Sb Mastologia

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    29-May-2015

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  • 1. B o l e t i md aRegional So Paulo ANO XIII - N 70 - ABRIL 2008 AS DUAS MEDICINAS NO CNCER DE MAMAO tratamento do cncer de mamatem apresentado alternativas vi-sando aumentar a sobrevida livrede doena, a sobrevida global e valorizan-do a esttica.a melhor teraputica no combate as suasmetstases viscerais e/ou sseas sendoelas dependentes do SUS?A distncia entre a mastologia pratica-da no SUS e a ideal, nunca foi to grandeAs mastectomias, em determinadase to cruel.situaes, esto sendo substitudas pelas Condies de trabalho precrias nocirurgias conservadoras e a oncoplsticaSUS induzem o mastologista ao jeitinhoassume posio invejvel na determina-brasileiro de ir levando, inventando no-o da esttica mamria.vas tcnicas, improvisando meios diag-Na abordagem axilar mandatria ansticos, enfim tentando driblar comoavaliao do linfonodo sentinela, evitan- ningum os obstculos para proporcionardo-se em muitos casos a linfonodectomia uma mastologia de alto nvel. Consultacom todas suas seqelas desastrosas. A radiotera- mdica preventiva peridica, mamografia e ultra-pia intra-operatria, em situaes especificas, sai dasonografia de boa qualidade com interpretaofase experimental, em substituio a radioterapia adequada, ressonncia nuclear magntica, mamo-clssica de semanas de tratamento. No tratamentotomia, agulhamento, cirurgia radioguiada, estudosistmico, novas drogas quimio e hormonioterpi-do linfonodo sentinela, patologista disponvel emcas contribuem para um tratamento mais eficaz e centro cirrgico, cirurgia oncoplstica para a maio-promissor.ria das pacientes, inibidores de aromatase, quimio-Terapias alvo como o trastuzumabe demons- terapia de ponta e teraputica com anticorpos mo-tram benefcios para pacientes com superexpres- noclonais so armas poderosas para o diagnsticoso do HER-2 no cncer de mama. e tratamento dessa doena e, nem sempre dispo-Inicialmente, os ganhos foram pesquisados emnveis a toda populao brasileira. Como explicarpacientes com metstases aumentando as taxas de para pacientes com metstases, a impossibilidaderegresso e estabilizao da doena com melho-de oferecer o melhor tratamento sendo dependen-ra na qualidade de vida e sobrevida global. Atual-te do SUS.mente benefcios significativos ocorrem tambm na Eticamente, como negar a estas mulheres o co-neo-adjuvncia com respostas patolgicas comple-nhecimento sobre novas terapias comprovadamen-tas em at 60% dos casos. te eficazes e, como justificar que o acesso a estasInfelizmente, os resultados alcanados com esta drogas est restrito a quem pode pagar pela vida.editorialterapia alvo so motivos de aflio para mastologis-Quais os meios de sensibilizar as autoridades detas vinculados ao Sistema nico de Sade (SUS). sade e a indstria farmacutica para problema toAt o momento projetavam-se novas drogas an-grave? Ser a judicializao da medicina o caminhotineoplsicas que ofereciam ganhos em relao aos mais correto ou se esse fato se avolumar, faltaresquemas com antracclicos oferecidos pelo SUS, norecursos para o atendimento bsico em sade p-entanto, estes ganhos no eram to expressivos. blica?Talvez os custos no compensassem os bene-Fica aqui nossa angustia entre as duas medici-fcios. nas no cncer de mama.O Brasil pobre, subdesenvolvido e o ganhode 3 a 