Fertirrigação em hortaliças iac

  • Published on
    21-Jun-2015

  • View
    939

  • Download
    9

Embed Size (px)

Transcript

  • 1. ISSN 1809-7936 FERTIRRIGAO EM HORTALIAS Paulo Espndola TRANI Sebastio Wilson TIVELLI Osmar Alves CARRIJO 2.a edio revisada e atualizada Srie Tecnologia APTA Boletim Tcnico IAC, Campinas, n. 196, 2011

2. Ficha elaborada pelo Ncleo de Informao e Documentao do Instituto Agronmico A eventual citao de produtos e marcas comerciais, no expressa, necessariamente, recomendaes do seu uso pela Instituio. permitida a reproduo, desde que citada a fonte. A reproduo total depende de anuncia expressa do Instituto Agronmico. Comit Editorial do IAC Rafael Vasconcelos Ribeiro - Editor-chefe Dirceu de Mattos Jnior - Editor-assistente Oliveiro Guerreiro Filho - Editor-assistente Equipe Participante desta Publicao Reviso de vernculo: Maria Angela Manzi da Silva Coordenao da Editorao: Marilza Ribeiro Alves de Souza Editorao eletrnica e Capa: Cntia Rafaela Amaro Instituto Agronmico Centro de Comunicao e Transferncia do Conhecimento Av. Baro de Itapura, 1.481 13020-902 - Campinas (SP) BRASIL Fone: (19) 2137-0600 Fax: (19) 2137-0706 www.iac.sp.gov.br T772f Trani, Paulo Espndola Fertirrigao em hortalias / Paulo Espndola Trani, Sebastio Wilson Tivelli, OsmarAlves Carrijo. 2. ed.rev.atual. Campinas: Instituto Agronmico, 2011. 51p. (Srie Tecnologia APTA. Boletim Tcnico IAC, 196) ISSN: 1809-7936 Verso on-line 1. Fertirrigao - hortalias. I. Tivelli, Sebastio Wilson. II. Carrijo, Osmar Alves. III. Ttulo. IV. Srie. CDD. 633.61 3. SUMRIO Pgina RESUMO ................................................................................................... 1 ABSTRACT ................................................................................................ 2 1. INTRODUO ........................................................................................... 2 2. A GUA E A FERTIRRIGAO................................................................. 3 2.1 Sistema de filtragem ........................................................................... 4 2.2 Injetores de fertilizantes ...................................................................... 4 2.2.1 Sistema diferencial de presso ou tanque de fertilizantes .............. 5 2.2.2 Injetores venturi ................................................................................ 5 2.2.3 Bombas injetoras ............................................................................. 7 2.3 Manejo da gua de irrigao ............................................................... 8 3. QUALIDADE DA GUA PARA IRRIGAO.............................................. 13 4 SALINIDADE E SALINIZAO DO SOLO E DOS SUBSTRATOS .......... 14 5. CARACTERSTICAS DOS FERTILIZANTES PARAAFERTIRRIGAO .. 16 6. RECOMENDAES DE FERTIRRIGAO PARA HORTALIAS .......... 20 6.1 Morango............................................................................................... 21 6.2 Pimento ............................................................................................. 22 6.3 Pepino ................................................................................................. 25 6.4 Tomate ................................................................................................. 27 6.5 Alface ................................................................................................... 31 6.6 Melo ................................................................................................... 32 6.7 Fertirrigao para produo de mudas de hortalias ......................... 33 4. 7. RECOMENDAES PARA FERTIRRIGAO DE HORTALIAS EM OUTROS PASES ..................................................................................... 