges ou academicismos, com que cada um deles foi escrito. Outra caracterstica que diferencia este trabalho o fato dele ter ficado pronto em um ms - do momento em que os primeiros autores receberam a encomenda at ele ser disponibilizado no blog. Na verdade, mais da metade dos textos j tinham sido entreg- ues no prazo de uma semana e o livro no ficou pronto antes porque, vendo o potencial do contedo, investi um pouco mais de tempo para convidar outros colaboradores e ter um produto melhor. O leitor dever levar em conta que o esforo de realizao foi voluntrio e consi- derar que servios comuns mas dispendiosos como o de reviso pormenorizada dos tex- tos elevariam o custo de coordenao, inviabilizando o trabalho. Assim como a Wikipe- dia, este livro pretende ser uma obra em movimento - em beta, no jargo tecnolgico -, um motivo para pessoas conversarem e aprenderem umas com as outras, o que tambm inclui participar do trabalho de correo. Juliano Spyer, organizador www.naozero.com.br </li> <li> 7. 7 Noes, prticas e desafios da comunicao em rede Noes </li> <li> 8. 8 Para entender a Internet Beta Quando, nos idos de pouco tempo atrs um perodo que terminou com o surgimento do Netscape , o termo beta ainda se referia apenas ao estado de um software que no estava pronto para entrar em produo, ou seja, ir pro ar ou ainda, ser vendido ao pblico, a imprensa percebeu que os lanamentos em beta estavam proliferando e demorando mais tempo para serem substitudos pelo release estvel. Ento j era tarde demais. O software em beta, originalmente, estava nos ltimos estgios de debugging (correo de erros de programao), quase pronto, com todos os bugs mais crticos re- solvidos. Mas no todos. Nesse estgio, algumas cpias eram enviadas para colabora- dores, chamados de beta-testers, que usavam o software para valer, reportando os prob- lemas que iam encontrando. O sonho de vrios dos meus amigos era ser beta-tester de games. Em algum momento, certas empresas comearam a colocar seus produtos em beta stage disponveis para o pblico em geral, pedindo, em troca, que os usurios repor- tassem os bugs. H quem diga que isso aconteceu para no ser preciso pagar pelo trabalho dos beta-testers (uma vez que no se cobrava pelo release). H quem diga que aconteceu na esteira do modelo de desenvolvimento do Linux (Release early, release often, disse Eric Raymond, e completou: and listen to your customers. Em traduo livre: Lance rapidamente, lance freqentemente; e oua seus usurios.). Essa semi-filosofia, apli- cada no contexto de desenvolvimento colaborativo, funcionava bem e, com a crescente incluso digital e possibilidade de participao propiciada por um ambiente desenvolvido para ser aberto, empresas como a Netscape adotaram parcialmente a idia. A evoluo do software ou servio em beta tomou propores digamos, popu- lares, quando o Google colocou beta ao lado de seus produtos mais populares. Hoje, para muitos, o beta est ali, em vrios servios e softwares, para dizer outra coisa: que o servio est em constante desenvolvimento e em constante melhoria, seguindo a frase de Eric Steve Raymond (e a filosofia open source), ouvindo seus usurios para manter o servio sempre renovado e inovado, para incluir a comunidade no desen- volvimento, devolvendo o favor com a utilizao gratuita do que esta ajudou a construir. Para outros, apenas uma jogada de marketing para que as empresas no pre- cisem dar suporte total para seus servios e contem com uma legio de beta-testers </li> <li> 9. 9 Noes, prticas e desafios da comunicao em rede (e trend watchers) trabalhando gratuitamente enquanto ganham dinheiro indiretamente, cada um no seu modelo, inclusive o BP dos Gnomos. Se me perguntam, essa histria toda de Beta no bobagem apenas porque leva ao pblico mais amplo, elegantemente, algumas das melhores contribuies que o povo do software livre trouxe ao mundo. Em definies por a, o Beta fruto da web 2.0 o que quer que eles queiram dizer com web 2.0. Ou, mais provvel, a web 2.0 fruto da filosofia beta. Filosofia de cozinha por filosofia de cozinha, a vida no esteve sempre em beta? Jos Mauro Kazi @jmmkazi </li> <li> 10. 