Urupes Lobato Monteiro

  • View
    216

  • Download
    0

Embed Size (px)

Transcript

  • 7/27/2019 Urupes Lobato Monteiro

    1/132

  • 7/27/2019 Urupes Lobato Monteiro

    2/132

  • 7/27/2019 Urupes Lobato Monteiro

    3/132

    Folha de Rosto

  • 7/27/2019 Urupes Lobato Monteiro

    4/132

    Crditos

    Editora Globo, 2007 Monteiro Lobatosob licena da Monteiro Lobato Licenciamentos, 2007Todos os direitos reservados.

    Nenhuma parte desta obra pode ser apropriada e estocada em sistema de banco de dados ou processo similar,em qualquer forma ou meio, seja eletrnico, de fotocpia, gravao etc. sem a permisso dos detentores doscopyrights.Edio: Ceclia Bassarani (coordenao) e Luciane Ortiz de CastroEdio de Arte: Adriana Bertolla SilveiraEdio Digital: Erick Santos CardosoConsultoria e pesquisa: Marcia Camargos e Vladimir SacchettaReviso: Andr Lima, Cludia Cantarin, Mrcio Guimares de Arajo e Paulo Roberto Pompo ProduoEditorial: 2 Estdio GrficoDireo de Arte: Adriana Lins e Guto Lins / Manifesto Design

    Projeto grfico: Manifesto DesignDesigner assistente: Nando ArrudaEditorao eletrnica: Susan JohnsonEditorao para epub: Janana Salgueiroe-ISBN:9788525049902Crditos das imagens: Acervo Cia. da Memria (pginas 10, 14, 16); Arquivo Famlia Monteiro Lobato(pgina 6); Biblioteca Guita e Jos Mindlin (pgina 12); Biblioteca Monteiro Lobato, So Paulo (pgina 15).Crditos das notas de rodap: as notas de referncia aos ttulos dos contos constam em suas respectivasaberturas. J as notas de referncia aos textos foram publicadas na edio de 1946.

    Editora Globo S.A.Av. Jaguar, 1.485 JaguarSo Paulo SP 05346-902 Brasilwww.globolivros.com.br

  • 7/27/2019 Urupes Lobato Monteiro

    5/132

    Capa

    Folha de Rosto

    Crditos

    Monteiro Lobato

    Obra Adulta

    A volta de um clssico

    URUPS

    Os faroleiros 1917

    O engraado arrependido 1917

    A colcha de retalhos 1915

    A vingana da peroba 1916

    Um suplcio moderno 1916

    Meu conto de Maupassant 1915

    Pollice verso 1916

    Buclica 1915

  • 7/27/2019 Urupes Lobato Monteiro

    6/132

    O mata-pau 1915

    Bocatorta 1915

    O comprador de fazendas 1917

    O estigma 1915

    Velha praga 1914

    Urups 1914

    Bibliografia selecionada sobre Monteiro Lobato

  • 7/27/2019 Urupes Lobato Monteiro

    7/132

    Monteiro Lobato

    Monteiro Lobato,por J.U. Campos.

  • 7/27/2019 Urupes Lobato Monteiro

    8/132

    Homem de mltiplas facetas, Jos Bento Monteiro Lobato passou avida engajado em campanhas para colocar o pas no caminho da modernidade.Nascido em Taubat, interior paulista, no ano de 1882, celebrizou-se como o criador

    do Stio do Picapau Amarelo, mas sua atuao extrapola o universo da literatura

    infantojuvenil, gnero em que foi pioneiro.

    Apesar da sua inclinao para as artes plsticas, cursou a Faculdade do Largo

    So Francisco, em So Paulo, por imposio do av, o Visconde de Trememb, mas

    seguiu carreira por pouco tempo. Logo trocaria o Direito pelo mundo das letras,

    sem deixar de lado a pintura nem a fotografia, outra de suas paixes.

