Monteiro lobato -_Histórias_de_Tia_Nastácia

  • Published on
    30-May-2015

  • View
    2.496

  • Download
    6

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Ciep 122 Ermezinda D. NeccoTurma 302 - 2011Tema: Monteiro Lobato

Transcript

<ul><li> 1. HISTRIAS DETIA NASTCIA Monteiro Lobatohttp://groups-beta.google.com/group/digitalsource</li></ul><p> 2. LIVROS INFANTIS DEMONTEIRO LOBATOA CHAVE DO TAMANHOA REFORMA DA NATUREZAARITMTICA DA EMLI ACAADAS DE PEDRINHODOM QUIXOTE DAS CRIANASEMLIA NO PAS DA GRAMTICAFBULAS GEOGRAFIA DE DONA BENTAHANS STADENHISTRIA DAS INVENESHISTRIAS DE TIA NASTCIAHISTRIAS DIVERSASHISTRIA DO MUNDO PARA AS CRIANASMEMRIAS DA EMLIAO MINOTAUROO PICAPAU AMARELOO POO DO VISCONDEO SACIPETERPANREINAES DE NARIZINHOSERES DE DONA BENTATRABALHOS DE HRCULESVIAGEM AO CU 3. Monteiro Lobato Histrias de Tia Nastciaeditora brasilienseHistrias de Tia Nastcia, by Monteiro Lobato ISBN 85-11-19012-0 32 edio, 19959 reimpresso, 2002 Lay-out de capa: Jacob Levitinas Ilustraes de capa e miolo: Manoel Victor FilhoCopyright by herdeiros de Monteiro Lobato Nenhuma parte desta publicao pode ser gravada,armazenada em sistemas eletrnicos, fotocopiada,reproduzida por meios mecnicos ou outros quaisquer sem autorizao prvia da editora.Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)(Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Lobato, Monteiro, 1882 - 1948.Histrias de Tia Nastcia / Monteiro Lobato :[ ilustraes de capa e miolo Manoel Victor Filho ].32". ed. - So Paulo : Brasiliense, 2002. - (Stio do Picapau Amarelo). 9. reimpresso da 32" ed. de 1995 ISBN 85-11-19012-0 1. Literatura infanto-juvenil I. Vitor Filho,Manoel. II. Ttulo. III. Srie02-6630 CDD-028.5 ndices para catlogo sistemtico:1. Literatura infantil 028.52. Literatura infanto-juvenil 028.5editora brasiliense Rua Airi, 22 - Tatuap - CEP 03310-010 - So Paulo - SPFone/Fax: (Oxxll) 6197-2378 www. editorabrasiliense. com.br 4. N D IC EHISTRIA DE TIA NASTCIA............ 7O BICHO MANJALU.................... 7O SARGENTO VERDE...................12A PRINCESA LADRONA ................. 15O PSSARO PRETO .....................19A RAPOSINHA..........................21O HOMEM PEQUENO ...................23AMOURA-TORTA ......................25A MADRASTA ..........................27MANUEL DA BENGALA .................28JOO E MARIA.........................30O BOM DIABO..........................33A FONTE DAS TRS COMADRES....... 34A RAINHA QUE SAIU DO MAR........... 37A FORMIGA E A NEVE ..................38JOO ESPERTO.........................39O CAULA.............................. 42A CUMBUCA DE OURO ................. 44A MULHER DENGOSA ..................46O CAGADO NA FESTA DO CU ........ 46O RABO DO MACACO................... 47O MACACO E O COELHO................ 48O MACACO E O ALUA................... 49O MACACO, A ONA E O VEADO ..... 51O VEADO E O SAPO.....................54A ONA E O COELHO ...................55O PULO DO GATO ......................57O DOUTOR BOTELHO ..................57A RAPOSA E O HOMEM ................. 59OPINTOSURA ..........................60O JABUTI E O HOMEM .................. 62O JABUTI E A CAIPORA ................. 63O JABUTI E A ONA..................... 64O JABUTI E A FRUTA ................... 65O JABUTI E O LAGARTO ................ 66O JABUTI E O JACAR................... 67O JABUTI E OS SAPINHOS............... 67A RAPOSAFAMINTA....................68O CAMPONS INGNUO ................ 69A HISTRIA DOS MACACOS............. 70O RATO ORGULHOSO ..................72PEIXES NA FLORESTA ..................73O ALCATRAZ E O EIDER ................ 