Versao Final

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    10-Oct-2015

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<p>19</p> <p>SOCIEDADE PARANAENSE DE ENSINO E INFORMTICA FACULDADES SPEIIBH INSTITUTO BRASILEIRO DE HIPNOSE APLICADA </p> <p>PAULO SANTUCCI DIAS MARQUES</p> <p>A HIPNOTERAPIA COGNITIVA APLICADA NOS TRANSTORNOS DE ANSIEDADE </p> <p>Rio de Janeiro 2014</p> <p>PAULO SANTUCCI DIAS MARQUES</p> <p>A HIPNOTERAPIA COGNITVA APLICADA NOS TRANSTORNOS DE ANSIEDADE </p> <p>Trabalho de Concluso de Curso apresentado Sociedade Paranaense de Ensino e Informtica Faculdades SPEI e IBH Instituto Brasileiro de Hipnose Aplicada como requisito parcial para obteno do ttulo de Especialista em Hipnose Clnica, Organizacional, Hospitalar, sob orientao dos professores: Prof. Dr. Gil Gomes, Profa. Dra. Clystine Abram e Profa. Dra. Denise Bloise.</p> <p>Rio de Janeiro2014PAULO SANTUCCI DIAS MARQUES</p> <p>A HIPNOTERAPIA COGNITVA APLICADA NOS TRANSTORNOS DE ANSIEDADE </p> <p>Trabalho de Concluso de Curso apresentado a Sociedade Paranaense de Ensino e Informtica Faculdades SPEI e IBH Instituto Brasileiro de Hipnose Aplicada como requisito parcial para obteno do ttulo de Especialista em Hipnose Clnica, Organizacional, Hospitalar, sob orientao dos professores: Prof. Dr. Gil Gomes, Profa. Dra. Clystine Abram e Profa. Dra. Denise Bloise</p> <p>Banca Examinadora:</p> <p>Aprovada em: ____________________________________________________</p> <p>RESUMO</p> <p>O presente trabalho busca refletir sobre a hipnose e os benefcios que sua prtica pode proporcionar vida de uma pessoa; sobretudo a modalidade de hipnose chamada de Hipnoterapia, que rene os preceitos e mtodos da Terapia Cognitivo Comportamental aos estudos mais avanados sobre o crebro e a cognio. Os Transtornos de Ansiedade foram escolhidos devido ao alto ndice de pessoas que apresentam estas comorbidades em nossa sociedade, assim como de experincias que pude auferir dos pacientes que sofriam com essas comorbidades e de que tratei em consultrio. Outros temas abordados, extremamente pertinentes aos j referidos, so a experincia mental proporcionada pela hipnose, a relao mente-corpo que tm os pacientes ansiosos, as evidncias empricas que a prtica da hipnose sobre a ao da mente no corpo, as solues para os conflitos psicolgicos oferecidas pela hipnose assim como a capacidade que esta modalidade teraputica tem de tornar o indivduo mais integrado emocionalmente e mentalmente. </p> <p>Palavras-Chave: Hipnose, Terapia Cognitivo Comportamental, Transtornos de Ansiedade.</p> <p>ABSTRACT</p> <p>This study aims to clarify what hypnosis is and what are the benefits that your practice can provide to a person's life; especially the type of hypnosis called hypnotherapy, which brings together the concepts and methods of Cognitive Behavioral Therapy for advanced studies on the brain and cognition. Anxiety Disorders were chosen due to the high rate of people who have these comorbidities in our society, as well as experiences that could derive from patients who suffer with these comorbidities than I treated at the therapy clinic. Other extremely relevant themes to those already mentioned, are mental experience afforded by hypnosis, the mind-body conception that have the anxious patients, as the empirical evidence that the practice of hypnosis has over the action of the mind on the body, as the solutions to psychological conflicts offered by hypnosis and the ability of this therapeutic modality has to become an patient more integrated emotionally and mentally.</p> <p>Keys-words: Hypnosis, Cognitive Hypnotherapy, Cognitive Behavioral Therapy.