UNIVERSIDADE DE LISBOA - ?· Clarice Lispector , Felicidade Clandestina "Não há espaço neutro ou…

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    25-Jan-2019

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<p>UNIVERSIDADE DE LISBOA </p> <p>INSTITUTO DE EDUCAO </p> <p>As atividades integradoras no processo formativo dos cursos EFA NS </p> <p> estudo de caso numa escola secundria </p> <p>Teresa Paula Alves Duarte Gaspar </p> <p>DISSERTAO </p> <p>MESTRADO EM CINCIAS DA EDUCAO </p> <p>rea de Especializao em Formao de Adultos </p> <p>Ano 2012 </p> <p>UNIVERSIDADE DE LISBOA </p> <p>INSTITUTO DE EDUCAO </p> <p>As atividades integradoras no processo formativo dos cursos EFA - NS </p> <p> estudo de caso numa escola secundria </p> <p>Teresa Paula Alves Duarte Gaspar </p> <p> Dissertao orientada pelo Professor Doutor Rui Canrio </p> <p>MESTRADO EM CINCIAS DA EDUCAO </p> <p>rea de Especializao em Formao de Adultos </p> <p>Ano 2012 </p> <p>Meu enleio vem de que um tapete feito de tantos fios que no </p> <p>posso me resignar a seguir um fio s: meu enredamento vem de </p> <p>que uma histria feita de muitas histrias. E nem todas posso </p> <p>contar. </p> <p>Clarice Lispector , Felicidade Clandestina </p> <p>"No h espao neutro ou natural no ensino. () </p> <p>Aqui no um lugar indiferente" </p> <p>Jacques Derrida, "Onde comea e como acaba um corpo docente" in Polticas da </p> <p>Filosofia </p> <p>ndice </p> <p>RESUMO......................................................................................... vi </p> <p>ABSTRACT ..................................................................................... vi </p> <p>AGRADECIMENTOS ..................................................................... vii </p> <p>LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ......................................... viii </p> <p>INTRODUO .............................................................................. 10 </p> <p>CAPTULO I - PERCURSOS ......................................................... 13 </p> <p>1.1. A Casa .......................................................................... 13 </p> <p>1.1. A Escola ....................................................................... 15 </p> <p>1.2. A formao de adultos .................................................. 25 </p> <p>1.3. O Mundo ....................................................................... 35 </p> <p>CAPTULO II - EDUCAO E FORMAO DE ADULTOS: UMA </p> <p>PERSPECTIVA ............................................................................. 42 </p> <p>2.1. As polticas pblicas de educao e formao de adultos .. 42 </p> <p>2.2. O contexto europeu e o caso portugus ............................. 47 </p> <p>2.3. O conceito de Aprendizagem ao Longo da Vida e os modelos </p> <p>de educao e formao de adultos .......................................... 49 </p> <p>2.4. O contexto portugus: uma breve histria sobre a educao </p> <p>de adultos .................................................................................. 50 </p> <p>2.5. Os objetivos do Ensino Recorrente e da Educao </p> <p>Extraescolar......52 </p> <p>2.6. A ANEFA : mudana de paradigma? .................................. 54 </p> <p>CAPTULO III - OS CURSOS EFA .............................................. 56 </p> <p>3.1. Enquadramento dos cursos EFA ........................................ 56 </p> <p>3.2. A segunda fase dos Cursos EFA: caractersticas dos cursos </p> <p>EFA - NS.................................................................................... 59 </p> <p>3.3. Modelo de Formao e Organizao dos Cursos EFA - NS 62 </p> <p>3.3.1. A Atividade Integradora .................................................. 69 </p> <p>CAPTULO IV - A PESQUISA EMPRICA ..................................... 71 </p> <p>4.1. O problema ......................................................................... 71 </p> <p>4.2. Opes metodolgicas e procedimentos de investigao ... 72 </p> <p>4.2.1. Instrumentos74 </p> <p>4.3. Caracterizao da Escola ................................................... 