Texto Ordenação Feminina - TOKASHIKI

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    14-Sep-2015

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Uma anlise sobre os argumentos para a ordenao feminina.

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<p>A ordenao feminina</p> <p>PAGE 19</p> <p>- Ordenao Feminina -uma perspectiva complementaristaRev. Ewerton B. Tokashiki</p> <p>Igreja Presbiteriana do Brasilltima reviso 27/10/2013Porto VelhoIntroduoA questoPorque no ordenamos mulheres para o exerccio dos ofcios de liderana? Esta uma questo que precisa ser respondida. A nossa posio deve ser livre das acusaes de machismo, obscurantismo e de que somos alienados s mudanas sociais da ps-modernidade. Pelo menos trs argumentos gerais so usados pelos que advogam a ordenao feminina:</p> <p>1. As mulheres maioria nas igrejas, por que devem ser lideradas por uma liderana minoritria de homens?2. notrio que as mulheres cada vez mais participam em funes de liderana na sociedade, por que no nas igrejas?3. As denominaes protestantes histricas esto ordenando mulheres. Sabemos que denominaes com abertura ao liberalismo teolgico como a Igreja Metodista do Brasil, a Igreja Evanglica de Confisso Luterana e a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil tm ordenado mulheres. Ultimamente a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil e a Conveno Batista Brasileira ordenam mulheres ao cargo de pastor.Diante desta presso, primeiramente precisamos nos perguntar qual deve ser o critrio para decidirmos, ou no, ordenar as nossas irms. Deve ser a presso social, onde a opinio pblica encontra-se seduzida pelo movimento feminista, em moldes de igualdade, seno superioridade aos homens? Seria o critrio do pragmatismo, reconhecendo que muitas mulheres tm assumido a responsabilidade de liderar, mesmo sem ordenao, enquanto os homens so omissos em seus deveres na famlia, na igreja e na sociedade? Ou, ainda deveramos considerar as estatsticas que apresentam mudanas quanto ao nmero de denominaes que tm ordenado mulheres?Uma trplice respostaPara responder esta fatdica pergunta necessrio extrairmos a nossa concluso a partir de trs fontes:</p> <p>1. O testemunho da histria da Igreja crist. Os cristos em perodos consecutivos ou espordicos ordenaram mulheres? Perguntas como, quando, por que e quem certamente esclarecer a ocorrncia da prtica e possibilitar uma avaliao da prtica da ordenao feminina no desenvolver dos sculos. Quando a tradio preserva a verdade e a sua prtica, ela deve ser honrada (1 Co 11:2-3). Logo, a ausente tradio de se ordenar mulheres tem que ter uma explicao, alm da acusao simplista das feministas de que a Igreja sempre foi androcntrica!2. A interpretao exegtica de textos bblicos que oferecem alguma possibilidade para a ordenao de mulheres na liderana como um princpio regulador. H evidncias a partir do texto bblico que a comunidade crist do primeiro sculo possua uma liderana feminina, ou que isto era prescrito como normativo, ou devemos considerar como um assunto aberto?3. A formulao teolgica sistematizada a partir do ensino geral das Escrituras acerca do princpio de autoridade, e da relao do homem e da mulher, e suas implicaes. A atual incluso feminina na liderana e nos ofcios deve ser interpretada como um desdobramento e progresso da eclesiologia reformada, ou como uma corrupo doutrinria?Este no um assunto fcil de ser discutido por vrios fatores. Primeiro, por causa da tenso que existe entre aqueles que so a favor e contra. Segundo, a complexidade do assunto. Terceiro, as implicaes prticas so intensas. Por isso, este assunto deve ser estudado com um fiel temor autoridade das Escrituras Sagradas, um senso crtico na abordagem dos argumentos que sejam a favor ou contra a ordenao feminina, tendo como alvo final a verdade, e evitando partidarismo defendido, mas visando o bem comum da Igreja de Cristo.