74HISTRIA DOS DOIS LADRES ........75 5. HISTRIAS DE TIA NASTCIA Monteiro Lobato I Histrias de Tia Nastcia Pedrinho, na varanda, lia um jornal. De repente parou, e disse aEmlia, que andava rondando por ali: V perguntar a vov o que quer dizer folclore. V? Dobre a lngua. Eu s fao coisas quando me pedem porfavor. Pedrinho, que estava com preguia de levantar-se, cedeu exignciada ex-boneca. Emilinha do corao disse ele faa-me o maravilhoso favorde ir perguntar vov que coisa significa a palavra folclore, sim, tetia? Emlia foi e voltou com a resposta. Dona Benta disse que folk quer dizer gente, povo; e lore quer dizersabedoria, cincia. Folclore so as coisas que o povo sabe por boca, de umcontar para o outro, de pais a filhos os contos, as histrias, as anedotas,as supersties, as bobagens, a sabedoria popular, etc. e tal. Por quepergunta isso, Pedrinho? O menino calou-se. Estava pensativo, com os olhos l longe. Depoisdisse: Uma idia que eu tive. Tia Nastcia o povo. Tudo que o povosabe e vai contando, de um para outro, ela deve saber. Estou com o planode espremer tia Nastcia para tirar o leite do folclore que h nela. 6. Emlia arregalou os olhos. No est m a idia, no, Pedrinho! s vezes a gente tem umacoisa muito interessante em casa e nem percebe. As negras velhas disse Pedrinho so sempre muito sabidas.Mame conta de uma que era um verdadeiro dicionriode histriasfolclricas, uma de nome Esmria, que foi escrava de meu av. Todas asnoites ela sentava-se na varanda e desfiava histrias e mais histrias. Quemsabe se tia Nastcia no uma segunda tia Esmria?Foi assim que nasceram as Histrias de Tia Nastcia.IIO bicho ManjaluEra uma vez um velho que tinha trs filhas muito bonitas, mas umvelho muito pobre, que vivia de fazer gamelas. Uma vez passou pela suacasa um lindo moo a cavalo; parou e declarou que queria comprar uma dasmoas. O velho se ofendeu; disse que por ser pobre no era nenhum 7. malvado que andasse vendendo as filhas; mas diante das ameaas do mooteve que aceitar o negcio. L se foi a sua primeira filha na garupa do cavaleiro, e o velho ficouolhando para o ouro recebido. No dia seguinte apareceu outro moo, ainda mais lindo, montadonum cavalo ainda mais bonito e props-se a comprar a filha do meio. Ovelho, bastante aborrecido, contou o que se tinha passado com a primeira, eno quis aceitar o negcio. O moo ameaou mat-lo, e tambm l se foicom a segunda moa na garupa, deixando com o velho dois sacos dedinheiro. No dia imediato apareceu terceiro moo e depois da mesmadiscusso l se foi com a derradeira moa na garupa, deixando em troca trssacos de dinheiro. O velho ficou muito rico, mas sem as filhas, e comeou a criar comgrandes mimos um filhinho que havia nascido fora de tempo. Quando jestava na escola esse menino teve uma briga com um companheiro, o qual 8. lhe disse: "Voc est prosa por ter pai rico, mas saiba que ele j foi umpobre diabo que vivia de fazer gamelas. Est rico porque vendeu as filhas." O menino voltou pensativo para casa, mas nada disse. S quandoficou moo que pediu ao pai que lhe contasse a histria das trs irmsvendidas. O pai contou tudo e ele resolveu sair pelo mundo em procura dasirms. No meio do caminho encontrou trs marmanjos brigando por causaduma bota, duma carapua e duma chave. Indagando do valor daquilo,soube que eram uma bota, uma carapua e uma chave mgicas. Quandoalgum dizia bota: "Bota, bote-me em tal parte!" a bota botava. E se diziam carapua: "Carapua, encarapuce-me!" a carapua encarapuava, isto ,escondia a pessoa. E se diziam chave: "Chave, abre!" a chave abriaqualquer porta. O moo ofereceu pelos trs objetos o dinheiro que trazia e l se foicom eles. Logo adiante parou e disse: "Bota, bote-me em casa de minhaprimeira irm." Mal acabou de pronunciar tais palavras, j se achou naporta de um palcio maravilhoso. Falou com o porteiro. Pediu para entrar,dizendo que a dona do palcio era sua irm. A irm soube da sua chegada,acreditou em suas palavras e o recebeu muito bem. Mas como conseguiu chegar at aqui, meu irmo? Por meio da bota mgica respondeu ele. E contou