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    14-Aug-2015

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<ol><li> 1. ANDRADE e SILVA (2008) Holos, Ano 24, Vol. 1 93 EDUCAO AMBIENTAL: UMA PERSPECTIVA METODOLGICA EMPREGADA PELO PROJETO NATIVAS NO CAMPUS DA UFRN Ricardo Teixeira Gregrio de Andrade Tecnlogo em Controle Ambiental, CEFET-RN. rtnatal@gmail.com Adriana Cludia Cmara da Silva Biloga. Mestre em Bioecologia Aqutica pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN. adriana@cefetrn.br RESUMO O presente trabalho, tendo como tema Educao Ambiental: uma perspectiva metodolgica empregada pelo Projeto Nativas no Campus da UFRN, dedicado ao estudo da educao ambiental realizada atravs da prtica de arborizao e abordagem terica correlata. Foram abordadas cinco atividades de educao ambiental, realizadas no Campus Universitrio da UFRN, no perodo de julho/2005 a julho/2006, e contemplados estudantes de escolas pblicas e particulares, na faixa etria de 11 a 15 anos. O objetivo geral foi desenvolver a construo da educao ambiental com estudantes de escolas pblicas e particulares atravs de uma perspectiva metodolgica empregada pelo Projeto Nativas no Campus (PNC) - um projeto de extenso da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que desenvolve atividades ambientais nos mbitos social e acadmico, por meio da prtica de arborizao urbana. A metodologia utilizada buscou integrar a educao informal formal e consistiu em dois estgios: programao e efetivao. Esta ltima sendo desenvolvida em quatro momentos: recepo dos alunos, exposio terica dos temas ligados ao meio ambiente, arborizao e momento de interao. Os resultados obtidos tm por base a anlise da metodologia aplicada quanto sua funcionalidade, sendo expostos em funo do comportamento observado nos estudantes e registros efetivados pelos mesmos (questionrios e desenhos). Concluiu-se que a utilizao dessa metodologia para a realizao de atividades de educao ambiental foi vlida. A temtica arborizao permitiu a abordagem de temas inerentes a educao ambiental com vasta abrangncia, tanto no mbito da educao formal, como tambm em destaque, da educao informal. PALAVRAS-CHAVE: Educao ambiental, arborizao, confeco de desenhos, Nativas no Campus UFRN, Meio Ambiente. ENVIRONMENTAL EDUCATION: A METHODOLOGICAL PERSPECTIVE USED BY THE PROJETO NATIVAS NO CAMPUS, FROM UFRN ABSTRACT The present study, which theme is Environmental education: a methodological perspective used by the Projeto Nativas no Campus, from UFRN, is devoted to the environmental education realized through the planting practice and correlate theoretical approach. There were five activities, realized on the Campus from UFRN, from july/2005 to july/2006, within students from public and private schools, among 11 to 15 years old. The mainly objective was to develop the environmental education within students from private and </li><li> 2. ANDRADE e SILVA (2008) Holos, Ano 24, Vol. 1 94 public schools from the Projeto Nativas no Campus (PNC) methodology a extension project from the Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), which develops environmental activities on social and academic ambits, by the urban planting practice. The methodology intended to integrate the informal and formal education and consisted on two phases: programming and execution. This last one developed in four moments: students reception, theoretical exposition of environmental relationed themes, planting practice and integration. The results obtained are based on the functionality of this methodology, and exposed in relation to the students behavior observed and records made by those (questioners and draws). This methodology was considered as valid. The planting thematic has permitted to aboard a vast content of themes related to the environmental education, thus on formal education as much as, on prominence, informal education. KEY WORDS: Environmental education, Planting practice, Draws confection; Nativas no Campus - UFRN; Environment. </li><li> 3. ANDRADE e SILVA (2008) Holos, Ano 24, Vol. 1 95 EDUCAO AMBIENTAL: UMA PERSPECTIVA METODOLGICA EMPREGADA PELO PROJETO NATIVAS NO CAMPUS DA UFRN 1 INTRODUO O presente estudo expe um trabalho de educao ambiental desenvolvido com estudantes de escolas pblicas e particulares, na faixa etria de 11 a 15 anos, atravs da prtica da arborizao e abordagem terica correlata. A problemtica a ser estudada : A metodologia da prtica da arborizao e abordagem terica valida para a conscientizao ambiental? As escolas contempladas foram as seguintes: Escola Estadual Lauro de Castro, Escola Estadual Presidente Caf Filho, Escola Estadual Floriano Cavalcanti, o Centro Educacional Santo Agostinho, Escola Municipal Professora Francisca Ferreira de Souza e CDF Colgio e Curso Unidade Deodoro. Foi detectado nas escolas um baixo ndice de arborizao e reas verdes conservadas no terreno da escola. Os coordenadores das escolas afirmam procurarem desenvolver temticas ligadas educao ambiental inseridas nos contedos disciplinares. Entretanto, somente a Escola