</p> <p>ndice</p> <p>1. Um exame histrico da ordenao feminina</p> <p>Os Pais da Igreja</p> <p>A opinio dos reformadores</p> <p>A posio dos Puritanos</p> <p>O movimento feminista</p> <p>A posio do Conselho Mundial de Igrejas</p> <p>A orientao da Aliana Mundial das Igrejas Reformadas</p> <p>As ltimas dcadas do sculo XX</p> <p>2. Um exame exegtico da ordenao feminina</p> <p>Avaliando a hermenutica feminista</p> <p>Adotando uma hermenutica conservadora</p> <p>Mulheres exercendo autoridade no Antigo Testamento</p> <p>A ausncia de mulheres em At 6:1-6</p> <p>O servio de Febe em Rm 16:1-2</p> <p>A igualdade espiritual em Gl 3:28</p> <p>O silncio das mulheres em 1 Co 14:33-35</p> <p>A mesma exigncia das mulheres em 1 Tm 3:11</p> <p>O propsito do critrio das vivas em 1 Tm 5:9-10</p> <p>3. Um exame teolgico da ordenao feminina</p> <p>Uma abordagem teolgica do igualitarismo</p> <p>Uma abordagem teolgica do diferencialismo</p> <p>A doutrina da ordenao na perspectiva reformada</p> <p>4. Questes prticas da ordenao femininaA ordenao femininauma perspectiva reformada1. Um exame histrico da ordenao feminina</p> <p>A breve anlise histrica verificar se houve mulheres exercendo reconhecidamente a liderana ordenada como liderana desde o sculo I. Iniciando com os escritos no-cannicos do primeiro sculo esta anlise se estender at ao movimento feminista cristo, descrevendo como ocorreu o processo de incluso de mulheres na liderana crist. A herana literria dos escritores e documentos da igreja o testemunho quanto prtica da ordenao de sua liderana.Os Pais da Igreja</p> <p>Vide* excursus on the Deaconesses of the Early Church in: Nicene and Post-Nicene Fathers, vol. 14, p. 41.Martin Dreher, A Igreja no Imprio Romano, vol. 1, pgs. 38-46</p> <p>A Didaqu (escrito entre 80-90 d.C.)</p> <p>Este pequeno livro foi o primeiro manual de preparao para batismo e instruo na f da comunidade crist. Ele contm princpios e ordenanas simples para moral crist, falsos lderes, heresias, orientaes litrgicas e de ordem eclesistica. Quanto liderana da igreja local ele prescreve aos seus leitores que escolham para vocs bispos e diconos dignos do Senhor. Eles devem ser homens mansos, desprendidos do dinheiro, verazes e provados, porque eles tambm exercem para vocs o ministrio dos profetas e dos mestres. No instrudo a ordenao de mulheres na liderana das igrejas locais, mas preceito que sejam homens.A carta de Clemente de Roma aos Corntios (95-96 d.C.)</p> <p>Esta uma longa carta, escrita com vrias menes aos escritos do apstolo Paulo, reforada com admoestaes morais e com o objetivo de restabelecer a paz e a concrdia na comunidade crist de Corinto. Alm da rebeldia caracterstica dos membros da comunidade, parece que a igreja de Corinto possua uma liderana masculina fraca, pelo fato de anos antes Paulo indagar se no h, porventura, nem ao menos um sbio entre vs, que possa julgar no meio da irmandade? (1 Co 6:5, ARA).</p> <p> repreendendo a igreja de Corinto a submeter-se aos seus lderes que Clemente de Roma orienta acerca da disciplina comunitria. Nas referncias aos lderes da igreja, Clemente no menciona mulheres. Por exemplo, quando interpreta alegoricamente, o texto de Is 60:17, como uma predio da existncia de bispos [supervisores] e diconos na Igreja da nova Aliana, ele escreve que os apstolos</p> <p>pregavam pelos campos e cidades, e a produziam suas primcias, provando-as pelo Esprito, a fim de instituir com elas bispos e diconos dos futuros fiis. Isso no era algo novo: desde h muito tempo, a Escritura falava dos bispos e dos diconos. Com efeito, em algum lugar est escrito: estabelecerei seus bispos na justia e seus diconos na f.</p> <p>Em toda a sua carta Clemente no cogita da existncia, nem da possibilidade de se ter uma liderana feminina ordenada naquela regio.</p> <p>As cartas de Incio de Antioquia (110 d.C.)