UNIVERSIDADE DE SOROCABA PRÓ-REITORIA ACADÊMICA ?· UNIVERSIDADE DE SOROCABA PRÓ-REITORIA ACADÊMICA…

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    22-Oct-2018

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<ul><li><p>UNIVERSIDADE DE SOROCABA </p><p>PR-REITORIA ACADMICA </p><p>PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM EDUCAO </p><p>Elaine Cristina de Matos Fernandez Perez </p><p>MEDICALIZAO E EDUCAO: </p><p>O ENTORPECIMENTO DA INFNCIA NO COTIDIANO ESCOLAR </p><p>Sorocaba/SP </p><p>2016</p></li><li><p>Elaine Cristina de Matos Fernandez Perez </p><p>MEDICALIZAO E EDUCAO: </p><p>O ENTORPECIMENTO DA INFNCIA NO COTIDIANO ESCOLAR </p><p>Tese apresentada banca Examinadora do Programa de Ps-Graduao em Educao da Universidade de Sorocaba, como exigncia parcial para obteno do ttulo de Doutor em Educao. </p><p>Orientadora: Prof. Dr. Eliete Jussara Nogueira </p><p>Sorocaba/SP </p><p>2016 </p></li><li><p> Ficha Catalogrfica </p><p>Perez, Elaine Cristina de Matos Fernandez </p><p>P514m Medicalizao e educao : o entorpecimento da infncia no </p><p>cotidiano escolar / Elaine Cristina de Matos Fernandez Perez. -- </p><p>2016. </p><p> 233 f. : il. </p><p> Orientadora: Profa. Dra. Eliete Jussara Nogueira </p><p> Tese (Doutorado em Educao) - Universidade de Sorocaba, </p><p>Sorocaba, SP, 2016. </p><p>1. Medicalizao. 2. Ambiente escolar. 3. Distrbios da </p><p>aprendizagem. 4. Educao. I Nogueira, Eliete Jussara Nogueira, </p><p>orient. II. Universidade de Sorocaba. III. Ttulo. </p></li><li><p>DEDICATRIA </p><p>A fora que vibra no meu ser, percepo de ligao, pertencimento. </p><p>Ao meu querido e amado Miguel, por sempre me incentivar e apoiar em tudo, nos </p><p>estudos, no trabalho, na vida. Aprendo com voc a belezura da generosidade e a </p><p>arte de tornar a vida leve. </p><p>Aos meus amados filhos Manolo, Paola e Santiago, pelo incentivo, pela ajuda e </p><p>compreenso grande paixo que tenho pelo estudo. </p><p>Aos meus amados pais, Orlando e Santa, por toda dedicao a mim e aos meus </p><p>seis irmos. Somos uma famlia recheada de caminhos. </p><p>Aos meus queridos e amados professores Hlio, Maria Lcia e Eliete, sempre </p><p>presentes nesse meu percurso. </p><p>Aos meus amados amigos e amigas, que na dana da nossa amizade, sempre me </p><p>ensinam novos passos. </p></li><li><p>AGRADECIMENTOS </p><p>A minha querida orientadora Dra. Eliete Jussara Nogueira, pelo apoio, </p><p>orientao e acima de tudo pela grande confiana, possibilitando sempre dilogo </p><p>aberto. Gratido por abrir novos caminhos, por me provocar a pensar, buscar, </p><p>pesquisar e criar. </p><p>Ao professor Hlio Iveson Passos Medrado (in memoriam), pelo incio de tudo, </p><p>com voc Prof., aprendi a importncia da contextualizao. Do quanto a postura </p><p>interdisciplinar, ou seja, o estabelecimento de protocolos, acordos, diplomacia so </p><p>posturas que negociam com as violncias. Saudades... </p><p>A professora Maria Lcia Amorin Soares (in memoriam), pela adoo, incentivo </p><p>e confiana, pelas ideias danantes e provocativas. Pelo vento que sopra e canta </p><p>poemas. Sua irreverncia e generosidade foram e so marcas profundas que eu trago </p><p>como presente precioso. Professora foi pouco o tempo que caminhamos juntas, mais </p><p>foi intenso e transformador. </p><p>Aos professores Sandano, Waldemar, Vania e Alda, por tudo que aprendi com </p><p>cada um de vocs nesse percurso do doutorado. Foram momentos que apontaram </p><p>sempre caminhos a percorrer. </p><p>Aos amigos do Grupo GEPECE, pela riqueza de nossos encontros. Momentos </p><p>de ideias fervilhantes, provocativas, campo conceitual que sempre abriu </p><p>possibilidades e despertou o prazer ao ato de pesquisar. </p><p>Aos professores Romrio, Ktia, Alda, Reigotta, Marli e Vilma, por fazerem </p><p>parte da banca, enorme satisfao e alegria. Presenas que aguaram e aguam a </p><p>paixo por uma educao que provoque acontecimentos. </p></li><li><p>Atravessar o deserto. </p><p>Caminho solitrio. </p><p>Na mochila suprimentos essenciais. </p><p>Bagagem leve. </p><p>Na imensido do deserto reside o tempo e o espao. </p><p>Cu e terra em