VESENTINI, J. W. Ensaios de Geografia Crítica

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  • Ensaios de

    Geografia Crtica

  • Jos William Vesentini

    Ensaios de Geografia Crtica

    Histria, epistemologia e (geo)poltica

    EP Editora Pliade

    So Paulo

    2009

  • Copyright 2009, Jos William Vesentini

    Direitos Reservados. Proibida a reproduo, mesmo parcial, por qualquer processo, sem

    autorizao expressa do autor e do editor.

    Capa: Dbora Gomes Dscio.

    Revisado pelo autor.

    Ficha de Catalogao

    Vesentini, Jos William

    V575e Ensaios de geografia crtica: histria, epistemologia e

    (geo)poltica / Jos William Vesentini. - So Paulo: Pliade, 2009.

    220 p.

    ISBN: 978-85-7651-111-3

    1. Geografia Histria 2. Geografia - Filosofia I. Ttulo

    CDU 91

    (Bibliotecria responsvel: Elenice Yamaguishi Madeira CRB 8/5033)

    Conselho Editorial Pliade Profa. Dra. Beatriz Lage - USP

    Profa. Dra. Ldia Almeida Barros - UNESP Prof. Dr. Erasmo de Almeida Nuzzi - Fund. Csper Lbero

    Prof. Dr. Flvio Calazans - UNESP Prof. Dr. Gustavo Afonso Schmidt de Melo - USP

    Prof. Dr. Jos Henrique Guimares - USP Prof. Dr. Lus Barco - USP

    Prof. Dr. Maurizio Babini - UNESP Prof. Dr. Nelson Papavero - USP

    Prof. Dr. Ricardo Baptista Madeira - UniFMU Prof. Dr. Roberto Bazanini - IMES-SC

    Editora Pliade Rua Apac, 45 - Jabaquara - CEP: 04347-110 - So Paulo/SP

    info@editorapleiade.com.br - www.editorapleiade.com.br

    Fones: (11) 2579-9863 (11) 2579-9865

    2009

    Impresso no Brasil

  • SUMRIO

    Apresentao ...........................................................................................7

    Uma cincia perifrica? Reflexes sobre a histria e a

    epistemologia da geografia ...................................................................11

    Controvrsias geogrficas: epistemologia e poltica .............................53

    O que crtica? Ou qual a crtica da geografia crtica? ..................101

    Geografia crtica no Brasil: uma interpretao depoente ....................127

    A questo da natureza na geografia e no seu ensino ...........................158

    A atualidade de Kropotkin, gegrafo e anarquista ..............................173

    A crise da geopoltica brasileira tradicional:

    existe hoje uma nova geopoltica brasileira? ...................................197

    Golbery do Couto e Silva, o papel das foras armadas

    e a defesa do Brasil .............................................................................211

  • 7

    APRESENTAO

    Os escritos aqui reunidos foram elaborados em distintas ocasies alguns em 2001 e outros mais recentemente e abordam, sob diversos prismas, a histria, a epistemologia e a poltica da/na geografia, alm

    da geopoltica brasileira. Alguns so inditos e outros foram publicados

    anteriormente em revistas acadmicas e/ou eletrnicas, mas, em geral,

    foram lidos por poucos em funo da fraca tiragem e da escassa

    penetrao desse tipo de peridico. A ordem em que se encontram foi

    uma escolha subjetiva. De fato, cada um deles autnomo e pode ser

    lido independentemente dos demais.

    Os dois primeiros textos desta coletnea tratam da histria e da

    epistemologia da geografia. O primeiro discute o que cientificidade,

    qual a natureza epistemolgica da geografia e em que sentido se pode

    afirmar que as cincias humanas, como tambm a geografia, so

    cincias perifricas. Esse ensaio na verdade procura evidenciar como o

    projeto epistemolgico da geografia, no sculo XIX em especial com Humboldt , ficou margem tanto da crescente especializao nas cincias naturais, que abandonaram o ideal grego de um estudo

    integrado da natureza, como tambm da noo historicista o homem como um produto do tempo histrico, e no mais das condies

    naturais, que atravs de revolues atinge a sua maioridade que estruturou as cincias humanas nesse perodo.

    O segundo ensaio versa sobre aqueles que provavelmente foram os trs

    mais importantes debates ocorridos na histria da geografia: a polmica

    sobre o determinismo, deflagrada por autores franceses a partir da

    leitura de uma obra de Ratzel; a discusso a respeito do

  • Jos William Vesentini

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    excepcionalismo da geografia ou sobre que tipo de cincia ela ,

    ocorrido nos Estados Unidos nos anos 1950; por fim, o embate entre

    Kropotkin e Mackinder, na Inglaterra vitoriana, sobre o que ou o que

    deveria ser a geografia. Procuramos demonstrar que essas trs

    polmicas se entrecruzam e continuam atuais, ou seja, prosseguem

    sendo questes epistemolgicas e polticas cruciais da cincia

    geogrfica.