</p> <p>As comunidades crists que receberam as cartas de Incio estavam sendo exortadas a manterem-se na unidade do ensino cristo. Todas as cartas possuem um esquema comum: 1) uma saudao inicial; 2) elogio das qualidades da igreja local; 3) recomendaes contra as heresias; 4) a necessidade de manter-se na unidade sob a liderana crist ordenada; 5) uma saudao final, acompanhado com pedidos de orao.Em suas cartas, quando Incio fala do bispo, ele o difere dos demais presbteros. Todavia, possvel que esteja usando o termo bispo como aquele que preside dentre os demais presbteros, e no sugerindo uma estrutura episcopal de governo na igreja. O dicono no menos importante na exortao de Incio. Mas, para o nosso objetivo deve se notar que quando h a meno de nomes dos lderes no corpo das cartas, no aparecem mulheres. Segue algumas citaes das cartas de Incio quanto liderana das igrejas.1. Carta aos Efsios preciso glorificar de todos os modos a Jesus Cristo, que vos glorificou, a fim de que, reunidos na mesma obedincia, submetidos ao bispo e ao presbtero, sejais santificados em todas as coisas.</p> <p>2. Carta aos MagnsiosTive a honra de vos ver na pessoa de Damas, vosso bispo digno de Deus, e na pessoa de vossos dignos presbteros Basso e Apolnio, como tambm do dicono Zotion, meu companheiro de servio, de cuja presena espero sempre usufruir.</p> <p>...estejais dispostos a fazer todas as coisas na concrdia de Deus, sob a presidncia do bispo, que ocupa o lugar de Deus, dos presbteros, que representam o colgio dos apstolos, e dos diconos, que so muitos caros para mim, aos quais foi confiado o servio de Jesus Cristo, que antes dos sculos estava junto do Pai e por fim se manifestou.</p> <p>Assim, como o Senhor nada fez, nem por si mesmo nem por meio de seus apstolos, sem o Pai, com o qual ele um, tambm vs no faais nada sem o bispo e os presbteros.</p> <p>3. Carta aos Tralianos</p> <p>Da mesma forma, todos respeitem os diconos como a Jesus Cristo, e tambm ao bispo, que imagem do Pai, e os presbteros como assemblia dos apstolos.4. Carta aos Filadelfienses...sobretudo, se os seus fiis permanecerem unidos com o bispo, com os presbteros e os diconos que esto com ele, estabelecidos conforme o pensamento de Jesus Cristo....</p> <p>Permanecei unidos ao bispo, ao presbitrio e aos diconos (...). No faais nada sem o bispo, guardai vosso corpo como templo de Deus, amai a unio, fugi das divises, sede imitadores de Jesus Cristo, como ele tambm o do seu Pai.</p> <p>5. Carta aos Esmirniotas</p> <p>Segui o bispo, como Jesus Cristo segue ao Pai, e ao presbitrio como aos apstolos; respeitai os diconos como lei de Deus.</p> <p>6. Carta a PolicarpoAtendei ao bispo, para que Deus vos atenda. Ofereo minha vida para os que submetem ao bispo, aos presbteros e aos diconos.</p> <p>A carta de Plnio o jovem a Trajano (113 d.C.)</p> <p>A carta de Plnio o jovem ao imperador romano Trajano tornou alvo de citao dos exegetas, telogos e historiadores por causa da sua meno a duas mulheres que foram presas por causa da f crist. Segundo alguns estudiosos esta carta seria uma evidncia documental de que existiram diaconisas na Igreja Crist no perodo do sculo II.Gaius Plinius Caecilius Secundus, conhecido como Plnio o jovem, foi governador da Bitnia, no era cristo, mas adquiriu fama pelos julgamentos imparciais de funcionrios e militares, e outros acusados de delitos polticos. Nesta carta ele explica como examinava o testemunho dos cristos nos interrogatrios. Ao relatar ao imperador romano Trajano sobre duas mulheres, escreve que julguei ser mais importante descobrir o que havia de verdade nessas declaraes atravs da tortura a duas moas, chamadas diaconisas, mas nada achei seno superstio baixa e extravagante.