Concepções da loucura

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    23-Jun-2015

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  • 1. 1CONCEPES DA LOUCURAATRAVS DOSTEMPOS

2. ASPECTOS HISTRICOS (CONCEPESDA LOUCURA ATRAVS DOS TEMPOS)Pr histria : as pessoas comtranstornos mentais eram tratadas deacordo com os ritos tribais. Se essesfracassavam, deixava-se que osindivduos morressem de inanio oufossem atacados por feras.Na antiguidade: O transtorno mentalindicava insatisfao dos deuses, sendouma punio por pecados e mconduta. 2 3. ASPECTOS HISTRICOS (CONCEPESDA LOUCURA ATRAVS DOS TEMPOS)Eras Grega e Romana : s vezes, eramtratadas com grande delicadeza; mas emoutras ocasies, o tratamento era severo ebrbaro.Aristteles (382 322): Tentou relacionar ostranstornos mentais a distrbios fsicos,desenvolvendo a teoria de que a quantidade desangue (alegria), gua (calma) e de bileamarela (raiva) e negra (tristeza) no corpocontrolava as emoes. O tratamento era pelasangria, inanio e purgao. 3 4. ASPECTOS HISTRICOS (CONCEPESDA LOUCURA ATRAVS DOS TEMPOS)No incio da era crist (1-1000 d.C.):(Idade Mdia)- Atribuam os TM a demnios, oindivduo era considerado possudo.- Padres realizavam exorcismo paraexpulsar maus espritos. Quando nofuncionava, realizavam o encarceramentoem calabouos, com aoites e inanio.4 5. ASPECTOS HISTRICOS (CONCEPESDA LOUCURA ATRAVS DOS TEMPOS)Renascimento (Sculo XV e XVI): Osloucos inofensivos viviam soltos, faziamparte das paisagens da cidade. Oslunticos mais perigosos eramlanados em prises, acorrentados esubmetidos a inanio.A loucura estava associada atranscendncias imaginrias.5 6. 6ASPECTOS HISTRICOS (CONCEPES DALOUCURA ATRAVS DOS TEMPOS)Sculo XVII e XVIII: (Iluminismo)Desde esse sculo o mundo da loucura ficouligado ao mundo da excluso, estabeleceu um elocom o processo de internamento. Pinel foidecisivo para a consolidao desse processo; considerado um dos fundadores da clnicamdica. Esquirol, fundou nada menos do que 10asilos e foi o primeiro professor regular depsiquiatria.Dorothea Dix (1802-1887) iniciou movimento parareformular o tratamento da doena mental. Mas100 anos depois o asilo era lugar de maus tratos. 7. 7ASPECTOS HISTRICOS (CONCEPES DALOUCURA ATRAVS DOS TEMPOS)A partir do sculo XIX, h a produo de umapercepo dirigida pelo olhar cientfico sobre ofenmeno da loucura e sua transformao em objetode conhecimento: a doena mental. O asilo era por excelncia o lugar do tratamento moral;era antes de tudo, a ordem da moralidade reduzida esquemas de leis, obrigaes e constries e quelevariam a cura do alienado. A partir desse princpio, o paradigma da internao irdominar, por um sculo e meio, toda a medicinamental(Castel, 1978:86). 8. 8ASPECTOS HISTRICOS (CONCEPES DALOUCURA ATRAVS DOS TEMPOS)Sculo XIX e incio do XXSigmund Freud transforma a assistnciapsiquitrica com a Psicanlise. Surge a viso dohomem como um todo e a histria de vida destehomem como o fator preponderante nostranstornos mentais. Ele estudou a mente, seustranstornos e respectivos tratamentos cientficos.Emil Kraepelin (1856-1926): Iniciou aclassificao dos transtornos mentais.Eugene Bleuler : Nomeou a Esquizofrenia. 9. ASPECTOS HISTRICOS (CONCEPESDA LOUCURA ATRAVS DOS TEMPOS)1950 PsicofarmacologiaFarmacos Psicotrpicos:- Antipsictico CLORPROMAZINA- Antimanaco LTIOReduziam a agitao, o pensamentopsictico e a depresso. O tempo dahospitalizao diminuiu, e muitospacientes puderam voltar para casa.9 10. 10ASPECTOS HISTRICOS (CONCEPES DALOUCURA ATRAVS DOS TEMPOS)Na contemporaneidade a partir das transformaessociais e polticas que vinham acontecendo nocampo da psiquiatria, em pases da Europa(Inglaterra, Frana e principalmente Itlia) e nosEstados Unidos da Amrica, inicia-se no Brasil omovimento da Reforma Psiquitrica. Estemovimento recebeu esta denominao porapresentar e desencadear mudanas que vo muitoalm da mera assistncia em sade mental. Estasvm ocorrendo nas dimenses jurdicas, polticas,scio-culturais e tericas. 11. 11PSIQUIATRIA REFORMADA Movimentos reformistas da psiquiatria nacontemporaneidade.Os acontecimentos mais importantes: as duasgrandes Guerras Mundiais e os desdobramentos quese seguiram durante a reestruturao dos paseseuropeus.A eficcia das instituies asilares passou a serquestionada, surgindo assim, diversos movimentospsiquitricos os quais tm reflexos no processo deReforma Psiquitrica no Brasil e na prtica dosdiversos profissionais de sade. 12. 