Lit Infant 2a Aula

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    26-Jul-2015

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<p> 1. UNIMONTES Departamento de Comunicao e Letras AULA TEMTICA Prof. Francisco Rodrigues Jnior Literatura Infanto JuvenilPARA QUE SERVE A LITERATURA INFANTIL? 2. PARA QUESERVEALITERATURA INFANTIL ? Alguns responderiam, pensando bastante, que, sendo a literatura uma arte, funciona como a msica, ou como a pintura: no tem finalidade prtica e imediata. Para algum definir assim a relao de um pequeno ser humano com um livro, quando este uma obra de arte literria, necessrio pensar que isso a apreciao artstica no perda de tempo em nossa sociedade de hoje, em que a vida se faz de enigmas e de rpidas transformaes. 3. O pequeno leitor l aqueles livros que lhe provoquem alguma satisfao no momento mesmo da leitura, livros que o envolvam prazerosamente com o texto, com o modo de contar a historinha, e, afinal, pela prpria histria contada, que pode impressionar, emocionar, espantar. 4. A arte nos permite conhecer melhor o existente, ao percebermos outras possibilidades deexistir. 5. Ento, diriam alguns, assistir s novelas da televiso tambm no seria perda de tempo! E os defensores da arte, mesmo de cara feia, teriam de concordar: as horas de lazer que se associam inveno, imaginao, ao faz-de-conta, so boas e importantes para as pessoas . 6. Entretanto, algum pode contra-argumentar, alegando que no considera novelas de tev como obras de arte, porque so vulgares, repetitivas, foradas. que essa pessoa at hoje no conseguiu ver valor em alguma novela, no se envolve, no se emociona. Para essa pessoa, realmente as novelas de televiso no tm tido valor artstico. Mas, para outros, tm. A validade artstica de cada produo, seja um poema, seja uma pea de teatro, seja uma msica, depende de quem a est lendo. No h e nunca houve uma verdadeira arte que valesse o mesmo para todos no mundo, em todas as pocas, porque as pessoas tm expectativas, preferncias e repertrios diferentes. 7. H as diferenas de critrios de valor que dependem fundamentalmente de cada poca histrica. Imaginem o que representa hoje para o leitor comum uma obra comoOs Lusadas , do poeta portugus Cames, que viveu e escreveu seus versos h quatrocentos anos. Parece quase escrita em outra lngua, parece quase impossvel a leitura. O cidado comum teria de passar por uma formao emliteraturae histria literria, alm de obter noes de como trabalhar filologia e estilstica na leitura de poesia, para conseguir uma leitura satisfatria deOs Lusadas . 8. Arte, diriam os prticos, arte para qu? perda de tempo, frescura de gente desocupada. Arte hoje no tem valor prprio, s vale se virar indstria e comrcio, se tiver valor no mercado. H muita discusso. Para as pessoas que acreditam no valor da experincia artstica, nada de positivo, do ponto de vista humano, existe na idia fixa de que tudo, inclusive o tempo, dinheiro. O prazer e crescimento humanos que uma experincia artstica pode trazer nunca seriam perda de tempo. 9. Afinal, para que serve essa tal deliteratura infantil ? H os adultos que pensam nisso de um modo que tenta unir o til ao agradvel. Pensam assim: por que esse menino, enquanto vai gostando tanto da historinha que l, no pode ir aprendendo algumas coisas de maior utilidade? Arte no pode ter aquilo que chamamos de utilidade prtica? Ser que uma criana, enquanto l a histria da cigarra e da formiga, no pode ir recebendo lies de zoologia, aprendendo algo sobre os insetos de verdade? La Fontaine 10. Na historinha da cigarra e da formiga uma fbula antiga os insetos falam. E como essa fbula j foi traduzida em muitas lnguas, a formiga e a cigarra so mesmo poliglotas: falam portugus, ingls, francs, espanhol, alemo, russo, japons... Alm do mais, na fbula, a formiga guarda alimentos, como pedacinhos de folhas, paracomerno inverno. Mais uma mentira, do ponto de vista da cincia. Imaginemos o que teria de ser alterado nessa fbula, para garantir que a histria estivesse zoologicamente correta! Japo China Frana Brasil Portugal La Fontaine 11. A fbula da cigarra e da formiga, como toda fbula no sentido clssico, transmite uma lio de moral, no s para as crianas, mas, principalmente, para os adultos. Nesse caso, a de que precisotrabalhar duro para sobreviver. Mas a arte, nessa histria, no considerada um trabalho digno, do qual as pessoas possam querer sobreviver. As cigarras no so prticas, como as formigas. Dedicadas ao canto, esto condenadas a morrer de frio e de fome no inverno. O poeta, tomando o partido dos artistas, reage, como Jos Paulo Paes:mas sem a cantiga/ da cigarra/ que distrai da fadiga/ seria uma barra/ o trabalho da formiga. Jos Paulo Paes 12. Lemos um poema doescritor mineiro, Alphonsus de Guimaraens a seguinte poesia: Quando Ismlia enlouqueceu, Ps-se na torre a sonhar... Viu uma lua no cu, Viu outra lua no mar. No sonho em que se perdeu, Banhou-se toda em luar... Queria subir ao cu, Queria descer ao mar... E, no desvario seu, Na torre ps-se a cantar... Estava perto do cu, Estava longe do mar... E como um anjo pendeu As asas para voar... Queria a lua do cu, Queria a lua do mar... As asas que Deus lhe deu Ruflaram de par em par... Sua alma subiu ao cu, Seu corpo desceu ao mar ...ISMLIA 13. Intui esse leitor encantado que o sonho e a realidade no so feitos de matrias diferentes, embora s vezes paream to distantes um do outro. Eis a, realizada, o que se pode chamar deleitura literria . pouco? Interessaria, de fato, saber o sentido do verboruflar ? Interessaria, de fato, contar, com suas prprias palavras ah, quem nos dera palavras prprias de verdade, ou melhor, ainda bem que ningum possui palavras prprias, s suas de verdade, como uma escova de dentes... mas, de qualquer modo, interessa de fato saber recontar fielmente a histria de Ismlia? Ismlia, quem diria, acabou morrendo numa favela do Rio de Janeiro... ou num apartamento de cobertura na Praa daliberdade. 14. Quando uma criana aprende a ler, seu acesso a qualquer tipo de texto escrito est, aparentemente, garantido.todavia, pode acontecer que ela no saiba ler textos diferentes daqueles da cartilha. Ela pode chegar ao gnero texto didtico e da no passar. E pode associar tanto a leitura s suas obrigaes escolares, que se mostre incapaz de ler quando sair da escola. Isso no ocorreria, se acriana desenvolvesse o gosto e as habilidades prprias da leitura literria. Entretanto, na maior parte das vezes, a leitura se d como atividade de rotina, esvaziada de valores maiores que o da decodificao para a repetio dcil dos textos. leitura literatura leitura literatura X 15. Fotos da Biblioteca Padre Elemar Scheid www.unerj.br/.../img/fotos2006/fotos.htm I(acessado em 01/03/2009- 14:26)</p>