10% no seria marcante. Jos Ricardo Pacincia RodriguesMas o limite da tica foi alcanado, como ex- Ivo Carelli Filhoplicar s pacientes a impossibilidade de oferecer SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASTOLOGIA REGIONAL SO PAULO Presidente: Dr. Ivo Carelli Filho; Vice Presidente: Dr. Csar Cabello dos Santos; 1 Secretrio: Dr. Afonso Celso Pinto Nazrio; 2 Secretrio: Dr.Vilmar Marques de Oliveira; 1 Tesoureiro: Dr. Rubens Murilo Athayde Prudncio; 2 Tesoureiro: Dr. Jos Ricardo Pacincia Rodrigues

2. reuniesMENSAIS Caros colegas, Esperamos que vocs tenham apreciado o resumo da reunio de fevereiro. No ms de maro o tema da reunio foiPREVENO PRIMRIA e foi muito interessante, tanto pelo assunto, como pela participao de alto nvel da mesa. Algunspontos chamaram a ateno como por exemplo, o resultado da enquete realizada no site: no h consenso sobre este tema.Pelo menos foi esta a impresso observada pelas respostas dos mastologistas via internet. Portanto, trata-se de tema con-troverso, sem consenso da literatura mundial e que dever ser muito explorado nas prximas reunies e jornadas da nossasociedade. Novamente, o formato deste boletim est baseado nas pesquisas de opinio e conhecimentos feitas pela internet (www.spmastologia.com.br) e as questes esto divididas de acordo com o assunto principal. Lembramos que a finalidade desta seo transmitir a opinio da Regional-SP sobre os assuntos abordados, sempre nosbaseando na literatura mdica vigente. As consideraes dos debatedores presentes reunio de 13 de maro tambm somencionadas. Novamente utilizaremos a mesma forma de apresentao: QUESTO COM ALTERNATIVA CORRETA (OBS.: exceto para os casos com resposta pessoal ou controversa). REVISO SISTEMTICA RESUMO. LITERATURA RECOMENDADA. NOTAS SOBRE OS DEBATES. A reunio foi coordenada pelo Dr. Csar Cabello dos Santos e teve a participao dos seguintes debatedores: Dra. Fernanda Teresa de Lima (HIAE). Dr. Jos Roberto Filassi (HCFMUSP). Dr. Jos Yoshikazu Tariki (Presidente da Soc. Brasileira de Cirurgia Plstica).Boletim da associao Brasileira de mastologia regional so Paulo ano Xiii - n 70 - aBril 2008 Dra. Maria do Socorro Maciel (A.C. Camargo). Dr. Ricardo Marques (HSL). Dr. Slvio Eduardo Bromberg (HIAE). Dr. Venncio Avancini Ferreira Alves (HCFMUSP). Boa leitura e at o prximo ms!!! Autores: Dr. Guilherme Novita (HCFMUSP). Dr. Renato Torresan (UNICAMP). Dr. A. Gustavo Zucca Mattes (Hospital do Cncer de Barretos). Dr. Csar Cabello dos Santos (UNICAMP). MAMOGRAFIA BIPSIA PERCUTNEA BIPSIA CORE PESQUISA DE LINFONODO SENTINELA LOCALIZAO RADIOGUIADA ROLL AGULHAMENTO MAMRIO ULTRA-SONOGRAFIA DENSITOMETRIA SSEA Central de agendamento: 11 3254-6800 - www.uddo.com.brHorrio de atendimento: segunda sexta-feira, das 8h s 18h /sbado, das 8h s 12hRua Itapeva, 366, cjto 83/84 - e-mail: atendimento@uddo.com.br 2 3. DEFINIO DE ALTO RISCO CA-2 penetrance. J Clin Oncol 2007; 25(11): 1329-33. Dufloth RM, Carvalho S, Heinrich JK, Shinzato, JY, Zeferi- QUESTES 1,4 e 5no, LC, Cabello dos Santos C, Schimitt F. Analysis of BRCA 1 and BRCA 2 mutations in brazilian breast cancer patients with1. Geralmente, voc procura determinar o risco parapositive family history. Sao Paulo Med J 2005; 123(4): 192-7. cncer de mama de suas pacientes com qual modeloGomes MCB, Costa MM, Borojevic R, Monteiro ANA, Viei- de risco? ra R, Koifman S et al. Prevalence of BRCA 1 and