    Colaborador da imprensa paulista e carioca, Lobato no demoraria a suscitar

    olmica com o artigo Velha praga, publicado em 1914 em O Estado de S.Paulo. Um protesto contra as queimadas no Vale do Paraba, o texto seriaseguido de Urups, no mesmo jornal, ttulo dado tambm ao livro que, trazendo o

    Jeca Tatu, seu personagem smbolo, esgotou 30 mil exemplares entre 1918 e 1925.

    Seria, porm, na Revista do Brasil, adquirida em 1918, que ele lanaria asbases da indstria editorial no pas. Aliando qualidade grfica a uma agressiva rede

    de distribuio, com vendedores autnomos e consignatrios, ele revoluciona o

    mercado livreiro. E no para por a. Lana, em 1920, A menina donarizinho arrebitado, a primeira da srie de histrias que formariamgeraes sucessivas de leitores. A infncia ganha um sabor tropical, temperado com

    itadas de folclore, cultura popular e, principalmente, muita fantasia.

    Em 1926, meses antes de partir para uma estada como adido comercial junto

    ao consulado brasileiro em Nova York, Lobato escreve O presidente negro.Neste seu nico romance prev, atravs das lentes do porviroscpio, um futuro

    interligado pela rede de computadores.De regresso dos Estados Unidos aps a Revoluo de 30, investe no ferro e no

    etrleo. Funda empresas de prospeco, mas contraria poderosos interesses

    multinacionais que culminam na sua priso, em 1941. Indultado por Vargas,

    continuou perseguido pela ditadura do Estado Novo, que mandou apreender e

    queimar seus livros infantis.

    Depois de um perodo residindo em Buenos Aires, onde chegou a fundar duas

    editoras, Monteiro Lobato morreu em 4 de julho de 1948, na cidade de So Paulo,

  • 7/27/2019 Urupes Lobato Monteiro

    9/132

    aos 66 anos de idade. Deixou, como legado, o exemplo de independncia intelectual

    e criatividade na obra que continua presente no imaginrio de crianas, jovens e

    adultos.

  • 7/27/2019 Urupes Lobato Monteiro

    10/132

    Obra Adulta[1]

    CONTOS URUPS CIDADES MORTAS NEGRINHA O MACACO QUE SE FEZ HOMEMROMANCE O PRESIDENTE NEGROJORNALISMO E CRTICA O SACI-PERER: RESULTADO DE UM INQURITO IDEIAS DE JECA TATU A ONDA VERDE MISTER SLANG E O BRASIL

    NA ANTEVSPERA CRTICAS E OUTRAS NOTASESCRITOS DA JUVENTUDE LITERATURA DO MINARETE MUNDO DA LUACRUZADAS E CAMPANHAS PROBLEMA VITAL, JECA TATU E OUTROS TEXTOS FERRO E O VOTO SECRETO O ESCNDALO DO PETRLEO e GEORGISMO E COMUNISMO

    ESPARSOS FRAGMENTOS, OPINIES E MISCELNEA PREFCIOS E ENTREVISTAS CONFERNCIAS, ARTIGOS E CRNICASIMPRESSES DE VIAGEM AMRICACORRESPONDNCIA A BARCA DE GLEYRE CARTAS ESCOLHIDAS CARTAS DE AMOR

  • 7/27/2019 Urupes Lobato Monteiro

    11/132

    A volta de um clssico

    O mata-pau, ilustrao de Monteiro Lobato.

  • 7/27/2019 Urupes Lobato Monteiro

    12/132

    Vanguarda no mundo das letras de sua poca, Urups continua atual empleno sculo XXI. Campeo de vendas, esgotando 30 mil exemplares desde o

    lanamento, em junho de 1918, at 1925, tem origem no texto enviado por MonteiroLobato da Fazenda So Jos do Buquira, herana do av. Ecologista intuitivo, quevia com olhos crticos as queimadas e o desmatamento, remeteu Velha praga seo Queixas e reclamaes do jornal OEstado de S. Paulo, alertando contra uma dasprincipais causas do empobrecimento do solo. Devido ao costume de atear fogo aomato, em quatro anos a mais ubertosa regio se despe dos jequitibs magnficos edas perobeiras milenrias seu orgulho e grandeza, para, em achincalhe crescente,cair em capoeira, passar desta humildade da vassourinha e, descendo sempre,encruar definitivamente na desdita do sapezeiro sua tortura e vergonha.[2]