comunho. </p><p>Passagem, um outro lugar, transitoriedade. </p><p>Movimento que percorremos sob forte reflexo da estrela maior. </p><p>Passos que refletem nossa sombra. </p><p>Companheira que solicita dilogo do corao . </p><p>Noites de escurido que s olhos de camelo podem ver alm da penumbra. </p><p>Atitude de curvar-se, do verdadeiro sentido de servir. </p><p>Sair de si para encontrar consigo mesmo. </p><p>Aprendizado que une, acorda a potncia no ato de religar-se a fonte. </p><p>Solitude que nos transporta pelo caminhar ao encontro prometido. </p><p>Percepo clara de que no estamos ss. </p><p>(Elaine Perez) </p></li><li><p>RESUMO </p><p>Este trabalho tem o objetivo de relacionar e discutir a contemporaneidade com alguns </p><p>discursos sobre o processo de medicalizao no cotidiano escolar e utilizar da poesia </p><p>como mtodo para sensibilizar e levar ao estranhamento que se instala no interior das </p><p>escolas, frente aos alunos que apresentam um padro de comportamento fora do </p><p>estabelecido como normal. Outro objetivo mostrar o entorpecimento da criana pela </p><p>medicalizao. A metodologia usada se d a partir de uma potica rizomtica da </p><p>argumentao, por uma condio tico-poltica da relao entre educao escolar e </p><p>medicalizao, relacionada aos conceitos de biopoltica, biopoder, dispositivos e </p><p>mundo virtual. A tese aponta o processo de medicalizao da infncia na educao </p><p>e relaciona o discurso higienista e biologizante do incio do sculo XX e os dispositivos </p><p>de controle foucautianos, para pensar a medicalizao escolar como mecanismo de </p><p>controle sobre a vida, um biopoder. Esta tese anuncia que a patologizao e a </p><p>biologizao, se fazem presentes hoje no cotidiano escolar, por meio de laudos </p><p>generalistas, rtulos, que descrevem a situao de no aprendizagem e dos </p><p>comportamentos inadequados" dos alunos e sustenta que a medicalizao tem </p><p>causado um entorpecimento da criana no seu cotidiano escolar. </p><p> Palavras-chave:. Medicalizao. Cotidiano escolar. Educao. </p></li><li><p>ABSTRACT </p><p> This work aims to relate and discuss contemporaneity with some discourses about the medicalization process in the everyday school life, and use poetry as a means to raise awareness and lead to the strangeness that installs inside schools, facing the students who have a pattern of behavior outside the established as normal. Another objective is to show the numbness of the child by medicalization. The methodology used is given by a rizomatic poetic argument, from an ethical-political condition of the relationship between education and medicalization, related to the concepts of biopolitics, biopower, devices and virtual world. The thesis shows the process of medicalization of childhood in education and relates the hygienist and biologizing discourse of the early twentieth century and the foucautianos control devices, to think the school medicalization as a control mechanism on life, one biopower. This thesis announces that pathologizing and biologization are present today in everyday school life, through general medical reports, "labels" describing the situation of not learning and "inappropriate behavior" of students, and maintains that the medicalization has caused a child numbness in their daily school. Keywords: Medicalization. Daily School. Education. </p></li><li><p>SUMRIO </p><p> 1 INTRODUO ...................................................................................................... 11 </p><p>2 EDUCAO PATOLOGIZADA ............................................................................ 25 </p><p>2.1 Medicalizao e a gesto da vida: a negao da impotncia na potncia .. 43 </p><p>2.2 Educao e Sade: discursos medicalizantes .............................................. 55 </p><p>2.3 Audincia Pblica em Sorocaba/SP ................................................................ 80 </p><p>3 CONTEMPORANEIDADE: FRENTE AO CAOS E A COMPLEXIDADE ........... 104 </p><p>3.1 Educao formal e mundo virtual: conexo dos estranhos e distanciamento </p><p>dos esquisitos ....................................................................................................... 