    Os escritos quarto e cinco encetam uma discusso sobre o que crtica,

    como esta vem sendo entendida na geografia crtica e quando e como

    esta se instalou no Brasil. Isso significa que tambm eles tm um

    carter histrico e epistemolgico, alm de sua evidente expresso

    poltica. O quinto ensaio enfoca a questo da natureza na geografia e no

    seu ensino. Tambm uma contribuio para o que deve ser afinal uma

    geografia crtica, ou melhor, sobre como ela deve incorporar a questo

    da natureza, embora neste caso circunscrita atividade educativa.

    O sexto texto um longo comentrio sobre a obra do gegrafo e

    anarquista Kropotkin, o grande marginalizado nos estudos relativos

    histria do pensamento geogrfico. Procuramos demonstrar a inegvel

    atualidade das ideias desse pensador avant-garde do final do sculo

    XIX e incios do XX. Apesar de a primeira verso desse artigo ter sido

    redigida em 1986, como introduo a uma antologia de textos do

    intelectual russo, reescrevemos e ampliamos o escrito para inclu-lo

    nesta obra, o que significa que em grande parte ele original.

    Finalmente, os dois ltimos ensaios desta antologia tratam da

    geopoltica brasileira. Um deles discute o significado da escola

    geopoltica brasileira e porque ela ingressou numa crise a partir dos

    anos 1980. O outro aborda determinadas ideias de Golbery do Couto e

    Silva, o mais clebre dessa pliade de pensadores geopolticos que

    desde a dcada de 1920 procurou (re)pensar os rumos do Brasil.

    Qual seria a unidade deste conjunto de ensaios? Eles representam

    tentativas, em diversos assuntos embora no to afastados , de construir uma geografia crtica a partir do significado moderno e

    kantiano desse adjetivo. Crtica que no se confunde meramente com

    falar mal dos objetos enfocados, entendimento amide encontrvel entre alguns gegrafos autoproclamados radicais ou crticos. Por sinal,

  • Ensaios de geografia crtica

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    procuramos tambm mostrar as diferenas, mesmo que relativas, entre

    uma atitude crtica e uma radical. Objetivamos construir uma geografia

    crtica, antes de mais nada, democrtica e pluralista no sentido

    epistemolgico apontado, por exemplo, por Habermas1. Pluralismo

    epistemolgico que dialoga com vrias correntes do pensamento, que

    aproveita elementos de cada uma, embora sempre procurando manter

    uma coerncia terica e uma correspondncia com os fatos. Pode-se,

    ainda, recordar da leitura de Edgar Morin da complexidade

    epistemolgica2, na qual no se trata mais de ser positivista (embora

    tenha algo aqui a ser resgatado), nem dialtico (idem), tampouco

    apenas fenomenolgico, estruturalista ou historicista, mas aceitar a

    complexidade do real e a validade, pelo menos parcial, de cada uma

    dessas perspectivas em determinados itens ou aspectos.

    Incoerncia? Pontos de vista contraditrios e irreconciliveis, como

    diriam os dogmticos? De maneira nenhuma. At poderia ser um

    discurso incoerente se no houvesse uma coeso terica interna e,

    principalmente, uma preocupao em se adequar aos fatos. Sem a

    menor inteno de nos igualarmos e estes, cabe lembrar que, conforme

    esclareceu Hannah Arendt3, todo grande pensador utiliza ideias

    aparentemente contraditrias, fazendo uso, sua maneira, de autores

    clssicos variados e que construram teorias por vezes tidas como

    antinmicas.

    Se esta obra suscitar a crtica e o debate estaremos plenamente

    satisfeitos. Este precisamente o seu objetivo: apresentar outros

    olhares, outras falas sobre determinados temas onde vem imperando, no

    Brasil, nos ltimos anos, uma viso unilateral e hegemnica.

    Acreditamos no esprito acadmico e cientfico, isto , de livre debate,

    de crtica fundamentada, de crescimento a partir do dilogo com os

    outros. A construo do conhecimento, inclusive nas cincias, uma

    atividade social alicerada numa racionalidade comunicativa. Dessa

    forma, quod scripsi, scripsi; e urbi et orbi. Que venham agora as

    crticas, exceto como ironizaram dois intelectuais alemes que viviam

    1 HABERMAS, J. A tica da discusso e a questo da verdade. So Paulo, Martins Fontes, 2007.

    2 MORIN, E. Introduction La pense complexe. Paris, Seuil, 2005.

    3 ARENDT, H. Entre o passado e o futuro. So Paulo, Perspectiva, 1979.

  • Jos William Vesentini

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    na Inglaterra vitoriana aquelas roedoras dos ratos. Que venham enfim os reclames, as correes, as discordncias, os adendos, os acrscimos,

    a complementao... No existe um destino melhor para qualquer obra

    intelectual do que ter sido til para o avano de algum tipo de

    conhecimento.

    So Paulo, abril de 2009.

  • 11

    Uma cincia perifrica?

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