Hermenêutica na igreja primitiva 7

  • Published on
    06-Jun-2015

  • View
    9.352

  • Download
    3

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Estes slides foram utilizados nas minhas aulas sobre hermenutica

Transcript

<ul><li> 1. Hermenutica na Igreja Primitiva Prof. Bruno Cesar www.bruno-cesar.com </li></ul> <p> 2. Nos perodo dos primeiros sculos na Igreja Crist, o desenvolvimento dos princpios hermenuticos est associado a trs diferentes centros da vida da Igreja. So elas: 1) ESCOLA DE ALEXANDRIA 2) ESCOLA DE ANTIOQUIA 3) TIPO DE EXEGESE OCIDENTAL 3. 1) ESCOLA DE ALEXANDRIA 4. No incio do terceiro sculo d. C. , a interpretao bblica foi influenciada especialmente pela escola de Alexandria. Esta cidade foi um importante local de aprendizado, onde a religio judaica e a filosofia grega se encontraram e exerceram influncia uma sobre a outra. A filosofia platnica ainda estava em curso nas formas de Neoplatonismo e o Gnosticismo. E no de se admirar que a famosa escola catequtica dessa cidade casse sob o 5. encanto da filosofia popular e se acomodasse sua interpretao da Bblia. O mtodo natural encontrado para harmonizar religio e filosofia foi a interpretao alegrica, visto que: A) Os filsofos pagos j haviam, por um longo tempo, aplicado o mtodo na interpretao de Homero e, assim, mostrando o caminho: e B) Filo, que tambm era um alexandrino, emprestou ao mtodo o peso a sua autoridade, reduzindo-o a um sistema e aplicou-o at mesmo nas mais simples narrativas. 6. Os principais representantes dessa escola foram Clemente de Alexandria, e seu discpulo Orgenes. Ambos consideravam a Bblia como Palavra inspirada de Deus, no sentido mais estrito, e compartilhavam da opinio corrente de que regras especiais tinham de ser aplicadas na interpretao das mensagens divinas. 7. E, embora reconhecessem o sentido literal da Bblia, eram da opinio de que s a interpretao alegrica contribua para o conhecimento real. CLEMENTE DE ALEXANDRIA foi o primeiro a aplicar o mtodo alegrico interpretao do Novo Testamento assim como do Antigo. Ele props o princpio de que toda Escritura deve ser entendida de forma alegrica. Isso foi um passo frente em relao a outros intrpretes cristos, e constitui a principal caractersticas da posio de Clemente. 8. De acordo com ele, o sentido literal s poderia fornecer uma f elementar, enquanto o sentido alegrico conduziria a um conhecimento real. Seu discpulo ORGENES, superou-o em cincia e influncia. Foi, sem dvida, o maior telogo do seu tempo. Mas seu mrito principal est na sua obra sobre criticismo textual invs da interpretao bblica. Em uma de suas obras, forneceu uma teoria detalhada de interpretao. 9. O princpio fundamental dessa obra , que o significado que o Esprito Santo d sempre simples e claro e digno de Deus. Tudo que parece obscuro e imoral e inconveniente na Bblia serve simplesmente como um incentivo para transcender ou passar alm do sentido literal. Orgenes considerava a Bblia como um meio para a salvao do homem; e porque, de acordo com Plato, o homem consiste de trs partes o corpo, alma e esprito aceitou um sentido trplice, a saber o literal, o moral e o mstico ou alegrico. Na sua prxis exegtica, preferia desconsiderar o sentido literal da Escritura, referia-se raramente ao sentido moral e usava constantemente a alegoria uma vez que s ela produziria o conhecimento real. 10. 2) ESCOLA DE ANTIOQUIA A escola de Antioquia foi provavelmente fundada por Doroteu e Lcio prximo do fim do terceiro sculo. Seu maior marco compreendia dois dos seus ilustres discpulos, Teodoro de Mopsustia e Joo Crisstomo. Esses dois homens diferiam grandemente em cada aspecto. Teodoro sustentava vises preferivelmente liberais a respeito da Bblia, enquanto Joo a considerava como sendo, 11. Em cada parte, a infalvel Palavra de Deus. A exegese do primeiro era intelectual e dogmtica; a do ltimo, mais espiritual e prtica. Um era famoso como crtico e intrprete; o outro, embora fosse hbil exegeta, ofuscou todos os seus contemporneos como um orador de plpito. Por essa razo, Teodoro foi intitulado O Exegeta, enquanto Joo foi chamado de Crisstomo (boca de ouro) pelo esplendor de sua eloquncia. Eles foram longe rumo ao desenvolvimento da exegese verdadeiramente cientfica, reconhecendo, como fizeram, a necessidade de se determinar o sentido original da Bblia, a fim de us-la proveitosamente. 