39 8. CLCULO DE FERTIRRIGAO COMAMISTURADE FERTILIZANTES SIMPLES ................................................................................................... 45 9. CONCLUSES.......................................................................................... 46 AGRADECIMENTOS ................................................................................. 48 REFERNCIAS ......................................................................................... 49 5. FERTIRRIGAOEMHORTALIAS Paulo Espndola TRANI (1 ) Sebastio Wilson TIVELLI (2 ) Osmar Alves CARRIJO (3 ) (1 ) Pesquisador Cientfico, Dr., Instituto Agronmico, Caixa Postal 28, 13001-970 Campinas (SP). petrani@iac.sp.gov.br (2 ) Pesquisador Cientfico, Dr., Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de So Roque, Av. Trs de Maio, 900, 18133-445 So Roque (SP). tivelli@apta.sp.gov.br (3 ) Pesquisador Cientfico, PhD., Embrapa Hortalias, Caixa Postal 218, 70359-970 Braslia (DF) In memoriam RESUMO De uma rea estimada de 880.000 ha com hortalias cultivadas no Brasil, o Estado de So Paulo possui cerca de 139.000 ha, estimando-se 2% dessa rea sob cultivo protegido. A produo anual atingiu 4,8 milhes de toneladas em 2007. A utilizao da fertirrigao feita principalmente pelo sistema de gotejamento, com fertilizantes simples slidos solveis em gua, ou frmulas lquidas e slidas. Neste trabalho so apresentadas as caractersticas dos equipamentos e os clculos necessrios para o manejo correto da gua de irrigao, sendo tambm fornecidas as recomendaes de fertirrigao (fertilizantes, doses e freqncia de aplicao) para as culturas de pimento, tomate, pepino, melo e alface, cultivados sob estufa plstica e para morango no campo, em diversas regies do Estado. So apresentadas, ainda, tabelas de fertirrigao para hortalias em outros Estados e outros pases. So tambm mencionados os nveis crticos (valores mximos) de elementos e outros parmetros na gua de irrigao para hortalias. Palavras-chave: manejo de fertirrigao, fertilizantes, hortalias. 6. P.E. TRANI; S.W. TIVELLI e O.A. CARRIJO 2 Boletim tcnico, 196, IAC, 2011 ABSTRACT VEGETABLE CROPS FERTIGATION From an estimated area of 880,000 ha with vegetables grown in Brazil, the State of Sao Paulo has about 139,000 ha. Two per cent of these areas are protected by polyethylene covered. The annual production reached 4.8 millions tons in 2007. Vegetable crops fertigation is mainly applied through drip irrigation, with simple fertilizers or formulations. The equipments characteristics and the necessary calculations to correct water irrigation are presented on this paper and fertigation recommendation (fertilizers source, number and frequency of application) to crops: bell pepper, tomato, cucumber, melon and lettuce grown under plastic cover and strawberries cultivated in the field at different regions in the Sao Paulo State. Tables of vegetables fertigation requirements for other states and other countries are also mentioned. The critical element rate (maximum values) and other irrigation water parameters for vegetables are also presented. Key words: fertigation, fertilizers, vegetables. 1. INTRODUO O cultivo de hortalias no Estado de So Paulo representa 23,4% da produo brasileira da rea plantada, com aproximadamente 139.000 ha cultivados anualmente. A produo anual atingiu 4,8 milhes de toneladas em 2007 (CAMARGO et al., 2009). Estima-se ainda que a populao do Estado de So Paulo consuma 40% do total nacional, importando ainda de outros Estados e Pases, parte das hortalias aqui consumidas. A maior parte da produo feita no campo (a cu aberto), e a adubao recebida provm dos fertilizantes slidos aplicados em adubaes de plantio e de cobertura, a exemplo de outras culturas. Em anos recentes, com a utilizao da irrigao localizada, gotejamento e microasperso, e o aumento