BRCA 2 mu- RESPOSTA CONTROVERSAtations in breast patients from Brasil, Breast Cancer Res Treat, 2007, jul, 103(3), 349-53.4. Voc j solicitou exames de seqenciamento dos ge-Amir E, Evans DG, Shenton A, Lalloo F, Moran A, Boggis nes BRCA1 e BRCA2?C. Evaluation of breast cancer risk assessment packages in RESPOSTA PESSOALthe family history evaluation and screening program. J Med Genet 2003;.40: 807-14.5. Que tipo de seqenciamento dos genes BRCA 1 e 2 voc indicaria em uma famlia com heredograma de DEBATE cncer de mama hereditrio, onde nenhum membro ainda foi estudado? QUESTO 1 COMPLETOEm relao a utilizao dos modelos preditores de risco, ficou claro que a melhor conduta seria escolh-lo aps a realizao deREVISOheredograma, pois desta maneira possvel adequar cada casoExistem vrios modelos de risco para a predio do cn-individualmente ao modelo de Gail, Claus, Tyrer-Cuzick, BRA-cer de mama. Os mais conhecidos so os Modelos de Gail,CAPRO entre outros (Dr. Filassi e Dra. Fernanda).Claus, Parmigiani (BRCAPRO) e o de Tyrer-Cuzick. O pri-meiro (Gail) avalia melhor os antecedentes pessoais, j oQUESTES 4 e 5de Claus e o de Parmigiani do maior enfoque histriaA mesa tambm abordou a questo da miscigenao ra-familiar de cncer de mama ou ovrio. O mtodo de Tyrer- cial no Brasil e at que ponto pode-se extrapolar os dados deCuzick prope avaliar conjuntamente todas estas variveis. incidncia de mutaes fundadoras ou no dos genes BRCANum recente estudo com nmero considervel de pacientes, 1 e 2 publicados nos pases onde a miscigenao pequena,observou-se que o Modelo de Tyrer-Cuzick foi aquele quepara a nossa populao. Isso tem implicao importante, sejaapresentou maior acurcia no clculo de risco. na escolha do mtodo de deteco das mutaes (seqencia-A populao base de todos estes estudos era caucasiana e mento completo ou no), como na reprodutibilidade das con-norte-americana. Alguns autores validaram tambm o Mode- dutas de preveno primria para o nosso meio. Foi discutidolo de Gail entre os afro-descendentes daquele pas. Todavia, tambm o alto custo do seqenciamento em nosso meio (Dra.nenhum destes modelos foi validado na populao brasileira.Fernanda). No Brasil, estes dados ainda no so conhecidos.Boletim da associao Brasileira de mastologia regional so Paulo ano Xiii - n 70 - aBril 2008As caractersticas tnicas prprias do Brasil talvez causem dis- Apenas um trabalho foi realizado, com pouco mais de 400tores nos resultados.pacientes estudadas, onde apenas 9 pacientes com mutaoA mutao deletria nos genes BRCA-1 e BRCA-2 a cau- BRCA-1 (2,3%, no entanto, a maioria foram mutaes fun-sa gentica mais conhecida para o cncer de mama heredit- dadoras.)(Dr. Cabelo). Ficou claro que na pesquisa familiarrio. Obviamente, existem outras sndromes genticas conhe- o ideal que a pesquisa gentica seja feita na paciente emcidas e ainda outras desconhecidas. Portanto, a ausncia dequesto e no familiar que apresenta a maior possibilidademutao nestes genes no suficiente para excluir a pacientede apresentar a mutao, pelo heredograma. Desta maneira,do grupo de risco. seria possvel identificar determinada mutao e a partir da,A relao entre a mutao deletria do BRCA1/2 e o cn-procurar nos demais membros aquela alterao especfica, ocer de mama ou ovrio sempre foi considerada elevadssimaque poderia baratear muito o estudo gentico familiar (Dra.(cerca de 90%). No entanto, recente metanlise