    Estampado em 12 de novembro de 1914, o protesto alcana inesperadarepercusso e anima Lobato a concentrar-se em uma literatura calcada na figura docaipira do vale do Paraba, o mata-pau da terra, constritor e parasitrio, aliado dosap e da samambaia, um homem baldio, inadaptvel civilizao..., como expeem carta a Godofredo Rangel em 22 de novembro de 1914. Indeciso entre umromance ou uma srie de contos, um ms depois escreve o artigo Urups, fixandoseu personagem-smbolo. Preguioso, desprovido de fora de vontade e sensoesttico, sacerdote da lei do menor esforo, o bichinho feio, magruo, arisco,desconfiado no tinha jeito de gente.

  • 7/27/2019 Urupes Lobato Monteiro

    13/132

    Urups, capa de J. Wasth Rodrigues, 1 edio, 1918

    Na contramo dos cnones do romantismo, nascia Jeca Tatu, sombrio urup depau podre, a modorrar silencioso no recesso das grotas[3].

    Pouco mais tarde, radicado na capital, Lobato publica alguns contos na Revista doBrasil, comprada com o dinheiro da venda da fazenda. Segundo Edgard Cavalheiro,seu amigo e bigrafo, partiu de Plnio Barreto, jornalista de O Estado de S. Paulo, asugesto de fazer um livro. Como a maioria deles terminava de forma dramtica,cogitou dar o ttulo Doze mortes trgicas, mas acabou optando por Urups,nome do texto que fecharia o volume. Meses depois, com capa de J. WasthRodrigues e ilustraes de um curioso sem estudos, na verdade o prprio Lobato,mil exemplares chegavam s livrarias. Pelos clculos do autor, conta-nosCavalheiro, a tiragem, com alguma sorte, seria comercializada em cinco anos.

    Para surpresa geral, o nmero de exemplares vendidos superou qualquer

  • 7/27/2019 Urupes Lobato Monteiro

    14/132

    expectativa. Os Urups vo se vendendo melhor do que esperei e neste andar tenho devir com a segunda edio dentro de trs ou quatro semanas. H livrarias que noespao duma semana repetiram o pedido trs vezes, exulta Lobato em carta aGodofredo Rangel. O xito j estava garantido quando Rui Barbosa, em meio acirrada campanha presidencial, perguntou no Teatro Lrico do Rio de Janeiro, em

    maro de 1919, se o pas conhecia aquele tipo de raa, que, entre as formadoras danossa nacionalidade, se perpetua a vegetar de ccoras, incapaz de evoluo eimpenetrvel ao progresso.

    O discurso de Rui foi um p de vento que deu nos Urups. No ficou um pararemdio dos 7 mil! Estou apressando a 4 edio que ir do 8 ao 12 milheiro. Tiro-as, agora, aos 4 mil. E isto antes de um ano, hein? O livro assanhou a taba e agora,com o discurso do Cacique-mor, vai subir que nem foguete, comunicava a Rangelem 1 de maio de 1919. E apesar de descrever um caboclo lerdo e indolente, Lobatono expressava dio, rancor nem desprezo: amor, piedade, tristeza de no ver

    o Geca em condies melhores, registrou Lima Barreto na Gazeta de Notcias, em 11de maio de 1921. Tanto que, ao conhecer as teses sobre sade pblica de BelisrioPena e Artur Neiva, Lobato reformula seu juzo sobre o Jeca. Est provado que tensno sangue e nas tripas um jardim zoolgico da pior espcie, admite ento. essabicharia cruel que te faz papudo, feio, molenga, inerte. Tens c