versão para setembro 2009 juri-DEFINITIVOFINAL

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    12-Jun-2015

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<p>1 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>2 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>Ol! Inicio aqui o meu Portflio Reflexivo de Aprendizagem... E antes de mais apresento-me. Chamo - me Srgio Iahaya dos Santos Dade; Tenho 37 anos; Nasc em Moambique em 1971; Sou um cidado do mundo; Sou do Signo Virgem; Sou uma pessoa de carcter sensvel e afvel; Gosto de animais; Defendo os princpios da tolerncia e do respeito para com as outras culturas e modos de pensar diferentes dos meus; Defendo a igualdade de direitos e de oportunidades entre todas as pessoas, independentemente de aspectos como raa, cor da pele, condio social, sexo, orientao sexual, convico poltica ou ideolgica, de acordo com o princpio de igualdade e universalidade aceites, e estabelecidos pelo estado portugus no artigo 13 da constituio da Repblica Portuguesa e na declarao universal dos direitos do homem. Abomino a hipocrisia e a falsidade. Abomino o Preconceito e todos os comportamentos a ele associados, bem como todas as formas de discriminao que tm por alvo a pessoa humana e a sua dignidade pessoal; Gosto do Sol, do mar e do calor; Gostaria de poder viajar e conhecer outros pases; Gostaria de voltar cidade de Inhambane, onde nasci.</p> <p>3 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>Chamo-me Srgio Iahaya dos Santos Dade e nasci em Moambique no dia 10 de Setembro de 1971 pelas 13.30 horas na cidade de Inhambane, no centro daquele pas, cidade para onde os meus pais se haviam deslocado por questes de servio da minha me. Os meus pais oriundos, da cidade de Loureno Marques, actual cidade de Maputo so de seu nome Iahaya Zacarias Ibrahimo Dade (electricista de automveis) e Eullia Rosa dos Santos Dade (funcionria pblica reformada). Reportando-me minha genealogia, da parte do meu pai sou descendente de emigrantes goeses e da parte da minha me as minhas origens dividem-se entre a portuguesa e a africana. O meu bisav paterno, segundo sei, era um abastado latifundirio, oriundo de Goa, de nome Jafar (existe em Maputo um topnimo com este nome que corresponde a um apeadeiro ferrovirio que se situa na antiga propriedade dele). O meu bisav materno, da parte do pai da minha me, era um serralheiro, nascido em Lisboa, em 1870, de seu nome Tirso Augusto dos Santos, que por se ter envolvido nas lutas operrias e nos meios anarquistas, foi degredado da ento metrpole para a costa oriental de frica em consequncia do decreto de lei antianarquista de 1896, que proibia todo e qualquer tipo de propaganda e associao anarquista. O anarquismo um ideal poltico que assenta na ausncia de estado e na descentralizao do poder. Sabe-se que o meu bisav materno e alguns outros operrios foram enviados para Moambique, num velho barco a vapor que veio a encalhar na cidade de Inhambane, onde o meu av, pai da minha me e eu, nascemos. O av materno da minha me chamava-se Jos Maria Leal e era natural da cidade da Guarda e o que sei que conheceu a minha bisav, Micaela Pinto, com quem teve 6 filhos, dos quais pereceram quatro, em consequncia das doenas que eram caractersticas daquelas pocas tais como a difteria e o Sarampo (doenas infecto-</p> <p>4 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>contagiosas mortais) e para as quais a moderna medicina j h muito tem respondido com as campanhas de vacinao Infantil. Daquela unio sobreviveram a minha av Maria Guilhermina dos Santos, me da minha me, agora com 86 anos e, uma irm dela, de nome Henriqueta Coimbra. Refiro que a vacinao um importante meio de preveno de doenas infectocontagiosas, pois consiste em introduzir ou inocular nos seres vivos estados no activos de agentes patognicos causadores de doenas de modo a criar anti-corpos contra as doenas e que mesmo nos adultos tambm devero efectuar-se vacinaes pois os agentes patognicos passam por mudanas e com o tempo desenvolvem imunidade aos anticorpos. A minha av materna casou com o meu av materno Sr. Jlio Augusto dos Santos (tipgrafo e depois taxista de profisso) e deste enlace veio a nascer no dia 21 de Maio de 1948 a Senhora D. Eullia Rosa dos Santos, minha me... Os meus pais casaram-se em Agosto de 1970 tendo os esponsais tidos lugar na Conservatria do Registo Civil da cidade da Matola, que dista cerca de 20km de Loureno Marques. Deste casamento nasci eu na cidade de Inhambane, Moambique pelas 13h30m do dia 10 de Setembro de 1971...e a minha irm em 1974 em Loureno Marques. Algumas fotos de famlia</p> <p>Foto da minha me: Ao colo com o meu av (1952)5 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>Foto da minha me: Durante uma caada ao p de 1 leo morto</p> <p>Foto de Famlia: A minha me com os pais, a tia e os primos</p> <p>Foto do meu av (de capacete) com 3 companheiros de caa. O senhor que trajava um uniforme era um sipaio ou autoridade policial local.6 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>O meu av em1934, com o irmo, o irmo</p> <p>A irm do meu av com o marido durante uma pea de teatro</p> <p>7 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>Fotos do casamento dos meus pais em Agosto de 1970</p> <p>Os noivos</p> <p>A noiva com o pai</p> <p>Os meu pais com: os pais da minha me (lado esquerdo) E os pais do meu pai (lado direito)8 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>O adeus aos noivos.