</p> <p>SUMRIO</p> <p>1-INTRODUO pg.072- BREVE HISTRIA DA HPNOSE: DE GASSNER A CHARCOT pg. 083- TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL: PRECEITOS BSICOS pg. 094- A HIPNOTERAPIA COGNITIVA E O ESTADO HIPNTICOpg. 164.1 O que a Hipnoterapia Cognitiva? pg. 164.2 O estado hipntico pg. 17</p> <p>4.3 A experincia mental proporcionada pela hipnose? pg. 22</p> <p>5- A RELAO MENTE-CORPO E A HIPNOSE pg.25</p> <p>6- OS TRANSTORNOS DE ANSIEDADE pg.277- A HIPNOTERAPIA COGNITIVA APLICADA NOS TRANSTORNOS DE ANSIEDADE pg.317.1 Panorama dos pacientes ansiosos pg. 31</p> <p>7.2 A soluo teraputica pg. 35</p> <p>CONCLUSO pg.41</p> <p>REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS pg. 42 </p> <p>1- INTRODUO</p> <p>O presente trabalho busca discutir a Hipnoterapia e a forma que pode ser utilizada no tratamento dos transtornos de ansiedade. O texto foi organizado a partir da discusso dos tericos que elaboraram seus preceitos bsicos. Dessa forma, a cada captulo so apresentados os principais conceitos que envolvem a aplicao da terapia. Para tal, primeiramente foi necessrio discorrer sobre a histria da hipnose, partindo do ponto em que seu uso comeou a ser aplicado de forma cientfica e emprica ainda no sculo XVIII. Uma vez que a hipnoterapia calcada nos princpios da Terapia Cognitivo Comportamental, uma explicao pormenorizada desta modalidade teraputica se fez necessria. A hipnoterapia e o estado hipntico so abordados no captulo seguinte. Em seguida a abordagem envolve a descrio dos Transtornos de Ansiedade de acordo com a definio dada pelo DSM-IV_TR, como premissa para o tema principal do trabalho que a aplicao da hipnoterapia nos transtornos de ansiedade. Os recursos possibilitados pela prtica da hipnose, assim como as tcnicas direcionadas para o tratamento dos transtornos de ansiedade, em sua relao contgua ao mtodo da terapia cognitiva comportamental, se tornam o assunto principal a ser debatido ao fim do presente trabalho.</p> <p>2- BREVE HISTRIA DA HIPNOSE</p> <p>A prtica do hipnotismo muito antiga, sendo comum em diversas culturas, embora mesclada de supersties e mistrios em alguns momentos da histria, esta prtica fora utilizada em muito por xams, feiticeiros, padres, at vigorar na medicina clssica como mtodo de cura de doentes nervosos ou histricos, sofrendo, deste preciso momento em diante, um processo de aprimoramento em que clebres personagens dedicaram suas vidas para a testagem emprica deste mtodo, num processo que ainda perdura (WEISSSMAN, 1958).Segundo relatos dos historiadores a hipnose j era praticada na antiga Grcia, na velha civilizao babilnica, na Roma antiga, e tambm no Egito, nos chamados Templos dos Sonhos, em que pacientes recebiam sugestes teraputicas em estado de sono profundo. Existem achados histricos, como papiros que datam mais de 3 mil anos, em que pode-se ler instrues minuciosas e sofisticadas para levar o paciente ao transe hipntico, que no deixam muito a desejar daquelas encontradas nos livros dos dias atuais. Com seu uso empregado para fins diversos, a hipnose era utilizada como forma de entrar em transe, como por exemplo para predizer o futuro atravs da clarividncia- suposta utilizao empregada pelas sacerdotisas de sis. Tambm existem relatos do uso da hipnose para provocar anestesia e aliviar a dor de determinados mrtires submetidos a tortura, sendo que este tipo de uso anestsico da hipnose ainda fulgura na prtica realizada pelos hipnlogos contemporneos (WEISSMAN, 1958). O estudo da hipnose foi corrente e comum durante a Idade Mdia, sendo objeto de estudo de filsofos e lderes religiosos, como Avicena no sculo X, e Paracelso no sculo XVI. Entretanto, um grande homem deste campo foi o padre Gassner, que viveu na Alemanha do Sul, no sculo XVIII. Abaixo, um breve resumo cronolgico da histria da hipnose, dos principais hipnlogos e das respectivas diferenas qualitativas, no que concerne ao mtodo e ao embasamento terico empregado.