Jung a ciencia revolucionaria

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    15-Aug-2015

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<ol><li> 1. Jung: a cincia revolucionria A psicologia analtica de Jung um caso curioso na cincia. Pode-se dizer que suas idias muitas vezes so melhor assimiladas entre o pblico mdio que dentro do meio acadmico. Hoje, quatro dcadas aps sua morte, suas teorias a respeito da psique humana, do inconsciente e dos sonhos ainda so consideradas revolucionrias e um tanto msticas. E o que mais estranho: elas so, a cada dia, mais assimiladas por reas distintas da psicologia como a fsica subatmica, a sociologia, a antropologia e at mesmo a ufologia. O que afinal possuem as idias de Jung que tanto incomoda os acadmicos ortodoxos, cativa os leigos e aproxima as cincias? Neste artigo voc vai conhecer um pouco sobre a vida e as idias deste que considerado o 1 pensador da ps-modernidade e o mais revolucionrio pesquisador da conscincia. Carl Gustav Jung nasce em 1875, em Kesswill, na Sua. Forma-se mdico e especializa-se em psiquiatria, cincia em formao. O interesse pelos distrbios mentais o faz desenvolver profundos estudos sobre a mente e suas concluses o aproximam de Freud em 1907. O j famoso psicanalista judeu-austraco persona non grata no meio universitrio e enfrenta dificuldades para ter levadas a srio suas idias sobre o inconsciente. Freud logo reconhece o alto valor do suo e v nele, no no-judeu, a cabea ideal para levar adiante a psicanlise. Jung, chefe de clnica do famoso hospital psiquitrico de Zurique, mesmo ciente dos riscos que corre sua carreira e vendo limitaes comprometedoras nas teorias do mestre vienense, toma defesa de Freud em pblico e assim tornam-se colaboradores. Seus estudos, porm, levam-no a divergir da Psicanlise e a dolorosa ruptura acontece em 1912. Freud sente-se trado. E Jung v-se em apuros pois conhecidos e amigos o abandonam. Inicia-se a o perodo mais difcil e delicado de sua vida onde ele abandona as atividades acadmicas e parte para um solitrio, terrvel e decisivo confronto com o inconsciente - que levar anos e quase lhe ser fatal. Mas ele emerge dessa fase revigorado e prossegue, mesmo consciente que dificilmente a mentalidade cientfico-ocidental levar a srio coisas como inconsciente coletivo, mitologia e alquimia - para ele fundamentais na compreenso de certos processos psquicos. Morre aos 86 anos, em 1961, deixando uma instigante obra, ainda hoje revolucionria. A maioria dos cursos de psicologia de hoje dedicam, quando muito, uma ou duas disciplinas s idias de Jung. Assim como a medicina tradicional ainda est presa ao paradigma mecanicista newtoniano, nossa psicologia "oficial" ainda freudiana/psicanaltica. No entanto alguns pesquisadores apoiaram as teorias do suo, inclusive fsicos (!) que viram em suas inusitadas descobertas no mundo das partculas subatmicas, incrveis semelhanas com as teorias junguianas. Para esses cientistas o mundo dos tomos revelava uma espcie de conscincia e, de repente, era como se mente e matria no fossem to distintas assim e se influenciassem mutuamente - como afirmava Jung, desafiando o paradigma newtoniano/descartiano vigente. Socilogos e antroplogos tambm o apoiaram e a Psicologia Transpessoal surgiu a partir dele. </li><li> 2. Como pesquisador da conscincia, terapeuta, antroplogo e pensador, Jung levou suas descobertas a uma abrangncia notvel, refletindo sempre sua preocupao com o futuro da humanidade. Suas idias esto cada vez mais presentes em livros, grupos de estudo e nas novas maneiras de se interpretar a realidade. E de algum tempo para c o pblico mdio, buscando novos modelos de entender a vida, passou a se interessar por ele. Cincia e Eu Superior Jung afirma que o inconsciente no subproduto da conscincia nem mero depsito de desejos recalcados e frustraes sexuais, como pensava Freud. Para ele o inconsciente uma entidade viva, independente de nossa percepo dele, acima das noes dualistas de bem e mal. a outra parte de nossa psique que o ego (conscincia superficial) desconhece. Ele est sempre atuando e faz com que os sonhos, em sua linguagem simblica, sejam a representao fiel da psique - nossa razo crtica que se afastou da linguagem dos smbolos e no mais a entende. Para Jung a vida tem sentido sim, e sua grande finalidade a individuao: processo de profundo autoconhecimento onde tomamos a coragem de nos confrontar com velhos medos e o que desconhecemos de ns prprios. Os sonhos ento revelam- se como um importante guia para esse conhecimento. Uma vez que algum se entrega a esse caminho nada racional, sua vida parecer ser magicamente conduzida por uma sabedoria maior que Jung denominou self (o si-mesmo), o centro de cada um de ns. Individuar-se significa fazer o ego (a conscincia da superfcie) ir ao encontro desse centro. Representa separar-se da massa, do turbilho inconsciente e adquirir autonomia; representa tornar-se uma totalidade psicolgica, una e entrada, sem divises internas, autoconsciente: um in-divduo. Este o caminho para a personalidade total e a buscada realizao pessoal. Para Jung, o futuro da humanidade depender diretamente da quantidade de pessoas que conseguirem se individuar. No difcil imaginar o quanto isso deve ter soado mstico a certas