</p> <p>9 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>Aqui o pequeno Srgio em meados de Setembro de 1971</p> <p>Aos 2 anos de idade... (Outubro de 1972)</p> <p>Os meus primeiros anos de vida...Viv os meus primeiros anos de vida em Moambique, na cidade de Loureno Marques, onde residia com os meus pais. Por vezes os meus pais deixavam-me10 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>com meus avs maternos na Machava, uma pacata vila nos arredores da cidade de Loureno Marques, onde estes possuam uma propriedade que embora no fosse muito extensa, possua algumas rvores de fruta. Da vida na cidade com os meus pais, lembro-me das idas s praias da Costa do Sol, onde havia um Restaurante (na imagem, embaixo) que ainda hoje existe, e que era muito afamado na poca, onde havia alguns macacos solta na marginal sobranceira ao restaurante, que faziam o encanto de todos que por ali passavam, crianas e adultos...</p> <p>Lembro-me tambm de alguns passeios que fazamos a uma cidade muito bonita, com belas vivendas e bastante movimentada naquela poca...situada na proximidade dos Montes Lebombos, e bem prximo da fronteira com a Suazilndia (pas vizinho) chamada Namaacha... Aqueles eram lugares edlicos, que primavam pela sua imensa beleza natural...pelo verde das suas plancies que contrastava com o vermelho das suas areias e a exuberncia colorida da sua flora. A vida em Moambique... No plano administrativo Moambique era administrado por um Governador-Geral designado pelo Conselho de ministros da Metrpole. No Moambique de ento, conviviam os vrios povos locais de diferentes etnias, possuidores, eles prprios, das suas lnguas e cultura mpares, mas que gozavam de poucos direitos cvicos e polticos, com os cerca de trinta mil indianos e quatro mil chineses que na cidade de Loureno Marques e da Beira exploravam o pequeno11 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>comrcio de lojas drogarias, conjuntamente com uma populao de origem europeia que, em 1971 se estimava em cerca de duzentos mil e ocupava os lugares pblicos e da administrao da antiga colnia. Apresentam-se seguidamente alguns dos estandartes e bandeiras do territrio:</p> <p>Bandeira do Gov.Geral</p> <p>Bandeira do administrador</p> <p>Bandeira do Superintendente</p> <p>Esta foi uma proposta de 1967 para a bandeira do territrio</p> <p>Esta foi a proposta de 1974 para a bandeira da Provncia12 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>Fotos da cidade de Loureno Marques (Anos 70)</p> <p>13 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>Eu com a minha irm Slvia em 1975</p> <p>14 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>Com os nossos pais em 1975</p> <p>Eu na Vila de Machava em 1975 em casa dos meus avs</p> <p>15 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>Guerra Colonial em Moambique Em 1971 no ano em que nasci a ento provncia de Moambique, que no ano seguinte seria elevada categoria de estado, encontrava-se, j ento, no seu stimo ano de guerra. O Conflito iniciou-se em 1964 e ops o Exrcito Portugus aos guerrilheiros nacionalistas moambicanos encabeados pela FRELIMO (Frente de Libertao de Moambique) que controlavam a parte norte do territrio.</p> <p>Imagens: Guerra Colonial em Moambique www.wickipedia.org semelhana de muitas outras famlias naquele territrio, a minha tambm mandou alguns dos seus filhos para a guerra...</p> <p>Estes dois tios meus foram para a guerra...um terceiro tambm No sul de Moambique, onde vivamos a vida decorria mais ou menos de forma regular... mas havia o medo sempre presente do terrorismo...dos ataques bombistas...e tal como na metrpole havia a sempre presente represso da PIDE (polcia poltica e secreta) e toda uma politica de contra informao dirigida tanto as populaes nativas como s de origem europeia...16 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>A guerra, o teatro de operaes, decorria nas provncias mais a norte: nas provncias de Tete, Cabo -Delgado, Nampula e de acordo com a minha me, sabamos de facto pouco do que se passava devido censura e s polticas de contra informao. Era comum ali tal como na Metrpole, as famlias despedirem-se dos seus filhos e amigos que partiam para a guerra, pois ali, de igual modo, vivia-se a dor de ver partir os nossos familiares para a guerra....to longe e ao mesmo to prxima... Em 1974 nasceu a minha irm Slvia tambm do casamento dos meus pais e que agora vive na Alemanha. Refiro que alm desta tenho um irmo chamado Ricardo, e uma irm chamada Delfina, da parte do meu pai.</p> <p>A Independncia de Moambique</p> <p>A revoluo do 25 de Abril de 1974, em Portugal, teve como consequncia para as restantes colnias bem como neste caso concreto para a de Moambique, o acesso independncia poltica. A Independncia de Moambique ocorreu no dia 25 de Junho de 1975 ....