</p> <p>GASSNER</p> <p>Gassner realizava sesses pblicas em que empregava a hipnose, e se valia, para tal, de recursos teatrais, tanto em suas vestes, como na sua gesticulao. Em suas sesses, conseguia fazer com que seus pacientes obedecessem completamente s suas instrues, e chegava ao ponto de faz-los correr pelo palco e falar em latim. Em uma de suas demonstraes, que fez com o auxlio de um mdico, conseguiu fazer com que uma paciente tivesse os batimentos cardacos reduzidos, e, ao seu comando, conseguisse elev-los para 120 pulsaes por minuto. Em seguida, sugestionou a paciente que suas pulsaes iriam parar completamente, seus msculos iriam relaxar e que ela morreria temporariamente. O mdico auxiliar, ento, verificou que as pulsaes haviam parado e que tambm no havia sinal de respirao, de modo que a paciente apresentava as condies de uma pessoa morta. Gassner, ento, ordenou que a paciente sasse do transe e ela de imediato recuperou suas condies normais (WEISSMAN, 1958). </p> <p>MESMER</p> <p>Franz Mesmer, nascido em 1743, na Alemanha, foi tambm um importante personagem nesta pr-histria da hipnose e da psiquiatria moderna. Diferentemente do Padre Gassner, no atribua s enfermidades causas religiosas, mas to somente a influncia astral. O Magnetismo Animal, de Mesmer, afirmava como sendo a causa das patologias nervosas, uma frequncia irregular dos fluidos astrais, que assim ento perturbavam o organismo. Era necessrio que os pacientes sofressem crises, caracterizadas por convulses e condicionadas pela hipnose, para que assim ento Mesmer pudesse canalizar esses fluidos atravs de uma interveno magntica (WEISSMAN, 1958). Na mesma poca, o padre Maxiliano Hell, professor da Universidade de Viena e tambm astrlogo, comeou a utilizar ims em seus pacientes, e Mesmer se apropriou desta tcnica, integrando-a em seu mtodo. Os pacientes eram submetidos a transe hipntico enquanto as tcnicas com os ms eram aplicadas. Mesmer foi muito importante por imbuir prtica da hipnose um rigor cientfico, tendo conseguido curar centenas de pacientes. Contudo seu mtodo se mostrou falho em alguns aspectos, e no funcionou com os membros da Academia Francesa, que se colocaram na posio de pacientes e alegaram no terem sentido quaisquer efeitos do banho magntico. Diante de tal fato, Mesmer fora desacreditado e acusado de charlatanismo, e acabou por se retirar da profisso. Todavia, seus esforos foram importantes na trajetria da hipnose como tcnica teraputica de carter cientfico, e justia seja feita, ainda so muitos os mistrios que cercam a mente e o crebro humanos, sendo que Mesmer fez o que pode, dispondo dos parcos recursos tecnolgicos de sua poca (WEISSMAN, 1958).Mesmer viria a ter outros seguidores da cura magntica, como o mdico Dr. John Ellioston, figura eminente da histria mdica britnica, responsvel por introduzir o estetoscpio na Inglaterra, assim como mtodos de examinar o pulmo e o corao; e James Esdaile, mdico escocs, que realizou cirurgias sem anestesia, fazendo uso somente da hipnose. Schopenhauer alegou ser o mesmerismo a mais fecunda de todas as descobertas sob o ponto de vista filosfico, embora, de momento, oferea mais enigmas do que solues (WEISSMAN, 1958).