da rea com cultivo protegido, principalmente estufas plsticas, observou-se um crescimento substancial no uso da fertirrigao para hortalias. A maior facilidade de acesso aos pontos de comercializao de fertilizantes altamente solveis e a disponibilidade de assistncia tcnica especializada nas empresas privadas e instituies governamentais, tambm contribuem para atender a crescente demanda pelas informaes sobre fertirrigao, por parte dos produtores de hortalias. O objetivo deste trabalho apresentar dados sobre a fertirrigao, quanto caractersticas dos equipamentos utilizados e o clculo para manejo da gua de irrigao sendo tambm apresentadas as recomendaes de doses e perodos 7. Fertirrigao em hortalias 3Boletim tcnico, 196, IAC, 2011 de aplicao de fertilizantes para diversas hortalias cultivadas sob estufa plstica e no campo, em diferentes regies do Estado de So Paulo. Foram pesquisadas entre 1994 e 2011 informaes de produtores de hortalias e engenheiros agrnomos das principais regies produtoras do Estado, alm de observaes prprias em diferentes localidades. Os dados foram obtidos de produtores com, no mnimo, cinco anos de experincia em produo de hortalias. So tambm apresentadas informaes sobre fertirrigao em outros Estados brasileiros e outros pases. 2. A GUA E A FERTIRRIGAO O uso de gua pelas plantas e, portanto, todos os processos fisiolgicos esto diretamente relacionados ao seu status no sistema solo-gua-planta-clima. Assim, o conhecimento das inter-relaes entre esses fatores fundamental para o planejamento e a operao de sistemas de irrigao para se obter mxima produo e boa qualidade do produto. atravs do fluxo de gua no sistema solo-planta-atmosfera que ocorre a absoro da maioria dos nutrientes pelas plantas, o resfriamento da superfcie foliar pela perda de calor, a troca gasosa entre a planta e atmosfera e a abertura dos estmatos para a absoro de luz no processo de fotossntese. A fertirrigao a prtica de fertilizao das culturas atravs da gua de irrigao. o melhor e mais eficiente mtodo de adubao das culturas, pois combina a gua e os nutrientes, que juntamente com a luz solar so os fatores mais importantes para o desenvolvimento e a produo das culturas. Uma boa combinao desses dois fatores determina o rendimento e a qualidade das hortalias. Para a correta prtica da fertirrigao deve-se utilizar um sistema de irrigao apropriado, dotado dos equipamentos e acessrios necessrios e a utilizao de fontes de nutrientes solveis em gua. Os sistemas de irrigao pressurizados so os mais eficientes para a fertirrigao, sendo que a uniformidade de distribuio dos nutrientes est diretamente relacionada com o coeficiente de uniformidade da gua de irrigao. Foi com o advento da irrigao localizada, microasperso e gotejamento, que a prtica da fertirrigao se popularizou no mundo. caracterstica desses sistemas de irrigao a utilizao de um cabeal de controle completo, linhas de distribuio de gua e pequenos emissores de gua. O cabeal de controle constitudo, entre outros, por um sistema de filtragem, injetores de fertilizantes, registros e vlvulas reguladoras de presso e vazo que permitem tambm a automao do sistema (Figura 1). 8. P.E. TRANI; S.W. TIVELLI e O.A. CARRIJO 4 Boletim tcnico, 196, IAC, 2011 2.1 Sistema de filtragem O sistema de filtragem deve ser eficiente na retirada das impurezas da gua de irrigao. comum a utilizao de diferentes tipos de filtros para melhorar a eficincia da filtragem. Para guas ricas em material orgnico e silte deve-se usar um filtro de areia. O filtro de tela ou de disco usado aps o sistema de injeo de fertilizantes para evitar que material slido no dissolvido, proveniente dos fertilizantes e areia do filtro sejam carreados com a gua de irrigao e obstrua os orifcios dos emissores. Quando se usa gua de boa qualidade, somente