76 </p> <p>4.4. Caracterizao dos cursos que constituem a amostra ........ 78 </p> <p>4.5. Caracterizao da equipa pedaggica ................................ 81 </p> <p>4.6. Planificao das Atividades Integradoras ........................... 82 </p> <p>4.7. Desenvolvimento das Atividades Integradoras ................... 86 </p> <p>4.7.1. Perspectiva dos formadores e mediadores .................... 86 </p> <p>4.7.2. Perspectiva dos formandos ........................................... 92 </p> <p>4.7.3. Anlise dos questionrios .............................................. 93 </p> <p> 4.7.3.1. Temas93 </p> <p> 4.7.3.2. Metodologia..95 </p> <p> 4.7.3.3. Formadores..97 </p> <p> 4.7.3.4. Gesto de Recursos...98 </p> <p> 4.7.3.5. Avaliao da Atividade Integradora99 </p> <p> 4.7.3.6. Aspectos Positivos e Negativos..100 </p> <p>4.8. Anlise Geral dos Resultados ........................................... 102 </p> <p>CONCLUSO .............................................................................. 105 </p> <p>BIBLIOGRAFIA ........................................................................... 109 </p> <p>ANEXOS ..................................................................................... 112 </p> <p>ANEXO I Percursos formativos nos cursos EFA-NS................. 113 </p> <p>ANEXO II Verses do referenciais dos cursos EFA-NS ............ 114 </p> <p>ANEXO III Material de apoio das atividades integradoras ........ 116 </p> <p>ANEXO IV - Grelhas de autoavaliao e de avaliao da atividade </p> <p>integradora dos formandos .......................................................... 130 </p> <p>ANEXO V - Questionrio de avaliao das atividades realizada </p> <p>pelos formandos .......................................................................... 133 </p> <p>vi </p> <p>RESUMO </p> <p>O estudo de caso que aqui apresentamos tem como objetivos analisar e avaliar </p> <p>as prticas pedaggicas, desenvolvidas nos Cursos de Educao e Formao </p> <p>de Adultos de Nvel Secundrio, no mbito das Atividades Integradoras e, </p> <p>deste modo, contribuir para uma melhoria das prticas feitas neste domnio. </p> <p>Propomo-nos dar conhecimento da abordagem efetuada pelas equipas tcnico-</p> <p>pedaggicas, num contexto formativo localizado no tempo e no espao, ao </p> <p>proposto na legislao, que regula o funcionamento destes cursos, bem como </p> <p>ao que indicado pelo Guia de Operacionalizao dos Cursos de Educao e </p> <p>Formao. </p> <p>Palavras-chave: atividades integradoras, cursos de formao e educao de </p> <p>adultos, educao de adultos </p> <p>ABSTRACT </p> <p>The study case presented here aims to analyze and evaluate teaching </p> <p>practices, developed in the Courses of Education and Training of Adults of the </p> <p>Secondary Level, in what concerns Integrative activities and thus to contribute </p> <p>to an improvement of the practices done in this area. Our purpose is to give </p> <p>information of the approach taken by the technical and pedagogical teams, in a </p> <p>formative context in time and space, according to what is proposed in the </p> <p>legislation, which regulates the functioning of these courses, as well as to what </p> <p>is indicated in the Guide of Operationalization of the Courses of Education and </p> <p>Training for Adults. </p> <p>Keywords: integrative activities, courses of education and training of adults, </p> <p>education of adults </p> <p>vii </p> <p>AGRADECIMENTOS </p> <p>A realizao do presente estudo s foi possvel com a colaborao de algumas </p> <p>pessoas a quem gostaria de expressar os meus agradecimentos. </p> <p>Aos formandos pelo facto de me ensinarem quotidianamente que a experincia </p> <p>humana vasta e que estamos sempre em situao de aprendizagem. </p> <p>Aos meus colegas que com as suas mltiplas interrogaes permitiram </p> <p>perceber que qualquer projeto para ser bem sucedido tem que envolver todos </p> <p>os seus participantes. </p> <p>Ao Professor Doutor Rui Canrio