toda a histria da sua partida e do encontro dos trsobjetos mgicos. Tudo correu bem, mas assim que comeou a entardecer a irm ps-se a chorar. Por que chora, minha irm? Ah respondeu ela choro porque sou casada com o rei dosPeixes, um prncipe muito bravo que no quer que eu receba ningum nestepalcio. Ele no tarda a chegar, e mata voc, se enxergar voc aqui... O moo deu uma risadinha, dizendo: No tenha medo de nada. Com a carapua mgica sabereiesconder-me. 9. O rei chegou e logo levantou o nariz para o ar, farejando: "Sintocheiro de gente de fora!" mas a rainha mostrou que no havia por aliningum e ele sossegou. Tomou um banho e se desencantou num lindomoo.Durante o jantar a rainha fez esta pergunta: Se aparecesse por c um irmo meu, que faria Vossa Majestade? Recebia-o muito bem disse o rei porque o irmo da rainha,cunhado do rei . E se ele est por aqui, que aparea.O irmo encarapuado apresentou-se, sendo muito bem recebido.Contou toda a sua histria, mas no aceitou o convite de ficar morando alipor ter de continuar pelo mundo em procura das outras irms. O rei olhoucom inveja para as botas mgicas, dizendo: "Se eu as pilhasse, iria ver arainha de Castela."Na hora da partida o rei deu-lhe uma escama. "Quando estiver emapuros, pegue nesta escama e diga: Valha-me, rei dos Peixes!"O moo agradeceu o presente e l se foi depois de dizer bota: "Bota,bote-me na casa de minha segunda irm", e imediatamente se achoudefronte de outro palcio, onde foi recebido pela segunda irm, que era aesposa do rei dos Carneiros. "Meu marido logo chega por a, a dar marradasa torto e a direito, e voc no escapa." Com a minha carapua escapo respondeu o rapaz, rindo-se. Econtou a virtude da carapua encantada. E de fato foi assim, correndo tudodireitinho como l no palcio do rei dos Peixes. Na hora da partida o rei dosCarneiros disse: "Tome este fio de l. Quando estiver em apuros, basta quepegue nele e diga: Valha-me, rei dos Carneiros." Em seguida olhou cominveja para as botas mgicas. "Se as pilhasse, iria ver a rainha de Castela."Logo que o moo se viu na estrada, parou e disse bota. "Bota, bote-me em casa da minha terceira irm", e a bota botou-o no porto dumterceiro palcio ainda mais belo que os outros. Era ali o reino do rei dosPombos, onde tudo aconteceu como no reino do rei dos Peixes e no reino dorei dos Carneiros. Foi muito bem recebido e festejado, at que na hora dapartida o rei dos Pombos suspirou olhando para as botas, e disse: "Se eupilhasse essas botas, iria ver a rainha de Castela." Em seguida deu ao moo 10. uma pena, dizendo: "Quando estiver em apuros, pegue nesta pena e diga: Valha-me, reidos Pombos." Logo que o moo se viu na estrada, ps-se a pensar na tal rainha deCastela que os trs prncipes queriam visitar, e disse bota mgica: "Bota,bote-me no reino da rainha de Castela!" E num instante a bota o botou l. Soube que era uma princesa solteira, to linda que ningum passavapela frente do seu palcio sem erguer os olhos, na esperana de v-la janela mas a princesa tinha jurado s se casar com quem passasse pelopalcio sem erguer os olhos. O moo ento passou pela frente do palcio sem erguer os olhos e aprincesa imediatamente casou com ele. Depois do casamento a princesaquis saber para que serviam aqueles objetos que ele sempre trazia consigo e o que mais a interessou foi a chave de abrir todas as portas. A razo disso era haver no palcio uma sala sempre fechada, onde orei no permitia que ningum entrasse. Nela morava o Manjalu umbicho feroz, que por mais que o matassem revivia sempre. A princesaandava ardendo de curiosidade de ver o bicho Manjalu, e certa vez, em queo rei e o marido foram caa, pegou a chave e abriu a porta da sala domistrio. Mas o bicho feroz pulou e agarrou-a, dizendo: "Era voc mesmaque eu queria!" E l se foi para a floresta com a pobre moa ao ombro. 