UNIVERSIDADE DE SOROCABA PRÓ-REITORIA ACADÊMICA pta.uniso.br/documentos/discentes/2018/wagner-  ·…

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    12-Feb-2019

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<p>UNIVERSIDADE DE SOROCABA </p> <p>PR-REITORIA ACADMICA </p> <p>PROCESSOS TECNOLGICOS E AMBIENTAIS </p> <p>Wagner Vieira Rodrigues </p> <p>RELATRIO TCNICO SOBRE A RECUPERAO AMBIENTAL EM </p> <p>REA CONTENDO AREIA DE FUNDIO </p> <p>Sorocaba/SP </p> <p>2018 </p> <p>2</p> <p>Wagner Vieira Rodrigues </p> <p>RELATRIO TCNICO SOBRE A RECUPERAO </p> <p>AMBIENTAL EM REA CONTENDO AREIA DE FUNDIO </p> <p>Dissertao apresentada como </p> <p>requisito parcial para obteno do grau </p> <p>de Mestre banca examinadora do </p> <p>Programa de ps-graduao em </p> <p>Processos Tecnolgicos e Ambientais </p> <p>da Universidade de Sorocaba como </p> <p>exigncia para obteno do ttulo de </p> <p>Mestre em Processos Tecnolgicos e </p> <p>Ambientais. </p> <p>Orientadora: Profa. Dra. Angela </p> <p>Faustino Jozala </p> <p>Sorocaba/SP </p> <p>2018 </p> <p>3</p> <p>Wagner Vieira Rodrigues </p> <p>RELATRIO TCNICO SOBRE A RECUPERAO </p> <p>AMBIENTAL EM REA CONTENDO AREIA DE FUNDIO </p> <p>Dissertao apresentada como requisito parcial para obteno do grau de Mestre banca examinadora do Programa de ps-graduao em Processos Tecnolgicos e Ambientais da Universidade de Sorocaba como exigncia para obteno do ttulo de Mestre em Processos Tecnolgicos e Ambientais. </p> <p>Aprovado em: ____/_____/_____ </p> <p>BANCA EXAMINADORA </p> <p>________________________________________ Profa. Dra. Angela Faustino Jozala </p> <p>Universidade de Sorocaba </p> <p>________________________________________ Prof. Dr. Darllan Collins da Cunha e Silva </p> <p>Universidade de Sorocaba </p> <p>_______________________________________ Prof. Dr. Norberto Aranha Universidade de Sorocaba </p> <p>4</p> <p>A minha esposa, Valria e meus filhos, </p> <p>Renan e Rafaelle, alicerces de minha </p> <p>existncia. </p> <p>5</p> <p> AGRADECIMENTOS </p> <p>Em primeiro lugar a DEUS, que meu deu a essncia da minha vida, que </p> <p>me proporcionou fora e sade, iluminou o meu caminho durante esta </p> <p>caminhada e sempre me prestou o socorro nas horas de angstia. </p> <p>A minha esposa, Valria, meus filhos, Renan e Rafaelle. </p> <p>Aos meus pais e irmos. </p> <p>Ao corpo docente do curso de mestrado da Universidade de Sorocaba, </p> <p>especialmente, a Dr. ngela Faustino Jozala, pelas orientaes no </p> <p>desenvolvimento deste trabalho. </p> <p>Muito obrigado! </p> <p>6</p> <p>Quando a ltima rvore for cortada, quando o ltimo rio for </p> <p>poludo, quando o ltimo peixe e animais forem mortos, a o </p> <p>homem ir perceber que o dinheiro no se come (Provrbio </p> <p>indgena norte-americano) </p> <p>7</p> <p>RESUMO </p> <p>A questo da recuperao ambiental resultante de contaminao de solos por </p> <p>uso indevido e descartes vem se evidenciando como fator de influncia no rigor </p> <p>das fiscalizaes, legislaes e normas a serem seguidas nas licenas de </p> <p>operaes referentes aos depsitos de resduos slidos. Neste trabalho sero </p> <p>apresentados os procedimentos logsticos da recuperao ambiental de uma </p> <p>rea de 6.000 m com solo contaminado por resduos com areia de fundio. </p> <p>Trata-se de uma rea de preservao permanente que sofreu um passivo </p> <p>ambiental gerando penalidade imposta pelo Termo de Compromisso de </p> <p>Recuperao Ambiental, que determinou o plantio de 1.020 mudas de espcies </p> <p>nativas. Para o cumprimento do Termo, foram aplicados na recuperao do </p> <p>local os adubos qumicos NPK 04-14-08, calcrio em conjunto com adubos </p> <p>orgnicos, compostos de terra vegetal, esterco animal e bagao de cana-de-</p> <p>acar. O processo foi monitorado, as falhas corrigidas e os resultados </p> <p>medidos. A mistura dos adubos qumicos e orgnicos favoreceu o controle da </p> <p>temperatura do solo e, consequentemente, o surgimento de vegetaes </p> <p>rasteiras, alm de