Texto Ordenação Feminina - TOKASHIKI

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Uma análise sobre os argumentos para a ordenação feminina.

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A ordenao feminina

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- Ordenao Feminina -uma perspectiva complementaristaRev. Ewerton B. Tokashiki

Igreja Presbiteriana do Brasilltima reviso 27/10/2013Porto VelhoIntroduoA questoPorque no ordenamos mulheres para o exerccio dos ofcios de liderana? Esta uma questo que precisa ser respondida. A nossa posio deve ser livre das acusaes de machismo, obscurantismo e de que somos alienados s mudanas sociais da ps-modernidade. Pelo menos trs argumentos gerais so usados pelos que advogam a ordenao feminina:

1. As mulheres maioria nas igrejas, por que devem ser lideradas por uma liderana minoritria de homens?2. notrio que as mulheres cada vez mais participam em funes de liderana na sociedade, por que no nas igrejas?3. As denominaes protestantes histricas esto ordenando mulheres. Sabemos que denominaes com abertura ao liberalismo teolgico como a Igreja Metodista do Brasil, a Igreja Evanglica de Confisso Luterana e a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil tm ordenado mulheres. Ultimamente a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil e a Conveno Batista Brasileira ordenam mulheres ao cargo de pastor.Diante desta presso, primeiramente precisamos nos perguntar qual deve ser o critrio para decidirmos, ou no, ordenar as nossas irms. Deve ser a presso social, onde a opinio pblica encontra-se seduzida pelo movimento feminista, em moldes de igualdade, seno superioridade aos homens? Seria o critrio do pragmatismo, reconhecendo que muitas mulheres tm assumido a responsabilidade de liderar, mesmo sem ordenao, enquanto os homens so omissos em seus deveres na famlia, na igreja e na sociedade? Ou, ainda deveramos considerar as estatsticas que apresentam mudanas quanto ao nmero de denominaes que tm ordenado mulheres?Uma trplice respostaPara responder esta fatdica pergunta necessrio extrairmos a nossa concluso a partir de trs fontes:

1. O testemunho da histria da Igreja crist. Os cristos em perodos consecutivos ou espordicos ordenaram mulheres? Perguntas como, quando, por que e quem certamente esclarecer a ocorrncia da prtica e possibilitar uma avaliao da prtica da ordenao feminina no desenvolver dos sculos. Quando a tradio preserva a verdade e a sua prtica, ela deve ser honrada (1 Co 11:2-3). Logo, a ausente tradio de se ordenar mulheres tem que ter uma explicao, alm da acusao simplista das feministas de que a Igreja sempre foi androcntrica!2. A interpretao exegtica de textos bblicos que oferecem alguma possibilidade para a ordenao de mulheres na liderana como um princpio regulador. H evidncias a partir do texto bblico que a comunidade crist do primeiro sculo possua uma liderana feminina, ou que isto era prescrito como normativo, ou devemos considerar como um assunto aberto?3. A formulao teolgica sistematizada a partir do ensino geral das Escrituras acerca do princpio de autoridade, e da relao do homem e da mulher, e suas implicaes. A atual incluso feminina na liderana e nos ofcios deve ser interpretada como um desdobramento e progresso da eclesiologia reformada, ou como uma corrupo doutrinria?Este no um assunto fcil de ser discutido por vrios fatores. Primeiro, por causa da tenso que existe entre aqueles que so a favor e contra. Segundo, a complexidade do assunto. Terceiro, as implicaes prticas so intensas. Por isso, este assunto deve ser estudado com um fiel temor autoridade das Escrituras Sagradas, um senso crtico na abordagem dos argumentos que sejam a favor ou contra a ordenao feminina, tendo como alvo final a verdade, e evitando partidarismo defendido, mas visando o bem comum da Igreja de Cristo.

ndice

1. Um exame histrico da ordenao feminina

Os Pais da Igreja

A opinio dos reformadores

A posio dos Puritanos

O movimento feminista

A posio do Conselho Mundial de Igrejas

A orientao da Aliana Mundial das Igrejas Reformadas

As ltimas dcadas do sculo XX

2. Um exame exegtico da ordenao feminina

Avaliando a hermenutica feminista

Adotando uma hermenutica conservadora

Mulheres exercendo autoridade no Antigo Testamento

A ausncia de mulheres em At 6:1-6

O servio de Febe em Rm 16:1-2

A igualdade espiritual em Gl 3:28

O silncio das mulheres em 1 Co 14:33-35

A mesma exigncia das mulheres em 1 Tm 3:11

O propsito do critrio das vivas em 1 Tm 5:9-10

3. Um exame teolgico da ordenao feminina

Uma abordagem teolgica do igualitarismo

Uma abordagem teolgica do diferencialismo

A doutrina da ordenao na perspectiva reformada

4. Questes prticas da ordenao femininaA ordenao femininauma perspectiva reformada1. Um exame histrico da ordenao feminina

A breve anlise histrica verificar se houve mulheres exercendo reconhecidamente a liderana ordenada como liderana desde o sculo I. Iniciando com os escritos no-cannicos do primeiro sculo esta anlise se estender at ao movimento feminista cristo, descrevendo como ocorreu o processo de incluso de mulheres na liderana crist. A herana literria dos escritores e documentos da igreja o testemunho quanto prtica da ordenao de sua liderana.Os Pais da Igreja

Vide* excursus on the Deaconesses of the Early Church in: Nicene and Post-Nicene Fathers, vol. 14, p. 41.Martin Dreher, A Igreja no Imprio Romano, vol. 1, pgs. 38-46

A Didaqu (escrito entre 80-90 d.C.)