10 Para entender a Internet Capital Social / Whue Penltimo dia da Campus Party e aqui estou vestindo uma camisa escrito Free Rick, com uma caricatura do cantor rei dos ternos com ombreira dos anos 80, Rick Astley. Eu no paguei pela camisa, ganhei porque algum acha que eu tenho muito whuffie. Voc quer uma camisa? Tambm no precisa pagar. O pessoal que bolou os desenhos estampa sua camiseta de graa em troca de voc sair por a com ela. O que ela ganha? Whuffie. Pense como a web 2.0 no tem, tecnologicamente, nada revolucionrio. Sites interativos, banda larga, webcams, microfones... Tudo isso somado, mais o cada vez maior nmero de usurios de internet fez surgir uma coisa que precisava de um nome: Web 2.0. J o Whuffie outra coisa que no necessariamente nova mas ficou to comum que precisava de um nome. Algum sugeriu capital social, mas vamos concordar que whuffie muito mais sexy. O termo foi cunhado pelo escritor canadense Cory Doctorow no seu livro de fico-cientfica Down and Out in the Magic Kingdom, de 2003. Ele conta como num futuro prximo a tecnologia do nosso mundo avanou tanto que duas coisas centrais na nossa sociedade deixaram de existir: a escassez e a morte. Por mais que lhe maltratem voc nunca vai morrer. Por menos que voc se esforce voc sempre ter casa, comida e roupa lavada. O dinheiro, que a manifestao fsica da economia de escassez, perde o sentido num mundo onde todo mundo pode ter tudo. Num mundo sem dinheiro, um mundo onde todo mundo pode ter tudo, o que as pessoas desejam? Aquilo que o dinheiro no compra. claro que Doctorow no estava sonhando com um futuro distante. Ele estava falando do presente, exagerando na lente como os escritores de fico-cientfica adoram fazer. No vivemos hoje na Bitchun Society, o nome ps- capitalista dado para a nova maneira de viver, mas j fazemos muita coisa parecida. (O livro est disponvel gratuitamente para download, o que ajudou a divulgar todo o seu trabalho e o transformou em um dos blogueiros mais influentes do mundo). Um termo que empresrios e economistas adoram repetir comoditizao. Vivemos num mundo comoditizado, onde abrir uma estamparia de camisetas to barato que melhor pensar em outro negcio ou um chins com uma tela de silk-screen no quintal de casa vai lhe colocar para fora do mercado. No mundo comoditizado ou voc cria algo realmente exclusivo e desejado, como um iPod, ou simplesmente d seu produto de graa. S que no mundo do whuffie voc no vai simplesmente dar camisetas de graa, voc vai trocar por whuffie. A comoditizao do mundo est derrubando na marra a idia de que escassez gera capital, simplesmente porque cada vez mais difcil criar escassez. Lembra do chins? Veio a tal web 2.0 (que, lembre-se, </li> <li> 11. 11 Noes, prticas e desafios da comunicao em rede s um rtulo para facilitar a vida de gente escrevendo textos como esse) e o ditado do informao poder foi derrubado. Quando eu cresci este era o lema do mundo, papai ensinava: consiga o mximo de informao, guarde para voc e use a seu favor. Acho que o pai de algum na gerao seguinte esqueceu de contar isso e em algum ponto a informao comeou a circular numa velocidade enorme, invertendo a lgica. Caiu voc o que voc tem e entrou no lugar o voc o que voc compartilha. Em um mundo sem escassez a economia passa a ser a da gift economy, dos presentes, do dar-e-receber que atinge uma escala to grande que deixa de ser mera troca de favores. Um fazendeiro que planta laranjas no Brasil torce para que um furaco destrua os laranjais da Flrida. Quanto menos laranjas no mundo mais dinheiro no bolso para quem tem a fruta. A gift economy a economia do abrao grtis, aqueles malucos com cartazes no meio da rua abraando quem se candidatar. Quanto mais abraos eu der, assim de graa mesmo, mais felicidade eu e a pessoa abraada ganhamos. E no precisa ser s abrao. Pense em uma comunidade de fotos, como o Flickr: um f de fotografia j adora tirar fotos. Ele tira milhares de fotos por ano. Se ele mandar estas fotos para o site, vai receber feedback, vai ser reconhecido, vai ser chamado para participar de eventos... vai tornar a rede mais forte, vai favorecer pessoas que ele provavelmente nunca vai conhecer para ser pago de volta (pelo menos diretamente). J a foto no compartilhada, guardada na gavetanogerariavalornenhumnemparaelenemparaningum,porquenohescassez de fotos para deix-la mais cara quando um furaco destruir todos os fotgrafos de Cuba. claro que a economia do whuffie no perfeita. Ela ainda usada por seres humanos com suas falhas e problemas. Nela, por exemplo, continua valendo a mxima de que dinheiro chama dinheiro. Whuffie chama whuffie. Pessoas com mais whuffie recebem destaque, so convidadas para eventos, so citadas em artigos... chamando para si e para seu trabalho a ateno de outras e, com isso, ganhando mais whuffie. A diferena que o conceito de celebridade se fragmenta e deixa de ser uma coisa exclusiva de astros globais e estrel...</li></ul>