116 </p><p>4 CONSIDERAES FINAIS ............................................................................ 137 </p><p>REFERNCIAS ...................................................................................................... 141 </p><p>APNDICE A Lista de teses/dissertaes 1999/2014 ................................. 153 </p><p>APNDICE B Lista artigos e resenha sobre Medicalizao 1999/2014 ...... 158 </p><p>APNDICE C Transcrio da Audincia Pblica ............................................ 163 </p><p>ANEXO A Bula da Ritalina ................................................................................. 212 </p><p>ANEXO B - Lei n 10.332, de 22 de novembro de 2012 ...................................... 221 </p><p>ANEXO C - Manifesto do frum medicalizao: educao e sociedade ...... 223 </p><p>ANEXO D - Nota tcnica o consumo de psicofrmacos no Brasil ................... 227 </p><p>ANEXO E PROJETO DE LEI N 428/2014 ......................................................... 232 </p></li><li><p> 11 </p><p>1 INTRODUO </p><p>Narrativas da pesquisadora. </p><p>A menina curiosa na pr-escola </p><p>O caderno inicia na ltima folha. A letra de traz para frente, </p><p>O mundo sempre uma brincadeira, mas agora comea a ter ordem , regra. </p><p>A menina canhota no entende. A mo no segue o que ensinado e </p><p>a brincadeira torna-se um fardo. A mo meio boba aprende a ordem do caderno </p><p>e o caderno neste momento, perde a oportunidade de novas descobertas. </p><p>Que sero ousadas sempre! Ponto com virgula, perguntas exclamadas?! </p><p>Aspas chorosas, crases sapecas, e muita reticncias na mochila da vida........ </p><p>(PEREZ, 2015, p.7.) </p><p>O primrio: ser ou no ser a queridinha da classe </p><p>O olhar procura compreender o porqu no ser tambm queridinha da classe. </p><p>Escolha difcil, pois tudo indica que somente uma corresponde aos requisitos. </p><p>At hoje no sei quais eram, s sei que eu no os possua. Ser excluda, colocou-me fora dessa brincadeira, </p><p>Juntei-me aos meninos e aprendi novos cdigos. Aprender continuou sendo a melhor de todas as brincadeiras. </p><p>Troquei a escola, as professoras, recebi olhares acolhedores, agregadores, engraados. </p><p>Aprendi com esses olhares o quanto a escola fica mais gostosa. Que tem lugar para todo mundo, que todos aprendem. </p><p>Cada um do seu jeito. Requisitos necessrios!? </p><p>Ser criana?! (PEREZ, 2015, p.9.) </p></li><li><p> 12 </p><p>O Ginsio: paixo pela literatura e corpo em movimento </p><p>A caixa de papelo repleta de romances, poesias, poemas. Um mundo descortinando-se, a alma pulsando, </p><p>os hormnios fervilhando. Alimentados pela literatura oferecida pela professora como quem oferece </p><p>um banquete, repleto de sabores a escolher, a experimentar. Ao mesmo tempo experimento novos movimentos. </p><p>Aprendo com a bola a encest-la e a levant-la e escolho o vlei. Sem esquecer que fui parar no livro de capa preta, </p><p>por estar mascando chicletes ao entrar na escola para treinar. O que ficou? O amor pelos livros, chicletes agora no mais um vilo e </p><p>troquei o vlei pela gua . Menos impacto e mais prazer. </p><p>Aprender no se tornou um vcio. Mas passou a fazer parte do meu ser. </p><p>(PEREZ, 2015, p.10.) </p><p>O magistrio, muitas dvidas.... </p><p>Seguir a carreira da minha me, confesso a indeciso era meu estado de esprito. </p><p>Aluna do fundo, muitos livros lidos e outros tantos a serem revelados. </p><p>Notas boas, namoro comeando e dvidas, </p><p>muitas dvidas. Filosofia e Sociologia me encantavam. </p><p>Artes e peas de teatro, puro envolvimento e contestao. Atuao e encantamento por todas as linguagens artsticas. </p><p>Poemas escritos, msicas cantadas, textos incorporados e o sangue vertendo poesia. </p><p>Comeou o estgio nas escolas e a fui pega. Questionamentos, busca em aprender, </p><p>sede em me relacionar com as crianas! Almas sempre vidas por descobertas. </p><p>Percepes e sapequices. Infinidades de cdigos, decifrados nos olhares, </p><p>gestos, toques, movimentos, pensamentos fervilhantes, bolhas saltitantes de vida. </p><p>Massagem que ativava o corao e dava