Este pequeno livro foi o primeiro manual de preparao para batismo e instruo na f da comunidade crist. Ele contm princpios e ordenanas simples para moral crist, falsos lderes, heresias, orientaes litrgicas e de ordem eclesistica. Quanto liderana da igreja local ele prescreve aos seus leitores que escolham para vocs bispos e diconos dignos do Senhor. Eles devem ser homens mansos, desprendidos do dinheiro, verazes e provados, porque eles tambm exercem para vocs o ministrio dos profetas e dos mestres. No instrudo a ordenao de mulheres na liderana das igrejas locais, mas preceito que sejam homens.A carta de Clemente de Roma aos Corntios (95-96 d.C.)

Esta uma longa carta, escrita com vrias menes aos escritos do apstolo Paulo, reforada com admoestaes morais e com o objetivo de restabelecer a paz e a concrdia na comunidade crist de Corinto. Alm da rebeldia caracterstica dos membros da comunidade, parece que a igreja de Corinto possua uma liderana masculina fraca, pelo fato de anos antes Paulo indagar se no h, porventura, nem ao menos um sbio entre vs, que possa julgar no meio da irmandade? (1 Co 6:5, ARA).

repreendendo a igreja de Corinto a submeter-se aos seus lderes que Clemente de Roma orienta acerca da disciplina comunitria. Nas referncias aos lderes da igreja, Clemente no menciona mulheres. Por exemplo, quando interpreta alegoricamente, o texto de Is 60:17, como uma predio da existncia de bispos [supervisores] e diconos na Igreja da nova Aliana, ele escreve que os apstolos

pregavam pelos campos e cidades, e a produziam suas primcias, provando-as pelo Esprito, a fim de instituir com elas bispos e diconos dos futuros fiis. Isso no era algo novo: desde h muito tempo, a Escritura falava dos bispos e dos diconos. Com efeito, em algum lugar est escrito: estabelecerei seus bispos na justia e seus diconos na f.

Em toda a sua carta Clemente no cogita da existncia, nem da possibilidade de se ter uma liderana feminina ordenada naquela regio.

As cartas de Incio de Antioquia (110 d.C.)

As comunidades crists que receberam as cartas de Incio estavam sendo exortadas a manterem-se na unidade do ensino cristo. Todas as cartas possuem um esquema comum: 1) uma saudao inicial; 2) elogio das qualidades da igreja local; 3) recomendaes contra as heresias; 4) a necessidade de manter-se na unidade sob a liderana crist ordenada; 5) uma saudao final, acompanhado com pedidos de orao.Em suas cartas, quando Incio fala do bispo, ele o difere dos demais presbteros. Todavia, possvel que esteja usando o termo bispo como aquele que preside dentre os demais presbteros, e no sugerindo uma estrutura episcopal de governo na igreja. O dicono no menos importante na exortao de Incio. Mas, para o nosso objetivo deve se notar que quando h a meno de nomes dos lderes no corpo das cartas, no aparecem mulheres. Segue algumas citaes das cartas de Incio quanto liderana das igrejas.1. Carta aos Efsios preciso glorificar de todos os modos a Jesus Cristo, que vos glorificou, a fim de que, reunidos na mesma obedincia, submetidos ao bispo e ao presbtero, sejais santificados em todas as coisas.

2. Carta aos MagnsiosTive a honra de vos ver na pessoa de Damas, vosso bispo digno de Deus, e na pessoa de vossos dignos presbteros Basso e Apolnio, como tambm do dicono Zotion, meu companheiro de servio, de cuja presena espero sempre usufruir.

...estejais dispostos a fazer todas as coisas na concrdia de Deus, sob a presidncia do bispo, que ocupa o lugar de Deus, dos presbteros, que representam o colgio dos apstolos, e dos diconos, que so muitos caros para mim, aos quais foi confiado o servio de Jesus Cristo, que antes dos sculos estava junto do Pai e por fim se manifestou.

Assim, como o Senhor nada fez, nem por si mesmo nem por meio de seus apstolos, sem o Pai, com o qual ele um, tambm vs no faais nada sem o bispo e os presbteros.

3. Carta aos Tralianos

Da mesma forma, todos respeitem os diconos como a Jesus Cristo, e tambm ao bispo, que imagem do Pai, e os presbteros como assemblia dos apstolos.4. Carta aos Filadelfienses...sobretudo, se os seus fiis permanecerem unidos com o bispo, com os presbteros e os diconos que esto com ele, estabelecidos conforme o pensamento de Jesus Cristo....

Permanecei unidos ao bispo, ao presbitrio e aos diconos (...). No faais nada sem o bispo, guardai vosso corpo como templo de Deus, amai a unio, fugi das divises, sede imitadores de Jesus Cristo, como ele tambm o do seu Pai.

5. Carta aos Esmirniotas

Segui o bispo, com