</p> <p>A traduo adotada por Bettenson no exata com o original latino que declara: ex duabus ancillis quae ministrae dicebantur (de duas escravas a quem chamam de servas). Ele adota uma traduo equvoca para a expresso latina duabus ancillis (duas escravas) preferindo verter por duas moas, o que no se justifica, pois, o termo no se refere idade das mulheres, mas ao seu status social.Mesmo insinuando a possibilidade de que estas duas mulheres fossem diaconisas, Bettenson esclarece que neste caso, aqui temos a ltima meno s diaconisas at o quarto sculo, momento em que elas reconquistaram certa importncia no Oriente. O que podemos concluir que estas mulheres exerciam alguma atividade especial na igreja, mas, no temos nenhuma informao especfica na carta de Plnio de que funo era. necessrio lembrar que Plnio menciona estas duas mulheres, a partir de informaes que lhe foram passadas, pois conforme ele mesmo declara neste relatrio nunca presenciei nenhum julgamento de cristos. O seu testemunho de algum que no conhecia a f e organizao crist de fonte autorizada, e o seu relato apenas circunstancial, e no uma descrio de um exame pessoal de fontes fidedignas.A carta de Policarpo aos Filipenses (115 d.C.)</p> <p>Ele exorta aos jovens que preciso que eles se abstenham de todas essas coisas [pecaminosas], e estejam submissos aos presbteros e aos diconos, como a Deus e a Cristo. Os diconos so colocados em merecida honra ao lado dos presbteros.</p> <p>Policarpo no indica mulheres no exerccio de nenhum destes ofcios. Entretanto, ele anteriormente menciona as vivas, que como o apstolo Paulo, requer que sejam dedicadas no servio da Igreja. Ele prescreve que estas vivas deveriam viver como sbias na f do Senhor e intercedam sem cessar por todos. Fiquem afastadas de toda calnia, maledicncia, falso testemunho, amor ao dinheiro, e qualquer mal. A instruo de Paulo no tencionava coloca-las numa posio de liderana, mas numa ocupao til para que no ficassem ociosas, enquanto eram amparadas pelo cuidado de toda a igreja. Parece que Policarpo segue a mesma tradio.A apologia de Justino de Roma (150 d.C.)</p> <p>Justino escreve uma apologia ao imperador Tito lio Adriano Antonino Pio Csar Augusto, em favor dos cristos que estavam sendo perseguidos injustamente. Em sua argumentao, ele descreve a liturgia das reunies crists em seus dias, ele menciona que os que entre ns se chamam ministros ou diconos do a cada um dos presentes parte do po, do vinho e da gua sobre os quais se pronunciou a ao de graas e os levam aos ausentes. Em outro lugar ele repete vem depois a distribuio e participao feita a cada um dos alimentos consagrados pela ao de graas e seu envio aos ausentes pelos diconos.ciou a a os quais se pronuarte do pcristente</p> <p> A carta de Zeferino aos bispos da Siclia (201 d.C.)</p> <p>Zeferino, bispo de Roma, instrui os bispos da Siclia que quanto ordenao de presbteros e levitas, seja solenemente realizada numa ocasio adequado, e na presena de muitas testemunhas; e, neste dever investigue e instrua homens, que possam se alegrar intensamente pela sua comunho e auxlio. Zeferino usa o termo levitas como sinnimo para diconos, e de forma explcita declara que estes lderes deveriam ser homens, no mencionando a participao de mulheres na liderana da igreja.O conclio de Neocesaria (315 d.C.)O conclio reuniu-se em Neocesaria, uma cidade do Ponto, este foi o primeiro Conclio Ecumnico de Nicia. Adotou os 15 cnons para o estabelecimento da organizao e ordenao eclesistica. O cnon XV deste conclio era que os diconos devem ser em nmero de sete, de acordo com o cnon, se a cidade for grande. Acerca disto podereis ser persuadidos como est no Livro de Atos. No somente o nmero sete, mas que deveriam ser sete homens escolhidos para o diaconato na igreja local.O conclio Niceno (325 d.C.)</p> <p>O ensino dos Apstolos (250-300 d.C.)</p> <p>A Constituio dos Santos Apstolos (381 d.C.)</p> <p>Este documento regulamenta o ofcio de diaconisa.O historiador batista A.H. Newman, que favorvel ordenao feminina, observa sem fundamentada evidncia que aparentemente reconhecidas...</p>