</p> <p>Bandeira actual de Moambique e Braso de armas da Repblica de Moambique A Cerimnia Protocolar da Independncia (a que assisti ainda que muito vagamente me lembre) teve lugar nesse mesmo dia no estdio da Machava...ao que segundo me consta nela as duas delegaes, a do Governo Provisrio Portugus e a do Primeiro Governo do novo pas procederam respectiva troca de bandeiras e foi hasteada pela primeira vez a bandeira da Repblica Popular de Moambique.</p> <p>17 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>No entanto, os seis meses subsequentes revoluo de 1974, que em Portugal instaurou o regime democrtico, pouco tiveram de pacficos, pois foram tempos de bastantes convulses sociais e de sangrentos tumultos em Moambique. A situao social em Moambique, aps o 25 de Abril de 74, era de grande instabilidade agravada pela falta de apoios financeiros por parte da administrao. E tudo servia para que os nimos se exaltassem Depois de muitas nuances, o acordo final com vista independncia de Moambique foi finalmente assinado no dia 7 de Setembro de 1974, em Lusaca e previa a formao de um governo de transio com um Primeiro Ministro da FRELIMO, a nomeao de um Alto-Comissrio por Portugal e mais importante (quanto a mim) o cessar fogo imediato. Em Loureno Marques rebentaram os primeiros tumultos em reaco aos acordos de Lusaca, que de uma ou outra forma se alastraram ao resto do territrio, pois o clima de fria contra o acordo de Lusaca apoderou -se de muitos dos habitantes de origem europeia em Loureno Marques, assim como de foras africanas que no se reconheciam na FRELIMO, obrigando a que o comando Militar tivesse de deslocar foras para a cidade. Entretanto a violncia racial que j h muito tempo havia explodido continuou a fazer as suas vtimas e somente a actuao conjunta das foras militares portuguesas e da FRELIMO ps termo aos desacatos. Entre 74 e 77, ano em que deixmos Moambique, houve alguns acontecimentos violentos envolvendo tambm alguns familiares nossos, relacionados com o tipo de situao de medo e at algum terror que se vivia na altura posterior ao 25 de Abril, clima de insegurana que ultrapassou os primeiros anos de independncia de Moambique. Uma das consequncias da Guerra Colonial e das convulses sociais vividas durante o perodo compreendido entre a revoluo dos cravos e o perodo imediatamente aps os acordos encetados para a sua independncia, foi a descolonizao dos antigos territrios ultramarinos, consequncia qual a antiga colnia de Moambique no foi alheia, tal como sucedeu no caso das outras colnias portuguesas. Calcula-se que entre 1975 e 1977 cerca de meio milho de Portugueses residentes em Moambique, deixaram aquele territrio rumo a Portugal... Muitos dos antigos funcionrios pblicos, incluindo a minha me, foram expulsos do novo pas, no caso dela e dos meus avs foi-lhes carimbado no passaporte: 18 Srgio Iahaya dos Santos Dade grupo 9 do nvel secundrio</p> <p>Expulso da Repblica Popular de Moambique e muitos dos ex-combatentes, que integraram os contingentes portugueses durante a guerra, foram perseguidos e assassinados. Daqueles meus ltimos tempos em Moambique, lembro- me que a partir de 1976 comearam a escassear muitos bens no mercado, incluindo o po. Saamos muito cedo de casa com os meus avs para ir a um bairro prximo comprar po e s vezes aguardvamos horas numa fila enorme e muitas vezes para voltarmos de mos vazias, pois a farinha j se havia acabado. Por alturas desse mesmo ano de 1977 os meus pais separaram-se. Lembro-me de os meus avs e a minha me nos terem levado a passear at vila fronteiria da Namaacha e algures, durante aquele dia da parte da tarde, de nos termos deslocado ao posto fronteirio com a Suazilndia, onde nos despedimos do meu pai, que s voltei a ver vinte anos depois, na frica do Sul onde reside, em 1997... Em 1977 deixmos Moambique e viemos para Portugal, muito, devido situao de insegurana vivida em Moambique e tambm porque as perspectivas de integrao para ns, sendo cidados de nacionalidade portuguesa, eram escassas. Chegamos ao aeroporto de Lisboa no dia 25 de Junho de 1977, tendo recebido algum apoio dos funcionrios da Cruz vermelha presentes no local para auxiliar na chegada todos aqueles que vinham de frica. Segundo se diz, aquela foi a maior ponte area algumas vez empreendida pelo governo Portugus... Quando chegmos a Portugal pouco mais tnhamos do que as nossas roupas do corpo e os pouco mais de 20 kg de bagagens que nos fora permitido trazer connosco. No tnhamos sequer casa prpria ou mesmo algum emprego nossa espera. A vida em Portugal era diferente daquela que deixmos para trs, pois havia desemprego, as estruturas habitacionais pareciam-nos mais empobrecidas do que aquelas que deixamos para trs e as mentalidade geral da populao portuguesa europeia era diferente e um pouco mais aberta do que a da portuguesa das antigas colnias, que era mais conservadora e tambm uma populao de proprietrios de terra. Encontrmos aqui populaes que se...</p>