sentido ao ofcio de aprender e ensinar. </p><p>(PEREZ, 2015, pgs.11 e 12) </p></li><li><p> 13 </p><p>E a formao continua... </p><p>Meia bolsa no curso de Pedagogia. Dinheiro s para pagar o nibus. </p><p>Surge o primeiro trabalho, novas experincias e muita vontade em continuar aprendendo. </p><p>Eventual passou a ser minha profisso e depois me transformei em professora concursada. </p><p>Neste momento surgem grandes questionamentos?!? Incmodo ao ver criana na rua pedindo qualquer coisa, </p><p>com fome, frio, fora da escola. Abrao inesquecvel, abandono foi o sentimento compartilhado. </p><p>Reconhecido e tatuado no toque. Minha alma brotava feridas ao perceber crianas com deficincia, </p><p>vistas e olhadas como molde acabado = pronto. De forma inacabada= anormal. </p><p>Ser que existe o inacabamento na espcie humana!?! Sem saber, sem perceber, </p><p>essas percepes, exclamaes indignadas e chorosas encheriam minha mochila e dariam rumo a minha caminhada. </p><p>(PEREZ, 2015, pgs.13 e 14) </p><p>A INCLUSO e a educadora </p><p>Todos cabem na palma da mo, na planta do p. Na extenso do horizonte. </p><p>Nosso olhar teme o desconhecido. Reconhece o prximo, aquele que o espelho reflete como igual, o narciso dentro de ns. </p><p>As mos buscam formas mltiplas, silhuetas que se transformam com o tempo. </p><p>E o medo se apavora em cada amanhecer, rodeia o sol na nsia de captur-lo </p><p>e gasta cada articulao do ps que cansado , descansa. O todos se expande ou se atrofia. </p><p>As distncias se aproximam ou se tornam abismo. Neste momento as mos ganham a cada instante </p><p>a oportunidade de se transformarem em alavancas. Nos impulsionando a seguir. </p><p>O horizonte estar sempre ali! (Perez, 2015, p.15.) </p></li><li><p> 14 </p><p>Pulei muito amarelinha no Mestrado </p><p>A amarelinha foi pulada, sair do cu e ir pro inferno, faz parte da brincadeira e depois tem o retorno. </p><p>Esse percurso levou dona Lagarta a se transformar em borboleta. </p><p>Sua alma carrega consigo o jeito lento de voar, contemplar os mundos. </p><p>O olhar se tornou desapegado das expectativas. Contemplao!!! </p><p>Deliciosa percepo de estar no mundo. Mochila, mas leve agora com espao para receber. </p><p>O qu? O que vier..............! </p><p>(Perez, 2015, p.17.) </p><p>Doutorado ... O horizonte est sempre ali.......... </p><p>A alma de pesquisadora vislumbra o horizonte. As possibilidades so caminhos abertos. </p><p>Trilhas desconhecidas. O que poderia pesar em toda essa trajetria, </p><p>cada dia est mais leve, A caminhante no necessita adjetivar teorias, pedagogias. </p><p>Deseja sim dialogar, prosear, sem impor condies. Vamos s comear. </p><p>As mos esto abertas, alavancadas pela postura de pesquisa. E as certezas sempre sero provisrias. </p><p>De onde venho? </p><p>Venho do desejo de encontro entre a poesia e a cincia. </p><p>De onde vm </p><p>De mltiplos olhares. De vrios lugares. </p><p>Repletos de amanheceres. Da fora da lua. </p><p>Da dana das estrelas. Abraada por raios de sol. </p><p>Meu impulso o desejo. De olhares trocados. </p><p>Caminhos abertos. Lnguas que falam msicas de encontros. </p></li><li><p> 15 </p><p>Toques de chegadas. Trilhas de primaveras floridas nas partidas. </p><p>Venho dos ventos que sopram histrias, que contam a beleza das diferentes moradas. </p><p>Venho da gua que corre espalhando vida e splica de cuidado. Venho da terra que sabe ser livre, </p><p>apesar da luta insana do poder da posse. Venho do grito que ecoa no ocidente e no oriente, </p><p>sussurrando por mos que se apoiam, olhares que se aproximam, </p><p>corpos que se aquecem no calor do desejo de pertencimento. </p><p> A fim de tocar, deslocar, deixar falar os acontecimentos cotidianos no </p><p>interior das escolas de educao infantil, essa tese tem o propsito inquietante </p><p>de anunciar a fora viva do pensamento sobre a medicalizao na infncia, </p><p>criando poemas, provocando confluncias de sensaes que, na perspectiva de </p><p>Deleuze, numa educao menor, como mquinas de guerra, instalam a </p><p>linguagem mltipla, o olhar que se desdobra no/com o outro; uma criana. E que </p><p>a singularidade...</p></li></ul>