pela disponibilidade que manifestou, desde o </p> <p>incio, na orientao deste trabalho. </p> <p> minha famlia e em especial aos meus pais que me mostraram que todos os </p> <p>recomeos so oportunidades de sermos melhores. Ins porque desde o seu </p> <p>nascimento o meu mundo ficou mais radioso. </p> <p>Aos meus amigos porque as suas existncias iluminam os meus dias. </p> <p>Um bem-haja a todos os que contriburam, de alguma forma, para a realizao </p> <p>deste projeto. </p> <p>viii </p> <p>LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS </p> <p>AI Atividade Integradora </p> <p>ANEFA Agncia Nacional de Educao e Formao de Adultos </p> <p>ALV Aprendizagem ao Longo da Vida </p> <p>ANQ Agncia Nacional para a Qualificao </p> <p>CE Comisso Europeia </p> <p>CLC Cultura, Lngua e Comunicao </p> <p>CNO Centro Novas Oportunidades </p> <p>CP Cidadania e Profissionalidade </p> <p>CLC Cultura Lngua e Comunicao </p> <p>DGFV Direo Geral de Formao Vocacional </p> <p>DRA Domnio de Referncia para a Aco </p> <p>EFA Educao e Formao de Adultos </p> <p>EFA NS - Educao e Formao de Adultos de Nvel Secundrio </p> <p>ELV Educao ao Longo da Vida </p> <p>GOCEFA - Guia de Operacionalizao dos Cursos de Educao e Formao </p> <p>de Adultos </p> <p>I.P. Instituto de Emprego </p> <p>I.E.F.P Instituto de Emprego e Formao Profissional </p> <p>ME Ministrio da Educao </p> <p>ix </p> <p>OCDE Organizao para a Cooperao e Desenvolvimento Econmico </p> <p>PNAEBA Plano Nacional de Alfabetizao e Educao de Base de Adultos </p> <p>PNUD Plano das Naes Unidas para o Desenvolvimento Humano </p> <p>POPH Programa Operacional do Potencial Humano </p> <p>PRA Porteflio Reflexivo de Aprendizagens </p> <p>RMG Rendimento Mnimo Garantido </p> <p>QREN Quadro de Referncia Estratgico Nacional </p> <p>RVCC Reconhecimento, validao, certificao de competncias </p> <p>STC Sociedade Tecnologia e Cincia </p> <p>UE Unio Europeia </p> <p>UNESCO United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization </p> <p>10 </p> <p>INTRODUO </p> <p>A presente dissertao estruturou-se a partir de dois elementos fundamentais: </p> <p>a necessidade de saber mais sobre a educao de adultos, em geral, e a de </p> <p>analisar as metodologias de trabalho utilizadas no mbito dos cursos EFA- NS, </p> <p>nomeadamente no desenvolvimento das atividades integradoras. Apesar de </p> <p>trabalhar com adultos desde o incio da minha carreira docente, o que implicou </p> <p>o conhecimento de diferentes modelos de ensino/formao dirigidos a este tipo </p> <p>de pblico, considerei que desconhecia parte considervel do debate que, quer </p> <p>em termos nacionais quer em termos internacionais, se tem produzindo em </p> <p>relao educao/formao de adultos. </p> <p>A aprendizagem que foi sendo feita ao longo dos anos de trabalho com adultos </p> <p>sofreu uma alterao significativa a partir do momento em que integrei a equipa </p> <p>do Centro de Novas Oportunidades (CNO) e me tornei formadora nos </p> <p>processos de RVCC (Reconhecimento, Validao e Certificao de </p> <p>Competncias) e nos cursos EFA-NS (Educao e Formao de Adultos de </p> <p>Nvel Secundrio). As metodologias implcitas naqueles dois percursos distintos </p> <p>permitiram-me uma reflexo mais aturada sobre a especificidade do trabalho </p> <p>com adultos. Reconheo que o trabalho que desenvolvi, enquanto docente de </p> <p>Filosofia e de Psicologia, nos cursos complementares noturnos e no ensino </p> <p>recorrente por unidades ou por mdulos capitalizveis despertaram alguns </p> <p>tpicos de reflexo mas situavam-se ao nvel do reconhecimento das </p> <p>dificuldades dos alunos completarem ciclos de ensino, que em tudo eram </p> <p>semelhantes aos exigidos nos mesmos nveis do ensino diurno e dirigido a </p> <p>outras faixas etrias, quando tinham vidas profissionais e pessoais complexas. </p> <p>A gesto do tempo dos alunos e a relao que estes tinham com as entidades </p> <p>empregadoras, que muitas vezes utilizavam processos dissuasores em relao </p> <p> utilizao do estatuto de