Estadual Presidente Caf Filho possui um trabalho de educao ambiental realizado no mbito informal, realizado em conjunto com um projeto denominado Projeto sementinha. O objetivo principal desenvolver a construo da educao ambiental com estudantes de escolas pblicas e particulares atravs de uma perspectiva metodolgica empregada pelo Projeto Nativas no Campus (PNC). Visando almejar tal finalidade, podem ser enumerados os seguintes objetivos especficos: a) sensibilizar os estudantes pela realizao de um trabalho de educao ambiental atravs da prtica de arborizao e suas decorrncias; b) avaliao dos jogos, questionrios e desenhos aplicados e confeccionados como mensurao da formao de uma conscincia ambiental; c) proposio de uma atividade de aprendizado atravs do lazer e do ldico; d) construo sistemtica de um processo de crescimento pessoal e coletivo dentro dos momentos da atividade; O captulo Projeto Nativas no Campus (PNC) expe sobre o projeto e suas finalidades, o qual foi meio de realizao das atividades de educao ambiental desenvolvidas. Na Metodologia esto descritos as reas onde ocorreram as atividades, as formas empregadas nas realizaes dos plantios e as atividades de educao ambiental. Os resultados e as discusses expem as aes desenvolvidas e so referenciados com base na pesquisa bibliogrfica. 2 A IMPORTNCIA DA EDUCAO AMBIENTAL PARA A SENSIBILIZAO ECOLGICA Uma criana ao nascer, j desperta para o conhecimento e interao com o meio. medida que se desenvolve, ela passa a ampliar seu conhecimento atravs da educao, recebida por diversas frentes, e aprende a interagir com pessoas e ambientes diversos. Saviani (1993 apud PHILIPPI e PELICIONI 2002) declaram que a educao em sentido amplo um processo permanente que se inicia quando se nasce e que perpassa por toda a vida, </li><li> 4. ANDRADE e SILVA (2008) Holos, Ano 24, Vol. 1 96 preparando o cidado para a vida social, na medida em que se aprendem todas as normas da sociedade e seus valores culturais. A educao, bem como o que cada ser carrega no ntimo, contribui para a formao do carter, individual e coletivo. Segundo o Dicionrio Aurlio (1999), o verbete educao definido como: (...)2. Processo de desenvolvimento da capacidade fsica, intelectual e moral da criana e do ser humano em geral, visando sua melhor integrao individual e social(...). Essa capacidade fsica, intelectual e moral do ser humano se traduz nas vises de mundo e nos valores pessoais e coletivos, que so responsveis pelas aes praticadas e no praticadas em quase todos os nveis, includo o nvel ambiental. Segundo Ulman (1982): a educao consiste numa ao exercida por um ser humano sobre outro ser humano mais freqentemente, por um adulto sobre uma criana para permitir ao educado a aquisio de certos traos culturais (saberes ou maneiras de agir tanto tcnicas como morais), que os costumes, o sentimento ou uma convico reflectiva consideram desejveis. A aprendizagem educacional, inicialmente, tem por base os pais que fomentam o afloramento dos sentimentos e ensinam as primeiras noes de comportamento ntimo, social e ambiental. Seqencialmente, a educao passa a ser tambm recebida pela sociedade, atravs da prpria vivncia e da escolarizao. Embora a escola no exera o papel de redentora da sociedade, , no entanto, a instituio que, junto com a famlia, deve criar a conscincia cidad das novas geraes (MIGOTTO, 2004, p. 20). Em Vasconcelos (2006), pode-se ver que Durkheim pensa que a educao como um meio importante de socializao que espalha valores no conjunto da sociedade, participa ativamente na formao de uma conscincia coletiva e, assim, se torna um princpio de integrao social (DURKHEIM 1922, 1938 apud VASCONCELLOS, 2006). Segundo Martins Junior (2006), a educao torna-se central ao conceito de cidadania, tendo como papel fundamental transformar o homem em cavalheiro, ou seja, promover a conscientizao necessria na evoluo do sujeito como cidado. imensa a importncia e responsabilidade da educao escolar na formao da ndole de cada pessoa e seu papel social. Por meio da educao, a transmisso dos valores, padres e hbitos mentais de uma gerao outra est garantida de modo metdico (VASCONCELLOS, 2006). Nesse sentido, a educao como um todo molde da natureza humana pessoal e coletiva que rege os valores, padres e hbitos dos indivduos e de toda uma sociedade ao longo do tempo. Na Conferncia Internacional de Moscou, a UNESCO (1987) definiu: A Educao Ambiental um processo permanente no qual os indivduos e a comunidade tomam conscincia do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos, habilidades, experincias, valores e a determinao que os tornam capazes de agir, individual ou coletivamente, na busca de solues para os problemas ambientais, presentes e futuros. As conceituaes sobre educao ambiental existem de vrias formas, semelhantes e, inclusive, mais recentes. Embora a definio acima tenha sido idealizada h duas dcadas, perceptvel que a mesma se mantm atual. O planeta Terra ainda sofre profundas alteraes malficas, fruto de uma falta de conscincia ambiental. </li><li> 5. ANDRADE e SILVA (2008) Holos, Ano 