mentalidades. Quer dizer ento que se eu entrar nessa, meu eu superior passa a cuidar de mim? - gozam os mais cticos. Os no-cticos preferem pagar para ver. Ovnis - Nos Cus da Alma Jung foi ousado ao valorizar o estudo da mitologia, das religies e tambm da sabedoria oriental (ela e seu modo to anti-ocidental de pensar), mostrando-nos a ponte para ligar dois modos distintos - mas no excludentes - de interpretar a realidade. Seu conceito de sincronicidade (a coincidncia entre estados psquicos e acontecimentos fsicos sem relao causal entre si) trouxe mentalidade cientfica a chance de conhecer o mecanismo das grandes coincidncias, dos orculos e de eventos ditos ocultos. Sugeriu que, assim como a idia taosta de unicidade, nosso inconsciente forma com todos os outros um inconsciente, nico e coletivo - assim, sem percebermos, esto nossos pensamentos todos interconectados. Chegou corajosa concluso que a humanidade guarda em seu inconsciente o registro de todas as suas vivncias, mesmo as mais arcaicas - mitos e arqutipos - e assim o passado de um torna-se patrimnio de todos (viria da, afinal, a idia de que j fomos algum em outra vida, presente em tantas culturas?). Mostrou que o I Ching, o milenar livro chins das mutaes, constitui a primeira tentativa documentada de relacionar o inconsciente e o Universo, e assim a mentalidade oriental deveria ser vista com menos </li><li> 3. preconceito... Jung falava de intercmbio, no de descarte, entre distintas percepes da realidade. Mas a cincia tradicional deu risinhos. Seus estudos da alquimia mostraram que ela precursora da nossa cincia do inconsciente. A relao mente/matria j era conhecida dos alquimistas, que se valiam de uma linguagem simblica para descrever processos psquicos. Sobre isso, diz a psicloga Nise da Silveira, uma das mais respeitadas estudiosas da obra de Jung no mundo: "A explorao em profundeza do inconsciente levou ao curioso achado de que os mais universais smbolos do self (si-mesmo) pertencem ao reino mineral. So eles a pedra e o cristal. Se o psiclogo, nas suas investigaes atravs das camadas mais profundas da psique encontra a matria, por sua vez o fsico, nas suas pesquisas mais finas sobre a matria, encontra a psique." As idias de Jung influenciam at mesmo a Ufologia. Hoje pesquisadores de todo o mundo debruam-se intrigados sobre o drama psicolgico dos contatados e abduzidos (pessoas que dizem ter contatos com extraterrestres), encarando-o sob outro enfoque - o que faz a Ufologia tomar um caminho surpreendentemente novo. J em 1958, em seu livro Um mito moderno, Jung alertava que preciso pensar nesse discos-voadores mais abrangentemente e entender o aspecto metafrico das aparies, sejam verdadeiras ou no. preciso entender o drama dessas pessoas luz dos arqutipos e da mitologia - o mito da jornada do heri. Muito alm da importncia de tentar provar a realidade fsica do fenmeno, estaria a necessidade de entender que contatados e abduzidos so como heris que a vida escolheu para viver, como pioneiros, certas experincias que conduziro a humanidade a uma nova e mais abrangente compreenso da realidade e de si mesma. O fenmeno dos discos-voadores, mito recente de nosso sculo, ser ento uma projeo, nos cus, de um intenso anseio coletivo de salvao num momento crucial de desespero. Ser a representao simblica do mais profundo arqutipo de unificao e totalidade psquica dos homens de todos os tempos e lugares: o crculo. Com isso Jung no pretende reduzir o fenmeno ao seu aspecto interior mas sim alertar para a relao entre o que ocorre na alma da humanidade com o que est acontecendo nos cus de nosso planeta. Dormindo com o Inimigo Jung deu o nome de psicologia analtica sua psicologia. Ela difere da psicanlise em muitos pontos mas ele mesmo no descarta a importncia dessa para alguns tipos especficos de terapia. A psicologia de Jung incentiva o indivduo a descer os degraus escuros do inconsciente e, uma vez l, reconhecer o que ele na verdade e integrar esses contedos conscincia. Assim como algum que decide fazer um curso de computao para investir em seu futuro, muitos procuram uma terapia para... autoconhecer-se, saber de suas potencialidades. A est um grande investimento: conhecer-se melhor. Para viver melhor. O processo de individuao ser sempre algo difcil. Mas ele a base da existncia. Durante muito tempo ns o vivemos apenas superficialmente, mas em algum momento da existncia a psique chama o ego a voltar-se para si, a conhecer-se, a vasculhar no interior as verdades at ento buscadas fora. A partir da novos horizontes se abrem para a realizao pessoal. Entretanto, se o ego se recusa a tal </li><li> 4. autoconscientizao, a vida tende a se encaminhar a um conflito insustentvel. Podero vir da certas doenas, fracassos e at mesmo a morte. A psique ento uma entidade que se regula a si mesmo. Acessar o inconsciente nos faz ver que os conflitos da humanidade acontecem primeiro dentro de cada um, sutilmente, para depois se exteriorizar. Para Jung, entendermo-nos com aquilo que no conhecemos de ns mesmos o grande passo que falta ao Homo sapiens. S assim deixaremos de ver o inimigo no outro e o reconheceremos onde sempre esteve: dentro de ns mesmos. Esta uma verdade simples que poucos enxergam. Haver revoluo maior? Ricardo Kelmer </li></ol>