12MOVIMENTOS PSIQUITRICOSComunidades teraputicas (Inglaterra) e Psicoterapiainstitucional (Frana) Representam reformas restritas ao mbito hospitalarPsiquiatria de setor (Frana) e Psiquiatria comunitriaou preventiva (E.U.A) Representam reformas que visam superar o espaoasilar como local de tratamento do doente.Antipsiquiatria(Inglaterra) e Psiquiatria Democrticaou Movimento de Desinstitucionalizao (Itlia) Projetos de rupturas com os movimentos anteriores,colocam em questo o prprio conceito de doenamental, as instituies, os saberes psiquitricos e asformas de tratamento. 13. 13MOVIMENTOS PSIQUITRICOSPsiquiatria Democrtica ou Movimento deDesinstitucionalizao (Itlia).Conduziu ao fim da violncia da instituiopsiquitrica com a superao do manicmio,constituindo um circuito de ateno que, aomesmo tempo em que oferece e produzcuidados, oferece novas formas desociabilidade e de subjetividade para aspessoas que necessitam de assistnciapsiquitrica. 14. 14MOVIMENTOS PSIQUITRICOSFim dos manicmiosConstruo dos C.S.M. aberto 24hUrgncias atendidas em hospital Geral compossibilidade de internao noturna.Cooperativas de produo e trabalho.MOVIMENTO DA REFORMA PSIQUITRICA NO BRASIL Processo complexo de desconstruo de uma polticahegemnica at incio dos anos 80 e construoparticipativa de um lugar social para o loucoatravs deiniciativas setoriais na sade, justia, parlamento,educao, cultura, direitos humanos etc. 15. 15MOVIMENTO DA REFORMA PSIQUITRICA NOBRASILAdota os conceitos da Psiquiatria Democrtica Italiana deRotelli e Basaglia. Esses autores advogam a criao de umarede territorializada, potencializadora de solues mltiplas alidar com a existncia sofrimento de cidados concretos, eno de doenas em abstrato.O objetivo principal humanizar o atendimento a doentesmentais, melhorar as condies dos trabalhadores de sademental, criar uma rede de servios extra-hospitalares,substitutiva ao hospital / manicmio, e rever saberes e prticasexcludentes (AMARANTE, 1992). 16. Perodo de 1978 a 1987 GerminativoNo havia uma crtica clara do modelo asilar,mas existia uma importante crtica expanso do setor privado e mercantilizao da loucura.Instituio do Movimento de Trabalhadoresem Sade Mental.Ambulatorizao (SP e MG) pequenoimpacto global1987 Congresso de Bauru, os T.S.M.adotaram a consigna: Por uma sociedadesem manicmios. Luta anti-manicomial.16 17. 17Perodo de 1987 a 1999Entre a cidadania e a crise tecnolgicaNovos atores: usurios, familiares, sindicalistas,associaes cientficas.Discusso sobre a natureza do saber e das prticas e dasinstituies psiquitricas.Principais marcas do perodo Crise dos saberes e dos procedimentos A luta anti-manicomial reconhece no debate sobre os direitosdos pacientes psiquitricos Criao do primeiro CAPS, no centro de So Paulo. 1992 II C.N.S. Mental, com participao de usurios efamiliares 1993 1999 reduo de leitos, ampliao do movimento dosusurios. 18. 18Perodo aps 19992000 Ano Internacional da Sade Mental2001 Promulgao da Lei 10.216, da Reforma Psiquitrica.III C.N.S.Mental.2002 Ampliao do CAPS e residncias teraputicas,reduo de leitos. Expanso dos servios de base territorial2003 Lei Federal 10.708 de 31 de Junho (de volta paracasa). 19. 19CENTRO DE ATENO PSICOSSOCIALCONCEITO DO CAPSSo instituies destinadas a acolher ospacientes com transtornos mentais, estimularsua integrao social e familiar, apoi-los emsuas iniciativas de busca da autonomia,oferecer-lhes atendimento mdico epsicolgico. Sua caracterstica principal buscar integr-los a um ambiente social ecultural concreto, designado como seuterritrio. Os CAPS constituem a principalestratgia do processo de reforma psiquitrica.(Portaria n 336/GM, 19/02/2002). 20. 20CENTRO DE ATENO PSICOSSOCIALCLASSIFICAOCAPS tipo I 20.000 a 70.000 habitantes.CAPS tipo II 70.000 a 200.000 habitantesCAPS tipo III - + que 200.000 habitantes 24 horasCAPS tipo i crianas 200.000h.CAPS Tipo ad dependentes qumicos 70.000 habitantes.Atendimentos: intensivo,semi- intensivono intensivo. 21. 21CENTRO DE ATENO PSICOSSOCIALSERVIOS PRESTADOSAtendimento individualAtendimento em gruposAtendimento em oficinas teraputicasVisitas e atendimento domiciliarAtendimento famliaAtividades comunitriasAcolhimento noturno 22. 22Rede de Ateno a Sade MentalProntos Socorros GeraisUnidades Bsicas de SadePSF/PACSResidncias teraputicasLeitos em hospitais geraisCAPS adCAPS iCentro ComunitrioInstituies de Defesa dos Direitos dos Usurios. 23. OBRIGADA!!!23 24. 24REFERNCIASAMARANTE, P. O homem e a serpente: outras histriassobre a loucura e a psiquiatria. Rio de Janeiro: Fiocruz,1996.AMARANTE, P. et al. Loucos pela vida: A trajetria dareforma psiquitrica no Brasil. Rio de Janeiro: PanoramaENSP.1995.BRASIL. Ministrio da Sade. Sade Mental no SUS: OsCentros de Ateno Psicossocial.Braslia, 2004-11-15COSTA, J.F. Histria da psiquiatria no Brasil: um corteideolgico. 3 ed.Rio DE Janeiro: Campus, 1981.GOFFMAN. E. Manicmios, prises e conventos. SoPaulo: Perspectiva. 1987.