24, Vol. 1 97 A educao ambiental se mostra uma alternativa concreta na consolidao da conscincia ambiental e na formao de uma sociedade que permita uma maior abrangncia de explorao das temticas ambientais. Assim como citado nos Parmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 2001, p. 24), a educao sozinha no suficiente para mudar os rumos do planeta, mas certamente condio necessria para tanto, e: Todas as recomendaes, decises e tratados internacionais sobre o tema evidenciam a importncia atribuda por lideranas de todo o mundo para a educao ambiental como meio indispensvel para se conseguir criar e aplicar formas cada vez mais sustentveis de interao sociedade-natureza e solues para os problemas ambientais. Medina (1999) expe que: No se trata to-somente de ensinar sobre a natureza, mas de educar para e com a natureza; para compreender e agir corretamente ante os problemas das relaes do homem com o ambiente; trata-se de ensinar sobre o papel do ser humano na biosfera, para a compreenso das complexas relaes entre a sociedade e a natureza, e dos processos histricos que condicionam os modelos de desenvolvimento adotados pelos diferentes grupos sociais. A educao ambiental, portanto, um processo de ensino-aprendizagem para o exerccio da cidadania (PHILIPPI e PELICIONI, 2002). A ela cabe construir novos valores e novas relaes sociais e dos seres humanos com a natureza formando atitudes dentro de uma nova tica, a da melhoria da qualidade de vida para todos os seres. 3 PROJETO NATIVAS NO CAMPUS O Projeto Nativas no Campus (PNC) um projeto de extenso universitria da UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com o objetivo principal realizar uma arborizao do campus universitrio da UFRN, de forma paulatina e sustentvel, e suscitar suas decorrncias nos demais mbitos sociais e acadmicos, como educao ambiental, incluso social, dentre outros. Os objetivos especficos do PNC so: a) contribuir para uma melhora na qualidade ambiental do Campus Universitrio; b) realizar uma arborizao que atenda ao ndice recomendado pela ONU (12 m2 de rea verde por habitante); c) contribuir para o enriquecimento do aspecto paisagstico do Campus Universitrio; d) avaliar o crescimento e adaptao das rvores plantadas a partir da metodologia empregada; e) avaliar o potencial das espcies plantadas para a arborizao de diferentes setores urbanos (rua, praa, parque, etc), tendo como base o levantamento de dados sobre o porte, flores, frutos, disperso de sementes, alimento para a fauna, afloramento de razes, dentre outros; f) realizar atividades de educao ambiental com jovens e crianas; g) realizar terapia ocupacional com pacientes do setor pblico. A estratgia abordada a utilizao de espaos urbanos para conservao de espcies vegetais ameaadas de extino, atravs do plantio de espcies nativas da mata atlntica. As espcies so escolhidas levando-se em conta dois fatores: a) sua representatividade e importncia no bioma mata atlntica; b) disponibilidade nos hortos para doao. A </li><li> 6. ANDRADE e SILVA (2008) Holos, Ano 24, Vol. 1 98 utilizao das espcies da mata atlntica faz o diferencial do projeto, visto que so as mais bem adaptadas s condies naturais locais, intrnsecas ao bioma. Visa-se adquirir a sustentabilidade da arborizao realizada, atravs da constante manuteno das plantas, includos irrigao, adubao, poda e amarrao. O PNC estruturado em uma coordenao geral e demais coordenaes (manuteno, acompanhamento cientfico, educao ambiental, incluso social, divulgao), compostas por equipes que desempenham funes especficas, porm interligadas. A coordenao de educao ambiental a de maior relevncia para este estudo e o exerccio de suas atividades ser abordado mais adiante. 4 METODOLOGIA 4.1 Caracterizao da rea A rea de atuao do PNC o Campus Universitrio da UFRN, o qual se situa na Av. Senador Salgado Filho, 3000, Lagoa Nova, Natal. O Campus localiza-se ao lado do Parque Estadual Dunas de Natal (Figura 1), estando grande parte de seu permetro em contato direto com este. Figura 1 Foto area de Natal, Campus Universitrio da UFRN em destaque. Fontes adaptadas: Google Earth Inc. e Departamento de memria da Superintendncia da UFRN Apesar da proximidade com o grande remanescente de mata atlntica do Parque das Dunas, o Campus da UFRN sofre com o calor generalizado e o empobrecimento paisagstico, os quais so provocados pela escassez de rvores (MASCARO e MASCAR, </li><li> 7. ANDRADE e SILVA (2008) Holos, Ano 24, Vol. 1 99 2002). O Campus possui 123 hectares e, anteriormente implantao do PNC, continha somente 3.733 rvores, valor este que corresponde ao ndice de 1 rvore para cada 333,3 m2 ou 1 rvore para aproximadamente 10 indivduos da UFRN (CESTARO, 2005). Este ndice, se comparado ao recomendado pela ONU, de 12 m2 de rea verde por habitante de regio urbana, indica que a situao est bem aqum do ideal. Na Figura 2 esto demarcadas as reas onde foram desenvolvidas as atividades no Campus Universitrio da UFRN. Todas as quatro reas - Florestinha dos Primatas; Bioparque; Avenida do RU; e rea verde do Centro de C...</li></ol>