12. No somente deram grande valor ao sentido literal da Bblia, mas, conscientemente, rejeitaram o mtodo alegrico de interpretao. No trabalho da exegese Teodoro superou Crisstomo. Ele tinha um interesse pelo fator humano na Bblia, mas, infelizmente, negava a inspirao divina de alguns dos livros escritursticos. Ao invs do mtodo alegrico, ele defendia a interpretao histrico- gramatical, na qual estava muito frente do seu tempo. Embora reconhecesse o elemento tipolgico na Bblia e tenha encontrado 13. Passagens messinicas em alguns dos Salmos, explicou a maioria deles do ponto de vista histrico. 14. 3) TIPO DE EXEGESE OCIDENTAL Um tipo intermedirio de exegese surgiu no Ocidente. Ele abrigava alguns elementos da escola alegrica de Alexandria, mas tambm reconhecia alguns dos princpios da escola de Antioquia. Seu aspecto mais caracterstico, no entanto, se encontrava no fato de ter promovido outro elemento, o qual no tinha se feito valer at aquele tempo, a saber, a autoridade da tradio e da Igreja na interpretao da Bblia. 15. O valor normativo foi atribudo ao ensino da Igreja no campo da exegese. Este tipo de exegese foi representado por Hilrio e Ambrsio; mas especialmente por Jernimo e Agostinho. A fama de Jernimo baseada mais na sua traduo da Vulgata do que nas suas interpretaes da Bblia. Ele tinha familiaridade com o hebraico e com o grego, mas sua obra no campo exegtico consiste, primeiramente, de um grande nmero de notas lingusticas, histricas e arqueolgicas. Agostinho se diferenciava de Jernimo no fato de seu conhecimento das lnguas originais ser bem deficiente. 16. Isso mesmo que dizer que ele no foi, primeiramente, um exegeta. Ele foi grande em sistematizar as verdades da Bblia, mas no na sua interpretao da Escritura. Seus princpios Hermenuticos, os quais trabalhou em seu De Doctrina Christiana, eram melhores do que sua exegese. Ele advogava que um intrprete deveria ser filolgica, crtica e historicamente equipado para sua tarefa e, acima de tudo, tivesse amor pelo seu autor. Enfatizou a necessidade de se ter considerao pelo sentido literal e de basear o alegrico sobre ele; mas, ao mesmo tempo, entregou-se 17. Livremente interpretao alegrica. Alm disso, em casos onde o sentido da Escritura era duvidoso, opinou decididamente pela regula fidei (regra de f), pela qual tencionava uma declarao de f sucinta da Igreja. Infelizmente, Agostinho tambm adotou um sentido qudruplo da Escritura: histrico, etiolgico, analgico e alegrico. Foi, particularmente, nesse aspecto que ele influenciou a interpretao na Idade Mdia. 18. Agostinho de Hipona tambm usou o mtodo alegrico e o aplicou parbola do Samaritano. Certo Homem descia de Jerusalm para Jeric Ado Jerusalm a cidade celestial da paz, da qual Ado Caiu Jeric a lua, assim significa a imortalidade de Ado Salteadores o diabo e seus anjos Lhe roubaram a saber: sua imortalidade 19. Lhe causaram ferimentos ao persuadi-lo a pecar Deixando-o semimorto como homem, vive, mas morreu espiritualmente; portanto semimorto O sacerdote e o levita o sacerdcio e ministrio do Antigo Testamento O samaritano diz-se que significa guardador; logo, a referncia ao prprio Cristo Pensou-lhes os ferimentos significa restringir o constrangimento ao pecado leo o consolo da boa esperana Vinho a exortao para trabalhar com um esprito fervoroso Animal a carne da encarnao de Cristo Hospedaria A Igreja Dia seguinte depois da ressurreio Dois denrios a promessa desta vida e da do porvir Hospedeiro - Paulo 20. CONCLUSO Os cristos dos primeiros sculos divergiam tanto nos mtodos de interpretao bblica quanto os cristos atuais. Os mtodos devem ser avaliados com respeito e cuidado. Precisamos observar como os reformadores lidaram com a interpretao das Escrituras. 21. Praticamente todo o contedo desses slides so da excelente obra: BERKHOF, Louis. Princpios de Interpretao Bblica. So Paulo: Cultura Crist, 2000. pp. 17-21. </p>