possibilitar o desenvolvimento das mudas. </p> <p>Palavras-chave: Recuperao ambiental. Bagao de cana-de-acar. Areia de </p> <p>fundio. Adubos qumicos. Temperatura do solo. </p> <p>8</p> <p> ABSTRACT </p> <p>The issue related to environmental recovery resulting from land contamination </p> <p>due to improper use of the land and contaminated discards has been evidenced </p> <p>as a factor of influence in the rigor of the inspections, legislation and norms to </p> <p>be followed by companies regarding deposit of solid residues. In this technical </p> <p>report, we present the procedures in logistics of the environmental recovery of </p> <p>an area of 6,000 m with soil containing foundry sand residues. It is about a </p> <p>permanent preservation area that suffered an environmental liability generating </p> <p>a penalty imposed by the Term of Commitment of Environmental Recovery, </p> <p>which determined the planting of 1,020 seedlings of native species from the </p> <p>region. To comply with the Term, the chemical fertilizers NPK 04-14-08, </p> <p>limestone in conjunction with organic fertilizers, composed of vegetal soil, cattle </p> <p>manure and sugarcane bagasse were applied to the on-site recovery. The </p> <p>process was monitored, the faults were corrected, and the results were </p> <p>measured. The mixture of chemical and organic fertilizers favored the control of </p> <p>soil temperature and, consequently, the appearance of undergrowth vegetation, </p> <p>besides allowing the development of seedlings. </p> <p>Keywords: Environmental recovery. Sugarcane bagasse. Casting sand. </p> <p>Chemical fertilizers. Soil temperature. </p> <p>. </p> <p>9</p> <p> LISTA DE FIGURAS </p> <p>Figura 1 Depsito de areia verde com argila .............................................. 20 </p> <p>Figura 2 - Comparao entre a areia verde (de cor branca) e a areia de </p> <p>fundio (de cor preta) .................................................................... 20 </p> <p>Figura 3 Resduos de areia de fundio ........................................................ 21 </p> <p>Figura 4 - Fluxograma de trabalho de recuperao ambiental ......................... 22 </p> <p>Figura 5 - Delimitao da rea destinada recuperao ambiental ................ 23 </p> <p>Figura 6 - Diviso da rea total em setores de recuperao ............................ 24 </p> <p>Figura 7 - Adubo de origem animal .................................................................. 27 </p> <p>Figura 8 Broca utilizada para a abertura de furos no solo ............................. 29 </p> <p>Figura 9 Furo contendo a mistura de produtos orgnicos e inorgnicos ....... 29 </p> <p>Figura 10 Amostras enviadas para anlise de solo ....................................... 30 </p> <p>Figura 11 rea demarcada em recuperao ................................................. 32 </p> <p>Figura 12 Solo tratado e o surgimento de vegetao rasteira ....................... 35 </p> <p>Figura 13 Incio do reflorestamento - 2012 .................................................... 35 </p> <p>Figura 14 Estgio inicial de regenerao ano de 2016.................................. 36 </p> <p>Figura 15 Plantas em estgio de desenvolvimento - 2016 ............................ 37 </p> <p>Figura 16 Plantas em estgio de desenvolvimento - 2017 ............................ 37 </p> <p>Figura 17 Apresentao do solo aps tratamento com produtos orgnicos e </p> <p>qumicos .......................................................................................... 38 </p> <p>Figura 18 Medio de uma Paineira rosa fase inicial da regenerao ....... 38 </p> <p>Figura 19 - Circunferncia aps cinco anos do plantio - Tingui ........................ 39 </p> <p>Figura 20 Circunferncia aps cinco anos do plantio - Pau dalho ................ 39 </p> <p>Figura 21 Circunferncia aps cinco anos do plantio Ip amarelo ............. 