os filtros de tela ou disco so suficientes. Segundo BETTINI (1999), os filtros de tela so menos eficientes do que os de disco, mas possibilitam boa eficincia de lavagem. Para microasperso devem ser utilizados filtros de 80 a 120 mesh, e para gotejamento, de120 a 200 mesh. 2.2 Injetores de fertilizantes Os sistemas de irrigao pressurizados (piv central, asperso e microirrigao) podem ser dotados de equipamentos de injeo de fertilizantes na gua de irrigao. A injeo de fertilizantes pode ser quantitativa (ou no proporcional) e proporcional. A injeo quantitativa se caracteriza pela diluio da soluo de fertilizantes com o tempo de injeo e expressa em kg.ha-1 por dia. Por outro lado, a injeo proporcional caracterizada pela no-variao da concentrao da soluo de fertilizantes com o tempo e expressa em g.m-3 de gua (MONTAG, 1999). Figura 1. Cabeal de controle automtico. Foto: OSMAR ALVES CARRIJO. 9. Fertirrigao em hortalias 5Boletim tcnico, 196, IAC, 2011 2.2.1 Sistema diferencial de presso ou tanque de fertilizantes Os primeiros injetores de fertilizantes utilizados no mundo eram tanques metlicos com uma abertura no topo para colocao do adubo e instalados em paralelo tubulao de irrigao. A tubulao de entrada da gua no tanque ia at ao seu fundo enquanto a de sada era instalada no topo do tanque (Figura 2A). relatado na literatura que para fertilizantes j dissolvidos, um volume quatro vezes maior que o do tanque deve passar por ele para injetar 98% da soluo. Por exemplo: se o volume do tanque de 100 litros e a vazo que passa por ele de 10 L min-1 ento o tempo mnimo de injeo deve ser t = 100*4/20 = 20 minutos.As principais vantagens do sistema diferencial de presso so baixo custo e pequena perda de carga do sistema. Apresenta como desvantagens a dificuldade de controle da vazo que passa pelo interior do tanque, a variao da concentrao da soluo com o tempo e a necessidade de um tempo relativamente longo para injeo de todo ou quase todo o fertilizante dissolvido. Portanto, no o sistema de injeo mais recomendvel para sistemas com baixa capacidade de reteno de gua como os solos arenosos ou leves e a maioria dos substratos agrcolas. Na figura 2B, pode ser visto um tanque de injeo, primeiramente instalado em um experimento de fertirrigao de tomate em 1976, na antiga UEPAE de Braslia, hoje Embrapa Hortalias. 2.2.2 Injetores venturi O sistema venturi foi o responsvel pela popularizao da fertirrigao, principalmente nos sistemas de irrigao localizados, devido ao baixo custo e simplicidade. O princpio de funcionamento do venturi muito simples e consiste de um tubo, geralmente de plstico, com uma grande constrio interna (Figura 3). O fluxo de gua antes da constrio est escoando com uma A B Figura 2. Esquema do tanque de injeo de fertilizante (A) e primeiro tanque utilizado na Embrapa Hortalias (Ex.: UEPAE de Braslia) em 1976 (B). Foto: OSMAR ALVES CARRIJO. 10. P.E. TRANI; S.W. TIVELLI e O.A. CARRIJO 6 Boletim tcnico, 196, IAC, 2011 velocidade v, na constrio interna; para fluir a mesma quantidade de gua h um aumento da velocidade para V, que retorna velocidade normal aps a constrio. A reduo brusca do dimetro da tubulao causa grande perda de carga neste ponto e provoca presso negativa (vcuo parcial) no local da constrio. Esse vcuo o responsvel pela suco da soluo de fertilizantes.As principais vantagens do sistema venturi so: baixo custo, facilidade de uso, boa fundamentao terica, e ter relativamente boa preciso. A desvantagem do sistema a grande perda de carga, que pode causar problemas na uniformidade de aplicao de gua e, consequentemente, reduzir tambm a uniformidade da aplicao dos nutrientes. O sistema de injeo tipo venturi geralmente instalado em paralelo tubulao principal de gua (Figura 4A), e usa de 3...

Recommended

View more >