11. Quando o rei e o marido da princesa voltaram da caa e souberam doacontecido, ficaram desesperados. Mas o dono das botas mgicas prometeuconsertar tudo. Agarrou-as e disse: "Bota, bote-me onde est minha esposa".E a bota botou-o. O moo encontrou a princesa sozinha, pois que o Manjalu andavapelo mato caando. Minha querida esposa disse ele precisamos dar cabo dessemonstro feroz, mas para isso necessrio que eu saiba onde que ele tem avida. A vida do Manjalu est to bem oculta que todas as tentativas paramat-lo tm falhado. Trate de saber onde ele tem a vida. A princesa prometeu que assim faria, e quando o Manjalu voltoudeu jeito da conversa recair naquele ponto. Manjalu desconfiou. Ahn! Quer saber onde eu tenho a vida para me matar, no ? Noconto, no. Mas a princesa, teimosa, tanto insistiu durante dias e dias que obicho Manjalu resolveu contar tudo. Antes disso ele amolou, bem amolado,um alfanje, dizendo: "Vou contar onde est minha vida mas se perceber quealgum quer dar cabo de mim, corto sua cabea com este alfanje, estouvindo?" A princesa aceitou a proposta. Ele que contasse tudo que ela ficariacom o pescoo s ordens do alfanje, no caso de algum atentar contra vidado monstro. E o bicho Manjalu ento contou: "Minha vida est no mar. Lno fundo h um caixo; nesse caixo h uma pedra; dentro da pedra huma pomba; dentro da pomba h um ovo; dentro do ovo h uma velinha,que a minha vida. Quando essa vela apagar-se, eu morrerei". No dia seguinte, quando o bicho Manjalu saiu novamente a caar, omarido da princesa, que estivera escondido pela carapua, apresentou-se."E ento?" perguntou. A princesa contou-lhe direitinho tudo que ouviraao monstro. O moo dirigiu-se praia do mar e pegou na escama, dizendo:"Valha-me, rei dos Peixes!" E imediatamente o mar se coalhou de peixes queindagavam do que ele queria. 12. Quero saber em que ponto do fundo do mar h um caixo assim eassim. Eu sei respondeu um enorme baiacu. Ainda h pouquinho esbarrei nele. Esse caixo est em tal e talparte. Pois quero que me tragam aqui esse caixo. Os peixes saram na volada; logo depois apareceram empurrando umcaixo para a praia. O prncipe abriu-o e encontrou a pedra. Como quebr-la? Lembrou--se do fio de l. Pegou no fio de l e disse: "Valha-me, rei dosCarneiros!" Imediatamente apareceram inmeros carneiros, que deramtantas marradas na pedra que a partiram. Enquanto isso, l longe, o Manjalu, com a cabea no colo daprincesa e o alfanje na mo, ia sentindo coisas esquisitas. Minha princesa disse ele estou me sentindo doente. Algumest mexendo na minha vida. E sua mo apertou o cabo do alfanje A princesa engambelou-o como pde, para ganhar tempo. Ela sabiaque seu marido estava em procura da vida do monstro. Assim que os carneiros quebraram a pedra, uma pombinha voou dedentro e l se foi pelos ares. O moo lembrou-se da pena, pegou-a e disse:"Valha-me, rei dos Pombos!" Imediatamente o ar se encheu de pombos, queo moo mandou voarem em perseguio da pombinha. Os pombos foramatrs dela e a pegaram. O moo tomou-a, espremeu-a e fez sair um ovo. L longe o Manjalu se sentia cada vez pior. Comeava a desfalecer; ecomo no tivesse dvidas sobre o que era aquilo, foi levantando o alfanjepara degolar a princesa. Mas no teve tempo. O moo havia quebrado o ovoe assoprado a velinha. A mo do Manjalu moleou e seus olhos fecharam-se para sempre. Estava o reino de Castela livre daquele horrendo monstro. O moolevou a princesa para o palcio, onde o rei a recebeu com lgrimas nosolhos. E para comemorar o grande acontecimento decretou uma semanainteira de festas. E acabou-se a histria. 13. Emlia torceu o nariz. Essas histrias folclricas so bastante bobas disse ela. Por isso que no sou "democrtica ! Acho o povo muito idiota... Nossa Senhora! exclamou dona Benta. Vejam s como andaimportante a nossa Emilinha. Fala que nem um doutor. A...</p>