40 </p> <p>1</p> <p>0 </p> <p>LISTA DE SIGLAS </p> <p>ABIFA Associao Brasileira de Fundio </p> <p>ABNT Associao Brasileira de Normas Tcnicas </p> <p>ABETRE Associao Brasileira de Tratamento de Resduos Slidos </p> <p>APA rea de Proteo Ambiental </p> <p>APP rea de Preservao Permanente </p> <p>ART Anotao de Responsabilidade Tcnica </p> <p>CFA Coordenadoria de Fiscalizao Ambiental </p> <p>CETESB Companhia Ambiental do Estado de So Paulo </p> <p>CIESP Centro das Indstrias do Estado de So Paulo </p> <p>CONAMA Conselho Nacional de Meio Ambiente </p> <p>FENAF Feira Latino-americana de Fundio </p> <p>NPK Nitrognio (N), Fsforo (P), Potssio (K) </p> <p>SMA Secretria do Meio Ambiente </p> <p>SGA Sistema de Gesto Ambiental </p> <p>TCRA Termo de Compromisso de Recuperao Ambiental. </p> <p>1</p> <p>1 </p> <p> SUMRIO </p> <p> 1 INTRODUO ............................................................................................. 12 2 OBJETIVOS ................................................................................................. 14 2.1 OBJETIVO GERAL ........................................................................................ 14 2.2 OBJETIVOS ESPECFICOS ............................................................................. 14 3 REVISO BIBLIOGRFICA ........................................................................ 15 3.1 RECUPERAO AMBIENTAL .......................................................................... 16 3.2 RESTAURAO AMBIENTAL .......................................................................... 16 3.3 RESOLUES DA SECRETRIA DO MEIO AMBIENTE (SMA) ............................. 17 3.4 RESDUOS SLIDOS GERADOS POR INDSTRIAS DE FUNDIO ......................... 18 3.5 LEIS DE CRIMES AMBIENTAIS ........................................................................ 21 4 MATERIAL E MTODOS ............................................................................ 22 4.1 DELIMITAO DA REA A SER RECUPERADA .................................................. 23 4.2 ANLISE DE TEMPERATURA DO SOLO ............................................................ 24 4.3 UTILIZAO DE COMPOSTOS ORGNICOS E INORGNICOS NA RECUPERAO DO SOLO...................................................................................................................25 4.3.1 Produtos qumicos e suas funes no solo ..................................... 25 4.3.2 Produtos orgnicos e suas funes no solo .................................... 26 4.3.3 Adubo de origem animal ..................................................................... 26 4.3.4 Bagao de cana-de-acar ................................................................. 27 4.4 EXECUO DOS ESTUDOS NAS REAS DELIMITADAS ....................................... 28 5 RESULTADOS E DISCUSSO ................................................................... 30 5.1 ANLISE E TEMPERATURA DO SOLO .............................................................. 30 5.2 TRATAMENTO DO SOLO ................................................................................ 31 5.3 REFLORESTAMENTO: PLANTIO DAS MUDAS .................................................... 34 6 CONCLUSO .............................................................................................. 41 REFERNCIAS ................................................................................................ 43 APNDICE A INVENTRIO FLORESTAL: RELAO DE MUDAS PLANTADAS NA REA DE RECUPERAO AMBIENTAL ......................... 46 ANEXO A RESULTADOS DE ANLISE DE SOLO ..................................... 