trabalhador-estudante, sempre me suscitaram mais </p> <p>inquietaes do que a necessidade de criao de modelos formativos </p> <p>alternativos que valorizassem tivessem as aprendizagens que os adultos </p> <p>efetuaram ao longo da sua vida e em contextos informais, no-formais ou </p> <p>mesmo formais. </p> <p>11 </p> <p>Reconhecendo que os cursos EFA foram construdos visando atingir um </p> <p>objetivo dominante: constiturem-se como um instrumento estratgico </p> <p>privilegiado visando a qualificao da populao adulta queremos perceber se </p> <p>para alm deste objetivo podero conduzir ao desenvolvimento de saberes que </p> <p>ultrapassem um estrito domnio instrumental. </p> <p>Pretendemos igualmente verificar se as Atividades Integradoras (AI) </p> <p>evidenciam a aplicao de uma metodologia diversa daquela aplicada a </p> <p>pblicos aprendentes de outras faixas etrias, indo ao encontro, por um lado, </p> <p>do disposto nos documentos de orientao aplicao destes cursos e, por </p> <p>outro, se promovem o desenvolvimento da autonomia e esprito crtico dos </p> <p>formandos, potenciando uma transformao individual sugerida pelos contextos </p> <p>de aprendizagem e onde os sujeitos aprendentes so, ao mesmo tempo </p> <p>construtores desses contextos, ou se estes cursos respondem apenas ao </p> <p>desiderato das elevao das qualificaes dos adultos sugerindo estratgias </p> <p>escolarizantes que visam apenas a certificao. </p> <p> neste contexto que sero analisados os processos inerentes ao </p> <p>desenvolvimento das AI, em quatro cursos EFA- NS, com os quais trabalhei, </p> <p>tendo por base uma pesquisa emprica e seguindo os pressupostos </p> <p>metodolgicos do estudo de caso. </p> <p>Os objetivos que pretendemos atingir com o presente trabalho, descritos de </p> <p>forma mais global so: adquirir conhecimentos no mbito da Educao de </p> <p>Adultos; reconhecer a especificidade dos Cursos EFA-NS no mbito das </p> <p>propostas institucionais para a educao e formao de adultos; identificar </p> <p>metodologias e prticas inerentes aos cursos em anlise; reconhecer as mais-</p> <p>valias e as insuficincias das prticas desenvolvidas nas AI; perceber se o </p> <p>desenvolvimento das AI representa uma rutura com o modelo escolar ou se </p> <p>representa a continuidade e, por ltimo, se estas metodologias representam a </p> <p>apropriao de uma estratgia significante para os formandos enquanto </p> <p>promotora de uma transformao individual reconhecida como tal. </p> <p>12 </p> <p>O presente trabalho apresentar a seguinte estrutura: captulo I </p> <p>apresentaremos uma breve digresso sobre como me tornei na formadora que </p> <p>sou. </p> <p>No Captulo II faremos um breve enquadramento terico onde abordaremos </p> <p>conceitos-chave das temticas em anlise, especialmente sobre o impacto do </p> <p>conceito de Aprendizagem ao Longo da Vida na definio das polticas pblicas </p> <p>dirigidas educao e formao de adultos em Portugal. No captulo III </p> <p>apresentaremos os Cursos EFA, contextualizando o seu aparecimento no seio </p> <p>das polticas pblicas que visam a Educao e Formao de Adultos. </p> <p>No captulo IV apresentaremos o nosso estudo emprico, sob o ponto de vista </p> <p>das opes metodolgicas e procedimentos de investigao. Procederemos </p> <p>apresentao da estrutura que esteve na base de toda a investigao e os </p> <p>resultados obtidos, mostrando como se organizam as AI no mbito dos curso </p> <p>EFA, quem so os seus atores (formandos e formadores), o espao e as </p> <p>circunstncias em que decorrem, os objetivos que so (ou no) atingidos, de </p> <p>modo a podermos responder s nossas questes de partida. </p> <p>Nas concluses, procuraremos proceder a uma avaliao crtica dos processos </p> <p>inerentes ao desenvolvimento das AI e teceremos consideraes sobre a </p> <p>problemtica em estudo. Procuraremos responder s questes colocadas, as </p> <p>quais se prendem com as prticas usadas nos EFA-NS, e em que lgica que </p> <p>o Curso em estudo se centra, isto , numa concreo human...</p>