</p> <p>ABADE FARIA</p> <p>Logo aps o falecimento de Mesmer, surgiu em paris um padre portugus chamado Jos Custdio Farias, que teria sido a inspirao para o personagem Abade Faria, de O Conde de Monte Cristo. Foi responsvel por modificar o mtodo da hipnose, lanando a doutrina da sugesto. Foi incisivo na importncia da relao entre sujet e hipnotizador; utilizava a hipnose acordada, e atribua como fator do sucesso teraputico o envolvimento do sujet com a tcnica, e a forma como este se deixava aprofundar na sua mente, descartando, assim, aspectos como a questo anmica no processo da cura, de modo que se ateve nica e exclusivamente ao aspecto psicolgico dos efeitos da hipnose (WEISSMAN, 1958). </p> <p>BRAID</p> <p>Em 1841, o mdico James Braid, foi o responsvel por afastar o magnetismo animal do estudo cientfico, utilizando o termo hipnotismo para esta prtica. A palavra hipnotismo deriva do vocbulo grego hypnos, que significa sono. Contudo, o sono constatado na hipnose, diferente do sono normal ou fisiolgico, e devido s suas caractersticas era chamado por Braid de sono nervoso (nervous sleep). Braid se valeu, no incio de sua carreira de mtodos que causassem cansao visual, entretanto, os abandonou quando se tornou convicto de que o fator preponderante para o transe era a sugesto, de modo que a utilizava para assim produzir fenmenos como a anestesia, a amnsia, a catalepsia e mesmo as alucinaes sensoriais (WEISSMAN, 1958). </p> <p>CHARCOT</p> <p>Jean Martin Charcot, neurologista renomado, conduziu seus estudos sobre a hipnose em sua escola intitulada grand hipnotisme, em Paris, concomitantemente aos esforos desprendidos por seus contemporneos Libault e Bernheim, que representavam a escola de Nancy. Charcot formulou a teoria dos trs estados hipnticos: a letargia, a catalepsia e o sonambulismo. O primeiro estgio era produzido fechando-se os olhos do sujet e tinha como caractersticas a surdez e a mudez; no segundo estgio, com os olhos abertos, era definido como uma gradao entre a rigidez e a flexibilidade dos membros, que permaneciam na posio em que os sujets os largassem. O terceiro estgio, chamado de sonambulismo, era produzido friccionandose energicamente a parte superior da cabea do indivduo. Para Charcot, e em contradio aos seus colegas da escola da Nancy, somente os histricos eram hipnotizveis. Todavia, do ponto de vista de seus hipnotizadores contemporneos o hipnotismo por ele praticado era rudimentar (WEISSMAN, 1958).</p> <p>O HIPNOTISMO NO BRASIL</p> <p>Em meados dos anos 50, a hipnose cientfica surgiu no Brasil, e teve como seus percussores nomes como Karl Weissman, Prof. Ramon Molinero e Dra. Galina Solovey. No Brasil temos registro da utilizao da Hipnose em medicina desde 1832 segundo biografia presente na obra de Leopold Gamard. A Sociedade de Propaganda e Jury Magntico do Rio de Janeiro foi reconhecida pelo Imperador D Pedro II em 1862, que demonstrou interesse na experincia e aplicao por mdico competente. Seguindo uma tendncia mundial o hipnotismo no Brasil ressurge a partir de 1950. e teve como seus percussores nomes como Karl Weissman, Prof. Ramon Molinero e Dra. Galina Solovey. Na mesma poca, o Dr. Paulo Paixo, juntamente com Irmo Vitrcio, conduziu cursos e conferncias sobre a hipnose. A principio desperta interesse do pblico em programas de TV, entrevistas e imprensa. O primeiro curso de hipnotismo a suas tcnicas modernas foi ministrado a uma turma de mdicos e dentistas, em outubro de 1955, a convite de Associao Brasileira de Odontologia, no Rio de Janeiro.Em 1957 seria fundada a Sociedade de Hipnose Mdica no Rio de Janeiro. Em 1956 foi fundada a sociedade Paulista de hipnotismo, e em Porto Alegre, no mesmo ano, a sociedade de hipnologia do Rio Grande do Sul. Em seguida,...</p>