47 </p> <p>12 </p> <p>1 INTRODUO </p> <p>Os nmeros referentes gerao de resduos slidos revelam um total </p> <p>anual de quase 78,3 milhes de toneladas no Brasil, resultante de uma queda </p> <p>de 2% no montante gerado em relao a 2015, segundo o relatrio de 2016 da </p> <p>Associao Brasileira de Empresas de Limpeza Pblica e Resduos Especiais </p> <p>(ABRELPE, 2016). Outro levantamento, realizado pela mesma instituio, </p> <p>relata que apenas 22% dos resduos industriais tm a destinao correta, </p> <p>sendo que os 78% restantes so despejados no meio ambiente de forma </p> <p>irregular. </p> <p>De 2009 a 2017, a indstria brasileira de fundio vem sofrendo um </p> <p>declnio significativo em sua produo, interrompendo um ciclo de recordes </p> <p>consecutivos em anos anteriores. J no ano de 2017, num sinal positivo de </p> <p>recuperao, a produo foi de 2.215,7 mil toneladas fundidas; 5,4% mais do </p> <p>que no ano anterior. Esse resultado se deve, principalmente indstria </p> <p>automotiva que a principal consumidora de fundido no pas, sendo em grande </p> <p>parte impulsionada pela exportao. Os prognsticos para 2018 so otimistas </p> <p>no setor automobilstico, refletindo diretamente no setor de fundio. (ABIFA, </p> <p>2018). </p> <p>Segundo relatrio da Feira latino-americana de fundio (FENAF), o </p> <p>Brasil tem capacidade para produzir 4 milhes de toneladas de peas fundidas </p> <p>anualmente sendo que seu recorde foi em 2008, quando contabilizou 3,5 </p> <p>milhes de toneladas. A projeo de produo para 2017 era de 2,315 milhes </p> <p>de toneladas de peas fundidas e faturamento de US$ 7,5 bilhes. (ABIFA, </p> <p>2017 </p> <p>Todo esse desenvolvimento na indstria da fundio representa </p> <p>proporcional aumento no consumo de areia de fundio. No ano de 2014 </p> <p>(ltimo relatrio de que se dispe), um levantamento sobre a produo anual </p> <p>dos ltimos anos evidenciou que a produo de fundidos utilizando areia de </p> <p>fundio no Brasil atingira uma mdia de trs milhes de toneladas e os </p> <p>valores FOB desses fundidos permaneceu em torno de US$2,74/kg, totalizando </p> <p>13 </p> <p>um giro de oito bilhes de dlares, o que demonstra que esse seguimento se </p> <p>constitui em um grande setor da economia do Brasil (ABIFA, 2014). </p> <p>A antiga Metalrgica Barros Monteiro, fundada em Sorocaba pelos </p> <p>empresrios Joo Monteiro e Srgio Augusto da Silva Barros, foi a pioneira na </p> <p>dcada de 1970, especializada em metalurgia ferroviria, na fabricao de </p> <p>trilhos de trem. Silva Barros foi muito atuante nas pesquisas ferrovirias, tendo </p> <p>chegado a buscar tecnologias no Japo, o que lhe trouxe reconhecimento na </p> <p>poca, pelo Centro das Indstrias do Estado de So Paulo (CIESP), tornando-</p> <p>se referncia no setor industrial. Vendida para empresrios franceses nos anos </p> <p>final do 80, a empresa passou a se chamar Vossloh Cogifer do Brasil </p> <p>Metalrgica MBM S.A. </p> <p>Durante 41 anos a empresa utilizou uma rea de 6.000m de </p> <p>preservao permanente, s margens de uma lagoa e do Rio Sorocaba para </p> <p>descarte de resduos de areia de fundio. Por no ter as devidas licenas </p> <p>ambientais, a empresa foi autuada pela Policia Militar Ambiental, conforme </p> <p>processo Auto de Infrao Ambiental n 255.161/2011, onde foi firmado o </p> <p>Termo de Compromisso de Recuperao Ambiental para ser executado o </p> <p>plantio de 1.020 (mil e vinte) mudas de espcies nativas regionais, alm de </p> <p>estar obrigada a tomar medidas de remediao, medida estrutural, medida no </p> <p>estrutural, medidas corretivas, preventivas e inovadoras para a recuperao do </p> <p>solo. No ano de 2011, a Vossloh Cogifer do Brasil contratou uma empresa para </p> <p>a execuo dos servios de terraplanagem naquela rea, seguida do plantio </p> <p>das mudas. </p> <p>Entretanto, devido ao excesso de areia de fundio impregnada no solo, </p> <p>no se observou o desenvolvimento das plantas ou qualquer melhoria na </p> <p>regio, sendo que todas as mudas plantadas morreram. Passou-se, ento, </p> <p>agora sob nossos cuidados, ao tratamento de solo com a utilizao de adubos </p> <p>qumicos e orgnicos. Este trabalho busca apresentar os resultados dos </p> <p>mtodos utilizados nessa fase da recuperao do passivo ambiental da rea. </p> <p>14 </p> <p>2 OBJETIVOS </p> <p>2.1 Objetivo Geral </p> <p>Recuperar uma rea de 6.000m degradada por resduos slidos </p> <p>provenientes de uma indstria metalrgica especfica, na cidade de Sorocaba </p> <p>SP. </p> <p>2.2 Objetivos Especficos </p> <p> Caracteri...</p>